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Pausas

Por Patricia Ravena, artesã e professora

Estamos atravessando um período tenso da História mundial. Assim como a peste negra, gripe espanhola, as duas Grandes Guerrras. Momentos ímpares que nos trazem reflexões sobre o planeta em que vivemos.
É um momento de pausas. E parar no atual contexto mundial é desesperador, visto que as esconomias, as cidades, as pessoas não podem parar.
As informações nos chegam rápido, e a atualização das mesmas nos chegam como um turbilhão de emoções. É difícil parar quando somos estimulados a não ter mais parada certa. Passada a infância, pausar é quase um crime, pois correr é a fonte de toda a economia e onde, estar parado é sinônimo de fracasso. A vida é um constante correr: acorda, trabalha, cuida-se dos seus, ama-se ás pressas, perde-se o brio. Esta correria nos paralisa quando não superamos as nossas e as vossas expectativas, visto o surgimento de tantas síndromes e depressão.
Agora, nos pedem calma. É um grande filme rodado no grande cinema que é o Planeta Terra , agora, simplesmente parado! Ruas, shoppings, escolas, turismo, grandes estradas, aeroportos, tudo, tudo em pausa.
A vida pede calma. A fauna, a flora, a atmosfera. Adoecemos a Humanidade, onde o importante não é ser; é ter. Se olharmos ao nosso redor com carinho, podemos perceber como precisamos cuidar de nosso interior, de como tratamos as pessoas e como nos relacionamos com elas. Ou não. É o momento de sentir saudade, de se perguntar porque parou-se de amar, de observar.
Reaprender a olhar o outro, e não apenas ignorar. Esta pausa, é sim, momento de reflexão.
Tenho visto em tantas redes, tantos anônimos, gestos de solidariedade com que passa por momentos difíceis frente a esta pandemia de Covid19. Notícias sobre músicos e artistas entretendo quem estáem isolamento social e têm vivido momentos de ansiedade, presos em seu próprio lar. O mundo vê, agora, a importância de parar, de se importar, de amar e se importar com quem se quer por perto, ou simplesmente se preocupar com tantas mortes planeta afora. É hora de internalizar a melhora de atitudes, de zelo, de carinho e de paciência, pois somos acometidos pela falta da mesma.
Que possamos, ao fim de tudo isto, comemorar uma vitória pessoal interna, e não somente para que outros vejam. Abrace seu filho, ligue para aquele amigo que você ama e não tem tido tempo, faça uma chamada de vídeo com os avós ou idosos que conheça, ore independente da religião, dance e vibre coisas positivas, porque o universo percebe. Utilize esta pausa para ser positivo. Doe algo, pois há tantos em nada na sociedade que não para nunca. Desentulhe sua casa, pois uma casa sem entulho é um lar sempre aconchegante para você e sua alma. Corra da maldade das notícias falsas, pois elas envenenam gente boa e aumenta o caos. Seja consciente, pois sua saúde e dos seus é importante para que possamos voltar á nossa rotina tão desejada. Use sua ansiedade para o bem, pois ao fim desta pausa, estaremos todos lutando para o retorno á normalidade. E que esta, seja agora, positiva e vibre amor. Pois, acredite. Ainda precisamos de amor.

O buraco

osPor Patricia Ravena, artesã e professora

Sabe quando tua vida chega num ponto em que você inventando coisas pra fazer pra não enlouquecer?
Se você não passou por isso ainda, parabéns!
É péssimo. O dia não passa. Tic tac. Tic Tac.
Acorda.
Abre os olhos. Vai ao banheiro. Escova os dentes. Xixi. Banho.

E depois?

Vazio. Nada. Nadinha pra fazer. No máximo encher a cara. E engordar. Isso eu tô fazendo bem. Até fumar perdeu a graça. Acredita?????

Minha vida agora é um enorme vazio. Sou o próprio vácuo. Um buraco sem graça e sem formas definidas.

Já sei, vou pintar uma camiseta!!!!!!
Lá vou eu, toda feliz. Mas dá tudo errado. Rasgo o stencil, borra a tinta. perdí a camiseta. caralho!

Já sei, vou ler. Isso!. Nem isso. Primeira página eu paro. Não consigo. Não entendo nada do que está escrito. Juro! Desespero. Tá na cara. Coisa tá feia feito puta de beira de estrada.

Escrever, vou escrever!!!!
Tenho a seguinte mania: quando penso algo legal pra escrever, anoto em algum lugar e vou guardando. Depois, pimba! Sai alguma coisa legal. Lembro do tempo em que eu fazia poesia, uns poeminhas legais. Agora nem isso. As frases estão soltas aqui por dentro. Juntá-las é dificil como um estudante iniciante.

Minha vida parou.

Não trabalho. Adoeci trabalhando. Não Demais. Os dias passam lentos, lentos, lentos.
Agora deixa eu voltar pra minha caminha.
Dormir.
O sono artificial dos trouxas. Babar no travesseiro e repetir o dia. Um drama que dura meses, dias e horas e eu não sei mais como reagir a isto.
Espero poder acordar melhor. Durmo pensando assim.
Quem sabe???????
Quem sabe não levanto, quem sabe não reajo, quem sabe eu aceite aquilo que eu não consigo aceitar e encontrar em coisas simples a felicidade de ser quem eu sou! E buscar serenidade e paz frente as adversidades enfrentadas por mim e por todos nesta longa travessia que se chama vida e entender que viver é entrega. Se entregue…ame, viva, corra, sofra, mas sofra com dignidade, com olhos no futuro, pois não se deve cultivar o sofrimento.
Sejamos todos resilientes!