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O voto e o veto

Texto e foto de Valéria del Cueto

Alô, base. Aqui Pluct Plact em mais um relatório.

Esse não é para você, cara cronista voluntariamente distante desse redemoinho invertido que rodopia afundando tudo que nele se enreda. Entendeu a imagem? Explico. Aqui não é o Kansas, nem esse desastre recorrente vai te levar, qual Dorothy Gale, pelos ares com seu cãozinho Totó para desabar na terra dos munchkins. Nem, como lá, a casa voadora cairá em cima da Bruxa Má do Leste, esmigalhando a malvada…

Por essas bandas quando se é pego pelo tornado a saída não está no alto, mas mais embaixo. Dele, o buraco, é quase impossível escapar. Não tem Glinda, a Bruxa do Norte, para dar sapatos mágicos, nem amigos para trilharem cantarolando o caminho dos Tijolos Amarelos. Muito menos Cidade das Esmeraldas… Apesar de, sim, termos um  Mágico de Oz e tudo que isso implica.

Estou tentando (eu disse tentando) destrinchar os últimos acontecimentos. Sem muito sucesso, confesso.

Só agora, por exemplo, o moço do topete laranja que comanda o maior país do mundo resolveu considerar levemeeente a hipótese de que pode ter perdido a disputa eleitoral para seu concorrente no início de novembro. Eu disse considerar a hipótese porque, como a esperança que é a última que corre, Trump está na base do “daqui não saio, daqui ninguém me tira”, dificultando a transição e acreditando que no dia da votação dos delegados algo inédito poderá acontecer. Como os democratas votarem nele!

Só agora… por mais incrível que pareça, dizem que a energia voltou ao Amapá, depois de 22 dias de escuridão, apagão, vaias, revolta e muita gente dizendo que o filho feio não era seu.

Só agora… descobriram milhões de doses de testes da malfadada Covid-19 perdendo a validade num galpão do Ministério da Saúde, em Guarulhos.

Como explicar o que dizem por aí aos colegas interestelares? Que o General alçado à chefia do Ministério chave por sua expertise em logística não corrigiu (dado aqui o benefício da dúvida, acho que ele não sabia o que havia no seu quintal) a falha na aquisição dos cotonetes de haste longa para a realização dos testes? Não acredito nessa possibilidade. E para explicar que tem mais testes perdendo a validade do que TODOS os que já foram aplicados no país?

É isso que você está lendo, cronista. Nunca foi tão pertinente sua disposição de se isolar nessa cela apenas frequentada por um raio de luar. Sabe por que? Porque a pandemia não dá trégua e o FICA EM CASA que todos os agentes de saúde bradam parece não fazer parte do reduzido (e agressivo) vocabulário do brasileiro em geral. Ele não sabe somar dois mais dois para chegar aos números assustadores da pandemia, nem tem tempo de aprimorar seu conhecimento literário. Afinal, quem aprende alguma coisa depois de partir dessa para melhor quase sem chance de repescagem?

Para finalizar, o tornado que enterra e passa por aqui se chama eleição. O segundo turno, especialmente. O momento em que o voto é essencial, mas perde sua beleza porque passa a ser veto. Quando o povo vai às urnas não para escolher o melhor, mas para impedir que o pior chegue lá. Não se discutem propostas nem programas! O que valem são as alianças, por mais espúrias que sejam, para garantir um “aqué” ou uma vantagem ali na frente. É um processo em que não se constroem sonhos ou discutem soluções. Parece que o único meio de chegar à vitória é destruindo a reputação do oponente…

Finalizo com uma reflexão baseada num de seus “amores”, o carnaval. Marginalizado, suspenso e a priori transferido pelas “ôtoridades” para julho de 2021.

Você vai gostar e, talvez, até botar seu narizinho pra fora disfarçada de Colombina. Cheguei a conclusão que Dona Coronga é uma foliã. Se considerarmos a festa uma manifestação que subverte a ordem (como a descrevem os teóricos e estudiosos), a Covid-19 está fazendo seu papel!  Em fevereiro acabará com as cordas cantadas no samba Plataforma de João Bosco e Aldir Blanc e o famigerado “caderno de encargos” do quase, quem sabe, prefeito Eduardo Paes, numa só tacada. E, é claro, não haverá como impedir o povo de ir às ruas, nem que seja no Bloco do Eu Sozinho, assim como é o momento de colocar o voto na urna. Mais carnavalesca impossível.

Uma pequena réstia de luz no fim do túnel? Só mesmo aí na sua cela, onde o raio de luar nunca falha…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

TDAH , o exterminador de futuros

No jurássico ano de 1979, fui contratado para o meu primeiro emprego regular; carteira assinada e tudo.  Por tratar-se de um primeiro emprego minha empregadora inscreveu-me no PIS (acho que todos sabem o que é o PIS).
Sei lá por que, uns anos depois fui tentar receber os juros a que tinha direito, ou outro motivo qualquer que já não me lembro,  e tive o dissabor de saber que meu PIS tinha um erro de cadastro. Segundo o funcionário do extinto Banco Nacional o tal PIS estava cadastrado em meu nome mas os outros dados eram de outra pessoa.
Como eu ganhava mais de dois salários mínimos por mês, e não tinha direito ao abono anual – apenas uns juros que julguei ser uma mixaria – e me deu uma enorme preguiça de ir atrás desse assunto, abandonei a questão. Nunca preocupei-me com a correção desses dados.
Nunca tive direito a esse abono do PIS, mas sempre quando esse assunto surgia eu me recordava de que meu cadastro estava errado. Uma hora eu vou resolver isso, disse inúmeras vezes…
Um misto de procrastinação, desleixo e preguiça me impediram de solucionar essa questão; e o pior, sequer me informei para o que serve o tal do PIS.
Trinta e cinco anos se passaram e em agosto último decidi entrar com a papelada pra contagem de tempo de serviço pra aposentadoria.
– Engraçado, ela disse.
– Estranho… Não estou entendendo, falou pra si mesma a funcionária do INSS que me atendia.
Ao vê-la com aquele semblante de perplexidade misturado com estranheza, veio-me à mente todas as dificuldades que passei ao longo da vida quando se tratava de exercer um direito, um benefício…
Tudo meu é mais difícil; tudo. Mas tudo mesmo! Absolutamente tudo!
Pra encurtar a conversa: o tal do PIS é fundamental pra aposentadoria. Metade dos meus vínculos empregatícios estão em nome de outra pessoa. Claro, aquela pessoa que partilhava o mesmo número de PIS que eu, foi no INSS em 2004 e passou tudo pro nome dele.
Fui encaminhado à CAIXA para resolver esse erro. Ali fiquei sabendo que tudo que está ruim pode piorar. Primeiro, a CAIXA me devolveu ao INSS – isso é lá com eles, e de difícil solução disse a moça – segundo, quando me cadastrei no PIS ele tinha uma outra função que era um pecúlio a ser sacado pelo beneficiário quando aposentasse. Ou seja, perdi também esse benefício. Lá se vão mais de trinta anos, meu direito de requerer já prescreveu, blá, blá, blá, blá…
E eu sabia do erro  a pelo menos uns trinta anos. E não fiz nada para reparar. Preguiça, desleixo, desinteresse, soberba, burrice!
Ahhhhhhh, detalhe; a moça da CAIXA ainda me perguntou:
– O senhor deve ter aquela carteirinha do PIS? Se tiver em seu nome mesmo fica muito mais fácil de resolver; de provar que esse número de PIS foi seu um dia.
Claro que joguei a carteirinha fora. Não tenho a menor ideia de onde ela possa estar.
A funcionária da CAIXA ficou me olhando com aquela cara de:
– O senhor é louco, idiota, irresponsável ou o quê?
Se eu tivesse de menos mau humor, menos acabrunhado, menos deprimido, eu teria respondido:
– Nada disso, moça. Sou apenas uma vítima de mim mesmo; de uma doença que me faz ser assim e de quebra faz com que em  momentos como esse EU ME ODEIE.

Via ­TDAH – Reconstruindo a Vida

BR 319 : Balsa grátis no rio Madeira em 1973

A placa do DNER indicava : Essa travessia é gratuita ! Velhos tempos…Vemos um baita Opalão, um fusca, uma Rural e uma F-75 ao fundo.

EFMM : Livro sobre ícone ferroviário é lançado nas redes sociais

O jornalista e advogado Ricardo Leite apresentou nas redes sociais o seu novo livro “1912 Vitória na Selva, umas das mais fantásticas páginas da história do Brasil e do mundo moderno”, obra com 400 páginas e uma linha do tempo ricamente ilustrada de mais de 200 anos, editado pela Temática Editora, sobre a instigante história da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) inaugurada em 1912, e seus 366 quilômetros no coração da isolada selva amazônica, atualmente cidade de Porto Velho, estado de Rondônia. 

“É realmente uma incrível aventura de coragem, cooperação entre nações e vitória sobre o impossível”, exalta o escritor, que é membro da Academia Rondoniense de Letras e trabalhou como procurador federal junto ao IPHAN e à Agencia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), sempre com um especial olhar voltado à preservação do patrimônio ferroviário nacional. “É também uma história sobre o valor das ferrovias de ontem, de hoje e do amanhã”.

No Facebook, Instagram, Twitter e WordPress o autor publicou uma amostra grátis das primeiras 40 páginas do livro e vários vídeos e fotos, que buscam ligar lugares, personagens e fatos históricos à sua narrativa. Começou em São José dos Campos-SP ao lado de uma histórica locomotiva restaurada, produzida há mais de cem anos pela mesma fábrica americana da maioria das máquinas da EFMM, e em Aparecida-SP, mostrando o especial valor simbólico dos trens turísticos para o desenvolvimento ferroviário nacional.

No livro, ele busca também desfazer mitos sobre a estrada de ferro, resgatar fatos esquecidos ou truncados, revelar outros surpreendentes, e reabilitar figuras históricas, como o investidor e empresário americano Percival Farquhar, que construiu a improvável Madeira-Mamoré e muitas outras obras essenciais para o desenvolvimento do país na primeira metade do século XX. “Era um sincero brasilianista”, assegura.

“O antiamericanismo não contribui com o debate sobre as relações do Brasil com o mundo, nem com a história de união centenária dos EUA com o nosso país.”, analisa. Nessa sua procura por justiça histórica, o autor rechaça a teoria que o presidente Juscelino Kubitschek aviltou as ferrovias em favor das estradas de rodagem. “Ele criou a Rede Ferroviária Federal e assentou 1000 KM de trilhos no seu governo. Queria o Brasil forte e próspero, com muitas rodovias e ferrovias também”.

Mais detalhes sobre a obra nas páginas:

https://www.facebook.com/estradadeferromadeiramamorero/

https://www.instagram.com/ferromadeiramamore/?hl=pt-br

https://efmm100anos.wordpress.com/

https://twitter.com/EFMM100

Ocaso e o caso

Texto e foto de Valéria del Cueto

Origem da mensagem: digitalização direta, sem direito a rabiscação no caderninho.

Localização: em trânsito para conseguir alcançar a fresta do luar pela janela, mesmo que na minguante.

Dear cronista, peço desculpas pela demora. Tenha certeza foi melhor assim. Pensei no bem estar da amiga e na possibilidade de poupar momentos de tensão, os que não são nada bons para quem está voluntariamente encarcerada do outro lado do túnel.

Andei muito ocupado tentando capturar, registrar e indexar os últimos acontecimentos. Para efeito de registro intergaláctico, uma das missões que vim fazer nesse planeta, como sabe. Como também é do seu conhecimento que meu retorno para o espaço sideral depende diretamente da situação das camadas estratosféricas. As que andam tão alteradas a ponto de não me deixarem seguir meu rumo pela Via Láctea.

Pois saiba que hoje conheci um sentimento humano, sobre o qual já havia lido, sem ter a dimensão de sua expressão. Foi como estar perdido no deserto, ver um oásis e descobrir que não, não era uma miragem (mal comparando com cenas que já vi – acho que no clássico filme Laurence da Arábia). Aquela luz que inunda o que vocês chamam de peito e se projeto por todo o corpo? Eu, seu amigo Pluct Plact, o extraterrestre, senti esperança!

Te poupei, amiga, de momentos de análise das opções (uma não tão má e outra péssima) e o desenrolar de uma batalha eleitoral que não é nossa (olha eu) mas que trouxe futuros reflexos diretos sobre o digamos, way of life do governo do seu país.

De acordo com parte do mundo que já o cumprimentou, Joe Biden é o novo presidente eleito democraticamente pelo povo americano. Sua votação é a maior da história e a vitória no colégio eleitoral está consolidada.

A eleição mobilizou não apenas o país em questão, mas o planeta. Das duas uma: ou os EUA seguiam a ondulação perigosa do topete ensandecido de Donald Trump ou, numa guinada, priorizavam questões como a pandemia (que explode por lá) e o grave quadro das mudanças climáticas.

Foi tenso o processo e dele preferi poupa-la. Tipo FLAxFLU em final de campeonato. Não vou enrolar. Os republicanos saíram na frente, porque votaram mais de forma presencial, nas primeiras urnas abertas. Mas depois… O primeiro sinal de quem seria o vencedor veio de Donald Trump que já no início da contagem se adiantou e declarou ser o vitorioso. Cedo demais.

Com votos presenciais e vindos pelos correios, cada estado procedendo de acordo com sua legislação própria, a consolidação do nome do escolhido demorou. Enquanto isso, Trump já avisava que iria judicializar os resultados. Era contra a inclusão dos votos que, enviados pelo correio, chegaram depois do dia da eleição. Os democratas, por causa da Covid-19, pediram para seus eleitores que votassem antes para evitar aglomerações. Entendeu?

Na noite de sábado – a votação foi na terça, Joe Biden comemorou em Delawere a vitória nas eleições americanas. Em tempos normais, caberia ao perdedor parabenizar o vencedor, para avisar aos americanos que a vitória do adversário era reconhecida. Normalmente… mas Trump não segue o padrão e continua afirmando que não reconhece Joe Biden como futuro presidente americano.

Como a fila andou, o democrata já anuncia medidas contra a Covid-19, pede que a população use máscara até a chegada da vacina e trabalha na transição. Trump, encastelado na White House, diz que vai até as últimas consequências enquanto pede revisão nas contagens em estados chave vencidos por JB, o deles. (O Bolsonaro, JB de cá, continua no limbo sem reconhecer os eleitos e vendo como termina o discurso de fraude que ele próprio rascunha por aqui, lembra?)

Querida cronista, deixei por último a esperança que mencionei no início. É a vice-presidente eleita, Kamala Harris. Mulher, preta, filha de uma indiana e um jamaicano. Seu sorriso ilumina e estimula a diversidade no jogo democrático. Sua postura confiante   representa a chance de uma guinada de rumo menos radical na maior nação do imundo.

Black lives matter and care about climate changes is coming. Go Joe Biden, welcome Kamala!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM… delcueto.wordpress


Hoje é dia só de sentir… …de sentir… só…


Por Rúbia Luz

Se a vida acaba, amor? Não sei…
Eu sei que acaba o corpo

Mas,  vida… este sopro
esta anima, este mover…
Não… não sei se é ela quem acaba
ou minha capacidade de compreender
Se eu entendo, amor?
Não entendo! Mas, ainda sinto
E isto eu não posso negar!
Saber e sentir são de reinos desiguais
e que, as vezes, se põem em beligerância
Mas, é por ignorância, amor… ignorância!
Só que hoje não é dia de entender…
Hoje é dia só de sentir…
…de sentir… só…
E eu… Eu sinto muito, amor
Eu sinto muito!

Artista Ângela Schilling representa o Brasil na 4a Bienal Internacional de MINIPRINT 2020


Feliz por minha gravura ser aceita pelo júri da 4a Bienal Internacional de MINIPRINT 2020!

Representando o Brasil….na ARGENTINA

Tenho trabalhado com xilogravura e quando vi a oportunidade de enviar meus trabalhos para a 4ª Bienal Internacional de Miniprint, na Argentina, resolvi mandar e ver o que aconteceria. Para minha alegria meu trabalho foi aceito e selecionado para esta Bienal.

Desta forma, além de apenas outros dois gravadores, represento o Brasil na Argentina, neste evento cultural de âmbito internacional.

Trata-se de uma Bienal de formatos pequenos onde cada gravura não pode ultrapassar a medida de 10cm X 10cm, conforme o regulamento, o que geralmente se traduz em maior dificuldade na execução da gravação como na impressão da mesma!

Enviei mini gravuras que executei em 2019, no ateliê de gravura da Escola de Artes Teos, da São Tiago Maior, ao lado da Casa de Cultura, onde ministro aulas de xilogravura.

  • O projeto destas pequenas gravuras consiste em duas matrizes cada, resultando num trabalho colorido, no qual retrato elementos da nossa preciosa natureza que sempre norteou minhas pesquisas e trabalhos de arte.

A revolta da vacina 100 anos depois…

A vachina vermelha sino-comunista contém um microplasma amniótico que induz o hipótalamo a se expandir na caixa craniana.E com o tempo, no braço ou bunda, o local da picada dependendo da vontade do vacinando, vai se criando uma espécie de tatuagem irremovível com o lado direito da face do Mao Tsé Tung. Côsa de Loko ! Cuidado ! Obs: tem que se ficar atento com a implantação de nanochip 5G da Huawei. Procure no Google Earth explicações teóricas de Neuroanatomia, Braçologia e Bundologia de induzir inveja no Bu-tan-tan! Obs : na foto se percebe uma das experiências da implantação de uma microcâmera com Wi-Fi que transmitia imagens em 4 K em tempo real por um raio que ía de Santa Elena de Uairén, na Venezuela até o Xuí, na fronteira com o Uruguai. O chefe da revolução cultural teria vetado o projeto por parecer com uma verruga.

Padre Lambretinha quem chamou é a mãe (trecho da música “Esquina do Tempo”, do Binho : Encontro de Romi-Isettas em Santa Bárbara d´Oeste (SP).

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Rastreio de contato

Texto, foto de Valéria del Cueto

“Não vou, não quero…” E tem toda razão, cronista querida. Como sempre e mais que nunca eu, Pluct Plact, seu amigo extraterrestre de estimação, reafirmo e confirmo a sensatez de sua decisão de voluntariamente ocupar um espaço exclusivo no Pinel, do outro lado do túnel, se isolando desse mundão que se desconstrói a 360 graus de olhos vistos.

Não tem mais espaço para varrer para embaixo da ponta do tapete o desacerto geral. Foi ele, o desacerto, que criou a lei da razoabilidade. Ela se sobrepõe a lei literal quando a justiça morre pela boca da arrogância mal administrada. Ou lei é lei ou é mais ou menos.

Por essa porta escancarada André do Rap, o famoso traficante pouco elegante, saiu do presídio. Alguém esqueceu de pedir a renovação do pedido de prisão preventiva do traficante condenado em segunda instância.

Enquanto o ministro do Supremo o liberava, mediante um clássico perdido, avisando que iria para o Guarujá o agora procurado da Interpol rumava para destino incerto ou ignorado. Talvez Paraguay, quiçá Bolívia que não tem extradição, antes da contraordem do presidente do STF. Onde andará o traficante?

Isso, cara cronista, no feriado da Santa Padroeira do Brasil. Enquanto o povo, alheio a pandemia, procurava divertimento apesar das comemorações em Aparecida e em Belém, do Círio de Nazaré, estarem reduzidas e virtuais.

A inauguração da loja da Havan na capital do Pará, as cenas cariocas da balada no Leblon e o agito na Praia do Rosa, em Santa Catarina, comprovam que aglomerar é uma necessidade intrínseca e atávica do ser humano.

Justiça seja feita, o exemplo vem de cima. Bem de cima. O presidente americano, em plena campanha à reeleição praticando seu negacionismo prepotente em reuniões e comícios “covidou”. Precisou de oxigênio, quicou no hospital e voltou à corrida eleitoral contra Joe Biden.

Não adianta conjecturar sobre o resultado das urnas nos EUA. Lá, como aqui, Trump já avisa que vai dar defeito se perder.

O tiro saiu pela culatra. O argumento está dando um gás ainda maior nos eleitores democratas que, agora, trabalham para ganhar de muito. As votações já começaram e vão até 3 de novembro.

Se por lá as estratégias são altamente profissionais por aqui o momento eleitoral é de diversidade e de pluralidade entre os candidatos a prefeitos e vereadores dos municípios brasileiros. Tem de um tudo. Muito mais de uns do que de outros.

O bombardeio está apenas começando, mas já deu para avaliar que o jogo é duro, o combate bruto e os resultados imprevisíveis com tempero de covid-19.

Se o exemplo que vem de cima é deplorável, imagina o efeito cascata geométrico para quem está embaixo.

As máquinas da nave trabalham sem parar indexando os dados que chegam por todos os meios disponíveis. As redes estão poluídas por avatares, memes, clipes, denúncias e, claro muita fakenews.

Tudo, menos o que seria mais: propostas para melhorar a vida do cidadão e da sociedade.

Tinha acabado a mensagem que chegará até você pelo raio de luar que invade sua cela, mas duas últimas informações tiveram que ser acrescentadas.

Depois da afirmação de que “não existe corrupção no governo” a valorosa polícia federal deu uma incerta na casa de um senador vice-líder e descobriu dinheiro guardado na cueca do empregador do sobrinho do mandatário. Não darei maiores detalhes para não a constranger com detalhes escatológicos.

Parece que daqui a pouco haverá protocolo para o rastreamento de contato da corrução latente. Aquela, que, como a Covid-19, não escolhe a vítima, ataca indistintamente.

Para fechar, Lucho Arce venceu as eleições na Bolívia. Evo Morales comemora e prepara seu retorno à casa.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

O tempo passa, o tempo voa, e a poupança do Chiquinho continua numa boa (via Prof.Hariovaldo)

 

Com o fim insofismável da corrupção no Brasil levada à cabo pelo grande líder varonil, a nação já se esqueceu daquele tempo sombrio onde a propina estava presente em abundância no meio dos homens de bem da nação. Agora, o momento é de sobriedade, de se ombrear com os bons para que a remissão nacional seja completa e não deixe espaços para a volta da corrupção, não permitindo que os cofrinhos dos corruptos fiquem cheios do dinheiro desviado, visto que aquele que queira levar alguma vantagem neste belo governo que aí está, que invista na poupança, como faz nosso bom e fiel vice líder, Chiquinho Rodrigues, ao invés de ficar buscando atos ilícitos para violar a impolutez da atual administração.

Veja mais com Professor Hariovaldo

Espaço Alheio

Texto  foto de Valéria del Cueto

Era uma fresta do terreno do edifício. Uma nesga que sobrou do projeto arquitetônico, mais um quadrado ao lado do apartamento do porteiro no térreo. No princípio nem calçado o terreno era.

Ficava do outro lado do muro do espaço destinado à área de lazer do condomínio usada pela garotada que se esbaldava na “quadra polivalente” de vôlei, queimada, de pelada depois da praia…

Era ela, a bola, que fazia a gente explorar além dos muros quando ia quicar nas bandas do alojamento do porteiro ou pedir passagem para alcançar a casa ao lado, destino certo do objeto perdido.

O tempo passou, a vida seguiu e por muito anos não houve registro da evolução da ocupação ou adequação da área de recreação do prédio para a realidade que também se transformava. Humanizar, reinventar, verdejar? Só se for lá fora…

Numa das voltas que o mundo dá vem um retorno ao mesmo endereço. Um olhar aéreo da janela registra a aridez do ambiente que abrigou tantas brincadeiras, alegrias e gargalhadas. Um nada com fundo cinza escuro onde, no máximo, os carros dos moradores são manobrados. A feiura se completa pela moldura das paredes sujas que só quem mora no bloco de trás é obrigado a apreciar. A sindica, é claro, habita a ala que dá para a rua, cheia de árvores, movimento e vida.

O outro espaço, o da nesga anexa ao quadrado, virou bicicletário. E algo mais. É ali que os funcionários do prédio mantem um pequeno jardim. No espaço estreito, uma fileira de vasos com plantas bem cuidadas. No quadrado, agora pavimentado, fica a área das bicicletas penduradas embaixo de um meio telhado. E, rente a parede, um bucólico banco de madeira e ferro, desses de jardim. Com a permissão dos donos do pedaço uma ou duas vezes usufruí do banquinho quando queria estudar em paz e tinha, por exemplo, barulho de obras dos vizinhos invadindo o apartamento.

Depois de uma intimada, vinda após a declaração de que “importante é que o bloco da frente siga os padrões obrigatórios para não atrair a atenção dos fiscais da prefeitura”, as paredes da antiga área de lazer foram pintadas. Que avanço…

E veio a pandemia, e chegou o isolamento. Todos presos em casa. Incluindo as crianças da nova geração. Novamente as risadas, o barulho das rodas dos velocípedes, brinquedos coloridos. Não da parte triste e mal cuidada dos moradores (que exibe um piso sujo e desleixado), de quem vê a rua das janelas do bloco da frente. A animação infantil se localiza no jardim oculto dos empregados do prédio!

Um dia uma máquina de jato de água aparece limpando o pretume do piso do lado “oficial” abandonado. Ele muda de cor para tons de cinza claro e expõe as cicatrizes das obras feitas na garagem que está no subsolo.

Cheguei a ter esperanças na revitalização do espaço inútil. Dava para transformar num lugar bem aprazível. Caberia até uma horta, imaginava ingênua.

Dias mais tarde as vozes infantis subiram novamente. Elas vinham do jardim dos porteiros agora, em parte, coberto de grama sintética e adereçado com escorregadores, casinhas e outras alegorias infantis.

Em vez de cuidar da área que nos cabe foi mais simples e prático ocupar o recanto bem cuidado dos empregados…

Moral da história: Além de não cuidar do que lhes pertence tem os que sempre almejam e se apossam do que outros constroem com esforço e dedicação.

Agora, amplia a fábula (dessa vez pouco fabulosa) e “modula”, por exemplo, para a reforma administrativa…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Empresário entra em guerra e pode tirar Datena, Bacci e Sikêra Jr. do ar ; entenda

“Os programas de José Luiz Datena, Luiz Bacci, Sikêra Jr. e dezenas de outros apresentadores regionais podem estar com os dias contados. Isso porque o empresário Jonas Rossatto criou um projeto para proibir a exibição de atrações policiais na TV aberta das 6h às 22h. Em três meses, a ideia conquistou o apoio de 22 mil pessoas e agora será debatida pelo Senado Federal.

As informações exibidas neste horário na televisão, das 6h às 22h, são conteúdos que não deveriam estar passando, no meu ver. É um programa policial que abusa do linguajar de baixo calão, não respeita o princípio da inocência, as informações não são apuradas. Inúmeras vezes, os programas policiais fizeram linchamentos virtuais que acabaram se tornando reais”, afirma Rossatto em entrevista ao portal Noticias da TV.

Segundo o empresário, a proposta encontra amparo jurídico no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na Lei de Abuso de Autoridade, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro no ano passado. Além disso, Rossatto não enxerga nenhum teor jornalístico nas atrações, devido à presença de inserções publicitárias entre as reportagens.

“Eles acusam as pessoas sem saber e as ofendem sem o menor pudor. Isso caracteriza que é um programa impróprio para crianças e adolescentes, para os nossos jovens que estão crescendo. O conteúdo é entregue pelo Estado, por causa da concessão. E existe o ECA, que proíbe este tipo de informação. Então, nada mais quero que se faça cumprir a lei”, opina.

No entanto, Jonas destaca que não deseja a “censura” deste tipo de programa, mas sim que eles entrem no horário indicativo adequado. “É como a questão do João de Deus, que estuprou as mulheres. Virou um documentário na Globo, mas este tipo de informação não pode ser exibido às 15h, 20h, 21h. Ele tem que ser exibido depois das 22h”, pontua.

“É um conteúdo muito pesado para ser exibido no horário aberto, da mesma forma como são os dos programas policiais”, complementa o empresário. Conforme a proposta, atualmente, o único apresentador de rede nacional salvo seria Dudu Camargo, no comando do Primeiro Impacto, do SBT, das 4h às 6h.

Sem citar nominalmente os apresentadores destas atrações, Rossatto acredita que eles cometem “um claro abuso” nos programas. “Usa [o crime] como um espetáculo para prender a atenção do telespectador e fazer com que o público consuma mais este tipo de conteúdo. Coloca uma violência e faz uma piadinha ou mostra meme para aquilo soar como mais leve. Mas, nada mais é do que uma forma de preconceito”, ressalta.

Na semana passada, o projeto entrou em pauta no Senado Federal e ganhou repercussão em algumas destas atrações. Sikêra Jr., apresentador do Alerta Nacional, da RedeTV!, foi um dos comunicadores que criticou a iniciativa no ar. Rossatto diz que foi atacado pelos telespectadores da atração e por seguidores do youtuber Gabriel Monteiro.

Em seus comentários, Sikêra Jr. questionou a legitimidade do projeto por causa do posicionamento pessoal e profissional de Jonas, que defende a legalização da maconha e possui empresas ligadas ao setor da cannabis.

Questionado sobre um possível “revanchismo” com os programas, que diariamente criticam pessoas que têm alguma relação com a droga, ele nega conflito de interesse.

“O que eu faço da minha vida pessoal não diz respeito a ninguém. Então, se eu trabalho com cannabis, não tem nada a ver uma coisa com a outra. A proposta que estou colocando é baseada na lei que foi sancionada pelo Bolsonaro. Se desenhos, filmes e programas violentos não podem ser exibidos, como que uma atração que não tem cunho jornalístico [vai ao ar]?”, questiona.

“A sociedade já entendeu que as crianças e os adolescentes não podem ver desenhos, filmes violentos das 6h às 22h. Como que um programa desse está sendo exibido? Quero que a lei seja válida também para esse quesito, pois parece que a sociedade não viu ou viu e fingiu que não podia fazer nada e colocou panos quentes neste tema”, alega o empresário.

Sem citar o nome do apresentador do Alerta Nacional, Rossatto questiona a veiculação de notícias falsas na atração quando Sikêra associa o consumo da droga a pessoas homossexuais. “É uma fake news que rolou na internet, não tem nome de cientista nenhum, e é utilizada dentro do programa. Isso só embasa ainda mais o meu argumento de que, além do conteúdo violento, [o programa] reproduz informações falsas”, conclui.

Funcionamento do projeto popular
Assim como o empresário, qualquer cidadão brasileiro pode apresentar uma ideia para ser debatida no Senado Federal. Os interessados devem acessar o portal e-Cidadania e cadastrar a sua proposta. Durante quatro meses, elas ficam abertas para apoio popular.

Caso a proposta consiga 20 mil assinaturas, ela é encaminhada para a CDH (Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa) do Senado. A ideia torna-se uma sugestão legislativa e é avaliada pelos senadores. Sendo aprovada, o assunto vira uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) ou um PL (Projeto de Lei) e segue o mesmo trâmite das iniciativas criadas em Brasília.

Entre as ideias populares, estão presentes a redução dos impostos para jogos eletrônicos (que originou a PEC 51/2017) e a criação do 14º salário para os aposentados por causa da pandemia do novo coronavírus, texto-base para o PL 3657/2020.

Atualmente, a proposta de Rossatto está na CDH como a sugestão legislativa 24/2020, e aguarda a definição de um relator para o início do debate parlamentar.

Fonte: FolhadaPB/NotíciasdaTV

Geopolítica da Intervenção : a história da Lava Jato

Quais as reais motivações daquela que se proclamou a maior operação de combate à corrupção do Brasil? Em Geopolítica da Intervenção – a verdadeira história da Lava Jato, publicado pela Geração Editorial, o advogado e cientista político Fernando Augusto Fernandes afasta as especulações e revela os bastidores sob a ótica de quem viveu alguns dos episódios decisivos da investigação.

Como advogado defensor do presidente do Instituto Lula, Fernando Fernandes foi redator e signatário do habeas corpus pelo qual obteve a decisão de soltar Lula em 2018, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre (RS). Foi também ele o relator da reclamação no STF – Supremo Tribunal Federal, que permitiu a toda a imprensa entrevistar o ex-presidente.

Princípios como estes, de liberdade e justiça, nortearam este profícuo trabalho de pesquisa, fundamentado pelo registro de documentos, links de vídeos na internet, matérias jornalísticas, processos, somados os relatos do autor, testemunha ocular dos acontecimentos.

O título da obra – Geopolítica da Intervenção – decorre da forte influência norte-americana desde o período pós-segunda guerra. Reside, aí, a questão central abordada por Fernando Augusto Fernandes: os interesses ocultos dos Estados Unidos na Lava Jato. O “Grande Irmão” merece não só um, mas alguns capítulos sobre as ações de espionagem e vigilância global, que incluem a cooperação do juiz Sérgio Moro.

A forma autoritária e em desrespeito às decisões do SupremoTribunal Federal não eram novas para Sérgio Moro. O juiz havia determinado a monitoração do advogado e professor Cezar RobertoBitencourt para a sua defesa. Fez uma trajetória não só de cooperação internacional com autoridades estrangeiras, mas também de atitudes heterodoxas no Direito, a exemplo da perseguição aadvogados. (Geopolítica da Intervenção, p. 88)

Geopolítica da Intervenção traz informações fundamentais para a compreensão não somente da Lava Jato, mas dos eventos que desencadearam a instabilidade que afasta o Brasil da plena democracia. Uma obra para o leitor refletir sobre os destinos do país, no exato momento em que a operação começa a esmorecer.