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Enfim, o título da Grande Rio ! Fala, Majeté ! !

 

Texto e fotos de Valéria del Cueto

“Fala Majeté! Sete Chaves de Exú” mostrou que o caminho para o título tão almejado nunca foi o do luxo e dos famosos que faziam a fama da Grande Rio.

O pote de ouro no final do arco-íris estava bem ali, nas ruas, nas feiras, no carnaval, nas encruzilhadas, na história de Estamira, a catadora de lixo com problemas mentais, retratada no documentário de Marcos Prado, no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, que conversava com o orixá pelo telefone.

A façanha inédita era o objeto de desejo da comunidade de Duque de Caxias, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, desde que a Grande Rio ancorou definitivamente no Grupo Especial, em 1993.

Seu desfile seduziu o público presente no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Ficará na memória como um dos mais empolgantes do… século!

A nova iluminação da pista cantada em verso e prosa é, para dizer o mínimo, um desconforto para o público nos intervalos entre as apresentações. Ninguém via ninguém entre as idas e vindas erráticas dos fachos de luzes e a troca das cores performáticas do equipamento composto por 144 moving lights, 144 projetores de led, duas mesas de controle DMX, rede de controle, 24 quilômetros de fibra, etc, ao custo aproximado 16 milhões de reais.

Nos desfiles a luz fixa, mas irregular, dificultou os registros de vídeos e fotos e, com desenho luminoso antes e depois das escolas, se perdia a profundidade das imagens. Prejuízo geral. Especialmente para quem pagará a extravagância desnecessária gerada por meio de uma Parceria Público Privada: o povo carioca.

No quesito sonorização, em vez de excesso, houve ausência de qualquer melhoria no sistema. Esse, sim, um gargalo que a organização do carnaval não consegue solucionar, apesar de ser elemento essencial ao desempenho das agremiações e solicitação recorrente.

As deficiências foram minimizadas pelas saudades sentidas por milhares de componentes e o público, ávidos por sentirem, novamente, brotar a energia do amor incondicional que o Desfile das Escolas de Samba desperta em cada folião.

DESFILE DAS CAMPEÃS

Foi por um décimo que o Salgueiro ficou entre as 6 escolas do desfile das campeãs. Desbancou a Mangueira, com o mesmo número de pontos da Mocidade, mas uma posição acima pelo critério de desempate. “Resistência”, o enredo de Alex de Souza, é um libelo à força da raça, à luta do povo negro e suas conquistas.

Resistência segue na fita da segunda escola a se apresentar, agora em sua forma orgânica, o Baobá. “Igi Osè Baobá”, enredo da Portela, fala do pilar que une o céu a terra, a árvore da vida, da… resistência. A porta-bandeira Lucinha Nobre, vencedora do Prêmio Estandarte de Ouro, desfalcará a escola de Madureira. Indo dar um beijo em seu irmão durante a passagem da escola que fechou a disputa do Grupo Especial, no sábado, Lucinha quebrou o pé.

Esse irmão é Dudu Nobre um dos autores do samba sobre Martinho da Vila que deu o quarto lugar à Vila Isabel num desfile pra lá de animado. Saudar a vida e a carreira do compositor só poderia ser dessa maneira. Uma festa familiar e popular na avenida.

Essa animação vai continuar com a Viradouro, a terceira colocada. Talvez, sem estar numa disputa, o delicioso samba da “carta sincera” possa ser levado em um andamento um pouco menos acelerado, o que tornará a passagem da escola de Niterói mais leve e solta.

O quilombo nilopolitano ocupará a Sapucaí ao som inconfundível da voz de Neguinho da Beija-Flor impondo, mais uma vez, a força da comunidade que quase levou mais um título com o enredo de Alexandre Louzada “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”.

Conhecida como a escola dos globais e do glamour, foi com a chegada de dois carnavalescos que estreavam no grupo Especial, Leonardo Bora e Gabriel Haddad, que a Grande Rio deu uma guinada na temática de seus enredos. Se voltou para o próprio universo, foi vice no último carnaval. Bateu, mais uma vez, na trave com o enredo sobre o famoso babalorixá Joãozinho da Goméia. O samba dizia: “Eu respeito seu amém, você respeita minha fé”.

Não por acaso o tema deste carnaval foi lançado no dia 13 de junho, dia do orixá Exu. A divindade é o senhor dos caminhos, a energia do movimento que a igreja sincretizou em demônio, em ser do mal. Desmistificar essa visão era um dos objetivos do enredo caxiense que levantou a Sapucaí. Levou o campeonato, o primeiro da Grande Rio.

O desfile das Campeãs do RJ será transmitido no sábado, pelo Multishow, a partir das 21:15h, horário de Brasília.

Ordem dos desfiles:

Salgueiro, Portela, Vila Isabel, Viradouro, Beija-Flor e Grande Rio.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

A volta do Orkut

A volta do Orkut!
“redes sociais devem dar esperança, e não medo”

“Oi!
Sou o Orkut. 17 anos atrás eu criei uma pequena rede social enquanto eu trabalhava no Google como engenheiro de software. Em apenas alguns anos, essa rede social se tornou o orkut.com com mais de 300 milhões de usuários.

Acredito que o orkut.com encontrou sua comunidade porque reuniu tantas vozes diversas de todo o mundo em um só lugar. Trabalhamos muito para tornar o orkut.com uma comunidade onde o ódio e a desinformação não fossem tolerados. Nos dedicamos muito para tornar o orkut.com uma comunidade onde você pudesse conhecer pessoas reais que compartilhavam seus mesmos interesses, não apenas pessoas que curtiram e comentaram em suas fotos.

O mundo precisa de gentileza agora mais do que nunca. Há tanto ódio online nos dias de hoje, e nossas opções para encontrar e construir conexões reais são poucas e bem escassas. Sempre acreditei que uma amizade é mais do que um pedido de amizade, e dediquei minha vida para ajudar milhões de vocês a construir conexões autênticas com seus vizinhos, familiares, funcionários e os belos estranhos que entram em suas vidas.

Nossas ferramentas online devem nos servir, não nos dividir. Elas devem proteger nossos dados, não vendê-los. Elas devem nos dar esperança, não medo e ansiedade. A melhor rede social é aquela que enriquece sua vida, mas não a manipula. Eu quero que você seja capaz de ser o seu verdadeiro eu, online e offline. Eu quero que você seja capaz de fazer conexões duradouras. Eu quero ajudá-lo a fazer isso com todo o meu coração.

Eu sou uma pessoa otimista. Acredito no poder da conexão para mudar o mundo. Acredito que o mundo é um lugar melhor quando nos conhecemos um pouco mais. É por isso que criei a primeira rede social do mundo quando era estudante de pós-graduação em Stanford. É por isso que eu trouxe o orkut.com para tantos de vocês ao redor do mundo. E é por isso que estou construindo algo novo. Vejo você em breve!”

O criador do Orkut reativa o site e promete ‘novidades’

http://www.orkut.com/index_pt.html

Holística e Universo : tudo é energia !

Tudo é uma energia. Cada menor partícula e entidade viva é uma parte do todo. O todo não existe sem suas partes. Estamos dentro do corpo do universo e o universo está dentro de nós. Em tempos difíceis, saiba que você tem o poder do universo dentro de você. Holística e Universo é o tema central do blog da terapeuta sueca Anne Sofie Hult, que pode ser acessado através do link www.holisticheart.se

10 coisas que não se deve dizer ao TDAH

1)BASTA ANOTAR – essa afirmação é uma das maiores provas de desconhecimento do que é o TDAH. Não anotamos. Se anotarmos, esquecemos de consultar. Se consultarmos, não enxergaremos todos os itens ou tópicos, ou nossa mente só se importará com aquilo que é importante para ela e o restante cairá no limbo.
2)TENHA UMA AGENDA, PROGRAME SEU DIA – Essa é uma variação da anterior e demonstra a ignorância completa em relação ao TDAH. Tive um sem número de agendas (físicas e virtuais), todas foram abandonadas. Nos primeiros dias é perfeito, tudo anotado com riqueza de detalhes, à medida que o tempo passa, as anotações vão ficando mais vagas e espaçadas. Até que um dia acabam. Em geral, dura, no máximo, um ou dois meses.
3) FAÇA UMA LISTA DE PRIORIDADES – Não sabemos elencar prioridades. Simples assim. Nosso cérebro prioriza o que lhe é interessante, o que ele quer. Entenda, é um transtorno, uma doença, nosso cérebro funciona diferentemente do seu, ele tem uma lógica própria que, para nós portadores, é a correta pois não conhecemos outra. Se conseguimos fazer uma lista de prioridades razoável, as intercorrências do dia a dia subverterão essa ordem e ela será abandonada.
4) SE TEM QUE SER FEITO, FAÇA NA HORA – Uma das características do TDAH é a PROCRASTINAÇÃO, ou o adiar indefinidamente aquilo que deve ser feito. Na visão dos trouxas (os não portadores) isso é apenas irresponsabilidade ou preguiça. Nada mais enganoso. Sabemos o que deve ser feito, sabemos quando deve ser feito, sabemos porque deve ser feito. Mas não CONSEGUIMOS fazer. E o pior, sofremos por não conseguir fazer. A paralisia é sofrida, é incômoda, mas, na maioria das vezes, é insuperável. Só conseguimos reagir quando o desastre é iminente ou inevitável. Em geral tarde demais.
5) PENSE NO AMANHÃ, NO SEU FUTURO –
O cérebro humano funciona através de recompensas, o cérebro sem TDAH consegue projetar recompensas futuras, mais ou menos assim: vou fazer esse sacrifício hoje para no mês que vem ou ano que vem eu colha os frutos. O cérebro do TDAH não, ele só reconhece recompensas imediatas. Semana que vem já um futuro distante. Imagine ano que vem. Precisamos da recompensa AGORA.
6) PRESTE ATENÇÃO – Somos desatentos porque queremos? Pelo amor de Deus, ninguém é desatento por opção, principalmente ao ponto da desatenção tornar-se um problema, um dano. A DESATENÇÃO É PARTE DO TRANSTORNO. Eu posso estar olhando pra você, reagindo ao seu diálogo e não estar mentalmente presente. Meu cérebro ‘reserva’ uma pequena parcela de atenção ao seu diálogo desinteressante ou desagradável, o restante, a grande maioria na verdade, pode estar em Nárnia, na Terra Média ou em Hogwarts. Ou simplesmente num diálogo mais interessante na mesa ao lado, ou numa música que toca ao longe, ou na TV ligada…
No dia seguinte aquele diálogo foi deletado de nossas mentes e se você se referir a ele, para nós será uma absoluta surpresa.
7) DEIXE DE SER PREGUIÇOSO/PREGUIÇOSA – Obviamente que o que vou dizer vai parecer uma mera defesa da preguiça, mas não é preguiça, é inércia. Podemos ter preguiça de dar uma resposta e ter que continuar uma conversa. Mesmo que isso possa prejudicar nossa situação naquele diálogo. Podemos fingir que não lemos aquela mensagem por preguiça de ter que se explicar porque não quer sair, encontrar os amigos, beber… Podemos ficar quietinhos em casa e não atender à campainha insistente por preguiça de ver gente. Mesmo pessoas que gostamos. Podemos escolher não entrar na piscina de casa em um dia de forte calor, simplesmente por preguiça de trocar de roupa, andar alguns metros até a piscina e entrar na água fria. Podemos, e temos, ter preguiça para coisas e situações que nos beneficiem, que dê prazer, que nos dê lucro, simplesmente porque o que queremos é manter a inércia, manter aquele momento de… sei lá, tenho preguiça de pensar nisso.
8) SAIA MAIS CEDO, COLOQUE O DESPERTADOR… A noção de tempo é uma das maiores aberrações do cérebro TDAH. Trinta dias pra mim, é quase uma eternidade. E sempre sou surpreendido pela rapidez com que um mês chega diante de mim. Uma semana? Ixiiii, é muito tempo. Seis meses? Nem sei o que é isso…
Quantas vezes saí em direção a um compromisso com meia hora de antecedência sem considerar que o trânsito intenso daquele horário tornava a meia hora impossível de ser cumprida. Aí eu dirigia como um louco, fazendo ultrapassagens Irresponsáveis, xingando e brigando com todos as ‘lesmas’ que se arrastavam na minha frente.
Quantas vezes na infância ouvi minha mãe perguntar: Você não viu que estava escuro, que já tinha lua no céu? Não, não tinha percebido. Na verdade tinha, mas na minha cabeça haviam passado poucos minutos desde que ela surgiu. Talvez fossem seis e meia e não nove da noite.
9) VOCÊ SÓ SE LEMBRA DO QUE TE INTERESSA – Sim e não. Em geral essa frase é dita num tom de crítica a uma pessoa desonesta, que diz se lembrar apenas do que lhe interessa. Não é bem assim, o cérebro TDAH ‘não ouve’ o que não lhe interessa, o que não desperta sua atenção ou desejo. Não é proposital, é uma doença, um transtorno que nos impede de ‘arquivar’ parte do que ouvimos, falamos ou vivenciamos. Não é escolha.
10) VOCÊ É FRIO/FRIA, INDIFERENTE, SÓ SE IMPORTA COM VOCÊ. Sinceramente, não nos importamos nem com a gente mesmo. Se só nós importássemos com a gente não nos sabotaríamos tanto, não passaríamos por tantos empregos, por tantos relacionamentos, por tantos constrangimentos, por tantas perdas. Muitas vezes não respondemos porque não estamos presentes, embora nosso corpo esteja ali. Parecemos indiferentes porque passamos por cima dos detalhes, esquecemos as datas, perdemos a hora, erramos o caminho, repetimos os mesmos erros…
Claro, temos consciência de que não é fácil conviver com pessoas como nós. Claro que nada do que disse acima cura feridas abertas ou apaga falhas graves. As feridas continuarão doendo, as consequências das falhas ainda estarão presentes. Mas se você souber de antemão com quem está lidando poderá julgar de maneira mais isenta a personalidade do TDAH com quem convive.
TDAH não é falta de inteligência, não confunda, TDAH é um transtorno de execução. Sei o que fazer, como fazer, quando fazer, mas não consigo fazer a tempo, de maneira perfeita ou simplesmente me esqueço de fazer.
Pode parecer um monte de coisas: irresponsabilidade, inconsequência, preguiça, desrespeito, indiferença…
Mas é TDAH.

Túnel do Tempo – Euro Tourinho, Carmenio Barroso e Beto Bertagna

Num intervalo das gravações do documentário de Luiz Brito, aparecem Euro Tourinho, Carmênio Barroso e Beto Bertagna levando na mão a primeira câmera Sony Digital que apareceu em Rondônia. Corria o ano de 1997. Naquele ano, a Funcetur presidida pelo Ruy Motta lançou um edital para apoio a curta-metragens, num projeto coordenado pelo folclorista Flávio Carneiro. Daquela geração despontaram realizadores como Lidio Sohn, Alejandro Bedotti, Carlos Levy, Jurandir Costa, Beto Bertagna e Luiz Brito. No Festival de Curitiba, ainda naquele ano, 4 produções rondonienses concorreram ao prêmio Pinhão. E a estréia do trabalhos teve um lançamento digno de Holywood (quááá !) com direito a tapete vermelho e canhão de luz na entrada da velha, saudosa. decana e completamente lotada Taba do Cacique, recanto dos boêmios, sonhadores, jornalistas, poetas, artistas e outros mentirosos. (Republicado a pedido)

Quem é Pavel Durov, o fundador do Telegram

Pavel Valerievitch Durov nasceu em Leningrado, atual São Petersburgo, em 10 de outubro de 1984, mas passou parte da infância em Turim na Itália, onde seu pai lecionou por vários anos. No regresso ao seu país de origem, Pavel entrou para o Ginásio Acadêmico, no qual os alunos estudam de maneira aprofundada ciências e línguas estrangeiras.Durov aprendeu a codificar na infância, e usou o seu conhecimento em programação para invadir o sistema da escola e inserir na tela de boas-vindas um insulto dirigido a um professor de ciência da computação por ele detestado, este professor o privou várias vezes de ter acessos aos computadores, porém Pavel quebrou as senhas todas as vezes.

É referido como o “Mark Zuckerberg da Rússia”por ter criado o VK ou VKontakte (significado “em contato”), a maior plataforma interativa da internet russa, também conhecida como Runet, além de ser o site mais popular na Bielorrússia, o terceiro na Ucrânia, o quinto no Cazaquistão, e o 26º em nível global, com valor de mercado estimado em 1,5 bilhão de dólares.

Morre o carrasco de Chê Guevara aos 80 anos

O militar boliviano Mario Terán Salazar, que asassinou em 1967 o guerrilheiro argentino-cubano Ernesto “Che” Guevara, morreu de câncer de próstata nesta quinta-feira (10), aos 80 anos, em Santa Cruz de la Sierra, no leste da Bolívia.

Che havia sido capturado em La Higuera, pequeno povoado boliviano, e preso numa escola.  Salazar teria recebido ordens superiores para a execução sumária.

Sacode a poeira !

Texto e foto de Valéria del Cueto

Então… Sabe o minidesfile das escolas de samba, a Abertura Rio Carnaval 2022, na Cidade do Samba, durante o carnaval? Falei nele no último texto publicado. Não fui. Não me pergunte o porquê. Ficaria no vácuo essa resposta. Só posso dizer como. Apesar de ter pedido o credenciamento antes mesmo dele ser aberto, ter renovado a solicitação no prazo determinado e reenviado novamente após apelar a quem de direito, fiquei a ver navios.

E assim estamos até hoje, caro leitor, olhando o mar e tentando decifrar o motivo da recusa.

Vou confessar, a pancada pegou em cheio depois de dois anos de pandemia onde, por convicção e respeito, abri mão de todas as atividades carnavalescas. A Abertura Rio Carnaval seria a volta ao mundo do samba. Os motivos justificavam a largada. Para começar, comemorar o fim do bloqueio que durante a reclusão me impediam de mexer, como gostaria, no acervo carnevalerio.com.

A quebra da barreira do amor (in)contido havia acontecido no ensaio fotográfico com Jhéssyka Santtos, passista da Mangueira. Dias depois, já às portas do carnaval, ela traria ao mundo Jady. Mais uma flor, uma cria verde e rosa. Voltar à quadra vazia rompeu um dique de emoções represadas e, finalmente, estabeleci a meta de cair dentro da Abertura Rio Carnaval que aconteceria em seguida.

Sempre disse que essa história de fazer planos não combina comigo…

A outra razão para definir o evento como meta, pauta e capa do Diário de Cuiabá pós carnaval era, claro, ver como funcionaria o formato de minidesfile proposto pela Liesa.

Bailei na curva e, por isso, estou aqui justificando para você, leitor de tantos carnavais, não trazer imagens nem impressões da festa da Liesa, a largada do novo período do carnaval carioca que acontecerá em abril.

Tentei acompanhar pelas redes sociais, mas não consigo, com as informações fragmentadas, formar ou repassar qualquer opinião.

Também não acho justo quebrar, depois de tantos anos, o compromisso de colocar em suas mãos material exclusivo em texto e imagens, sempre acompanhado daquele alerta de que as impressões narradas eram as minhas e que, portanto, não falaria do que não vi, apenas do que passou diante dos meus olhos. A máxima continua valendo. O que não vi não posso analisar ou avaliar.

Nessa hora, não penso apenas nos leitores de Mato Grosso que acessam os textos e crônicas por meio do jornal e sites parceiros baseados lá e em outros estados.

Vou confessar: queria mesmo era contar o que (não) vi para Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, pelo Tribuna. Afinal, um novo formato mais compacto de desfile poderá ser adaptado à cidade na fronteira gaúcha que já tem uma robusta tradição de carnaval e, no momento, se prepara para um upgrade em suas estruturas turísticas com a vinda de muitos visitantes alavancada pela abertura de freeshops e um novo fluxo de turistas da tríplice fronteira.

Fica para o próximo evento que inclua os minidesfiles. Eles virão, tenho certeza.

Até lá, nada de promessas ou planos. Em abril haverá o desfile das escolas de samba no Sambódromo fechando um mega feriadão que começa na Semana Santa e termina no fim de semana de Tiradentes e São Jorge.

Como nos últimos 14 anos, pedirei credenciamento. Esse, o da Sapucaí, incluindo o colete para fotografar na pista, nunca me foi negado. Mas, pós pandemia, sei lá. Fiquei com trauma, depois do bloqueio.

O que prometo a você, querido leitor, é não deixar de pedir passagem e o acesso dos cronistas carnavalescos ao palco da festa para que haja um registro autoral da folia. Para que se preserve o espaço dos responsáveis pela criação dos desfiles que, por coincidência, aconteceu há 90 anos.

Até lá, firmo o compromisso que está ao meu alcance de voltar à Sapucaí nos ensaios técnicos. Aqueles que definharam, foram suspensos e voltarão, nos próximos finais de semana, com força total!

Tudo se renova… Por que não a fé em um inesquecível, mesmo que tardio, carnaval?

Evoé!

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “É carnaval”  do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Macacheróvski

É hora de se acostumar com uma novidade no cardápio. Sai o popular Roskov e entra o Macacheróvski. Fruto da possível redução de grãos por falta de fertilizantes, cuja indústria foi praticamente dizimada no governo Bozo Ponha a macaxeira a ferver e quando já estiver macia frite numa frigideira e ponha um pouquinho de manteiga em cima. Bom  apetite ! 

Carnaval 2022, igual não vai ser!

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Seguimos sem blocos nas ruas e desfiles das escolas de samba na Sapucaí. Em compensação…

2022, O ANO DA INDEFINIÇÃO

Novela é pouco para descrever o conjunto da obra que se desenhou nesse início de 2022 na história do carnaval no Brasil e, especialmente, no Rio de Janeiro. Depois de sobreviver heroicamente aos 4 anos do ex-prefeito Marcelo Crivella, veio a pandemia. Tudo cancelado. E ela ainda persiste! Com vacina, na base do seja o que Deus quiser.

Nos capítulos anteriores o Réveillon, festa tradicional no calendário turístico carioca, chegou a ser cancelado. Isso, antes do prefeito Eduardo Paes voltar atrás e a cidade receber de braços abertos turistas do Brasil e do mundo.

A variante Ômicron batia na porta. Chegou, se instalou e provocou aglomerações extras nos postos de testagens e vacinação, além de aumentar a procura nos hospitais públicos e particulares no primeiro mês do ano.

No início de janeiro o cancelamento do carnaval de rua já era um sinal de que podia pegar para o desfile das Escolas de Samba do Rio.

Não deu outra. Um dia depois do feriado de 20 de janeiro em homenagem ao padroeiro da cidade, São Sebastião, o prefeito Eduardo Paes, após uma reunião relâmpago e inesperada (o martelo seria batido no dia 24) com seu colega de São Paulo, anunciou o cancelamento do maior espetáculo popular do planeta para evitar o “risco reputacional”, como explicou no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Mas só. O resto? Não sendo blocos e desfiles está liberado. Festas, eventos… Então, esse ano não vai ser igual a nenhum outro que passou.

E vamos às novas.

RIO CARNAVAL – nova marca, novo formato

A novidade da temporada é a Abertura Rio Carnaval, na Cidade do Samba, nos dias 26 e 27 de fevereiro. A nova marca/conceito Rio Carnaval será implementada   festivamente na prévia, organizada pela Liesa, do que acontecerá nos aguardados desfiles carnavalescos anuais da Marquês de Sapucaí transferidos para o feriado de Tiradentes, em abril.

NOVO FORMATO

O roteiro do espetáculo começa no palco central. Milton Cunha receberá as escolas de samba do Grupo Especial (ordem dos desfiles nos destaques) apresentando um “combo” com direito a, no máximo, 20 minutos de sambas antigos e esquenta no palco. O samba desse ano será puxado pelos componentes do carro de som conduzido pelo mestre e sua bateria, claro, com sua rainha. A comissão de frente, casal de mestre-sala e porta-bandeira, representantes de segmentos como passistas, musas e baianas comporão o pocket desfile de carnaval. As agremiações terão 50 minutos para a performance no palco e percorrer a pista do complexo dos barracões.

Cá entre nós, será um piloto para a Rede Globo do tamanho que ela gostaria que fosse a transmissão carnavalesca de cada agremiação. Foi fácil resolver a equação. Bastou reduzir de 4 mil para 160 o número de componentes por escola e tirar as alegorias.

Para esquentar as noites têm convidados especiais na abertura. Num dia, o Cacique de Ramos, no outro, o Cordão do Bola Preta. Também tem DJ “para agitar os convidados no intervalo”.

COMO ACOMPANHAR

A FM O Dia é a rádio oficial do evento. Segundo os organizadores não haverá transmissão ao vivo para a TV.

As redes sociais poderão ser, mais uma vez, um fenômeno na distribuição de imagens para o público, ávido do imaginário do carnaval carioca.

A Rádio Arquibancada também estará no ar!

À LIGA RJ, O CRÉDITO DA INICIATIVA

Quem colocou o ovo do mini desfile na pista da Cidade do Samba em pé foi a Liga RJ, que congrega as escolas do chamado Grupo Ouro, o acesso. Ela utilizou o formato inédito na festa de lançamento do CD dos seus sambas em dezembro. A brincadeira deu certo. Era uma festa para um público restrito. E não o carnaval.

OUTRAS OPÇÕES

As festas se espalham pela cidade em diferentes formatos. As próprias agremiações farão eventos em suas quadras procurando se capitalizar e atender suas comunidades dentro das novas normas.

Até segunda ordem, nas ruas não pode nada. Já em ambientes restritos e “controlados”, não há limitações. O que não impediu a saída no último domingo do Bloco “Não Adianta Ficar Putin”, no centro da cidade, logo dispersado pela Guarda Municipal

A cidade está cheia, repleta de visitantes que, em sua maioria quase absoluta, dispensa o uso de máscaras e não respeita as orientações de não aglomerar.

Fazer o que? É carnaval no Rio de Janeiro…

SERVIÇO – Rio Carnaval

Abertura dos portões às 19 horas. Ingressos nas agência de viagem, pelo site já estão esgotados individuais e camarotes para os dois dias, 26 e 27/02.

Como nos demais (e são muitos) eventos que acontecerão no Rio de janeiro no período do carnaval, a Liesa avisa que será seguido o protocolo sanitário, sendo necessária a apresentação do comprovante de vacinação para acesso e permanência na Cidade do Samba.

Programação 26 e 27/02:

SABADO 26/02 – IMPERATRIZ / SÃO CLEMENTE / VILA ISABEL / PORTELA / SALGUEIRO / BEIJA-FLOR

DOMINGO 27/02 – TUIUTI / TIJUCA / MANGUEIRA / MOCIDADE / GRANDE RIO / VIERADOURO

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Antonov AN-225, o maior avião do mundo é destruído em ataque à Kiev

Na manhã deste domingo (27), um novo ataque das tropas russas ao Aeroporto de Hostomel próximo à Kiev destruiu o maior avião cargueiro do mundo, o Antonov AN-225.

A informação foi postada há cerca de minutos pelo Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia Dmytro Kuleba em seu Twitter oficial.

Fora russos ! O fim do Esquadrão Poti. Soberania aérea sobre a Amazônia vai para o espaço

O AH2 Sabre , batismo da FAB para o russo MI 35

A Força Aérea Brasileira (FAB) vai desativar seus 12 helicópteros de ataque AH-2 Sabre, nome dado ao modelo Mi-35, fornecidos pela empresa russa Mil a partir de 2010 e operados pelo 2º Esquadrão do 8º Grupo de Aviação, o Esquadrão Poti, cuja unidade tem como sede a Base Aérea de Porto Velho (Ala 6).

O modelo entrou numa negociação do governo no auge dos BRICS, que envolveu também o fim do banimento de compra de carne brasileira pela Rússia.

Um documento interno da Aeronáutica publicado no começo de fevereiro ( quinta-feira /10) estabelece que as aeronaves serão retiradas de operação a partir do dia 1º de março num processo gradativo previsto para ser encerrado no dia 31 de dezembro.

As primeiras aeronaves a serem descarregadas do inventário da FAB pertencem ao 1º lote, com matrículas FAB 8950, 51 e 52. Estas foram entregues em dezembro de 2009, sendo oficialmente incorporadas em 17 de abril de 2010. O segundo lote foi entregue em outubro de 2010 e o terceiro em agosto de 2012. Contudo, houve um atraso na entrega do último lote, que só chegou em 26/11/2014. Todos foram trazidos a bordo de aeronaves Antonov An-124 ( o segundo maior avião do mundo) da Volga-Dnepr.

É o único helicóptero puramente de ataque do país ( e talvez o último ! ), sendo usado em missões de suporte aéreo, busca e resgate, interceptação de aeronaves ilícitas, patrulha de fronteiras, dentre outras.

Com atuação aprovada em conflitos como no Afeganistão e Síria, o MI 35 é reconhecido por sua robustez (sua blindagem pode resistir disparos de calibre 20mm) e desenho agressivo, o AH-2 Sabre é equipado com um canhão GSh-23L de cano duplo, calibre 23mm, montado em uma torre móvel na seção frontal, e pode usar 40 foguetes S-8 de 80mm ou 16 mísseis antitanque 9M120 Ataka.

Outra característica incomum é que a aeronave pode transportar ainda 8 soldados, além do comandante e do artilheiro.

O custo do lote de 12 helicópteros em 2008 foi de US$ 386 milhões. Os helicópteros tem baixo número de horas de vôo e teoricamente teriam uma vida útil superior a 20 anos. A FAB não se pronuncia sobre o destino das aeronaves. Um oficial, sob anonimato, aventou a possibilidade de eles serem vendidos para a Líbia.

Tampouco se sabe sobre o destino do mi Esquadrão Poti, que poderia ser finalmente extinto, depois de ser transferido de Recife/ PE.

A razão para o descomissionamento dos AH 2 Sabre seria o alto custo de manutenção e a dificuldade em obter peças de reposição.

O que intriga é o fato do Esquadrão representar uma verdadeira força de supremacia aérea sobre a Amazônia e como proteção de duas infra estruturas importantes , as hidrelétricas da região, Santo Antônio e Jirau, além da proximidade com Bolívia e Peru. Ou seja, ficamos vulneráveis. Ao lado, também tem a Venezuela com os SU 35 Flanker, que teoricamente obteriam superioridade aérea na região enquanto os Gripen 39 comprados na Suécia pelo governo Dilma não chegam.

Vale lembrar que o Esquadrão Pacau, sediado em Manaus, com alguns F5-EM modernizados, foi desativado em dezembro de 2021.

Outra fonte, do Exército, mencionou que eles poderiam muito bem ser incorporados aquela arma, pois faz anos que o Exercito sonha em ter um helicóptero de ataque em suas fileiras.

Veja também : O Esquadrão Poti é aqui

É você !

Texto e foto de Valéria del Cueto

 Antes tarde do que nunca, ou quase. Então, cara cronista exilada do outro lado do túnel, vamos ficar com a segunda hipótese enquanto é possível. A ausência de informações para alguém que como você se exilou voluntariamente pode ser uma benção, querida amiga.

Há vários anos, verifico aqui nos dados compilados, que eu, Pluct Plact, o extraterreste, pipoco pelo planeta trazendo as notícias pelo raio de luar dançarino que atravessa a janela de sua cela. É a fresta. Hoje, afirmo com tristeza ser cada vez mais difícil manter seu interesse nessa conexão interplanetária com o mundo exterior.

Dessa vez esperei o fim do trânsito de mercúrio retrógrado (a gente tem que apelar pra tudo aprendi, a duras penas, por aqui) para ver se as tensões aliviavam com a abertura dos caminhos astrológicos. Não sei não… Só sei que não dava para deixar passar o período que você mais gosta, a pré-folia, com sua imaginação correndo solta e projetando o que seria o carnaval que, lamento informar, está aí, mas de um jeito diferente.

Carnaval de rua? Não vai ter. Ensaios técnicos na Sapucaí? Também não. Desfiles das escolas de samba? Nem pensar. É a pandemia da ignorância e do descaso com a maior festa popular do planeta e seus integrantes. 2022 é o ano do arremedo. Não pode a festa do povo, a não ser que seja paga.

Sorte de quem não teve que explicar o atraso nas obras da Sapucaí. Não está pronta. Como não esteve para os ensaios técnicos, de casais de mestre-sala e porta bandeira, comissões técnicas, alas coreografadas e baterias nos meses que antecederiam a folia. Ensaios de rua também foram suspensos a pedido. Mas quadras lotadas e festas estiveram liberadas em janeiro.

O carnaval foi transferido por decreto para abril (já sei, vai dizer que é sacrilégio, não é?). Primeiro a quaresma, depois a páscoa e aí vem a folia. Mais um cavalo para a festa de São Jorge. Difícil assimilar? Então segura essa: para o lançamento de uma novidade, a marca Rio Carnaval, haverá na Cidade do Samba um evento com todas as escolas do grupo especial.

Dois dias de apresentações no palco com os sambas, pavilhões, baianas, baterias e… um mini desfile na pista interna do complexo carnavalesco. 50 minutos por escola. Parece piloto para o nirvana das transmissões da TV. Pra que 4.000 componentes se o quadro fica cheio com 150 foliões? Tipo o antigo Maraca e o novo.

Não estranhe, cronista, a nova marca. Depois da pesquisa indicar que os ícones referências da festa são os pavilhões das agremiações, sabe o que se faz? Pasteuriza e resume o peso simbólico das bandeiras em tiras ambulantes coloridas. Não tente entender cronista, a não ser depois que assistir a explicação.

Feche os olhos e se deixe levar pela águia, o beija-flor, o surdo, as coroas e o imagético que está em seu coração e mente de foliã. Mas não faça como a freirinha carmelita. Nos dias de folia não pule o muro! A realidade está muito diferente aqui fora.

O espaço está acabando. Só dá tempo de uma rápida pincelada em assuntos, digamos, secundários. Canadá, EUA, França, entre outros países europeus, enfrentam uma onda ultradireita negacionista antivacinas que rasga o mapa no inverno do hemisfério norte e chega a Austrália no do sul. Caminhoneiros na fita.  Ainda não chegou ao Brasil que pode ter tido seu pré-teste em setembro, lembra?

Como se não bastasse, há a eminência de guerra na Ucrânia envolvendo as maiores nações mundiais. Tudo junto e misturado com a turnê do mandatário brasileiro à Rússia. Todos recomendam não ir, o que para ele é um sim.

Dizem que o poço até aqui de frustrações e violência ainda não transbordou por causa dos Jogos de Inverno em Beijing. Ele reúne esportistas de todas as nações envolvidas. Aguardaremos o rumo dos acontecimentos após os sempre espetaculares fogos de artifícios com expertise chinesa que encerrarão o evento mundial.

É muita insanidade, cronista? Depois, dizem que a louca é você…

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Das séries “É carnaval” e “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Nunca Mais

Texto e foto de Valéria del Cueto

Daquela altura tinha uma visão geral do ambiente em que estava. Amplo e cheio de coisas. Em primeiro plano via as costas da cadeira ergonômica (sinal de que quem a ocupava o fazia com frequência) antes da escrivaninha repleta de papéis, pastas e objetos. Entre eles um laptop que visualizava pelo alto do espaldar giratório. Mais à frente cadeiras para visitantes e um sofá voltado à parede formando outro ambiente. Ao fundo estantes, mais livros e a enorme tela da TV que abriu sua visão para o mundo lá fora. Um janelão à direita. Para trás não via nada, espremido entre outros exemplares de literatura.

Não sabia seu nome, posto que era incapaz de se olhar. Não era gordo, achava, como via outros nas estantes que decoravam as paredes frontais. Mas, pela posição que ocupava, deduziu ter algum valor. Estava ao alcance das mãos do “patrão”. Era constantemente manuseado. À vista quase inevitável dos visitantes curiosos que por ali passavam. E eram muitos.

Devia conter, imaginava, alguma erudição. E essa era ampliada pelo que apreendia em seu subconsciente literário pela tela em frente. Era testemunha involuntária da história que se desdobrava a cada dia no recinto por meio daquela imensa, diversificada e louca janela pra o mundo.

De tudo que viu preferiu a alegria. O momento mais esperado era o carnaval. Seu interesse começou quando numa madrugada se (ou)viu no ritmo de uma batucada e, nas imagens projetadas, apareceu a imensa alegoria de… um livro aberto! Um irmão gigante incrustado num carro repleto de foliões. Para descobrir o que fazia ali, no meio da festa, prestou atenção às cenas que quase saiam dançando enquanto reverberavam pelo ambiente, quebrando a severidade da vizinhança na biblioteca.

Então um livro podia alcançar o mundo! Passou a observar todos as escolas de samba ávido por novas expressões literárias nos desfiles. Se sentia representado e valorizado. E lá estavam eles, em vários enredos apresentados. O período carnavalesco era ansiosamente aguardado nos anos em que pontificou com whisky e salgadinhos no salão aconchegante.

Um dia, a surpresa. Uma mudança imprevista! Não o entra e sai da estante para uma consulta ou a espanada semanal. Da prateleira para a escuridão de uma caixa fechada e, pelo som, lacrada! Que destino o aguardava? Perdeu a noção do tempo.

Sua visão foi ofuscada quando pode respirar ar puro novamente. A rearrumação foi numa estante de metal, com mais folga entre os irmãos. A visão do entorno completamente diferente. Livro empilhados, mesas, muito movimento. Ouviu dizer que fazia parte de um acervo doado a uma biblioteca de comunidade. Mais uma vez ganhou lugar de destaque. Sinal de sua relevância. Afinal, descobrira. Era um exemplar da Constituição Federal! Passou a viver manuseado e consultado.

As notícias do mundo exterior não mais chegavam. Pegava umas rebarbas por cima dos ombros dos celulares dos frequentadores. O que não era muito em se tratando de uma biblioteca. Passou a entender mais de games do que acompanhar as novidades. E sentia falta… dos carnavais. Ausentes pelo fechamento do espaço bibliográfico popular nos dias de folia.

Com o passar do tempo foi se desgastando naturalmente. Sentiu as juntas ressecadas, as folhas se soltando. Pressentiu que seu fim estava próximo pedindo a Deus só mais um carnaval, nem que fosse no compacto da quarta feira de cinzas, dia da apuração.

Não teve forças nem estrutura para chegar sequer ao meio do ano. Se despedaçou. Foi literalmente desfolhado e, com as capas e lombada, jogados numa caixa. Fechou os olhos. Imaginava que para sempre quando o conteúdo da caixa foi sendo encharcado folha por folha com um líquido pegajoso. Se entregou. Desfaleceu.

Recuperou a consciência ouvindo o som da bateria e o rugido da arquibancada aclamando a verde e rosa. “Como assim”, pensou, “onde estou, o que sou?” A lucidez foi voltando devagar. Envolvida na alegria reverberando ao vivo e a cores! Ainda havia vida em suas páginas. Usadas que foram para empastelar uma escultura carnavalesca. Fazia parte de uma alegoria num dos carros da Mangueira!

Cruzando por um dos telões que transmitiam o desfile da Sapucaí de rabo de olho (meio grudado) pode se situar. Seu desejo inimaginável fora realizado. Era um livro que virara o livro. Papel picado reelaborado para compor outra obra. Também literária. E, dessa vez, visual.

Na passada de olhar pelo telão conseguiu ler seus dizeres em letras gigantes: “Ditadura Assassin”. Franziu a sobrancelha (e livro tem?) Nunca mais. Fizera sua parte. Ajudara a impedi-la. Merecia a recompensa, decidiu, se deixando sacolejar até chegar a Apoteose ao ritmo da “Tem que respeitar meu tamborim”, a bateria da Mangueira.

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “É carnaval” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com