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Túnel do Tempo – Estádio Paulo Saldanha , em Porto Velho

Fundado em 13 de abril de 1919, o Ypiranga Esporte Clube encerrou a prática do futebol em 1982, tendo obtido cinco títulos do Campeonato Rondoniense. Era no seu antigo estádio Paulo Saldanha que as contendas futebolísticas eram realizadas em Porto Velho pois o Estádio Aluízio Ferreira só viria a ser construido em 1957.

Mamalu, depois disso o (nosso) mundo nunca mais foi o mesmo….

Anos 70. Paulo Mindof, Joao Baleiro, Ivan Marques e eu…O Olintho jr e os Hermann também participavam. A sessão comecava invariavelmente com esta musica. O amplificador era um velho Gradiente comprado a prazo (na conta da tia Reny) na Imcosul. Os toca-discos Winco, apoiados numa prancha de madeira. E a festa rolava noite afora (ou a dentro !). Os panfletinhos , precursores dos modernos flyers, eram rodados em mimeógrafo a álcool e distribuídos no Padre Réus, no Odyla Gay da Fonseca e adjacências . Os discos, trazidos por comandantes da Varig, seguindo a parada da Bilboard. Ou então contrabandeados de Paso de Los Libres, Argentina. Quer melhor escola para o que chamam hoje de DJ ? Com 1.000 agradecimentos a Olyntho, Cristina, Marco,Mauro,Marcal, Márcia, Pirica, Katia, Anita, Nara, Leiteiro e a todos que nos agüentaram de alguma forma. Éramos pós-modernos. E não sabíamos.

No rumo do silêncio…

Texto, foto de Valéria del Cueto

O silêncio vale ouro, diz o ditado, e a gente sempre pesa e pensa na ausência das palavras. Ultimamente, talvez por conta da pandemia, a frase adquiriu outro sentido. Muito mais amplo.

O ruído é tanto (e não é o Manifesto), que um momento de silêncio vale grafeno. Sabe o que é? O nanomaterial de carbono puro, (como o diamante) que é leve, condutor de eletricidade, rígido e impermeável.

O silêncio anda assim, tão excitante como o cristal mais fino conhecido, com utilidades em campos tão diversos como a dessanilização e purificação da água do mar e a redução de emissões de CO2. Sensores biomédicos poderão detectar doenças, células solares flexíveis e mais transparentes captarão energia. Ao ser adicionado a materiais de construção civil os torna mais leves e resistentes.

Tudo isso pode parecer distante do cotidiano. Mas e se o nanomaterial chegar aos cosméticos com sua pulverização na coloração dos cabelos? E na mobilidade urbana, com sua aplicação nos pneus e a fabricação de quadros de bicicleta que pesem 350 gramas?

O silêncio passou a ser tão valorizado quanto o grafeno! Enquanto todo mundo berra e grita, as obras martelam, quebram, esmerilham e calam os passarinhos prisioneiros das gaiolas do sétimo andar, as TVs, celulares, o “cinco, quatro, mais uma, três, dois, tá quase lá, ummm” da ginastica online do vizinho, o som das lives, dos filmes, das aulas, da porra da vida que passa.

O silêncio vale grafeno e o povo se esgoela pelos combustíveis fósseis…

Passei a persegui-lo, o silêncio, como um prêmio. Tentei a madrugada, com quem tenho afinidade. Descobri que ele não existe e fica mais difícil no verão. Dezenas de aparelhos de ar condicionado habitam o meu quadrado. De um lado, do outro, em frente, em cima, embaixo… Tá tudo dominado pelos roncos dos motores, alguns desregulados. Nem os miados do gato do andar de baixo são capazes de superar a barreira do ronco de concreto dos aparelhos mal aparafusados e trepidantes, ainda sem a tecnologia fantástica do grafeno.

Os únicos com possibilidades de quebrar a barreira da monotonia monocórdia e calorenta são os latidos estridentes e histéricos do cachorro da vizinha que vem do alto, mas não muito. Mas ele prefere dar seu showzinho já de manhã, quando os ares já começaram a ser desligados. E nos acordar, claro. A mim e aos vizinhos, porque aqui ninguém larga a mão de ninguém. Tá todo mundo na mesma vibe, isso antes das obras enlouquecidas da pandemia. Virou sinfonia!

Sem o dia e a calada da noite o que resta? Trocar o quarto pela sala que dá para um espaço mais amplo e menos interno, apesar de ser de fundos. E apelar para o amanhecer.

A virada mais difícil para quem, como eu, gosta de atravessar a noite. Mas como ir dormir quando a batucada começa cedo e termina lá pela hora do chá? Das cinco da tarde…

Temos mais um esforço indesejado, porém necessário.

Achei o silencio por poucas horas, entre às seis da matina e o início da aula de ginástica e o “três, dois, um” online de um vizinho abusado e sem desconfiômetro que geme e bufa a cada movimento. Antes, pra saber que há vida na terra, se manifesta animadona a arara da casa da vila que tem a mangueira e outra árvore gigante que anima e esverdeia a coleção de janelas da parte interna do quarteirão.

E sim ele vale grafeno. Ver o nascer do dia se colorindo, no céu cercado de janelas adormecidas em Copacabana, em silencio total, custa caro para quem não gosta de acordar cedo.

E não tem preço quando a gente não sabe viver sem ele…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Silêncio na pista

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Nem um surdo de marcação cruzará a Sapucaí. Calaram o povo no solo sagrado do samba

Ano passado nesse mesmo momento da criação, enquanto escrevia “O CARNAVAL DO PLANTETA FOME” contando o que aconteceria no Sambódromo da Marquês de Sapucaí em 2020, pensava em mudar o formato das dicas das escolas de samba do Grupo Especial que compõem a matéria de capa para o “próximo carnaval”. Achava (que ingenuidade) que caberia a apenas um rasgo de criatividade o sacode na abordagem da folia.

Apesar da Covid-19 já estar oficialmente apresentada ao mundo, a preocupação era com a falta de incentivo, estrutura e visão ecumênica do bisprefeito Crivella que conseguiu, entre outras proezas, acabar com a confraternização do povo do samba nos ensaios técnicos que antecediam a disputa. Era desses encontros pré-carnavalescos que saíam as fotos para ilustrar o material sobre os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro! A falta deles criava um hiato na preparação da festa e um desafia para selecionar as imagens.

VENTANIA

O que ninguém poderia prever é que, um ano depois, esse problema deixaria de existir porque não haveria desfile no palco da maior manifestação cultural popular do planeta. Como outros grandes eventos no mundo, ele seria cancelado.

Por conta da pandemia, primeiro se tentou um adiamento. A festa invadiria o calendário dos santos juninos nas férias de julho(?). Sem verbas nem para pagar o 13 salário dos funcionários da prefeitura do Rio, com as incertezas do fornecimento das vacinas, sem patrocínios à vista e, considerando a paralisia econômica quase geral, a ideia foi abortada. O carnaval ficou para 2022.

Nesse meio tempo cada um se virou como pôde. Uns com mais protocolos, outros sem maiores cuidados. Foram muitas as perdas no mundo do carnaval. Sem direito a gurufins, as festivas cerimônias de despedidas que todo sambista almeja.

TEMPESTADE

Já no início da crise as escolas se movimentaram produzindo máscaras e uniformes, arrecadando alimentos, distribuindo cestas básicas. Para chegar ao público, as LIVES se transformaram em veículos de expressão musical, cultural e canal de captação das doações. Foi a fase do “não deixe o samba morrer”. O auxílio emergencial e a Lei Aldir Blanc permitiriam uma ponta (tardia) de esperança aos milhares de artesãos e trabalhadores da indústria da folia. No início…

Com o passar do tempo o que se vê é muita reclamação (justíssimas) e pouca ação efetiva. A maioria das escolas correu atrás do prejuízo para não “enrolar a bandeira” reduzindo drasticamente os quadros de funcionários. Era isso ou encerrar as atividades.

Para aumentar a crise, a Cidade do Samba que abriga os barracões do grupo de elite do carnaval carioca foi interditada. O poder público nas esferas federal e estadual tem feito seu papel de não ajudar a sanar a maior crise carnavalesca do milênio. Tirando o prefeito Eduardo Paes que promete editais de apoio ao setor, a festa está entregue aos seus, que pouco podem fazer e focam esforços em manterem os projetos sociais junto as comunidades.

PROGRAMAÇÃO

No meio dessa desordem, o jeito é improvisar. E, com isso, carnavalizar. Se consideramos o princípio básico da manifestação cultural e usando as armas que tem, o samba vai fazer sua festa pelos meios virtuais, oficialmente. Do Viradão do Carnaval Verde e Rosa, que promoverá (de um lugar secreto para que não haja aglomeração), as eliminatórias da escolha do seu samba enredo para o ainda incerto carnaval 2022, à reprise (com comentários e depoimentos) de desfiles campeões da Portela e da Imperatriz, por exemplo. Correm por fora as programações de outros projetos, caso Boi com Abóbora que selecionou, com a ajuda do público, 14 desfiles inesquecíveis e, após as apresentações na íntegra com comentários, faz o julgamento do “super campeonato”.

A Globo quase fez a alegria dos apaixonados por carnaval ao anunciar a exibição de desfiles memoráveis, segundo a curadoria da emissora. O quase é por conta da descoberta que as escolas cariocas e paulistas se apresentarão nos dois dias em programas de uma hora e meia. Tudinho. Só dá para uma passada de samba por escola, acredita?

OCUPAÇÃO

E a Sapucaí? Vazia. Se os sambistas ficarão com os olhos compridos de desejo e saudade para o templo do carnaval, o mesmo não se pode dizer da conceituada artista plástica paulista Flávia Furtado. É dela a instalação que ocupará com balões e serpentinas a praça da Apoteose na terça-feira de carnaval.

A mesma permissão não foi dada à proposta do Museu do Samba. A instituição carioca sugeriu que, como todos os anos, fosse feita a tradicional lavagem da Sapucaí. Algumas baianas para benzer a pista e um casal de mestre-sala e porta-bandeira desfilariam ao som de um único surdo firmando o axé no território sagrado do samba.

A iniciativa foi rejeitada pela Secretaria Municipal de Cultura. Poderia haver aglomeração? Para evita-la bastaria não anunciar previamente sua realização.

Assim como os moradores, ilhados na cidade ocupada por turistas que ignoram as medidas de prevenção a Covid-19, os sambistas cariocas verão seu espaço de fala ser palco para a arte. A que eles próprios não podem expressar. Aquela, em que são inigualáveis.

O que os fazem persistir e lhes dá esperança? Apenas ecos de suas próprias vozes que dizem: “Quem nos vê sofrendo, não perde por esperar, ainda há de nos ver festejar!”. Ano que vem o samba riscará novamente seu chão. Evoé, Momo!

* Outras iniciativas merecem destaque, as lives de Maria Bethânia, o cine-debate do Museu do Samba, as iniciativas de blocos, como O Cordão do Bola Preta, e do Jornal Ritmo Carioca que retransmitirá os desfiles da Intendente Magalhães, onde as escolas que sonham em chegar a Sapucaí se apresentam. Mas o recorte da matéria é o Grupo Especial e o maior carnaval do mundo e ele acontece no templo do samba…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Opções para curtir o carnaval no youtube.

*Horário de Brasília.

Mangueira – 14/15/16 de fevereiro, 15h

“Viradão do Carnaval Verde e Rosa” – Eliminatórias da escolha do samba. 17 sambas em cada dia. Seguem 8 de cada chave.

Portela – 13/14/15/16 de fevereiro, 13h

Sáb – 1980 – “Hoje tem Marmelada” com comentários,

Dom – roda do Samba dos Crias, sambas históricos

Seg – 1984 “Contos de Areia”

Ter – 2017 “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse Rio passar…”

Imperatriz – 14/15, 19h

Dom – 1987 “Estrela Dalva”

Seg – 1995 “Mais Vale um jegue que me carregue do que um camelo que me derrube lá no Ceará”.

Boi com Abóbora – 12/13 fev, 21h.

Desfiles preferidos do público numa disputa pelo título de 2021.

Museu do Samba – 15 fev, 17h

Cine-debate sobre o documentário “Kizomba – 30 anos de um grito negro na Sapucaí”

Bethânia – 13 fev, 22h / Globoplay com transmissão aberta

Depois do amanhã

Texto, foto de Valéria del Cueto

Estamos no ponto mais alto do triplo mortal carpado no trapézio. Sem rede de proteção. A distopia é aqui na porta ao lado. Quem somos nós para reconhece-la dentro do nosso próprio quadrado? Entramos no segundo mês do ano. Como se o carnaval, já cancelado na prática, mas fervilhante em nossos corações, fosse loguinho ali.

Temos tudo, nesse nada sem sentido em que vegetamos. Dos grandes fatos aos pequenos atos quem somos nós nessa contradança? O nada combinado com o lugar nenhum. Somando, dividindo, subtraindo e multiplicando vamos levando a aritmética incorreta do dia a dia da pandemia. Aquela que assusta no âmbito geral e provoca um efeito inverso no individual. Todo mundo sabe que a ordem dos fatores altera o produto, o que não impede o “queroomeu” de sempre dando cartas de mão no pano não tão verde da humanidade.

O caos é aqui. Os sinais são bem claros, a gente é que não tem olhos para ver. O primeiro deles, no meu caso, é o local e o horário que saquei a caneta e abri o caderninho. São seis e meia da manhã da primeira segunda feira de fevereiro. Escrevo no chão da sala com o sol invadindo, ainda tímido, os tecidos de voil e a renda delicada da cortina que protege as plantas.

Ao meu lado o tomateiro informa, pela alegria serelepe de suas folhas que tremulam no ritmo preguiçoso da brisa passeando pela janela recém aberta que, apesar da falta de chuvas nesse janeiro esturricado, houve uma evolução sensível e visível a olho nu no jardim suspenso da pandemia.

Ao lado dele, uma rosa cor de rosa bem antigo desabrocha no vaso em que uma espécie desconhecida e com folhas de cheiro forte se desenvolve animadona. Tirei uma foto da mudinha virando arbusto abusado e o google indicou que pode ser um pé de Dama da Noite. Achei um pouco diferente dos “modelos” similares apresentados pelo sábio da Inteligência Artificial. Tenho a impressão que as folhas são mais lustrosas. As do vaso parecem ser, se não aveludadas, como a do pezinho de tomate, menos rígidas e “polidas”.

O sol que tomo todas as manhãs produz o tom moreno, quebra o tom esverdeado do isolamento na minha pele e pode ser reverenciado no desenvolvimento progressivo das plantas (inclusive eu, a ameba mor). Agora está forte e, caso não tomemos os devidos cuidados, deixará suas marcas. Isso me leva a mudar constantemente de posição. O caderninho me guia. E também ao meu corpo como um todo para evitar aquelas marcas nas dobrinhas, garantindo um bronzeado equilibrado. Igual a quando escrevo as crônicas nas Pontas, do Leme ou do Arpoador num verão qualquer.

Onde quero chegar? A nossa incrível e perigosa capacidade de adaptação, quase sempre inconsciente. A que nos faz acordar de madrugada num primeiro de fevereiro (amanhã é dia de Iemanjá), num ano sem carnaval, depois de um final de semana clássico com muito calor (chuvas por aqui, só se for de bençãos, pra quem acredita), praias lotadas, arrastões e variantes inclassificáveis das novas cepas se beijando nas bocas turísticas de Ipanema e outros points.

Não, não está pouco. Nem essas informações traduzem um retrato fiel do que nos aguarda, além da lentidão na vacinação contra a covid-19. O radinho que está desligado informa os movimentos de mais uma greve de caminhoneiros anunciada, ainda hoje decidirão os comandos do parlamento brasileiro. Mas, antes, Rodrigo Maia poderia até pautar o impeachment de Bolsonaro no Congresso Brasileiro, enquanto da miúda Myanmar o amigo desconhecido avisa sobre o último golpe de estado de um outro lado do mundo. Que não é aquele onde milhares de manifestantes são presos ao protestarem contra a prisão de um oposicionista ao regime, no caso, o russo.

O dia mal começou. Eu aqui, entre rosas, azaléas, tomateiros, hortelãs e mudinhas de pimentões. Observo o passarinho que borboleteia no pé de camélia que nunca deu flor. Agora, torro as cascas de bananas e jogo moída na terra. Diz que a ausência de flores é falta de potássio. Só saberei o efeito na próxima primavera. Enquanto converso com ela reparo que já dá pra ver uma mudança nos brotos das novas folhas que explodem nas pontas dos galhos. As flores, só o futuro dirá se resistirão ao inverno que (ainda) está por vir….      

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Morre Ygona Moura, a influencer que zombava das aglomeráções

A influenciadora digital Ygona Moura morreu nesta quarta-feira, dia 27, conforme informou o perfil dela nas redes sociais, que vinha sendo atualizado diariamente por sua mãe, Valeria Cardoso. A jovem estava internada com Covid-19 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Cidade Tiradentes, em São Paulo. Ygona Moura, que gerou polêmica nas redes após celebrar ter aglomerado em festa, havia apresentado uma piora no estado de saúde no último domingo, 24. Negacionismo mata e infelizmente a influencer agora se aglomera à estatística cruel de mais de 220 mil mortos….

21 de janeiro, aniversário de nascimento do Pe. Landell de Moura, herói da pátria

21 de janeiro é um data histórica para as telecomunicações e, particularmente, para o rádio, o veículo mais popular e de maior penetração em todo o planeta.

Há 116 anos, na capital paulista, foi realizada a primeira transmissão mundial da voz humana e de sons musicais entre dois pontos através de ondas de rádio.

O autor da façanha foi o gaúcho Roberto Landell de Moura (1861-1928), o padre Landell, nascido em 21 de janeiro. A experiência foi realizada ligando o Colégio Santana, no alto da colina da rua Voluntários da Pátria, na zona norte de São Paulo, à Ponte das Bandeiras, sobre o rio Tietê. Um público selecionado e qualificado presenciou a exitosa transmissão: cientistas, empresários e a imprensa. Tempos depois, o padre-cientista repetiria o experimento, desta vez entre o alto de Santana e a avenida Paulista.

Era o ano de 1889. No Colégio das Irmãs de São José, hoje Colégio Santana, no bairro de Santana, em São Paulo, o padre Roberto Landell de Moura instalou um estranho aparelho de madeira com um microfone. Em outro ponto, outro aparelho recolhia as ondas transmitidas pelo primeiro e reproduzia o som. Foi a primeira transmissão de rádio ocorrida em São Paulo, conforme registrou à época o jornal O Estado de S.Paulo. Outras demonstrações do tipo foram feitas por Landell de Moura no Rio Grande do Sul e em outros lugares. Em 1901, ele obteve a patente brasileira do aparelho transmissor de ondas sonoras, do telefone sem fio e do telégrafo sem fio, e em 1904, obteve também as patentes nos Estados Unidos. O italiano Guglielmo Marconi, mais reconhecido como inventor do rádio, só conseguiu fazer uma transmissão de voz em 1914, quinze anos depois de Landell de Moura.

Na época em que viveu, Landell de Moura foi vítima da incompreensão e da ignorância de seus contemporâneos brasileiros. Empresários e governantes do país não deram à época a menor atenção às invenções do padre. Diante de criações que pareciam contrariar as leis da natureza, Landell era tratado como “herege”, “farsante”, “bruxo”. Em 1905, por exemplo, ao voltar dos Estados Unidos, Landell escreveu uma carta ao então presidente Rodrigues Alves pedindo a cessão de dois navios para fazer uma demonstração da transmissão de rádio de um para outro. O pedido foi negado, “coisa de maluco”. Quando Marconi fez pedido semelhante na Itália, toda a esquadra italiana foi colocada à sua disposição.

O o projeto foi apresentado em 17/6/2010 pelo então senador Sérgio Zambiasi (PTB/RS), por sugestão de seu chefe de Gabinete Dirceu Braz Goulart Neto (hoje exercendo a mesma função junto à senadora Ana Amélia Lemos), e de Marcello Antunes, assessor de imprensa da Liderança do PT e do Bloco de Apoio ao Governo no Senado, todos simpatizantes do Movimento Landell de Moura, o patrono dos radioamadores do Brasil.

Ironia do destino, embora seja um dos maiores gênios dos séculos XIX e XX, por suas invenções e atuação científica, Landell de Moura, gaúcho de Porto Alegre nascido no dia 21 de janeiro de 1861, é ignorado em seu próprio País, onde as crianças continuam aprendendo que o inventor do rádio foi o italiano Guglielmo Marconi.

Com o conhecimento teórico e a inquietude dos que estão à frente de seu tempo, Roberto Landell de Moura transmitiu a voz humana à distância, sem fio, pela primeira vez no mundo. Foi também pioneiro ao projetar aparelhos para a transmissão de imagens (a TV) e textos (o teletipo). Previu que as ondas curtas poderiam aumentar a distância das comunicações e também utilizou-se da luz para enviar mensagens, princípio das fibras ópticas. Tudo está documentado por patentes, manuscritos, noticiário da imprensa no Brasil e no exterior e testemunhos.

As pioneiras transmissões de rádio aconteceram no final do século XIX, ligando o alto de Santana – o Colégio Santana – à emblemática Avenida Paulista, que hoje abriga diversas antenas de emissoras de rádio e de TV.

Ao transmitir a voz, Landell se diferenciou de Marconi. O cientista italiano inventou o telégrafo sem fios, ou seja, a transmissão de sinais em código Morse (conjunto de pontos e traços) e não o rádio tal como o conhecemos.

As experiências do padre Landell não sensibilizaram autoridades e nem patrocinadores. Pior: um grupo de fiéis achou que o padre “falava com o demônio” e destruiu seus aparelhos.

Mesmo tendo patenteado o rádio no Brasil (1901), Landell não obteve reconhecimento. Decidiu, então, viajar para os Estados Unidos, onde conseguiu, em 1904, três cartas patentes. De volta ao Brasil, quis fazer uma demonstração das suas invenções no Rio de Janeiro, mas, por um erro de avaliação, o Governo não lhe deu a oportunidade. Depois, ele seria “forçado” a abandonar as experimentações científicas. Morreu no ostracismo e o Brasil importou tecnologia para entrar na era das radiocomunicações!

Landell de Moura está, agora, já em pleno século XXI, prestes a ver seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão Tancredo Neves, graças ao Projeto de Lei do senador Sérgio Zambiasi, que está atualmente em análise na Câmara dos Deputados. Estará, desse modo, ao lado de outros heróis como Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Santos Dumont e Oswaldo Cruz.

Também receberá, em fevereiro, o título post-mortem de Cidadão Paulistano (que Marconi recebeu em vida), por iniciativa do vereador Eliseu Gabriel.

Há anos, ele é o patrono dos rádio amadores brasileiros e seu nome está em ruas e praças de várias cidades, em instituições públicas e em livros publicados no Brasil e no Exterior.

O Brasil tem agora a oportunidade de reconhecer a obra científica de Landell e incluir os seus feitos no currículo escolar obrigatório do ensino básico. É por isso que luta o MLM – Movimento Landell de Moura, integrado por voluntários de diferentes áreas, que construiu um site –www.mlm.landelldemoura.qsl.br – para angariar assinaturas em prol desse reconhecimento. Vale registrar que o MLM não tem fins político-partidário, religiosos, financeiros ou de promoção pessoal.

Patentes

Landell de Moura, em 9 de março de 1901 obteve para seus inventos, a patente brasileira número 3.279 Poucos meses depois seguiu para os Estados Unidos, e em 4 de outubro de 1901 deu entrada no The Patent Office of Washington, DC pedindo privilégio para as suas invenções, tendo obtido, em 11 de outubro de 1904 a patente 771.917 , para um transmissor de ondas; a 22 de novembro de 1904, a patente 775.337 para um telefone sem fio e a 775.846 para um telégrafo sem fio.

Os seus trabalhos foram noticiados em 12 de outubro de 1902, no jornal americano “The New York Herald“, em reportagem sobre as experiências desenvolvidas na época, inclusive por cientistas americanos, alemães, ingleses dentre outros, na transmissão de sons sem uso de aparelhos com fio. Ressalta o jornal:

Por entre os cientistas, o brasileiro Padre Landell de Moura é muito pouco conhecido. Poucos deles tem dado atenção aos seus títulos para ser o pioneiro nesse ramo de investigações elétricas. Mas antes de Brigton e Ruhmer, o Padre Landell, após anos de experimentação, conseguiu obter uma patente brasileira para sua invenção, que ele chamou de Gouradphone“.

O jornal publica uma ampla reportagem sobre Landell de Moura, sua vida e obra, completada por uma fotografia do Padre, intitulada

Padre Landell de Moura – inventor do telefone sem fio” (denominação de época para a radiotelefonia ou a transmissão da voz humana à distância sem fio condutor).

Nas cartas-patentes, fica claro que o padre Roberto Landell de Moura recomendou o emprego das ondas curtas para facilitar as transmissões quando essas ondas não eram sequer cogitadas por outros cientistas.

Além disso, Landell deixou manuscritos que provam que, em 1904, quando ainda estava nos EUA, projetou a transmissão de imagens (Televisão) e textos (Teletipo) à distância sem fios. Ele batizou a primitiva TV de “The Telephotorama ou A visão à distância”. Também há documentação de que foi um dos pioneiros no desenvolvimento do controle remoto pelo rádio. Esses projetos não foram adiante porque, como ele próprio disse em uma entrevista à imprensa brasileira, foi “forçado” a abandonar a carreira científica.

Roberto Landell de Moura faleceu de tuberculose, aos 67 anos, no anonimato científico, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em Porto Alegre. Nos últimos momentos de sua vida, quando alguém indagou sobre os progressos da radiodifusão, ele simplesmente respondeu: “São águas passadas.”

Quem foi

O padre Landell de Moura nasceu no centro da cidade de Porto Alegre (RS), em 1861. Realizou os seus primeiros estudos em Porto Alegre e São Leopoldo, antes de seguir para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Em companhia do irmão Guilherme, seguiu para Roma, matriculando-se a 22 de março de 1878 no Colégio Pio Americano e na Universidade Gregoriana, onde estudou física e química. Completou sua formação eclesiástica em Roma, formando-se em Teologia, e foi ordenado sacerdote em 1886.[1]

Quando voltou ao Brasil, substituiu algumas vezes o coadjutor do capelão do Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e manteve longos diálogos científicos com D. Pedro II. Depois disso, serviu em uma série de cidades dos Estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo: Porto Alegre, Uruguaiana, Santos, Campinas, São Paulo.

Em Roma, iniciou os estudos de física e eletricidade. No Brasil, como autodidata continuou seus estudos, e realizou as suas primeiras experiências públicas na cidade de São Paulo, no final do século XIX.

O Exército Brasileiro em homenagem ao insigne cientista gaúcho, concedeu em 2005 a denominação histórica de “Centro de Telemática Landell de Moura” ao 1° Centro de Telemática de Área, organização militar de telecomunicações situada na cidade de Porto Alegre.

Transmissão da voz

Foi pioneiro na transmissão da voz, utilizando equipamentos de rádio de sua construção patenteados no Brasil em 1901, e, posteriormente, nos Estados Unidos em 1904. Landell transmitiu a voz humana por meio de dois veículos; o primeiro, um transmissor de ondas que utilizava um microfone eletromecânico de sua invenção que recolhia as ondas sonoras através de uma câmara deressonância onde um diafragma metálico abria e fechava o circuito do primário de uma bobina de Ruhmkorff, e induzia no secundário dessa bobina uma alta tensão que era irradiada ou através de uma antena ou de duas esferas centelhadoras. A detecção era feita por dispositivos que foram sendo melhorados ao longo do tempo.

O segundo meio utilizado pelo cientista era através do aparelho de telefone sem fio, que utilizava a luz como uma onda portadora da informação de áudio. Neste aparelho, as variações das pressões acústicas da voz do locutor eram transformadas em variações de intensidade de luz, de acordo com a onda de voz, que eram captadas em seu destino por uma superfície parabólica espelhada em cujo foco havia um dispositivo cuja resistência ohmica variava segundo as variações da intensidade de luz. No circuito de detecção havia apenas o dispositivo fotossensível, uma chave, um par de fones de ouvido e uma bateria. Por utilizar a luz como meio de transporte de informação, Landell é considerado um dos precursores das fibras ópticas.

O Padre Landell realizou experiências a partir de 1892 e 1893, em Campinas e em São Paulo. O jornal O Estado de S.Paulo noticiou que, em 1899, ele transmitiu a voz humana a partir do Colégio das Irmãs de São José, hoje Colégio Santana, no alto do bairro de Santana, zona norte da capital paulista. Também efetuou demonstrações públicas de seu invento no dia 3 de junho de 1900 sendo noticiada pelo Jornal do Commercio de 10 de junho de 1900:

No domingo passado, no alto de Santana, na cidade de São Paulo, o padre Landell de Moura fez uma experiência particular com vários aparelhos de sua invenção. No intuito de demonstrar algumas leis por ele descobertas no estudo da propagação do som, da luz e da eletricidade através do espaço, as quais foram coroadas de brilhante êxito. Assistiram a esta prova, entre outras pessoas, Percy Charles Parmenter Lupton, representante do governo britânico, e sua família“.

Em 1903, Arthur Dias, em seu livro “Brasil Actual”, faz referência a Landell de Moura, descrevendo, entre outras coisas, o seguinte:

logo que chegou a S. Paulo, em 1893, começou a fazer experiências preliminares, no intuito de conseguir o seu intento de transmitir a voz humana a uma distância de 8, 10 ou 12 km, sem necessidade de fios metálicos.

Após alguns meses de penosos trabalhos, obteve excelentes resultados com um dos aparelhos construídos. O telefone sem fios é reputado a mais importante das descobertas do Padre Landell, e as diversas experiências por ele realizadas na presença do vice-cônsul inglês de S. Paulo, Sr. Percy Charles Parmenter Lupton, e de outras pessoas de elevada posição social, foram tão brilhantes que o Dr. Rodrigues Botet, ao dar notícias desses ensaios, disse não estar longe o momento da sagração do Padre Landell como autor de descobertas maravilhosas“.

Incompreensão e descaso do Brasil

O êxito das experiências do Padre Landell não teve a devida acolhida das autoridades brasileiras da época, conforme se verifica em reportagem publicada no jornal La Voz de España, (editado em S. Paulo), no dia 16 de dezembro de 1900, que diz:

quantas e que amargas decepções experimentou Padre Landell ao ver que o governo e a imprensa de seu país, em lugar de o alentarem com aplauso, incentivando-o a prosseguir na carreira triunfal, fez pouco ou nenhum caso de seus notáveis inventos.

Estava em Campinas quando, numa tarde, ao retornar da visita a um doente, encontrou a porta da casa paroquial arrebentada e seu laboratório e instrumentos completamente destruídos.

Visto por uma população ignorante como “herege”, “impostor”, “feiticeiro perigoso”, “louco”, “bruxo” e “padre renegado” por seus experimentos envolvendo transmissões de rádio dois dias antes em São Paulo, pagou com sofrimento, isolamento e indiferença sua posição de absoluto vanguardismo científico.

Em junho de 1900, por carta, Landell de Moura pretendeu doar seus inventos ao governo britânico, como registrou em pesquisa para doutorado na USP, em 1999, o historiador da ciência Francisco Assis de Queiroz.

Em 1905, ao retornar ao Brasil após uma estada de três anos nos Estados Unidos, ainda teve energia para enviar uma carta ao presidente da República, Rodrigues Alves. Solicitava dois navios da esquadra de guerra para demonstrar os seus inventos que revolucionariam a comunicação (chegou a dizer que, no futuro, haveria comunicação interplanetária).

O assistente do presidente, no entanto, preferiu interpretá-lo como um “maluco” e o pedido foi negado. Na Itália, quando fez um pedido semelhante, Marconi teve toda a esquadra à disposição.

Landell não conseguiu financiamento privado ou governamental para continuar as suas pesquisas nem para construir equipamentos de rádio em escala industrial.

Foi necessário que se passassem 123 anos para que Landell de Moura obtivesse o reconhecimento pela sua invenção, pelo menos no Brasil. Em caráter terminativo, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) aprovou o projeto de lei 7504/2010, que inclui o padre gaúcho no Livro dos Heróis da Pátria.

A presidente Dilma Rousseff finalmente sancionou o Projeto de Lei 7.504, transformado em Lei 12.614, que inscreve o nome de Landell no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão Tancredo Neves, onde repousam outros dez brasileiros.

NR : Em Rondônia, o Pe. Vitor Ugo, então Secretario de Cultura Esportes e Turismo, SECET , juntamente com seu adjunto Prof. Isaías Vieira da Costa, implantou na década de 80 o CEPAV – Centro Audiovisual Pe. Landell de Moura, que seria o embrião da TVE Madeira-Mamoré, Canal 2, emissora educativa do Sinred – Sistema Nacional de Rádio e TV Educativa que funcionou por aproximadamente 5 anos. Tive a satisfação de ser convidado por Vitor Ugo e Isaías para participar deste projeto pioneiro. Como muitas outras coisas , em Porto Velho JÁ TEVE um canal de tv educativa. E o Pe. Landell de Moura foi justamente homenageado, àquela época.

Dobra do Tempo

Texto, fotos de Valéria del Cueto

Cronista do raio de luar. Fui! Porém por motivos alheios a nossa vontade eis-me, mais uma vez, usando a lua para alcança-la na janela. Depois do último contato achava que nos encontraríamos em circunstâncias muito diferentes…

A vida, nem a da terra, nem em lugar nenhum da Via Láctea, ou adjacências, quis assim. Como aprendi com você, fazer o que? Ter paciência, malemolência e tocar o barco é o que nos resta.

Como disse, fui! E você era a próxima. Nos dias que os planetas quase se beijaram de tão próximos ao por do sol, pouco antes do Natal, finalmente minha espaçonave teve impulso e rompeu a atração que me agarrava aqui. Era um momento único, uma chance imperdível e, claro, aproveitei para picar a mula em direção ao infinito.

Querida amiga, estava tudo pronto para sua partida. Sei que você entendeu a ausência das mensagens por quase 2 meses como um sinal do que viria a seguir.

A abdução estava selada, carimbada e avaliada. Era só questão de pegar carona na cauda do cometa para busca-la. Só que os acontecimentos no planeta se precipitaram. Diante do que foi registrado no comando central interplanetário fui requisitado para, com o conhecimento adquirido com sua ajuda nas longas conversas pela fresta de luar no seu exílio voluntário do outro lado do túnel, ser observador da chacoalhada generalizada que sacode o equilíbrio terráqueo.

Tentei deixa-la fora desse enredo apressando sua vinda para o lado de lá. Fui voto vencido. Chegaram à conclusão que, mesmo isolada na cela, seus delírios têm mais sentido e servem como força auxiliar na compreensão dos acontecimentos recentes e vindouros.

Os primeiros, passo a relatar para coloca-la (um pouco) a par do que nos espera.

Já voltei há alguns dias, a tempo de ver um homem de chapéu de touro sentado na presidência da Câmara dos Deputados da maior nação democrática do mundo após o Capitólio ser invadido, qual o Império Romano, por uma horda de bárbaros, sem que houvesse uma reação capaz de conter a turba. Com o quase ex-presidente Trump, depois de achar que era o dono da bola, incentivando o distúrbio. No momento está “impeachmado” na Casa e em via de ser julgado pelo Senado, para começar. Ele ajudou a colocar em risco a segurança das três autoridades máximas da sua cadeia sucessória.

O que temos com isso e por que foi suspenso o projeto de abdução, você se pergunta? Ocorre que, justo nesse momento e por causa dele, finalmente os sinais de nossas passagens pelo planeta se tornam públicos e notórios ao serem oficialmente reconhecidos pelas autoridades locais.

Resumindo: estou na comissão de frente da delegação de observadores interplanetários e você aí, isolada, é fonte, intérprete e analista dos fatos, numa parceria que garante sua retirada imediata, caso a situação continue se agravando.

Palavra de Pluct, Plact com aval da cúpula da missão. Você será nossa Mônica Calazans, a “cobaia” e primeira a ser vacinada contra a Covid-19 no Patropi. Sim, avoada cronista. Entre negação, brigas, impropérios e quase convencendo parte da população que a terra é plana, depois de 51 (o número lembra algo?) países entramos na corrida da vacinação. Tem maluco dizendo que quem se vacinar pode “virar jacaré”, acredita?

É justamente esse povo doido (louco por uma morte horrorosa e inglória) que desafia a sensatez e se aglomera como se não houvesse amanhã por praias, bares e festas por aí. O vírus? Não quer brincar de esconde-esconde e ataca pra valer. Estamos, mais uma vez, não na beira, mas enterrados numa gigantesca, cruel e agressiva onda de mortes, agora, inevitáveis. Um genocídio programado para dizimar populações inteiras. Manaus está aí, sem oxigênio para doentes, cavando covas e servindo de (mau) exemplo para o mundo. O general da logística envia “kit preventivo” para lá.

Me ajuda a explicar atitudes como essa para os seres superiores, cronista. Como?

Precisamos de você! Felizmente aí, onde está. Isolada, lúcida e iluminada para ajudar, não a decifrar (é impossível, sabemos), mas traduzir o que move a alma humana além do desprezo pelo seu próximo e a crueldade com que o destrói. Mandarei todas as informações que obtivermos. Vamos precisar de argumentos sólidos e consistentes para evitar uma punição severa e exemplar no julgamento final nas cortes intergalácticas. Final, eu disse!

Sua passagem está garantida sem barulho ou publicidade, como combinamos. Aguardemos os acontecimentos. O dia de São Sebastião, 20 de janeiro, ficará na história. Como uma dobra no tempo.

O que virá depois? Os deuses dirão…Do seu, Pluct, Plact.

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Taba, Querida Taba no tempo que se bebia uma cerveja gelada com dignidade e os beócios rareavam nas ruas modorrentas…

Num intervalo das gravações do documentário de Luiz Brito, aparecem Euro Tourinho, Carmênio Barroso e Beto Bertagna levando na mão a primeira câmera Sony Digital que apareceu por estas bandas. Corria o ano de 1997. Naquele ano, a Funcetur presidida pelo Ruy Motta lançou um edital para apoio a curta-metragens, num projeto coordenado pelo folclorista Flávio Carneiro. Daquela geração despontaram realizadores como Lidio Sohn, Alejandro Bedotti, Carlos Levy, Jurandir Costa, Beto Bertagna e Luiz Brito. No Festival de Curitiba, ainda naquele ano, 4 produções rondonienses concorreram ao prêmio Pinhão. E a estréia do trabalhos teve um lançamento digno de Holywood (quááá !) com direito a tapete vermelho e canhão de luz na entrada da velha, saudosa. decana e completamente lotada Taba do Cacique, recanto dos boêmios, sonhadores, jornalistas, poetas, artistas e outros mentirosos. (Republicado a pedido)

Da esquerda para a direita, Bertagna, Carmênio e Euro Tourinho

Túnel do Tempo : Locomotiva Cel. Church da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

A velha locomotiva nº 12, a “Coronel Church” , nome dado em homenagem ao coronel norte-americano George Earl Church, que em 1872 idealizou a ferrovia, foi a primeira máquina a chegar na Amazônia, trazida pela firma “P & T Collins” em 1878. Após a desativação em 1972, a locomotiva permanecia nas dependências do 5º Batalhão de Engenharia e Construção – o 5º BEC. (em Porto Velho, capital de Rondônia) de onde foi removida para o museu, ganhando nova pintura nas cores originais. Ano de 1981

Cobogó

Combobó? Comongol? Comogó?

Vamos começar do começo. O nome original é co – bo – gó. E o cobogó é uma invenção pernambucana, que se chama assim porque é derivado dos nomes dos 3 engenheiros que idealizaram a invenção: Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góis.

Os cobogós são elementos vazados que completam paredes e muros para possibilitar maior circulação de ar e luminosidade ao interior de estabelecimentos, sejam eles residenciais, comerciais ou industriais.

Em muitos lugares do Nordeste do Brasil o nome sofreu várias deturpações, tais como combobó, combogó, comogó, comongol, comogol.

Inicialmente, os cobogós eram feitos apenas de cimento. Com sua popularização passaram a ser moldados com outros materiais, como argila, vidro, cerâmica etc.

Vivendo e aprendendo.

Kombeiros e Viajantes do Norte se reunem em Jaru

Aconteceu neste fim de semana,  com encerramento neste domingo, o 2º Encontro dos Kombeiros do Norte, cujo grupo agora se chama Viajantes do Norte para englobar outros estados da região.

O local do evento foi lá no Parque das Ilhas , na Linha 605 em Jaru. Muito bom o encontro, mostra que o pessoal do Motor Casa está unido e vem crescendo em nosso Estado.

Vários Kombeiros/Vans de outras cidades participaram do encontro. Valeu, parabéns aos organizadores e, com certeza virão outros encontros.

As fotos que ilustram o encontro são de autoria do Ezequiel, que participou do evento e gentilmente cedeu as fotos. Vários outros amigos Kombeiros também estavam lá.

Que venha o próximo encontro !

Nilson Chaves vence Covid 19 ! Live em sua homenagem será no próximo dia 11