São Paulo: a voz das ruas e a oportunidade de mudanças (via Blog da Raquel Rolnik)

Ontem estive na manifestação contra o aumento das passagens em São Paulo. Há muitos anos eu não via nada parecido. Aliás, é muito estranho a imprensa falar em 65 mil pessoas na manifestação. Eu diria que tinha muito mais que 100 mil… Pensando sobre o que aconteceu ontem, me lembrei de quando, lááá atrás, nós estávamos derrubando a ditadura, lutando por eleições diretas, reconstruindo as representações políticas do país. Naquela época nós íamos pra rua com nossas próprias faixas, bandeiras e cartazes, feitos em casa por nós mesmos, muito antes dessa era em que candidatos a representantes são vendidos que nem sabonete ou outro produto qualquer, com campanhas de marketing milionárias.

foto: Folha Online / Miguel Schincariol / AFP

Aliás, essa é uma das razões por que o direito à cidade – promessa que fazíamos pra nós e pro Brasil naquela época – não avança. Porque campanhas milionárias dependem de doações de interesses corporativos que as financiam e que depois cobram a fatura, impondo suas pautas e agendas na construção das políticas públicas. Essa é, portanto, uma primeira questão entre tudo o que vi ontem: uma espécie de renascimento de práticas já esquecidas, de retomada de reivindicações importantes, de luta por direitos sociais básicos, além de muitas práticas e métodos novos. Isso estava expresso em cartazes que falavam de “saúde, educação e transporte pra todos”, por exemplo. Sinal de que a sociedade brasileira está muito feliz de ter mais dinheiro para comprar mais coisas, mas que isso não é suficiente.

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2 pensou em “São Paulo: a voz das ruas e a oportunidade de mudanças (via Blog da Raquel Rolnik)

  1. norma7 – Rio de Janeiro - Brasil
    norma7

    Beto,
    Resposta a um coment. do mesmo Post, área cultural, mostrando o lado negro da “Força”. Bjo Nac

    Quote

    A lamentar, as depredações do patrimônio publico e privado promovidas por arruaceiros que não fazem parte do MPL. Doeu ver na TV prédios históricos do Rio sendo pichados e o valioso mobiliário transformado em fogueira.
    Resposta
    norma7
    em 19/06/13 às 11:48

    Rogério, desculpe-me! Vou ferir você mais fundo:

    “O Centro Cultural Paço Imperial, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) inaugura na próxima quinta-feira, dia 13 de junho – para o público na sexta-feira, 14, a partir das 12h –, a exposição Um outro olhar: Coleção Roberto Marinho, que reunirá 202 obras do acervo do jornalista, com
    cerca de cem peças inéditas. O público terá a oportunidade de ver pela primeira vez telas como as que compõem a Via Sacra, de Emeric Marcier e a Santa Cecília, de Portinari, além de imagens religiosas dos séculos XVIII e XIX.
    Confira algumas das peças que estarão em exposição:
    Portinari
    Lasar Segall
    Guignard
    Burle Marx
    Bandeira
    Siron Franco
    Krajcberg
    Emeric Marcier
    Annita Malfatti

    http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=17445&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia

    Doi, não doi? Quando se entra num salão de jogos tem que se ter claro o limite da aposta. Até onde se vai. Qual é o nosso limite?
    As nossas autoridades (RJ) em suas falas são tão polidas (Baderneiros? Não. É um tanto forte…).que poderia acrescentar qualquer adjetivo “fofo” aos seus sobrenomes. Tô achando estranho… aí tem!
    Abç Norma

    unquote
    Nac

    Responder
  2. norma7 – Rio de Janeiro - Brasil
    norma7

    Oi Beto,
    Em primeiro, antes que esqueça: Grata por teres trazido o acima.
    Agora, foto nova, hein…? Cenário: O melhor dos 2 mundos (ou o que poderia se tornar (de tão bom) uma difícil escolha: direita ou esquerda…Rio Branco ou Porto Velho? 🙂

    Tratem-se bem e boa sorte!
    Bjo Norma

    Quote:

    Pensei que fosse ficar até o final do processo (oi?) sem abrir a boca. Ando passando ao largo.Só vendo figurinhas… me emocionando com lindas imagens (replay do “o povo unido jamais será vencido!” na versão “Fiat” ( presente do subjuntivo do verbo “Facere”) e lamentando algumas – “Querida, vc não sabe o que é Guerra Civil? É simples assim: bebe-se o sangue do irmão como se fosse groselha. E por motivos há muito esquecidos ou que se tornaram difusos…”

    Raquel,
    Gosto muito do teu espaço e do “aplomb” da tua figura . O Blog passa a credibilidade do ‘dever feito em casa’, em tempos dos “embrulha e manda’ e “depois se acerta”. (Hoje cheguei aqui via reblogged do ‘Beto Bertagna a 24 quadros’.). Grata pelas aulas de ‘capricho’ e antes que ‘bacana’ se torne uma palavra chula, você é (do restrito ao amplo e vice-versa 🙂 ).

    Ama dos Postos…,
    É um belo recado! Lúcido, com visão histórica (1964/1985 – Opa!), de alguém que aprendeu a elencar ganhos secundários, (a quem interessa?) Lembrou-me, um querido Prof.: “Manifestação sem comando é surto”
    Como moradora da fronteira (Copa/Ipa), mais que AMAr de volta, eu hoje eu te faço uma reverência.
    Gasshô Norma

    Unquote
    Nac

    Responder

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