Bola de supermercado, jogador de que ?

Por Rud Prado

Posso estar redondamente enganado. Mas acho que o hexa não vem. Não me xingue. Vou torcer como você. Como muitos, vou comprar cerveja para me embebedar.E, se sobrar algum – pretendo comprar muita cerveja! -,   vou comprar uma camisa amarela e umas bugigangas afins no camelô. Depois de sofrer com duas vitórias sofríveis do Brasil, vou me animar com um desempenho melhorzinho na terceira partida. E, ao passar para a próxima fase, começarei a achar que o bicho Dunga não era tão feio quanto parecia e que não estava tão errado assim. Acreditarei enfim que a gente vai.

Mas quer saber? Agora acho que vamos é pro vinagre. Melhor a pátria de chuteiras colocar a barbinha de molho. A coisa já está azedando. A nossa rapaziada tem tradição de afinar quando sai daqui achando que está com a bola toda. Mas aí alguém diz: contra números não há argumentos. O controverso Dunga é um vencedor. Seu time é vencedor. Verdade. Acho até mesmo que esse Dunga já foi “o cara”. Fundamental para dar um pouco de raça a seleção em outros tempos. Ele tem o seu valor. Joga para vencer e, muitas vezes, vence. Isso é bom. Portanto está claro: não sou anti-seleção, não sou anti-Dunga. Sou até mesmo incapaz de trocar a vitória da final de 94 pelo vexame de 82. Por isso sou isento para falar que agora o destemido Dunguinha tem contra si, contra a sua “filosofia” de impor garra ao time, um time que dá demonstração de estrelismo total.

Um time que está dando carrinho sim, mas não como expressão de raça. É apenas pirraça. Os amarelinhos estão dando carrinho na bola. E sem adversário. Ela é o adversário! Isso é um perigo. Do goleiro ao atacante todos estão a desdenhar a bolinha, ridicularizando a coitada. Mas a origem disso tudo está em outra esfera: a esfera dos interesses comerciais. A prova disso é que Kaká, que é patrocinada pela marca da bola da discórdia, beija a Jabulani em público. Puts, depois é a bola é que é de supermercado!  Essa rapaziada (e até o Dunga entrou na onda) tem que dar um tempo. Parar de ser porta-voz de marcas e pensar em marcar gols.

Não vi, por exemplo, nossos hermanos argentinos reclamarem da pelota deles. Imagine neguinho, e não estou falando dos sul-africanos, tentando explicar para imprensa mundial que foi por culpa da bola! Ora bolas. Ainda bem que eu vou comprar muita cerveja. Esse papo de bola ruim está com jeito é de água no chope.

Daí, o que você acha disso ?

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