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Outras memórias pantaneiras

CGB natur 160618 057 passaro cabeça amarela otimaTexto e foto de Valéria del Cueto

Perdi as palavras diante dos sentimentos. Muitos. Profundos. Emocionantes.

Até especialistas em se expressar, coisa que sempre busquei nas mais diferentes “mídias”, se calam quando tudo é pouco diante dos fatos e os diversos graus de sensações que provocam.

Voltei ao meu belo Mato Grosso, aquele de antigamente, ainda sem divisão geográfica. E os tempos queridos, acreditem, os que não voltam nunca mais, estavam lá.

O pé de cedro havia crescido e dado novas ramificações. Encontrei o pequeno arbusto cheio galhos e de raízes crescidos no tempo em que distantes vivi, amei e, claro, também sofri.

Todos nós nos transformamos…

Sua sombra amiga me acolheu e protegeu, me mostrou seus frutos (cedro dá que tipo de frutos? Sei lá…)

E nada do que imaginava para essa jornada aconteceu como planejei. Tudo foi mais.

Mais tempo nublado e chuvas, o que não seria problema se não fosse a duração quase permanente, o que gerou menos imagens reais como pássaros, animais e exuberância natural na região pantaneira.

Isso me empurrou para os livros que levaram a imagens de outros tempos mais, muito mais antigos. Voltei à Guerra do Paraguay.

Aos encontros e desencontros dos pioneiros que entre batalhas, muito trabalho bruto, longas esperas e amores povoaram o baixo Pantanal e a fronteira entre Corumbá e Ponta Porã.

Se pouco soube de Solano, o invasor paraguaio, li a respeito de Raphaela Lopes, sua irmã, que se casou com o interventor designado pelo Império Brasileiroe a saga da vinda da família Pedra para a região. Sou quase um deles. Além dos netos de Pompílio, agora, “colada” com mais duas gerações.

Quando, finalmente, o tempo permitiu que começasse a fotografar já estava encharcada pela água dessa fonte de lembranças expandida com a ajuda de informações e indicações de como lidar com um baú de comitiva repleto de imagens e referências.

Tudo veio pra mim. Primeiro na Casa Candia, de dona Jandira, em Anastácio. Depois na Selaria Renascer, do seo Jairo, em Aquidauana. Nos dois lugares tive direito a um “Guia Lopes” para me conduzir pelas macegas de objetos emblemáticos, ícones das narrativas que havia devorado nos livros.

Isso em meio a uma outra guerra que acontecia na vizinhança. Sangrenta, sem tréguas. Cinematográfica. Em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero a disputa pelo poder do tráfico se desenrolava nas ruas. Registradas por câmeras de vídeo dos celulares e disseminadas pelas redes sociais. A violência da fronteira evoluiu, como quase tudo em volta, mantendo sua essência.

Os últimos dias da viagem me levaram a Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, à celebração das novas gerações da família, continuação dessa estirpe que vem lá de trás.

Pais, avós, filhos, netos, numa alegre confusão, em comunhão com a vida, independente dos percalços e diferenças. Esperança!

Tudo ao seu tempo – não conforme meus planos (como sempre)-, acabou acontecendo.

Na última manhã da viagem, o ciclo se completou com a ajuda de Osana. Foi ela que me indicou nos jardins onde seria o desfile da passarada: tucanos, curicacas, beija-flores… Vieram para a despedida!

Um até logo cheio de gratidão de minha parte, emoldurado pelo sorriso que não tem preço de uma das queridas matriarcas da família, que não nega seu sobrenome: Pedra!

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fronteira Oeste do Sul” do Sem Fim…

Tá difícil! Pensando bem, quando não foi?

2Carnavalia 1506 009 mãos chapéuTexto e foto de Valéria del Cueto

Estamos em junho o assunto da última quinzena do mês  é… carnaval!

Pra quem pensa que a sequencia de maravilhas do mundo apresentadas num desfile de carnaval brota assim, de estalo, uma notícia: não é beeem assim.

De fevereiro para cá já rolou uma enormidade de água debaixo dessa ponte. A janela de contratações e troca-troca de agremiações começa ainda na pista da Sapucaí, no desfile das Campeãs. Uma época de montagem de estratégias e definições de estilos de trabalho para o carnaval seguinte. O vai-e-vem continua, mas sem dúvida, o momento das  surpresas e movimentações espetaculares não costuma chegar ao fim da quaresma.

O engraçado é que, como todo mundo vem “virando”, trocando o dia pela noite, tanto no pré-carnaval como nos dias de folia, as grandes notícias das contratações são dadas, em sua maioria, no fim de tarde/noite/ madrugada dos dias posteriores ao reinado de momo. As especulações também circulam nessa faixa horária…

Depois do boom dos sites carnavalescos as redes sociais se encarregam de repercutir com sua incrível capilaridade e uma agilidade espantosa os resultados das negociações. Elas prosseguem enquanto são realizadas inúmeras festas de entrega de premiações para todos os grupos, do Especial ao grupo E. O final da temporada é marcado pelo esperado Sambanet que aconteceu dia 22 de maio.

Mas aí, já havia outros assuntos palpitantes no circuito carnavalesco. Primeiro, os anúncios dos temas dos enredos. Seguido pela divulgação de seus textos e apresentação dos mesmos aos compositores das escolas de samba. É claro que cada uma tem seu ritmo. A única certeza é que os sambas devem estar definidos até as datas fixadas no calendário para as gravações oficiais, a tempo de distribuir os CDs para as vendas, antes do Natal.

Até lá ainda há muito trecho para percorrer e problemas a serem resolvidos. Especialmente num ano como esse, atípico em função da crise econômica brasileira…

Pode até parecer que ela é a bola da vez dos debates e reflexões que estão movimentando as mesas do  Sambacon, Encontro Nacional do Samba, em suas palestras. A segunda edição do evento acontece paralelamente a Carnavália, feira da cadeia produtiva do carnaval, no Centro de Convenções SulAmérica, Cidade Nova, ao ladinho do Estácio. A situação anda ruim pra todo mundo e seus reflexos certamente atingiriam os súditos de Momo. O problema é que outros fatores há muito vem se acumulando para o desgaste do modelo atual do carnaval.

Alguma novidade? Claro que não! Os cronistas carnavalescos já registravam há mais de um século os gargalos que estavam levando o carnaval para o buraco. E tome polca! Mais recentemente, as “Super Escolas de Samba S/A” viraram inspiração para os versos consagrados de Beto Sem Braço e Aluisio Machado nos idos de 1982, do “Bum Bum, Praticumbum Brugurundum”, do Império Serrano.

Nada que não possa ser posto na roda e discutido na primeira versão internacionalizada do Carnavália-Sambacon. Convidados da Europa, América Latina, Estados Unidos e Japão integrarão a mesa mediada do carnavalesco Milton Cunha, Professor Doutor em Teoria do Carnaval pela UFRJ.

Pensa que acabou? Uma vírgula! Na semana que vem o seminário “Sonhar não custa nada, ou quase nada? – Horizontes dos desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro”, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, reflete sobre 3 questões: Do que se trata um evento lúdico-artístico no qual os sonhos adquirem expressividade pública para audiências cada vez mais amplas? Como se materializam sonhos do Desfile das Escolas de Samba? Sob quais condições organizacionais, materiais e simbólicas, atualmente, tais materializações são possíveis?

A Academia quer mostrar que também tem samba no pé…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É Carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

O enredo desse samba

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Texto e fotos de Valéria del Cueto

Na reta final dos preparativos do Sambódromo Darcy Ribeiro, na Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro, para os desfiles do Grupo Especial é hora da benção e dos ajustes finais, neste domingo. A benção será dada, como em anos anteriores,  pelas baianas de todas as escolas. Elas lavam a pista com água de cheiro, abrem os caminhos com defumadores, distribuem palmas e arruda para a plateia embaladas por sambas de terreiro. Abrem o cortejo mestre-salas e porta-bandeiras trazendo os pavilhões das agremiações cariocas. No final, a imagem do protetor do Rio de Janeiro, São Sebastião.

Só essa cerimônia já vale a viagem até o centro da Cidade logo mais, mas a festa ainda guarda um evento esperado por todos. Depois que o povo do samba passar e dos testes finais de som e de luz, vem o ensaio técnico da escola campeã do ano anterior.

A Unidos da Tijuca, agora sem o carnavalesco Paulo Barros, fará o reconhecimento das condições finais da pista onde defenderá o enredo “Um conto marcado no tempo – o olhar suíço de Clóvis Bornay”, do departamento de carnaval composto por Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim, Marcus Paulo e Carlos Carvalho. Nas redes já há um viral da Nestlé com um trecho do samba e a visita de componentes da escola a fábrica de chocolates na… Suiça, indicando a origem patrocinada do tema.

Essa seria uma das razões da troca do carnavalesco Paulo Barros. ele deixou a escola do Borel após o campeonato sobre o piloto Aírton Senna. Na Mocidade Independente de Padre Miguel emplacou seu enredo autoral “Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria se só te restasse um dia?”. Baseada na música de Paulinho Moska, a pergunta pode render um desfile que permita ao carnavalesco dar vazão a sua criatividade, questionada por quem vê em seus últimos carnavais a repetição de fórmulas de sucessos anteriores.

Quem também trocou de casa foi a campeoníssima Rosa Magalhães. Da Mangueira foi para a São Clemente e lá homenageará Fernando Pamplona, “pai dos carnavalescos” (levou Rosa e muitos outros talentos, como Joãozinho Trinta, para o mundo das escolas de samba), com o enredo “A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Perera, da Tocandira e da Onça de pé de boi” que começa no Acre e passeia pelo imaginário infantil e adulto do criador genial.

A verde e rosa vem com um enredo louvando sua própria comunidade. Cid Carvalho parte da força motriz do  morro de Mangueira e abre o leque, avisando: ”Agora chegou a vez vou cantar: mulher de Mangueira, mulher brasileira em primeiro lugar”

Outra referência ligada ao mundo do carnaval será feita pela Viradouro: “Nas Veias do Brasil, é a Viradouro em um Dia de Graça!” Dois sambas do compositor Luiz Carlos da Vila, “Nas veias do Brasil” e “Por um dia de Graça” são a base da sinopse criada por Milton Cunha e desenvolvida pelo  carnavalesco João Vitor Araújo para falar da negritude brasileira.

“Axé, Nkenda! Um ritual de liberdade e que a voz da liberdade seja sempre a nossa voz” levará os componentes da Imperatriz do carnavalesco Cahê Rodrigues a uma viagem pela história da África, dos negros e dos preceitos de Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando uma pessoa por sua cor de pele ou religião. Pessoas são ensinadas a odiar. E se elas aprendem a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.”  A mesma linha abordada pela comissão de Carnaval da Beija- Flor: Laíla, Fran Sérgio, Ubiratan Silva, Victor Santos, André Cezari, Bianca Behrends e Claudio Russo, com o recorte que fala da Casa de Guiné e da reconstrução africana “Um griô conta a história: um olhar sobre a África e o despontar da Guina Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade”. Tudo para superar o resultado do ano passado, cujo enredo sobre Boni, o  da televisão, deixou a azul e branca fora do desfile das campeãs, uma raridade.

Max Nunes tenta recuperar a Vila Isabel que passou um perrengue ano passado falando de Isaac Karabtchevsky “O maestro brasileiro na Terra de Noel…. tem partitura azul e branca da nossa Vila Isabel”

Em “A Grande Rio é do baralho” as cartas estão na mesa no enredo de Fábio Ricardo, para a escola de Duque de Caxias. No Salgueiro, Renato e Márcia Lage, fazem uma viagem pelo universo culinário mineiro com “Do fundo do quintal, saberes e sabores na Sapucaí”.

A linha da irreverência é explorada por Alex de Souza, ao explicar os aspectos da beleza moderna na União da Ilha do Governador. É o enredo com o título mais sucinto do ano: “Beleza Pura”.  

Não poderia faltar uma ode aos 450 anos do Rio de Janeiro comemorados logo depois do carnaval, dia 1 de março. Alexandre Louzada apresenta a Cidade Maravilhosa sob perspectiva do surrealismo de  Salvador Dali no enredo “Imagina Rio, 450 janeiros de uma cidade surreal”. Não dá para negar a liga entre o local e o pintor espanhol, caminho escolhido pela Portela, para acabar com o jejum de títulos da escola de samba com o maior número de campeonatos da história do carnaval.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Acelera Tijuca. Airton Sena vence mais uma!

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Campeonato bom é aquele em que tudo pode acontecer… na apuração. Especular é de lei. Fazer alguém mudar seu palpite é difícil. Esses posicionamentos apaixonados e dificilmente isentos, discutidos em cada esquina no intervalo entre o final do desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro e o resultado da apuração, são sensações e percepções individuais sublimadas ou soterradas na quarta feira de cinzas.

O Império da Tijuca pulsou em ritmo de Batuk para tentar permanecer no Grupo Especial. O público gostou. Já os jurados… A São Clemente trouxe o cotidiano do morro para a avenida com o enredo “Favela”. Simpática e solta garantiu a permanência na elite do carnaval.

A Grande Rio, com direito a homem bala voando de um canhão (lembra do homem foguete de Joãozinho 30 que voava pela avenida?), abriu os olhos verdes de Maysa sobre Maricá. O desfile fluiu recheado  de bichinhos darwinianos simpáticos e atrizes globais.

A verde e duas vezes rosa (da Mangueira e de sua carnavalesca, Rosa Magalhães), trocou o nome de sua bateria mas não perdeu o gosto por novidades. Mestre Aílton regia a “orquestra” enquanto uma grua elevava sobre os ritmistas o bailado da rainha de bateria, Evelyn Bastos. Esse ano também havia uma torre no meio do caminho. Dessa vez, da cabeça do cacique de um dos carros alegóricos.

Renato e Márcia Lage, carnavalescos do Salgueiro, arriscaram novamente usando uma paleta de cores em tons de terra com detalhes em vermelho para aquecer “Gaia” e deixar o alerta: “a vida em nossas mãos”. Símbolo da destruição do planeta, motosserras eram empunhadas como alegorias de mão. A ala seguinte representava o mundo destruído. A mensagem se espalha…

Comissão de frente se apresentando paralelamente ao  mestre sala e a porta bandeira, como aconteceu na Beija Flor, acabou confundindo. Como analisar as duas performances ao mesmo tempo? Ainda mais quando se trata do bailado primoroso de Selmynha Sorriso e Claudinho. No mais, foi Boni.

Com o samba ecoando nas arquibancadas, a Mocidade abriu a segunda feira surpreendendo cheia de gás para (i)reverenciar Fernando Pinto. O público topou a parada. A Pernambucópolis de Paulo Menezes temperou samba com baião. E deu liga.

A caixinha de música da comissão de frente da União da Ilha, com a bailarina e o soldadinho de chumbo que oscilavam sobre o público, abriu a tampa do baú dos brinquedos e brincadeiras de infância. Pipas e a amarelinha para os mais antigos, transformers para os mais novinhos. Gira peão…

Vila Isabel, campeã de 2013, trouxe para a Sapucaí um resultado final que refletia os problemas enfrentados pela escola: faltavam elementos das fantasias que não foram entregues a tempo. A dignidade dos componentes segurou a passagem da escola do bairro de Noel Rosa.

Mengooooo o mantra ecoava acima do samba da Imperatriz Leopoldinense. Zico simboliza, com os jogadores de diversos times que participaram homenagem, um tempo áureo do futebol brasileiro. Ali não havia adversários, apenas cavaleiros de uma imensa Távola Redonda que reverenciavam seu rei boa praça: Arthur X, o Galinho!

Se uma andorinha não faz verão, a Portela resolveu não correr riscos. Botou na pista 21 águias, representando seus títulos. Alexandre Louzada, o carnavalesco, mostrou em seu trabalho porque voltou ao ninho onde começou sua carreira há 30 anos, quando o sambódromo foi inaugurado. Tradicionais, os  portelenses inovaram com uma águia/drone na avenida.

A Tijuca acelerou com Airton Sena apresentando personagens da Corrida Maluca, alguns truques novos e outros já consagrados. Tudo com a assinatura de Paulo Barros e a apresentação impecável da comunidade do Borel. Deu no que deu. Levou a bandeirada… É campeã!

Tudo ótimo

 Texto e foto de Valéria del Cueto

– Bom dia, como vai, senhora? – (essa senhora sou eu).

– Tudo ótimo – respondo sorrindo ao pensar que não reparei o momento exato em que virei “senhora”.

– Nossa, que coisa incrível – diz a atendente do balcão da padaria. – Que milagre! – Exclama com um sincero “ar” de surpresa.

– Como assim? – pergunto intrigada com sua reação – Não entendi…

– Me desculpa, dona, acontece que nunca ninguém respondeu com um “tudo ótimo” ao meu bom dia – explica a moça enquanto para de esfregar furiosamente a superfície do balcão. Seus olhos brilham tão úmidos quanto pano que ela tem nas mãos.

E eu, que na noite anterior havia sido despachada do bonde que me trouxe à Florianópolis, abro o meu mais caloroso e especial sorriso. Era isso ou tê-la que ajudar o balcão inundado de nossas ameaçantes lágrimas.

Como não estaria tudo ótimo? Na véspera, ao sair pela última vez do local em que trabalhei arduamente, em média 12 horas por dia, desde que aqui cheguei (campanha é assim mesmo) uma ENORME lua cheia desenhava o contorno de uma das montanhas da Ilha da Magia, enchendo o céu quase claro de feitiço noturno.

Foi com ela me guiando que, pela primeira vez, pude entrar num maravilhoso restaurante a beira mar onde um filho de Oxalá se apresentou e me abrigou com uma conversa tão deliciosa quanto o gnocchi da fortuna que saboreei com um dia de atraso, “firmando” e pensando na simpatia que é de lei na casa da minha avó.

A conversa, embalada por uma garrafa de um excelente vinho português, de matar de inveja minha maninha  Maria Lima, fluiu gostosa. Como aquelas que temos com velhos amigos que se reencontram mesmo sem nunca terem se visto anteriormente. Cercada de atenção e carinho por Andrade, o encarregado de nos levar pelos caminhos das delícias do restaurante Macarronada Italiana.

Quando abri a janela, na manhã seguinte, o sol, que há dias andava de castigo encoberto por pesadas nuvens que traziam as chuvas e um frio de bater os dentes, daqueles que penetram até pelos pespontos da costura lateral da calça jeans, resplandecia abusado. Aquecendo meu corpo ele me intimava a um esforço extra para, ao menos, tirar dois dias de folga antes de rodar a roleta e jogar a bolinha que definirá meu próximo pouso.

Foi assim que cheguei ao pão com queijo na chapa e ao expresso duplo que me levou ao “tudo ótimo”.

Enquanto tomo o café e conto um conto pra você, fiel leitor(a) e confidente, ouço o toque do celular que interrompe e quebra minha concentração.

A voz que escuto vem de longe, bem de longe. Vem do Rio. É minha mãe que, atendendo a um pedido meio impossível, passa o telefone para Dona Ena. Minha avó, minha madrinha, minha mais antiga e mais querida amiga. O amor incondicional da minha vida.

Ela, que está no hospital, quase tão perto de Deus quanto de nós, que tanto a amamos, me chama de “Maria Valéria” e diz que me ama muito. Como sempre. Muitas vezes. Pedindo pra que eu me cuide, diz baixinho outras palavras carinhosas enquanto, tentando disfarçar a voz, sinto as lágrimas do “tudo ótimo” querendo deslizar pelo meu rosto. Ali, em plena padaria do posto de gasolina. Sei que ela vai sair dessa! Tenho fé e rezo para isso.

Não sei como está a sua vida, querido leitor, mas para mim, ainda que triste, ela sorri. E se alguém me perguntar, mesmo que só por gentileza, como estou, a resposta, você já sabe: Está tudo ótimo! E com você?

PS A minha foto de hoje é um ato. Feche os olhos e imagine quem está nesse retrato.

*Valéria del Cueto é acima de tudo, uma neta amorosa e apaixonada. Esta crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com

 

Sem fim na Mangueira, Valéria del Cueto na feijoada verde e rosa

Gente bonita, a melhor feijoada do mundo do samba, shows com os grupos Regente e Artpop, Nelson Sargento dando canja, Renata Santos pra “enfeitar” a festa…
Tá bom pra você? Que tal o show do lançamento do DVD de Alcione.  Estes foram alguns dos destaques da feijoada verde e rosa de dezembro, no Palácio do Samba.Veja mais fotos de Valéria del Cueto, direto do seu blog Sem fim… em > Feijoada na Mangueira

Sem fim, no Carnaval 2012… Valéria Del Cueto na quadra da São Clemente

Diz a Valéria no seu blog.
” Fui parar lá por engano pensando que era o dia do lançamento do projeto 360 Graus. Caí num dia de ensaio de ala, mestre salas e porta bandeiras, passistas acompanhados pela bateria. Como estava fora há meses, não deixei passar a chance de tirar algumas fotos com a autorização de Renato Almeida, presidente da escola, e o apoio de Milton Cunha, animador oficial dos ensaios e festas da agremiação e meu ex-professor (um dos melhores), na Faculdade de Gestão Carnavalesca. As fotos não se resumem ao ensaio, mas também ao registro de coisas da quadra: letras (um novo mote) luzes, objetos e detalhes que normalmente passam desapercebidos.
Enfim, é o bububu do bobobó…”

Veja mais fotos de Valéria del Cueto, direto do seu blog Sem fim… em > São Clemente 2012 – Ensaio na quadra

“Rondon e a cartografia”, um documentário de Cacá de Souza

A contribuição de Rondon à cartografia brasileira é inestimável. Ainda hoje rende frutos preciosos para a consolidação das fronteiras no país: tramita no Supremo Tribunal Federal uma contenda entre os estados de Mato Grosso e o Pará em torno de suas divisas. Entre as provas apresentadas para resolver a questão estão os marcos e referências limítrofes fixados por Cândido Rondon, em sua missão entre os anos de 1917 e 1922. O média metragem de Cacá de Souza apresenta um rico material fotográfico, cinematográfico e cartográfico realizado pelo próprio Rondon e seus auxiliares. Nas longas missões pelo interior do país que estenderam por mais de 5 décadas foram reunidas informações e referências geográficas e antropológicas relevantes e precisas para o desbravamento do interior do país. Seus resultados deram ao marechal mato-grossense Cândido Rondon reconhecimento internacional.  Os fotogramas e mapas apresentados no vídeo foram recolhidos em instituições como o Museu Histórico e Serviço Geográfico do Exercito, Arquivo Nacional, Museu do Índio, Museu Americano de História Natural e da Sociedade Geográfica Americana, durante os 14 meses de produção do documentário. Foram gravadas participações de cientistas, historiadores e pesquisadores brasileiros e americanos, realizadas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Rio de Janeiro, no Brasil, e New York, nos EUA. O projeto, aprovado pelo Ministério da Cultura, tem o patrocínio da Eletrobrás.

Cacá de Souza realiza com “Rondon e a Cartografia”, seu segundo trabalho da trilogia sobre Candido Mariano Rondon, brasileiro exemplar, reconhecido internacionalmente por sua contribuição às ciências. O primeiro vídeo, “Roosevelt – Rondon “A Expedição”, de 1999, retratou a expedição cientifica realizada no Brasil entre os anos de 1913 e 1914 e sua repercussão intencional. O terceiro abordará a construção das linhas telegráficas que interligaram e integraram o Brasil, nas primeiras décadas do século XX.

Para divulgar a vida e a obra de Rondon está no ar o site www.candidorondon.com.br

O lançamento do vídeo-documentário com 32 minutos de duraçâo acontece na terça-feira,  01 de novembro de  2011
no Sesc Arsenal – Rua 13 de Junho, Cuiabá-MT, as 19 horas. Contatos com o autor pelos fones (65) 3023 2896 / 9244 1786 ou e-mail   e.caca@terra.com.br. Assessoria da Valéria del Cueto, fone (65) 8142 2747 ,    http://twitter.com/delcueto