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Eram as telhas feitas “nas coxas” das escravas ?

Todos que acompanham este blog sabem que , por uma decisão pessoal, não divulgo muito por aqui coisas relacionadas a patrimônio histórico, arqueologia, etc,etc e tal.

Mas tem uma lenda que foi desmistificada e que vale a pena dar uma olhada.

O Superintendente do IPHAN no Paraná, La Pastina é uma pessoa que eu prezo muito, tem credibilidade e às vezes, me dá a honra e a alegria de dividir uma Original gelada comigo.

arqueólogo Danilo Curado escreve em sua página no Facebook : “Hoje, mais uma vez, presenciei a lenda de que as telhas do tipo “capa-canal” ou colonial eram feitas nas coxas dos escravos. Bom, para aqueles que continuam a perpetuar este mito, indico vivamente o artigo do arquiteto Prof. José La Pastina Filho (superintendente do IPHAN no Paraná), intitulado  Eram as telhas feitas nas coxas das escravas ? 

Segundo La Pastina, a comparação ocorre, pois há semelhança na forma tronco-cônica entre o formato das telhas tradicionais e a parte superior das pernas dos humanos. Entretanto, possuindo o “know-how” de mais de três décadas restaurando as coberturas de edifícios, o autor expõe claramente, por meio de um estudo de caso, de que tal associação entre coxas humanas e telhas não passa de uma lenda histórica, sendo as telhas produzidas sobre moldes de madeira.

Para confirmar nossa convicção das inconsistências da assertiva popular – telhas feitas nas coxas dos (as) escravos (as) – tomamos as medidas das coxas de um homem de 1,80m de altura e verificamos que, usando-a como molde, só seria possível a fabricação de uma minúscula telha de 36cm de comprimento. Sem maiores preocupações com aspectos de anatomia humana, se estabelecermos uma simples regra de três, poderemos verificar que, para fabricar uma telha de 77 cm, precisaríamos contar com um escravo de 3,95m de altura. Além disto, em termos de otimização de força de trabalho, mesmo numa sociedade escravocrata, teríamos uma perda substancial na força de trabalho: um escravo imobilizado, com lâminas de barro sobre suas duas coxas, e pelo menos dois outros para remover cada uma delas e transportá-las ao estaleiro.” (La Pastina Filho, 2006).

Pois então, será mesmo que os escravos possuíam mais de 3 metros de altura ou será que a nossa sociedade sempre quis enxergar o lado pejorativo da expressão “feito nas coxas”?