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Bainha, o homem que comeu cera

ataPor  Altair Santos (Tatá)
Para: Luciana Oliveira, agradecido pela deixa

Já vem de certo tempo a nossa amizade com o compositor, intérprete, carnavalesco e ritmista Waldemir Pinheiro da Silva, o popular e querido Bainha, por quem nutrimos alargada admiração, respeito e carinho. Sem exageros o temos como um dos maiorais, dentre os maiorais do samba local e do nosso carnaval.
Durante esse mal engendrado carnaval de 2015 pudemos privar da companhia honrosa do Bainha em alguns eventos: tocamos e cantamos no Samba Autoral junto ao povo alegre do Asfaltão, madrugamos no Mocambo com o Bloco Até Que Noite Vire Dia, fomos ao Bar do Pernambuco no Concentra Mas Não Sai, brincamos no Calixto & Cia com o amigo Toninho Tavernard e tantos outros e saímos na Banda do Vai Quem Quer. A nossa agenda findou por aí. Já o irrequieto Bainha, por seu turno fez a via sacra completa!
Um dia desses, ao calor da organização do Bloco Pirarucu do Madeira, momentos antes do desfile, houvemos de relatar pra amiga Luciana Oliveira, algumas proezas desse jovem com quase 76 anos nos costados, fazendo ressalte para o que mais chama a atenção nele, a cintilante alegria e a energia em altíssima voltagem que o rapaz carrega consigo, além, é claro, da sua inegável e espraiada competência poético-melódica.
Pois bem, dentre tantas sobre o Bainha, uma passagem sempre se aviva em nossa lembrança, como vejamos: certa vez, quando por aqui ainda rolavam os carnavais fora de época, com os trios e bandas da Bahia fazendo aquelas apresentações grandiosas, lá Avenida Jorge Teixeira, estávamos na beira da calçada, sentados bebericando algo e apreciando o movimento, até que a efervescente apresentação do grupo Chiclete com Banana se aproximasse.
Quando o grande e festivo cortejo chegou onde estávamos nos pusemos olhar tudo. Após passarem os brincantes vestidos com os abadás, eis que na divisa fronteiriça entre a corda e a pipoca, na primeira fila, nossas vistas bateram em cima de um certo baixinho, cambota e serelepe, trajando bermuda branca sandália de couro, camiseta no ombro e uma bandana a lhe cobrir a careca. Na mão como providencial adereço, uma inseparável lata de cerveja. Era o Bainha!
Naquele montueiro de gente ele vinha bem na frente, dando as cartas e ditando o ritmo, parecia Zé Pereira, o Rei da Folia, tirando uma de mestre sala ou comissão de frente daquela numerosa e frenética pipoca. Na segunda volta do trio no circuito, a cena se repete com o incansável Bainha liderando o fuzuê dos foliões pipoqueiros, pulando e sacudindo os braços em movimentos coreograficamente ordenados. Ao seu redor os jovens brincavam e parecia serem abastecidos pelos volts intermináveis da sua bateria.
Mais tarde, por volta de duas da madrugada, lá pros rumos do Bairro Nossa Senhora da Graças, paramos num certo botequim pros goles derradeiros antes de ir pra casa. Numa das mesas, rodeado de amigos bem mais jovens lá estava o energizado, o turbinado e eletrizado Bainha, fagueiramente a prosear.
Cremos que o moço é um ungido a esbanjar essa vitalidade toda, por haver herdado receitas miraculosas de ancestrais mui distantes como antigas e remotas tribos da cordilheira do Himalaia. Se não de tão distante, talvez a sua receita seja daqui mesmo da Amazônia, preparada com os óleos, folhas, raízes e desconhecidas seivas extraídas por velhos Pajés.
Após ouvir atentamente o que discorremos, a Luciana deu um trago no cigarro, soprou a fumaça, lançou um olhar pro espaço e disse, em tom moderado: Parece que ele comeu cera!
tatádeportovelho@gmail.com

Uma carta de amor – ao lume de certos escritos, extraídos da pátria facebook

Por Altair Santos (Tatá)

Alzerina Souza (nome fictício) é uma cidadã simples, de português elementar, domínio gramatical diminuto. Carrega consigo a insígnia e fama de ser consumidora inveterada do produto virtual facebook. Lá conforme o seu poderio e alcance ela interage Infalivelmente compartilhando, seguindo, curtindo e comentando. No popular, ela deita e rola! Num dia desses resolveu fazer diferente e recorreu ao velho mecanismo de escrever e mandar uma carta. Casada com Rogério, também muito simples e igualmente de formação mínima, o marido assim como a esposa, é pessoa do bem, muito espirituoso embora, neste caso, tenha ele rompido a barreira da calmaria e chutado o pau da barraca. Na carta o endereço assinalado por Alzerina foi justo o de sua residência, o destinatário da missiva, nada menos do que Rogério, seu esposo. Na mensagem um convite para um passeio, no dia dos namorados. Lindo, não? Então, flores, canções, poesias e muito amor a este e a todos os casais enamorados, no 12 de junho que se aproxima. Felicitações prévias, à parte, ao chamado do carteiro Rogério corre para atender. Antes de abrir o envelope, ainda na leitura do endereçamento, uma pequena amostra do conteúdo que esconde nítidas “mal traçadas linhas”. Certa dúvida e, um breve disse me disse, entre os dois, expôs a dificuldade inicial logo na identificação do seu próprio nome, quase o levando a recusar o documento, mas não o fez. Cidadão nascido e batizado como Rogério Alberto Azevedo de Assunção, o moço quase dá um “chilique” e cai de costas. Meio que fora de si, o zonzo amparou-se no ombro do trabalhador dos correios, que nada entendia. Incrédulo fitou o escrito externo daquele envelope pardo e balançava a cabeça em sinal de negação passando, repetidamente, as vistas, no seu nome aposto na parte contrária ao lacre, onde ele passou a chamar-se Rojério Auberto de Açumção. De imediato fez-se mudo, inerte, boquiaberto, leso, bilé da cuca! Tentando ler, entender e se reconhecer, com o seu nome de um jeito nunca antes grafado, viu o mensageiro, intrigado, virar as costas e zarpar, deixando Rogério só, sem estrutura no campo da solidão. Visivelmente abalado, fez os passos do portão até a sala levando enorme peso nos ombros e uma torturante indefinição, das maiores, até então vividas. Aquele senhor e sabedor de si mesmo era, agora, um re-nominado indeciso, cuja certeza da identidade lhe fugiu. Prostrado no sofá, possuído de dúvida cruel, inflado em insegurança olhou pros lados e, sem ninguém por perto, sacou a carteira do bolso e checou no Rg, no CPF, na CNH e no reservista, como querendo tirar a limpo! Refletiu que há mais de 10 anos, sem estímulo e vontade nenhuma, não lia e nem escrevia sequer um bilhete e, agora, tinha nas mãos uma correspondência, com seu nome às avessas. Não contente correu pro quarto puxou uma velha pasta de cima do guarda-roupa espalhou papéis no chão e achou a cópia da certidão de nascimento, a certidão de batismo (batistério), o boletim escolar e fez ali, uma acareação documental que, ao final, não lhe confortou. Temendo pelo pior, foi no espelho, olhou-se detidamente numa imagem pálida, que lhe refletia também um traço fisionômico intranqüilo. Mas não cedeu! Fez um face a face consigo mesmo tentando dirimir a dúvida, desfazer-se do medo e descobrir-se de vez entre o “Rogério” e o “Rojério”! De cara pensou pedir ajuda, mas logo retrocedeu! Aquela parada era pra ele mesmo resolver! Já suando frio, sentou à mesa para, de uma vez por todas, desvendar aquilo. Incerto, se abria ou não o envelope e com o cérebro feito vulcão, pronto a cuspir lavas, o cara franziu a testa, “mordeu os beiço” esmurrou a mesa e abriu com descuido o lacre feito com bastante goma. Começava a se irritar! Do interior do envelope puxou uma folha de papel dobrada ao meio. Corajosamente, agora destemido e macho pra mais de mil, foi direto ao assunto quando, outro susto, quase faz desmoronar de vez o enfurecido Rogério. O teor da carta, uma escrita longe de sua interpretação, impossível ao seu cotidiano, linhas não afeitas ao seu potencial e alcance literário, quase lhe leva ao desmaio, ao piripaque! Perdido em pensamentos concluiu que aquilo exigia a presença e ajuda superior, o auxílio maior de um tradutor. Entender aquilo só mesmo na companhia de um poliglota ou um especialista em línguas remotas, quase perdidas, dialetos extintos. Totalmente desconcertado, impotente e sem ter como avançar no texto, as reservas de paciência se esgotaram. Rogério emputeceu de vez! Pra lá de injuriado vestiu o manto da paciência zero e, fulo da vida, soltou um grito aterrador que fora ouvido, além de sua casa, em toda a vizinhança. Filho da puuuttttaaa! Pôrrrraaaaa! Quem é o puto desse gringo escroto que escreve e manda essa merda? E que língua é essa, é latim, é inglês, francês, espanhol, ou é a língua dos trópicos? É o vocabulário de marte ou é a fala de Mãe Joana? Via-se dali então, um Rogério furioso, encolerizado, à beira de um ataque de nervos, um touro indomável. Ainda aos brados, chamou em socorro a mulher e o filho: Alzerina, Charles, cadê vocês? Corram aqui! Pôrraaa venham logo! Dirigindo-se aos dois, em visível descontrole, o irado reclamou, vejam isso! O baitola dum estrangeiro mandou uma carta que só pode ser do país da mãe dele, não entendi uma só palavra, nunca vi um escrito desses nem no puteiro! Se eu pego esse amaldiçoado ele ia se f… comigo, ia aprender o português era na porrada! E agora o que faço com isso? Hein, o que faço! Atenciosa a esposa pegou a carta leu, reconheceu ser a sua e disse com muito jeito: meu amor essa fui eu que lhe escrevi, é um convite pro dia dos namorados. Leia com atenção, tenha calma, pode soletrar se quiser… Fez-se um breve silêncio! Agora em posição de estátua, imóvel ante a revelação da remetente ao destinatário, Rogério ou Rojério, era a tradução e resposta viva do infortúnio gramatical. Acometido de momentânea paralisia disse a si mesmo, em sussurro: cacete, e eu lá sabia que ela entende outra língua! Abaixo o teor da singela correspondência de Alzerina Souza ao seu amado Rogério. Quirido e amado Rojerio, No procimo dia 12 de junio vai ser um dia muito felis, é o dia dos namorados, vamos fazer uma comemorasão! Resseba esti comviti apaichonado, pragenti irmos comê uma pitça goztoza e toma unz xopis bein jeladin. Seu prezente é uma sur prezinha. Nesse dia, naum isqueça de pasar na loucadora, o noço filho Xarlis vai ficar na caza da vó acistindo um fiume de fiksão sientista. Não presiza mandar flor, bazta a sua prezencia au meu lado. Com amor e emossão, A çua Auzerina Solza! Mais tarde saindo pro trabalho, ainda abatido pelo drama e agonia lingüística, Rogério é abordado pela carinhosa esposa que se despede lhe beijando o rosto e enfiando no bolso da camisa um bilhete. Já no trabalho, lança mão do escrito e tenta: Mel amor, cei que a vida naum é facio, maz não fique açim xatiado, afnal tantu faiz comu tantu feiz! Voçe é um pessoa boua que não tem enveja de ninguém e meresi ser muito felis. Goztou ou naum goztou? Bejo da çua, Auzerina Solza!

O autor é músico e produtor cultural tatadeportovelho@gmail.com

A rede social e seus ecos

Por Altair Santos (Tatá)

“a atribulada relação humana com o facebook, o maior fenômeno de comunicação e interação social dos últimos tempos.”

Lá do recôndito distante e derradeiro do seu cabeção, um maluco puxaria pela memória e repetiria, em alta voz, a célebre frase, “pára o mundo que eu quero descer!” Isso, dar-se-ia ante o fantástico, incrível e espetacular poder arrebatador e de domínio das redes sociais e alguns dos seus serviços, bem como, o usufruto cotidiano e praticamente ininterrupto desses recursos, que tem transformado a vida de muita gente.

O glorioso facebook nosso de todas as horas e das horas todas, em que pese o encurtamento de distâncias por ele promovido, a agilidade na troca de informações, a praticidade oferecida e possível, num mundo cada vez mais célere, exigente e atribulado, faz muita gente lançar os pés pelas mãos e assumir este meio, como parte indissociável de suas vidas. Um casal de jovens namorados, radicalizou na coisa e tatuou aquele “F”, símbolo do facebook. Ele no antebraço, ela atrás do pescoço.

E assim, a toda hora, a todo momento, de dentro pra fora, de fora pra dentro, conforme a música, tem gente que troca a noite pelo dia, a comida pela fome, a água pela sede, o marido ou a mulher pelo computador. Nesse particular, não chega a ser tanto, mas, do jeito que vai, em médio prazo, quem sabe! À noite numa festa, ou num bar, em alta madrugada tem gente postando fotos da balada, atualizando os ocorridos ou parte deles. Isso vara a noite indo até o amanhecer. A bateria desses navegantes quase nunca perde carga.

Após nocautear inapelavelmente o Orkut e empalidecer o MSN, suplantar e desbotar outros do ramo, o facebook reina quase que absoluto na preferência popular. Até o advento de um novo e mais atraente invento que o empurre para escanteio, ele virou e continua sendo um rotativo e vistoso painel de úteis e inúteis informações. É um leito de rápidas, conflitantes e apaziguadas relações, afinal, tem pinta de carro chefe do momento, em se falando de rede social.

Entre postagens, compartilhamentos, cutucadas e comentários, uma verdadeira salada de coisas boas e ruins é, ali, despejada, em grande número, sem qualquer zelo, sem maior ou menor critério, por parte dos consumidores. Pior, o que se lamenta no uso indiscriminado da conta, é que muita gente opta e exibe a potencial verve do besteirol, ressaltando as mentes e cucas desprovidas. É o exercício do livre direito em choque com a face inculta e deseducada, o que suscita debate, reflexão, análise sociológica.

Estes enunciados avalizam que, nem eruditos e nem populares, sozinhos em guetos, de parte a parte, sem associativismo, não construiriam a diversidade e a pluralidade social. Logo, os posicionamentos aqui expressos não carregam os crivos de natureza condenatória, nem de longe! Apenas, revelam fatos e nuances daquela realidade. Interagimos com a sociedade faceana ao nosso modo, respeitando o seu modelo e costume. Se não o fosse, nada teríamos a dizer.

O face (leia-se “feice”), para os íntimos, em sua estupenda legião de seguidores conta com aficionados de todas as ordens, a saber: os eventuais – aqueles que somente acessam para poucas e discretas investidas, visitas raras, esporádicas. Os moderados – que regularmente visitam, mas não se excedem e os viciados – que formam a esmagadora maioria. É neste conglomerado onde realmente mora o perigo. Esses são os degraus da verdadeira escada descendente da falta do que fazer e do arruinamento de um monte de coisas, dentre elas, a nobre língua portuguesa que sofre um bruto e irreversível bombardeio.

Com freqüência, no facebook, se nos aparece jóias raras como: quando eu “volta” da viagem (não seria voltar?). Hoje queria “esta” (estar) contigo. Em resposta à pergunta: vais ao evento? Acho que “vou ir”. Numa conversa entre amigas ou amigos: mas eu já tinha “chego” em casa! E essa: Não “fasso” isso “com” “tigo”, então não “fassa” isso “com” “migo”, por favor me “polpe!”. Essa foi de lascar! Outra mais: o lanche de ontem na faculdade “me deu em mim” uma tremenda “asia”, Se caprichasse um pouco mais, dava na pessoa um tremendo continente asiático! Fulana amanhã “não dar de ir”, o carro da minha mãe tá “concertando” na “ofisina!”. Isso no ENEM seria, “e nem” pensar. Já no ENADE seria “e nade a ver!”

Mais: diga não “au rasismo!” (assim fica difícil!). Alguns acadêmicos no face, rasgam previamente os diplomas e jogam o futuro de suas carreiras na lata do lixo, vejamos: amigo, fui “mau”, muito “mau” na prova de direito “sivil!” Onde já “si vil” isso rapaz? Esse cara só Pode estar gazetando as aulas e rasgando o dinheiro do pai! Sai pra lá “dotô”, já pensou um homem desses fazendo a sua defesa? É condenação certa, se não pela possível ou evidente culpa, mas pela retórica tortuosa, aleijada, do diplomado.

Via face, temos podido mandar e receber informações, agilizar contatos, emitir opiniões e um sem número de coisas servíveis e não servíveis, no emaranhado e acelerado ritmo da vida atual. Em potencial, o espaço virou praça virtual por onde desfila, em forma de postagem, uma enxurrada de porcaria.

Tem gente que usa o espaço para apor a fotografia do seu cachorro na cama do casal. Talvez na hora de dormir, marido e mulher deitem no chão e o cãozinho em lençóis macios! Já um outro, exibe uma enorme lasanha que vai ao forno (na casa dele), e daí? Uma moça, toda semana, tasca lá uma fotografia diferente, sempre sensual, dedo na boca entreaberta, olhar em diagonal, sinuosidade na cintura e decote em “V” maiúsculo. Quando instigada nega ser exibicionismo e afirma, nem fiz pose!

Um cidadão tarde da noite e, na falta de assunto, diz que está “indo dormir”, como se o sono dele interessasse e fizesse diferença na vida de alguém, ou que todos também se fossem com ida dele. Ora bolas, vá logo e, se possível, nem acorde mais. Dorme Cinderela, dorme!

Alguns metidos a poliglotas postam frases ou textos inteiros em inglês ou espanhol. Nas últimas semanas apareceram até uns textos do mundo árabe, nem sei se é verdade ou não, porque não tinha tradução e mal pratico o português! Certos manés passam o tempo todo inserindo clips de pagode de São Paulo, forrós desforrozados e o intragável sertanejo universitário (sem xenofobismo, por favor!). Não vejo a hora desse sertanejo se formar, começar a trabalhar e parar de encher o saco!

Aquela alesada, toda chorosa, coloca um anúncio e pede milhares de compartilhamentos porque o gato ou cachorro de estimação sumiu e seu o coração está em frangalhos. Enquanto isso lá no quintal da casa, o filho dela fica viçando (comendo) terra e aumentando o tamanho do “bucho”. Mas o que importa mesmo é o animal de volta, o guri que se entupa de verme! Tem uns que vão viajar e mal chegam ao aeroporto ou rodoviária e mandam uma foto com a legenda: “indo pra lugar tal, indo não sei pra onde! Ora, vai rapaz, que tal ir pros “quintos” e por lá ficar?
Outros, na mais total ausência de afazeres passam o tempo todo chamando pra jogar isso, jogar aquilo, jogar não sei o quê! Não quero jogar nada, não sei jogar esses negócios! Ultimamente nem pedra na lua ou nos telhados ando jogando, muito embora, alguns tetos andem merecendo umas boas pedradas!

Sem meio esforço, no face, você é metralhado por uma coleção de frases de auto-ajuda, máximas religiosas, poesias e piadas que, com exceções, aceitamos e respeitamos. Tem os que reproduzem Nietsche, Max, Engels, Sócrates, e os que passeiam por Jesus Cristo, Nossa Senhora, Maomé, Buda, Iemanjá, Ogum, Gandhi, Chico Xavier, Zibia Gasparetto. Outros atacam de Adamastor Pitaco, Mução, Barnabé e tantos mais, dentre santos, célebres e engraçados, tudo vale quando é pro bem comum!

Lá também aparece mais coisa boa como divulgação de prestação de serviços, eventos, fotografias, informes e dados históricos, culturais e esportivos. Curiosidades e avanços da ciência e da medicina, também têm lugar no multifacetado facebook.

Todavia, existem os que praticam a falta de ética e respeito, o que não devia habitar um espaço de interação social.Tem uma turma que faz comentário político com a boa crítica e análise criteriosa, manifestação sensata. Outros, no entanto, sem polimento qualquer descambam pra apelação, ofensa e revanchismo. Existem aqueles que se travestem de pais da invencionice, verdadeiros criadores de fatos, dados, números e valores que só eles conhecem, sabem ou viram um dia. Ai vira desinformação, sacanagem!

Preferências textuais, à parte, a rede é social e, por tal, espaço do direito livre, facultado a todos, muito embora, a turma devesse melhorar e enriquecer o conteúdo, para o bem da formação e da informação. Em muitos casos, como dito numa piada encontrada no glossário do bom humor do próprio face: a coisa anda tão feia no facebook que a palavra em vez de “postar” deveria ser “bostar”. Mas o que é mesmo a relação humana senão um grande oásis, do qual todos bebem e se recostam à sombra; cada qual, segundo a sua sede e cansaço?

O autor é músico e produtor cultural
tatadeportovelho@gmail.com