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Cerimônia marca enterro de sangue Yanomami em aldeia

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Fotos: Leonardo Prado/ PGR

Roraima- RR,  Em uma cerimônia que durou pouco mais de três horas, 2.693 frascos de sangue foram pacientemente derramados em um buraco cavado em um dos pilares da Yanoa (maloca na língua yanomae). Os Yanomami honraram os seus antepassados que, entre as décadas de 1960 e 1970, tiveram o sangue coletado por pesquisadores estrangeiros sem a autorização das lideranças do povo.

Ao Norte : um show de imagens de Luciana Macêdo !

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Salto Angel, a cachoeira mais alta do mundo

Só vendo prá crer : funcionários públicos poderão escolher o banco para receber seus salários em 2012

 

Teóricamente, a partir de janeiro de 2012, todos os funcionários públicos brasileiros poderão escolher o banco em que  vão receber seu salário. A chamada portabilidade de conta chega atrasada. mais precisamente  três anos depois da liberação para os funcionários de empresas privadas. Com a portabilidade, as contas podem ser mudadas sem cobrança de tarifas . A mobilidade faz parte de um amplo pacote elaborado em 2006 pelo Banco Central (BC) para estimular a concorrência entre bancos. Além da conta-salário, as medidas incluem a portabilidade do cadastro dos clientes e  de operações de crédito. Neste caso, a pessoa pode transferir um empréstimo de um banco para outro que oferecer melhores condições de pagamento. Quem quiser receber seus vencimentos em outro banco terá de fazer um único comunicado ao banco a que está vinculado hoje. A partir daí, o este terá de transferir, sem custo e no mesmo dia, o salário do cliente para a conta informada previamente. “Folhas de pagamento são importantes para os bancos”, diz o Ricardo Mollo, professor do Insper . As instituições usam os salários para reter clientes. “Um banco de varejo vive de escala e, com as folhas, pode oferecer pacotes  com redução de tarifas.” Outro ponto que deve garantir clientes é a oferta de crédito consignado juntamente com o pacote da conta corrente. Segundo Mollo, o Banco do Brasil (BB) atuou fortemente nessa área, fazendo ofertas agressivas de exclusividade de folha aliada a consignado. “O BC soltou uma norma proibindo essa prática, mas apenas para os novos contratos.” As cidades que possuem apenas um banco também é  fator de restrição à portabilidade. Os clientes não são organizados e perdem força na hora de pleitear taxas menores. Em tese o BB é a instituição que mais perde com a liberação das contas pois  é responsável  por grande parte do pagamento de salários dos barnabés no país. São cerca de 7 milhões de servidores públicos,  12% da base de clientes pessoas físicas do BB. Atualmente o banco é o agente financeiro em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato grosso, Bahia, Paraíba, Rio Grande do norte, Piauí, Maranhão, Rondônia, Roraima, Acre, Tocantins e Amapá As capitais são São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), Cuiabá (MT), Palmas (TO), Porto Velho (RO), São Luiz (MA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Natal (RN), João Pessoa (PB), Recife (PE), Maceió (AL), Macapá (AP), Boa Vista (RR) e Rio Branco (AC).

Nasce Ketamyna, a 1500ª Waimiri Atroari : “Digam ao mundo que vivemos”

Nasceu Ketamyna Atroari, a milésima quingentésima índia da comunidade Waimiri Atroari, que vive na divisa dos estados do Amazonas e Roraima, próxima ao lago da usina hidrelétrica Balbina. Com quatro quilos e 49 centímetros, a pequena Ketamyna (pronuncia-se quetamuná) é uma prova de vida para um povo que, em 1988, somava apenas 374 indivíduos. Ketamyna nasceu no dia 4 de novembro, na Aldeia Paryry (pronuncia-se paruru).

Os Waimiri Atroari sobreviveram à extinção – morriam em média 20% ao ano e hoje têm taxa de natalidade de 6% ao ano – graças ao programa Waimiri Atroari, implementado pela Eletrobras Eletronorte, em parceria com a Funai,  sob a orientação do indigenista Porfírio Carvalho. Segundo ele, “os índios estão todos muito bem, vivendo em suas terras sem invasores, sem perturbação, de acordo com sua cultura”.

Mas nem sempre foi assim. “Em 1986 reencontrei os Waimiri numa situação muito difícil. Estavam doentes, tristes, perambulando pela rodovia BR-174, pedindo carona a caminhoneiros, dependentes de alimentação e doações. Morriam, em média, 20% ao ano. Podia-se dizer que estavam caminhando para o extermínio. Aquele povo que conheci em 1969, guerreiros altivos, defensores do seu território e de suas vidas, estava triste, aguardando algo que não sabia exatamente o que era. Ainda não havia demarcação nem definição dos limites de suas terras”, explica o indigenista da Eletrobras Eletronorte.

Reconhecido como referência mundial, o Programa inspira políticas públicas, investe na valorização étnica e faz a diferença na história das comunidades indígenas da Amazônia.Homens, mulheres, crianças e idosos caminham saudáveis pelas aldeias onde a comida é farta e, o sistema de organização social, uma aula de cidadania. Tudo por meio do programa idealizado para compensar os impactos provocados pelo alagamento de 30 mil hectares das terras indígenas – hoje demarcadas em 2.585.911 ha – pela hidrelétrica Balbina.

Um dos principais fatores responsáveis pelo crescimento populacional desses índios é o subprograma de saúde. O objetivo é garantir boas condições de vida à população Waimiri Atroari, valorizar a medicina tradicional e repassar conhecimentos das outras formas de medicina. Na reserva existem 19 postos de saúde e oito laboratórios. As atividades são realizadas por uma médica, enfermeiras, odontólogas, 18 agentes técnicos, um motorista, com o apoio de 39 agentes técnicos de saúde e 12 laboratoristas indígenas. No início todos os laboratoristas eram brancos, mas depois os primeiros Waimiri foram sendo treinados e repassaram os conhecimentos para outras pessoas da comunidade. Hoje são 12 escolhidos pelo povo.

Na educação não é diferente. O método é único no mundo, desenvolvido exclusivamente para eles. Primeiro, aprendem a escrever na língua própria e, quando já estão interpretando a escrita, começam a aprender o português e a matemática. São bilíngües. As aulas não se limitam à escola, mas podem ser explorados outros espaços como recurso didático, a exemplo de caçadas, pescarias, construção de malocas. São 19 escolas, 54 professores Waimiri Atroari e sete não-índios que auxiliam em disciplinas como ciências, geografia e matemática. No início do Programa não havia professores da etnia, o que foi acontecendo com a realização de cursos de capacitação e formação.

As aldeias Waimiri Atroari impressionam pelo tamanho, pela limpeza e magnitude das malocas. Em breve uma delas receberá a festa de comemoração pelo nascimento de Ketamyna Atroari e, durante dias, eles cantarão, dançarão e beberão uma de suas originais preparações culinárias, o mingau de buriti. O coco do buriti é coletado na mata, triturado e misturado à tapioca. Na cozinha, as mulheres também preparam peixes, caças e mingau de banana. Os Waimiri Atroari não consomem álcool nem qualquer outro tipo de droga.

Em 2003, nas festividades do nascimento do 1000º Waimiri, o cacique Mario Pawere comemorou o fim da ameaça de extinção, saudou os convidados brancos e deixou o recado dos Waimiri Atroari : “Digam ao mundo que vivemos!”

Rafinha Bastos troca Rondônia por Roraima e Jacy-Paraná vai parar na fronteira com a Venezuela

O programa A Liga, exibido em rede nacional pela TV Bandeirantes nesta terça-feira, 6 , ía até bem mostrando a indústria do sexo num determinado bairro em Campinas/SP.  Mas ao citar o que seriam outros locais de prostituição a céu aberto, o apresentador Rafinha Bastos escorregou na Geografia e citou o distrito de Jacy-Paraná, a 90 quilômetros de Porto Velho como situado no Estado de Roraima. A equipe de produção deve ter faltado à aula no mesmo dia do apresentador-cômico e tascou uma animação gráfica jogando o distrito quase na fronteira com a Venezuela. Uma telespectadora comentou que “Rafinha fez isto para aliviar sua barra, porque ficou com a consciência pesada depois de sacanear Rondônia num vídeo.” Já a redação deste blog acha que deve ser uma das piadas de gosto discutível do cômico.

Mobilização contra a malária no Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Pará e Rondônia

Mobilização Contra Malária, que acontecerá em seis estados da região norte do país: Amazonas, Acre, Amapá, Tocantins, Pará, Rondônia e Roraima, foi lançada nesta segunda-feira (5) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pelo secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa. Além de mostrar as novas ações, foram apresentados os números que apontam para a redução de 31% de casos da malária no primeiro semestre de 2011.

Para complementar as ações na comunidade e levar informações sobre malária à população, foi realizada uma campanha de comunicação que atingirá as 450 mil famílias moradoras dos municípios e seguirá as três fases: prevenção com uso de mosquiteiro/cortinado impregnado de inseticida, diagnóstico rápido e tratamento da malária completo e que também foram apresentadas aos participantes, após a coletiva.

Segundo o Ministério da Saúde,  já ocorreu a diminuição de 31% dos casos da doença. De janeiro a junho de 2011 foram notificados 115.798 casos da doença e este número em 2010, no mesmo período, era de 168.397. Serão distribuídos 1.100.000 (um milhão e cem mil) Mosquiteiro/cortinados Impregnados com Inseticidas de Longa Duração (MILDs). 500 mil testes de malária serão disponibilizados para que sejam realizados exames em pessoas moradoras de comunidades mais afastadas da Amazônia brasileira.

 Municípios prioritários:

 Acre: Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Plácido de Castro e Rodrigues Alves;

Amazonas: Atalaia do Norte, Autazes, Barcelos, Borba, Careiro, Coari, Guajará, Humaitá, Iranduba, Itacoatiara, Lábrea, Manacapuru, Manaus, Manicoré, Novo Aripuanã, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga;

Amapá: Oiapoque e Porto Grande;

Pará: Itaituba, Anajás, Jacareacanga, Pacajá, Itupiranga, Novo Repartimento e Tucurui;

Rondônia: Alto Paraíso, Buritis, Campo Novo de Rondônia, Candeias do Jamari, Cujubim, Guajará-Mirim, Itapuã do Oeste, Machadinho D’Oeste, Nova Mamoré e Porto Velho.

Roraima: Bonfim, Cantá, Caracaraí e Rorainópolis.

Monte Roraima : Aventura com segurança

Nos últimos dias, este blog publicou uma série de posts sobre o Monte Roraima. Mas como ir lá ?

Tem que ir de avião até Boa Vista capital do estado de Roraima. A partir de Boa Vista são necessárias 2,5h de estrada pela BR 174 até Santa Elena de Uairén, totalmente asfaltada. Depois mais 68 km até a entrada da vicinal que conduz à comunidade indígena de Paraitepuy, localizada no Parque Nacional Gran Sabana.

A melhor época é no período menos chuvoso, que compreende outubro a abril, mas cada ano é muito singular. Melhor contatar a agência antecipadamente para saber as condições climáticas da região, que é muito particular. Nesse período sugerido as trilhas são menos escorregadias, a travessia de alguns rios é menos complicada e há um pouco mais de “conforto” nos acampamentos. As viagens nos outros períodos representam uma aventura maior, compensada também pelo espetáculo das cachoeiras mais densas. A temperatura na base oscila em torno dos 20 graus, e no topo fica por volta de zero grau à noite.

É indispensável um completo equipamento para trilha. Deve-se lembrar que são, pelo menos, seis dias de caminhadas longe da civilização, sem nenhum contato com o mundo urbano. Portanto, não pode faltar nada. Quanto à alimentação, recomenda-se levar um pouco acima da previsão do grupo, pois os indígenas nem sempre respondem por suas provisões. A lista destes itens pode ser fornecida pelo responsável que organiza a viagem.

O acesso ao Monte Roraima é possível a todas as pessoas (via trekking ou mesmo de helicóptero), mas é preciso ter consciência de que a realidade da caminhada é difícil e cansativa, anda-se muito em terrenos acidentados, um sobe-desce sem parar, e o desgaste físico é extenuante. Por isso a elaboração de um bom roteiro e uma boa orientação por parte dos responsáveis pela organização faz a diferença. E lembre-se: o rigor na fiscalização da fronteira depende muito do humor dos plantonistas. O passaporte é importante, exige-se a vacina contra febre amarela.  Não é necessário visto de entrada, ele é concedido na fronteira.

Para outras informações ligue para o Magno, da Roraima Adventure, no fone (95) 3624 9611 ou mande um e-mail para magno@roraima-brasil.com.br. O site é www.roraima-brasil.com.br

Monte Roraima : Respeito à montanha dos cristais

O marco piramidal que define a tríplice fronteira, um elemento totalmente estranho à paisagem, fica numa espécie de arena, cercado por impressionantes formações.  De um lado o Vale dos Cristais, extenso e bonito (na Venezuela). Do outro, o temido Labirinto (na Guiana). Próximo, outro caminho cheio de fendas e lagoas leva ao paredão do lado brasileiro. Muito além do Labirinto fica o Lago Gladys – assim batizado em homenagem a um lago citado em O Mundo Perdido, obra do escritor inglês Arthur Connan Doyle, que claramente se inspirou em relatos sobre o Monte Roraima para compor a atmosfera misteriosa de seu livro. Muitos índios dizem que o Lago Gladys não existe.

Alguns que já estiveram por lá criam dificuldades para encarar mais dois de trilha “suicida” a partir do ponto tríplice. O caminho ao lago é apenas um entre os muitos temores dos índios pemons, que exercem um estranho controle sobre a montanha. A atual geração de nativos incumbida de guiar os visitantes parece enfrentar a tarefa com resignação e dor. O dinheiro do turismo é a sua principal fonte de renda, mas eles se sentem um tanto incomodado por essa relação à montanha. Assim, muitas vezes, mostram-se dispersivos, observam calados os visitantes e recriminam fortemente a atitudes de alguns, como levar cristais ou outros objetos que possam servir de lembranças. Por isso, hoje, é feita uma revista minuciosa no retorno da viagem, justamente para coibir essas ações.

Sob o olhar dos imensos tepuis, a Terra evoluiu, mudou, moveu-se, esculpiu praias, montanhas e desertos, deslocou homens e impôs desafios. Anônima e eterna testemunha desta trajetória, o Monte Roraima é um lugar mágico onde o silêncio emite sons, as pedras se movimentam, a vida viaja num sopro de vento.

Dinossauros existem? Claro que sim. O Monte Roraima está lá para mostrar isso, pois num mundo onde os sonhos e a imaginação estão acima de qualquer suspeita, tudo é possível.

O marco piramidal que define a tríplice fronteira, um elemento totalmente estranho à paisagem, fica numa espécie de arena, cercado por impressionantes formações.  De um lado o Vale dos Cristais, extenso e bonito (na Venezuela). Do outro, o temido Labirinto (na Guiana). Próximo, outro caminho cheio de fendas e lagoas leva ao paredão do lado brasileiro. Muito além do Labirinto fica o Lago Gladys – assim batizado em homenagem a um lago citado em O Mundo Perdido, obra do escritor inglês Arthur Connan Doyle, que claramente se inspirou em relatos sobre o Monte Roraima para compor a atmosfera misteriosa de seu livro. Muitos índios dizem que o Lago Gladys não existe.

Alguns que já estiveram por lá criam dificuldades para encarar mais dois de trilha “suicida” a partir do ponto tríplice. O caminho ao lago é apenas um entre os muitos temores dos índios pemons, que exercem um estranho controle sobre a montanha. A atual geração de nativos incumbida de guiar os visitantes parece enfrentar a tarefa com resignação e dor. O dinheiro do turismo é a sua principal fonte de renda, mas eles se sentem um tanto incomodado por essa relação à montanha. Assim, muitas vezes, mostram-se dispersivos, observam calados os visitantes e recriminam fortemente a atitudes de alguns, como levar cristais ou outros objetos que possam servir de lembranças. Por isso, hoje, é feita uma revista minuciosa no retorno da viagem, justamente para coibir essas ações.

Sob o olhar dos imensos tepuis, a Terra evoluiu, mudou, moveu-se, esculpiu praias, montanhas e desertos, deslocou homens e impôs desafios. Anônima e eterna testemunha desta trajetória, o Monte Roraima é um lugar mágico onde o silêncio emite sons, as pedras se movimentam, a vida viaja num sopro de vento.

Dinossauros existem? Claro que sim. O Monte Roraima está lá para mostrar isso, pois num mundo onde os sonhos e a imaginação estão acima de qualquer suspeita, tudo é possível.

Monte Roraima – Terra de lendas e plantas exóticas

Como todos os tepuis desta região, o Monte Roraima começou a ser desenhado há quase dois bilhões de anos, quando nem sequer os continentes apresentavam seus contornos atuais. O topo do Roraima é um lugar sinistro, sem referências geográficas em qualquer outra região da Terra. O exército de pedras escuras do platô, com formas e dimensões distintas que variam conforme a luz seria capaz de instigar a imaginação até do mais duro e cético dos escritores. Muitos trechos dos seus quase 90 km de área permanecem ainda intocados, seja pela dificuldade de acesso ou pelas crenças indígenas que os isolam. Para ser ter uma idéia, somente em 1976 é que o primeiro homem (o escritor venezuelano Charles Brewer-Carias) desvendou o impressionante Vale dos Cristais, local próximo ao ponto que marca a tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Já as lendas mantidas vivas pelos índios fazem com que visitantes e estudiosos jurem ter visto criaturas pré-históricas, ou ouvido urros estranhos e horrendos quando alojados na área do Monte Roraima. Mas os únicos seres vivos devidamente registrados no topo do Monte são alguns insetos, entre eles a peculiar borboleta-tigre e o sapo de nome científico Oreonphynella Quelchii (é um sapinho preto da barriga vermelha, do tamanho da unha do dedão). Estima-se que pelo menos 400 tipos de bromélias e mais de 2.000 tipos de flores e samambaias compõem a diversidade da flora. Isoladas ao longo de milhões de anos, forçadas a adaptar-se por causa da falta de nutrientes do solo, elas evoluíram em novas espécies – as bromélias, por exemplo, criaram surpreendentes hábitos carnívoros, alimentando-se de insetos.

Ao Norte – 20 – Monte Roraima II

O tempo parece ter parado no alto de algumas montanhas do sudeste da Venezuela. Não são montanhas pontiagudas, verdejantes ou nevadas como as que estamos acostumados a contemplar. Nem fazem parte de cadeias com alturas monumentais como os Andes ou o Himalaia – as mais altas ali não superam os 3.000 metros. Porém, não existem montanhas iguais em nenhum outro lugar do planeta. Nascidas num tempo remoto em que a vida na Terra nem sequer engatinhava, há quase uma centena delas entre as florestas e savanas venezuelanas, invadindo a Amazônia brasileira e a Guiana. Elas têm formas curiosas, cilíndricas, com paredões radicais cor de terra que sustentam imensos platôs. Parecem mesas imensas, e ficaram conhecidas como tepuis, palavra que significa montanha na língua dos índios pemons – grupo ancestral que habitam aquela região. Com suas espécies vegetais e formações rochosas assustadoras que chegam a lembrar dinossauros, o Monte Roraima é o mais complexo, desafiador e misterioso dos tepuis.

Monte Roraima – Névoa aumenta o clima de mistério

A partir da aldeia Paraitepuy, distante 26 km da base do Monte Roraima, são dois ou três dias inteiros de caminhada pela savana, subindo e descendo a todo instante até o alto da montanha. Às margens do Rio Tek (05 horas desde a aldeia) já se tem uma bela vista do Monte Kukenan, irmão do Roraima, mas de exploração muito mais difícil, possível apenas em período de poucas chuvas.

No verão, estação mais seca, é comum a fumaça das queimadas invadirem os acampamentos da trilha. A estiagem, porém, é um fenômeno raro. Chove regularmente ali durante pelo menos oito meses do ano. E mesmo de outubro a abril, época de menos chuvas, o Roraima vive envolto em nuvens, que criam um microclima especial, contribuindo com a atmosfera misteriosa e sombria. Além disso, as águas proporcionam a existência de cachoeiras espetaculares, como o famoso Salto Angel, no Ayuan Tepui, o maior salto dágua do mundo em queda livre.

Programa “Mais Cultura” vai investir R$ 14 milhões na Amazônia em microprojetos

O Ministério da Cultura investirá cerca de R$ 14 milhões para financiar projetos culturais no Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O edital Microprojetos Mais Cultura para Amazônia Legal foi publicado na segunda-feira, dia 12, no Diário Oficial da União (DOU).

A ação visa promover a diversidade cultural da Amazônia Legal por meio do financiamento não reembolsável de projetos de artistas, grupos artísticos independentes e produtores culturais. As iniciativas deverão ter como beneficiários jovens entre 17 e 29 anos residentes em regiões ou municípios da Amazônia Legal.

Esta é a segunda edição do Microprojetos Mais Cultura. Em 2010, o teto por projeto foi ampliado para 35 salários mínimos para atender o “custo amazônico”, uma das principais deliberações da II Conferência Nacional de Cultura, realizada no último mês de março, em Brasília.

Outra novidade do Microprojetos para Amazônia Legal é a possibilidade de inscrição oral de projetos. Serão aceitas inscrições gravadas em meio digital ou fita cassete.

O Microprojetos para Amazônia Legal será executado em parceria com a Fundação Nacional de Artes (Funarte/MinC), do Banco da Amazônia (Basa) e dos governos estaduais da região amazônica.
As inscrições são gratuitas e estão abertas até o dia 11 de junho. Podem participar pessoas físicas com idade superior ou igual a 18 anos completos e pessoas jurídicas sem fins lucrativos que desenvolvam projetos socioculturais nas seguintes áreas: artes visuais, artes cênicas, música, literatura, audiovisual, artesanato, cultura afro-brasileira, cultura popular, cultura indígena, design, moda e artes integradas – ações que não se enquadrem nas áreas anteriores ou que contemplem mais de uma área artística na mesma proposta.

Os projetos devem ser enviados pelo correio para o endereço Programa Mais Cultura – Ação Microprojetos Amazônia Legal, Coordenação de Difusão Cultural da Funarte – Brasília, Eixo Monumental, Setor de Divulgação Cultural, Lote 02, CEP 70.070-350, Brasília – DF.

O edital e os formulários para as inscrições estão disponíveis nas páginas eletrônicas do Ministério da Cultura (www.cultura.gov.br), do Programa Mais Cultura (http://mais.cultura.gov.br), e da Funarte (www.funarte.gov.br).

Sabe aquela expressão do “Oiapoque ao Chuí” ? esqueça .

Por  Beto Bertagna

Pode apostar com seus colegas de cerveja na mesa, você vai ganhar. Aquela história de que o Brasil ía do Oiapoque ao Chuí, quando tentavam dizer do extremo norte ao sul dançou. Até porque pela geografia oficial, durante muito tempo o Cabo Orange, que fica no Oiapoque, estado do Amapá foi considerado o ponto extremo do norte do país. E rendeu até música, nas vozes de Teodoro e Sampaio:

“Arrumei as minha malas
E de viagem sai
Pra conhecer o Brasil
Do Oiapoque ao Chuí
E pra falar a verdade
Eu tenho muita saudade
De tudo que conheci”

Em 1930, o Marechal Cândido Rondon organizou uma expedição ao Monte Caburaí e chegou a afirmar que se tratava do extremo norte do Brasil. Mesmo assim, aquelas terras permaneceram por muito tempo esquecidas e o Oiapoque, no Estado do Amapá, ficou sendo considerado o ponto onde começaria o Brasil.

Jáá em 1931 a Serra do Caburaí aparecia como ponto extremo do norte brasileiro nas anotações do Capitão-de-Mar-e-Guerra Braz Dias de Aguiar, chefe da Comissão Brasileira Demarcadora de Limites.  Aguiar, então, concluiu que o ponto extremo Norte do Brasil era a Serra do Caburaí em detrimento do Monte Roraima.  O Estado recebeu o nome de Roraima em homenagem ao lendário e místico monte homônimo.

De fato, uma simples visualização cartográfica da região evidencia a localização mais setentrional do Monte Caburaí em relação ao Oiapoque, sem muito mistério. Basta olhar o mapa com um pouco de atenção.

Com base nestes dados é correto dizer que O Brasil vai do Caburaí ao Chuí. Para os poetas ainda fica mais bonito, porque há rima na frase, e fica até mais agradável de expressar. A expressão Do Oiapoque ao Chuí foi sempre mal interpretada como referindo-se aos pontos extremos do Brasil,  na verdade ela foi cunhada visando expressar a extensão do litoral brasileiro, facilmente visualizada nos mapas.

Portanto, para não cair no erro novamente, saiba diferenciar o extremo norte do país do início do litoral brasileiro,  na sua face norte.

O Ministério da Educação, já reconhece oficialmente o fato desde 1998,  depois que uma expedição conjunta das Forças Armadas, Ibama, Funai, Embrapa, UFRR, entre outros órgãos federais e estaduais, descobriu que o Caburaí fica ao norte exatamente 84 km a mais do que o Oiapoque. A partir deste ano  as editoras foram obrigadas  a ratificarem a informação nos livros didáticos, o que parece não ter adiantado muito, sendo a expressão popular errada “do Oiapoque ao Chuí” vista até hoje como correta pela maioria do povo brasileiro, inclusive (e infelizmente) pela mídia de uma forma geral (há exceções).

O Monte Caburaí , onde nasce o rio Ailãfica no município de Uiramutã, dentro do Parque Nacional do Monte Roraima. Sua altitude é de 1.465 m e faz fronteira com a República Cooperativista da Guiana. Fica a 80 km do Monte Roraima. A localização exata do Monte Caburai é Latitude: 05º 16’ 19,6” N e Longitude: 60º 12’ 43,3” W.

Portanto, em suas próximas rodas de papo de boteco, pode apostar: O Brasil vai do Caburaí ao Chuí.

Oiapoque e Caburaí eu não conheço, mas Chuí eu conheço bem. Fica a 20 km de Santa Vitória do Palmar, tem praias lindíssimas como a Barra do Chuí e o Hermenegildo ( mais conhecido pelos íntimos como “Hermena“). Atravessou uma Avenida e pronto . Você está em Chuy, Uruguai, com suas parrilladas, cerveja Norteña, Patrícia e uma lendária fortaleza portuguesa tomada pelos espanhóis, a Fortaleza de Santa Tereza. Em Barra do Chui, corre o Arroio Chuí que separa Brasil e Uruguai, marcando o ponto mais meridional do Brasil.

E tem outra também que é legal, mas que vai ficar para a próxima. Afinal, o Brasil é mais largo ou mais comprido? Façam suas apostas…

E prá relaxar, Ié Ié Ié do Oiapoque ao Chui, com Marcelo Birck

E do Caburaí ao Chuí, do Platão Arantes Teixeira

Oiapoque, durante muito tempo considerado o ponto setentrional do Brasil

Chuí , fronteira com o Uruguai, tem uma avenida que separa os dois países. O Arroio Chui separa também Uruguai e Brasil na Barra do Chui, no ponto mais meridional do Brasil.

Em algum ponto do Arroio Chui o ponto mais meridional do Brasil. foto: Wikipédia/Dantadd

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