Arquivo da tag: Prêmio SINJOR

Nota triste : morre o jornalista Nelson Townes, em Porto Velho

Faleceu na manhã deste domingo, no Hospital Prontocor, o jornalista Nelson Townes de Castro, de 60 anos de idade e 41 de profissão. Townes lutava contra um câncer, descoberto há pouco tempo atrás. O jornalista, o maior vencedor de Prêmios SINJOR , premiação concedida anualmente pelo Sindicato dos Jornalistas de Rondônia, foi repórter da Folha de São Paulo e depois correspondente do jornal Estado de São Paulo em Rondônia.  Participou de diversos projetos jornalísticos, dentre eles o jornal A Palavra, em Vila de Rondônia, numa parceria com o também jornalista Diógenes Xavier, o Dió. Trabalhou na implantação da pioneira TV Cultura, canal 11 em 1974, a primeira emissora de TV de Rondônia ,então Território Federal, a histórica antecessora da TV Rondônia, canal 4 e também na TV Educativa, Canal 2, ambas extintas. Foi chefe de redação e repórter especial dos principais jornais rondonienses, extintos ou sobreviventes, como Última Hora, A Tribuna, Alto Madeira e o O Estadão.

Nelson Townes foi o repórter que realizou a primeira transmissão on line de notícias em tempo real neste Estado, em 1970, num tempo em que não havia Internet.  Foi através do telégrafo sem fio, em código Morse, que Townes transmitiu, em tempo real para o jornal “O Guaporé”, a mais de mil quilômetros de distância em Porto Velho, a notícia de que o navio que transportava pelo rio Guaporé o então governador do Território de Rondônia, Marques Henriques, estava desgovernado a deriva no rio, por ter perdido a hélice. Townes também estava a bordo, como enviado especial do jornal, e datilografou o texto numa pequena “Olivetti Lettera 22”, que incluíra em sua bagagem. Depois, Nelson Townes entregou o texto ao telegrafista do barco que o transmitiu em Código Morse para a estação telegráfica do governo em Porto Velho.. O texto foi copiado e entregue imediatamente ao redator de plantão no “O Guaporé”.

O jornalista  protagonizou, juntamente com o atual advogado Dílson Machado Fernandes e o servidor público Dimas Queirós de Oliveira, na época membros da assessoria de imprensa do então governador do território, o saudoso coronel João Carlos Marques Henriques (recentemente falecido), o primeiro programa de televisão da história rondoniense – um “talk show” que foi ao ar por acidente, escandalizou metade da cidade e deixou a outra metade rindo sem parar.  Era um teste de transmissão da TV, e os três – acreditando que era uma transmissão em circuito fechado, e ignorando que a transmissão estava vazando e sendo captada por milhares de pessoas – xingaram todas as figuras mais importantes de Rondônia, incluindo o próprio governador.
Em recente entrevista a Sérgio Mello do programa Papo News, Nelson Townes lembrou o início de sua carreira e sua primeira reportagem como jornalista profissional. Disse que a primeira pauta que recebeu ao ser contratado como repórter pelo jornal “O Liberal” de Belém (seu primeiro emprego como jornalista registrado na Carteira de Trabalho, em 1968) foi a de fazer uma reportagem dentro do hospício “Juliano Moreira”, da Capital paraense.
A missão era a de passar um dia inteiro convivendo com os loucos do hospital, submetidos a uma nova forma de tratamento, a terapia ocupacional.
Townes esqueceu-se de dizer que sua primeira reportagem resultou no primeiro elogio público de sua carreira, que ao longo dos anos vem sendo marcada por prêmios e homenagens (em Rondônia, é o jornalista com o maior número de troféus do Prêmio Sinjor de Jornalismo – 4, sendo 3 por matérias da categoria meio ambiente.)

O velório acontece na Funerária Ramos, situada na Av. Sete de Setembro,2021, no bairro Nossa Senhora das Graças e o enterro está previsto para a manhã desta segunda-feira (25).