Arquivo da tag: Porto Velho

Túnel do Tempo : Porto Velho, Território Federal do Guaporé

Deu no G1:Acidente entre ônibus e carreta deixa 9 mortos e 24 feridos em Rondônia

Nove pessoas morreram e 24 ficaram feridas em um acidente envolvendo um ônibus e uma carreta na noite desta quarta-feira (7) na BR 364 no município de Ariquemes, a 200 km de Porto Velho. De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal, o ônibus fretado levava passageiros para a Bolívia. Por volta das 23h, a carreta, que vinha no sentido contrário, teria saído da pista. O ônibus bateu no baú da carreta. A relação das vítimas fatais, divulgadas pela PRF é a seguinte :

Ronaldo Paulino Alves, 45 anos
Nadir Antunes dos Reis, 49 anos
Maria Odilia Ferreira Souza, 57 anos
Maria Gomes Vieira, não informado
Maria das Graças Nascimento, 51 anos
Marcelino Francisco de Souza, 56 anos
José Anacleto Vieira, 56 anos
Jamiro Ferreira Lopes, 40 anos
Geni Barbosa Terlan, 59 anos

A notícia completa você lê no G1 .

Ainda virá a pior enchente…

Enchente do rio Madeira atingiu os galpões da Madeira-Mamoré num passado recente.

As altas temperaturas e a alta umidade deixam o tempo abafado em Porto Velho. Esse tempo abafado favorece a formação de nuvens carregadas sobre a capital de Rondônia.

Podem ocorrer chuvas esparsas, mas que podem se transformar em temporais, mesmo sendo de curta duração – e o que chamamos de curta duração em Porto Velho são aguaceiros de 30 a 40 minutos – podem causar grandes prejuízos e transtornos.

O chão da cidade, de pouca ou nenhuma drenagem, está saturado de água. Mesmo que as autoridades tentem, não conseguirão resolver esse problema na atual temporada.

Ainda bem que a  temperatura está se mantendo em média em 30 graus. Mais calor, mais evaporação no rio Madeira, e mais chuva.

As informações, que valem para os próximos dias, são dos meteorologistas colaboradores do site “Climatempo”, com o aviso que parece ser ignorado por grande parte da população e por setores do serviço públicos que correm atrás dos prejuízos, ao invés de preveni-los: o perigo de novas chuvas fortes ainda não acabou.

Como disse há muitos anos em São Paulo, o então prefeito Olavo Setúbal, aos jornalistas que o acompanhavam numa vistoria a ruas arrasadas por uma inundação causada por uma chuva: “Ainda virá a pior enchente.”

Eu era um dos jornalistas que acompanhavam o prefeito por ruas cobertas de lama (na época morava na Capital paulista e era repórter da “Folha de S. Paulo”). Não dava para acreditar no prefeito: as águas tinham baixado deixando marcas de alagação que iam até o teto em algumas casas.

Como imaginar pior drama? Casas haviam desabado. Os bombeiros procuravam pessoas desaparecidas. Havia feridos hospitalizados.

Os sobreviventes nada podiam fazer além de olhar para a destruição de coisas que haviam comprado até com dificuldade: televisores, aparelhos de som, geladeiras, sofás, colchões, as roupas da família em guarda-roupas antes bem arrumados, tudo estava coberto por lama, lixo e podridão.

Aqui e ali se via um rato morto entre o amontoado de detritos em que tudo que havia nas casas tinha se transformado da noite para o dia. A enxurrada mal havia dado tempo para que salvassem a própria vida e a dos familiares.

A voz pausada e grave de Setúbal não significava auto-crítica ou tinha qualquer intenção política de culpar quem quer que fosse pelo desastre. Aliás, sequer poderia culpar inteiramente os paulistanos que também costumam, ou costumavam, atirar lixo nas ruas, nos córregos, bueiros e bocas-de-lobo – um costume que se espalha pelo país e existe em Porto Velho.

O prefeito Olavo Setúbal tinha razão. As enchentes são como um filme que se repete ao longo dos anos sem mudar o roteiro de sofrimentos e angústia de suas vítimas. Mas, aumenta o horror das cenas.

Atualmente, os fatores causadores de tragédias climáticas estão cada vez mais distantes dos locais onde elas ocorrem. As alterações são globais, planetárias. A poluição na China pode afetar o tempo no Ocidente. O desmatamento na Amazônia pode causar nevascas na Europa. Parece absurdo, mas não é.

De repente, descobrimos que a aldeia global em que vivemos não é a criada pela rede mundial de computadores, a Internet. Como espécie animal, somos muito poucos se comparados, por exemplo, com a população de formigas, trilhões de formigas, contra os nossos 5 ou 6 bilhões de humanos.

Mas, as formigas não poluem o meio ambiente, não agridem a natureza. Nosso planeta ficou pequeno demais para o lixo que produzimos. Nós o transformamos numa lixeira global. E a natureza está se vingando.

…………………..

(*)  Texto que continua atual de Nelson Townes, falecido em 2011.

Viagem pela Interoceânica, até Machu Picchu. De moto, até de carro eu vou ! Incrível !

Por Beto Bertagna

Sexta-feira chuvosa, início da noite, já estava há uma semana de férias “brancas” ou seja, trabalhando e com uma vontade doida de me aventurar pelo mundo. Dou uma olhada nos sites da Gol, Tam, Azul, Trip. Tudo caro demais, alta estação, poucas opções. Daí chega um amigo e pergunta: “Por quê não vai de carro ?’ . Tá bem. De carro. Mas prá onde? Estou em Porto Velho. Rio Branco eu já conheço muito bem , a Chapada dos Guimarães no Mato Grosso também…Ir para outra cidadezinha qualquer não ía provocar o que em linguagem DOS seria um “format :cérebro” ( ou Ctrl + Alt + De l) que eu estava precisando. Na  minha cabeça tinha planejado outra viagem, pelo Lago Titicaca, Oceano Pacífico, San Pedro de Atacama, Salar de Uyuni, Puno, Copacabana, Cusco, Machu Picchu, tudo de moto. Mas janeiro é uma época meia ingrata, muitas chuvas… mas peraí : Machu Picchu ? A cabeça roda, os pensamentos voam, se você for esperar sempre as condições ideais…Fazer agora, o que puder, com o que tem nas mãos… Chamo a Zane, minha companheira de aventuras e faço o convite, ela topa e vamos comemorar com umas Originais. Moto fica prá outra vez, carro está pronto, balanceado, correia dentada nova, pneus e suspensão em dia. Saímos no sábado pela manhã. Sem GPS (com planos de comprar um Garmin Zumo 660 em Cusco).  Poucos mapas impressos rapidamente, pouca informação e lá vamos nós.

Balsa : Travessia do Rio Madeira

Balsa : Travessia do Rio Madeira

Viagem até Rio Branco, aproximadamente 500 km, com uma balsa que cruza o rio Madeira em aproximadamente 40 minutos e custa R$ 13,50 por carro. Tinha motivos mais do que sentimentais e afetivos para pernoitar em Rio Branco ( afinal Vivica & Mariá moram lá !).

(Se necessitar, os contatos do Consulado Peruano no Acre -Rio Branco são: R. Maranhão, 280 – Bosque – Centro Cep: 69908-240 Telefone: (68) 3224-2727 / 0777 Fax: (68) 3224-1122 email: consulperu-riobranco@rree.gob.pe.)

Quem não quer passar em Rio Branco deve entrar a esquerda numa rotatória  existente na BR 364 cerca de 30 km antes da capital acreana, na Estrada do Pacífico, que leva a Xapuri, Epitaciolândia, Brasiléia e Assis Brasil (BR 317) Mas atenção,entre à esquerda, porque à direita vai para Boca do Acre, no Amazonas.Mais alguns quilômetros à frente, passando por Capixaba, vale a pena conhecer Xapuri e descansar  na Pousada Villa Verde principalmente para  quem está vindo de Porto Velho rumo a Cusco,  porque é praticamente a metade do caminho. Para quem está indo a Brasiléia/Cobija fazer compras também é uma boa.

Chegando em Assis Brasil você já está na fronteira. Vá até a Polícia Federal e carimbe seu passaporte dando saída do Brasil. Este procedimento é uma forma de barrar a saída de quem tem problemas com a justiça no país. Sem isso, você não consegue entrar no Peru.

Entrada e Av. princidpa de Iñapari - Cuzco 763 km / Lima 1868 km foto : Z. Santos

Entrada e Av. principal de Iñapari – Cuzco 763 km / Lima 1868 km foto : Z. Santos

Documentos necessários na aduana peruana : xerox do passaporte ( c/ original), xerox da CNH (c/original), xerox do documento do carro/moto em seu nome, ou em nome de um dos passageiros (c/ original). Se o veículo estiver alienado a alguma financeira, você precisará de uma declaração da instituição(banco financiador) registrada em cartório, liberando o veículo para sair do país. Este é um procedimento rotineiro em aduanas brasileiras, se você não proceder assim, pode ter problemas à frente, não caia em conversa fiada de “mané”.Vão colocar um adesivo da SUNAT no parabrisa do carro (Superintendência Nacional de Administração Tributária), a Receita Federal peruana, indicando que você é turista e o prazo de internação do veículo. Não sei se em moto colocam o tal adesivo. Também não sei se é bom ou ruim na questão “propina” , acho que , segundo o Raulzito, “é bandeira demais, meu deus !”. No meu caso passei incólume pelas blitz, mas ouvi muitas reclamações na aduana em Iñapari de brasileiros que vinham do norte peruano.

Primeira Dica

Eles não te obrigam a portar a PID (Permissão Internacional para Dirigir). Mas vale a pena fazer a sua, em qualquer Ciretran ou Detran. Paga-se uma taxa de aproximadamente R$ 70,00* e em dois dias você tem um documento que vale o mesmo prazo da carteira tradicional, e acredite, vai te tirar de encrencas…

* No Detran/RJ a taxa é R$ 107,72. Em São Paulo custa inacreditáveis R$ 221,54 !!!  Mas tem a opção de receber a PID em casa: R$ 232,54 (sendo R$ 221,54, referentes à taxa de emissão da PID, e R$11,00 referentes ao custo do envio por meio dos Correios.)

A mesma PID em Rondônia custa R$ 71,09.  A diferença exorbitante também se vê nos pedágios das estradas estaduais de SP . Prá cruzar a Raposo Tavares de cabo a rabo tem que levar um saco de dinheiro e… bem , esta já é outra história.

Um detalhe que muita gente desconhece, é que a PID tem que ser emitida no DETRAN de origem da CNH. Ou seja , se sua CNH é de Goiás, por exemplo, a PID tem que ser emitida em Goiás.

Na Argentina e no Peru, os guardas por não conhecerem direito o documento me liberaram para não passar vergonha certa vez…

A Permissão Internacional para Dirigir (PID) é emitida para que o condutor habilitado no Brasil possa dirigir no exterior, em países signatários da Convenção de Viena ou países que atendam ao princípio de reciprocidade : África do Sul, Albânia, Alemanha, Angola, Argélia, Argentina, Austrália, Áustria, Azerbaijão, Bahamas, Barein, Belarus (Bielo-Rússia), Bélgica, Bolívia, Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Cabo-Verde, Canadá, Cazaquistão, Chile, Cingapura, Colômbia, Coréia do Sul, Costa do Marfim, Costa Rica, Croácia, Cuba, Dinamarca, El Salvador, Equador, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, Federação Russa, Filipinas, Finlândia, França, Gabão, Gana, Geórgia, Grécia, Guatemala, Guiana, Guiné-Bissau, Haiti, Holanda, Honduras, Hungria, Indonésia, Irã, Israel, Itália, Kuwait, Letônia, Líbia, Lituânia, Luxemburgo, Macedônia, Marrocos, México, Moldávia, Mônaco, Mongólia, Namíbia, Nicarágua, Níger, Noruega, Nova Zelândia, Panamá, Paquistão, Paraguai, Peru, Polônia, Porto Rico, Portugal, Reino Unido (Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales), República Centro-Africana, República Democrática do Congo, República Checa, República Dominicana, Romênia, Saara Ocidental, San Marino, São Tomé e Príncipe, Seichelles, Senegal, Sérvia, Suécia, Suíça, Tadjiquistão, Timor, Tunísia, Turcomenistão, Ucrânia, Uruguai, Uzbequistão, Venezuela e Zimbábue. Quer mais ?

Prá quem não conhece uma PID olha ela aí.

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

……….

 Outra coisa que na fronteira não te obrigam é fazer o SOAT (um seguro semelhante à Carta Verde, comumente exigida no Uruguai , Argentina e Chile). Mas faça assim mesmo, ele elimina mais uns %  a possibilidade de você ser achacado por um policial no meio do caminho (palavras de motociclistas !). Em Iñapari, na fronteira,  ninguém vai saber te explicar nada. Já em Puerto Maldonado,   200 km adiante,  uma cidade com mais recursos , talvez você consiga pagar o SOAT . Tente alguma agência do Banco de La Nación , agência MultiRed.

Afinal uma cláusula do Código de Trânsito do Peru diz ” Todos los vehículos automotores que circulen por el territorio nacional deben contar con el SOAT.

Agora deixa eu dizer uma coisa : SOAT, que quer dizer dizer Seguro Obligatorio de Accidentes de Transito prá mim é como enterro de anão. Tentei fazer na Mapfre Peru, mas só tinha agência em Cusco. Ora, se eu estava indo para Cusco achei meio sem lógica. Tentei via on line na La Positiva, o processo travou no meio do caminho (as compras on-line no Peru necessitam de cartão Verified by Visa). Depois, em nova passagem pelo Peru, vindo do Chile, cruzei o país também sem o SOAT mas foi por opção de não perder tempo. Portanto, fica a critério de cada um. Pelo jeito ele não é assim tão “popular” como a “Carta Verde” na Argentina. Se você conseguir fazer , por gentileza, mande uma cópia prá gente publicar porque esta dúvida é GERAL.

Pois o nosso amigo Pasin me fez queimar a língua e me mandou um “SOAT”. Aqui vai:

soat

Clique na imagem para ampliar

soat-2

 

E tem mais. Ele ainda mandou estas utilíssimas observações:

1 – Normalmente é vendido pelo prazo de um ano lá no Peru e a sua feitura é situação comezinha em todo o pais.
2 – A menor fração que eu consegui foi de um mês, um doze avos, do que eu teria que pagar por um ano para o meu carro.
3 – Ele é obrigatório para todos os veículos que circulem no Peru e a multa, eu vi a tabela conversando com um guarda, é de US$ 450 ! Isto mesmo, quatrocentos e cincoenta dólares americanos!!
4 – Também normalmente é feito nas cidades maiores como, por exemplo, Puerto Maldonado, até onde eu sei em Inapari não faz.
5 – O HSBC, antigo Bamerindus, faz este seguro só pelo período que o viajante vai permanecer em território peruano, mas eu só sei que faz, nunca comprei aqui.
6 – Em nosso caso, como em Inapari não faz o SOAT, os guardas já não multam pelo menos até Cusco ou Juliaca, mais para dentro do território eles já multam e apreendem o carro até a efetiva regularização.

Os operadores autorizados estão na lista abaixo :

Você vai precisar de soles “en efectivo” durante a viagem, por isso providencie o câmbio logo na fronteira. Câmbio é aquela coisa que você que viaja já sabe. Vai dançar na entrada e vai dançar na saída. Mas não há outro jeito.

Segunda Dica

Use um cartão pré-carregado tipo Visa Travel Money em dólares.  Desde o fim de 2013 porém, a alíquota que era 0,38% passou para 6,38%. As operações tem tributação igual à do uso de cartões de crédito. A principal vantagem (  não pagar os 6 % que o governo brasileiro cobra dos cartões internacionais em uso noutros países) acabou. Mas você pode sacar e pagar contas na moeda local, esteja onde estiver. Isto tira um pouco da preocupação com as perdas nos câmbios e no problema de ficar sem dinheiro no meio da viagem. As boas casas de câmbio fornecem o cartão.

Os postos de gasolina (“grifos”) só aceitam em espécie, os hotéis e restaurantes de estrada também. Motos como a XT 660 não enfrentam problema de falta de combustível na estrada, apesar da autonomia pequena, em média de 300 km.  Mas vale a pena encher o tanque logo na entrada, a gasolina peruana é vendida em galões ( 1 galão equivale a cerca de 3,78 litros) com 84 ,90 ou 95 octanas.  Esta última você só encontra nos postos Repsol em Lima ou Cusco (quanto maior a octanagem, maior a resistência à ignição espontânea). Para entender melhor, se um motor de elevada compressão levar gasolina de baixas octanas a mistura pode explodir antes da faísca da vela, quando o pistão ainda está subindo no cilindro, e assim existe uma contra-força à inércia do pistão (o pistão está subindo e a explosão já está forçando-o a  descer antes do seu curso estar completo) o que provoca perda de potência e muito maior desgaste e esforço do motor.

Se um motor de reduzida compressão levar gasolina de maior número de octanas a mistura pode explodir mais tarde do que o esperado e também reduz a potência porque o pistão já iniciou o curso para baixo sem a impulsão da explosão e apenas porque a tal é forçado pela inércia do mancal o que vai roubar força às revoluções do motor.

No Brasil a gasolina comum possui 87 octanas, com mistura de alcool anidro. A Premiun possui 91 octanas. A gasolina peruana mais barata é a de 84 octanas e custa na região de Puerto Maldonado uns 11 soles o galão ou aproximadamente 2,90 soles o litro. É só fazer a conversão para reais. Quando passei lá o câmbio estava em 1R$ = 1,45 soles, ou seja a gasolina custava em torno de R$ 2,00. Mas se puder abasteça com a 90. Na fronteira a diferença de preço é muito grande, creio que deve haver algum subsídio por se tratar de fronteira e região amazônica. Mas o preço mais barato que encontrei foi em Puerto Maldonado. À medida que se adentra para o centro do país a diferença entre os tipos de gasolina cai bastante.

"Grifo" em Iñapari foto : Z. Santos

“Grifo” em Iñapari/Província de Madre de Dios/Peru  foto : Z. Santos

Terceira Dica

Se for o caso, consiga a Carteira Mundial de Estudante no site http://www.carteiradoestudante.com.br . Ela custa R$ 40,00 , vale até o final do mês de  março do ano seguinte e em muitos locais legais de visitar você terá 50 % de desconto, o que por si só já paga a carteira.

A Rodovia Interoceânica tem 1.500 Km no Brasil e no Peru a “Carretera Interoceânica Sur” tem 1.100 Km somando 2.600 Km, atingindo a Cordilheira dos Andes a 4.800 metros de altitude. Sua rota passa por mais de  50 povos indígenas peruanos, com 207 pontes ,foi construída a um  custo aproximado de quase dois bilhões de dólares, gerou emprego para 4.000 trabalhadores pelas empreiteiras brasileiras Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. Já estão funcionando 4 postos de pedágio ( 5 Soles por veículo leve e 5 Soles por eixo, para caminhões ou ônibus).

Veículos de 3 rodas, com a frente de moto, muito comuns no Peru e Bolívia

Veículos de 3 rodas, com a frente de moto, muito comuns no Peru e Bolívia

Prepare seu “portunhol” porque você vai precisar ! Fora as expressões comuns como “gasolina, aduana, Coca-Cola” (certa vez um amigo meu no Uruguay pediu uma “Cueca Cuela” ! Só faltei acrescentar : com faruefa ! ) algumas você vai ter que aprender. (Mesmo gasolina pode ser “nafta” .)  Lá vai : Longe / lejo-lejano ; Perto / cerca-cerquita ; Largo / ancho  ; Estreito / angosto ; Fechado / cerrado ; Café / desayuno ;  Janta / cena ; Colher / cuchara ; Faca / cutillo ; Garfo /tenedor ; Copo / bazo : Carne bovina / rez ; Frango / pollo ; Batata / papa ; Alface / lechuga ; Salsicha / chorizo ; Ovo/huevo ; Peixe/pescado ; Azeite / aceite de oliva ; Porco/cerdo ; Pimenta /ají ; Pneu / llanta  Roda / aro

Pronto , você já não vai passar fome. Qualquer dúvida consulte o Diccionario Castellano .

Os "derrumbes" são comuns na época das chuvas, tanto na Amazônia quanto no Altiplano

Os “derrumbes” são comuns na época das chuvas, tanto na Amazônia quanto no Altiplano

Quarta Dica

Faça vacina uns 20 dias antes contra Febre Amarela e leve à Anvisa para receber o Certificado Internacional de Vacinação ( um amarelinho, com data e lote da vacina). Vai que no meio da viagem você resolve entrar na Bolívia, por exemplo.

Adelante ! Estamos no Peru, próxima parada Puerto Maldonado. Até lá um asfalto ótimo, bem sinalizado e uma sequência de uns 300 quebra-molas em “áreas urbanas” sendo que este conceito é muito vago, pode ser uma choupana abandonada ou um agrupamento de 3 casas com uma escola. Atrasa prá caramba o ritmo da viagem, numa infinidade de freia, troca de marcha, acelera… De moto deve ser barbada transpor estas barreiras, respeitando é claro os pedestres,etc,etc,etc e alguns animais que às vezes aparecem pela pista. Eu por exemplo, tive orgulho de salvar um jabuti, que se arrastava no meio da pista ! Levantei-o e coloquei numa área alagadiça no mesmo rumo que ele estava tomando , mas fora da pista e livre do perigo de ser atropelado.

Este se salvou por pouco ! foto:Z.Santos

Este se salvou por pouco ! foto:Z.Santos

Na estrada , começamos a ter uma outra lição. Podemos ver a floresta amazônica em sua exuberância natural. Os peruanos ainda preservam suas florestas ao lado da rodovia, que passa a ser uma linha preta no meio do verde. Rondônia e Acre, com suas insanas máquinas de exploração do ” tudo em nome do progresso “, conseguiram acabar com qualquer vestígio de floresta às margens da BR 364 e BR 317, É ridículo para os brasileiros que vieram para estas plagas recentemente, mas vão conhecer a Amazônia através do Peru !

Neste trecho da estrada você cruza com muitas Vans/lotação com bagageiros completamente carregados e antigas Corollas Fielder, fazendo o mesmo serviço.

Vegetação exuberante acompanha a Interoceânica amazônica foto : Z. Santos

Vegetação exuberante acompanha a Interoceânica amazônica foto : Z. Santos

Chegamos em Puerto Maldonado ! Uma bela ponte substitui a antiga travessia por balsa, amplamente relatada por viajantes de moto e de carro. O trânsito é meio caótico e vale a lei da buzina mais alta ! Mas nada que se compare mais tarde  a Cusco e seus táxis malucos.

Em Puerto Maldonado, também dá para sacar soles em um “cajero” automático Visa  existente na Plaza de Armas. Há quem diga que a cidade tem a ver com as peripécias do irlandês Brian Sweeney Fitzgerald, ou Fitzcarraldo, na pronúncia dos índios e na imaginação fértil do cineasta alemão Werner Herzog. Houve de fato um Carlos Fermin Fitzcarrald, o brutal barão da borracha de Iquitos que explorou o Madre de Diós e fundou Puerto Maldonado. Verdades à parte, compensa ver o filme antes de viajar, uma belíssima produção de Werner Herzog, com Klaus Kinski fazendo o papel principal.(Se possível também veja “Burden of dreams” , o making of da produção caótica do filme que perdeu  Jason Robards no meio da filmagem por motivos de saúde, em que Herzog tem que apontar um revólver para Kinski continuar o filme, há um conflito entre Peru e Equador no meio das filmagens, enfim , coisas para o messiânico Herzog lutar desesperadamente. Bem, mas esta já é outra história…

Quinta Dica

No caminho, vários quiosques e bolichos anunciam desayuno e truchas fritas. São as trutas, peixes de águas gélidas, que os peruano servem fritas com batatas cozidas. Peça também um “mate de coca”, que é delicioso e ajuda a aquecer o corpo e prevenir os males da altura. Nas cidades, o ceviche é um prato imperdível. Aproveite para fazer um contato mais próximo com a cultura andina.

Puerto Maldonado. Um obelisco? Uma torre ? Uma escultura ? foto: Z.Santos

Puerto Maldonado. Um obelisco? Uma torre ? Uma escultura ? foto: Z.Santos

Passando Puerto Maldonado, você ainda terá uns 140 km de estradas planas em território amazônico. Tem um parador turístico funcionando (Família Mendez) que tem um banheiro bem cuidado, possívelmente o melhor até chegar em Cusco. É hora de cruzar um garimpo de ouro a céu aberto, às margens da RN 26, a Carretera Interoceânica Sur.  Reduza um pouco a velocidade, por segurança, porque as pessoas atravessam a pista sem a menor preocupação ( há varios “borrachos”, afinal é uma currutela de garimpo) e por diversão, porque você verá várias cenas pitorescas, como placas de buates, hotéis em cima de palafitas, “casas” à venda, enfim , uma babel.  Depois de Quincemil e Mazuko, começa a serra de Santa Rosa e a aventura pela Cordilheira Real. A serra é bem íngreme e lembra um pouco a passagem entre o Chile e a Argentina, Los Caracoles. A serra também serve para desmistificar algumas coisas. Por exemplo, vi um Pálio 1.0 subindo na minha frente. Ele anda um pouco mais “despacio” , mas anda !

foto : B.Bertagna

foto : B.Bertagna

 O velho Marea não decepciona nas curvas e mostra porque durante muito tempo foi a viatura de interceptação dos “Carabinieri” italianos. As curvas agora são em U, o ar começa a ficar rarefeito e a temperatura a baixar. Nas curvas vale a lei da Buzina (Claxon).Nos caminhos sinuosos, apareciam de vez em quando bandos de G650gs, matilhas de XT 660, enxames de V-Stroms. Por falar nisso, cruzei com ônibus da Movil Tours, que faz o trecho Rio Branco X Cusco às quartas-feiras e aos sábados., com saída às 10 hs.  A paisagem muda e aparecem as lhamas para compor o cenário andino.  A esta altura (da montanha e do campeonato) quem tiver algum problema com o mal da altitude (o soroche) já vai sentir alguns efeitos : dor de cabeça, tontura, enjôo.

Vale a pena parar em algum bolicho na beira da estrada e tomar um mate de coca, ao preço de 1 ou 2 soles. Banheiro também é problema, principalmente se um dos viajantes for mulher. Os “griffos” não tem a estrutura que você está acostumado em postos de gasolina no Brasil , que mais parecem hoje um Shopping Center. Nem é necessário dizer para levar sempre absorvente e papel higiênico de reserva.  Estamos indo agora em direção ao vale do Inambari/Madre de Dios que marca a transição entre a selva amazônica e o início do altiplano.

Diferenças de temperatura brutais em poucas horas.

Diferenças de temperatura brutais em poucas horas.

Após cruzar a cidade de Mazuko, preste muita atenção. Há uma bifurcação : seguindo reto vai-se para Puno/Juliaca/Lago Titicaca. Tem que virar à direita, sentido Cusco e atravessar uma bela ponte sobre o rio Inambari, um afluente do rio Madre de Diós . ( Ainda ouviremos falar muito deste nome : a hidrelétrica de Inambari (2,2 mil MW), é um empreendimento orçado em  US$ 4 bilhões e fica a 300 km da fronteira. Será construída pelo Brasil , que importará do Peru 80 % da energia produzida pela usina , a um custo estimado de US$ 52 o MWh)

Mais algumas horas e se chega a Marcapata, com uma paisagem deslumbrante, ao lado de vulcões extintos, e a assombrosa cordilheira. Na ida, já noite escura, havia um “derrumbe” a 500 metros de Marcapata, o que nos fez dormir na cidade num hotel simples mas aconchegante. A porta do quarto dava para a praça da cidade. A porta do banheiro também saía na rua. Mas tudo muito barato, e os donos foram gentis e corteses o tempo inteiro. Um rápido passeio em Marcapata nos leva à igreja de São Francisco, feita de taipa e coberta com palha.

 Após mais um monte de curvas em U, a 4.000 metros de altitude, estamos próximos do Vale Sagrado dos Incas.

Os povoados se sucedem, com suas casinhas de taipa e de pedras, com varandas e plantações de batata nos quintais. As mães peruanas carregam os “niños” nas costas em faixas enroladas sobre as crianças.

foto : Z. Santos

foto : Z. Santos

Os pastores cuidam dos seus rebanhos de alpacas e lhamas. Chegamos já nas proximidades de Cuzco, e seus tesouros culturais, entre eles o mais idolatrado, procurado e festejado por turistas e aventureiros do mundo inteiro : Machu Picchu.

Não deve existir no mundo inteiro “Mané”  que tenha ido a Cusco e não tenha conhecido Machu Picchu.

Sexta Dica 

O período seco, sem chuvas, se estende de maio a setembro. Coincide com o período de alta  estação de Machu Picchu(junho/julho), quando há um incremento no número de turistas europeus. É a melhor época também para subir o Huayna Picchu , porque você terá uma visão aberta de Machu Picchu. Mas também é a época da neve nas estradas.

Em todo o canto do mundo, os aventureiros deixam seus rastros.

Em todo o canto do mundo, os aventureiros deixam seus rastros.

Sétima Dica

Preste bem atenção porque 7 é o número do mentiroso. Para os males das alturas ( Sorojchi na Bolivia, Soroche no Perú e Ecuador, Apunamiento na Argentina e Yeyo na Colombia)) não levamos o tal do oxigênio em lata ( cerca de 25 soles nas boas farmácias) , não mascamos folha de coca ( cerca de 3 soles um saco que dá prá mascar o ano inteiro), não tomamos Dramin, Diamox (acetazolamida), Sorojchi Pills,  nada. Fizemos a tática da hiperhidratação com Cuzqueña bem gelada. Cuidado ! Na maioria dos povoados e até mesmo em Cuzco servem ela natural ! Diga que é brasileiro e que gosta de cerveja gelada, a maioria dos estabelecimentos que vende este tipo de produto perecível e  sensível irá entender. Bebemos muita, mas muita mesmo, Cuzqueña. Tem a pilsen (loura) a Lager ( roja ) e a de trigo (Premium), todas excelentes. Deu uma dorzinha de cabeça que logo passou e atribuímos à altura. Fondo blanco !!! De 6 a 10 soles a “botella” de 620 ml. De 4 a 6 soles a “Personal”, equivalente à Long Neck (350 ml). Pode acompanhar um pisco puro, equivalente da nossa branquinha, só que feito de uva graduação alcoólica= 46º). Se preferir, pisco sour, quase uma caipirinha (fieito com clara de ovo,limão, açucar,gelo e angostura).

Uma das poucas fotos que a Zane não bateu

Uma das poucas fotos que a Zane não bateu

Oitava Dica

Não se arrisque a transitar com seu carro/moto por Cusco. Não vale a pena ! O trânsito é completamente maluco, as ruas estreitas,  lotações ensandecidas, táxis que não param de buzinar. Em 2 horas consegui levar dois esporros das guardetes ( as mulheres são maioria  na guarda de trânsito). Me livrei de multa pela cara de choro( olhos arregalados como filhote de gato) e porque ainda desconfio que elas não sabiam como multar um veículo estrangeiro. O táxi custa 3 soles fixos de dia, e 4 soles de noite. Vá de táxi (rezando, porque ele vai tentar atropelar velhinhas, fechar o ônibus que é 25 vezes maior que ele, etc,etc) E você ainda fica liberado para o tratamento de hiperhidratação contra o soroche sugerido algumas linhas acima ( Cuzqueñas bem geladas). 

Estamos chegando em Cusco, começa a aumentar o movimento na estrada, comércios feios da periferia se pronunciam (como em quase todas as cidades do mundo). A chegada é pela Av. de la Cultura, uma extensão da rodovia e é relativamente encontrar a Plaza de Armas, no centro histórico e nevrálgico da cidade.  Cusco , situada no sudeste do Vale de Huatanay ou Vale Sagrado dos Incas,  a 3400 metros do nível do mar, tem hoje cerca de 300.000 habitantes. Em idioma quíchua significa “umbigo”, talvez por ser a capital administrativa e cultural do Tahuantinsuyu, ou Império Inca. Em 1983 , foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco. A cidade já foi destruída por dois grandes terremotos : um em 1650 e o outro trezentos anos após, 1950. A Igreja da Companhia de Jesus foi destruída parcialmente pelos terremotos e  restaurada pelo governo peruano.  Vale a pena pagar um guia pelo menos para visitar esta igreja e a Catedral, você descobrirá muitas histórias interessantes como o Nosso Senhor dos Tremores, um Cristo que foi enegrecido pela fumaça das velas dos fiéis e que todos os anos é levado em procissão pela cidade, durante a Semana Santa .

Nona Dica

Vale a pena comprar o “Boleto Turístico del Cusco” por 130 soles, e com direito a visitar 16 lugares ( Moray, Ollantaytambo, Pisac, Chinchero, Tambomachay, Pukapukara, Q´enqo, Saqsayhuamán, os aquedutos de Tipón com as igrejas coloniais de Andahuaylillas e Huaro, Pikillacta, Museo de Sítio de Qoricancha, Museu Municipal de Arte Contemporânea, Museu Histórico Regional, Museu de Arte Popular, Monumento Pachacuteq e Centro Qosqo de Arte Nativo. Você pode também comprar por circuito I, II e III, pagando 70 soles. O boleto vale por 10 dias e é individualizado.

Sem me aprofundar muito 10 locais indispensáveis para visitar em Cusco :

1. Catedral (Plaza de Armas) Também com muitos quadros como “A Última Ceia”, de Marcos Sapaca Inca, de 1753. A catedral e a Igreja da Companhia de Jesus foram construídas em cima de antigos palácios incas e destruídas parcialmente pelos terremotos  de 1650 e 1950.

2. Igreja da Companhia de Jesus (Plaza de Armas) Um dos maiores retábulos que já vi , ornado em ouro. Um museu de quadros a óleo fantásticos pintados por artistas indígenas como Marcos Sapaca Inca.

3. Qorikancha / Igreja e Convento dos Dominicanos / Museu Arqueológico. Entrada pela Av. El Sol. O Centro Qosco de Arte Nativo fica quase em frente.

4. Igreja das Mercês

5. Museu Inka – Se você gosta de arqueologia, é uma tarde inteira para visitar.

6. Espetáculo de música andina e dança folclórica no Centro Qosco de Arte Nativo, na Av. El Sol, diáriamente, no final da tarde.

7. Museu de Arte Pré-Colombiana

8. Igreja e Convento de São Francisco de Assis

9. Igreja de San Blas

10.Museu de História Regional ( Casa de Garcilaso de la Vega).

Música andina e dança cusqueña no Centro Qosco, na Av. El Sol. Espetáculos diferentes todos os dias por volta de 18 hs (se informe). O ingresso custa 25 soles per capita, se você não tiver o boleto turístico. foto:Z. Santos

Música andina e dança cusqueña no Centro Qosco, na Av. El Sol. Espetáculos diferentes todos os dias por volta de 18 hs (se informe). O ingresso custa 25 soles per capita, se você não tiver o boleto turístico. foto: Z. Santos

Vista noturna da lateral da Igreja da Companhia de Jesus e Qoricancha, a partir da Av. El Sol. foto:Z.Santos

Vista noturna da lateral do Convento Dominicano e Qorikancha, a partir da Av. El Sol. foto: Z.Santos

Vista diurna do Convento Dominicano e do sítio arqueológico de Oricancha

Vista diurna do Convento Dominicano e do sítio arqueológico de Qorikancha

Ruas de Cusco : em cada pedra as marcas da história

Ruas de Cusco : em cada pedra as marcas da história

Saída meio complicada para Chinchero. Dobre no posto Repsol da Av. El Sol, a direita e siga em frente. Ollantaytambo: 77 km

Saída meio complicada para Chinchero. Dobre no posto Repsol da Av. El Sol, a direita e siga em frente. Ollantaytambo: 77 km

Uma boa opção é ir de Cusco a Ollantaytambo (onde você pode guardar o carro/moto) via Chinchero. Se você não pretende prosseguir até Lima ou Nazca e for voltar pela Interoceânica rumo ao Brasil, e não quiser mais passar por Cusco, uma ótima rota é Urubamba, Calca, Pisac e Pikilaqta, saindo a 45 km de Cusco rumo a Puerto Maldonado.

Nos arredores : Saqsayamán , Qenqo e Pukapukara .  Atenção: todos estes lugares merecem visita demorada ! Para quem está focado em Machu Picchu, vale subir a estrada via Chinchero passando em Urubamba e chegando em Ollantaytambo (onde você pode guardar o carro/moto) . Depois, se  não pretende prosseguir até Lima ou Nazca , vai voltar pela Interoceânica rumo ao Brasil  e não quer mais passar por Cusco, uma ótima rota é Urubamba, Calca, Pisac e Pikilaqta, saindo a 45 km de Cusco rumo a Puerto Maldonado.(clique no mapa para ampliar)

De  Ollantaytambo saem os trens até Águas Calientes, onde você terá que pernoitar caso queira subir o Huayna Picchu. Ao lado da estação de trem, dá prá deixar o carro/moto no estacionamento. No caso da Inca Rail, um trem mais chicoso (passagem a US$ 85, ida e volta, por pessoa, com direito a chá de coca, snacks, barrinha de cereal, sucos e chocolate) o estacionamento é na faixa. Se você for com a Peru Rail, o estacionamento custa 3 soles a hora. Como você vai passar a noite e o dia , fica no mínimo em 72 soles.

Sítio Arqueológico de Ollantaytambo

Complexo Arqueológico de Ollantaytambo

Plaza de Armas em Ollantaytambo, um vilarejo que preserva o desenho urbano e os muros feitos pelos incas. foto:Z.Santos

Plaza de Armas em Ollantaytambo, um vilarejo que preserva o desenho urbano e os muros feitos pelos incas. foto: Z.Santos

Rua estreita calçada com pedras. Ollantaytambo

Rua estreita calçada com pedras. Ollantaytambo

Pronto. Já estamos na estação de Trem em Ollantaytambo. Mais 1:40 minutos de viagem e estamos em Águas Calientes, nos pés do Machu Picchu ! Quem consegue ficar acordado com o balanço do trem , avista belas paisagens como a do rio…. que serpenteia a cordilheira, acompanhando os trilhos.Compre o bilhete marcado para as poltronas do lado esquerdo do trem, cuja vista é mais legal !

Paisagem da janela do carro de passageiros da Inca Rail.

Paisagem da janela do carro de passageiros da Inca Rail.

Vista parcial de Águas Calientes, nos pés do Machu Picchu

Vista parcial de Águas Calientes, nos pés do Machu Picchu

Agora é jogar prá dentro um “1/2 pollo” , megahidratar com as nossas Cuzqueñas e procurar uma pousada barata para dormir, porque o despertar será às 04:30 da manhã para pegar os primeiros micro-ônibus que sobem a montanha ( o primeiro sai às 5:30 hs, mas a “cola” já está imensa, nesta hora).

Este é o boleto que você imprime pela Internet.

Este é o boleto que deve ser comprado e impresso pela Internet.Dá acesso ao Huayna Picchu pela manhã e na volta, Machu Picchu até a hora de fechar, 17 hs, se quiser.

Décima Dica:

Se você vai subir  o Huayna Picchu tem que reservar o ingresso com bastante antecedência. Os grupos são limitados em dois, um que sai às 7 hs da manhã com 200 pessoas e outro sobe às 10, com mais 200. O ticket para Machu Picchu e Huyana Picchu é específico.Faça a reserva no site oficial aqui http://www.machupicchu.gob.pe/  . Não esqueça de liberar as janelas pop-up do seu navegador. O site foi melhorado no dia 31 de janeiro de 2012, segundo um comunicado do Ministério da Cultura do Peru.

Outra coisa: cara, subir o Huayna Picchu requer um mínimo de condição física e sistema cardio-respiratório em dia. Se você tem algum problema ou está muito fora de forma, não encare. É melhor consultar um médico antes.

O preço do ingresso para Huayna Picchu/Machu Picchu é de 152 soles para cada adulto. Somente para Machu Picchu, o ingresso custa 128 soles e só podem entrar 2.500 pessoas por dia.  Depois de fazer a reserva, você tem duas horas para confirmar o pagamento senão a reserva cai. ( Se estiver já dentro do Peru e não conseguir via On Line, vale a pena enfrentar uma “cola” (fila) enorme no Banco de La Nación del Peru para pagar a confirmação da reserva. O horário de funcionamento dos bancos é das 8:00 às 17:30 hs. Em Iñapari, há uma agência na Plaza de Armas. Em Puerto Maldonado, o banco fica na Calle Daniel Alcides Carrión N° 241-243 – Distrito: Tambopata, telefone 082 571 210. Aos sábados , o banco abre das 9 da manhã às 13 hs. O cartão de crédito aceito no pagamento on-line tem que ter a facilidade “Certified by Visa”. Confira se o seu cartão tem essa facilidade, senão ele NÃO será aceito e vc terá que pagar numa agência do Banco de la Nación . Se estiver na época de alta temporada nem sonhe em deixar para fazer a reserva na última hora, Você não vai conseguir !

6:40 da manhã. Fila para entrar no Huayna Picchu.

6:40 da manhã. Fila para entrar no Huayna Picchu.

Informações extra-oficiais dão conta que quem for estudante (com a carteira da ISIC) só pode comprar ingresso no  Escritório da Dirección Regional de Cultura – Cusco , Av. de la Cultura 238 (em frente ao estadio Universitario), Librería del Ministerio de Cultura (Casa Garcilaso) Condominio Huáscar Cusco – Perú, de segunda a sexta-feira das  8:00 as 16:00 horas ( é a avenida que dá prosseguimento à estrada logo que se chega a Cusco vindo de Puerto Maldonado) e no  Escritório do Centro Cultural de Machupicchu , em Aguas Calientes, já no povoado aos pés de Machu Picchu, de segunda a domingo, das 5:20 às 21horas. Isto porque houve tentativa de fraude com os boletos de estudante. Você pode mudar o nome ou a data do portador do ingresso com as seguintes penalidades : Se até 24 hs antes, 30 % do valor, se até 48 hs antes, 25 % do valor, se 72 hs ou mais , 10 % do valor. Quem quiser fazer o Caminho Inca, só pode comprar o ingresso nas agências da Direccion Regional de Cultura.

Pernas bambas, um pouco de falta de ar, emoção. Depois da descida do Huayna Picchu, ficamos o resto do dia vasculhando, admirando, sorvendo Machu Picchu aos pedacinhos , que delícia !

Após este dia bem cansativo ainda dirigi uns 150 quilômetros. Como a ida foi via Cusco/Chinchero , voltei via Urubamba, Calca, Pisac, Pikilaqta sentido Urcos. Atenção : Em Pisac, a saída é via San Salvador. Cruze a ponte e é a primeira rua à esquerda, na verdade já a rodovia. Mas não siga em frente para não chegar em Cusco novamente. Se estiver usando GPS, tente usar mapas gratuitos disponíveis no Projecto Mapear.

Nas alturas do Wayna Picchu

Nas alturas do Huayna Picchu…

cansaço e felicidade.

…cansaço e felicidade.

Confesso que saí do Peru com uma dúvida : afinal é ceviche ou cebiche ? Putz, esqueci de colocar mais fotos de Machu Picchu no blog. Mas também, nem precisa, tem tanta foto na net. O Marea rola suavemente na estrada de volta, chuvas, pensamentos… Meus amigos do sul, agora poderão fazer toda a perna via Pacífico. Conhecer a Chapada, Villa Bella da Santíssima Trindade. Logo asfaltam de novo a BR 319  até Manaus. Daí… San Pedro de Atacama é logo ali…documentos que precisa…dá prá ir em 10 dias…A 66 tá com ciúmes… E o GPS Garmin 660, tinha esquecido ! Mas dizem que em Iquique tudo é barato e então…Estrada !

Ouça aqui Machu Picchu, de Hermes Aquino

Leia também :

Moto-aventura : Quase 10.000 km pela Patagônia
Moto-aventura : Do Atlântico ao Oceano Pacífico, as lições do Atacama e Machu Picchu
> Sabe aquela expressão do “Oiapoque ao Chuí” ? esqueça .

Villa Verde : Uma pousada aconchegante no meio do caminho do Pacífico

Quem vai fazer compras em Cobija, na Bolívia , cidade fronteiriça com Brasiléia no Acre, ou então visitar o Peru ( fronteira de Iñapari, com a cidade acreana de Assis Brasil), ou mesmo trafegar pela recém-inaugurada Rodovia Transoceânica em busca de Machu Picchu, Lima, Antofagasta, Nazca e outros encantos do Oceano Pacífico, tem muitos motivos para entrar em Xapuri, a 200 km de Rio Branco pela BR 317. Além do Museu de Xapuri, que conta a história do ciclo da borracha no Acre e da Casa de Chico Mendes, tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, Xapuri apresenta uma excelente opção de repouso para enfrentar muitos mais quilômetros. É a Pousada Villa Verde, um pequeno paraíso comandado pelo Miguel, italiano “buona gente” que além do conforto de seus apartamentos decorados com simplicidade e elegância, oferece um café restaurador para quem vai ainda à frente. De Xapuri se chega no mesmo dia em Cusco, ou vice-versa. Também é ponto de referência para quem vem de Porto Velho, cerca de 700 quilômetros. E para quem gosta de astronomia, a Pousada dispõe de um pequeno observatório astronômico com um telescópio profissional, que em época de chuvas raras, permite vasculhar os céus com precisão, em busca de supernovas e outras galáxias. O telefone para reservas da pousada é (68) 3542 3012 e o e-mail é villaverde-pousada@hotmail.com  .

Leia também :

Viagem pela Interoceânica, até Machu Picchu. De moto, até de carro eu vou ! Incrível !

3º Festival de Cinema Curta Amazônia abre inscrições

As inscrições ao 3º Festival de Cinema Curta Amazônia que acontece em Porto Velho, já estão abertas de 1 de fevereiro até o dia 20 de abril e a ficha de inscrição e regulamento você encontra no site  http://www.curtamazonia.com . Inscreva seu filme de longa e curta-metragem brasileiro ou estrangeiro e concorra nesse ano ao troféu “100 anos da Madeira Mamoré”, uma iniciativa da organização do Festival de prestigiar e promover o ano do Centenário da EFMM em Rondônia, nessa edição especial. Ainda no ano do Centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré a organização preparou uma programação de filmes especiais para o público rondoniense. Além da mostra competitiva com filmes brasileiros de todo o país, iremos apresentar no 2º Circuito de Exibição Regional que compõem os municípios de Candeias do Jamari, Cacoal, Guajará Mirim, filmes regionais que irão mostrar ao público rondoniense o processo de colonização e desenvolvimento de Rondônia além dos filmes brasileiros convidados e inscritos no Festival. E o Festival vem inovando a cada edição, nesse ano temos mais novidades aos amantes da produção do audiovisual brasileiro: é a abertura da categoria longa-metragem nos gêneros ficção, documentário,  e ambiental a partir de 70 minutos, oportunizando a exibição de filmes autorais de longa metragem que participam dos diversos circuitos de exibições do país. A organização trás também o prêmio melhor videoclipe musical com tempo de produção de 1 a 5 minutos, prestigiando assim os produtores de vídeos musicais do estado e do país e, compondo os demais gêneros de curta-metragem  com tempo de 1 a 15 minutos de acordo com a classificação da Ancine: animação, documentário, ficção, ambiental, experimental e celular (amador), sendo a categoria Animação com premiação separada das demais categorias. Ainda na categoria curta-metragem, abrimos esse ano à premiação para a melhor produção rondoniense que concorrem ao troféu do evento, criamos essa premiação porque queremos incentivar e prestigiar os produtores e novos talentos do audiovisual rondoniense ainda em expansão no estado, informa a organização do Festival.

Começa, em Rondônia, o período de cadastramento de plantéis de pirarucus

O Ministério da Pesca e Aquicultura – MPA e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, comunicam aos aquicultores interessados em realizar o cadastramento dos plantéis de reprodutores do pirarucu (Arapaima gigas) que o prazo para o cadastramento será até dia o dia 20 de março de 2012.

Os aquicultores deverão se dirigir à Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura no estado de Rondônia para apresentar a documentação exigida conforme artigo 3º da Instrução Normativa Conjunta n.º 01 de 21 de dezembro de 2011. Informações sobre os procedimentos para o cadastro poderão ser obtidas na Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura no Estado de Rondônia e na Superintendência do IBAMA em Porto Velho.

O  produtor que tiver interesse em comercializar o peixe criado em cativeiro deverá requerer junto ao MPA/Ibama, uma vistoria em sua propriedade. Nesta visita serão cadastradas suas matrizes, destacando as principais características dos animais, dados que serão registrados em um microchip o que proporcionará ao produtor maior facilidade para exportar o produto.

Mercados como França, Alemanha e Japão já demonstraram interesse em importar o pirarucu que é o maior peixe encontrado em rios e lagos do Brasil chegando a atingir três metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos. Com sabor característico e carne de textura firme o pirarucu é considerado o “bacalhau da Amazônia”.

SFPA-RO: 69 3901-5616  IBAMA: 69 3217-2723

Presídio Federal em Porto Velho ganha novo inquilino : Beira Mar

Luiz Fernando da Costa, o “Fernandinho Beira Mar” foi transferido de Mossoró para o presídio Federal de Porto Velho, no Estado de Rondônia .O traslado foi autorizado pela juíza federal Juliana Maria da Paixão, titular da Vara Criminal especializada da Seção Judiciária de Rondônia. Toda operação que envolveu a transferência foi mantida em sigilo total e ninguém da imprensa de Mossoró conseguiu imagens da transferência do detento. Por volta de 9 horas e 30 minutos, havia uma grande movimentação de viaturas da policia Federal e outras do presídio de Mossoró na região do Aeroporto.
Durante a madrugada duas pessoas foram vistas entrando no Instituto técnico cientifico de Policia Itep de Mossoró, para a realização de exames de corpo delito, um homem e uma mulher. As duas eram conduzidas pelos agentes do sistema penitenciário federal. No presídio Federal de Mossoró ninguém dá informações. O que se sabe é que pela lei, cada detento só pode passar 12 meses nos presídios federais, um rodízio previsto pelo sistema prisional. E esse teria sido o motivo da transferência de Beira Mar para Porto Velho.A transferência de Beira-Mar aconteceu menos de 24 horas após a chegada dos traficantes Fabiano Atanázio da Silva, o FB, e Luís Cláudio Serrat Correa, o Claudinho CL. Segundo a Wikipédia, “. Até servir ao Exército, Luiz Fernando era apenas o “bom filho de dona Zelina”. Entre os 18 e 20 anos, começou a praticar os primeiros assaltos.[1] Lojas, bancos e até depósito de materiais militares eram seus alvos principais. Foi acusado de furtar armas pesadas do Exército e de vendê-las para traficantes do Rio de Janeiro. Aos 20 anos, foi preso por assalto e condenado a dois anos. Cumpriu a pena e, ao sair, voltou a morar na Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias. Ali, aos 22 anos, tornou-se um dos “cabeças” do tráfico local.Hoje, Fernandinho tem 44 anos de idade.

Com Blog do Sgto Andrade

No ano do centenário da EFMM , Marinha do Brasil analisa devolver à população de Porto Velho o Galpão nº 3

Hoje, dia 1º de fevereiro, às 10h, na Câmara de Conciliação da Administração Federal, órgão da AGU (Advocacia Geral da União), o destino do Galpão 3 do pátio ferroviário da EFMM, em Porto Velho, capital de Rondônia começou a ser traçado. Governo do Estado de Rondônia, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Prefeitura de Porto Velho, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, SPU, ONGs, historiadores e sociedade civil desejam a volta do  Galpão 3  à EFMM, para restauração  e reincorporação ao complexo ferroviário. Foi disponibilizado à Marinha do Brasil um outro local para a construção da Capitania dos Portos, bem mais adequado e que permitirá a expansão da Capitania diante do contexto de grandeza que ela representará para a região. No galpão 3 ela ficaria “engessada” diante das diversas normas de proteção patrimonial. No ano do centenário da EFMM, é uma grande conquista para a população de Porto Velho e turistas , que poderão circular livremente por toda a área do Complexo Ferroviário.

Notícia foi dada "ao vivo" na TV Rondônia

Notícia foi dada "ao vivo" na TV Rondônia, afiliada da Rede Globo de Televisão.

Túnel do Tempo – Locomotiva Cel. Church/Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

Este slideshow necessita de JavaScript.

A velha locomotiva nº 12, a “Coronel Church” , nome dado em homenagem ao coronel norte-americano George Earl Church, que em 1872 idealizou a ferrovia, foi a primeira máquina a chegar na Amazônia, trazida pela firma “P & T Collins” em 1878. Após a desativação em 1972, a locomotiva permanecia nas dependências do 5º Batalhão de Engenharia e Construção – o 5º BEC. (em Porto Velho, capital de Rondônia) de onde foi removida para o museu, ganhando nova pintura nas cores originais. Ano de 1981

Parque dos Beraderos

Por Rud Prado
Com a construção da ponte na região da Balsa, o acesso à margem esquerda do rio Madeira ficará fácil. Fácil demais. Por conta disso já se anuncia e já se inicia uma grande especulação imobiliária. A cidade, devido ao impedimento natural, que sempre representou a travessia pelas águas barrentas e velozes do Madeira, durante todo esse tempo resistiu à tentação de ocupar a outra margem de forma mais concreta. Agora a travessia pelas balsas está com os dias contados. E a floresta, que teima em existir, deve sucumbir. Os alicerces do que chamam “progresso” deve ficar suas raízes de ferro e cimento nos capões de floresta que ainda podemos visualizar dos mirantes de Porto Velho. A ocupação daquela mata ciliar já existe. Mas esse processo tende a ser muito mais acelerado agora. O que se vislumbra é um prejuízo para esse patrimônio natural e um prejuízo para auto estima de um povo. A identidade cultural beradeira ou beradera, como queiram está ameaçada. Essa paisagem é um patrimônio da capital do Estado de Rondônia. Um dia viramos as costas para rio. Agora não podemos virar as costas o iminente desaparecimento da mata do lado esquerdo do Madeira. Se nada fizermos, a nossa paisagem, a mata ciliar – ou o que dela resta -, vai desaparecer. De um dia para o outro o sol pode não mais encontrar o naco de mata onde repousa. Sim, o por do sol mais belo do mundo pode estar com os dias contados. Se ficarmos calados, inertes, o nosso cartão postal, registrado todas as tardes pelos ávidos cliques das máquinas digitais, poderá ser deletado para sempre. A ganância não tem limite. Sua sede de lucro draga o rio, envenena a água, assassina os peixes, mata a mata. A ganância não dá margem à razão, tratora a emoção. A história de várias gerações é substituída por outra que caiba no balanço anual. É hora da caboclada se unir. Não podemos deixar que arranquem aquelas árvores, e com elas nossa identidade. Não podemos deixar que tirem nosso orgulho, nossa história. Precisamos tirar o grito de nossas gargantas. Porque é certo que virão as máquinas barulhentas com suas bocas escancaradas cheirando a óleo diesel, famintas. Comendo casas de pássaros, moradas de caboclos, mastigando a vida. Mas nós podemos evitar isso. Nós podemos pensar. Nós podemos sentir. Nós podemos gritar. Nós podemos nos juntar. Juntos, vamos impedir que nossa paisagem desapareça. Exigir que se crie um parque, uma reserva florestal urbana. Vamos fazer com que se respeite a mata ciliar da margem esquerda do Rio Madeira. Porque isso está na lei. Lei da qual nem se falava quando se destruíu tudo do lado direito, quando sobre palafitas foi-se edificando a miséria, se equilibrando a indignidade. Mas podemos escrever um outro lado da história e que ele seja diferente. A margem esquerda do Madeira pode se tornar um imenso parque. Além de evitar a destruição da mata, podemos recuperar o que foi devastado, A idéia é propor um parque. O tamanho que terá esse parque? Não sei, convido todos para o debate, para sugestões. Mas é preciso que nele, além da paisagem onde pousa nossos olhares e repousa o sol, tenha espaço para a arte, para a música, para o teatro. Para o abrir das flores, de um livro, para a contemplação. Com o Parque dos Beraderos, com o nosso parque, podemos dar um passo rumo à sustentabilidade. Fazer de Rondônia um bom exemplo para o mundo. Que a cidade vai se estabelecer do outro lado, não há dúvida.Isso já é uma realidade. Mas que venha depois da floresta. Que se respeite a mata ciliar.Que não se construa na margem do rio. E que, para essa cidade de lá e de cá, seja pensado um sistema de tratamento de esgoto, para não transformarmos o Rio Madeira num imenso canal de dejetos . Para não dar margem à destruição, para salvar a mata do Beradão, vamos criar juntos o Parque dos Beraderos. Convido a galera a refletir sobre isso. É um manifesto de um pantaneiro que virou beradero, o grito de quem aprendeu a amar as coisas dessa terra. Quero ver o que é bonito preservado. Sonho que se sonha só, vocês sabem: é só um sonho. Juntos, tudo é possível. Meu email está aberto para receber sugestões: rudprado@gmail.com

Curso de Fotografia em Porto Velho, com Walteir Costa

Imigração de haitianos na região Norte não para

Os haitianos têm chegado em massa ao Brasil, especialmente ao Acre e ao Amazonas, em busca de emprego e de melhores condições de vida. A situação legal dos imigrantes e a falta de estrutura para recebê-los têm preocupado os senadores. Só em Brasileia, cidade de 30 mil habitantes localizada a 200 quilômetros de Rio Branco, são mais de 1.200 pessoas, a maioria vivendo em situação precária.
Segundo senador Anibal Diniz (PT-AC), o governo do Acre gasta de R$ 12 mil a R$ 15 mil por dia para manter os imigrantes. Parte do dinheiro é usada em atendimentos médicos, alojamentos e nas 2.500 refeições fornecidas diariamente aos estrangeiros, que já somam quase 10% da população urbana do município.
Na opinião de Anibal Diniz, a concessão do visto humanitário por parte do Brasil ameniza, mas não resolve o problema.
– O Haiti é uma nação pobre, cuja economia passa por muitas dificuldades, situação que foi agravada com o terremoto de 2010. Se o país não for ajudado, os haitianos continuarão migrando, e nós vamos continuar enxugando gelo – afirmou.
Segundo o senador, os que não têm dinheiro para alugar casas ou quartos estão hospedados em hotel pago pelo governo do Acre.
– Cerca de 800 pessoas se espremem num estabelecimento onde caberiam 100 – afirmou.
Todos os dias grupos de homens, mulheres e crianças vindos do Haiti passam pelas fronteiras com o Peru e a Bolívia. Muitos já chegam debilitados e doentes ao Brasil, após mais de uma semana de viagem, que inclui percursos de avião e de ônibus, além de dias de caminhada pela mata peruana. Os haitianos também denunciam casos de agressões, roubo e violência sexual durante a jornada, feita com a ajuda de “coiotes”.
Na terça-feira (3), o governo do Acre recebeu da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mais oito toneladas de alimentos para serem doados aos haitianos. Enquanto isso, a Polícia Federal, com a ajuda de funcionários da prefeitura de Brasileia, tenta acelerar os procedimentos para emissão de vistos.
– O problema é que não para de chegar mais gente e, se continuar esta situação, o Brasil vai ter que fechar sua fronteira – alertou o senador.
Amazonas
Brasileia não é a única cidade a enfrentar o problema. Tabatinga, com 52 mil habitantes, no Amazonas, passa por situação semelhante e vem registrando entrada em massa de imigrantes. De 29 de dezembro a 2 de janeiro, chegaram 208 pessoas pela fronteira com a Colômbia e Peru.
A situação preocupa a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que chama a atenção para a presença de milhares de haitianos também em Manaus.
– Temos que tomar cuidado também com os brasileiros, principalmente nas pequenas cidades, para que não haja choque com os haitianos. Afinal, são municípios que não oferecem oportunidade de empregos para todos – opinou.
Segundo a senadora, o governo do Amazonas desenvolve ações de apoio aos haitianos que chegam ao estado. Entre elas, estão cursos de qualificação, de informática e de português. Além disso, os imigrantes que chegam a Manaus são encaminhados para empregos. Segundo a Secretaria de Direitos Humanos do estado, em seis meses, mais de 300 concluíram seus cursos de capacitação.
De acordo com o Ministério da Justiça, cerca de 4 mil haitianos já chegaram ao Brasil após o terremoto que arrasou o Haiti em janeiro de 2010. O Ministério estuda a possibilidade de transferência de recursos para reforçar a segurança pública no Amazonas e no Acre.
Em 20 de dezembro do ano passado, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado realizou audiência pública para tratar do problema. Na ocasião, o representante do Itamaraty, Rodrigo do Amaral Souza, que também integra o Conselho Nacional de Imigração, informou que está sendo estudada uma maneira de estabelecer um canal formal de imigração para os haitianos que querem ingressar no país.
Mais de dois mil haitianos já entraram com pedido de ingresso no Brasil como refugiados – todos negados, porque são pessoas que saem do Haiti por dificuldades econômicas e não por perseguição em seu país.

Com informações da Agência Senado

Projeto Cinco e Meia leva Bado e Trio do Norte ao tradicional Mocambo, em Porto Velho

Por Ana Aranda

Os projetos “Cinco e Meia” e “Acordes na Praça” retornam neste sábado (10/12) à praça São José, no bairro Mocambo, berço da boêmia de Porto Velho, com  apresentação do compositor e cantor Bado e do grupo de música instrumentalTrio do Norte”.  “A receptividade do trabalho foi muito grande e a expectativa é de que o sucesso se repita neste sábado”, considera o produtor do Cinco e Meia, Bubu Johnson.

Bado é considerado um dos melhores compositores da região Norte e apresentará no Mocambo um repertório que mescla músicas autorais e de grandes nomes da MPB . Ele canta com banda formada por Ronald Vasconcelos (guitarra), Mauro Araújo (teclados), Júnior Lopes (bateria), Sérgio Santos (contrabaixo),  Cleiton Esquerdo (contrabaixo), David (flauta e saxofone) e Bia Melo (percussão).

Com a participação dos músicos Paulo Araújo (contrabaixo), Mauro Araújo (teclados), Júnior Lopes (bateria) e  Telêmaco (bateria), o Trio do Norte é um grupo instrumental com repertório variado formado por músicas do cenário nacional e internacional, sendo que no Mocambo o grupo vai dar maior ênfase à música regional.

ANAC autoriza início das operações da TRIP em Cacoal (RO)

A TRIP Linhas Aéreas recebeu autorização da Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC, e vai iniciar as operações em Cacoal (RO) dia 27 de Dezembro.A cidade rondoniense será o 88º destino da TRIP no País. No estado, a companhia já opera em Vilhena, Ji-Paraná e na capital Porto Velho .A companhia é controlada pelos Grupos Caprioli e Águia Branca, ambos com tradição em transporte de passageiros e um histórico de resultados sólidos e crescimento sustentado e tem como um de seus investidores a norte-americana Skywest Inc.(que comanda a Skywest Airlines e a Atlantic Southeast Airlines) maior empresa de transporte aéreo regional do mundo, com 696 aeronaves, que adquiriu 20% de participação no capital da companhia.

Origem

Destino

Partida

Chegada

Cacoal

Cuiabá

6h00

9h17

Cacoal

Vilhena

6h00

6h40

Cacoal

Porto Velho

22h05

23h10

Cuiabá

Cacoal

20h25

21h45

Vilhena

Cacoal

21h05

21h45

Porto Velho

Cacoal

4h30

5h40

Cacoal, cidade conhecida como a capital do café, é um dos municípios mais prósperos de Rondônia, com uma economia em franca expansão. Seus mais de 78 mil habitantes vivem, principalmente, da lavoura cafeeira, da atividade industrial do setor madeireiro, agropecuário e do comércio.As tarifas, se adquiridas com antecedência de 30 dias, podem ser encontradas com valores promocionais. Destaque para os trechos: Cacoal/Cuiabá com tarifas a partir de R$ 149,90; Cacoal/Vilhena a partir de R$ 79,90 e Cacoal/Porto Velho a partir de R$ 99,90.

Mitos e crenças populares prejudicam o controle da malária

O mês de novembro marca a luta pelo controle da malária nas Américas. A data visa incentivar estes países a aumentar o diálogo e realizar campanhas contra a doença. O Brasil registrou, somente no ano passado, 300 mil casos de malária, 99% deles concentrados na Amazônia Legal. A falta de informação sobre transmissão, diagnóstico e tratamento da malária é que ainda atrapalha o controle da doença. Nesta etapa do projeto, a Mobilização Contra Malária busca desmistificar algumas crenças populares sobre o diagnóstico, a transmissão e o tratamento que, ao serem repassados, dificultam as ações de combate à doença. Mitos difundidos na região que prejudicam o controle da doença:

– Malária pode ser transmitida pela água? Mentira. A única forma de transmissão é pela picada do carapanã contaminado.

– Chás e plantas medicinais podem curar a malária? Mentira. O tratamento só pode ser feito com medicamentos e tem que ser completo, caso contrário, a malária pode voltar mais grave.

– Se os sintomas da malária passaram, a pessoa está curada?A pessoa tem que fazer o tratamento até o final, por mais que os sintomas já tenham desaparecido. Depois do tratamento, é importante fazer novamente o exame de malária para saber se está completamente curado.

– O sangue da ponta do dedo não permite um diagnóstico preciso para malária? Mentira. As gotas de sangue colhidas na ponta do dedo ou na veia fornecerão as mesmas informações sobre a doença. Os exames realizados são seguros e todos aprovados pelo Ministério da Saúde.

É preciso sentir todos os sintomas para estar com malária? Mentira. Os sintomas podem variar, portanto, basta sentir um ou dois desses sinais para procurar um serviço de saúde para fazer o exame. Os sintomas são dor de cabeça, dor no corpo e na barriga, febre e tremor.

– Mulheres grávidas não podem fazer o tratamento? Mentira. A gestante tem um tratamento diferenciado, basta procurar o serviço de saúde para receber um acompanhamento especial.

“Ao levarmos informação, conseguiremos interromper o ciclo da malária. Quando as pessoas fazem o tratamento até o final, elas ficam curadas e diminuem os riscos de contaminar outros mosquitos que poderão transmitir a doença para familiares e vizinhos. É fundamental para isso: realizar o diagnóstico rapidamente e, caso esteja com malária, fazer o tratamento completo,” explica Ana Carolina Silva Santelli, coordenadora-geral do Programa Nacional de Controle de Malária

O projeto tem o patrocínio do Fundo Global de Luta contra AIDS, Tuberculose e Malária e realização pela Fundação Faculdade de Medicina (FFM), Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e do Ministério da Saúde por meio da Unidade Técnica do Projeto (UT) e  integra 47 municípios prioritários para o controle da malária: Acre: Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Plácido de Castro e Rodrigues Alves; Amazonas: Atalaia do Norte, Autazes, Barcelos, Borba, Careiro, Coari, Guajará, Humaitá, Iranduba, Itacoatiara, Lábrea, Manacapuru, Manaus, Manicoré, Novo Aripuanã, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga; Amapá: Oiapoque e Porto Grande; Pará: Itaituba, Anajás, Jacareacanga, Pacajá, Itupiranga, Novo Repartimento e Tucuruí; Rondônia: Alto Paraíso, Buritis, Campo Novo de Rondônia, Candeias do Jamari, Cujubim, Guajará-Mirim, Itapuã do Oeste, Machadinho D’Oeste, Nova Mamoré e Porto Velho; Roraima: Bonfim, Cantá, Caracaraí e Rorainópolis.

Leia também :

Deu na Reuters : Nova substância pode combater malária com uma única dose avaliada em Us$ 1

 

“Nem da Rocinha” não vai para Porto Velho

Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, será transferido neste sábado (19) para o Presídio Federal de Campo Grande,no Mato Grosso do Sul,  o mesmo que, até o ano passado, abrigou o traficante Fernandinho Beira-Mar, conhecido como um dos maiores traficantes de armas e drogas da América Latina. De acordo com o diretor da penitenciária Washington Clark, Nem deve permanecer em uma área isolada, conhecida como triagem,com 7 m2 por pelo menos 20 dias. Ainda segundo Clark, o tratamento que será oferecido a Nem é o mesmo dispensado aos demais detentos que estão na unidade, uma das quatro mantidas pelo Depen (Departamento Penitenciário Nacional) no país.   O pedido de transferência de Nem foi feito pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e autorizado pela Justiça Federal nesta sexta-feira (18). A presidência do TJ/RJ afirmou que Nem não poderia permanecer no Rio. Também serão transferidos Anderson Rosa Mendonça, conhecido como Coelho, Valquir Garcia dos Santos, o ‘Carré’, e Flávio Melo dos Santos. Todos serão transportados em um avião da Polícia  Federal.via R7

Enquanto Cineamazônia apresenta filmes inéditos, ALE/RO faz sessão reprise

Leónidas nas Termópilas, por Jacques-Louis David. Óleo sobre tela, 395 × 531 cm, 1814. Museu do Louvre, Paris, França

Leónidas nas Termópilas, por Jacques-Louis David. Óleo sobre tela, 1814. Museu do Louvre, Paris / blog do Maurilio Ferreira Lima

Deu no G1. Filme Velho

Veja a nota da PF :

” A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público de Rondônia e com o apoio da Controladoria-Geral da União, deflagrou a Operação Termópilas, com o objetivo de desmantelar organização criminosa que fraudava licitações e contratos no Governo de Rondônia.

A operação consiste no cumprimento de 10 mandados de prisão preventiva, 04 de prisão temporária, além de 57 mandados de busca e apreensão. Foram autorizadas também ordens de sequestro de bens e valores, bem como suspensão de exercício de função pública e proibição de acessos. Os mandados foram cumpridos em seis cidades do Estado (Porto Velho, Itapoã do Oeste, Ji-Paraná, Ariquemes, Nova Mamoré e Rolim de Moura)e inclui órgãos públicos estaduais e a Assembléia Legislativa de Rondônia.

As investigações tiveram início há um ano e meio, visando identificar e colher provas a respeito de grupo criminoso estabelecido na Secretaria de Estado de Saúde de Rondônia (SESAU), montado para desviar verbas do Sistema Único de Saúde (SUS), em conjunto com empresários locais. No decorrer da investigação, foi percebida a participação de parlamentar estadual nos crimes, o que fez com que a apuração fosse deslocada para o Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia, em razão da prerrogativa de foro do deputado.

A quadrilha agia sob a liderança do presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia e praticava crimes no âmbito de algumas Secretarias de Estado, em especial as Secretarias da Saúde e da Justiça, além do DETRAN local. O esquema consistia em um verdadeiro loteamento de licitações e contratos de prestação de serviços junto à administração pública estadual, mediante corrupção e tráfico de influência, para favorecer determinadas empresas.

As pessoas envolvidas no esquema criminoso serão indiciadas, na medida de suas participações, pelos crimes de formação de quadrilha, extorsão, falsidade ideológica, peculato, corrupção passiva, advocacia administrava, violação de sigilo funcional, tráfico de influência corrupção ativa, além de crimes previstos na Lei de Licitações e na Lei de Lavagem de Dinheiro.

A operação contou ainda com o auxilio logístico do Exército Brasileiro, Força Aérea Brasileira e Departamento Penitenciário Nacional.

Via  Comunicação Social da PF em Rondônia

Viagem de cores e sonhos

O livro “Viagem de cores e sonhos”, editado por Jurandir Costa e Fernanda Kopanakis, será lançado hoje durante a abertura do Festcineamazônia, no Teatro Banzeiros, em Porto Velho. Trata-se de um documentário fotográfico, histórico e literário da mostra itinerante do festival, que percorre capitais brasileiras, cidades e povoados da Amazônia, além de países Latino-americanos, África e Portugal.

O livro faz parte de um convênio do Instituto Madeira Vivo (IMV) com o Ministério da Cultura através de emenda parlamentar do então deputado Eduardo Valverde. Para a edição os diretores buscaram talentos como o ilustrador Manuel Gibajas (Peru), o designer Renato Monteiro de Carvalho, e a inspiração poética de Carlos Moreira, que consegue dar palavras para a expressão da vida sem redundância com as imagens.

No acervo estão fotografias de treze autores que integraram as equipes ao longo das viagens. As imagens registram os mais de 60 mil quilômetros percorridos, levando cinema e vídeo ambiental aos distintos lugares. A mostra itinerante do Festcineamazônia integra o cinema com música, artes circenses, poesia e estimula a criação e o debate sobre a temática ambiental tendo sempre o homem como o centro do meio em que vive.

No tempo das cachoeiras

Cachoeira de Santo Antônio, Porto Velho, Rondônia. 2005. Hoje, neste mesmo lugar tem uma muralha de concreto. É o progresso. Que M !

Urgente : Marinha do Brasil resgata casal britânico acidentado na BR 319

O casal inglês Leslie Norris e Bruce Scott, viajava pela América do Sul com um trailer realizando expedições quando caiu de um barranco no Km 400 da BR-319, no sentido Porto Velho Manaus. O casal foi encontrado na manhã desta quarta, 21 de setembro onde desembarcaram por volta do meio dia no hangar da Marinha

Barquinho no Madeira rumo a Manaus

Rafinha Bastos troca Rondônia por Roraima e Jacy-Paraná vai parar na fronteira com a Venezuela

O programa A Liga, exibido em rede nacional pela TV Bandeirantes nesta terça-feira, 6 , ía até bem mostrando a indústria do sexo num determinado bairro em Campinas/SP.  Mas ao citar o que seriam outros locais de prostituição a céu aberto, o apresentador Rafinha Bastos escorregou na Geografia e citou o distrito de Jacy-Paraná, a 90 quilômetros de Porto Velho como situado no Estado de Roraima. A equipe de produção deve ter faltado à aula no mesmo dia do apresentador-cômico e tascou uma animação gráfica jogando o distrito quase na fronteira com a Venezuela. Uma telespectadora comentou que “Rafinha fez isto para aliviar sua barra, porque ficou com a consciência pesada depois de sacanear Rondônia num vídeo.” Já a redação deste blog acha que deve ser uma das piadas de gosto discutível do cômico.

Mobilização contra a malária no Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Pará e Rondônia

Mobilização Contra Malária, que acontecerá em seis estados da região norte do país: Amazonas, Acre, Amapá, Tocantins, Pará, Rondônia e Roraima, foi lançada nesta segunda-feira (5) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pelo secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa. Além de mostrar as novas ações, foram apresentados os números que apontam para a redução de 31% de casos da malária no primeiro semestre de 2011.

Para complementar as ações na comunidade e levar informações sobre malária à população, foi realizada uma campanha de comunicação que atingirá as 450 mil famílias moradoras dos municípios e seguirá as três fases: prevenção com uso de mosquiteiro/cortinado impregnado de inseticida, diagnóstico rápido e tratamento da malária completo e que também foram apresentadas aos participantes, após a coletiva.

Segundo o Ministério da Saúde,  já ocorreu a diminuição de 31% dos casos da doença. De janeiro a junho de 2011 foram notificados 115.798 casos da doença e este número em 2010, no mesmo período, era de 168.397. Serão distribuídos 1.100.000 (um milhão e cem mil) Mosquiteiro/cortinados Impregnados com Inseticidas de Longa Duração (MILDs). 500 mil testes de malária serão disponibilizados para que sejam realizados exames em pessoas moradoras de comunidades mais afastadas da Amazônia brasileira.

 Municípios prioritários:

 Acre: Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Plácido de Castro e Rodrigues Alves;

Amazonas: Atalaia do Norte, Autazes, Barcelos, Borba, Careiro, Coari, Guajará, Humaitá, Iranduba, Itacoatiara, Lábrea, Manacapuru, Manaus, Manicoré, Novo Aripuanã, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga;

Amapá: Oiapoque e Porto Grande;

Pará: Itaituba, Anajás, Jacareacanga, Pacajá, Itupiranga, Novo Repartimento e Tucurui;

Rondônia: Alto Paraíso, Buritis, Campo Novo de Rondônia, Candeias do Jamari, Cujubim, Guajará-Mirim, Itapuã do Oeste, Machadinho D’Oeste, Nova Mamoré e Porto Velho.

Roraima: Bonfim, Cantá, Caracaraí e Rorainópolis.

Festcineamazônia seleciona produções entre 400 inscritos

Letícia Sabatella participou do Festival em 2010

Mais de 400 produções estão inscritas para a seleção da 9ª edição do Festcineamazônia – Festival Latino Americano de Cinema e Vídeo Ambiental, que acontecerá em Porto Velho, durante os dias 15 a 19 de novembro, no Teatro Banzeiros, com entrada grátis. As inscrições encerraram no dia 31 de agosto e os filmes e vídeos inscritos passam pelo processo de seleção por um júri técnico.

 A comissão julgadora é autônoma em suas decisões para escolher as produções que concorrerão na mostra competitiva do festival. A premiação será nas categorias: animação, experimental, ficção, documentário e vídeorreportagem ambiental. Os filmes e vídeos concorrem ao cobiçado troféu Mapinguari.

 Filmes do Brasil, Moçambique, Uruguai, Bolívia, Chile e México estão inscritos na fase seletiva. Entre esses estão o argentino Noche Sin Fortuna, o chileno Mitomana, e o boliviano El Ascensor.

 Cerca de 30 produções rondonienses também buscam a classificação para a mostra competitiva. Geovani Berno concorre com o documentário Nos Palcos da Vida: Raízes do Porto 18 Anos, e Rudney Prado com o experimental Candiru.

Coisas de Porto Velho. Esta árvore já foi um poste…

foto: JLZ Barcelos

Carlos Bica : recital “O Índio de Casaca”, em Porto Velho

Na temporada de 2011 o SESI/RO e Árias Produções trazem à Porto Velho  o violonista Carlos Bica, que estará apresentando Audições comentadas  nas Escolas e Recitais no Pátio da Empresa Camargo Correa, no programa  obras do mais importante e singular compositor brasileiro, onde na sua  música retratou o Brasil e criou o grande movimento nacionalista,  Heitor Villa-Lobos. As apresentações serão no dia 27 de julho – 20h – Camargo Correa,  dia 28 de julho – Inauguração do Centro de Eventos do SESI e dia 30 de julho – 11h – SESI/Odebrech – Centro de Eventos do SESI
Villa-Lobos, nascido no Rio de Janeiro, realizou importantes viagens pelo Brasil  para pesquisar sobre a cultura popular e a partir deste material  escreveu grandes obras, em especial para o violão. Desde tenra idade  já tinha no seu íntimo uma grande paixão pelo instrumento tanto que  sua primeira composição chamada panqueca foi escrita originalmente  para violão. Depois de seu encontro com os chorões nas noites  cariocas, dedicou algumas peças à compositores deste gênero, como o  chôros 1 dedicado à Ernesto Nazareth.
Na Espanha teve um encontro com o grande solista Andrés Segóvia, para  quem dedicou seus estudos, e o concerto para violão e orquestra, as  outras obras, os prelúdios foram dedicadas à sua amada Arminda  Villa-Lobos, que criou o museu Villa-Lobos no Rio de Janeiro.
Na semana da arte moderna de 1922 recebeu o apelido de O Índio de  Casaca do artista Menotti del Picchia pelas histórias que eram  atribuidas à ele e pela sua forte influência da música indígena  brasileira.
Carlos Bica nasceu no Brasil em 1973. Estudou técnicas de violão com o  violonista argentino Eduardo Castañera, e análise musical e  interpretação com o compositor brasileiro Flávio Oliveira. Participou  de master classes com violonistas de diversas nacionalidades, entre  eles os uruguaios Eduardo Fernandez e Abel Carlevaro, o Alemão Frank  Bungarten, o argentino Eduardo Isaac e o italiano Flávio Sala .
Estreou aos 16 anos, versando o repertório clássico de todas as épocas  e estilos. Apresentou concertos ao lado da Orquestra Filarmônica  Brasileira e atua realizando master classes nas universidades e  conservatórios brasileiros.
Tem realizado recitais nos principais teatros do Brasil. Como  professor de violão, tem desenvolvido trabalhos de música de câmara  com o quarteto de violões Orphenica Lira, formado por alunos seus.  Gravou seu primeiro disco Contemporâneo Latino aos 20 anos, no qual  interpreta obras de compositores latino-americanos. Também gravou DVD  no Teatro São Pedro, em 2004, com obras de Narvaez, Villa-Lobos e  Albeniz. No mesmo ano gravou DVD com o compositor Rached Karketi, de  Hamburgo/Alemanha. Tem realizado recitais em Rádios e televisões no  Brasil e Uruguai.
Realizou recitais de música de câmara em duo com a soprano Elenara  Nunes, com o pianista Carlos Morejano e o percussionista Bira Lourenço; também em quarteto, com instrumentistas da Orquestra  Sinfônica de Porto Alegre. Realizou estréia de obras de compositores  como a Toccata 1 de Fernando Mattos, a Canção Terna do compositor  carioca Nicanor Teixeira e A Velha Nogueira de James Liberato, escrita  para flauta, violão, contrabaixo e violoncelo, tendo como flautista  convidado João Batista Sartor. Numa temporada de concertos de  vanguarda teve a participação do Artista Plástico Paulo Bacedônio, que  realizou uma pintura enquanto o violonista tocava. Também neste gênero  de recitais, participaram atriz Jória Lima, que fez leitura dos Poemas  de William Shakespeare enquanto eram interpretadas obras de John  Dowland, e a Bailarina Gilca Lobo, que desenvolveu coreografia para  Astúrias de Isaac Albeniz. Participou de diversos projetos  governamentais de música, dentre os quais, “Música ao meio-dia”, do  Teatro São Pedro, “Reinauguração do Mercado Público de Porto Alegre” e  foi o solista do “Vino de honor ao Cônsul Iñigo de Palacio España”.  Foi laureado com a medalha Lupicínio Rodrigues por seu trabalho de  divulgação da música brasileira, como recitalista.
Com este espetáculo buscamos levar ao povo brasileiro o que de mais  importante foi feito pela música brasileira, a obra para violão de  H.Villa-Lobos, onde o público em geral vai identificar-se com cada  movimento de cada peça, pois estas são o retrato do Brasil, escrito  para o instrumento mais usado no Brasil tanto como acompanhador, como executante de música de câmara nos grandes teatros, o violão.

Meninão

Por Rud Prado

Carlão Pacheco.  Um dia esbarrei com esse sujeito no corredor da Minhagência.  A primeira vista Carlão podia assustar. Se estava num dia de pá virada, mostrava para todos o seu mau humor, com cara de mau e voz de trovão. Mas era só fachada. Logo se descobria que aquele homenzarrão era só um meninão que gostava de brincar. E ele se divertia ao fazer esse tipo mauzão. E era só isso mesmo: um tipo, mais um dos seus personagens que ele usava para provocar quem estivesse por perto. Carlão falou uma besteira um dia qualquer e eu o chamei para conversar, decidido a dar uma dura no sujeito. Carlão veio insolente, mas desconfiado.  Eu abri o verbo. Carlão foi arregalando os olhos, ficando mais vermelho, se é que isso era possível. Imaginei: o cara vai me dar uma bordoada. Ele se levantou. Pediu desculpas. Saiu. Ficamos alguns dias sem nos falar, depois nos cumprimentando formalmente e rapidamente.

Um dia a Banda Bicho du Lodo ensaiava no Zé Beer, as portas abaixadas. Carlão empurrou a porta e foi entrando, tinha uma latinha na mão. O reconheci pela silhueta recortada pela luz.  A cada música que passávamos, Carlão batia palmas com suas mãos de peso pesado. Aquilo ecoava pelo salão vazio. Carlão jogou charme para a gerente do bar que estava fechado e conseguiu mais umas cervejas. Fui lá e fiz as pazes com o cara. Apresentei para os outros integrantes da banda. Todo mundo se amarrou na figura. Carlão subiu no palco e tocou gaita, irreverente.

Depois vieram as conversas sobre poesia, sobre a vida. Sobre besteiras em geral. Mas pouco falávamos sobre propaganda.  Descobri que Carlão era figura conhecida na noite de Porto Velho. E querida. O redator e poeta Carlão tinha um belo texto. Boas idéias. Amor pelas mulheres, pelo blues, pelos prazeres de uma mesa de bar. Amor incondicional pela filha Pandora. Carlão gostava de praia, de pegar onda, de tirar onda. Carlão era um menino que passou pelo nosso porto e deixou a palavra saudade escrita em nossos corações. Seu último texto vai ser aprovado lá no céu.

Banco da Amazônia lança financiamento do FNO para Micro Empreendedor Individual (MEI)

O Banco da Amazônia lança, no próximo dia 20 de junho, o Programa de financiamento com recursos do FNO para Micros Empreendedores Individuais (MEIs), para aquisição de equipamentos e utensílios, construção e reforma de instalações físicas e também para capital de giro, segundo o superintendente do Banco em Rondônia, Wilson Evaristo. Os empréstimos são destinados para MEIs que estejam há pelo menos seis meses em atividades. O programa empresta até R$ 15 mil com juros de 6,75% ao ano, um dos mais baixos do mercado, e oferece um bônus de 15%  para os clientes que pagarem suas faturas até a data de vencimento, além de isenção de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e  agilidade na concessão do crédito, já que o processo de análise dos Planos de Negócios é simplificada.

São considerados MEIs, os empreendedores que têm um faturamento anual de até R$ 36 mil, possuem um único estabelecimento, não participem de outra empresa como titular, sócio ou administrador e contem com apenas um empregado. Ele deve ser optante do SIMPLES nacional. Em Rondônia já foram registrados mais de 8 mil MEIs das mais diversas áreas, como costureiras, pintores de parede, vendedores, cozinheiras, pequenos agricultores e outros  tocadores de pequenos negócios. Em todo o Brasil um milhão de empresários já se formalizaram por meio do MEI. O registro é simplificado e os interessados recebem todas as informações necessárias nas agências do Sebrae, Sindicato da Micro e Pequena Indústria (Simpi) e associações comerciais.

Os MEIS interessados em sacar recursos por meio do FNO poderão se dirigir às agências do Banco da Amazônia a partir de 20 de junho. Nas agências, será disponibilizado o modelo do  Plano de Negócios simplificado, que é necessário para a avaliação da rentabilidade dos investimentos. Como se trata de empréstimo orientado, o banco também oferece consultoria sobre o melhor modo de gerir a aplicação dos empréstimos. O Sebrae, o Simpi e associações comerciais também podem orientar sobre os investimentos. As garantias exigidas são as mesmas utilizadas pelo mercado, com hipoteca, alienação de bens ou aval. No caso de aval, o avalista deverá ser pessoa idônea e dispor de uma receita mensal comprovada de, no mínimo, o equivalente a três vezes o valor da parcela de amortização do financiamento.

O programa FNO oferece empréstimos para Investimento Fixo, destinado à aquisição de equipamentos, móveis e utensílios e à construção ou reforma de instalação física; Investimento Misto, com capital de giro associado ao investimento fixo; e Capital de giro Isolado, que permite a compra de matéria-prima, insumos, bens ou produtos para formação de estoques. Para Investimento Fixo ou Misto, o primeiro financiamento pode ser de até R$ 7,5 mil e os empréstimos subsequentes poderão chegar a R$ 15 mil, desde que o montante anterior tenha sido liquidado. No caso de Investimento em Capital de Giro, o primeiro financiamento deverá se de até R$ 2,5 mil e para os subseqüentes o teto é de R$ 5 mil.

Para Investimento fixo ou misto, o banco oferece prazo de até 36 meses para pagamento dos empréstimos, incluídos até dois meses de carência, sendo o prazo máximo do financiamento determinado em função do cronograma físico e financeiro do plano de negócio e da capacidade de pagamento do mutuário; já no caso do Capital de giro isolado, para aquisição de matéria-prima, insumos, bens ou produtos para formação de estoques, o prazo de pagamento é de até 24 meses, incluindo até um mês de carência.

O Basa conta com agências em Porto Velho, Extrema, Guajará-Mirim, Buritis, Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal, Rolim de Moura, Jaru e Vilhena e dentro de no máximo três meses serão abertas agências em São Miguel do Guaporé e Pimenta Bueno.

Ao Norte – 46

Barranca de Calama, distrito de Porto Velho, às margens do rio Madeira foto : Cineamazonia/B.Delano

Barranca de Calama, distrito de Porto Velho, às margens do rio Madeira foto : B. Delano

Geopolítica:depois do Esquadrão Poti agora é a vez do Esquadrão Pacau vir para a Amazônia

Por Beto Bertagna

Depois da transferência do Esquadrão Poti de Recife para Porto Velho, Rondônia constituindo o 1º Esquadrão de Helicópteros de Ataque , com a compra da Rússia de 12 AH-2 Sabre (MI 35) agora é a vez do  1°/4° Gav. Esquadrão Pacau, de Natal/RN estar de  mudança marcada para Manaus até dezembro de 2010. A operação do esquadrão será com os jatos mais modernos e letais da FAB, o Tigre F-5M, modernizado. Com  a entrada em serviço da aeronave E-99 (radar)  e do COPM4 (4º Centro de Operações Aéreas Militares)  e a conseqüente extensão da cobertura radar na aérea na Norte finalmente a ultima lacuna seria preenchida, um esquadrão de defesa aérea de 1ª linha com as F-5M, caça  supersônico com recursos aviônicos, armamentos e performance adequada ao desempenho da missão de controle do espaço aéreo.  No entanto, especialistas ouvidos pela redação deste blog  www.betobertagna.com apontam que a aeronave, apesar do seu poder não é páreo para os modernos aviões Sukhoy SU-35 Flanker , que integram a Força Aérea da Venezuela, que ainda assim manteriam superioridade estratégica sobre a nova base em Manaus. Outros problemas também terão que ser solucionados, pois a operação deste jato em Ponta Pelada ainda é complicada pelo comprimento da pista. Os jatos que irão para Manaus são os mesmos comprados da Jordânia em 2006 e modernizados na Embraer. Enquanto isto, se espera a definição do governo brasileiro por jatos de última geração que poderão cumprir sua missão de defender com segurança a soberania nacional. E daí ? Vamos de Grippen, Rafale ou com os F-18 Hornet ?

Leia também :>

O Esquadrão Poti agora é aqui
> China vai comprar caças Su 35 Flanker da Russia. E o Brasil vai de quê ?

Filmes para entender Rondônia – 6 – Desafio no Inferno Verde : A Ferrovia do Diabo

Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Imigrantes e aventureiros do mundo inteiro tombaram ao longo dos 366 kms de trilhos que levaram quatro décadas para serem assentados. Vitimados pelas doenças tropicais, os trabalhadores enfrentavam a natureza hostil e os índios que surgiam de repente do inferno verde. É uma história de coragem e heroísmo, de tragédia e de sangue dos pioneiros que fundaram Porto Velho. Não se apaga da memória de um povo um fato histórico que determinou suas origens. O vídeo traz um pouco do passado que ainda ecoa através dos apitos, quando alguma máquina passeia pelos trilhos e dormentes de “ouro” da Madeira-Mamoré, a ferrovia do diabo. Produção em Betacam SP de 1997, roteiro de Nelson Townes e direção de Beto Bertagna. Vencedor do Tatu de Prata, melhor vídeo da XXV Jornada Internacional de Cinema da Bahia em 1998.

Ao Norte – 32

Cachoeira do Teotônio, fadada a desaparecer... foto : JLZ Barcelos

Cachoeira do Teotônio, em Porto Velho/RO, fadada a desaparecer... foto : JLZ Barcelos

Livros imprescindíveis para entender Rondônia – 10 – A Ferrovia do Diabo

No final do século XIX e início do século XX, construir uma estrada de ferro no Brasil já era um desafio. Construí-la em meio à selva amazônica era uma verdadeira epopéia. A Estrada de Ferro Madeira—Mamoré foi um projeto ambicioso que consumiu uma soma de dinheiro equivalente a 28 toneladas de ouro e centenas de vidas humanas.

Embora muito noticiada na época, a trágica história de sua construção ficou praticamente esquecida até 1957, quando o jornalista e historiador Manoel Rodrigues Ferreira se deparou com cerca de 200 negativos da ferrovia tirados na época da construção pelo fotógrafo americano Dana Merrill, que havia sido contratado para registrar todas as etapas da obra. De posse das fotos e com grande espírito investigativo, Manoel iniciou uma profunda e minuciosa pesquisa, analisando, durante anos, diversos documentos históricos que mais tarde se perderam ou foram destruídos pelo regime militar.
A Ferrovia do Diabo, o mais completo e respeitado livro sobre a E. F. Madeira— Mamoré, nos revela todos os detalhes desse grandioso empreendimento, desde as primeiras tentativas de colonização da região, passandó pela conturbada construção da ferrovia, até o seu sucateamento e a reativação de pequenos trechos para fins turísticos.

O jornalista, historiador e sertanista Manoel Rodrigues Ferreira reconstrói a epopéia de uma das mais ambiciosas e trágicas obras de engenharia realizadas no Brasil: a construção da The Madeira and Mamoré Railway Company. Contornar o trecho não navegável dos rios Madeira e Mamoré era a alternativa mais viável para o escoamento dos produtos brasileiros e bolivianos para o Atlântico. Com isso, projeto da ferrovia atraiu o interesse de investidores do mundo inteiro, e trabalhadores de mais 40 nacionalidades vieram se aventurar nos confins da selva amazônica, no atual Estado de Rondônia. Poucos retornariam: entre 1872 e 1912, mais de 1.500 trabalhadores faleceram tentando vencer a selva. Cercada de desastres, ataques de índios e animais ferozes, epidemias, problemas financeiros e muitas lendas, a história da construção da Madeira – Mamoré correu o mundo, e, até hoje, a ferrovia é conhecida como a mais trágica da América.

Após anos de abandono, a velha ferrovia e seu parque em Porto Velho, tombados pelo Patrimônio Histórico Nacional, ganham um projeto de revitalização, que inclui a restauração dos seus galpões e oficinas, um novo museu , a completa restauração de 2 locomotivas a vapor e a volta do passeio turístico até Santo Antônio.

Por quê na Amazônia nenhum deputado ousa propor o uso do biodiesel B-100 nos ônibus ?

Nem Rio Branco, nem Porto Velho, nem Boa Vista, Manaus, Belém, Macapá… Nada. Nas capitais e principais cidades amazônicas ninguém propõe, corajosamente, que as frotas de ônibus usem o biodiesel B-20 ( concentração de 20 % de biodiesel produzido por matrizes renováveis) ou mesmo o B-100, o biodiesel puro, que reduz as emissões de gás carbônico em até 90 %.

Porto Velho e seus distritos, por exemplo, por conta do transporte dos trabalhadores das usinas se entupiram de ônibus que queimam diariamente o pior tipo de diesel, o mineral, liberado para venda a pequenas cidades ou campo e que dispersam na atmosfera uma quantidade absurda de enxofre.

Não se ouviu um pio vindo da Assembléia Legislativa de Rondônia, propondo a adoção do biodiesel B-20 neste caso e até no transporte rodoviário urbano de passageiros nas cidades de Rondônia, que hoje enfrentam o caos do trânsito por conta das dezenas de obras implantadas pelo PAC .

Os deputados nem precisariam muita criatividade, como costumam se gabar nas propagandas de mau gosto da ALE. Bastaria seguir o exemplo da Coca-Cola e da Man Latin America, que se uniram num projeto inédito de motores com injeção inteligente movidos a biodiesel B-100, sem qualquer perda da capacidade e potência. Em março de 2009, a MAN completou a compra das operações brasileiras da Volkswagen Caminhões e Ônibus, criando a MAN Latin America.

Inédita no País, a tecnologia Dual Fuel contribui para a redução das emissões de CO2 em até 90%, além de emitir menos material particulado. Gerenciado eletronicamente, sem a adição de qualquer aditivo especial, o novo sistema permite o monitoramento de sua operação, ajustando o fornecimento do combustível apropriado para o motor a cada momento – biodiesel ou óleo diesel comum –, por meio de uma unidade dosadora.  Hoje , através de norma da ANP, é obrigatória a adição de 5% de biodiesel, o chamado B-5.

Quem sabe algum, em algum estado, tenha alguma preocupação puramente ecológica…Tem até usina pronta sendo vendida em Rolim de Moura, veja só.

Moto taxi : Confira a relação dos autorizados em PV

Clique aqui e veja a relação completa dos classificados e dos remanescentes   > http://wp.me/pKJQL-1ki

CurtAmazônia faz abertura com espetáculo regional de boi-bumbá

O Festival também incorporou à sua programação atividades sociais como a sessão de escovação feita pela Dentista Ana Júlia da Secretaria de Saúde que fez uma palestra na Tenda do Cinema pela parte da manhã, aos alunos da Escola Murilo Braga, no Bairro Baixa da União.

Na parte da noite, houve uma homenagem ao blogueiro aqui  e a dança regional vinda da fronteira de Guajará Mirim, com as dançarinas do Boi Malhadinho, que foram as principais atrações.O organizador Carlos Levy  agradeceu à todos e falou da projeção do futuro, que é levar o Festival aos rondonienses, nos 52 municípios, além de outras localidades como a Bolívia e o Peru, totalizando 69 localidades.

“O CurtAmazônia já é uma realidade em Rondônia, abrindo mais uma janela alternativa de exibição aos produtores e realizadores de filmes nesse País. Foi com muita emoção a abertura do Festival, marcando um novo tempo na cultura do audiovisual aqui em Porto Velho e com perspectivas de expansão em todo Estado de Rondônia. Oportunidade essa feita por um rondoniense e equipe unida em um só propósito que é levar à cultura do cinema brasileiro aos brasileiros” – concluiu Levy.  A programação do CurtAmazônia se estende até sábado dia 29/5 com a entrega de premiações no Auditório do SENAC.  São projetados filmes gratuitos de manhã, tarde e noite no Sesc  Esplanada de 25 e 26/5 e SENAC de 27 à 29/5, além da Mesa Redonda dia 27/5 (manhã), Oficina de Projetos Culturais e acesso ao SICONV/ 28/5 (manhã). Também há exibições de filmes  nos bairros de nossa cidade,  com o Cinema na Comunidade,  Tenda do Cinema montada exclusivamente para essa finalidade. As exibições de filmes nos bairros é sempre feita das 19 horas até às 21 horas.

PM cria ronda tática anti-crack e aumenta preconceito contra jovens em Porto Velho

Por Nelson Townes , do NoticiaRo.com

O surgimento do crack, o novo narcótico nas ruas desta Capital, derivado da pasta básica da cocaína, fez a Polícia Militar de Rondônia criar uma unidade especial de patrulha e combate ao tráfico e consumo da droga, a Ronda Ostensiva Tática Metropolitana – Rotam.

A unidade é subordinada ao 1° Batalhão de Policiamento Metropolitano e começou a atuar na semana passada fazendo a detenção dos suspeitos de sempre (de qualquer coisa), adolescentes, jovens adultos pobres, negros, mestiços (indios ou mamelucos) que estiverem circulando pelas ruas à noite – principalmente nos bairros mais pobres da cidade.

A intenção, segundo nota do comando da Polícia Militar sobre a criação da Rotam é intensificar o combate ao tráfico de entorpecentes em Porto Velho.

A nota não menciona que é o objetivo é a repressão ao crack. Somente o crack justificaria a criação de uma nova unidade tática na PM, pois a Força Aérea Brasileira (FAB), com a retaguarda do Sistema de Vigilância da Amazônia, desviou para o Paraguai as rotas da cocaína.

Diminuiu a oferta de “mela” (sulfato de cocaína) nas ruas. O “must” é a nova, mais forte, viciante na primeira tragada e fatal em pouco tempo “crack”, que já contaminou grande número de operários da construção civil.

Mas, não há informações relativas a investigações nos canteiros de obras dos grandes prédios que estão sendo construídos na cidade ou nas obras da usina, hidrelétrica de Santo Antonio, a 7 quilômetros da área urbana.

A Polícia Estadual aparentemente não quer fazer alarde da presença do “crack” em Porto Velho.

Foram designados para a Rotam policiais militares com experiência no serviço de radio patrulha da Capital, sua função oficial é a de capturar foragidos da justiça, (e reprimir) tráfico de entorpecentes e porte de armas. É um pelotão da 1ª Companhia de Policiamento Ostensivo do Batalhão Rondon.

O planejamento ou a inteligência das ações da Rotam parecem se resumir ao “serviço ordinário de radiopatrulhamento na Capital”, “que já tem colhido bons frutos em razão do empenho dos policiais militares que diariamente trabalham nas ruas” – como indica o comando do Batalhão Rondon no comunicado à imprensa.

Como geralmente é ínfimo o número de carros de rádio-patrulha policial em Porto Velho – até há pouco informava-se que havia entre 2 a 8 carros circulando pela cidade que tem hoje cerca de 100 bairros e provavelmente 400 mil habitantes, a repressão ao novo narcótico seguirá a tendência dos outros. Para cada pedra de “crack” eventualmente apreendida, 10 já foram vendidas.

No entanto, cada policial sabe onde se localizam as “bocas de fumo” de Porto Velho. Se esquecerem, geralmente os moradores sabem. Mas, poucas fazem prisões em flagrante e raramente apreendiam grandes quantidades de droga. As bocas de fumo de Porto Velho fazem jus ao nome, são voláteis e mudam de lugar constantemente.

Sem pistas, enfrentando um tráfico invisível, só resta aos policiais considerar suspeito ou traficante, ladrão ou assaltante até a prova em contrário, cada adolescente ou jovem adulto que estiver numa bicicleta em Porto Velho, principalmente se estiver com um carona, desde que pobre, negro ou mestiço, traficantes. Se for uma jovem negra ou mestiça é no mínimo prostituta, cadela.

Se for caucasiano (branco, com traços europeus), loiro ou tiver olhos claros (se for azul, então) e se a bicicleta for clara, só pode ser filho de boa família.

A Lei da Ficha Limpa, que a Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou para fins eleitorais, revogando a presunção da inocência, já existe na prática no mundo policial de Porto Velho e por isso dezenas de jovens são humilhados a cada batida policial.

Como diz a juíza federal da 5ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, Simone Schreibe, professora de Direito Processual Penal da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), “na prática judiciária brasileira não se estabeleceu diferença entre os princípios da presunção de inocência e da desconsideração prévia de culpabilidade.”

A totalidade dos adolescentes e jovens adultos mostrados na foto acima não tem relação com o narcotráfico, com o crime organizado, ou passagens pela Polícia. Foram detidos perto de suas casas, chegando do trabalho ou da escola ou vindo de encontro com amigos.

Mas, é assim que a Policia Militar trabalha. Às vezes encontra um traficante nessas ações. Mas nunca o grande fornecedor. Assim como nunca a Polícia Militar encontrou os autores do massacre de Marcio Antonio Alberto (26), Robson da Fonseca Tandu (19), Onaziel Lima Ramos (26), Jhone Inemesio Lima Cabanilas (19) e Reginaldo Silveira dos Santos (26).

Os cinco foram mortos por tiros na cabeça numa segunda-feira à noite, quando conversavam no cruzamento das ruas Centauros e Coroa Boreal no bairro Ulisses Guimarães zona leste da cidade, perto de um PM Box (pequeno posto da Polícia Militar). Perto de uma igreja evangélica.

O crime foi no ano passado. Ninguém viu, ou ouviu nada. Depois se comentou que os cinco “teriam”ou “seriam” responsáveis por distúrbios no bairro. Internautas postaram comentários em sites que noticiaram as mortes elogiando o trabalho que, segundo um dos posts, “se não foi”, “deveria ser de um justiceiro”. A chacina dos jovens foi virtualmente comemorada e esquecida.

O deputado Edson Martins (PMDB), da Assembléia Legislativa de Rondônia, fez um recente discurso no parlamento do Estado sobre sua preocupação com violência urbana que tem vitimado muitos jovens.

Três policiais militares foram presos recentemente no distrito de Jaci Paraná, distante 90 quilômetros de Porto Velho, sob a suspeita de integrarem grupos de extermínio que estariam agindo a mando de fazendeiros e empresários naquela região, numa disputa por terra,

As denúncias foram publicadas pelo jornal “Folha de Rondônia”, de Ji-Paraná, 400 kms de Porto Velho, informando que Policiais Militares estariam envolvidos em pelo menos nove assassinatos. Testemunhas estariam desaparecendo “misteriosamente” da cidade – disse o jornal.

O site “Tudorondonia.com”, de Porto Velho publicou no dia 20/10/2009 que cinco jovens foram mortos no meio da rua na cidade de Machadinho do Oeste, interior de Rondônia, a nordeste. Na cidade seriam apreendidos 700 quilos de cocaína, a última grande apreensão, até agora, no Estado.

Entre as vítimas havia um menor de 12 anos de idade, com passagem pela polícia, assim como os demais atingidos pelos disparos.

Nota da Redação do www.betobertagna.com :  Está parecendo uma campanha deste site  e do www.noticiaro.com contra o crack e outras drogas, inclusive as consideradas “sociais” como o alcool.

E é verdade.

É necessário que se use todo e qualquer veículo pra disseminar as informações sobre esta “epidemia”que pode vir a assolar Rondônia em pouco tempo.

Outros sites, que tem até, presumidamente, mais visitação que os citados viram as costas para o problema e ficam no “lenga-lenga” das fofocas políticas, dos ataques interesseiros atrás do famoso “caraminguá” como verdeiros “caça-níqueis”, publicam resumo de novelas alienantes, detonam esta ou aquela autoridade por falta de contrato e acabam esquecendo problemas sérios que podem afetar toda a população. Tudo bem. Respeite-se o direito editorial e o sagrado direito de imprensa e à informação. Critico, porém,  o desserviço à comunidade quando não colocam minimamente em suas pautas estas ameaças que estão cada vez mais visíveis.Das televisões então, a coisa está tão escrachada que nem adianta mais falar. Cobrar o que, quando há campanhas mais do que suspeitas como o Criança Esperança?

Tudo se transforma numa corrente só. Há evidências que menores de idade, de famílias tradicionais de Porto Velho, foram “recolhidas” em estado de coma alcoólico durante a realização de um show com uma famosa cantora de axé music. Fatos semelhantes são cada vez mais frequentes. As famílias, não as tradicionais, as migradas, as mais carentes, as mais pobres de informação mas que muitas vezes se dispõem a fazer um “sacrifício” para comprar um abadá parcelado em 12 vezes (baratíssimos! ) estão transferindo para as escolas o dever da educação.

As escolas, ah as escolas, que mal conseguem cumprir o dever do ensino…

E assim caminha esta tosca humanidade do noroeste do Brasil.

Entre as descobertas a cada dia que passa de novos golpes milionários na Assembléia Legislativa, candidatos ficha+ que suja bancando mocinhos em caravanas pelo interior e formação de cracolândias em zonas de motéis e hotéis populares nas proximidades da Rodoviária e do Trevo do Roque.

Que venha o plano federal anti-crack do Lula, que funcione, que valorize os bons profissionais da polícia, dos Juizados da Infância e Adolescência, de atendimento dos CAPS, enfim , que o que existe no papel que é maravilhoso e de primeiro mundo vá para a realidade da prática. Que os locais como as Delegacias de Proteção à Infância e a Adolescência e as Delegacias da Mulher respeitem mais a privacidade de quem necessita de seus serviços e os profissionais mais sensíveis com quem já chega fragilizado a estas unidades. E que tenhamos jovens mais protegidos, e menos estigmatizados pelas mais diversas formas de preconceito. Mas não duvidem. Estamos lidando com uma epidemia. E é hora de todos colaborarem.

Diogo Portugal traz stand up solo “Hã?!” a Porto Velho, neste sábado

Diogo Portugal se apresenta neste sábado, dia 22 de maio, às 21h, no Complexo Peixe Beer – Espaço do Peixe Vivo, em Porto Velho.

O humorista de várias facetas traz para a cidade seu espetáculo stand up Hã?!.

Durante uma hora, Portugal diverte a platéia com suas sacadas bem humoradas do dia a dia, mostrando porque é um dos grandes nomes do humorismo no país.

Mais informações no fone (69) 3222-9473. Preço do ingresso : R$ 20,00 + 1 kg de alimento não perecível(não vale sal). A classificação etária é para maiores de 14 anos. Garantia de boas risadas !

Justiça realista : casamento homossexual é reconhecido em Porto Velho, Rondônia

Da redação do NoticiaRo.com

Um casamento informal de dois homens foi reconhecido pela primeira vez em Porto Velho, nesta terça-feira (18), pela Justiça de Rondônia.

A união homoafetiva entre dois homens foi reconhecida pela 2ª Câmara Especial do Tribunal de Justiça de Rondônia em processo relatado pelo desembargador Walter Waltenberg Silva Junior, dando direito ao companheiro de um servidor público de receber pensão por morte do cônjuge do mesmo sexo.

A decisão atende à apelação cível proposta pelo cônjuge sobrevivente contra a decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital, que negou o direito a pensão.

Inconformado com a decisão, ele recorreu ao Tribunal de Justiça, alegando que manteve com o falecido uma relação homoafetiva pública e notória durante 17 anos, inclusive com declaração de convivência registrada em cartório.

Ele informou, no processo, que após seu companheiro sofrer um acidente vascular cerebral, passou a cuidá-lo diretamente, tornando-se seu dependente econômico.

Disse que o companheiro de quem cuidava era quem mantinha as despesas da casa, com o salário que recebia na condição de servidor público aposentado por invalidez. E, com a sua morte, passou a enfrentar sérias dificuldades financeiras.

No seu voto, o desembargador Walter Waltenberg afirmou que é de conhecimento de todos que a realidade social demonstra a existência de pessoas do mesmo sexo convivendo na condição de companheiros, como se casados fossem.

O magistrado disse que a partir dessa realidade, começou um debate acerca dos direitos decorrentes do casamento civil homossexual, ante a ausência de dispositivos legais a respeito.

O relator disse ainda que ao reconhecer nessa união afetiva homossexual o caráter de entidade familiar, “também resta caracterizado o reconhecimento dos direitos decorrentes desse vínculo”, “sob pena de uma possível violação dos princípios constitucionais. “

O desembargador frisou que o autor da apelação apresentou diversos documentos que comprovam a união dos dois e destacou que no Brasil, embora ainda não exista lei específica para o caso, as decisões aplicam analogicamente a legislação empregada entre homem e mulher.

A decisão, registrada nesta terça-feira(18) no Sistema de Acompanhamento Processual do Judiciário rondoniense, torna-se agora referência para julgamento de casos semelhantes na Justiça de Rondônia.

Guerra fria pela água

Começou a guerra fria pelo tesouro H2O : O maior aquífero do mundol surge no Pará e justifica transformação de Porto Velho em base guerreira

Com Nelson Townes,  NoticiaRo.com,  www.ufpa.br, www.betobertagna.com,  www.cetesb.sp.gov.br e www.wikipédia.org

A transformação de Porto Velho numa cidade militar  dotada desde sábado (17) de uma das mais poderosas Bases Aéreas do continente, decorre não apenas de sua localização fronteiriça estragégica, como ponto geográfico central da América Latina, mas para proteger a soberania nacional, entre outras coisas, sobre tesouros que já são os mais cobiçados do planeta e num futuro próximo poderão causar guerra, água doce.

Apesar do ceticismo de algumas autoridades e de parte da mídia, é um problema que existe, virtualmente mascarado por outras questões relevantes que assolam a Amazônia. A própria Câmara dos Deputados , através da  Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional vai realizar uma audiência pública para debater as denúncias de tráfico de água doce da Amazônia. A audiência aprovada nesta quarta-feira (14) ainda não tem data marcada, mas deverão participar representantes da da Polícia Federal além dos  ministros da Defesa e do Meio Ambiente, o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu Guillo, o diretor-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Adalberto Val, e o coordenador de Ações Estratégicas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Estevão Monteiro de Paula.

As empresas alegam que se baseiam em tratados internacionais para captar a “água de lastro” http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gua_de_lastro , que por si só já é um problema exponencial, pela degradação biótica e pelo risco de contaminação das águas por espécies invasoras.

A Organização Marítima Internacional (IMO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceram oficialmente que a descarga da água de lastro e de sedimentos transportados por navios pode permitir a entrada de organismos aquáticos nocivos e agentes patogênicos (bactérias, algas, larvas de invertebrados, etc) nos diversos portos internacionais, ameaçando o equilíbrio ecológico da vida aquática existente e podendo causar doenças epidêmicas.

ONG´s ambientalistas alegam que a água de lastro deveria ser despejada e captada somente no mar, ou seja ,com água salgada.  Isto diminuiria o risco de poluição por espécies invasoras e seria um “freio” ao contrabando de água doce.

A própria Marinha do Brasil reconhece a necessidade de reforçar as suas bases nestas paragens para controlar o tráfego cada vez mais intenso de embarcações de grande porte.

Porto Velho está eqüidistante dos maiores aqüíferos do mundo, o Aquífero Guarani, que era o maior do mundo, no Paraná, e outro aqüífero maior ainda, anunciado por pesquisadores da Universidade Federal do Pará, o de Altér do Chão.

A praia santarena de Alter do Chão, na região do Tapajós, no Pará, já levou o título de melhor praia do Brasil pelo jornal inglês The Guardian.  Agora, o “caribe brasileiro” pode receber um status ainda mais valioso: o de possuir a maior reserva de água doce subterrânea do mundo, diz o site da UFPA.

Até agora, o maior manancial de água doce subterrânea do mundo conhecido era o Aquífero Guarani . Ocupa 1,2 milhões de Km² entre o Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. É hoje uma importante reserva estratégica para abastecimento e atividades econômicas.

O aquífero de Alter do Chão possui uma área de 437.500 km2 e uma espessura de 545 metros.

Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) pretendem comprovar que o aquifero – de Alter do Chão possui uma capacidade de água muito maior e com qualidade melhor do que o do Guarani e pode produzir uma capacidade de água quase duas vezes maior.

“O aquifero de Alter do Chão pode ser bem menor em termos de área, porém, possui uma espessura maior e uma capacidade de produção de água ainda mais intensa”, explica para o site da UFPA o geólogo Milton Matta.

Segundo ele, ainda faltavam dados e estudos mais específicos para provar a real capacidade do aquífero paraense, mas segundo fontes extra-oficiais consultadas por “NoticiaRo.com”, o geólogo Milton Matta conseguiu a confirmação que precisava.

Ainda não foi possível ouvir Matta. Ele e seu grupo  estavam elaborando um projeto para o Banco Mundial.

Matta disse que o Estado do Pará poderá ganhar muitos benefícios se ficar cientificamente comprovado que o maior aqüífero do mundo está na Amazônia.

Mas, ele faz uma alerta: “Não adianta apenas termos quantidade de água. Precisamos saber usá-la. A água subterrânea é a mais importante que existe em nosso planeta, o problema é que muita gente não sabe como fazer disso um bem”, pondera o geólogo.

O QUE SÃO AQUÍFEROS

Aquifero é uma formação geológica. Rochas permeáveis permitem o acúmulo de grandes quantidades de águas subterrâneas. Veja outra definição no Wikipédia  http://pt.wikipedia.org/wiki/Aqu%C3%ADfero

O Aqüífero Guarani é o maior manancial comprovado de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo. Está localizado na região centro-leste da América do Sul, entre 12º e 35º de latitude sul e entre 47º e 65º de longitude oeste e ocupa uma área de 1,2 milhões de Km², estendendo-se pelo Brasil (840.000l Km²), Paraguai (58.500 Km²), Uruguai (58.500 Km²) e Argentina (255.000 Km²).

Sua maior ocorrência se dá em território brasileiro (2/3 da área total), abrangendo os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Veja também : http://betobertagna.com/2010/02/18/navios-tanques-estao-roubando-agua-da-amazonia-para-levar-para-o-exterior/

Geopolítica – O Esquadrão Poti agora é aqui

Do mar para a selva. O Brasil agora tem um esquadrão de helicópteros de ataque de verdade. E ele fica aqui, em Porto Velho

Por Beto Bertagna
Quando o primeiro helicóptero de ataque AH2-Sabre saiu do solo da Base Aérea de Porto Velho neste sábado (17) marcou definitivamente a transição do pequeno povoado provinciano sem muita importância para o Brasil , surgido com a implantação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré no início do século XX, para um centro geopolítico estratégico no contexto nacional. Antes porém, o povoado que ganharia o nome de Porto Velho passou por diversos ciclos econômicos e de desenvolvimento, como os da borracha, do ouro, da mineração. De Território Federal do Guaporé em 1943 passou a Estado. Ganhou grandes empreendimentos , viu a agricultura florescer, a pecuária dar um salto gigantesco e as cidades crescerem e se multiplicarem.

A transferência do Esquadrão Poti, antes sediado em Recife, para Porto Velho, com cerca de 200 homens no entanto é a prova mais irrefutável da importância estratégica que Porto Velho assumiu, pela sua localização , ao lado da Bolívia, perto de outras repúblicas que podem tomar rumos chavistas e , principalmente, a Venezuela. O que está em jogo nos próximos 50 anos é a chave deste intrincado jogo de xadrex.

Em agosto de 2009, cinco oficiais aviadores do Esquadrão Poti (2º/8º GAV) já haviam concluído o curso teórico da aeronave MI-35M (AH-02 Sabre), na Rússia, e iniciavam os preparativos para a instrução aérea.
Em dois meses e meio de aulas teóricas diárias, a equipe conheceu a aerodinâmica, a construção do helicóptero, o motor, o armamento, o emprego em combate e os instrumentos. O MI-35 é uma versão atualizada para exportação do MI-24 utilizado pelas Forças Aéreas, dentre outras, do Afeganistão, Argélia, Angola, Armênia, Azerbaijão, Belarus, Brasil (Mi-35) , Bulgária, Cazaquistão, Coréia do Norte, Croácia, Cuba, Eslováquia, Estados Unidos, Georgia, Hungria, Índia, Indonésia, Líbia, Peru, Polônia, , República Tcheca, Rússia, Sérvia, , Síria, Ucrânia, Uzbequistão e Vietnã.

Combate ao narcotráfico ? Soberania nacional ? Água ?(Já se sabia do aquifero Guarani e,agora,  pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) apresentaram um estudo, na sexta-feira (16), apontando o Aquífero Alter do Chão como o de maior volume de água potável do mundo) Petróleo ? Reservas naturais ? Ou tudo isto junto , somado a um esforço gigantesco das Forças Armadas para proteger a Amazônia Brasileira dos olhos cobiçosos de super-potências.

Porto Velho transformou-se numa das mais poderosas Bases Aéreas do Brasil. Já possuía o mais moderno simulador de vôo dos T-29 Super Tucano(EMB-314), com tecnologia brasileira e israelense que a transformara em centro de excelência de treinamento de pilotos para aquele equipamento. Além disso , seu poderio bélico tem os Super Tucano T-29, uma aeronave considerada robusta, barata, de operação simples, fácil manutenção e muito funcional. Como armamento utiliza duas metralhadoras .50”, uma em cada asa, e possui 5 pontos duros (dois em cada asa e um sob a fuselagem) para instalação de pylons para armamento, tanques de combustível ou módulos adicionais; a capacidade de carga externa é de 1.500kg. Utiliza mísseis AA (Piranha), mísseis antitanque, bombas de queda livre e foguetes.

Super Tucano T29, da Embraer. Um sucesso operacional e comercial

Ao montar e operacionalizar os primeiros helicópteros de ataque de sua frota, três helicópteros russos MI-35 recebidos no dia 16 de dezembro de 2009, transportados pelo Antonov 124, um dos maiores cargueiros do mundo o seu status subiu mais alguns degraus em importância.

O poder de fogo do AH2 inclue um canhão de dois canos GSh-23L em calibre 23 mm ou uma metralhadora Yakushev Borzov YAK-B 12,7 mm com 4 canos rotativo, 16 mísseis AT-6 Spiral ou AT-9 Spiral 2 (Ataka) antitanque, 2 casulos com 20 foguetes de 80 mm ou casulos UB-32 de 32 foguetes de 50 mm, casulos lançadores de granadas. Ele tem capacidade para transportar 8 homens na sua cabine.
Coincidentemente os MI-35 são os mesmos usados pela Força Aérea Venezuelana e rebatizados no Brasil de AH-2 Sabre, de um total de 12 previstos para chegar até 2012. A FAB , no entanto, exigiu a troca de alguns equipamentos aviônicos por outros produzidos em Israel, possivelmente da Elbit System Ltd, semelhantes aos que equipam os Tucanos T-29 da Embraer.
O custo total da operação chega a aproximadamente 400 milhões de dólares, e inclui os armamentos e peças de reposição por pelo menos 5 anos.

Mas, como compensação comercial (off-set), os russos investirão metade do valor da compra na instalação de ferramentas, bancadas e treinamentos para manutenção, que será feita majoritariamente no Brasil, e treinamento de pilotos e mecânicos, além de um simulador de voo.

O valor dessa compensação, no entanto, quando multiplicado por pesos aplicados de acordo com a relevância de cada tecnologia transferida, sobe para mais de 100% do valor da compra, segundo parâmetros da FAB, devendo chegar a 160%.

O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, comemorou a incorporação do novo equipamento ao seu arsenal. “É uma plataforma guerreira, com capacidade furtiva, armamento de alta precisão e letalidade.”

Segundo Saito, as aeronaves estão preparadas para missões de superioridade aérea (domínio aéreo da área de conflito) e de interdição, tanto diurnas quanto noturnas.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que a aquisição seguiu os preceitos da Estratégia Nacional de Defesa, ao prever a capacitação nacional na manutenção dos equipamentos, embora a quantidade comprada tenha sido pequena para a negociação de fabricação local.

“Os nossos pilotos, engenheiros e mecânicos já estão e continuarão treinamento de últimas técnicas de empregos. É uma quebra de paradigma. Somos internalizadores de tecnologia, conhecimento e treinamento para o desenvolvimento nacional”, afirmou Jobim, ao lado do embaixador da Rússia no Brasil Vladimir L. Tyurdenev.

Com o parque de manutenção instalado, o governo poderá repassar o conhecimento a empresas privadas que possam ampliar a clientela, cuidando inclusive da manutenção de aeronaves de outros países da América do Sul – como Peru, Colômbia, e Venezuela – e da África.

Na cerimônia de batismo, em vez de champanhe, foi utilizado um cálice de cachaça Faysca, lançada pelo ministro Jobim na fuselagem da aeronave.
“-Agora és brasileiro e estás na Amazônia” disse Jobim. “Não venha ninguém dizer como o Brasil deve tratar a Amazônia. Nós protegeremos a Amazônia para nós e para o mundo, e que o mundo saiba disso.”

Foi uma homenagem à própria FAB, pois a bebida é produzida na fazenda da FAB em Pirassununga (SP), onde são produzidos alimentos consumidos pelos alunos da academia da Força Aérea, inclusive industrializados (queijos, iogurtes, embutidos, etc.). A Faysca é muito usada como brinde, em encontros oficiais com forças de outros países.

O ESQUADRÃO POTI

Sediado na Base Aérea de Recife, Pernambuco, o Segundo Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (2º/8º Gav), conhecido como Esquadrão Poti, tem suas origens no Centro de Formação de Pilotos Militares (CFPM) no Primeiro Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação (1º/5º GAv), na então Base Aérea de Natal.

Inicialmente equipado com aeronaves North American T-6D/G Texan, Neiva L-42 Regente e helicópteros Bell OH-4 Jet Ranger, estes depois substituídos ao final de 1974 pelos Bell UH-1H Iroquois, teve também em sua dotação aeronaves Neiva T-25 Universal e Embraer U-7 Seneca.

A denominação Segundo Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (2º/8º GAv) foi implantada através da Portaria nº R-239/GM3, de 09 de setembro de 1980.

Subordinado à Segunda Força Aérea (II FAe), o Esquadrão Poti opera atualmente as aeronaves Helibras H-50 Esquilo, montados no Brasil sob licença da Eurocopter, podendo ser armados com pods para lançadores de foguetes SBAT 70/7 de 70 mm e metralhadoras MAG calibre 7,62 mm ou FN Herstal calibre 12,7 mm.
A sua principal missão é formar e treinar pilotos e tripulantes de helicópteros em diversas missões, mantendo o preparo técnico-profissional de suas equipagens, permitindo o cumprimento de missões na Tarefa Operacional de Superioridade Aérea: Interceptação, Ataque, Escolta, PAC (Patrulha Aérea de Combate) e demais missões da Tarefa Operacional de Apoio ao Combate.

Em um plano secundário, executar as chamadas Operações Especiais: infiltração e exfiltração de tropas (utilizando as técnicas de Rapel, Pouso de Assalto e McGuire), Busca e Salvamento (SAR) e Busca e Salvamento em Combate (C-SAR) tanto na selva como no mar, evacuação aeromédica, entre outras.

No caso da aquisição dos AH-02 nem tudo são flores. A Rússia é muito criticada pelo seu atendimento “pós-venda” o que forçará a necessidade de uma rápida absorção da indústria nacional e na transferência de sua tecnologia para manter as super-máquinas no ar por bastante tempo.

A transferência do Esquadrão Poti para Porto Velho expôs também o desinteresse de parte da mídia local por um assunto de importância estratégica extrema. A maioria dos sites se limitou aos releases enviados pela assessoria da BAPV , reproduzindo as notícias em meio às tradicionais fofocas e fuxicos paroquiais.

Quem pousar hoje no aeroporto dos Guararapes , Base Aérea do Recife, no entanto, poderá observar o hangar do Esquadrão Poti às moscas. A sua nobre missão agora está nestas paragens do poente.

Leia Também : Com atraso, Rússia entrega em Porto Velho o simulador do helicóptero de ataque MI-35m

Hely Chateaubriand e o espetáculo “Vida”

Nesta sexta, dia 16 e na última sexta de abril, dia 30, às 8 e meia da noite, teremos no Teatro Banzeiros o espetáculo de teatro “Vida”, cujo autor e diretor é Hely Chateaubriand, velho batalhador das causas culturais rondonienses.

O espetáculo de teatro “Vida” é uma integração de artes e propõe o reflorestamento urbano de Porto Velho. No final, a cada sessão, são distribuídas mudas de árvores e uma delas é plantada no estacionamento do espaço.

Segundo Chateaubriand, ” a humanidade vive em constante evolução , a cada ano novas tecnologias invadem nosso ambiente oferecendo prazer, comodidade, entretenimento e consumo. Uma necessidade dentro deste processo de evolução é a educação ambiental, que de várias maneiras constrói mentalidades conscientes, despertando o instinto de preservação do meio ambiente.”

O preço do ingresso é R$ 10,00.

Na ficha técnica do espetáculo: Iluminação e performance, Boca ; Elenco: Téo Nascimento, Mestre Xoroquinho e Hely Chateaubriand, Gaspar Knyppel, Rafael, Carlos, Paulo, Bruce e o dublê de carnavalesco e ator Burruchaga.

Merda prá todos !

Hely Chateaubriand : um artista sempre em ação

Instalem enfermarias nos grandes presídios, não mandem bandidos para policlínicas na cidade

Por Nelson Townes, do NoticiaRo.com

O grave incidente ocorrido neste domingo na Policlínica Ana Adelaide, um dos mais procurados pelos moradores de Porto Velho, onde bandidos tentaram resgatar a tiros presos que ali eram atendidos, pode se repetir – com conseqüências que podem ser trágicas.

A solução não é militarizar o centro de Saúde, com a presença de soldados da PM prontos para batalha contra novas tentativas de resgate de presos que ali estejam sendo medicados – e que certamente ocorrerão ante o aumento da população da cidade, e dos bandidos que se infiltram entre os novos migrantes.

Quando os serviços de segurança elegem um local como área de risco, estão dizendo ao povo: cuidado, aqui pode haver conflitos, procurem outro centro de saúde, evitem os riscos das balas perdidas em tiroteios – essas anônimas e aterradoras balas perdidas que tanto podem partir da arma de um policial como de um delinqüente, mas igualmente fatais.

A solução é as autoridades da Segurança Pública instalarem enfermarias nos grandes presídios. Ao menos uma enfermaria central no Urso Branco, por exemplo, o de maior população carcerária.

Não existem médicos ou enfermeiros dispostos a enfrentar os riscos de trabalhar numa enfermaria no Urso Branco? Existem. São os médicos e enfermeiros do hospital da Polícia Militar.

A simples presença de forças militares vigiando a Policlínica Ana Adelaide já assusta o povo. Só a PM, acostumada a tratar mal os cidadãos e brincar com spray de pimenta nos olhos dos outros por qualquer motivo já é uma preocupação.
É mais um sofrimento para aqueles que geralmente são precariamente atendidos pelos serviços de Saúde (por falta de recursos) e ainda tem que dividir os poucos recursos com bandidos perigosos que são levados para lá para pequenos curativos.

Toda grande cadeia em qualquer Capital tem uma enfermaria interna bem equipada até para pequenas cirurgias, até mesmo por uma questão humanitária. Ali serão prestados os primeiros socorros a presos realmente em estado grave, enquanto se remove (aí se justifica) para um atendimento hospitalar adequado.

E atendimento hospitalar em unidades militares, não em estabelecimentos civis como o pronto socorro e hospital João Paulo 2º e Hospital de Base. Ah, o hospital da PM é só para militares? Então, comandante Angelina, honre seu título de cidadã honorária de Porto Velho, e por respeito ao povo crie uma ala só para os bandidos.

Afinal, o Estado tem a obrigação de garantir aos presos sob sua custódia o bem estar e a vida. Centro de Saúde não é lugar para atender presos e, muito menos vigiar presos e enfrentar bandidos a tiros. O lugar é civil, e não para agentes penitenciários abrutalhados que querem tratamento vip e urgente para criminosos, e PMs sádicos ansiosos para sacar as armas porque se sentem desacatados por suas próprias sombras.
Respeitem o povo.

Carros órfãos

Fiat 147 abandonado na cidade de Venâncio Aires, RS

Em Rondônia e Acre o problema parece que ainda não existe. É difícil se ver um carro abandonado nas ruas de Porto Velho, Vilhena, Cacoal , Rio Branco, Brasiléia ou qualquer outra cidade dos dois estados. Por aqui se aproveita o carro até o bagaço !  Mas no resto do Brasil é um fato comum e que chama a atenção.

Tem um blog que faz o maior sucesso entre quem gosta de automóveis.

É o http://autosorfaos.wordpress.com

Você vê cada coisa ! Como esta foto de um Fiat 147 lilás  que um internauta comentou:   ” Mulher não gosta de 147, portanto só pode ser de bambi. Solução para o bambicar: galão de gasolina e fósforo (aceso).”

NR: Atenção: Nada contra gaúchos e são-paulinos.

Boa sorte, mestres ! Que nenhuma infâmia os atinja… publicado originalmente em 8/2/2010…profético blog…

CASSOL SE DESPEDE DO GOVERNO COLOCANDO A PM PARA ESPANCAR TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO

(Aos professores das escolas da periferia, em especial, desejo também que além da infâmia, nenhuma bala ou punhal os atinja, frutos da inversão dos valores sociais que nos assola neste ido ano de 2010…) Republicado a pedido.

Cenas típicas dos piores momentos da ditadura militar foram vividas na manhã da quarta-feira (31/03) pelos trabalhadores em educação do Estado, em frente ao Palácio do Governo, em Porto Velho.

Por ordens do governador Ivo Cassol, como um dos seus últimos atos à frente do Executivo Estadual, a Polícia Militar reprimiu com violência e o uso de spray de pimenta o movimento reivindicatório de professores e técnicos administrativos.

Enquanto tentam um diálogo com o governo, os trabalhadores em educação são recebidos com violência. A tropa de choque da COE – Companhia de Operações Especiais foi chamada para reforçar o espancamento aos trabalhadores em educação.

Os trabalhadores em educação estão com as atividades paralisadas desde o dia 11/03, e, conforme determinação judicial, aguardam uma audiência com o governo para negociar as reivindicações.

O governo, por sua vez, ainda não cumpriu a determinação judicial, de negociar com os grevistas.

Cassol deixa o governo causando perdas salariais de 25% aos servidores públicos estaduais.

Em sete anos de mandato, o governo concedeu apenas três aumentos salariais, ainda assim, com índices abaixo da inflação. O último aumento foi de 4% dividido em duas parcelas de 2%.

Ensinar, aprender: leitura do mundo, leitura da palavra

Carta de Paulo Freire , aos professores

Nenhum tema mais adequado para constituir-se em objeto desta primeira carta a quem ousa ensinar do que a significação crítica desse ato, assim como a significação igualmente crítica de aprender. É que não existe ensinar sem aprender e com isto eu quero dizer mais do que diria se dissesse que o ato de ensinar exige a existência de quem ensina e de quem aprende. Quero dizer que ensinar e aprender se vão dando de tal maneira que quem ensina aprende, de um lado, porque reconhece um conhecimento antes aprendido e, de outro, porque, observado a maneira como a curiosidade do aluno aprendiz trabalha para apreender o ensinando-se, sem o que não o aprende, o ensinante se ajuda a descobrir incertezas, acertos, equívocos.

O aprendizado do ensinante ao ensinar não se dá necessariamente através da retificação que o aprendiz lhe faça de erros cometidos. O aprendizado do ensinante ao ensinar se verifica à medida em que o ensinante, humilde, aberto, se ache permanentemente disponível a repensar o pensado, rever-se em suas posições; em que procura envolver-se com a curiosidade dos alunos e dos diferentes caminhos e veredas, que ela os faz percorrer. Alguns desses caminhos e algumas dessas veredas, que a curiosidade às vezes quase virgem dos alunos percorre, estão grávidas de sugestões, de perguntas que não foram percebidas antes pelo ensinante. Mas agora, ao ensinar, não como um burocrata da mente, mas reconstruindo os caminhos de sua curiosidade razão por que seu corpo consciente, sensível, emocionado, se abre às adivinhações dos alunos, à sua ingenuidade e à sua criatividade o ensinante que assim atua tem, no seu ensinar, um momento rico de seu aprender. O ensinante aprende primeiro a ensinar mas aprende a ensinar ao ensinar algo que é reaprendido por estar sendo ensinado.

O fato, porém, de que ensinar ensina o ensinante a ensinar um certo conteúdo não deve significar, de modo algum, que o ensinante se aventure a ensinar sem competência para fazê-lo. Não o autoriza a ensinar o que não sabe. A responsabilidade ética, política e profissional do ensinante lhe coloca o dever de se preparar, de se capacitar, de se formar antes mesmo de iniciar sua atividade docente. Esta atividade exige que sua preparação, sua capacitação, sua formação se tornem processos permanentes. Sua experiência docente, se bem percebida e bem vivida, vai deixando claro que ela requer uma formação permanente do ensinante. Formação que se funda na análise crítica de sua prática.

Partamos da experiência de aprender, de conhecer, por parte de quem se prepara para a tarefa docente, que envolve necessariamente estudar. Obviamente, minha intenção não é escrever prescrições que devam ser rigorosamente seguidas, o que significaria uma chocante contradição com tudo o que falei até agora. Pelo contrário, o que me interessa aqui, de acordo com o espírito mesmo deste livro, é desafiar seus leitores e leitoras em torno de certos pontos ou aspectos, insistindo em que há sempre algo diferente a fazer na nossa cotidianidade educativa, quer dela participemos como aprendizes, e portanto ensinantes, ou como ensinantes e, por isso, aprendizes também.

Não gostaria, assim, sequer, de dar a impressão de estar deixando absolutamente clara a questão do estudar, do ler, do observar, do reconhecer as relações entre os objetos para conhecê-los. Estarei tentando clarear alguns dos pontos que merecem nossa atenção na compreensão crítica desses processos.

Comecemos por estudar, que envolvendo o ensinar do ensinante, envolve também de um lado, a aprendizagem anterior e concomitante de quem ensina e a aprendizagem do aprendiz que se prepara para ensinar amanhã ou refaz seu saber para melhor ensinar hoje ou, de outro lado, aprendizagem de quem, criança ainda, se acha nos começos de sua escolarização.

Enquanto preparação do sujeito para aprender, estudar é, em primeiro lugar, um que-fazer crítico, criador, recriador, não importa que eu nele me engaje através da leitura de um texto que trata ou discute um certo conteúdo que me foi proposto pela escola ou se o realizo partindo de uma reflexão crítica sobre um certo acontecimentos social ou natural e que, como necessidade da própria reflexão, me conduz à leitura de textos que minha curiosidade e minha experiência intelectual me sugerem ou que me são sugeridos por outros.

Assim, em nível de uma posição crítica, a que não dicotomiza o saber do senso comum do outro saber, mais sistemático, de maior exatidão, mas busca uma síntese dos contrários, o ato de estudar implica sempre o de ler, mesmo que neste não se esgote. De ler o mundo, de ler a palavra e assim ler a leitura do mundo anteriormente feita. Mas ler não é puro entretenimento nem tampouco um exercício de memorização mecânica de certos trechos do texto.

Se, na verdade, estou estudando e estou lendo seriamente, não posso ultra-passar uma página se não consegui com relativa clareza, ganhar sua significação. Minha saída não está em memorizar porções de períodos lendo mecanicamente duas, três, quatro vezes pedaços do texto fechando os olhos e tentando repeti-las como se sua fixação puramente maquinal me desse o conhecimento de que preciso.

Ler é uma operação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante. Ninguém lê ou estuda autenticamente se não assume, diante do texto ou do objeto da curiosidade a forma crítica de ser ou de estar sendo sujeito da curiosidade, sujeito da leitura, sujeito do processo de conhecer em que se acha. Ler é procurar buscar criar a compreensão do lido; daí, entre outros pontos fundamentais, a importância do ensino correto da leitura e da escrita. É que ensinar a ler é engajar-se numa experiência criativa em torno da compreensão. Da compreensão e da comunicação.

E a experiência da compreensão será tão mais profunda quanto sejamos nela capazes de associar, jamais dicotomizar, os conceitos emergentes da experiência escolar aos que resultam do mundo da cotidianidade. Um exercício crítico sempre exigido pela leitura e necessariamente pela escuta é o de como nos darmos facilmente à passagem da experiência sensorial que caracteriza a cotidianidade à generalização que se opera na linguagem escolar e desta ao concreto tangível. Uma das formas de realizarmos este exercício consiste na prática que me venho referindo como “leitura da leitura anterior do mundo”, entendendo-se aqui como “leitura do mundo” a “leitura” que precede a leitura da palavra e que perseguindo igualmente a compreensão do objeto se faz no domínio da cotidianidade. A leitura da palavra, fazendo-se também em busca da compreensão do texto e, portanto, dos objetos nele referidos, nos remete agora à leitura anterior do mundo. O que me parece fundamental deixar claro é que a leitura do mundo que é feita a partir da experiência sensorial não basta. Mas, por outro lado, não pode ser desprezada como inferior pela leitura feita a partir do mundo abstrato dos conceitos que vai da generalização ao tangível.

Certa vez, uma alfabetizanda nordestina discutia, em seu círculo de cultura, uma codificação que representava um homem que, trabalhando o barro, criava com as mãos, um jarro. Discutia-se, através da “leitura” de uma série de codificações que, no fundo, são representações da realidade concreta, o que é cultura. O conceito de cultura já havia sido apreendido pelo grupo através do esforço da compreensão que caracteriza a leitura do mundo e/ou da palavra. Na sua experiência anterior, cuja memória ela guardava no seu corpo, sua compreensão do processo em que o homem, trabalhando o barro, criava o jarro, compreensão gestada sensorialmente, lhe dizia que fazer o jarro era uma forma de trabalho com que, concretamente, se sustentava. Assim como o jarro era apenas o objeto, produto do trabalho que, vendido, viabilizava sua vida e a de sua família.

Agora, ultrapassando a experiência sensorial, indo mais além dela, dava um passo fundamental: alcançava a capacidade de generalizar que caracteriza a “experiência escolar”. Criar o jarro como o trabalho transformador sobre o barro não era apenas a forma de sobreviver, mas também de fazer cultura, de fazer arte. Foi por isso que, relendo sua leitura anterior do mundo e dos que-fazeres no mundo, aquela alfabetizanda nordestina disse segura e orgulhosa: “Faço cultura. Faço isto”.

Outra ocasião presenciei experiência semelhante do ponto de vista da inteligência do comportamento das pessoas. Já me referi a este fato em outro trabalho mas não faz mal que o retome agora. Me achava na Ilha de São Tomé, na África Ocidental, no Golfo da Guiné. Participava com educadores e educadoras nacionais, do primeiro curso de formação para alfabetizadores.
Havia sido escolhido pela equipe nacional um pequeno povoado, Porto Mont, região de pesca, para ser o centro das atividades de formação. Havia sugerido aos nacionais que a formação dos educadores e educadoras se fizesse não seguindo certos métodos tradicionais que separam prática de teoria. Nem tampouco através de nenhuma forma de trabalho essencialmente dicotomizante de teoria e prática e que ou menospreza a teoria, negando-lhe qualquer importância, enfatizando exclusivamente a prática, a única a valer, ou negando a prática fixando-se só na teoria. Pelo contrário, minha intenção era que, desde o começo do curso, vivêssemos a relação contraditória entre prática e teoria, que será objeto de análise de uma de minhas cartas.
Recusava, por isso mesmo, uma forma de trabalho em que fossem reservados os primeiros momentos do curso para exposições ditas teóricas sobre matéria fundamental de formação dos futuros educadores e educadoras. Momento para discursos de algumas pessoas, as consideradas mais capazes para falar aos outros.
Minha convicção era outra. Pensava numa forma de trabalho em que, numa única manhã, se falasse de alguns conceitos-chave codificação, decodificação, por exemplo como se estivéssemos num tempo de apresentações, sem, contudo, nem de longe imaginar que as apresentações de certos conceitos fossem já suficientes para o domínio da compreensão em torno deles. A discussão crítica sobre a prática em que se engajariam é o que o faria.

Assim, a idéia básica, aceita e posta em prática, é que os jovens que se preparariam para a tarefa de educadoras e educadores populares deveriam coordenar a discussão em torno de codificações num círculo de cultura com 25 participantes. Os participantes do círculo de cultura estavam cientes de que se tratava de um trabalho de afirmação de educadores. Discutiu-se com eles antes sua tarefa política de nos ajudar no esforço de formação, sabendo que iam trabalhar com jovens em pleno processo de sua formação. Sabiam que eles, assim como os jovens a serem formados, jamais tinham feito o que iam fazer. A única diferença que os marcava é que os participantes liam apenas o mundo enquanto os jovens a serem formados para a tarefa de educadores liam já a palavra também. Jamais, contudo, haviam discutido uma codificação assim como jamais haviam tido a mais mínima experiência alfabetizando alguém.

Em cada tarde do curso com duas horas de trabalho com os 25 participantes, quatro candidatos assumiam a direção dos debates. Os responsáveis pelo curso assistiam em silêncio, sem interferir, fazendo suas notas. No dia seguinte, no seminário de avaliação de formação, de quatro horas, se discutiam os equívocos, os erros e os acertos dos candidatos, na presença do grupo inteiro, desocultando-se com eles a teoria que se achava na sua prática
Dificilmente se repetiam os erros e os equívocos que haviam sido cometidos e analisados. A teoria emergia molhada da prática vivida.
Foi exatamente numa das tardes de formação que, durante a discussão de uma codificação que retratava Porto Mont, com suas casinhas alinhadas à margem da praia, em frente ao mar, com um pescador que deixava seu barco com um peixe na mão, que dois dos participantes, como se houvessem combinado, se levantaram, andaram até a janela da escola em que estávamos e olhando Porto Mont lá longe, disseram, de frente novamente para a codificação que representava o povoado: “É. Porto Mont é assim e não sabíamos”.

Até então, sua “leitura” do lugarejo, de seu mundo particular, uma “leitura” feita demasiadamente próxima do “texto”, que era o contexto do povoado, não lhes havia permitido ver Porto Mont como ele era. Havia uma certa “opacidade” que cobria e encobria Porto Mont. A experiência que estavam fazendo de “tomar distância” do objeto, no caso, da codificação de Porto Mont, lhes possibilitava uma nova leitura mais fiel ao “texto”, quer dizer, ao contexto de Porto Mont. A “tomada de distância” que a “leitura” da codificação lhes possibilitou os aproximou mais de Porto Mont como “texto” sendo lido. Esta nova leitura refez a leitura anterior, daí que hajam dito: “É. Porto Mont é assim e não sabíamos”. Imersos na realidade de seu pequeno mundo, não eram capazes de vê-la. “Tomando distância” dela, emergiram e, assim, a viram como até então jamais a tinham visto.

Estudar é desocultar, é ganhar a compreensão mais exata do objeto, é perceber suas relações com outros objetos. Implica que o estudioso, sujeito do estudo, se arrisque, se aventure, sem o que não cria nem recria.
Por isso também é que ensinar não pode ser um puro processo, como tanto tenho dito, de transferência de conhecimento do ensinante ao aprendiz. Transferência mecânica de que resulte a memorização maquinal que já critiquei. Ao estudo crítico corresponde um ensino igualmente crítico que demanda necessariamente uma forma crítica de compreender e de realizar a leitura da palavra e a leitura do mundo, leitura do contexto.
A forma crítica de compreender e de realizar a leitura da palavra e a leitura do mundo está, de um lado, na não negação da linguagem simples, “desarmada”, ingênua, na sua não desvalorização por constituir-se de conceitos criados na cotidianidade, no mundo da experiência sensorial; de outro, na recusa ao que se chama de “linguagem difícil”, impossível, porque desenvolvendo-se em torno de conceitos abstratos. Pelo contrário, a forma crítica de compreender e de realizar a leitura do texto e a do contexto não exclui nenhuma da duas formas de linguagem ou de sintaxe. Reconhece, todavia, que o escritor que usa a linguagem científica, acadêmica, ao dever procurar tornar-se acessível, menos fechado, mais claro, menos difícil, mais simples, não pode ser simplista.
Ninguém que lê, que estuda, tem o direito de abandonar a leitura de um texto como difícil porque não entendeu o que significa, por exemplo, a palavra epistemologia.

Assim como um pedreiro não pode prescindir de um conjunto de instrumentos de trabalho, sem os quais não levanta as paredes da casa que está sendo construída, assim também o leitor estudioso precisa de instrumentos fundamentais, sem os quais não pode ler ou escrever com eficácia. Dicionários entre eles o etimológico, o de regimes de verbos, o de regimes de substantivos e adjetivos, o filosófico, o de sinônimos e de antônimos, enciclopédias. A leitura comparativa de texto, de outro autor que trate o mesmo tema cuja linguagem seja menos complexa.Usar esses instrumentos de trabalho não é, como às vezes se pensa, uma perda de tempo. O tempo que eu uso quando leio ou escrevo ou escrevo e leio, na consulta de dicionários e enciclopédias, na leitura de capítulos, ou trechos de livros que podem me ajudar na análise mais crítica de um tema — é tempo fundamental de meu trabalho, de meu ofício gostoso de ler ou de escrever.
Enquanto leitores, não temos o direito de esperar, muito menos de exigir, que os escritores façam sua tarefa, a de escrever, e quase a nossa, a de compreender o escrito, explicando a cada passo, no texto ou numa nota ao pé da página, o que quiseram dizer com isto ou aquilo. Seu dever, como escritores, é escrever simples, escrever leve, é facilitar e não dificultar a compreensão do leitor, mas não dar a ele as coisas feitas e prontas.
A compreensão do que se está lendo, estudando, não estala assim, de repente, como se fosse um milagre. A compreensão é trabalhada, é forjada, por quem lê, por quem estuda que, sendo sujeito dela, se deve instrumentar para melhor fazê-la. Por isso mesmo, ler, estudar, é um trabalho paciente, desafiador, persistente.
Não é tarefa para gente demasiado apressada ou pouco humilde que, em lugar de assumir suas deficiências, as transfere para o autor ou autora do livro, considerado como impossível de ser estudado.

É preciso deixar claro, também, que há uma relação necessária entre o nível do conteúdo do livro e o nível da atual formação do leitor. Estes níveis envolvem a experiência intelectual do autor e do leitor. A compreensão do que se lê tem que ver com essa relação. Quando a distância entre aqueles níveis é demasiado grande, quanto um não tem nada que ver com o outro, todo esforço em busca da compreensão é inútil. Não está havendo, neste caso, uma consonância entre o indispensável tratamento dos temas pelo autor do livro e a capacidade de apreensão por parte do leitor da linguagem necessária àquele tratamento. Por isso mesmo é que estudar é uma preparação para conhecer, é um exercício paciente e impaciente de quem, não pretendendo tudo de uma vez, luta para fazer a vez de conhecer.
A questão do uso necessário de instrumentos indispensáveis à nossa leitura e ao nosso trabalho de escrever levanta o problema do poder aquisitivo do estudante e das professoras e professores em face dos custos elevados para obter dicionários básicos da língua, dicionários filosóficos etc. Poder consultar todo esse material é um direito que têm alunos e professores a que corresponde o dever das escolas de fazer-lhes possível a consulta, equipando ou criando suas bibliotecas, com horários realistas de estudo. Reivindicar esse material é um direito e um dever de professores e estudantes.Gostaria de voltar a algo a que fiz referência anteriormente: a relação entre ler e escrever, entendidos como processos que não se podem separar. Como processos que se devem organizar de tal modo que ler e escrever sejam percebidos como necessários para algo, como sendo alguma coisa de que a criança, como salientou Vygotsky , necessita e nós também.

Em primeiro lugar, a oralidade precede a grafia mas a traz em si desde o primeiro momento em que os seres humanos se tornaram socialmente capazes de ir exprimindo-se através de símbolos que diziam algo de seus sonhos, de seus medos, de sua experiência social, de suas esperanças, de suas práticas.

Quando aprendemos a ler, o fazemos sobre a escrita de alguém que antes aprendeu a ler e a escrever. Ao aprender a ler, nos preparamos para imediatamente escrever a fala que socialmente construímos.
Nas culturas letradas, sem ler e sem escrever, não se pode estudar, buscar conhecer, apreender a substantividade do objeto, reconhecer criticamente a razão de ser do objeto.

Um dos equívocos que cometemos está em dicotomizar ler de escrever, desde o começo da experiência em que as crianças ensaiam seus primeiros passos na prática da leitura e da escrita, tomando esses processos como algo desligado do processo geral de conhecer. Essa dicotomia entre ler e escrever nos acompanha sempre, como estudantes e professores. “Tenho uma dificuldade enorme de fazer minha dissertação. Não sei escrever”, é a afirmação comum que se ouve nos cursos de pós-graduação de que tenho participado. No fundo, isso lamentavelmente revela o quanto nos achamos longe de uma compreensão crítica do que é estudar e do que é ensinar.
É preciso que nosso corpo, que socialmente vai se tornando atuante, consciente, falante, leitor e “escritor” se aproprie criticamente de sua forma de vir sendo que faz parte de sua natureza, histórica e socialmente constituindo-se. Quer dizer, é necessário que não apenas nos demos conta de como estamos sendo mas nos assumamos plenamente com estes “seres programados, mas para aprender”, de que nos fala François Jacob . É necessário, então, que aprendamos a aprender, vale dizer, que entre outras coisas, demos à linguagem oral e escrita, a seu uso, a importância que lhe vem sendo cientificamente reconhecida.

Aos que estudamos, aos que ensinamos e, por isso, estudamos também, se nos impõe, ao lado da necessária leitura de textos, a redação de notas, de fichas de leitura, a redação de pequenos textos sobre as leituras que fazemos. A leitura de bons escritores, de bons romancistas, de bons poetas, dos cientistas, dos filósofos que não temem trabalhar sua linguagem a procura da boniteza, da simplicidade e da clareza.
Se nossas escolas, desde a mais tenra idade de seus alunos se entregassem ao trabalho de estimular neles o gosto da leitura e o da escrita, gosto que continuasse a ser estimulado durante todo o tempo de sua escolaridade, haveria possivelmente um número bastante menor de pós-graduandos falando de sua insegurança ou de sua incapacidade de escrever.

Se estudar, para nós, não fosse quase sempre um fardo, se ler não fosse uma obrigação amarga a cumprir, se, pelo contrário, estudar e ler fossem fontes de alegria e de prazer, de que resulta também o indispensável conhecimento com que nos movemos melhor no mundo, teríamos índices melhor reveladores da qualidade de nossa educação.
Este é um esforço que deve começar na pré-escola, intensificar-se no período da alfabetização e continuar sem jamais parar.

A leitura de Piaget, de Vygotsky, de Emilia Ferreiro, de Madalena F. Weffort, entre outros, assim como a leitura de especialistas que tratam não propriamente da alfabetização mas do processo de leitura como Marisa Lajolo e Ezequiel T. da Silva é de indiscutível importância.
Pensando na relação de intimidade entre pensar, ler e escrever e na necessidade que temos de viver intensamente essa relação, sugeriria a quem pretenda rigorosamente experimentá-la que, pelo menos, três vezes por semana, se entregasse à tarefa de escrever algo. Uma nota sobre uma leitura, um comentário em torno de um acontecimento de que tomou conhecimento pela imprensa, pela televisão, não importa. Uma carta para destinatário inexistente. É interessante datar os pequenos textos e guardá-los e dois ou três meses depois submetê-los a uma avaliação crítica.

Ninguém escreve se não escrever, assim como ninguém nada se não nadar.
Ao deixar claro que o uso da linguagem escrita, portanto o da leitura, está em relação com o desenvolvimento das condições materiais da sociedade, estou sublimando que minha posição não é idealista.
Recusando qualquer interpretação mecanicista da História, recuso igualmente a idealista. A primeira reduz a consciência à pura cópia das estruturas materiais da sociedade; a segunda submete tudo ao todo poderosismo da consciência. Minha posição é outra. Entendo que estas relações entre consciência e mundo são dialéticas.
O que não é correto, porém, é esperar que as transformações materiais se processem para que depois comecemos a encarar corretamente o problema da leitura e da escrita.

A leitura crítica dos textos e do mundo tem que ver com a sua mudança em processo.

……………..

Esta carta foi retirada do livro ” Professora sim, tia não. Cartas a quem ousa ensinar” (Editora Olho D’Água, 10ª ed., p. 27-38) no qual Paulo Freire dialoga sobre questões da construção de uma escola democrática e popular. Escreve especialmente aos professores, convocando-os ao engajamento nesta mesma luta.

“Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo,
torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente,
ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se
a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela
tampouco a sociedade muda.”

Matéria publicada originalmente em 8 de fevereiro de 2010. Conheça a Biblioteca Digital Paulo Freire , no link  http://www.paulofreire.ufpb.br/paulofreire/principal.jsp

Umbandaime, a nova religião brasileira na selva de concreto

Umbanda + Santo Daime : E agora, José ?

Uma leitora deste  site comentou : ” Cada um sabe onde aperta o seu calo, o encontro com o divino pode estar em qualquer lugar! Por que não o sincretismo de várias facetas espirituais para acalmar a alma de quem busca paz?!”

O jornalista Nelson Townes em matéria especial para a Revista Momento a considerou a mais brasileira das religiões.

O jornalista acriano Altino Machado denuncia que, em referência ao recente caso de assassinato do cartunista e mestre daimista Glauco,   a mídia deturpa e agride a história da única religião genuinamente brasileira. Veja o link : http://tinyurl.com/ydel5yk

Umbandaime é uma mistura de catolicismo com espiritismo, ritos africanos e misticismo dos povos da floresta Amazônica, uma fusão da Umbanda dos antigos escravos negros com o Santo Daime, dos seringueiros do Acre.  Nasceu na cidade de São Paulo, onde multidões de desesperançados parecem estar encontrando respostas do sobrenatural no sincretismo religioso afro-cristão-amazônico.  A nova religião está atraindo multidões de devotos para o seu templo na rua Brazópolis, 200, bairro Saúde, na Capital paulista – o Templo Sagrado Jesus de Nazaré São João Batista, próximo à estação São Judas do metrô.
A fundadora e líder espiritual da Umbandaime, é Dona Maria Natalina, que tem o título eclesiástico de Madrinha, e descende de uma estirpe de umbandistas, sendo ela própria Mãe de Santo há mais de 20 anos. Ela é filha de Pai de Santo, neta de Mãe de Santo.
Ela disse ter recebido no início de 2010 um recado da Protetora das Florestas e Rainha do Mar N.S. da Conceição,Yemanjá, quando fazia uma Miração do Santo Daime, avisando que o Dia do Juízo Final está chegando “mesmo.”
O Recado que a Madrinha da Umbandaime diz ter recebido de Iemanjá diz, em resumo que “Um Grande Estrondo se Ouvirá e será percebido por todos os seres vivos: humanos e animais irracionais”

A Umbanda é uma religião formada dentro da cultura religiosa brasileira que sincretiza elementos de outras religiões como o catolicismo, o espiritismo e as religiões afro-brasileiras.

O Santo Daime é uma cerimônia religiosa cristã que se caracteriza pela bebida de uma espécie de chá sacramental Ayahuasca, produzido a partir da decocção do cipó jagube ou mariri ( Banisteriopsis caapi )com as folhas do arbusto chacrona (Psychotria viridis).
A fundadora da Umbandaime é respeitada por uma congregação de pessoas de todas as classes sociais como dona de “grande sabedoria e conhecimento” e sensibilidade mediúnica.
Madrinha conheceu o Santo Daime há dez anos, no Acre, informa o site da Umbandaime (www.umbandaime.com), “quando reconheceu prontamente seu poder e sua origem divina, vindo a se fardar (ingressar ritualmente) no Céu de Maria (um templo do Santo Daime no Acre.)”
Seu principal mentor espiritual no Santo Daime foi o padrinho (título dado aos homens que se tornam líderes espirituais) Sebastião Mota de Melo, nascido no Seringal Monte Lígia em 1920, discípulo do Mestre Irineu (Raimundo Irineu Serra), fundador da confraria do Santo Daime.
O padrinho Sebastião,que faleceu em 1990, era um apóstolo do Santo Daime pois, que “recebeu do Mestre Irineu o dom de expandir o Culto do Santo Daime por todo o país e além de suas fronteiras” – diz o site da nova seita, até codifica a liturgia geral da nova seita e faz seus primeiros registros históricos.
Sebastião, o mentor da Madrinha da Umbandaime, é descrito como um místico que “desde cedo demonstrou propensão para fazer viagens astrais e ter visões dos seres encantados da floresta e foi no início de sua carreira religiosa, curador e rezador nos ermos do Vale do Juruá.”
Em 1974 mandou registrar sua entidade religiosa e filantrópica, denominada Cefluris –Centro Eclético da Fluente Luz Universal, do Acre, que existe até hoje.
Como a Umbandaime tem influência do Espiritismo, a “presença espiritual” de Sebastião Mota de Melo é citada  durante as cerimônias que a Madrinha preside. Sebastião é lembrado como um espírita “fervoroso” que introduzia no culto do Santo Daime a doutrina espírita de Allan Kardek.

A Madrinha da Umbandaime trabalha no que ela define como “linha espiritual da Umbanda com a consagração do Santo Daime, destinado a limpeza, desobsessão, cura física e espiritual.”
Todos os sábados a partir das 16 horas, a Madrinha atende “gratuitamente” no templo paulistano da rua Brazópolis pessoas interessadas “em limpeza e desobsessão” na linha da Umbanda.
No templo se informa que além do trabalho de desobsessão, (“muito necessário nos dias de hoje”), a Madrinha da Umbandaime joga búzios, cartas, “ministra passes”, e “realiza desenvovimento mediúnico” – além dos trabalhos do Santo Daime.
Sua doutrina se baseia no princípio cristão do amor ao próximo: “Para Deus nos atender, devemos rezar e pedir para todos os nossos irmãos, e não apenas para nós”
Ela diz que na Umbandaime “não há preconceitos e julgamento, pois, dentro da luz, esta tudo dentro do poder, pode ser branco, negro, índio”.
Acrescentando que “para Deus são todos seus filhos”, destaca que “o importante é sempre ter respeito, humildade e dedicação para estar sempre ao lado dos bons espíritos, recebendo suas orientações para seguirmos em nossa vida no caminho certo, cumprir nossa missão e aprender neste mundo a viver no próximo.”
A liturgia de uma missa católica, de uma sessão de Umbanda e de uma sessão do Santo Daime se misturam nas celebrações da Umbandaime. Assim como o sacerdote católico consagra o vinho erguendo a taça, assim a Madrinha ergue uma taça com o chá sacramental do Daime diante da congregação.
O sincretismo se completa com a adoção do hinário Ponto de Gira e o uso da farda do Daime, a roupa branca. Deus é constantemente invocado em meio a cantos, pregações e orações, mas – e aqui entra a influência das sessões espíritas que consideram o que caracterizam algumas seitas cristãs.
Uma das recomendações é exatamente a de que “durante o trabalho do Santo Daime se mantenha muita seriedade e concentração”, “é necessário que todos zelem pelo silêncio e pela harmonia do ambiente”.
A Umbandaime não pede dízimo mas, como a maioria, ou a totalidade das igrejas cristãs, pede também (mas, sem barulho) “uma contribuição mínima, para a manutençao e reforma do espaço e para o custeio da distribuição do Daime.”
As recomendações que a Umbandaime faz aos participantes são semelhantes as do Santo Daime, a começar pela exigência de pontualidade para o início do trabalho.
“Para aqueles que irão tomar o Daime pela primeira vez é imprescindível que cheguem com pelo menos uma hora de antecedência.
São três as recomendações básicas para quem quer participar de um trabalho do Santo Daime: 1 – Conduta ética coerente com o que a Doutrina prescreve em seus hinos. 2 – “Busca de uma reconciliação interna e com os irmãos, comos quais haja um desentendido”. 3 – Abstinência sexual 3 dias antes e depois de cada trabalho
Outras recomendações são: Não consumir bebidas alcólicas. Não ir para o trabalho com roupas vermelhas ou pretas; as mulheres devem usar saia longa, e os homens calça comprida.
É proibido fumar cigarros durante o trabalho. Lanches, bolachas, chocolates, etc, devem ser deixados para depois.

Em Porto Velho se sabe da existência da prática da umbanda desde 1917, quando Dona Chiquinha, Dona Esperança , Irineu dos Santos e Florêncio Paula Rosa teriam fundado a primeira tenda de Umbanda, no bairro que hoje se chama Mocambo.

Hoje existem vários templos de Umbanda e centros de consumo ritual da Ayahuasca,a bebida sacramental produzida a partir da decocção do cipó douradinho, jagube, mariri  ( Banisteriopsis caapi )com as folhas do arbusto chacrona (Psychotria viridis) , é utilizada em Porto Velho/RO por diversas entidades como a UDV – União do Vegetal , o CECLU – Centro Eclético de Correntes da Luz Universal – Santo Daime fundado nos anos 60, a Tribu´s Di Judha, o Elixir do Novo Milênio e outras linhas independentes.

No Acre seguem o ritual da ayahuasca o Alto Santo, criado pelo mestre Raimundo Irineu Serra , o Cefluris, a Rainha do Mar e a Barquinha e outras dissidências e convergências.

Em 2008 foi entregue ao então Ministro da Cultura Gilberto Gil o pedido de registro do uso da ayahuasca como patrimônio imaterial brasileiro. Se atribue ao seu uso ritualístico a inspiração para canções como “Se eu quiser falar com Deus”.

Veja o link : http://tinyurl.com/yl7f2b2

Não é de hoje que o uso do daime vem sendo radicalmente condenado por grupos que desejam sua inclusão como uma droga comum. No blog cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br , do grupo editorial Folha de São Paulo publicado no dia 21 de março o assunto novamente vem à tona. Veja o blog : http://tinyurl.com/yjjfh6e

Em 29 de janeiro de 2010 foi divulgada a oficialização e a regulamentação  do Governo Brasileiro, após aprovação do CONAD para o uso ritualístico da ayahuasca.

A resolução, publicada no Diário Oficial da União  veta o comércio e propagandas do composto, que só poderá ser cultivado e transportado para fins religiosos e não lucrativos.

A norma coíbe o uso do chá com outras drogas e em eventos turísticos e  recomenda que as entidades façam uma entrevista com aqueles que forem ingerir o chá pela primeira vez e evitem seu uso por pessoas com transtornos mentais e por usuários de outras drogas.

Em 1985, a bebida chegou a ser proibida no País, mas liberada dois anos depois, quando estudos demonstraram a importância de seu uso religioso.

No início dos anos 90 houve nova tentativa de proibir o chá, também refutada. Em 2002, mais uma vez houve denúncias de mau uso do chá, o que gerou os estudos mais recentes.

Durante a primeira gestão do Governo Lula, as religiões ayahuasqueiras do Santo Daime, Barquinha e União do Vegetal (UDV) do Acre entregaram, através da Madrinha Peregrina Gomes Serra, dignitária do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal – Alto Santo, centro daimista fundado por Irineu Raimundo Serra em Rio Branco /AC  um pedido ao então Ministro da Cultura, Gilberto Gil para que o Santo Daime fosse registrado como Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira, o  que está sendo analisado pelo IPHAN.

O governo peruano também recentemente publicou no Diário Oficial do País, o El Peruano , através do Presidente do Instituto Nacional de Cultura, Javier Ugaz Villacorta o reconhecimento do ritual da ayahuasca como patrimônio cultural do Peru.

Agora, é esperar prá ver o posicionamento das entidades ayahuasqueiras e umbandistas sobre o assunto e principalmente se prospera na proximidade da floresta o sincretismo que a selva de concreto permitiu em São Paulo.

Sincretismo religioso na floresta e na metrópole.

Atualizado com informações do blog betobertagna.com, Revista Momento, noticiaRo.com e site umbandaime.com.br

Ao norte – 5

Desfile de 7 de setembro, em Vila de Rondônia

Ainda distrito de Porto Velho, Vila de Rondônia não tinha nenhuma rua pavimentada. Mas o desfile, para ficar mais charmoso, era feito em cima da ponte sobre o rio Machado.

Missa na Candelária

Missa no Cemitério da Candelária celebrou o Dia dedicado à Santa

Uma cerimônia simples mas cheia de significado celebrou nesta quarta-feira (03) uma homenagem à Nossa Senhora da Candelária, que dá nome ao histórico cemitério onde estão enterrados milhares de trabalhadores da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, capital de Rondônia, no noroeste do Brasil.

Participaram algumas pessoas da comunidades, historiadores, estudantes  e antigos ferroviários, que agora estão colaborando na conservação daquele bem tombado pelo patrimônio histórico.

Luiz Nobre, um dos participantes disse que ” era um instante de profunda reflexão sobre a esperança e a fé em Cristo, bem como relembrar os pioneiros que ajudaram a construir nossa cidade “.

A devoção sobre Nª Sª da Candelária, ou Nª Sª das Luzes tem duas origens. Uma baseia-se numa lenda das Ilhas Canárias, na Espanha e outra vem da devoção popular.

Conta-se que por volta de 1440 , dois pastores guardavam seus animais perto de uma caverna na ilha de Tenerife, nas Canárias, e observaram, certo dia, que o gado se recusava a entrar na caverna, apesar de seus esforços. Os pastores entraram então na gruta e descobriram a imagem de uma Senhora com o filho no colo.
Estranhando o ocorrido, foram relatar ao povo. Acudindo a população, inclusive o rei do país, ao local, observaram maravilhados a existência de numerosas velas sustentadas por seres invisíveis que, com seus cânticos, ensinavam a maneira de render culto a Deus e a Virgem Maria.
Começaram os nativos a honrar aquela que amavam sem conhecer, até que um cristão espanhol, casualmente, ali desembarcou nos fins do século XV e explicou-lhes o mistério.
Pouco depois, foram as ilhas conquistadas pelos castelhanos e, quando os Padres Jesuítas chegaram, não tiveram trabalho em converter aquele povo já tão devoto de Maria, a quem deram o título de Candelária, por causa das candeias que iluminavam a imagem.
No inicio do século XVII, Antônio Martins Palma, natural da Ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, e sua mulher, navegando em direção às Índias Espanholas (América latina), foram surpreendidos por terrível tempestade que pôs em perigo o navio do qual ele era capitão, e a vida de todos os passageiros. Recorreram então, a Nossa Senhora da Candelária, venerada em sua pátria, e prometeram perpetuar a memória de sua proteção edificando-lhe um templo na primeira terra onde aportassem sãos e salvos. Esta terra foi o Rio de Janeiro, e os quase náufragos, ao desembarcarem, deram graças a Deus e à Virgem Maria.

Devoção Popular

Teve origem nos primórdios da era cristã para comemorar a purificação de Maria. Era preceito da lei mosaica que todo filho varão fosse apresentado no Templo, quarenta dias após seu nascimento. A mãe considerada impura após o parto, deveria ser purificada por uma cerimônia especial. Maria Santíssima, desejando submeter-se a esta determinação, apresentou-se com o Menino Jesus no Templo.
Esta festividade, nos primórdios do cristianismo, era denominada “das Candeias”, porque comemorava-se o trajeto de Maria até o Templo, com uma procissão, na qual os acompanhantes levavam velas acesas na mão.
A procissão dos luzeiros é proveniente de antigo costume dos romanos, pelo qual o povo recordava a angústia da deusa Ceres, quando sua filha Prosérpina foi raptada por Plutão, deus dos infernos, para tomá-la como companheira no império dos mortos. Esta tradição estava tão arraigada que continuou mesmo entre os convertidos ao cristianismo. Os primeiros Padres da Igreja tentaram eliminá-la, mas não conseguiram.
Como aquela festa caía sempre no dia 2 de fevereiro, data em que os cristãos comemoravam a Purificação de Maria, o Papa Gelásio (492 – 496), resolveu instituir um solene cortejo noturno, em homenagem à Mãe Santíssima, convidando o povo a comparecer com círios e velas acesas e cantar hinos em louvor de Nossa Senhora. Esta celebração propagou-se por toda a Igreja Romana e, em 542, Justiniano I instituiu-a no Império do Oriente, após ter cessado uma peste que grassava na região.

Com informações do livro ” 112 Invocações da Virgem Maria no Brasil”,  de  Nilza Botelho Megale – 1986

Um gato na janela

Janela de um casarão remanescente da época áurea da borracha em Fortaleza do Abunã/RO e um gato.

Vejo a notícia, feliz, que finalmente será reeditado em português brasileiro o livro “O Mestre e Margarida”, de Mikhail Bulgakov.

Escrito às escondidas visto que tinha Stalin bafejando na sua nuca(e isto não é pouco comparado a nossos aprendizes de tiranos-tupiniquins-regionalistas e seus miquinhos amestrados ) o livro ficou censurado por muitas décadas. Diz a lenda, que a obra só se salvou porque a KGB tinha uma cópia, visto que Bulgakov, num acesso de loucura teria queimado os originais.

É o verdadeiro Fausto, travestido de Margarida, reeditando uma vida prá sempre, enquanto Moscou vira de pernas para o ar , ardendo em chamas com este diabo luxuriante, engraçado, gozador, fascinante  e poeta.

Teria tudo a ver com esta paranóica Porto Velho delirante dos dias de hoje, em que mais um ciclo econômico e social vem varrendo tudo feito um furacão?

” tudo prosegue normal até onde eu sei,
enquanto isso sera melhor cerveja que vem
leva essa traz mais uma põe na conta!
tô sem dinheiro tá valendo eu tô a pampa! ” Xis

Por que o gato ?  Leiam o livro e decifrarão…

Não fale mau di mim por que poço te encontrá na próssima iskina.