Arquivo da tag: Porto Velho

Tribo Arco-íris

Por Rúbia Luz, texto e fotos

“Em algum lugar, pra relaxar
Eu vou pedir pros anjos cantarem por mim
Pra quem tem fé
A vida nunca tem fim
Não tem fim
É”

Meu amado vive agora uma vida eterna e, pensando em retomar nossos caminhos, eu decidi dar continuidade aos nossos sonhos. Não sei ao certo como o farei nem quando. Vou precisar fazer ajustes e tudo é ainda indefinido. O fato é que retomarei o blog e as caminhadas, como uma maneira de homenageá-lo e de manter sua alegria comigo e em mim! Enquanto espero com temperança, resolvi passear nos lugares onde gostávamos de ir e de concluir a mostra de lugares que, por alguma razão nós não conseguimos.

Falar sobre a Tribo Arco-íris aconteceu por meio de uma daquelas coincidências da vida que me fez despertar. Ocorre que meu primogênito, Calil, resolveu dar-se um  tempo sabático  e aportou pelas paragens do lago Cujubim, naquela comunidade alternativa. Nós já havíamos falado dela e mostrado um pouco em  “Furo do Candeias e Lago Cujubim”, mas com quase nada de informações. Com a ida de meu filho para lá, eu pude passar mais tempo com eles e pedir permissão para revelar um pouco mais do lugar e desse modo de vida.

O Lugar

Paisagem da janela lateral, do quarto de dormir…

Geograficamente,  a Tribo Arco-íris  fica na direção leste do Município de Porto Velho- RO, área rural, pela Estrada da Penal, próxima a localidade do baixo-madeira conhecida como Cujubim-grande, mais precisamente em frente ao lago Cujubim. O lago é  protegido pelos moradores  do entorno contra a pesca predatória e a favor da preservação da floresta.  Há poucas informações disponíveis sobre a Tribo Arco-íris nos veículos de pesquisa.  Apesar disso, trata-se de uma comunidade muito conhecida entre os viajantes e mochileiros de vários países.

Sua existência e informações são passadas no “boca-a-boca” e, via de regra, os viajantes descobrem a localização por meio de um outro que já esteve ou se encontra por lá. A distância é significativa  e não há placa indicativa. Ainda assim, pessoas do mundo inteiro passam por lá e por lá ficam o tempo que desejam, numa comunhão e conexão que transpõem as barreiras da língua, das culturas distintas e  da diversidade humana. É um lugar com poucos recursos materiais e abundante em recursos humanos e afetividade.

Quem são?

Os fundadores do lugar são uma família voltada para a espiritualidade,  que acredita e vivencia um modo de vida alternativo. Em relação a questão religiosa, são adeptos da doutrina do Santo Daime, com base cristã e crentes no reencarnacionismo, tendo como ritual o uso do chá de  mesmo nome. No que se refere ao modo de vida, defendem uma vida simples, com muita liberdade, respeito e partilha, sem preocupações com o consumo.

Pai Jackson

Valéria

Capitão América e… a liga da justiça?

Cláudia

Deste modo, aceitam a presença de pessoas  que ali desejam estar pelo tempo que pretendam ficar, bastando para isso que contribuam com a limpeza e organização do lugar, bem como com a compra de alimentos que são todos repartidos. Em geral, as pessoas se cotizam, compram os alimentos e lá preparam e partilham. Aliás, como ainda não são autossustentáveis (ainda – eles frisam), este é um quesito de suma importância  para o bem estar de todos; É de todo desejável a participação na compra de alimentos.

Calil com mantimentos. Colaboração e partilha!

Gael, a maior beleza do sitio, segundo sua mãe!

A cozinha é um  espaço comum, de uso livre, bem como os outros espaços como lavanderia e banheiros também. Tudo é muito simples e rústico… Sendo privativas as barracas e as casas que eles mesmos constroem. Há energia elétrica, porém, não há internet nem televisores. Há um telefone, que poucas vezes é usado e há um lago em que todos se banham. Por vezes, ocorre de estarem coabitando cerca de cinquenta pessoas no local. Por vezes, bem menos… No entanto, a “superpopulação” é um problema devido a capacidade de suporte do local.

Onde todo mundo come, todo mundo lava os pratos.

Hora do almoço; Convidados ilustres!

Reencontro especial: Pai e filha não se viam a mais de ano….

Sereia

Totens

Outra  preocupação com a população tem a ver com os equívocos que alguns cometem ao se dirigirem para lá. Há equívocos de toda natureza; Gente que pensa ser uma comunidade LGBT, por conta do nome Arco-íris. Gente que pensa ser uma comunidade onde o uso de drogas é liberado ou, ainda, que, por haver liberdade haja também permissividade. Por isso,  é importante ressaltar: É permanentemente proibido o consumo de álcool no local, o uso de drogas sintéticas e o consumo de carne vermelha. Em ocasiões que antecedem os rituais do chá, há também uma dieta sexual a ser seguida para os participantes da fé ali professada.

Barracão de preparação do Chá.

Estar ali, voltado para a espiritualidade não é obrigatório. Obrigatório, lá, é o respeito ao outro, a natureza e a vida! Ninguém precisa concordar com tudo mas o amor e a harmonia são cuidadosamente mantidos, como uma frequência em que todos  devem estar  sintonizados. Aqueles que, por alguma razão, não estão na mesma frequência, procuram por si outros caminhos. Assim me foi esclarecido.

“Se você não aceita o conselho, te respeito

Resolveu seguir, ir atrás, cara e coragem

Só que você sai em desvantagem se você não tem fé

Se você não tem fé”

O nome

Quando disseram a mim  sobre o equívoco causado pelo nome do lugar eu os questionei sobre a razão de se chamar “Arco-íris”. Me foi dito que resultou de um conjunto de fatores: O primeiro e  mais importante é religioso. Tem a ver com o “Arco da eterna aliança” de Deus para com os homens. O segundo e não menos importante motivo é que a representação das  cores revela uma aceitação e união de pessoas de todas as nações.

Por fim,  o nome se dá, também, devido a um fenômeno que ocorre com frequência no Lago que é o surgimento de arco-íris, por vezes a presença de três arcos até,  por conta da pluviosidade do lago e da refração da luz. Creio que este fenômeno deva  ocorrer  com mais frequência nos períodos chuvosos, onde a umidade relativa do ar chega a ultrapassar 88%. Enfim, lamentei não ter visto e fotografado essa lindeza!

O funcionamento

O modo como tudo acontece e vai se desenvolvendo, ali, tem relação direta e congruente com a forma de pensar a vida e a existência dos  fundadores do lugar. A primeira vista me pareceu confuso e um tanto inusitado, pois as pessoas vão chegando sem convite prévio, se apresentando e lá permanecessem o tempo que desejarem, com crianças, bichos de estimação como cachorros, gatos e até peixinhos. Alguns levam suas barracas, outros constroem suas casas  e  convivem de uma maneira curiosa.

Acolhida: Sejam bem-vindos!

Ela está erguendo seu lar; Amazona!

Panter, se sentindo selvagem!

Guaraná foi achado na rua, muito doente, e foi adotado.

Clara Luz estava só de visita

As normas, que citei à cima, são repassadas pelo idealizador do lugar Jackson, a quem as pessoas se referem carinhosamente como “pai”. Leva-se em consideração o nível de consciência e de evolução espiritual de cada um. Assim, ao mesmo passo que algumas pessoas chegam  e desenvolvem projetos de melhoria do lugar, constroem hortas e colaboram com ideias de permacultura, outras pessoas não possuem a mesma consciência e são menos colaborativas.

Espinafre, para dar força!

Apesar das dificuldades que existem, eles resistem! Adotaram esse modo de vida há mais de vinte anos e não se arrependem. O meu olhar, mais estranho que o olhar dos estrangeiros que ali se encontram, poderia encontrar pontos frágeis desse modo de viver. Mas, daí eu me questiono: “Para quê?”.  Olho ao meu redor e vejo pessoas sorridentes, crianças brincando livremente, vejo amizade, respeito e penso em como posso colaborar. Pensei  que fazer uma postagem esclarecedora poderia ser bom para os que ali se encontram e para os que desejam lá estar. Espero ser útil!“Te mostro um trecho, uma passagem de um livro antigo

Pra  te mostrar que a vida é linda

Dura, sofrida, carente em qualquer continente

Mas, boa de se viver em qualquer lugar, é”

Consumo x liberdade

Há tempos eu venho desacelerando a vida, adotando um modelo de vida menos consumista e, de certo modo, até minimalista. Há uns quinze anos eu adotei  a ideia de ter pra mim o necessário e o suficiente. Isto porque eu tenho a nítida impressão de que o consumo se mantém sobre o prisma de falsas premissas; Ver como necessário o que não é.  Achar tudo insuficiente, ou seja, é preciso sempre mais. Trabalhar incessantemente para consumir e se ver consumido…

Essa dona Aranha não sobre paredes… Nem a chuva derruba.

No entanto, aquelas pessoas que ali vivem e que por ali tem passado, me revelam um desapego ainda maior e uma liberdade admirável; Os idealizadores da Tribo abriram mão, com alegria, de uma vida considerada confortável na cidade, de empregos invejáveis e decidiram estar conectados à natureza e ao sagrado, longe do consumo e de padrões de comportamento pré-estabelecidos. Demonstram enorme prazer na harmonia e contentamento na partilha. Suas riquezas vem da experiência com outro e do sagrado em cada um.

As pessoas que por ali tem passado tem algo muito semelhante; Converso com vários deles e descubro que se tratam de ex-funcionários públicos concursados ou profissionais liberais; professores, contadores, psicólogos, sociólogos, jornalistas… Eles escolheram viver assim. Não se trata de falta de alternativa, mas de pura volição! Optaram por seus modos de vida não por preguiça de trabalhar, mas por pensarem o trabalho e o consumo de modo diferente do senso comum.

Acreditem: Eles trabalham muito! Aqueles que vivem de artesanato passam horas do seu dia a confeccionar seus produtos. Fazem-no com satisfação por longas horas e com a maior destreza possível, procurando realizar um produto com excelência. Mãos habilidosas na confecção de bonitezas. Os que decidiram oferecer entretenimento como mão de obra, treinam incansavelmente para executar sua arte para uma plateia, muitas vezes, angustiada e apressada, contida em carros, parada em seus semáforos. Malabaristas na vida,  treinam com afinco a arte de manter tudo em movimento e em suspensão, tornando o tempo de espera mais leve.

De um lado, vejo a coragem daqueles que enfrentam o julgamento e olhares curiosos por terem decidido viver em uma localidade distante, com poucos recursos, na contra-mão do que é pregado e exaltado em nosso modo de vida secular, e vivendo uma espiritualidade acolhedora. De outro lado, vejo aqueles que tem a coragem de se lançar ao mundo com suas mochilas nas costas, de  abrirem mão de seus confortos,  de suas pátrias maternas e se  tornaram consumidores de vivências, trocadores de experiências.

O aprendizado

Somos todos aprendizes na vida… Creio eu que estamos aqui, neste plano, para aprendermos a amar, posto que amar é o grande mandamento da minha fé. Por isso mesmo é que procuro olhar e ouvir sem julgamentos. Isto nem sempre é fácil. Não é tão simples despir-nos de conceitos pré concebidos quando as nossas crenças são confrontadas por  realidades diferentes.

Não raro, é comum o desejo de afastar aquilo que causa desconforto e evitar o que causa angústia por ser desconhecido. No entanto, agir de forma defensiva ou reativa nos atrofia a alma. Está  escrito: “Examinai tudo. Retende o que é bom.” ( 1 Talonissenses 5;21). Eu examino aquele modo de vida e fico com o que acho bom;  Jovens estrangeiros, em sua maioria, lançaram-se ao mundo e encontram acolhimento e espiritualidade. Pessoas, em busca de si, encontram aceitação e respeito. Ali, o foco da vida é lançado sobre as soluções e não sobre os problemas…

Talvez, este seja o mais interessante aprendizado que tiro do meu pouco convívio com aquelas pessoas e do seu modo de vida: Concentrar meu pensamento em busca de resoluções e não ficar gastando energia a remoer problemas. Essa bela maneira de ver as coisas me foi descrita por Calil, quando em uma conversa solta e tranquila, ele me relatou o que vem aprendendo com aquele jeito de viver. Gostei! Eu tenho pensado assim, mas ver isto em movimento é animador!

Outra coisa boa e curiosa que observei nas horas em que passamos juntos foi que essas horas são lentas… Engraçado como o dia lá parece longo e denso… Talvez porque não hajam distrações como televisões, computadores e celulares, a vida é tranquila como aquele grande lago.  Uma música instrumental fica tocando suavemente, as crianças brincando  pelo imenso quintal, gente namorando, gente conversando, gente rindo, gente por inteiro no aqui e agora, gente sendo gente

Conclusão

“Vossos filhos não são vossos filhos. são filhos e filhas da ânsia por si mesma” Gibran

Contei, no início da postagem, que meu amado filho decidiu aportar por aquelas paragens e isso oportunizou a minha estadia mais prolongada com a Tribo. Antes disso, porém, as pessoas que me conhecem e que tomaram conhecimento dessa escolha – Temporária?- de Calil me questionavam sobre o modo de vida dos meus filhos. Sim, Caio também vive uma vida alternativa, produz artesanatos e também já pegou a estrada…

Conviver com escolhas alternativas de vida é, antes de tudo, uma questão de respeito pelo livre-arbítrio: Foi Deus quem deu… Quem somos nós para desejar impedir, conter ou modificar? Aceitar o outro pelo que escolhe ser – ou estar- é a expressão mais profunda do amor que decidimos conscientemente viver, ao meu ver.  Eu os amo e os admiro por suas coragens e determinações. E, claro, não espero que todos concordem comigo! Amo pessoas que discordam, também. Discordância é cabível, aceitável e desejável, desde que seja respeitosa!

Na tentativa vã e pretensiosa de buscar uma definição para esse modo de vida eu perguntei ao meu filho: “São hippies?” e ele me disse: “Não…”. Insisti: “ São hipster?”. “Não tem rótulo, mãe…”- Ele me respondeu pacientemente. Depois de muito pensar, disse a ele que havia encontrado uma definição que os agradaria: “ São livres!”. Eles concordaram!  Isso me fez lembrar Cervantes: ” A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a vida”

“Volte a brilhar, volte a brilhar

Um vinho, um pão e uma reza

Uma lua e um sol, sua vida, portas abertas”

Anjos (Para quem tem fé) – O Rappa

NR: Sempre tive vontade de escrever sobre a comunidade Arco Íris, mas apesar de conhecer a Tribo, achava que me faltava o embasamento necessário para exprimir tudoque vivi, vi  e senti por lá. Daí me chega às mãos (aos olhos) esse impressionante e avasssalador relato da Rúbia Luz, desmistificando as bobagens de gente que nunca chegou perto mas que adora opinar sem conhecimento, sem mostrar as verdadeiras faces de uma experiência que vai na contra-mão da loucura que se vê no mundo moderno… Pedi licença à Rúbia para reproduzir o texto e suas belas fotos. Resposta dela : “Suas palavras me dão força para continuar escrevendo sobre o que eu acredito.” Resolvi então seguir com a máxima fidelidade o teor do seu post, respeitando inclusive a edição pessoal que Rubia fez do texto, fotos e diagramação.  O seu querido Pasin, onde estiver, com certeza irá gostar…

B. Bertagna

Arquitetura em Porto Velho

Por Giovani Barcelos

A arquitetura de Porto Velho merece uma discussão mais aprofundada, pois mistura estilos americano, inglês, europeu e, claro, local, com suas características vernaculares riquíssimas. Faço aqui uma colocação bem superficial, devendo ser aprofundada com tempo.
A arquitetura de Porto Velho começou o seu caminho com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Construções em madeira, adaptadas ao clima da região, fazem parte das primeiras imagens da cidade, somando-se a construções efêmeras executadas para dar suporte à construção da linha férrea. No meu entender, de alguém que mora aqui há pouco tempo, sem as láureas de muitos que tratam disso, é a principal referência de arquitetura local, somando-se aos ribeirinhos, com suas casas também em madeira totalmente adaptadas ao local.
Depois desse momento, mais local e adaptado à região, temos os estilos tardios que construíram a imagem arquitetônica que a maioria tem da cidade. Chamo de estilos tardios, pois quando chegam aqui no século XX, já não são mais os estilos utilizados nos locais que servem de imagem aos que aqui chegam. Nesse conjunto, destaco os prédios com referências neoclássicas e ecléticas. Ainda fazem parte dos estilos utilizados no Brasil no século XX o neocolonial, ainda guardando as raízes da colonização brasileira e sendo um dos estilos utilizados por Lúcio Costa antes de aderir as linhas modernas. Anterior ao modernismo temos o Art Decó (presentes em prédios na Av. Sete de Setembro) e o Protomodernismo (que observamos no Prédio do Relógio e na Escola Carmela Dutra).
A arquitetura contemporânea em Porto Velho não possui uma linha de elementos que possam caracterizá-la. Existem construções que seguem modismos com fachadas envidraçadas, inclusive voltadas para o oeste, bem como edificações que já estariam prontas, mas o profissional insiste em encher de elementos, enfim, exageros. Gosto da arquitetura residencial produzida aqui, pois mescla soluções que se adequam à região. Os conjuntos habitacionais, assim como em outras cidades, se proliferam, onde a quantidade não é acompanhada pela qualidade.
A fase mais rica que considero da arquitetura Portovelhense refere-se ao período associado a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, mas é uma discussão para outra oportunidade.

(Re)conhecendo a Amazônia Negra : fotografias evidenciam participação dos negros na formação de Rondônia

A exposição “(Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências negras na floresta”, da fotógrafa Marcela Bonfim, já foi vista por milhares de pessoas na galeria Palácio, localizada no Palácio Rio Madeira, em Porto Velho, onde permanece até 31 de agosto, e no Espaço Cultural Cujuba, onde esteve de maio a julho. Para a fotógrafa: “a mostra vem cumprindo seu maior objetivo, que é dar visibilidade à participação dos negros na formação populacional, cultural e religiosa no hoje Estado de Rondônia”. “A exposição faz parte de um projeto sobre a influência dos negros na Amazônia e tem motivado uma reflexão a este respeito entre os visitantes e também nas redes sociais”, comemora a artista.

Confira o site marcelabonfim.com

Monitora da exposição no Cujuba, Vera Johnson relata que os visitantes se mostraram surpresos com o tema da mostra “A maioria das pessoas dizia não ter conhecimento sobre a influência dos negros na formação da população de Rondônia e muito menos que existem quilombos no Estado”.

Ativista da causa negra em Rondônia, Orlando Souza acredita que a exposição “é um dos eventos mais importantes, dentro deste recorte de gênero e de raça, que atualmente ocorre em Rondônia, até porque é uma iniciativa pessoal da artista e, contra todas as barreiras e dificuldades que a gente entende que existe, ela consegue dar visibilidade a um tema que por muitos anos ficou esquecido”. O superintendente estadual de Cultura do Estado, Ilmar Esteves, também elogia a mostra. “É a nossa gente. São as nossas raízes retratadas”, ressalta.

Um dos criadores do Projeto de Criação Cabeça de Negro (movimento de defesa da cidadania do negro iniciado na década de 1980 em Porto Velho), Jesuá Johnson – ou Bubu, como é mais conhecido, considera que a “exposição vem dar continuidade ao trabalho já realizado pelo movimento negro em Rondônia. Marcela faz da fotografia um instrumento de militância. A exposição veio chamar a atenção do poder público para a importância deste segmento populacional na nossa sociedade. É a luta da nova geração.”, afirma ele.
Descendente dos caribenhos, conhecidos por barbadianos, que trabalharam na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, Robinson Holder ressalta que a exposição “Amazônia Negra” chamou a atenção para a participação do negro nas raízes da população de Rondônia, com as imagens das populações dos quilombos do Vale do Guaporé, nos primórdios da história do Estado. “Surpreendente, ela faz um apanhado com imagens e relata a origem negra do nosso Estado, retratando barbadianos, negros do quilombo do Guaporé, e também do norte, com imagens de quilombo do Maranhão”.

A exposição (Re)conhecendo a Amazônia Negra vai permanecer na Galeria Palácio até 31 de agosto e depois será montada nas regionais do Sesc no interior do Estado. O Sesc é patrocinador da mostra e o coordenador de Cultura do órgão, Fabiano Barros, informa que o trabalho também será levado pela curadoria da entidade, com a finalidade de participar do projeto “Sesc Amazônia das Artes”, com itinerância nos estados da região Norte. Para Fabiano, “[a exposição] tem que ser vista por toda a comunidade, porque trata de um assunto muito importante, que é esta questão da presença negra na Amazônia, para a qual a Marcela lançou o seu olhar e extraiu este trabalho tão significativo”.  

A mostra é composta de 33 imagens impressas em madeira, que retratam representantes de diversos segmentos negros que povoam o Estado. Na galeria Palácio, outras 33 imagens foram agregadas em intervenções nos corredores do palácio Rio Madeira. A exposição conta com o apoio do Sesc e deverá permanecer no local até 31 de agosto.
Serviço

Exposição fotográfica “(Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências negras na floresta”. Fotografias inéditas e outras já publicadas de Marcela Bonfim
Período de visitação: Até 31 de agosto de 2016, das 7h30 às 13h
Local: ‘Galeria Palácio’ – Prédio Pacaas Novo do Palácio Rio Madeira, avenida Farqhuar, bairro Pedrinhas, Porto Velho.

via  Amazônia da Gente

Com atraso, Rússia entrega em Porto Velho o simulador do helicóptero de ataque MI-35m

sabreNesta última quarta-feira (23) um avião cargueiro Ilyushen 76 pousou na Base Aérea de Porto Velho, capital de Rondônia, no noroeste do Brasil transportando o simulador de vôo dos helicópteros de ataque MI35-m (chamados pela FAB de AH2-Sabre) , uma das máquinas de guerra mais poderosas e eficientes do mundo na sua categoria e que equipam o Esquadrão Poti, ( 2º/8º GAV ) sediado em Porto Velho.sabre 2

O Esquadrão Poti opera 12 helicópteros MI-35, recebidos a partir de 2009.  Além de comandantes de esquadrilha, que envolve 4 helicópteros, os pilotos sediados em Porto Velho realizaram em 2015 treinamentos para elevar o nível operacional para comandantes de esquadrão, envolvendo de 8 a 16 helicópteros, em ações de ataque, defesa, escolta, supressão da defesa aérea inimiga, varredura e apoio aéreo.

Cada AH-2 conta com um canhão de 23 mm capaz de disparar até três mil tiros em um minuto. Para se ter uma ideia, cada tiro de 23mm causa o mesmo impacto de quase 100 tiros de uma arma calibre 7,62mm, como os fuzis utilizados por tropas no solo.

Os mísseis embarcados são capazes de perfurar até 80 cm de aço de um sítio radar ou uma estrutura de comando e controle, por exemplo.

Com peso de 12 toneladas, os helicópteros têm blindagens em partes essenciais, como no tanque de combustível. A cabine dos pilotos, além de blindada, também é vedada para o caso de contaminação química ou biológica.

SABRE 3

Leia também : Geopolítica – O Esquadrão Poti agora é aqui

sabre 4

fotos : 

A compra, formalizada em outubro de 2008, envolve um pacote formado por 12 helicópteros, mais armamentos e suprimentos para manutenção por cinco anos, ao custo de US$ 363,9 milhões.

Como compensação comercial, os russos investirão metade do valor da compra na instalação de ferramentas, bancadas e treinamentos parta manutenção, que será feita majoritariamente no Brasil, e treinamento de pilotos e mecânicos, além de um simulador de vôo.

O valor da compensação, quando multiplicado por pesos aplicados de acordo com a relevância de cada tecnologia transferida, sobe para mais de 100% do valor da compra, devendo chegar a 160%, segundo parâmetros da FAB.

Seguindo as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, de 2008, outro Esquadrão, o Zagal (5º/1º GCC), responsável por operar um radar de aproximação que atua na vigilância do espaço aéreo brasileiro, está em fase de conclusão da mudança de Fortaleza (CE) para a Base Aérea de Porto Velho (BAPV), em Rondônia. Definitivamente, a região amazônica é prioridade das Forças Armadas.sabre 6

Deu no G1: Sucuri de 5 metros é encontrada em RO

Uma cobra sucuri de aproximadamente cinco metros de comprimento foi encontrada em um igarapé no bairro Nova Esperança, na Zona Norte de Porto Velho, na última terça-feira (19). Trabalhadores faziam a limpeza do canal com retroescavadeiras, ao lado de um campo de futebol, quando encontraram o animal, pesando cerca de 80 quilos. O réptil foi capturado por moradores e depois devolvido à natureza pela Polícia Ambiental.

Veja a matéria completa aqui

Bainha, o homem que comeu cera

ataPor  Altair Santos (Tatá)
Para: Luciana Oliveira, agradecido pela deixa

Já vem de certo tempo a nossa amizade com o compositor, intérprete, carnavalesco e ritmista Waldemir Pinheiro da Silva, o popular e querido Bainha, por quem nutrimos alargada admiração, respeito e carinho. Sem exageros o temos como um dos maiorais, dentre os maiorais do samba local e do nosso carnaval.
Durante esse mal engendrado carnaval de 2015 pudemos privar da companhia honrosa do Bainha em alguns eventos: tocamos e cantamos no Samba Autoral junto ao povo alegre do Asfaltão, madrugamos no Mocambo com o Bloco Até Que Noite Vire Dia, fomos ao Bar do Pernambuco no Concentra Mas Não Sai, brincamos no Calixto & Cia com o amigo Toninho Tavernard e tantos outros e saímos na Banda do Vai Quem Quer. A nossa agenda findou por aí. Já o irrequieto Bainha, por seu turno fez a via sacra completa!
Um dia desses, ao calor da organização do Bloco Pirarucu do Madeira, momentos antes do desfile, houvemos de relatar pra amiga Luciana Oliveira, algumas proezas desse jovem com quase 76 anos nos costados, fazendo ressalte para o que mais chama a atenção nele, a cintilante alegria e a energia em altíssima voltagem que o rapaz carrega consigo, além, é claro, da sua inegável e espraiada competência poético-melódica.
Pois bem, dentre tantas sobre o Bainha, uma passagem sempre se aviva em nossa lembrança, como vejamos: certa vez, quando por aqui ainda rolavam os carnavais fora de época, com os trios e bandas da Bahia fazendo aquelas apresentações grandiosas, lá Avenida Jorge Teixeira, estávamos na beira da calçada, sentados bebericando algo e apreciando o movimento, até que a efervescente apresentação do grupo Chiclete com Banana se aproximasse.
Quando o grande e festivo cortejo chegou onde estávamos nos pusemos olhar tudo. Após passarem os brincantes vestidos com os abadás, eis que na divisa fronteiriça entre a corda e a pipoca, na primeira fila, nossas vistas bateram em cima de um certo baixinho, cambota e serelepe, trajando bermuda branca sandália de couro, camiseta no ombro e uma bandana a lhe cobrir a careca. Na mão como providencial adereço, uma inseparável lata de cerveja. Era o Bainha!
Naquele montueiro de gente ele vinha bem na frente, dando as cartas e ditando o ritmo, parecia Zé Pereira, o Rei da Folia, tirando uma de mestre sala ou comissão de frente daquela numerosa e frenética pipoca. Na segunda volta do trio no circuito, a cena se repete com o incansável Bainha liderando o fuzuê dos foliões pipoqueiros, pulando e sacudindo os braços em movimentos coreograficamente ordenados. Ao seu redor os jovens brincavam e parecia serem abastecidos pelos volts intermináveis da sua bateria.
Mais tarde, por volta de duas da madrugada, lá pros rumos do Bairro Nossa Senhora da Graças, paramos num certo botequim pros goles derradeiros antes de ir pra casa. Numa das mesas, rodeado de amigos bem mais jovens lá estava o energizado, o turbinado e eletrizado Bainha, fagueiramente a prosear.
Cremos que o moço é um ungido a esbanjar essa vitalidade toda, por haver herdado receitas miraculosas de ancestrais mui distantes como antigas e remotas tribos da cordilheira do Himalaia. Se não de tão distante, talvez a sua receita seja daqui mesmo da Amazônia, preparada com os óleos, folhas, raízes e desconhecidas seivas extraídas por velhos Pajés.
Após ouvir atentamente o que discorremos, a Luciana deu um trago no cigarro, soprou a fumaça, lançou um olhar pro espaço e disse, em tom moderado: Parece que ele comeu cera!
tatádeportovelho@gmail.com

Rondoniense pode ir prá Marte. Viagem é só de ida

As inscrições ao programa de colonização Mars One já foram encerradas. E dentre os 100 selecionados do total de 200 mil está uma brasileira: Sandra Maria Feliciano Silva, 51, é professora em Porto Velho, Rondônia, e pretende ir até o “Planeta Vermelho” apenas com a passagem de ida – sim, quem se sujeitar à missão não poderá voltar para casa (saiba mais aqui).

Participam do processo final de seleção pessoas de diversas idades e funções sociais (com 19 anos, por exemplo, estão uma inventora australiana e uma estudante indiana; com 60, está um militar paquistanês). Grande parte dos futuros colonizadores é composta por acadêmicos e cientistas, é verdade. Mas qualquer pessoa capaz de cumprir exigências mínimas impostas pela Mars One teve o direito de participar da primeira etapa do programa de seleção.

“Big Brother” com destino a Marte

Dos 100 candidatos, 24 deles serão selecionados para que equipes de quatro tripulantes possam ser enviadas a Marte. O objetivo é – mesmo! – formam uma colônia sobre o “Planeta Vermelho”. Antes de irem ao espaço, porém, os colonizadores terão de participar de um reality show para provarem suas capacidades de socialização perante o mundo todo; o show será transmitido em rede global, e qualidades como criatividade, curiosidade, resiliência e engenhosidade serão avaliadas pelos cientistas de Mars One.

De acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), os exploradores conseguiriam sobreviver por somente 68 dias caso pousassem sobre solo marciano. A pesquisa, naturalmente, leva em conta a tecnologia atual. O voo para Marte deverá ser realizado em 2022 ou 2023; a viagem até o planeta vai durar sete longos meses.

via Tecmundo

Pirarucu do Madeira: Bloco desfila de graça e sem cordas no domingo, em Porto Velho/RO

O novo estandarte confeccionado pela artista plástica Lu Silva já está pronto para o desfile do bloco mais democrático do carnaval de Porto Velho.

O Pirarucu do Madeira quer manter a tradição de arrastar seus foliões de graça, sem cordas separatistas e com marchinhas e frevos que integram o acervo cultural brasileiro.

Será dia 08, excepcionalmente, domingo, a partir das 16 hs, na Pinheiro Machado com Presidente Dutra.

O bloco fundado em 1993 pelo advogado Ernande Segismundo (na foto) é mantido sem fins lucrativos, prega o carnaval de paz e a exaltação à cultura popular.

Esse ano, elege como homenageado o compositor regional Zezinho Maranhão que emprestou sua voz pra primeira marchinha do bloco.

O artista plástico Pedro Furtado é o responsável pela confecção de adereços de mão que darão um colorido especial ao desfile em meio aos bonecos gigantes.

Os dirigentes convidam os parceiros da imprensa, os representantes dos demais blocos e agremiações carnavalescas e a comunidade em geral a prestigiarem esse movimento festivo que simboliza a resistência da cultura.

via Amazônia da Gente

Livro sobre a 2ª tentativa de construção da EFMM em 1878 está disponível para leitura on-line

Deu no blog da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré EFMM100anos.wordpress.com :

Clique na imagem para ir ao livro on-line

Escrito pelo americano Neville B. Craig, a “Estrada de Ferro Madeira-Mamoré: história trágica de uma expedição”, publicada originalmente em Filadélfia em 1907,  encerra detalhado relato da tentativa de uma empresa dos Estados Unidos de construir, em 1878, uma ferrovia na fronteira Brasil-Bolívia. O projeto envolveu quase mil operários e técnicos norte-americanos, mais de 200 dos quais morreram em consequência da malária e de naufrágios, enfrentou toda ordem de dificuldades na floresta amazônica e foi paralisado por conflitos com o governo boliviano e entre os próprios acionistas. A iniciativa pode ser considerada a pré-história da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, afinal construída entre 1907 e 1912.

LIVRO NA ÍNTEGRA >

http://www.brasiliana.com.br/brasiliana/colecao/obras/137/estrada-de-ferro-madeira-mamore-historia-tragica-de-uma-expedicao

Mais 3 helicópteros de ataque Mi-35 (AH 02 Sabre) vem reforçar o Esquadrão Poti

MI-35Neste fim de semana Porto Velho pode ter uma atração extra : é a chegada de mais 3 helicópteros russos de ataque Mi-35M / Sabre, do Esquadrão Poti, que virão transportados no Antonov An-225 Mriya ou no Antonov An-124 , possivelmente este último devido às características da pista do aeroporto e base aérea de Porto Velho. Qualquer que seja o avião escolhido, o seu pouso é um espetáculo . Se tratam do  1º e do 2º maiores aviões cargueiros do mundo, respectivamente. Vai render muitas selfies e coisas do gênero .  É só ficar esperando na Lauro Sodré.

Antonov An 124 / foto Wikipédia

As aquisições dos MI 35 e mais recentemente de 36 caças Gripen NG , da Suécia fazem parte de um plano de reestruturação da Defesa Brasileira, para assegurar sua soberania.

Na época da chegada dos primeiros “tanques voadores” (apelido do MI 35) um “repórte” sem noção de Porto Velho queria que uma destas máquinas de combate perseguisse um caminhãozinho baú roubado para a Bolívia.

PQP !

Leia também : Geopolítica : O Esquadrão Poti agora é aqui 

Parabéns, Porto Velho !

Clique na imagem para ampliar

Clique na imagem para ampliar

Bolívar Marcelino, poeta já falecido, gentilmente cedeu à época, nos anos 90, sua poesia “Porto Velho Antiga” , com a qual inicio um vídeodocumentário chamado “Porto Velho, Cidade do Sol” . Considero um dos maiores hinos de amor à essa terra, a qual homenageio nesta data, reproduzindo a sua bela poesia…

Porto Velho da minha infância e da minha adolescência, das barrancas do rio, do velho trapiche do Aripuanã… do ponto inicial da Madeira-Mamoré.

– Debruço-me no teu passado e vejo na retina dos meus olhos: A favela, A Rua-da-Palha, A Ladeira do João-barril, o velho coqueiro solitário da Baixa da União E me perco em memórias e recordações…

Porto Velho das reuniões do Bar-Central, da velha ponte Guapindaia, do Parque Municipal, do “buraco” do Aníbal e do Chico do “buraco”; das velhas casas de madeira dos ingleses, Casa Seis, Três, Hotel-Brasil, do Paraíso e do Clube Internacional.

Porto Velho do Igarapé-Grande, de águas brancas, cristalinas, murmurejantes… do Beco do Mijo, da Ponte do Suspiro, da Vila Confusão.

Porto Velho cosmopolita, de espanhóis, portugueses, ingleses, barbadianos, nordestinos, colonizadores.

Porto Velho do Pedro do Rádio, do Macedo telegrafista, do professor Carlos Costa, do Buttioni, do Aluízio, como dizia o Getúlio,

Porto Velho das figuras populares: Zé Quirino e Tainha da política apaixonada: cutuba e pele-curta,

Porto Velho dos diminutivos: Ferreirinha, Oliveirinha, Teixeirinha, Freitinhas…

Porto Velho do “gabarito” da Fifi Lorotoff, do Nuno IV, do João do Vale,

Porto Velho do “footing” da Praça Rondon, de mil lembranças que trago dentro do peito, na minha saudade; berço de minhas filhas, dos meus filhos, de minhas ilusões.

Porto Velho que dia a dia cresce a retorcer-se num canto do meu coração…