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A música do coração que vem do lixo (via Paraguay Teete)

O jornalPúblico de Lisboa, Portugal mostra uma  orquestra paraguaia que está causando sensação na América do Sul, a Orquestra de Instrumentos Reciclados, de Cateura, que reúne jovens músicos de uma favela que se valem das toneladas de detritos jogados em uma lixeira na região onde vivem.

Num aterro sanitário, graças ao ecologista Favio Chávez, nasceu uma orquestra onde latas se transformam em violinos e tubos de plástico em flautas.

Tocados por 25 meninos e meninas, serão expostos, em Abril, no maior museu de instrumentos musicais do mundo – ao lado do piano de John Lennon.

via Paraguay Teete

O “Cristão” vai voltar para casa. Reproduzido a pedido de internauta acreano.

Paraguai quer seu canhão de volta

Por Beto Bertagna

O retorno do canhão “Cristão”, exposto no Museu Histórico Nacional , no RJ e de um virtual arquivo militar, que muitos historiadores dizem que não existe,  foi lembrado pelo vice-presidente do Paraguai, Federico Franco, durante recente solenidade oficial.

Franco disse que a volta do canhão “Cristão” iniciaria a cicatrização da ferida provocada pela guerra ocorrida entre 1865 e 1870.

O ato de Franco aconteceu em Cerro Corá, onde foi morto o Ditador Francisco Solano Lopez pelas tropas brasileiras. O canhão “Cristão”tem este nome porque foi construído com pedaços de sinos de igrejas. O artefato foi capturado em 1868,durante a batalha que tomou a Fortaleza de Humaitá, no rio Paraguai.

Já historiadores brasileiros, lembram que o Paraguai exibe como troféu de guerra uma lancha em Assunção, que poderia ser repatriada para o Brasil. O Brasil enviou para a guerra cerca de 140 mil homens, dos quais uns 50 mil morreram . Os contingentes incluíram, além do Exército, os “voluntários da pátria” -enviados  à força para o combate, entre eles escravos que substituíram filhos da elite. Para qualificar o conflito lembra-se a carta escrita pelo barão de Cotegipe para o barão de Penedo, em maio de 1866. Nela, há um trecho eloquente: “Maldita guerra, atrasa-nos meio século!”.  Lula autorizou a devolução ,que está agora em trâmites administrativos.

Uma coisa é certa . A pendenga não será resolvida durante a Copa, pelo menos enquanto os dois países exibirem chances de chegar à grande final, talvez sul-americana.

NR : Um internauta acreano, que não vou identificar, me mandou um e-mail sugerindo que , nas negociações de troca do artefato com o Paraguai, seja incluída a vinda para o Brasil do fenômeno da Internet e da Copa, Larissa Riquelme. Este pessoal  inventa cada coisa…

O caminhão-baú roubado e o FEBEAPÁ à la Rondônia

Por Beto Bertagna

O Stanislaw Ponte Preta deve estar, no mínimo, revirando os restos dos ossos. A mídia rondoniense deu destaque nesta semana a um roubo envolvendo um caminhão tipo baú , que acabou sendo encontrado atolado, já em território boliviano. É um crime , coitados dos donos do caminhão que devem estar amargando um baita prejuízo se não houver seguro. Mas , o que já é costumeiro, a tal mídia lançou no ventilador , não foi mais atrás, usou matéria produzida por outro veículo de comunicação( uma reportagem da TV Guajará, com imagens do Rildo)  e ninguém , pelo menos por enquanto , teve mais notícia do desfecho do caso. Minha opinião, é que o jeito de reaver o caminhão é  traze-lo  de volta ao Brasil na marra.  Mas, afora o caso policial em si, espanta o festival de besteira que assolou Rondônia e os pobres leitores. Senão vejamos :

Se caiu de pau no fato de que nós vamos comprar quinquilharias na Bolívia, e por isto, sustentamos a economia deles. Putz, meu ! Economia de fronteira sempre houve, vale para os dois lados, e quase sempre quem vai comprar também vai prá fazer um turismozinho extra, beber uma Paceña gelada , sentir novos ares. A invasão de produtos contrabandeados, de má qualidade, pirateados está na nossa cara. Está no camelódromo, está nas ruas e acaba sustentando um monte de famílias com a economia informal. E junto, o crime. Vai escrever besteira assim no….

Um outro, evoca o uso dos helicópteros AH-2 Sabre para resolver a questão. A miopia ideológica não deve ter permitido a reflexão que o uso deste equipamento altamente mortífero e destruidor, que custa a bagatela de US$ 30 milhões de dólares a unidade, é para defender outros interesses bem mais republicanos  e não a questão de um caminhão baú atolado , que não deve custar R$ 50 mil reais, e que não conseguiu chegar ao seu destino desviado.  Na época, disse o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, comemorando a incorporação do novo equipamento ao seu arsenal. “É uma plataforma guerreira, com capacidade furtiva, armamento de alta precisão e letalidade”. Segundo Saito, as aeronaves estão preparadas para missões de superioridade aérea (domínio aéreo da área de conflito) e de interdição, tanto diurnas quanto noturnas.” Não lembro de ter citado os crimes fronteiriços na sua encomenda. Aliás, parafraseando o Garrincha, prá usar os AH-2 de verdade, por enquanto, tem que combinar primeiro com os russos. E tome-lhe asneira.

Vamos parar também com a desinformação que os bolivianos vem roubar nossos carros. Quem rouba aqui são criminosos brasileiros, que em concluio com os criminosos bolivianos fecham a cadeia do crime. Duvido que um boliviano tenha ido até a tal auto-elétrica e surrupiado o caminhão. (Aliás, sou cliente da auto-elétrica há muitos anos e continuarei a sê-lo, pela seriedade, honestidade e profissionalismo do seu proprietário.)  Dizer que boliviano rouba os nossos carros , as nossas motos, aviões  e agora, os nossos caminhõs-baú é de uma infantilidade atroz.  E este caminhão todo colorido teve que passar pelo posto da PRF na antiga Operação Candiru, pelo centro de Jacy-Paraná, por Mutum, pelo Castelinho e por Nova Mamoré (mais ou menos uns 300 quilômetros) até ser levado para o outro lado. Daí…

Até quando vamos ser vítimas destes roubos ? Ora, primeiro que a Bolívia não é o principal país que recepta os veículos brasileiros, é o Paraguai. O nosso problema, o de Rondônia, é que fazemos fronteira com a Bolívia.  ( Assim como a Bolívia não é  o maior produtor de Coca, mas sim de pasta-base. O pais maior produtor de coca é a Colômbia). Até se fazer um Tratado Internacional que regularize a repatriação de veículos roubados . Só que como este crime vem de priscas eras, já se passaram os governos militares, depois Sarney, depois Collor, depois Itamar Franco, depois FHC e agora Lula e o problema continua.  É um entrave diplomático que tem que ser resolvido, sem simplismos intolerantes.

Quanto ao crack , ele vem sim da Bolívia, porém em forma de “pasta-base”, o seu insumo. Ele  passa por Rondônia (uma parte do crack deve ser produzido por aqui mesmo) e vai para o maior mercado produtor e consumidor do produto NO MUNDO ! Sabem qual cidade ? Pois bem , Sao Paulo. O maior produtor de crack é São Paulo, que por acaso, fica no Brasil.  Poderíamos também ser inconsequentes e dizer que o governo do PSDB que está no poder em São Paulo há 16 anos ( 4 mandatos) é conivente com o crack ? Ou embaixo deste angu tem outros caroços ?

O meu comentário original foi escrito  domingo (30) de maio. Estou atualizando a matéria  nesta  segunda-feira, dia 31, e até agora nada do caminhão na mídia “em tempo real” .  Afundou ? Foi resgatado ? Enfim levaram para dentro da Bolívia? A pessoa que foi na auto-elétrica pegar a chave não era a mesma que entregou o caminhão para conserto?  Procuro nos jornais e sites alguma novidade sobre o tal caminhão bau . Não encontro nada.

Ô pobreza de jornalismo caripuna que não tem grana prá mandar um carro com um repórter e um fotógrafo por lá. ( Aliás, ainda existe esta dupla nas redações ou estou assim tão desinformado ?) Mas vejo o Serra no G1: ” Em Cuiabá, Serra volta a atacar Bolívia”. Juntando-se às críticas à Serra, que não percebeu ainda a ficha cair, a pré-candidata Marina Silva diz no próprio G1 : “Não é assim que se trata um país irmão”, diz pré-candidata do PV.

UMOPAR, na Bolivia, fazendo fiscalização de rotina e repressão anti-drogas. foto: Diego Gurgel

Serra parece  desconhecer que a Bolívia possui a UMOPAR (Unidad Móvil Policial para Áreas Rurales), uma subsidiária da FELCN ( Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico), criado em 1987 e equipado, financiado e controlado virtualmente pelo DEA ( Drug Enforcement Agency)  americano. A UMOPAR é a força mais armada e melhor treinada existente na Bolívia. Seus pilotos são ex-combatentes do Vietnã e do Camboja, por um motivo mais do que simples. Os Estados Unidos doaram à Bolívia 12 helicópteros UH-1, produzidos pela Bell e que foram testados na Guerra do Vietnã. (Havia pelo menos 7.000 deles por lá. Além disso, participaram de conflitos e nas armas da Austrália, El Salvador, Líbano, Rodésia e Israel. A UMOPAR é comandada a partir da Embaixada Americana em La Paz.) Aliás, se você for a Costa Marques , verá no outro lado do rio, em Buena Vista, uma cidadela criada em cima de palafitas,um contingente da UMOPAR com mais de 12 homens armados, com gasolina à vontade, e voadeiras bem mais possantes do que as das forças brasileiras. Que tal Serra, Dilma, Marina darem uma força para equipar a nossa PF com coisas semelhantes ? No Guaporé, o maior defensor da nossa fronteira é o ribeirinho…

12 destes Bell UH-1 usados na Guerra do Vietnã pertencem hoje à UMOPAR

Estes 12 helicópteros aparentemente não cercaram o caminhão-bau, que deu início à esta reflexão, para defendê-lo com seu poder de fogo, para permitir que os meliantes bolivianos o desatolassem da tabatinga dos barrancos do Madeira.

Voltemos um pouco na história e veremos que , há não muito tempo,   não se falava em cocaína ( e muito menos crack, que nem existia) no Brasil. Que tal a teoria de que foi o DEA ( Drug Enforcement Administration) , site http://www.justice.gov/dea que , usando a simples lei do mercado, desviou a produção que ía quase toda para os EUA e Europa, para abrir um novo nicho no Brasil, um novo mercado consumidor.? E não a ascenção de Evo Morales ao poder, nem a venda de traquitanas no comércio de Guayara-Merin e outras bobagens afins. Mas pensar cansa. E como diria o Barão de Itararé :  O tambor faz muito barulho mas é vazio por dentro.

NR: Aos jornalistas mais novos, que não tiveram a oportunidade de conhecer o Sérgio Porto nem em suas faculdades toscas  que proliferam Brasil afora, vale o recurso da Internet. Até prá ler as pérolas como “O mal do Brasil é ter sido descoberto por estrangeiros” (Deputado Índio do Brasil, em discurso na Assembléia do Rio de Janeiro).” Ah, saudade da Tia Zulmira.

Guerra fria pela água

Começou a guerra fria pelo tesouro H2O : O maior aquífero do mundol surge no Pará e justifica transformação de Porto Velho em base guerreira

Com Nelson Townes,  NoticiaRo.com,  www.ufpa.br, www.betobertagna.com,  www.cetesb.sp.gov.br e www.wikipédia.org

A transformação de Porto Velho numa cidade militar  dotada desde sábado (17) de uma das mais poderosas Bases Aéreas do continente, decorre não apenas de sua localização fronteiriça estragégica, como ponto geográfico central da América Latina, mas para proteger a soberania nacional, entre outras coisas, sobre tesouros que já são os mais cobiçados do planeta e num futuro próximo poderão causar guerra, água doce.

Apesar do ceticismo de algumas autoridades e de parte da mídia, é um problema que existe, virtualmente mascarado por outras questões relevantes que assolam a Amazônia. A própria Câmara dos Deputados , através da  Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional vai realizar uma audiência pública para debater as denúncias de tráfico de água doce da Amazônia. A audiência aprovada nesta quarta-feira (14) ainda não tem data marcada, mas deverão participar representantes da da Polícia Federal além dos  ministros da Defesa e do Meio Ambiente, o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu Guillo, o diretor-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Adalberto Val, e o coordenador de Ações Estratégicas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Estevão Monteiro de Paula.

As empresas alegam que se baseiam em tratados internacionais para captar a “água de lastro” http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gua_de_lastro , que por si só já é um problema exponencial, pela degradação biótica e pelo risco de contaminação das águas por espécies invasoras.

A Organização Marítima Internacional (IMO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceram oficialmente que a descarga da água de lastro e de sedimentos transportados por navios pode permitir a entrada de organismos aquáticos nocivos e agentes patogênicos (bactérias, algas, larvas de invertebrados, etc) nos diversos portos internacionais, ameaçando o equilíbrio ecológico da vida aquática existente e podendo causar doenças epidêmicas.

ONG´s ambientalistas alegam que a água de lastro deveria ser despejada e captada somente no mar, ou seja ,com água salgada.  Isto diminuiria o risco de poluição por espécies invasoras e seria um “freio” ao contrabando de água doce.

A própria Marinha do Brasil reconhece a necessidade de reforçar as suas bases nestas paragens para controlar o tráfego cada vez mais intenso de embarcações de grande porte.

Porto Velho está eqüidistante dos maiores aqüíferos do mundo, o Aquífero Guarani, que era o maior do mundo, no Paraná, e outro aqüífero maior ainda, anunciado por pesquisadores da Universidade Federal do Pará, o de Altér do Chão.

A praia santarena de Alter do Chão, na região do Tapajós, no Pará, já levou o título de melhor praia do Brasil pelo jornal inglês The Guardian.  Agora, o “caribe brasileiro” pode receber um status ainda mais valioso: o de possuir a maior reserva de água doce subterrânea do mundo, diz o site da UFPA.

Até agora, o maior manancial de água doce subterrânea do mundo conhecido era o Aquífero Guarani . Ocupa 1,2 milhões de Km² entre o Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. É hoje uma importante reserva estratégica para abastecimento e atividades econômicas.

O aquífero de Alter do Chão possui uma área de 437.500 km2 e uma espessura de 545 metros.

Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) pretendem comprovar que o aquifero – de Alter do Chão possui uma capacidade de água muito maior e com qualidade melhor do que o do Guarani e pode produzir uma capacidade de água quase duas vezes maior.

“O aquifero de Alter do Chão pode ser bem menor em termos de área, porém, possui uma espessura maior e uma capacidade de produção de água ainda mais intensa”, explica para o site da UFPA o geólogo Milton Matta.

Segundo ele, ainda faltavam dados e estudos mais específicos para provar a real capacidade do aquífero paraense, mas segundo fontes extra-oficiais consultadas por “NoticiaRo.com”, o geólogo Milton Matta conseguiu a confirmação que precisava.

Ainda não foi possível ouvir Matta. Ele e seu grupo  estavam elaborando um projeto para o Banco Mundial.

Matta disse que o Estado do Pará poderá ganhar muitos benefícios se ficar cientificamente comprovado que o maior aqüífero do mundo está na Amazônia.

Mas, ele faz uma alerta: “Não adianta apenas termos quantidade de água. Precisamos saber usá-la. A água subterrânea é a mais importante que existe em nosso planeta, o problema é que muita gente não sabe como fazer disso um bem”, pondera o geólogo.

O QUE SÃO AQUÍFEROS

Aquifero é uma formação geológica. Rochas permeáveis permitem o acúmulo de grandes quantidades de águas subterrâneas. Veja outra definição no Wikipédia  http://pt.wikipedia.org/wiki/Aqu%C3%ADfero

O Aqüífero Guarani é o maior manancial comprovado de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo. Está localizado na região centro-leste da América do Sul, entre 12º e 35º de latitude sul e entre 47º e 65º de longitude oeste e ocupa uma área de 1,2 milhões de Km², estendendo-se pelo Brasil (840.000l Km²), Paraguai (58.500 Km²), Uruguai (58.500 Km²) e Argentina (255.000 Km²).

Sua maior ocorrência se dá em território brasileiro (2/3 da área total), abrangendo os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Veja também : http://betobertagna.com/2010/02/18/navios-tanques-estao-roubando-agua-da-amazonia-para-levar-para-o-exterior/