Arquivo da tag: mundo digital

A educação digital demanda novos formatos de escolas e de material didático

Fernando_Almeida_artigoPor Fernando Almeida

Há algumas semanas, em um jantar com amigos, chamou minha atenção a desenvoltura da pequena Heloísa em manusear o smartphone de seu pai. Com apenas um ano e meio de idade, mal começando a articular as primeiras frases, ela transitava entre os programas e facilmente explorava os aplicativos que abria. Eu já havia visto alguns vídeos com crianças brincando em tablets e similares, mas a experiência de acompanhar o evento de perto foi marcante e despertou em mim algumas reflexões. Que tipo de escola poderá atender com eficiência essa geração de nativos digitais que está chegando? Como geradores de conteúdo, de que forma conseguiremos estruturar um material didático adequado a essa nova realidade? Como nativo analógico, devo dizer que me sinto confortável em lidar com papel quando leio livros ou imprimo os arquivos com dados que levarei às reuniões. No entanto, também sou migrante digital e confesso ficar fascinado com os novos recursos e tecnologias à nossa disposição, tanto aqueles que facilitam o cotidiano, como os já citados tablets e smartphones, quanto os que são voltados para o mundo educacional.   O tempo do professor em sala de aula hoje é otimizado com o auxílio dos recursos existentes nos programas de criação de apresentações e nas lousas digitais; o estudo do aluno em casa é incrementado pela facilidade de pesquisa em sites de busca e pela permanente comunicação com a escola, a qual, por meio de portais cada vez mais sofisticados, coloca à sua disposição aulas de reforço, listas de questões, atividades de fixação, revisão e aprofundamento.No entanto, a rapidez com que avança a tecnologia e a forma como se sucedem as gerações de estudantes (e, no que se refere à população discente, o intervalo entre gerações é cada vez mais curto) trazem a certeza de que a transformação será mais profunda do que a que temos hoje. O aproveitamento dos recursos tecnológicos que já existem e dos que virão passará necessariamente por uma modificação na linguagem educacional, na qual o aluno deixa de ser um componente passivo e se torna um elemento ativo do processo de ensino e aprendizagem. Condições para isso já existem: recursos audiovisuais que permitem contextualizar os conceitos apresentados, atividades especialmente desenvolvidas para possibilitar a aprendizagem contínua e significativa, uso de devices em sala de aula que acessam as redes colaborativas.  Ao professor está reservado o importante papel de coordenador do processo, mediando o caminho do aluno rumo à aprendizagem e à aplicação dos fundamentos. Por isso, é necessário e urgente capacitar os mestres desde sua formação; assim, poderão chegar à atividade docente com a consciência de que os conteúdos não são simplesmente alvo para a memória, mas ferramentas que possibilitam o desenvolvimento das habilidades e competências fundamentais para o pleno exercício das capacidades de nossos jovens.

Afogado em lixo digital? Você não está sozinho (via Observatório da Imprensa)

Por Melinda Beck

Mark Carter admite que, no mundo digital, ele é um hoarder.

A palavra não tem tradução direta em português, mas seu sentido não tem fronteiras: alguém que não consegue se desfazer de nada, nem das coisas mais inúteis. Esse americano de 42 anos estima que tenha 24.000 arquivos MP3, 4.000 livros digitais, 2.000 CDs, 3.000 fotos de família em DVDs e pelo menos 1.300 emails gravados, inclusive alguns de 20 anos atrás. “São ótimos para ajudar a memória”, diz o gerente de inventário de um supermercado Wal-Mart no Estado de Illinois. “Eu guardo essas coisas principalmente porque tenho medo que elas possam desaparecer da internet ou que eu possa precisar delas quando não estou conectado”, diz ele.

Hoarder é aquela pessoa que acumula compulsivamente coisas úteis ou não. A definição geralmente se aplica a objetos como roupas e bugigangas, mas pode ser usada para arquivos digitais, que são menos visíveis que itens físicos. “A tralha digital não atrai ratos nem atrapalha as pessoas que andam pela casa”, diz Kit Anderson, ex-presidente do Instituto para o Desafio da Desorganização, uma organização sem fins lucrativos do Estado do Missouri que estuda a inclinação a acumular coisas. “Mas é mais insidiosa porque ninguém vai insistir para que você procure ajuda.”

A proliferação de dispositivos, a explosão de informação e a abundância de meios de armazenagem baratos vêm tornando tentador demais para algumas pessoas acumular mais emails, mensagens de texto, vídeos caseiros e séries inteiras de televisão do que elas jamais poderão usar ou manter organizados. “Acúmulo digital é um problema enorme. Há tantos meios de armazenagem disponíveis, nós não temos mais que tomar decisões”, diz David D. Nowell, um neuropsicólogo do Estado de Massachusetts especializado em distúrbios de atenção. “O problema não é que isso torna o seu computador lento – isso torna o seu cérebro lento”, alerta ele, já que cada uma dessas fotos, links e pastas de arquivos demandam alguma energia mental.

Continue Lendo via Observatório da Imprensa em 10/04/2012 na edição 689 /que reproduziu o Valor Econômico, 3/4/2012; intertítulos do OI