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Guitarrista e fundador da banda gaúcha Cachorro Grande, Marcelo Gross é demitido

A banda gaúcha Cachorro Grande demitiu o seu membro fundador guitarrista Marcelo Gross, O músico é o autor de sucessos como  “ Sinceramente”, “ Hey Amigo” e “ Lunático”. Para Beto Bruno, vocalista e também fundador da banda que completa 19 anos este ano, o processo de separação já estava visível, a relação estava por um fio, devido ao afastamento de Gross do processo criativo das músicas e por conta de sua carreira-solo.

Em entrevista para o jornal Folha de São Paulo o vocalista disse que para o lugar do músico, a banda convocou o guitarrista Gustavo X, que trabalha como roadie de guitarras no circuito de rock e é próximo do grupo. ” Neste primeiro momento, o Gustavo será o substituto do Gross. Ele foi a primeira opção por já ter uma certa ligação conosco. Nos conhecemos há anos”, disse Bruno.

Procurado pela reportagem, o guitarrista Marcelo Gross disse lamentar a situação, mas enxerga o momento com cautela. “Pode ser um período ruim, mas quem sabe um dia possamos voltar a tocar juntos. A Cachorro Grande sempre foi minha vida”, diz.

A banda gaúcha segue em turnê nacional com a divulgação do seu primeiro disco ao vivo, intitulado “Clássicos”.

Cachorro Grande novo na área : “Baixo Augusta”

Por Luiz Cesar Pimentel

O sexto album da banda gaúcha Cachorro Grande (“Baixo Augusta”) está liberado para download no site Trama . A Cachorro Grande gosta de fazer viagens no tempo. Já foram mods à medula no início de carreira, assim como tão Beatles quanto Stones nestes 12 anos de banda. Já flertaram com cada uma das décadas roqueiras desde 50 em “Todos os Tempos” (de 2007). E neste sexto disco de estúdio, Baixo Augusta, dá para traçar um fio condutor, que começa no Exile on Main Street, dos Rolling Stones, em 1972, e vai até Entertainment, do Gang of Four, de 1979.
Dados os gostos de Beto Bruno (vocal), Marcelo Gross (guitarra), Rodolfo Krieger (baixo), Gabriel Azambuja (bateria) e Pedro Pelotas (bateria), poderia bem ser qualquer Stone. Mas Baixo Augusta tem aquele quê rasgado da assinatura mais forte de Keith Richards do que de Mick Jagger. Como a obra-prima de 72.
Dados os gostos de Beto, Gross, Rodolfo, Gabriel e Pedro, poderia bem ser linha do tempo que segue por Primal Scream, Supergrass e Kasabian. Mas Baixo Augusta tem aquele bom gosto da batida no peito, do teclado synth e das linhas de baixo da gangue de quatro seminal do pós punk.  E dentro dessa áurea faixa dos anos 70, ainda sobra para um rock de arena traçar costuras na receita.
O tum-tum-tá da bateria de Gabriel acompanha o riff pesado e os brados de “Não Entendo, Não Aguento”, que abre o trabalho.
“Difícil de Segurar” sustenta tudo o que foi posto acima de característica stoniana no disco com o (talvez) melhor timbre de guitarras gravado este ano no país.
Os cachorros dão uma guinada de 180º em “Tudo Vai Mudar”, canção de Beto, Gross e Rodolfo, um quase synth-pop-rock de batidão de bateria e a linha de baixo em primeiro plano. O pós punk segue dominando na música que dá nome ao disco.

Aliás, aqui vale abrir um parêntese para explicação do nome quase piada interna paulistana ao trabalho dos gaúchos.
(A região mais próxima ao centro da famosa rua Augusta teve nos anos recentes a mudança de área dominada pela prostituição a região das casas noturnas alternativas mais descoladas da cidade. Os integrantes da banda moraram na região e o rock dançante é a trilha sonora dessa área da cidade. Fecho parêntese.)
O clima synth, mas agora embalado em hard rock, volta em “Só Você que Não”, música de autoria de Beto com Gabriel.
Já a assinatura de Gross vem na belíssima balada, num clima 60´s byrdiano, “Corda Bamba”. Você pensa que, dado o clima George Harrison, a seguinte, “Volta Pro Mesmo Lugar”, igualmente leva o crédito do guitarrista, mas a levada indiana é composta pelo baixista Rodolfo.
“Fantasma do Natal Passado” é mais uma balada sessentista, psicodélica e voltada aos Mutantes, agora composta p elo vocalista. O baixista Rodolfo também assina o hard rock dance-psicodélico “Surreal”.
O disco entra na reta final, com uma Power balada, “Cinema, e (mais) um rock blueseiro stoniano, “Mundo Diferente”. São as duas canções mais longas do disco.
Aí você conta o tempo (43 minutos), o número de faixas (11), vê a distribuição das mesmas e percebe que lá na frente os desgraçados já pensaram em seis pro lado A de um vinil e as cinco últimas para o Lado B. E você espera pelo vinil, que é o formato mais justo para um trabalho tão rico quanto atemporal como esse – contrariando tudo o que foi posto no início deste texto.
E você por acaso não estava esperando distorção (mesmo que) em um texto da Cachorro Grande?