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Túnel do Tempo : Madeira-Mamoré

Túnel do Tempo : Madeira-Mamoré em 2011

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Estação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré em Porto Velho/RO

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Túnel do Tempo : Madeira-Mamoré em 2011

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Túnel do Tempo : EFMM em 2010

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Túnel do Tempo : os aterros da Madeira-Mamoré, 1910

foto nº   , Dana Merril, 1910

foto nº 924 , Dana Merril, 1910

Livros para entender Rondônia – Madeira-Mamoré, o vagão dos esquecidos

Capa do Livro Madeira-Mamor+® O Vag+úo dos Esquecidos 001

Curta Amazônia : poesia, música e filmes na Madeira-Mamoré, em Porto Velho

O 3º Festival de Cinema Curta Amazônia fará hoje (29) uma homenagem aos familiares do jornalista Nelson Townes de Castro, falecido no ano passado.  A partir dessa edição a melhor produção rondoniense do Festival  receberá o nome de Troféu Nelson Townes. Hoje também tem  documentários ( “Cinematógrafo brasileiro em Dresden” e “Oswaldo Cruz na Amazônia – a saga das vacinas”) dos cineastas Eduardo Thielen e Stella Oswaldo Cruz Penido . Os filmes foram  produzidos nos estados de Rondônia, Amazonas e Pará e tem imagens e fragmentos do acervo de Oswaldo Cruz, bisavô de Stlella, quando esteve realizando levantamentos e implantando ações de prevenções às doenças tropicais na época da construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré .

Após a exibição dos filmes haverá a cerimônia de premiação do Festival informando os vencedores dessa edição. E, encerrando essa primeira noite do Curta Amazônia na Praça Madeira Mamoré teremos a apresentação das bandas regionais “As Testemunhas” , banda composta por Giovani, Raoni, Nino, Gabi, Elias, Kátia, Eliseu e Edivaldo Viecili. A outra banda regional que se apresentará será a banda “Malcriados” , formada por Dinho Reis,  Tino Lôco Alves, Cláudio Jonhson, Saulo e Bode.

Banda Malcriados se apresenta hoje à noite, no Curta Amazônia (foto:Divulgação)

Banda Malcriados se apresenta hoje à noite, no Curta Amazônia (foto:Divulgação)

No sábado (30) haverá apresentação do Duo Pirarublue da Amazônia, o lançamento do documentário “Madeira Mamoré 100 anos depois – o sonho não acabou!” do diretor rondoniense Carlos Levy e a entrega dos vencedores do concurso de pintura ambiental , encerrando a programação com a projeção dos filmes vencedores de 2012.

Final de tarde no rio Madeira…

Mais uma “cegonha” completamente restaurada na Madeira-Mamoré

Paulo e Evaristo, ex-ferroviários da EFMM, gigantes na sua restauração

Paulo e Evaristo, ex-ferroviários da EFMM, gigantes na sua restauração, posam orgulhosos na frente de mais uma "cegonha" restaurada. Até o final de 2011 os passeios devem retornar à velha ferrovia, abandonada durante muitos anos e que agora passa por um completo projeto de revitalização. Foto: P. Pinheiro

Na imagem, uma cegonha completamente restaurada pela COOTRAFER – Cooperativa dos Ex-Ferroviários da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que estabeleceu convênio com a Santo Antônio Energia, Prefeitura de Porto Velho e IPHAN .  Em junho de 2006 os verdadeiros ex-ferroviários estavam abandonados, passando dificuldades, pois até um marmitex lhes era negado. Hoje recuperaram a auto-estima, tem renda e estão trazendo a esperança e o seu conhecimento técnico para ajudar na restauração do complexo ferroviário. julho/2010

Trio Parada Dura

Da esquerda para a direita, Stella Penido, B.Bertagna e Eduardo Thiellen, que prepara um filme sobre o Ten. Fernando durante as filmagens do vídeo "Oswaldo Cruz na Amazônia" Foto original p&b : Luiz Brito

Encharcados pela chuva torrencial, Stella Oswaldo Cruz Penido, bisneta do célebre cientista que esteve por estas bandas na época da construção da Madeira-Mamoré, Beto Bertagna e Eduardo Thiellen, da Casa de Oswaldo Cruz posam na parte destruída da Madeira Mamoré, no Bate Estacas.

Era a produção do documentário “Oswaldo Cruz na Amazônia”, com narração de Paulo José e fotografia de José Bonella.

Eduardo Thiellen é primo do Tenente Fernando, que desapareceu num rumoroso caso em Porto Velho.

Ele aproveitou sua passagem para pesquisar detalhes para o documentário que está produzindo sobre o assunto , e que vai dar o que falar nas rodas políticas, culturais e de ti-ti-tis da nossa capital. É a história sendo recontada, ou talvez, finalmente contada com outros olhares. Thiellen achou um velho Alto Madeira em que a capa destacava na manchete : Mãe não se engana – O ten. Fernando está vivo !

O jornal se referia às buscas promovidas pela Força Aérea e Exército para encontrar o oficial desaparecido. As versões envolvem até personagens muito conhecidos da nossa história local. É esperar prá ver !

Cunha e Angra dos Reis : o momento é de solidariedade

Os pontos em vermelho marcam a região atingida pelos desmoronamentos

Tenho um amigo que possue uma pousada em Cunha/SP. É o Marcos Santilli, fotógrafo premiadíssimo, ex-diretor do MIS/SP e autor de um dos livros mais bonitos que existe sobre a Madeira-Mamoré. Preocupado com as notícias desencontradas da mídia, em especial a televisiva, mandei um e-mail para ele, pedindo notícias. O seu relato merece ser publicado porque combina exatamente com o sentimento que eu tenho por toda a região, que mais do que nunca, precisa do turismo para sobreviver. São milhares de pessoas que dependem do turismo, que só é forte nesta época do ano, para segurar a onda durante o resto da temporada. Só para ter uma idéia , na Ilha Grande e na Enseada do Bananal em Angra há mais de uma centena de pousadas, algumas bem distantes do local da tragédia. Os cancelamentos de reservas beiram os 80 %. Assim, a taxa de ocupação fica pior que abril, maio, época de baixa temporada. Houve a(s) tragédia(s) , a ocupação das encostas tem que ser urgentemente repensada não só pelo poder público como pelos habitantes, a hora é de partir para a reconstrução do que foi destruído pelas águas, mas o que não se pode neste momento é criar um clima de medo generalizado, prejudicando ainda mais a economia da região.

Vamos ao relato do Marcos:

Querido Beto,

Obrigado por sua solidariedade e atenção. Estou mandando esta mensagem aos amigos, para que possamos narrar o que vivemos nessta passagem de ano.

Água escorrendo pelas encostas em volume desproporcional. foto:Marcos Santilli

Cunha tambem sofreu pelas chuvas não tão fortes, mas ininterruptas, que nos sinalizam outros tempos, além de uma mera e convencional passagem de ano.

Por sua altitude, aqui tem relativamente poucos problemas com o escoamento de águas, comparados aos locais mais baixos. A coisa estoura em deslizamentos localizados e previsíveis, pontes de madeira em sua imensa área rural (maior município do estado), represas e principalmente, e infelizmente, pouca prevenção e informação, o que ocorre no país inteiro.

Tivemos problemas de deslizamentos, sendo um deles fatal para uma familia, como noticiou extensivamente a midia. Na cidade, a má ocupação causou danos a diversas famíias. Impediu temporariamente a circulação em praticamente todas as estradas do munícipio, a maioria de terra.

Da Pousada para São Paulo e Rio, ficamos isolados apenas no dia 1º e parte do dia 2. Ficamos sem luz e telefone por cerca de duas horas, mas com muitas velas cobertos por boa música. De resto poucos danos no jardim.

Nossa preocupação voltou-se para onde toda esta serra derrama suas águas, o que de fato ocorreu, com estes rios ganhando volume nas nascentes e força nas vertentes das altitudes para os vales povoados do grande Paraíba. Além, é claro, da outra vertente da serra, Parati e Angra.

O Reveillon

A Pousada situa-se nas primeiras águas do rio Paraibuna. Pensávamos o que seria esta explosão nas nascentes do próprio Paraíbuna e do próximo Paraitinga, formadores do Paraíba.

Dois dias antes do reveillon, houve um “preview” da fúria das águas da passagem do ano. Minha equipe, bastante assustada, abandonou os preparativos da festa, para tomarmos providências caso este fenômeno se repetisse. Os velhos moradores nunca viram precedente em sua tradição oral. Atentos à previsão do tempo não vimos razões para preocupação, nem informações deste primeiro vagalhão e tínhamos esperança de celebrar ao ar livre caso as chuvas esparsas anunciadas não nos atingissem. Desligamos as redes de energia que abastecem a área do lago e abaixo. Esquecemos os arranjos finais de flores e outros detalhes e evacuamos móveis da sauna, equipamentos do deck, piscina natural e o barquinho.

Ao anoitecer do dia 31 as chuvas persistentes e o nível das águas nos córregos, rios, pontes e represas nos espantavam. Todas as instalações da Pousada dos Anjos são elevadas, em terreno secularmente estável, inatingíveis a inundações. Apenas a velha sauna e piscina natural, intocados há  mais de 40 anos, estão em nivel abaixo do lago. Deliciosa ceia e bebidas haviam sido intencionalmente super dimensionadas, produzidas e servidas pelo Restaurante Drão, Fernando, garçons, cozinheiros,  equipe de produção, incluindo motorista, etc.

Hóspedes e convidados instalavam-se ao som de uma banda de jazz maravilhosa, formada por Hector Costita, Lelo Izar, Josevaldo,  e a cantora Cristina que improvisavam musica brasileira. O DJ de Lux intercalava-se ao jazz. Havíamos recoberto o restaurante, cozinha, sala de home theater, com um grande toldo, criando uma varanda lounge de ligação com a Oca, a biblioteca.

A maravilhosa ceia foi servida no fogão de lenha, celebração, música, alegria, dança, passou-se alegremente a meia-noite sob chuva contínua. Quando a maioria dos trinta hóspedes  já descansava, por volta das três horas, a festa continuava e chegou um grupo de dezesseis familiares e amigos impedidos de retornar ao sítio que tem na Barra do Bié. O mesmo aconteceu com os convidados e a banda. Foi quando percebemos que havia algo grave ocorrendo. Chegavam molhados, assustados mas depois vários dançaram alegremente, incrementando a continuidade da festa e, apesar de tudo, celebrando o novo ano. Logo mais chegaram outros “refugiados”, depois outros, até que tínhamos 30 acolhidos, instalados nos diversos ambientes intactos onde rolava a festa. Alguns jogavam cartas, outros ouviam noticiário na sala de home theater. Dormiam nos bancos, sofás, outros nas redes da oca. Providenciamos toalhas, cobertores e agasalhos. Até o clarear ainda se dançava. O café da manhã foi produzido coletivamente, farto e tranquilo, com grande solidariedade entre todos. Chegavam alguns hóspedes que se confraternizaram e o ambiente continuou suave. Servimos novamente a ceia por volta das 14hs. Chegaram alguns a Cunha, de onde voltaram com queijos, pães e petiscos. Estava recuperado o acesso a cidade. Para deixar Cunha, somente na tarde do dia 2, quando ligaram Paulo e Carolina, da Dutra.

Todos aqui passaram da forma mais light possível na situação inevitável de não poder voltar para casa. Ninguém passou necessidade, por acaso haviam 3 médicos fantásticos presentes, além do melhor que nossa pousada nos oferece: nossos hóspedes. Fizemos novas amizades e fortalecemos laços diante da compreensão e grandeza na vivência em comum dessa excepcionalidade da natureza.

Neste momento estamos todos torcendo e tentando ajudar os que estão em dificuldade no nosso município e nos vizinhos, mas abertos e ansiosos pela chegada dos novos hóspedes, lembrando que o acesso foi reestabelecido, e a cidade espera não sofrer o abandono do turismo, imprescindível à sua normalização.

Abraços, na certeza de que o ano será muito melhor do que iniciou,

Marcos Santilli e Katia Scavacini

Nota da Redação:  A Pousada dos Anjos fica na Rod. SP 171, trecho Cunha-Paraty, no km 57.

O telefone prá contato é o (12)31118019.

Tem também o e-mail contato@pousadadosanjos.com.br e o site http://www.pousadadosanjos.com.br

Reveillon na Pousada dos Anjos, em Cunha/SP. foto:Marcos Santilli