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Estréia “Jaci – Sete Pecados de Uma Obra Amazônica” : a conferir.

Assista ao trailler :

 

Paixões, revolta, mortes, ambição. O novo documentário da Repórter Brasil: Jaci – Sete Pecados de Uma Obra Amazônica revela as entranhas da construção de uma das maiores usinas do Brasil .O filme está na seleção oficial do festival “É Tudo Verdade”, um dos mais prestigiados do gênero e também deverá estar presente no Curta Amazônia e no Fest Cineamazônia, em Porto Velho.

Ao longo de quatro anos, os produtores seguiram as aventuras de trabalhadores que saíram de diversos estados para erguer a hidrelétrica de Jirau. Depoimentos de autoridades e especialistas, além das diversas pessoas que tiveram suas vidas transformadas pela obra, ajudam a pintar um retrato em cores vivas dos impactos sociais, ambientais e trabalhistas da construção da usina que tem o terceiro maior potencial hidrelétrico do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Mais de 30 tipos de câmeras foram usadas no documentário, que conta com imagens internas que só os operários poderiam captar.

A direção é de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros. A duração é 102 minutos.

Camargo Corrêa e Odebrecht desistem de Belo Monte. E agora?

Segundo informações extra-oficiais, as empresas  Camargo Corrêa e Odebrecht desistiram de participar do leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, Pará, um projeto que se arrasta há várias décadas.

Conforme as declarações das empresas “após análise detalhada do edital de licitação da concessão, assim como dos esclarecimentos posteriores fornecidos pela Aneel, as empresas não encontraram condições econômico-financeiras que permitissem sua participação na disputa”.

O preço-teto da tarifa é de 83 reais o megawatt-hora para a usina de Belo Monte, que terá capacidade para gerar 11 mil megawatts, a terceira maior do mundo e o dobro das usinas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia.

O leilão da usina hidrelétrica de Jirau, por exemplo, com potência de cerca de 3 mil megawatts, teve preço-teto estipulado de 91 reais o megawatt.

Segundo estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Belo Monte teria custo total de 19 bilhões de reais. Este  valor foi  questionado pelas empresas interessadas na obra, que estimam algo em torno de 30 bilhões de reais. A Odebrecht e a Camargo Correa participaram dos estudos que resultaram no projeto de Belo Monte e no comunicado desta quarta-feira se dispuseram a “contribuir para o sucesso do empreendimento”.

O consórcio formado pelas duas empresas era a esperança do governo para que houvesse disputa no leilão de Belo Monte, o que poderia reduzir ainda mais a tarifa esperada. Vence o leilão quem oferece a menor tarifa ao consumidor. Até o momento, o governo tem divulgado que existe interesse da Andrade Gutierrez em consórcio com a Neoenergia, Votorantim, Vale e CPFL Energia.

Um outro consórcio, que teria como líder a Suez Energy do Brasil, vencedora do leilão de Jirau, poderia incentivar a disputa, mas a empresa não comenta o assunto.

Nesta quarta-feira foi encerrado o prazo para que as empresas registrassem na Eletrobras o interesse de ter a estatal como parceira após a realização do leilão, com até 49 por cento de participação no consórcio.

Apesar de ter obtido depois de muita polêmica a licença prévia de instalação da usina junto ao Ibama, o projeto de Belo Monte vem sendo questionado pelo Ministério Público do Pará, que ameaçou entrar na quinta-feira na Justiça contra a obra. As empresas têm até o dia 14 de abril para registrar na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o consórcio que disputará a usina de Belo Monte.

James Cameron, diretor de Avatar compara Belo Monte ao seu filme

O diretor canadense James Cameron, dos premiadíssimos Titanic e Avatar comparou esta semana em Manaus, durante um Fórum Internacional de Sustentabilidade , a construção da usina de Belo Monte no Pará ao seu filme Avatar, em que os Na´vi são expulsos pelo exército .

-”Eu imploro ao Presidente Lula para reconsiderar este projeto.” disse Cameron.

O governador do Amazonas, Eduardo Braga, argumentou que o cineasta usou de dados incorretos, repassados pela ONG Amazon Watch.

Para o diretor, “somente uma mudança global de valores, de consciencia, permitiria entender a crise. E isto está acontecendo…”

Alegando ser um ecologista voluntário, disse que mora com mulher e filhos num sitio, com horta adubada por produtos organicos e com um painel solar que sustenta a casa. Parece pouco pelo alcance que suas palavras tem. Poderia por exemplo, durante a entrega dos Oscars quando levou uma “surra” de sua ex-mulher que venceu em quase todas as categorias,  ter sugerido que os EUA assinasse o Tratado de Kyoto, de lançamento de gases na atmosfera ou aderisse à reunião fracassada de Copenhagem. De qualquer forma faltou informar ao cineasta que Altamira,onde será hipotéticamente construída Belo Monte não fica no Amazonas.

Navios-tanques estão roubando água da Amazônia para levar para o Exterior

Hidropirataria: agora, a Amazônia está enfrentando o tráfico de água doce.

Da redação de NoticiaRo com base em informações de Chico Araújo/ Envolverde/Agência Amazônia/NoticiaRo.com

BRASÍLIA, quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 (NoticiaRo.com) – Além de o rio Madeira estar sendo destruído pela construção das hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau, em Rondônia, as águas que ele despeja no Amazonas estão sendo levadas para navios-tanques piratas que estão invadindo a região, fazendo o tráfico de água doce no Brasil para o Exterior.

Empresas internacionais até já criaram novas tecnologias para a captação da água dos rios que formam o Amazonas, a principal vítima dos hidropiratas.

Nesse comércio, a nova tecnologia introduzida no transporte transatlântico de água são as bolsas de água. A técnica já é utilizada no Reino Unido, Noruega ou Califórnia. O tamanho dessas bolsas excede ao de muitos navios juntos, explica a revista Consulex.

O transporte internacional de água também já é realizado através de grandes petroleiros. Eles saem de seu país de origem carregados de petróleo e retornam com água.

Estima-se que cada embarcação seja abastecida com 250 milhões de litros de água doce, para engarrafamento na Europa, Oriente Médio e Extremo Oriente, até para a China.

A denúncia está na revista jurídica Consulex 310, de dezembro do ano passado, num texto sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o mercado internacional de água. A revista diz:  “Navios-tanque estão retirando sorrateiramente água do Rio Amazonas”.

Diz a revista ser grande o interesse pela água farta do Brasil, considerando que é mais barato tratar águas usurpadas (US$ 0,80 o metro cúbico) do que realizar a dessalinização das águas oceânicas (US$ 1,50).

Há três anos, a Agência Amazônia também denunciou a prática nefasta. Até agora, ao que se sabe nada de concreto foi feito para coibir o crime batizado de hidropirataria.

A revista Consulex destaca que essa prática é ilegal e não pode ser negligenciada pelas autoridades brasileiras, pois as águas dos rios brasileiros são bens da União, assim como os lagos, os rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seus domínio, de acordo com a Constituição Federal, artigo 20, III.

Outro dispositivo, a Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, atribui à Agência Nacional de Águas (ANA), entre outros órgãos federais, a fiscalização dos recursos hídricos de domínio da União.

A lei ainda prevê os mecanismos de outorga de utilização desse direito. O artigo da Consulex, assinado pela advogada Ilma de Camargos Pereira Barcellos, destaca ainda que a água é um bem ambiental de uso comum da humanidade.

“É recurso vital. Dela depende a vida no planeta. Por isso mesmo impõe-se salvaguardar os recursos hídricos do País de interesses econômicos ou políticos internacionais”, diz a advogada

“A capacidade dos navios que usam a tecnologia das bolsas d’água é muito superior à dos superpetroleiros”. Ainda de acordo com a revista, as bolsas podem ser projetadas de acordo com necessidade e a quantidade de água e puxadas por embarcações rebocadoras convencionais.

Há seis anos, o jornalista Erick Von Farfan também denunciou o caso. Numa reportagem no site eco21 lembrava que, depois de sofrer com a biopirataria, com o roubo de minérios e madeiras nobres, agora a Amazônia está enfrentando o tráfico de água doce

TRÁFICO DE ÁGUA DOCE

A nova modalidade de saque aos recursos naturais foi identificada por Farfan de hidropirataria. Segundo ele, os cientistas e autoridades brasileiras foram informadas que navios petroleiros estão reabastecendo seus reservatórios no rio Amazonas antes de sair das águas nacionais.

Farfan ouviu Ivo Brasil, Diretor de Outorga, Cobrança e Fiscalização da Agência Nacional de Águas. O dirigente disse saber desta ação ilegal. Contudo, ele aguarda uma denúncia oficial chegar à entidade para poder tomar as providências necessárias. “Só assim teremos condições legais para agir contra essa apropriação indevida”, afirmou.

O dirigente está preocupado com a situação. Precisa, porém, dos amparos legais para mobilizar tanto a Marinha como a Polícia Federal, que necessitam de comprovação do ato criminoso para promover uma operação na foz dos rios de toda a região amazônica próxima ao Oceano Atlântico. “Tenho ouvido comentários neste sentido, mas ainda nada foi formalizado”, observa.

ÁGUAS AMAZÔNICAS

Segundo Farfan, o tráfico pode ter ligações diretas com empresas multinacionais, pesquisadores estrangeiros autônomos ou missões religiosas internacionais.

Também lembra que até agora nem mesmo com o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) foi possível conter os contrabandos e a interferência externa dentro da região.

A hidropirataria também é conhecida dos pesquisadores da Petrobrás e de órgãos públicos estaduais do Amazonas. A informação deste novo crime chegou, de maneira não oficial, ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), órgão do governo local.

“Uma mobilização até o local seria extremamente dispendiosa e necessitaríamos do auxílio tanto de outros órgãos como da comunidade para coibir essa prática”, reafirmou Ivo Brasil.

A captação é feita pelos petroleiros principalmente na foz do rio ou já dentro do curso de água doce. Somente o local do deságüe do Amazonas no Atlântico tem 320 km de extensão e fica dentro do território do Amapá.

Neste lugar, a profundidade média é em torno de 50 m, o que suportaria o trânsito de um grande navio cargueiro. O contrabando é facilitado pela ausência de fiscalização na área.

ÁGUA MAIS BARATA

Essa água, apesar de conter uma gama residual imensa e a maior parte de origem mineral, pode ser facilmente tratada. Para empresas engarrafadoras, tanto da Europa como do Oriente Médio, trabalhar com essa água mesmo no estado bruto representaria uma grande economia.

O custo por litro tratado seria muito inferior aos processos de dessalinizar águas subterrâneas ou oceânicas. Além de livrar-se do pagamento das altas taxas de utilização das águas de superfície existentes, principalmente, dos rios europeus. Abaixo, alguns trechos da reportagem de Erick Von Farfan:

O diretor de operações da empresa Águas do Amazonas, o engenheiro Paulo Edgard Fiamenghi, trata as águas do Rio Negro, que abastece Manaus, por processos convencionais. E reconhece que esse procedimento seria de baixo custo para países com grandes dificuldades em obter água potável.

“Levar água para se tratar no processo convencional é muito mais barato que o tratamento por osmose reversa”, comenta.

O avanço sobre as reservas hídricas do maior complexo ambiental do mundo, segundo os especialistas, pode ser o começo de um processo desastroso para a Amazônia. E isto surge num momento crítico, cujos esforços estão concentrados em reduzir a destruição da flora e da fauna, abrandando também a pressão internacional pela conservação dos ecossistemas locais.

Entretanto, no meio científico ninguém poderia supor que o manancial hídrico seria a próxima vítima da pirataria ambiental. Porém os pesquisadores brasileiros questionam o real interesse em se levar as águas amazônicas para outros continentes.

ORGANISMOS VIVOS

O que suscita novamente o maior drama amazônico, o roubo de seus organismos vivos. “Podem estar levando água, peixes ou outras espécies e isto envolve diretamente a soberania dos países na região”, argumentou Martini.

A mesma linha de raciocínio é utilizada pelo professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal do Paraná, Ary Haro.

Para ele, o simples roubo de água doce está longe de ser vantajoso no aspecto econômico. “Como ainda é desconhecido, só podemos formular teorias e uma delas pode estar ligada ao contrabando de peixes ou mesmo de microorganismos”, observou.

Essa suposição também é tida como algo possível para Fiamenghi, pois o volume levado na nova modalidade, denominada “hidropirataria” seria relativamente pequeno.

Um navio petroleiro armazenaria o equivalente a meio dia de água utilizada pela cidade de Manaus, de 1,5 milhão de habitantes. “Desconheço esse caso, mas podemos estar diante de outros interesses além de se levar apenas água doce”, comentou.

Segundo o pesquisador do Inpe, a saturação dos recursos hídricos utilizáveis vem numa progressão mundial e a Amazônia é considerada a grande reserva do Planeta para os próximos mil anos.

Pelos seus cálculos, 12% da água doce de superfície se encontram no território amazônico. “Essa é uma estimativa extremamente conservadora, há os que defendem 26% como o número mais preciso”, explicou.

Em todo o Planeta, dois terços são ocupados por oceanos, mares e rios. Porém, somente 3% desse volume são de água doce. Um índice baixo, que se torna ainda menor se for excluído o percentual encontrado no estado sólido, como nas geleiras polares e nos cumes das grandes cordilheiras. Contando ainda com as águas subterrâneas.

Atualmente, na superfície do Planeta, a água em estado líquido, representa menos de 1% deste total disponível.

GUERRA POR ÁGUA

A previsão é que num período entre 100 e 150 anos, as guerras sejam motivadas pela detenção dos recursos hídricos utilizáveis no consumo humano e em suas diversas atividades, com a agricultura.

Muito disto se daria pela quebra dos regimes de chuvas, causada pelo aquecimento global. Isto alteraria profundamente o cenário hidrológico mundial, trazendo estiagem mais longas, menores índices pluviométricos, além do degelo das reservas polares e das neves permanentes.

Sob esse aspecto, a Amazônia se transforma num local estratégico. Muito devido às suas características particulares, como o fato de ser a maior bacia existente na Terra e deter a mais complexa rede hidrográfica do planeta, com mais de mil afluentes.

Diante deste quadro, a conclusão é óbvia: a sobrevivência da biodiversidade mundial passa pela preservação desta reserva.

Mas a importância deste reduto natural poderá ser, num futuro próximo, sinônimo de riscos à soberania dos territórios panamazônicos. O que significa dizer que o Brasil seria um alvo prioritário numa eventual tentativa de se internacionalizar esses recursos, como já ocorre no caso das patentes de produtos derivados de espécies amazônicas. Pois 63,88% das águas que formam o rio se encontram dentro dos limites nacionais.

Esse potencial conflito é algo que projetos como o Sistema de Vigilância da Amazônia procuram minimizar. Outro aspecto a ser contornado é a falta de monitoramento da foz do rio.

A cobertura de nuvens em toda Amazônia é intensa e os satélites de sensoriamento remoto não conseguem obter imagens do local. Já os satélites de captação de imagens via radar, que conseguiriam furar o bloqueio das nuvens e detectar os navios, estão operando mais ao norte.

As águas amazônicas representam 68% de todo volume hídrico existente no Brasil. E sua importância para o futuro da humanidade é fundamental.

Entre 1970 e 1995 a quantidade de água disponível para cada habitante do mundo caiu 37% em todo mundo, e atualmente cerca de 1,4 bilhão de pessoas não têm acesso a água limpa. Segundo a Water World Vision, somente o Rio Amazonas e o Congo podem ser qualificados como limpos.

Leia também >Governo desmente notícia que estão roubando água da Amazônia : hidromito

Degelo nos Andes bolivianos mata milhares de tartarugas no Vale do Guaporé em RO

O Vale do Guaporé é garantia para a reprodução dos quelônios

Por Nelson Townes, do NoticiaRo.com

Ao menos 300 a 400 mil filhotes de tartarugas, tracajás, “matas-matas”, cangarás e outros quelônios morreram ou deixaram de nascer em 2009 em praias fluviais de desova de rios de Rondônia,  inundadas por enchentes causadas pelo aumento do degelo dos Andes Bolivianos.

Este é provavelmente o primeiro grave impacto do aquecimento global na Amazônia. As geleiras dos Andes bolivianos (como no resto da cordilheira) estão sendo derretidas pelo aumento da temperatura no planeta.

O desastre em Rondônia aconteceu entre agosto e outubro do ano passado, quando as tartarugas e outros quelônios procuravam as praias dos rios Guaporé e Mamoré, na fronteira com a Bolívia, para desovar, como fazem anualmente, e não as encontraram.

Elas estavam submersas pelos rios afetados pelo degelo dos Andes – que fizeram subir o nível dos rios Beni ( o nome que o bolivianos dão ao Guaporé), e Madre de Dios e Yata, que deságuam no Mamoré

O nível dos rios subiu também sob efeito da volta do El Niño, o fenômeno climático que aquece as águas do oceano Pacífico a causa chuvas em Rondônia.

Os ribeirinhos e os encarregados de monitorar a reprodução e preservação dos quelônios foram os primeiros a perceber a tragédia. Eles calculam que normalmente são enterrados ao menos 500 mil ovos por ano nas areias das praias fluviais.

Os monitores disseram a “NoticiaRo.com” que, em 2009, no máximo cerca de 100 mil ovos ou menos foram desovados e eclodiram em raras faixas de praia não alagadas. “Até o momento, creio que temos a lamentar a perda  de 300 a 400 mil quelônios que normalmente nascem nesta época” – calculou um dos encarregados de controlar a população da espécie

Alguns ribeirinhos ainda têm a esperança de que parte dos quelônios que procuravam outras praias para desovar tenham conseguido encontrá-las.

Em poucos dias os ovos eclodem e os filhotes seguem na direção do rio. Mas, para a eclosão, é necessário que sejam enterrados na areia e fiquem sob o calor do sol.

Os quelônios estão na lista das espécies em extinção na Amazônia. Os rios do Vale do Guaporé são seu último reduto de sobrevivência. Funcionários públicos e voluntários trabalham monitorando as praias fluviais onde são desovados e de onde correm para o rio.

A corrida das minúsculas tartarugas para a água constitue um espetáculo que até se tornou atração turística em Costa Marques, 716 quilômetros ao sul de Porto Velho. Para proteção dos ovos, ou de recém-nascidos, em certas circunstâncias, há até um “berçário” de tartarugas nesta cidade

Os rios com o nível aumentado pelo degelo estão localizados no Vale do Guaporé, no sudoeste, sul e sudeste de Rondônia. O fenômeno parece não ter dado tempo aos voluntários de defender as espécies ou controlar o perigo.

A região, considerada um “santuário ecológico” do noroeste do Brasil, mostrou sua fragilidade diante das agressões ambientais planetárias – reconheceu um voluntário.

A água das geleiras bolivianas é essencial, porém, para a formação das bacias hidrográficas da Amazônia. O principal afluente do Amazonas, o rio Madeira, é formado por rios que surgem com o degelo normal de parte dos Andes quando começa o “verão amazônico” – a época da estiagem que dura seis meses.

O volume de água do excesso de degelo em 2009, acumulado nos rios do Vale do Guaporé vai, num primeiro momento aumentar o nível do rio Madeira. As autoridades da Defesa Civil estão preocupadas com a possibilidade de causar enchentes em Porto Velho, talvez maiores do que a de anos anteriores.

Influi na questão climática a Alta da Bolívia, um fenômeno, como explicam os meteorologistas, presente nos altos níveis da atmosfera (geralmente em cima do território boliviano, por isso essa denominação) e que favorece a organização de áreas de instabilidade em todo o seu redor.

É um sistema típico desta época do ano e que, junto com a Zona de Convergência do Atlântico Sul, é responsável pelos acumulados significativos de chuva que ocorrem durante o inverno amazônico em Rondônia.

Este sistema favoreceu, nos últimos dias, a organização de muitas nuvens em todo o Estado. Com o calor e a grande disponibilidade de umidade, as nuvens ficam carregadas com facilidade e por isso as chuvas ocorreram com bastante frequência em todo o Estado.

Um boletim da Divisão de Meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), mostra de modelos de previsão climática indicando que o fenômeno El Niño ainda deve continuar atuando na região do Pacífico Equatorial, causando chuvas acima da média no Sul e oeste de Rondônia, sul do Pará, sul de Tocantins e nos setores sul, leste e nordeste do Mato Grosso.

O El Niño ameaça com novas enchentes os Estados do Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Nos Estados do Sudeste e do Centro-Oeste o fenômeno é caracterizado pela irregularidade da chuva, com períodos chuvosos intercalando períodos de veranico, secos e quentes.

No Nordeste a chuva diminui drasticamente, e no Norte ocorre menos chuva do que o normal.

O meteorologistas explicam que em anos em que o fenômeno El Niño se estabelece, há o enfraquecimento dos ventos alísios, que sopram de leste para oeste nas proximidades da linha do Equador.

Outras previsões indicam que, como o degelo dos Andes bolivianos foi intenso no ano passado, as geleiras bolivianas provavelmente não terão água suficiente no próximo verão para alimentar os rios e, ao contrário de 2010, o ano de 2011 poderá ter uma diminuição do nível do próprio rio Madeira.

O baixo nível do rio a partir de 2011 poderá prejudicar o funcionamento das hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau e a navegação das grandes balsas de soja entre Porto Velho e Itacoatiara.