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Veterano

Está findando meu tempo,
A tarde encerra mais cedo,
Meu mundo ficou pequeno
E eu sou menor do que penso.
O bagual tá mais ligeiro,
O braço fraqueja as vezes
Demoro mais do que quero
Mas alço a perna sem medo.

Encilho o cavalo manso,
mas boto o laço nos tentos,
Se força falta no braço,
Na coragem me sustento.
(Se lembra o tempo de quebra
A vida volta prá traz
Sou bagual que não se entrega,
Assim no mais.)

Nas manhãs de primavera
Quando vou para rodeio,
Sou menino de alma leve
Voando sobre o pelego.
Cavalo do meu potreiro
Mete a cabeça no freio.
Encilho no parapeito,
Mas não ato nem maneio.

Se desencilha o pelego
Cai o banco onde me sento,
Água quente de erva buena,
para matear em silêncio.
Neste fogo onde me aquento,
Remôo as coisas que penso,
Repasso o que tenho feito,
Para ver o que mereço.

Quando chegar meu inverno,
Que me vem branqueando o cerro,
Vai me encontrar venta-aberta
De coração estreleiro. Mui carregado dos sonhos,
Que habitam o meu peito
E que irão morar comigo
No meu novo paradeiro.

O que destoa neste vídeo de 82 do programa Galpão Crioulo da  TV Gaúcha ( acho que neste tempo ainda não era RBS) é a “platéia arranjada” no fundo, que o diretor de tv não percebeu e deixou passar. Tem uma mulher que masca chiclete com um ar enfadonho nunca dantes visto na tv brasileira.

Mas esquecendo deste deslize, o clip tem um bumbo legüeiro que só faltava ser tocado com uma colher, acompanhando os grandes “Os Serrranos”. As quatro primeiras frases “Está findando meu tempo, a tarde encerra mais cedo, meu mundo ficou pequeno e eu sou menor do que penso” são de uma melancolia poética do caralho .

A música é de Antônio Augusto e Ewerton Ferreira . Minha interpretação favorita é na voz fantástica do nativista pelotense Leopoldo Rassier, de trabuco na cintura e vincha na testa, sua marca registrada. Rassier, como diria o Lauro Quadros, “conhecia o rengo sentado e o cego dormindo”.  Vencedor na 10ª Califórnia da Canção Nativa do RS, Rassier faleceu em 2000, aos 63 anos vítima de câncer.

Em homenagem à Semana Farroupilha, que encerra hoje, dia 20 de setembro. ( Incluindo o dia 15,  o aniversário do Grêmio Football Portoalegrense). Aliás, na minha opinião, Rassier, que peitou a ditadura cantando Tema de Marcação, na Califórnia de 75,  é um injustiçado na cultura gaúcha. Companheiro de uma geração que também teve César Passarinho e … mas aí já é outra história.

A propósito.

Além da bandeira, do hino e do brasão de armas, os símbolos oficiais ecológicos e culturais do RS são: a árvore é a erva-mate (Lei 7.439, de 1980) ; a planta medicinal é a marcela (Lei 11.858, de 2002) ; a flor é o brinco-de-princesa (Lei 38.400, de 1998) ; o animal é o cavalo crioulo (Lei 11.826, de 2002) ;o prato típico é o churrasco e a bebida o chimarrão (Lei  11.929, de 2003) ; a ave é o quero-quero (Lei 7.418, de 1980) ; o instrumento musical é a gaita (Lei 13.513, de 2010) ; a escultura é a Estátua do Laçador ( Lei 12.992, de 2008)

……..

re-postado à pedidos

Gremistas, temos que melhorar nossa “plantação de batatas” !

Na legenda do jornal alemão, "O gramado do novo estádio em Porto Alegre é como uma fazenda.  foto: HSV / Twitter"

Na legenda do jornal alemão, “O gramado do novo estádio em Porto Alegre é como uma fazenda. foto: HSV / Twitter”

Por Beto Bertagna

Reclamando muito do gramado, dos vestiários e da briga na Geral do Grêmio (coisa de meia dúzia de manés ,como se na Europa não tivesse isto e tudo fosse somente flores), mas recebendo direitinho os 825.000 € . Esta é a visão do jornal Hamburger Morgen Post  , sobre o fato da  alemoada ter levado mais um 2 X 1 nas costelas. No jornal Bild, o diretor esportivo do HSV Frank Arnesen, comparou os torcedores da Geral do Grêmio a um bando de malucos. Nisso ele acertou ! Malucos,doidos pelo Grêmio ! Mas eles tem razão. Se necessário, que se traga todo o gramado do Olímpico !

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Junto com o velho Olímpico vai um pedaço de mim

Meu neto Théo no Olímpico

Meu neto Théo , em pleno Olímpico

Corria o cinzento ano de 1964… Acho que neste ano fomos tri na sequência que levaria ao hepta ! O time era (me corrijam se estiver errado) Arlindo, Altemir, Airton, Paulo Souza e Ortunho. Cleo e Sergio Lopes. Paulo Lumumba, Joãozinho, Alcindo e Vieira. O treinador do Grêmio era o “Capitão” Carlos Froner, ex-treinador do Aimoré, de São Leopoldo. Acho que pela primeira vez uma equipe de futebol gaúcho profissional teve um preparador físico,(até então chamado de “fisicultor”) o Major Mário Doernt, auxiliar de Froner no Aimoré, e que tinha umas idéias revolucionárias a respeito da preparação física dos atletas de futebol .  ( Na verdade, Doernt, tinha completado seu curso superior na EsefEx e estava pioneiramente implantando as modernas técnicas de treinamento desportivo). Foi o ano também que o famoso massagista “Banha” , novinho, vinte e poucos anos (e depois com seus mais de 120 kg) chegou no Grêmio, sendo responsável pelo relaxamento muscular dos juvenis e depois auxiliar de Ataíde Carvalho.

Acontece que eu era vizinho do Mario Doernt e as famílias eram e são até hoje, amigas. ( Nilza, ainda morando em Ipanema(viúva) e os filhos Márcio Doernt (médico), a Líquia(Márcia – arquiteta) e  a Marilza (médica) .

Daí para zanzar pelo Olímpico foi um pulo. Imagina para um garoto de 7 anos ficar perto dos seus ídolos e às vezes até participar dos treinos !

Os jogadores corriam de uma lateral a outra do gramado, e a função de nós, moleques, era levantar uma bandeirinha para que o tempo fosse cronometrado. Assim passava o Alcindo, o Airton, o Sérgio Lopes. Quer glória maior ? Além disso os jogadores viviam na casa do Mário, em Ipanema. Um hábito que ele sempre cultivou .  Depois o Maj Doernt, como profissional,  se mudou de mala e cuia para os Eucaliptos e começou a minha outra fase de Olímpico .

Foi com seu Ivo Marques, que tinha uma cadeira cativa e levava todo mundo no seu fusca azul em dia de jogo. Não sei como ele fazia, mas ele procurava um cambista chamado Careca, e chegava na roleta das Sociais e botava todo mundo prá dentro dizendo alto “tudo gremista, deixa passar que é tudo gremista !” O Ivan Marques, o Marco Herrman, o Mauro e o Olyntho devem se lembrar desta época !

Depois mil outras histórias, o chope no gramado suplementar e a Cristina me resgatando das comemorações da conquista do Mundial, a Lê, a Vivica, o Michel (meus filhos) conhecendo o Olímpico, o Renan e o Luizinho Duval na final da Libertadores contra o Boca, o Levy e o Jurandir numa semi da Libertadores decidida nos pênaltis contra um time paraguaio, depois o Michel adulto companheirando o Mercadinho Santo Antônio numa Polar à espera de um Gre-Nal.

Resumindo: só sei que quando começarem a derrubar o velho Olímpico vai junto um pedaço de mim, um grande pedaço feliz.