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Gente que encontrei por aí… Sérgio Ricardo

Cara, é o seguinte… Ele é da pesada !

João Lutfi, ou mais simplesmente , Sérgio Ricardo, diretor de cinema, ator, cantor e compositor.

Descendente de família libanesa, em 1940, aos 8 anos, foi matriculado no Conservatório de Música de Marília para estudar piano e teoria musical; mudou-se para São Paulo e foi locutor da rádio Cultura em São Vicente, litoral do estado.

Ao mudar para o Rio de Janeiro em 1952 conseguiu emprego como técnico de som e pianista, substituindo Tom Jobim. Familiarizado com a cidade, que foi o berço da bossa nova, passou a fazer parte do primeiro núcleo de compositores desse movimento musical. Lançou no começo dos anos 60 os LPs Não Gosto Mais de Mim e A Bossa Romântica de Sérgio Ricardo.

Participou do III Festival de Música Popular Brasileira transmitido pela TV Record, quando, num momento antológico, foi vaiado pelo público ao cantar “Beto bom de bola”, e nervoso, quebrou o violão e atirou-o contra a platéia.

Incentivado por Carlos Lyra, passou a inteirar-se de problemas políticos e sociais, o que o levou a compor canções retratando esses temas.

Ele está com um show lindíssimo com seus filhos, Cinema na Música de Sérgio Ricardo, show-visual que comemora seus 85 anos, dirigido por Marina Lutfi, sua filha – designer e cantora, que também estará presente no palco -, apresentando as principais criações de Sérgio para o cinema, campo em que recebeu inúmeras premiações por trilhas sonoras inesquecíveis, como a de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, e de filmes próprios, como “A Noite do Espantalho”, juntamente com João Gurgel (voz e violão), acompanhados do fera da percussão Carlos Cesar.

A apresentação é acompanhada por projeções de trechos dos filmes – a maioria com fotografia de Dib Lutfi, o “homem-grua” do Cinema Novo, que faleceu em outubro de 2016. Dib era o irmão caçula de Sérgio Ricardo. A cuidadosa seleção das imagens foi feita por Victor Magrath, editor dos últimos filmes de Sérgio, profundo conhecedor de sua filmografia.

Próxima apresentação, dia 21 de janeiro de 2018 no Festival de Cinema de Tiradentes/MG , com o lançamento do seu novo longa, Bandeira de Retalhos,, baseado numa história real. No fim dos anos 70, moradores e líderes comunitários do Vidigal impediram sua remoção da favela pelos governantes corruptos.

Voilá !!!

Estado Brasileiro finalmente anistia seu cineasta genial

Perseguido e censurado nos anos da Ditadura Militar (1964-1985), o cineasta baiano Glauber Rocha, pai do Cinema Novo, autor de  Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe, Barravento e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro – este último, uma das suas nove obras censuradas -, foi oficialmente anistiado em cerimônia realizada nesta quarta-feira (26/5), no Teatro Vila Velha, em Salvador.

Acusado de querer implantar o cinema político como forma de subversão, Glauber foi investigado, vigiado e perseguido pelo regime. “O filme político, através de técnicas minuciosamente estudadas, tem como fim precípuo influenciar a opinião pública, destruindo psicologicamente o espectador. Glauber Rocha e seus seguidores no Brasil querem implantar o cinema político, para com isso enganar o povo e levá-lo à agitação, à desordem política e à revolução”, dizia documento oficial do Ministério da Aeronáutica, datado de 1974.

Diante de um auditório lotado, a redenção do gênio que reinventou o modo de fazer cinema na Bahia e no Brasil levou a platéia ao choro e a efusivos aplausos, quando o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abraão, declarou a esperada anistia a Glauber. “Esse ato representa um reencontro da Nação com a sua própria história. Agora, é o momento de nós conhecermos a verdade relativa às atrocidades da Ditadura Militar, potencializarmos o aprendizado que ela possa nos trazer e, acima de tudo, propiciar que a sociedade brasileira conheça a sua história”, destacou.

A cerimônia, bem ao estilo de Glauber, com dança, teatro e poesia, reuniu artistas, personalidades da cena cultur al baiana, intelectuais, diretores cinematográficos, jornalistas e autoridades políticas, a exemplo do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, que inclusive foi testemunha da família no julgamento e o governador Jaques Wagner (PT)

– “Considerar Glauber um anistiado é fazer justiça; é um reconhecimento de um momento onde houve falta de liberdade e que muitos, como Glauber, sofreram. Então, na medida em que se reconhece um, até pela sua notoriedade, é, ao mesmo tempo, o reconhecimento de muitos; e faz história”, atestou o governador.