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Vai meu samba de Porto – o melhor samba, o que mais gosto e o que mais quero

Por: Altair Santos (Tatá)*

Ufa, pensei que não ia dar tempo! Hoje eu não podia deixar de falar pro meu samba. No apagar da luz, cheguei cansado da apressada e repleta agenda de hoje e, sem refrescar, vou direto ao assunto. Ainda é quinta-feira, mas logo será sexta-feira e com ela amanhecerá o sol de 2 de dezembro – Dia Nacional do Samba, dia do meu, do seu, do nosso tão querido e inesgotável samba de ontem de hoje, de amanhã e de sempre. O samba que, como nenhuma outra música ou ritmo, identifica, embala e representa tão bem o povo brasileiro, é o nosso DNA musical. Por isso, vai meu velho e bom samba! Te esquiva, faz cintura no requebro da mulata e sai miudinho, passa limpo, ligeiro, faceiro, sem perder a cadência, passa leve e solto, vai bonito e envolvente pelos pés do passista e permeia por entre essa enxurrada de mau-gosto e coisa ruim que a indústria cultural derrama, às toneladas, todo dia contra os nossos quengos e sai lá na frente, bem adiante e, como sempre, levanta ileso, fiel a ti e aos teus. Podem pensar que não, mas, aqui nesta nossa urbe, o samba também é maravilhosamente arrebatador, envolvente. O rufar do surdo, sob os acordes do cavaco, chama um saculejo e propõe um ziriguidum de moral. Pandeiro e ganzá se misturam a vozes e batidas na palma da mão e pronto, tá feito o samba. Aí vão-se as horas e o samba – leia-se balanço sabor Brasil – se apossa de nossas vidas, despe as nossas almas e veste nelas as indumentárias de Babá e Neguinho Orlando, Bola Sete, Leônidas Carol O’chester, Ari Barroso e Noel Rosa, Cartola e outros mais.   Acho – desculpem a imprecisão de dados – mas os dois extremos do samba aqui em Porto Velho estão, numa ponta com João Henrique Manga Rosa, na a letra e melodia: “triângulo teu passado e tua glória, tuas cabrochas, tua história, tudo isso há de ficar…” e no outro extremo, o Mercado Cultural com a Fina Flor do Samba, onde ecoam os sambas dos nossos autores locais e de outros ícones nacionais. É o samba, o homem e o tempo colecionando valores, fazendo história, escrevendo a memória. Em pontos eqüidistantes – entre Manga Rosa e o Mercado Cultural – estão ainda vivas algumas escolas de samba da capital, além de velhos e novos baluartes e personagens. Nos arriscamos a incorrer na omissão (por esquecimento) de alguns nomes, mas não nos furtaríamos de fazer especial ressalte aos bambas Ernesto Melo, Waldemir Pinheiro da Silva (Bainha), Sílvio Macêdo dos Santos (Sílvio Santos) e Antonio Chagas Campos (Cabeleira). Há quem não os goste. Porém, negá-los, é renunciar em somatória, mais de 200 anos de experiência, em se tratando de samba, distribuídos entre o quarteto de bambas. A partir deles, quanto samba bom, quanto samba! Mais, quanto sambista bom! E não paramos: Dentre as escolas de samba, as resistentes, as novas e as que não mais existem, todas ainda nos reconduzem ao ânimo. A Caiari há tempos se foi mas ainda é igualmente linda como a Castanheira, que também não mais está. A cidade porto que abriga tribos culturais de várias linguagens, acomoda-se nas tardes de sábado em temperadas rodas de samba. Seja no Asfaltão (tenda do tigre ou bar do Calixto), seja no Mercado Cultural, nas casas, bares e outros redutos de paticumbum, formamos uma confraria cujo mote é fazer e se permitir ser parte ou todo, do samba nosso de cada dia. Hoje não tem jeito, é pegar a amada pelo braço e, com jeitinho, riscar o salão escrevendo um samba ode à sua majestade, do dia, o próprio samba. Aos sambistas de Porto, todos eles, sejam cantores, compositores, intérpretes ou aficionados, a nossa homenagem e saudação.

(*) O autor é músico e Presidente da Fundação Cultural Iaripuna / tatadeportovelho@gmail.com

Ernesto Melo : se o bloco faz 20 e o poeta faz 60 só sai no Galo quem agüenta

Por Antônio Serpa do Amaral Filho

Com o slogan momesco “Se o Bloco faz 20 e Poeta faz 60, só sai no Galo quem agüenta”, a vida e a obra do cantor e compositor Ernesto Melo é tema da Sociedade Cultural Galo da Meia Noite, um dos maiores cordões carnavalesco da região norte brasileira. O anúncio foi feito pelo presidente da entidade, Edson Caúla, na última sexta-feira, dia 16.09, durante a apresentação da Companhia Musical Fina Flor do Samba, no Mercado Cultural, no centro histórico de Porto Velho. Surpreendendo o homenageado e o público presente, Caúla divulgou oficialmente a escolha de Ernesto Melo para tema do Galo da Meia para o carnaval de 2012, em razão do compositor ter completado 60 anos de vida e ter contribuído com suas inúmeras composições para a identidade cultual do povo de Rondônia, fazendo músicas tanto para o carnaval da capital rondoniense quanto para o acervo da música popular porto-velhense, especialmente no gênero samba. A ala de compositores do bloco será convocada para produzir as marchas que irão contar e cantar na avenida a vida e a obra do sambista.

foto : Thércia

foto : Thércia

Ernesto Melo, casado com Maria Erenir Coral dos Santos Melo, é filho de Dona Tereza Bento de Melo e do já falecido Esmite Bento de Melo. O Poeta da Cidade, como é chamado no meio artístico, começou cedo sua trajetória artística. Sua produção musical abrange hoje mais de cem peças musicais feitas durante mais de 40 anos de atuação no meio cultural. Ao ouvir o anúncio da sua escolha como tema do Galo, ele ficou muito emocionado, principalmente por coincidir com o advento dos seus 60 anos de idade. Ainda durante a apresentação no Mercado Cultural, o grupo musical Fina Flor do Samba dedicou especial homenagem ao líder da troupe, entoando com o coro do público a composição “Cantando em Tom Maior ”, composta por Basinho, exaltando a chegada do cantor à popularmente chamada melhor idade.

Samba composto em 19 de agosto de 2011 – em comemoração aos 60 anos de Ernesto Melo

Cantando em tom maior
De: Basinho
Tom: Am7

Am7
O poeta fez sessenta anos
E toda cidade vai cantar
Venceu todos os seus desenganos
Encontrou o amor que quis amar
O poeta fez sessenta anos
E toda cidade vai cantar
Venceu todos os seus desenganos
Encontrou o amor que quis amar

Erenir – o amor que o poeta quis pra si
Erenir – o amor que o poeta quis pra si
Erenir – o amor que o poeta quis pra si

Olha a Fina Flor
Olha meu amor – tá só que canta – Bis
Pois cada canção é uma esperança
Que no amanhã a vida seja bem melhor
Cantando com o poeta em tom maior – Bis
Meu amor…

Diga-se de Passagem…

Para quem não conhece o Flávio Carneiro , ele foi um dos grandes incentivadores da cultura em Rondônia. Poeta de primeira, com diversas letras musicadas por gente da estirpe de Nilson Chaves, Ernesto Melo, Bado, Augusto Silveira e Binho , Flávio hoje está em estado consciente mas sem movimentos, recebendo todo o carinho e atenção da sua família, da Chiquinha e da Carolina. O livro é um sonho que agora se concretiza, uma coletânea de suas poesias, dentre elas a que dá titulo ao livro e é uma música feita em parceria com Augusto Silveira. Compre um livro, dê de presente para os seus amigos, para fazer circular e imortalizar a obra deste batalhador cultural , Flávio Carneiro.

foto: B. Bertagna