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A Emissora da Revolução triunfará sobre os Blogs sujos

A Emissora da Revolução não será achincalhada pelos próceres comunistas que usam da libertinagem cibernética para violar a intimidade de uma empresa proba, que caminhou lado a lado com a revolução de 1964 na luta tenaz contra o comunismo, a qual continua até os dias atuais, com grande isenção e imparcialidade, caminhando ao lado daqueles que lutam contra o petismo atroz.

Forjada na luta contra o bolchevismo, a emissora se agigantou graças a sua competência própria, sendo pura coincidência atuar como porta-voz do regime, servindo aos mesmos ideais. É uma empresa capitalista, que acredita no capitalismo e que sempre caminhou por suas próprias pernas.

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Só um país medíocre deixa Luiz Carlos Maciel desempregado

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O Brasil é um país estúpido, medíocre e tão provinciano que não consegue perceber seus próprios talentos. De vez em quando surgem absurdos de situações de pessoas de grande talento serem condenadas à pobreza ou ao abandono.

Em 1993 o cantor e músico Lúcio Alves, uma das maiores vozes do país e um dos precursores da Bossa Nova, tendo sido um dos que anteciparam o espírito bossanovista em uma década, ou seja, nos anos 1940, morreu depois de tanto tempo doente e abandonado.

Acusada de improbidade por causa de um filme por ela dirigido, a atriz Norma Bengell chegou também a ser abandonada, ela que foi uma das maiores musas da virada dos anos 1950 para os 1960 e atuou em grandes filmes do cinema brasileiro. Morreu poucos anos depois de tentar sucesso como uma personagem lésbica na sitcom Toma Lá, Dá Cá, da TV Globo.

Houve também o caso do grande baixista Renato Rocha, conhecido como Negrete e Billy, que integrou a Legião Urbana na época dos seus três primeiros LPs, deixando sua marca em músicas como “Será”, “Ainda é Cedo”, “Tempo Perdido”, “Geração Coca-Cola”, “Faroeste Caboclo” e “Que País é Este?”.

Negrete, falecido este ano, foi jogado na miséria, era um vigoroso baixista e um artista carismático e muito admirado pelos fãs do Rock Brasil. Era um músico que deveria estar vivo até hoje e gravando álbuns e excursionando, em vez de ter sido entregue à pobreza, às drogas e ao álcool que abreviaram sua vida.

O caso, agora, é de um grande mestre do teatro e da cultura brasileira, que esperamos que viva muitíssimo, porque tem lucidez e talento de sobra para nos brindar com novos trabalhos. E que, apesar dos 77 anos, têm um grande compromisso histórico com a modernidade e com a juventude brasileira.

Trata-se de Luiz Carlos Maciel, que eu tive o prazer de entrevistar, por e-mail, com um modesto questionário que nem de longe abrangeu a sua rica trajetória de mais de 50 anos. Esta entrevista, feita no começo de 2002, publiquei na íntegra no meu livro Pelas Entranhas da Cultura Rock.

Sua vida e carreira dá um enorme livro, de tantas e diversificadas atividades que teve e com tantas personalidades com quem conviveu.

Maciel, que foi jornalista, diretor e ator teatral, ensaísta, e integrou a a fase áurea do periódico de humor e cultura O Pasquim, convivendo com Paulo de Tarso, Henfil, Millôr Fernandes, Jaguar, Ziraldo, Glauber Rocha e tantos outros, fez um anúncio melancólico que denunciou sua condição de desempregado. Sim. Desempregado, uma das mentes mais brilhantes de nosso país. Eis o texto:

“Um tanto constrangido, é verdade, mas sem outro jeito, aproveito esse meio de comunicação, típico da era contemporânea e de suas maravilhas, para levar ao conhecimento público o fato desagradável de que estou sem trabalho e, por conseguinte, sem dinheiro. É triste, mas é verdade. Estou desempregado há quase um ano. Preciso urgentemente de um trabalho que me dê uma grana capaz de aliviar este verdadeiro sufoco. Sei ler e escrever, sei dar aulas, já fiz direções de teatro e de cinema, já escrevi para o teatro, o cinema e a televisão. Publiquei vários livros, inclusive sobre técnicas de roteiro, faço supervisão nessas áreas de minha experiência, dou consultoria, tenho – permitam-me que o confesse – muitas competências. Na mídia impressa, já escrevi artigos, crônicas, reportagens… O que vier, eu traço. Até represento, só não danço nem canto. Será que não há um jeito honesto de ganhar a vida com o suor de meu rosto? Luiz Carlos Maciel.lcfmaciel@gmail.com“.

Constrangedor é ver uma grande figura que deu contribuições valiosas à nossa cultura ser jogada ao desemprego. Pode ser por causa da velhice, mas Maciel é mil vezes mais jovial do que zilhões de “sertanejos universitários” juntos e, como idoso, dá um banho de juventude nos granfinos empresários, médicos e economistas que começam os 60 anos brincando de serem velhos.

Até porque Maciel viveu um tempo em que o Brasil era moderno de verdade e é um dos cada vez mais escassos sobreviventes desses tempos. Vivenciou as agitações culturais do Brasil a poucos anos do golpe militar e tentou vivenciar os poucos e difíceis focos de resistência cultural já no Brasil ditatorial.

Ele viveu a fase brilhante da televisão brasileira, tendo feito parte do histórico Jornal de Vanguarda, da TV Excelsior. Escreveu diversos livros sobre comportamento e Contracultura, analisando as realidades estrangeira e brasileira, mergulhando fundo no que pensava a “garotada” dos anos 1960.

Sua bibliografia, seja em volumes inteiros, seja em capítulos, também apresentava ao público personalidades como Norman O. Brown, Norman Mailer, Ronnie Laing, e explicava melhor nomes conhecidos mas não devidamente compreendidos como Jimi Hendrix e Jean-Paul Sartre.

Lendo seus livros, nem precisa recorrer a ficções superficiais e estereotipadas como a minissérie de TV Anos Rebeldes, da Rede Globo, porque Maciel fazia um estudo aprofundado do que era a juventude dos anos 1960, muito além dos clichês da maioria dos relatos sobre movimentos estudantis e festivais da canção da época.

Maciel era um intelectual como devia ser, no sentido de um pensador e pesquisador sem deslumbramentos, diferente do que vemos hoje em “farofafeiros” e similares, que beijam na boca do “deus” mercado e fingem que investem na “provocação” e na “polêmica”.

Tenho duas sugestões para aproveitar o talento de Luiz Carlos Maciel. Uma é a TV Cultura investir num novo programa de entrevistas para substituir o Provocações do saudoso Antônio Abujamra. Com certeza, Maciel lançaria muitas ideias, entrevistaria pessoas de valor cultural indiscutível e criaria um programa muito dinâmico e atual.

Outra sugestão é chamá-lo para dirigir peças teatrais, e, neste caso, a esposa de Maciel, a atriz Maria Cláudia, que fez sucesso na TV nos anos 1970, pode também ser chamada. O teatro precisa desse vigor criativo de Maciel, já que infelizmente o cenário teatral regrediu para uma forma piorada do contexto elitista-estrangeirizado dos tempos do Teatro Brasileiro de Comédia.

Não considero Maciel velho e acredito no seu potencial de revitalizar a cultura brasileira com sua contribuição valiosa e criativa. Um artista destes não pode ficar desempregado e jogado ao abandono, até pela sua longa e riquíssima experiência de vida.

Ele é um dos poucos grandes que continua vivo e, com certeza, com uma vontade juvenil de criar, lançar ideias e renovar o hoje tão acomodado cenário cultural, num Brasil em que a maioria das pessoas só quer saber de brincar com o WhatsApp patinando os dedos das mãos nos celulares.

O Brasil precisa valorizar talentos como Luiz Carlos Maciel, que tanto contribuíram e querem contribuir para o país. É uma forma de reconhecer e apreciar quem tanto lutou para tornar a vida brasileira mais criativa e proveitosa.

via Linhaça Atômica

Roberto Marinho, o Homem Bom da Revolução (via Prof. Hariovaldo)

Altamente comprometido com a democracia, Marinho  “trabalhou silenciosamente” junto a um grupo composto, entre outras lideranças, pelo general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar; o general Golbery do Couto e Silva, chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI); Luis Vianna, chefe da Casa Civil, pela prorrogação ou renovação do mandato do ditador Castelo Branco.

Leia Mais em Prof. Hariovaldo Almeida Prado

A prisão de Lupicínio Rodrigues na ditadura militar

 

lupiPor José Ribamar Bessa Freire
Diário do Amazonas

A Comissão da Verdade não sabe, mas depois do golpe militar de 1964, o compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974) foi preso e permaneceu vários meses trancafiado, primeiro no Quartel da PE, no centro de Porto Alegre e, depois, no presídio da Ilha da Pintada, apesar de nunca ter tido qualquer atividade política. Lá, foi humilhado, espancado e torturado, teve a unha arrancada para não tocar mais violão e contraiu uma tuberculose agravada pelo vento frio do rio Jacuí.

Quem me confidenciou isso foi um dos filhos de Lupicínio, Lôndero Gustavo Dávila Rodrigues, também músico, 67 anos, que hoje trabalha como motorista na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O fato é pouco conhecido, pois Lupicínio não gostava de tocar no assunto. Preferiu silenciá-lo. Morria de vergonha. “E a vergonha é a herança maior que meu pai me deixou”, cantava ele em “Vingança”, um grande sucesso dois anos antes de sua morte.

– Pra quem tem dinheiro ou diploma, a prisão política pode até ser uma medalha, tem algo de heroico. Mas para as pessoas humildes, como ele, que não se metia em política, a prisão é sempre uma humilhação, algo que deve ser escondido, esquecido – conta o filho de Lupicínio, a quem conheci recentemente, quando ele, dirigindo o carro da Universidade, veio me buscar para participar de uma banca de mestrado lá em Seropédica.

A viagem de ida-e-volta durou mais de cinco horas. Nos primeiros cinco minutos, eu já havia lhe contado que era amazonense, do bairro de Aparecida e, quando deu brecha, mostrei-lhe fotos da minha neta. Nos cinco minutos seguintes, ele já tinha me falado de Lupicínio, seu pai, de dona Emilia, sua mãe, de sua infância em Rio Pardo (RS) e de suas andanças como músico por 29 países. Quando nos despedimos, já éramos amigos de infância.

NERVOS DE AÇO

Lôndero tem memória extraordinária e admirável dom de narrar. Suas histórias, que jorraram aos borbotões, podem ocupar várias crônicas dominicais. Ele próprio é um personagem, suas andanças dariam um livro. Mas o que ele viveu com seu pai, boêmio e mulherengo, dá outro livro. Não sei nem por onde começar. Talvez por onde já comecei: a prisão do pai, que teria provocado uma reação até mesmo em “pessoas de nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração”.

– Nós, da família, sofremos muito com a injustiça da prisão. Sabíamos que Lupicínio não se metia em política – contou seu filho, informando ainda que antes da prisão, o pai havia feito uma versão musical – quanta ironia! – para aquela letra da “oração do paraquedista” encontrada com um militar francês morto em 1943 no norte da África. Lôndero recita:

– Dai-me Senhor meu Deus o que vos resta /Aquilo que ninguém vos pede / Dai-me tudo o que os outros não querem / a luta e a tormenta / Dai-me, porém, a força, a coragem e a fé.

Lupicínio precisou mesmo de muita coragem e fé para amargar a prisão, onde em vez de tainha na taquara ou peixe assado no espeto de bambu, comeu foi o pão que o diabo amassou. Tudo isso por causa de uma ligação pessoal dele com Getúlio Vargas, relação que acabou sendo herdada, posteriormente, por Jango e Brizola.

JINGLE PARA GETÚLIO

Segundo Lôndero, Lupicínio, que já era um compositor consagrado em 1950, fez um jingle para a volta de Getúlio Vargas, com aquela marchinha de carnaval de Haroldo Lobo, que foi também gravada por Francisco Alves: “Bota o retrato do velho outra vez / Bota no mesmo lugar / o sorriso do velhinho / faz a gente trabalhar”.

Vargas já gostava das músicas de Lupicínio antes de ele ser sucesso nacional. Por isso, decidiu bancar a entrada do compositor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Lupicínio, que havia cursado só até o 3º primário, foi nomeado bedel da Faculdade de Direito, onde trabalhou também como porteiro.

– Um belo dia – conta Lôndero – Lupicínio caiu na farra, virou a noite e saiu direto dos bares para a Universidade. O reitor deu um flagrante nele, quando o encontrou bêbado na portaria. Deu-lhe um esporro, publicamente, humilhando-o na frente de alunos, professores e colegas. No dia seguinte, Lupicínio entrou com um requerimento com letra de samba, que seu filho sabe de cor:

– Magnífico Reitor, que a tua sabedoria e soberba não venha a ser um motivo de humilhação para o teu próximo. Guarda domínio sobre ti e nunca te deixes cair em arrogância. Se preferires a paz definitivamente, sorri ao destino que te fere. Mas nunca firas ninguém. Nestes termos, pede deferimento. Assinado: Lupicínio Rodrigues, porteiro.

EM OUTRA FREGUESIA           

Não sabemos se o reitor deferiu o requerimento e a partir de então passou a sorrir ao destino sem ferir ninguém. O certo é que Lupicínio deixou o emprego na Universidade e foi cantar em outra freguesia, em bares, restaurantes e churrascarias, onde aliava trabalho com boemia.

Foi ele, Lupicínio, quem compôs o hino tricolor do Grêmio, do qual era um fanático torcedor, ganhando com isso um retrato no salão nobre do clube. Depois do suicídio de Vargas, em 1954, Lupicínio, já consagrado nacionalmente, continuou mantendo relações amistosas com Jango e Brizola, que também admiravam sua música. Por conta disso, foi preso e torturado, segundo seu filho.

Autor de grandes sucessos como “Felicidade foi se embora”, “Vingança”, “Esses moços”, “Nervos de aço”, “Caixa de Ódio”, “Se acaso você chegasse”, “Remorso” e dezenas de outros, Lupicínio compôs “Calúnia”, cuja letra pode muito bem ter outra leitura, quando sabemos de sua prisão e a forma como foi feita:

– Você me acusa / Mas não prova o que diz / Você me acusa / De um mal que eu não fiz/ A calúnia é um crime / que Deus não perdoa / Você vai sofrer / aqui neste mundo.

A letra de “Calúnia”, gravada por Linda Batista em 1958, termina com Lupicínio rogando: “Eu não quero vingança / A vingança é pecado / Só a Justiça Divina / Pode seu crime julgar”. Mas se prevalecer a letra de “Vingança”, cantada também por Linda Batista e depois por Jamelão, os torturadores da ditadura não terão paz e serão punidos pela Justiça: “Você há de rolar como as pedras que rolam na estrada, sem ter nunca um cantinho de seu pra poder descansar”.

via Livre Imprensa

Cineastas lançam manifesto em apoio à Comissão da Verdade

Diante das manifestações de alguns setores militares “confrontando as instituições democráticas e o próprio estado de direito”, um grupo de mais de cem cineastas brasileiros divulgou um manifesto em defesa da Comissão da Verdade. “Repudiamos os ataques desses setores minoritários das Forças Armadas brasileiras, que de forma alguma irão obstruir as investigações que devem ser iniciadas o quanto antes”, afirma o manifesto.

“Nós, cineastas brasileiros, expressamos a nossa preocupação com as frequentes manifestações de militares confrontando as instituições democráticas e o próprio estado de direito. Todos os cidadãos brasileiros têm o direito de conhecer o que foram os 21 anos de ditadura militar instaurada com o golpe de 1964. É preciso que a Comissão da Verdade, instituída para esclarecer fatos obscuros daquele período, em que foram cometidas graves violências institucionais, perseguições, torturas e assassinatos, tenha plenas condições e apoio da sociedade brasileira para realizar essa tarefa histórica. Repudiamos os ataques desses setores minoritários das Forças Armadas brasileiras, que de forma alguma irão obstruir as investigações que devem ser iniciadas o quanto antes. Estaremos atentos para que tal comissão seja composta por pessoas comprometidas com a democracia e com a verdade.”