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No carnaval do Rio não há crise… de alegria.

Texto e foto de Valéria del Cueto

Não adianta chororô, nem mimimi. Pode ter crise econômica, protesto do “agro” e mudanças no regulamento. É do jogo. Nada atrapalhará a maior festa popular do mundo. A única coisa que não pode ser prevista nem contornada é a chuva. Ela, sim, um imponderável sem possibilidade de controle. E há previsão…

As novidades de 2017 começam na estrutura do espetáculo definida pelas alterações no regulamento da Liesa, a Liga das Escolas de Samba, para este carnaval. Menos tempo de desfile, agora são 75 minutos para cada agremiação. Um carro alegórico a menos, são 6 por escola. Menos paradas para apresentações para os julgadores, apesar de continuarem existindo 4 cabines de julgamento, as duas centrais estão no mesmo ponto. Um novo horário, agora começa às 22 horas a festa no Sambódromo Darcy Ribeiro, a mítica passarela carnavalesca carioca, na Marquês de Sapucaí.

Infelizmente quem vê o desfile pela televisão continuará sem assistir a íntegra da apresentação das primeiras agremiações. E olha que as alterações se justificavam justamente para que, ao contrário do ano passado, as escolas que abrem a festa no domingo e na segunda-feira de carnaval pudessem ser transmitidas para o Brasil e o mundo. Serão, mas parcialmente.

Domingo é dia de índio, música e comédia

No domingo o Paraíso do Tuiti, campeão da Série A do Acesso, abre o Desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro. “Carnavaleidoscópio Tropifágico”, enredo de Jack Vasconcelos, homenageia o Movimento Tropicalista. O carnavalesco já avisa: “o enredo não é político”.

A levada continua musical, porém, levantando a poeira do Axé da baiana Ivete Sangalo na única homenagem a uma personalidade deste ano. A Grande Rio vem com “Ivete de rio a Rio”. A proposta de Fábio Ricardo passeia pela vida da cantora.

Quando, no início do ano, videntes disseram que a Grande Rio, a Beija-Flor e a Imperatriz Leopoldinense estariam no páreo para o título de 2017 foi uma surpresa. Para começar, as três desfilam no domingo e, de 2.000 para cá, apenas a Vila (2006) e a Tijuca (2010) ganharam o título no primeiro dia de competição. A campeã costuma sair das escolas que se apresentam na segunda-feira.

Logo depois, a polêmica provocada pelo “Belo Monstro” e outros detalhes do enredo da Imperatriz Leopoldinense a colocaram em evidência. Xingu, o clamor da floresta” desagradou o agronegócio. Foi bravamente defendido por seu criador Cahê Rodrigues que, com o apoio do presidente Luizinho Drumond e da comunidade, manteve o projeto original. A tentativa de censurar ou modificar a proposta acabou saindo pela culatra. Popularizou o tema, mexendo com os brios dos componentes da escola de Ramos. Índio quer espaço e, se isso divide opiniões, a Imperatriz contrabalança com uma unanimidade: o retorno de Luiza Brunet como Musa à passarela do samba.

“Vila, azul que dá o tom da minha vida…” o enredo “O Som da Cor“, de Alex de Souza produziu um dos melhores sambas do ano, interpretado por Igor Sorriso e a Suingueira de Noel. A escola tenta se reerguer após chegar a anunciar que não participaria do carnaval por ter tido suas contas bloqueadas na justiça ano passado. Vem prometendo Kizombar.

O Salgueiro continua por ali. Loucos para “morder” mais um título, Renato e Márcia Lage desenvolvem o enredo “A Divina Comédia do Carnaval” enquanto, nos bastidores, se comenta que o carnavalesco teria fechado com a Unidos da Tijuca para o próximo ano.

A noite termina com a Beija-Flor e “A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema”. Uma das novidades da comunidade nilopolitana será a ausência de alas, já adiantou Laíla, coordenador da comissão de carnaval. Um alerta. O samba, puxado por Neguinho da Beija-flor, é um chiclete daqueles que não sai da cabeça nem os sonhos mais exaustos de quem voltará para a Sapucaí para o segundo dia de desfiles…

Mangueira em busca do bi campeonato

Marrocos aos USA nos rios do tempo da simpatia Pensar mal disso? É segunda!

O carnavalesco Severo Luzardo estreia no Grupo Especial apresentando o passado, o presente e o futuro sob a ótica africana do candomblé da nação de Angola, dos povos Bantos, “puxado” por Ito Melodia, no enredo “Nzara Ndembu – Glória ao Senhor Tempo“.

Depois da festa de encerramento das Olimpíadas, Rosa Magalhães se debruçou sobre a preparação do carnaval da São Clemente. Tenta falar aí: “Onisuáquimalipanse” Traduzind o: Envergonhe-se quem pensar mal disso. E vamos esperar para ver o que a carnavalesca campeã das campeãs trará para a Sapucaí.

Abre-te Sésamo que o samba ordenou: vindo lá do Marrocos de Padre Miguel, “As Mil e Uma Noites de uma ‘Mocidade’ prá lá de Marrakesh”, apresenta um ótimo samba para embalar o enredo das arábias de Alexandre Louzada e Edson Pereira.

A vice-campeã de 2016, Unidos da Tijuca falará sobre música, a americana. “Música na Alma, Inspiração de uma Nação”, e dá-lhe variedade! A sinopse do enredo da comissão composta por Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, tem até um glossário para explicar termos e estilos musicais dos USA.

E aí, vem a Portela, num ano conturbado com a morte de seu presidente Marcos Falcon. O vice, Luis Carlos Magalhães teve que se desdobrar para administrar o projeto de carnaval. Já em 2017, por exemplo, foi trocado, por exigência do carnavalesco Paulo Barros, o comando da comissão de frente! Mesmo antes do desfile, seu enredo já é realidade para os portelenses: “Quem nunca sentiu seu corpo arrepiar ao ver esse rio passar”. As chances de um bom resultado aumentam com o fim do mandato de Eduardo Paes, portelense assumido e um pé-frio daqueles. Em 8 anos de torcida e apoio declarado a escola de Osvaldo Cruz não conseguiu chegar ao título.

A última escola a desfilar confirma a regra por ser exceção. Só os mangueirenses mais apaixonados apostavam no título conquistado em 2016 pelo jovem carnavalesco estreante no Grupo Especial, Leandro Vieira. Diante das previsões dos videntes, novamente, ele corre por fora. Nascido e criado para vencer demanda, cercado de todas as proteções imagináveis, conta com muita força lá de cima! Leandro avaliou suas possibilidades de chegar ao bicampeonato até no título do enredo verde e rosa. “Só com a ajuda do Santo”.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Ordem dos desfiles:

Domingo: Paraíso do Tuiuti, Grande Rio, Imperatriz, Vila, Salgueiro e Beija-flor

Segunda: Ilha, São Clemente, Mocidade, Unidos da Tijuca, Portela, Mangueira

Tá difícil! Pensando bem, quando não foi?

2Carnavalia 1506 009 mãos chapéuTexto e foto de Valéria del Cueto

Estamos em junho o assunto da última quinzena do mês  é… carnaval!

Pra quem pensa que a sequencia de maravilhas do mundo apresentadas num desfile de carnaval brota assim, de estalo, uma notícia: não é beeem assim.

De fevereiro para cá já rolou uma enormidade de água debaixo dessa ponte. A janela de contratações e troca-troca de agremiações começa ainda na pista da Sapucaí, no desfile das Campeãs. Uma época de montagem de estratégias e definições de estilos de trabalho para o carnaval seguinte. O vai-e-vem continua, mas sem dúvida, o momento das  surpresas e movimentações espetaculares não costuma chegar ao fim da quaresma.

O engraçado é que, como todo mundo vem “virando”, trocando o dia pela noite, tanto no pré-carnaval como nos dias de folia, as grandes notícias das contratações são dadas, em sua maioria, no fim de tarde/noite/ madrugada dos dias posteriores ao reinado de momo. As especulações também circulam nessa faixa horária…

Depois do boom dos sites carnavalescos as redes sociais se encarregam de repercutir com sua incrível capilaridade e uma agilidade espantosa os resultados das negociações. Elas prosseguem enquanto são realizadas inúmeras festas de entrega de premiações para todos os grupos, do Especial ao grupo E. O final da temporada é marcado pelo esperado Sambanet que aconteceu dia 22 de maio.

Mas aí, já havia outros assuntos palpitantes no circuito carnavalesco. Primeiro, os anúncios dos temas dos enredos. Seguido pela divulgação de seus textos e apresentação dos mesmos aos compositores das escolas de samba. É claro que cada uma tem seu ritmo. A única certeza é que os sambas devem estar definidos até as datas fixadas no calendário para as gravações oficiais, a tempo de distribuir os CDs para as vendas, antes do Natal.

Até lá ainda há muito trecho para percorrer e problemas a serem resolvidos. Especialmente num ano como esse, atípico em função da crise econômica brasileira…

Pode até parecer que ela é a bola da vez dos debates e reflexões que estão movimentando as mesas do  Sambacon, Encontro Nacional do Samba, em suas palestras. A segunda edição do evento acontece paralelamente a Carnavália, feira da cadeia produtiva do carnaval, no Centro de Convenções SulAmérica, Cidade Nova, ao ladinho do Estácio. A situação anda ruim pra todo mundo e seus reflexos certamente atingiriam os súditos de Momo. O problema é que outros fatores há muito vem se acumulando para o desgaste do modelo atual do carnaval.

Alguma novidade? Claro que não! Os cronistas carnavalescos já registravam há mais de um século os gargalos que estavam levando o carnaval para o buraco. E tome polca! Mais recentemente, as “Super Escolas de Samba S/A” viraram inspiração para os versos consagrados de Beto Sem Braço e Aluisio Machado nos idos de 1982, do “Bum Bum, Praticumbum Brugurundum”, do Império Serrano.

Nada que não possa ser posto na roda e discutido na primeira versão internacionalizada do Carnavália-Sambacon. Convidados da Europa, América Latina, Estados Unidos e Japão integrarão a mesa mediada do carnavalesco Milton Cunha, Professor Doutor em Teoria do Carnaval pela UFRJ.

Pensa que acabou? Uma vírgula! Na semana que vem o seminário “Sonhar não custa nada, ou quase nada? – Horizontes dos desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro”, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, reflete sobre 3 questões: Do que se trata um evento lúdico-artístico no qual os sonhos adquirem expressividade pública para audiências cada vez mais amplas? Como se materializam sonhos do Desfile das Escolas de Samba? Sob quais condições organizacionais, materiais e simbólicas, atualmente, tais materializações são possíveis?

A Academia quer mostrar que também tem samba no pé…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É Carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Bainha, o homem que comeu cera

ataPor  Altair Santos (Tatá)
Para: Luciana Oliveira, agradecido pela deixa

Já vem de certo tempo a nossa amizade com o compositor, intérprete, carnavalesco e ritmista Waldemir Pinheiro da Silva, o popular e querido Bainha, por quem nutrimos alargada admiração, respeito e carinho. Sem exageros o temos como um dos maiorais, dentre os maiorais do samba local e do nosso carnaval.
Durante esse mal engendrado carnaval de 2015 pudemos privar da companhia honrosa do Bainha em alguns eventos: tocamos e cantamos no Samba Autoral junto ao povo alegre do Asfaltão, madrugamos no Mocambo com o Bloco Até Que Noite Vire Dia, fomos ao Bar do Pernambuco no Concentra Mas Não Sai, brincamos no Calixto & Cia com o amigo Toninho Tavernard e tantos outros e saímos na Banda do Vai Quem Quer. A nossa agenda findou por aí. Já o irrequieto Bainha, por seu turno fez a via sacra completa!
Um dia desses, ao calor da organização do Bloco Pirarucu do Madeira, momentos antes do desfile, houvemos de relatar pra amiga Luciana Oliveira, algumas proezas desse jovem com quase 76 anos nos costados, fazendo ressalte para o que mais chama a atenção nele, a cintilante alegria e a energia em altíssima voltagem que o rapaz carrega consigo, além, é claro, da sua inegável e espraiada competência poético-melódica.
Pois bem, dentre tantas sobre o Bainha, uma passagem sempre se aviva em nossa lembrança, como vejamos: certa vez, quando por aqui ainda rolavam os carnavais fora de época, com os trios e bandas da Bahia fazendo aquelas apresentações grandiosas, lá Avenida Jorge Teixeira, estávamos na beira da calçada, sentados bebericando algo e apreciando o movimento, até que a efervescente apresentação do grupo Chiclete com Banana se aproximasse.
Quando o grande e festivo cortejo chegou onde estávamos nos pusemos olhar tudo. Após passarem os brincantes vestidos com os abadás, eis que na divisa fronteiriça entre a corda e a pipoca, na primeira fila, nossas vistas bateram em cima de um certo baixinho, cambota e serelepe, trajando bermuda branca sandália de couro, camiseta no ombro e uma bandana a lhe cobrir a careca. Na mão como providencial adereço, uma inseparável lata de cerveja. Era o Bainha!
Naquele montueiro de gente ele vinha bem na frente, dando as cartas e ditando o ritmo, parecia Zé Pereira, o Rei da Folia, tirando uma de mestre sala ou comissão de frente daquela numerosa e frenética pipoca. Na segunda volta do trio no circuito, a cena se repete com o incansável Bainha liderando o fuzuê dos foliões pipoqueiros, pulando e sacudindo os braços em movimentos coreograficamente ordenados. Ao seu redor os jovens brincavam e parecia serem abastecidos pelos volts intermináveis da sua bateria.
Mais tarde, por volta de duas da madrugada, lá pros rumos do Bairro Nossa Senhora da Graças, paramos num certo botequim pros goles derradeiros antes de ir pra casa. Numa das mesas, rodeado de amigos bem mais jovens lá estava o energizado, o turbinado e eletrizado Bainha, fagueiramente a prosear.
Cremos que o moço é um ungido a esbanjar essa vitalidade toda, por haver herdado receitas miraculosas de ancestrais mui distantes como antigas e remotas tribos da cordilheira do Himalaia. Se não de tão distante, talvez a sua receita seja daqui mesmo da Amazônia, preparada com os óleos, folhas, raízes e desconhecidas seivas extraídas por velhos Pajés.
Após ouvir atentamente o que discorremos, a Luciana deu um trago no cigarro, soprou a fumaça, lançou um olhar pro espaço e disse, em tom moderado: Parece que ele comeu cera!
tatádeportovelho@gmail.com

Mostra no pé, leva fé

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Texto e fotos de Valéria del Cueto

Os últimos dias antes do carnaval superam qualquer enredo de escola de samba. Mesmo os mais fantasiosos e delirantes de Joãozinho 30.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, depois de prudentemente botar a cidade em alerta por causa da ameaça de uma chuvarada, resolveu vestir sua fantasia  antecipar a resposta à pergunta/tema da Mocidade Independente “Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria se só te restasse um dia?” Declarou que quer ver a Portela campeã! Mais atrapalhou que ajudou, assim como a suposição levantada por um jornal carioca de que os abre-alas da Portela e da Mangueira tinham a mesma inspiração. Pode ser boato… A Beija-Flor está nos noticiários por que teria recebido um gordíssimo patrocínio de um sanguinário ditador africano, o presidente de Guiné Equatorial. Já ouviu falar?

Não é boato que a Rede Globo, além de não transmitir o desfile das campeãs, mudará a ordem das apresentações das escolas. As primeiras foram lançadas para o final da transmissão. Para adequar a grade da emissora, o televisionamento será da segunda escola em diante. Viradouro, no domingo, e São Clemente, na segunda, serão empurradas em VTs para o final das respectivas noites. Veja no box links em que é possível, não apenas acompanhar os dois desfiles como, também, ter acesso a comentários e avaliações mais interessantes do que os da emissora padrão durante todo o evento.

DOMINGO – Quem abre o carnaval no domingo é a Viradouro, de Niterói, que volta ao grupo Especial cantado ideias do compositor Luis Carlos da Vila. O samba é bom, puxado Zé Paulo Sierra que já foi um dos tenores da Mangueira. Uma mulher, a primeira, é  parte da comissão de bateria, é a mestre Thalita Freitas.

As rosas vão se espalhar pela Sapucaí já no abre-alas da escola de Dona Zica e tantas outras mulheres mangueirenses, perfumada por seu aroma. Cantar as suas mulheres e as brasileiras, embalados pelos mestres/meninos da primeira ala – a da bateria, é parte da emoção com que Cid Carvalho, o carnavalesco, quer arrebatar a avenida. Com Benito de Paula e tudo!

A seguir, vem Paulo Barros e a Mocidade Independente exercitando a imaginação na provocadora pergunta: “Se só te restasse um dia?” Só os deuses do carnaval sabem o que vem por ali. A verde e branca será movida por um carnavalesco querendo se recriar…

A Vila Isabel tenta se recuperar, após o fraco desfile do ano passado, falando de música e homenageando o maestro Isaac Karabtchevsky. Vale procurar Martinho da Vila na pista. Há 50 anos ele entrava para a escola que lhe deu nome e onde fez história.

Outra que pisa na Sapucaí em ritmo de comemoração é a rainha de bateria do Salgueiro, Viviane Araújo. 20 anos de desfile não é para qualquer uma! Segundo lugar, ano passado, o enredo de delícias mineiras de Renato e Márcia Lage, parece ter “mineiramente”, contaminado os salgueirenses. Atenção à Porta Bandeira Marcella Alves, com seu parceiro Sidcley.

A noite fecha com a Grande Rio e um dos carnavalescos mais festejados da nova safra, Fábio Ricardo, prometendo uma virada de jogo, no enredo que fala do… baralho.   

SEGUNDA – A São Clemente vem cheia de assombrações e mitos acreanos, carnavalizando as origens das fantasias infantis de Fernando Pamplona. É a criatura, a campeã de títulos na Sapucaí, Rosa Magalhães, falando do criador. Dela e de muitos outros talentos que “desenharam” o formato do desfile das escolas de samba. Se todos os seus seguidores participarem do cortejo, a coisa vai longe.

Alexandre Louzada assina o desfile da Portela. A escola de Oswaldo Cruz apresenta uma versão surrealista, sob o ponto de vista de uma de suas maiores expressões, Salvador Dali, da Cidade Maravilhosa. E o samba é bom. Falaram e falam que querem por que querem. É bom lembrar que nos últimos 12 anos, apenas 4 escolas foram campeãs: Beija- Flor, Salgueiro, Unidos da Tijuca e Vila Isabel. Tem muita gente seca pra quebrar essa escrita.

Mas, para isso, vai ter que passar pelos brios da representante de Nilópolis, muito mal colocada ano passado. Esse ano Neguinho da Beija-Flor puxa um samba  sobre Griôs, África e a Guiné Equatorial.

“Beleza Pura”, do carnavalesco Alex de Souza, para a União da Ilha do Governador em todos os aspectos e circunstâncias. Principalmente com o samba puxado por Ito Melodia e com a bateria comandada por mestre Ciça.

A Imperatriz Leopoldinense é outra que corre por fora sem muito alarde. Depois do jogador Zico, homenageado ano passado, Cahê Rodrigues, o carnavalesco, passa a bola para Nkenda, Nelson Mandela, e um enredo sobre negritude africana.

A segunda noite é fechada pela campeã do ano passado, a Unidos da Tijuca, embalada pelas  reminiscências infantis de Clóvis Bornay, personalidade carnavalesca, das histórias contadas por seu pai sobre a Suíça.

É bom lembrar que emoção não ganha jogo, especialmente pelas regras do manual de julgamento da Liesa… 

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Transmissões ao vivo dos desfiles:

Rádio Arquibancada www.radioarquibancada.com.br/

Tupi Carnaval Total  www.carnaval.tupi.am/

O Carnavalesco www.carnavalesco.com.br/

Horário
dos Desfiles
DOMINGO
15/02/2015
Início 21:30
Viradouro
 
Entre 22:35 e 22:52
Mangueira
Entre 23:10 e 23:44
Mocidade
Entre 00:45 e 01:36
Vila Isabel
Entre 01:50 e 02:58
Salgueiro
Entre 02:55 e 04:20
Grande Rio
 
Horário
dos Desfiles
SEGUNDA
16/02/2015
Início 21:30
São Clemente
 
Entre 22:35 e 22:52
Portela
Entre 23:10 e 23:44
Beija-Flor
Entre 00:45 e 01:36
União da Ilha
 
Entre 01:50 e 02:58
Imperatriz
            Entre 02:55 e 04:20
  Unidos da Tijuca
 

O enredo desse samba

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Texto e fotos de Valéria del Cueto

Na reta final dos preparativos do Sambódromo Darcy Ribeiro, na Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro, para os desfiles do Grupo Especial é hora da benção e dos ajustes finais, neste domingo. A benção será dada, como em anos anteriores,  pelas baianas de todas as escolas. Elas lavam a pista com água de cheiro, abrem os caminhos com defumadores, distribuem palmas e arruda para a plateia embaladas por sambas de terreiro. Abrem o cortejo mestre-salas e porta-bandeiras trazendo os pavilhões das agremiações cariocas. No final, a imagem do protetor do Rio de Janeiro, São Sebastião.

Só essa cerimônia já vale a viagem até o centro da Cidade logo mais, mas a festa ainda guarda um evento esperado por todos. Depois que o povo do samba passar e dos testes finais de som e de luz, vem o ensaio técnico da escola campeã do ano anterior.

A Unidos da Tijuca, agora sem o carnavalesco Paulo Barros, fará o reconhecimento das condições finais da pista onde defenderá o enredo “Um conto marcado no tempo – o olhar suíço de Clóvis Bornay”, do departamento de carnaval composto por Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim, Marcus Paulo e Carlos Carvalho. Nas redes já há um viral da Nestlé com um trecho do samba e a visita de componentes da escola a fábrica de chocolates na… Suiça, indicando a origem patrocinada do tema.

Essa seria uma das razões da troca do carnavalesco Paulo Barros. ele deixou a escola do Borel após o campeonato sobre o piloto Aírton Senna. Na Mocidade Independente de Padre Miguel emplacou seu enredo autoral “Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria se só te restasse um dia?”. Baseada na música de Paulinho Moska, a pergunta pode render um desfile que permita ao carnavalesco dar vazão a sua criatividade, questionada por quem vê em seus últimos carnavais a repetição de fórmulas de sucessos anteriores.

Quem também trocou de casa foi a campeoníssima Rosa Magalhães. Da Mangueira foi para a São Clemente e lá homenageará Fernando Pamplona, “pai dos carnavalescos” (levou Rosa e muitos outros talentos, como Joãozinho Trinta, para o mundo das escolas de samba), com o enredo “A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Perera, da Tocandira e da Onça de pé de boi” que começa no Acre e passeia pelo imaginário infantil e adulto do criador genial.

A verde e rosa vem com um enredo louvando sua própria comunidade. Cid Carvalho parte da força motriz do  morro de Mangueira e abre o leque, avisando: ”Agora chegou a vez vou cantar: mulher de Mangueira, mulher brasileira em primeiro lugar”

Outra referência ligada ao mundo do carnaval será feita pela Viradouro: “Nas Veias do Brasil, é a Viradouro em um Dia de Graça!” Dois sambas do compositor Luiz Carlos da Vila, “Nas veias do Brasil” e “Por um dia de Graça” são a base da sinopse criada por Milton Cunha e desenvolvida pelo  carnavalesco João Vitor Araújo para falar da negritude brasileira.

“Axé, Nkenda! Um ritual de liberdade e que a voz da liberdade seja sempre a nossa voz” levará os componentes da Imperatriz do carnavalesco Cahê Rodrigues a uma viagem pela história da África, dos negros e dos preceitos de Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando uma pessoa por sua cor de pele ou religião. Pessoas são ensinadas a odiar. E se elas aprendem a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.”  A mesma linha abordada pela comissão de Carnaval da Beija- Flor: Laíla, Fran Sérgio, Ubiratan Silva, Victor Santos, André Cezari, Bianca Behrends e Claudio Russo, com o recorte que fala da Casa de Guiné e da reconstrução africana “Um griô conta a história: um olhar sobre a África e o despontar da Guina Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade”. Tudo para superar o resultado do ano passado, cujo enredo sobre Boni, o  da televisão, deixou a azul e branca fora do desfile das campeãs, uma raridade.

Max Nunes tenta recuperar a Vila Isabel que passou um perrengue ano passado falando de Isaac Karabtchevsky “O maestro brasileiro na Terra de Noel…. tem partitura azul e branca da nossa Vila Isabel”

Em “A Grande Rio é do baralho” as cartas estão na mesa no enredo de Fábio Ricardo, para a escola de Duque de Caxias. No Salgueiro, Renato e Márcia Lage, fazem uma viagem pelo universo culinário mineiro com “Do fundo do quintal, saberes e sabores na Sapucaí”.

A linha da irreverência é explorada por Alex de Souza, ao explicar os aspectos da beleza moderna na União da Ilha do Governador. É o enredo com o título mais sucinto do ano: “Beleza Pura”.  

Não poderia faltar uma ode aos 450 anos do Rio de Janeiro comemorados logo depois do carnaval, dia 1 de março. Alexandre Louzada apresenta a Cidade Maravilhosa sob perspectiva do surrealismo de  Salvador Dali no enredo “Imagina Rio, 450 janeiros de uma cidade surreal”. Não dá para negar a liga entre o local e o pintor espanhol, caminho escolhido pela Portela, para acabar com o jejum de títulos da escola de samba com o maior número de campeonatos da história do carnaval.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Pirarucu do Madeira: Bloco desfila de graça e sem cordas no domingo, em Porto Velho/RO

O novo estandarte confeccionado pela artista plástica Lu Silva já está pronto para o desfile do bloco mais democrático do carnaval de Porto Velho.

O Pirarucu do Madeira quer manter a tradição de arrastar seus foliões de graça, sem cordas separatistas e com marchinhas e frevos que integram o acervo cultural brasileiro.

Será dia 08, excepcionalmente, domingo, a partir das 16 hs, na Pinheiro Machado com Presidente Dutra.

O bloco fundado em 1993 pelo advogado Ernande Segismundo (na foto) é mantido sem fins lucrativos, prega o carnaval de paz e a exaltação à cultura popular.

Esse ano, elege como homenageado o compositor regional Zezinho Maranhão que emprestou sua voz pra primeira marchinha do bloco.

O artista plástico Pedro Furtado é o responsável pela confecção de adereços de mão que darão um colorido especial ao desfile em meio aos bonecos gigantes.

Os dirigentes convidam os parceiros da imprensa, os representantes dos demais blocos e agremiações carnavalescas e a comunidade em geral a prestigiarem esse movimento festivo que simboliza a resistência da cultura.

via Amazônia da Gente

A pura raiz do samba

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Texto e fotos de Valéria del Cueto .
* A foto do desfile foi gentilmente cedida por Marcelo O’Reilly

Quem vai numa quadra de escola de samba carioca, em qualquer horário, sempre se surpreende com a quantidade de crianças de todas as idades que circulam no local. As quadras são espaços familiares onde filhos e pais, avôs e netos se reúnem para celebrar. Em comunidade.
É muito interessante ver como as crianças ocupam estes espaços e se integram nos diversos segmentos que ali circulam: passistas, ritmistas, alas… Assim crescem os sambistas de amanhã. Cheios de atitude e amparados pela proximidade com os bambas de ontem e hoje. Com muito respeito.
Estes laços são essenciais para que a cultura do samba carioca se fortaleça e se expanda para o futuro. Com o passar do tempo, eles foram se aprimorando e se interligando. Assim como a bateria verde e rosa é dirigida pelos Meninos da Mangueira mais espaços foram ocupados pelos herdeiros do samba. Outro caso da escola é o de Evelyn Bastos que assumiu, em 2013, aos 19 anos, o posto de rainha de Bateria da Mangueira. Ela já estava acostumada ao ritual do cargo. Havia reinado na escola mirim, a Mangueira do Amanhã.
Império do Futuro, Filhos da Águia, Pimpolhos da Grande Rio, Infantes do Lins, Tijuquinha do Borel, Miúda da Cabuçu, Corações Unidos do Ciep, Petizes da Penha, Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy, Aprendizes do Salgueiro, Inocentes da Caprichosos, Nova Geração da Estácio de Sá, Herdeiros da Vila, Planeta Golfinhos da Guanabara e Estrelinha da Mocidade. 16 agremiações trazem em seus nomes as bases da preservação das tradições do elemento principal do carnaval carioca: as escolas de samba.
Imagine uma Marquês de Sapucaí inteira para as crianças. Uma escola de samba de crianças. Um desfile com 16 agremiações, delas! Onde poderia existir? No Rio de Janeiro, é claro. Acontece na terça feira de carnaval, entre 17 horas e – impreterivelmente – meia noite. Exigência do Juizado de Menores. Nesse intervalo, a pista é principal é das Mirins.
Elas são uma perna do conceito de sustentabilidade por meio de reaproveitamento dos descartes do carnaval. Nelas se reutiliza parte do material do ano anterior das escolas-mães para fazer fantasias e carros alegóricos. Eles são produzidos pelos adultos (o manuseio do material é perigoso) que ajudam como podem no desfile mirim. É comum encontrar pela pista figuras exponenciais do mundo do carnaval. Eles participaram de mais essa iniciativa de valorização.
As escolas de samba tinham uma ala mirim no desfile, mas isso não era o bastante. Em 1979, ano Internacional da Criança, Arande Cardoso dos Santos, o Careca, do Império Serrano, teve a ideia. Levou 4 anos para concretiza-la: criar uma escola de samba formada por crianças e jovens onde elas recebessem os ensinamentos, conhecessem os personagens e estudassem os fundamentos da maior manifestação popular brasileira. Surgia o “Império do Futuro”, a primeira semente estava semeada.
A iniciativa recebeu apoio de personalidades como Alcione, Beth Carvalho e Martinho da Vila. Osmar Valença funda a “Alegria da Passarela” que gerou frutos como os irmãos Lucinha e Dudu Nobre. Ela, porta bandeira da Portela, e ele, cantor e compositor de sambas, inclusive de enredo. O cantor Leornardo Bessa também é cria de lá, surgindo com o apelido de Leonardo Alegria.
Muita gente boa embarcou na iniciativa. A Secretaria Estadual de Educação desenvolveu, com alunos e professores da Escola Municipal Ministro Gama filho, o projeto que criou o “Império das Princesas Negras”, embrião da “Corações Unidos do Ciep”. Dinorah, Xangô da Mangueira e Machine também fundam escolas: “Mangueira do Amanhã”, “Herdeiros da Vila”, “Aprendizes do Salgueiro”, “Flor do Amanhã”… Hoje, as escolas desfilam com 1.500 crianças, em média. Como nas agremiações de gente grande o desfile teve que ser organizado. Tarefa da AESM- Rio – Associação das Escolas Mirins do Rio de Janeiro que reúne as agremiações.
Outra peculiaridade são os enredos voltados para o público-alvo do evento. Seus títulos falam por si só: “O que é que o Aprendizes tem? Tem Carmem Miranda tem!”, “E o meu Brasil tem Chica Chica Boom!”, “O mestre do Samba” (Paulo da Portela), “Rio Maravilha, nós gostamos de vocês!”, “Se essa avenida fosse minha, eu mandava iluminar com as cores das escolas para a garotada desfilar!”, “Rios, mares e cascatas, onde estão as nossas matas”, “Meu Guri – A Imagem da Criança do Meu Brasil”, “Direito é direito”, “Penha: um canto de amor a vida na voz da nossa petizada” “Portal das delícias, uma saborosa viagem ao redor do mundo”, “Era uma vez, um menino de cabelo de algodão”
Nada escapa ao olhar infantil. Nem “Cuiabá”, enredo no carnaval 2014 da “Infantes do Lins”. Surpresa? Afinal, éramos uma das sedes da Copa do Mundo…
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É carnaval”, do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

É pra quem pode!

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Texto e foto de Valéria del Cueto

“Eu sou Mangueira. Eu sou Mangueira sim. Eu sou Mangueira e meu amor nunca tem fim!” Assim bradam em alto e bom som, declarando seu amor pela verde e rosa, os integrantes da “Primeira Ala” e coração da tradicional escola de samba carioca. A bateria calou seus instrumentos. Seus componentes batem ritmicamente com os pés no asfalto quente da Marques de Sapucaí. Eles estão diante do Setor 1, a caminho das arquibancadas lotadas pelas torcidas que desfraldam bandeiras e estandartes e vão ao delírio com o grito uníssono e poderoso da rapaziada.

Até ali, resisti e tentei manter a imparcialidade necessária para realizar minhas tarefas na noite encalorada de ensaios técnicos. Primeiro, um registro da Mocidade Independente de Padre Miguel. Depois, desempenhar mais uma etapa da missão Carnaval 2015. Acompanhar a primeira entrada na Marques de Sapucaí, o templo do samba carioca, da Bateria da Mangueira sob o comando de seus jovens mestres: Vitor Art e Rodrigo Explosão. Junto com sua diretoria composta por Nielson Rei do Tamborim, Alex Explosão, Alexandre Marron, Reinaldo Nenem, Jaguara Filho, Maurício Macalé, Taranta Neto e Biraney, eles dirigem pela primeira vez o importante segmento mangueirense. São conhecidos como “Os Meninos da Mangueira”.

Estou com eles desde que assumiram o comando da bateria e, posso dizer, todos os nossos encontros foram pra lá de prazeirosos. A cada etapa do trabalho de registro que estamos fazendo juntos novas descobertas, emoção e ângulos inusitados a explorar.

Era a estreia deles e a minha também. Há uns anos atrás tive o prazer de fotografar dentro da bateria da Vila Isabel, no desfile das Campeãs. “Ô mulher compadre chegou! Pega o banco e vem prosear. Bota água no feijão…” O clima era de alegria e descontração na comemoração do título conquistado. Também tirei uma casquinha com Mestre Aílton na verde e rosa, mas só no esquenta. Agora, a “vibe” era outra…

Desde cedo acompanhei a montagem do grid dos instrumentos, os ritmistas chegando a concentração. Foi lá que os meninos se reuniram depois de organizar a Primeira Ala. Uma conversa final, mãos apertadas durante a oração do Pai Nosso e abraços, muitos abraços apertados de boa sorte.

Por opção do Mestre Vitor Art da concentração, do lado do Balança Mas não Cai,  emburacaram direto pela armação. Só pararam, silenciando os instrumentos,  para fazer sua declaração de amor diante do setor 1. E ele veio abaixo enquanto a bateria entrava na área do desfile e seguia em frente, apresentada por Evelyn, a rainha de bateria, até as torcidas organizadas para avisar: “Chegou, ooô, a Mangueira chegooou”, deixando claras as mais sinceras intenções dos Meninos da Mangueira: “Vamos fazer um carnaval legal, sambar é nossa tradição, cuidado que a Mangueira vem aí. É bom se segurar, que a poeira vai subir!” De lá, deram meia volta e entraram no primeiro recuo. O desafio inicial havia sido superado. Faltava o prato principal…

Quando comecei a editar as fotos, deu pra notar a tensão e a seriedade dos primeiros minutos da apresentação sendo substituídas pela sensação de conquista, a afirmação e, finalmente, a explosão de alegria, na dispersão, ao som do samba que canta o enredo “Mulher de Mangueira, Mulher Brasileira em Primeiro Lugar”, do carnavalesco Cid Carvalho.   

Juntos, os Meninos da Mangueira, sonharam, cresceram, aprenderam, planejaram e chegam a Apoteose levados pela música e pelo entrosamento que só a amizade e o entendimento podem alcançar. Vitor Art é o mais novo Mestre de Bateria do Grupo Especial. Junto com Rodrigo Explosão e outros 250 ritmistas eles vão ter muitas histórias. Elas serão contadas para os próximos meninos que virão. Afinal, é tradição na verde e rosa: só quem é da comunidade tem autoridade para conduzir a Primeira Ala, aquela que todo mundo tem que respeitar!

Graças a eles, voltei ao tempo da esperança. Cheia de orgulho, me senti, também, uma menina. Da Mangueira…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

PRF proíbe carretas em BR´s de pista simples durante feriados nacionais

foto:CNT

A Polícia Rodoviária Federal  publicou nesta sexta-feira (1º) no Diário Oficial da União a Portaria nº 1, que estabelece a proibição da circulação de caminhões grandes nas rodovias federais com o objetivo de reduzir os acidentes nos períodos de pico nas estradas.

A proibição acontece nas rodovias de pista simples, sempre nos horários de maior movimento e abrangem veículos do tipo bitrem e cegonhas. A medida é tomada devido ao aumento do fluxo de veículos, principalmente dos de passeio, durante as datas comemorativas.De acordo com a portaria nº 44, de 12 de dezembro de 2011, fica proibido o trânsito, nas datas específicas, de veículos com medidas acima de 18,6m de comprimento, 2,6m de largura e 4,4m de altura.

Restrição de trânsito em todas as unidades da Federação
OPERAÇÃO DIA DA RESTRIÇÃO HORÁRIO DA RESTRIÇÃO
Carnaval 08/02/2013 (sexta-feira) 16:00 às 24:00
09/02/2013 (sábado) 06:00 às 12:00
12/02/2013 (terça-feira) 16:00 às 24:00
13/02/2013 (quarta-feira) 06:00 às 12:00
Semana Santa 28/03/2013 (quinta-feira) 16:00 às 24:00
29/03/2013 (sexta-feira) 06:00 às 12:00
31/03/2013 (domingo) 16:00 às 24:00
Corpus Christi 29/05/2013 (quarta-feira) 16:00 às 22:00
02/06/2013 (domingo) 16:00 às 24:00
Proclamação da República 14/11/2013 (quinta-feira) 16:00 às 24:00
15/11/2013 (sexta-feira) 06:00 às 12:00
17/11/2013 (domingo) 16:00 às 24:00
Fim de ano 24/12/2013 (terça-feira) 12:00 às 22:00
25/12/2013 (quarta-feira) 16:00 às 24:00
31/12/2013 (terça-feira) 12:00 às 22:00
01/01/2014 (quarta-feira) 16:00 às 24:00

 

Ze Pereira desbotado

Por Altair Santos (Tata)

Quando os clarins da quadra de momo soarem anunciando o carnaval aqui nos rincões karipuna, Zé Pereira, o afamado e lendário Rei da Folia com seu simbolismo, será, na avenida, um protótipo do herói desbotado, um anjo de meia asa, um manco em descompassada dança e desafinado canto. Surgirá na cabeceira da imaginária passarela um folião quase invisível na névoa da deseducação e do descompromisso cultural. A discussão em torno do carnaval das escolas de samba, sempre ocupa espaço de debate. Fomos, somos e seremos partidários da discussão do cada vez melhor e mais organizado, entretanto os certames dialógicos em torno de se apoiar ou não, financeiramente, o carnaval das escolas de samba, já estava noutra pauta, as agremiações já haviam se aproximado mais e começado a entender os novos rumos e a vida noutra atmosfera, em futuro próximo, em forma derealidade nova. Alguns pequenos, porém marcantes passos, já haviam sido dados. Obviamente muito ainda há de ser feito no campo da ressignificação da atividade e o seu valor para o contexto cultural. Urge que se reveja o próprio posicionamento da FESEC esuas entes-federadas, as escolas de samba, como braços vivos e atuantes na ordem da transformação. A herança pra lá de cinquentenária de um carnaval que vivia – e ainda vive – na sombra do paternalismo não deve ser debatida como vício, coisa nociva ou desagregadora e sim, como herança viva e riqueza histórica a ser preservada. Entretanto não se muda hábitos e costumes assim da noite pro dia e nem tampouco, se constrói as coisas a golpe de machado ou marretadas desferidas aleatoriamente como se fosse o carnaval e seus agentes habitantes de um poço de desalmados e desocupados, voadores moribundos e implacáveis mal feitores. Há de se entender e respeitar os últimos comentários postados na rede social sobre a nota oficial da prefeitura e o tão propagado apoiooficial. Não gostar de carnaval, não deve nunca representar que a atividade venha a ser ceifada do calendário em detrimento doutros interesses, Recurso público destinado para a cultura, é sim pra promover o fomento e o incentivo aos programas e projetos daárea. Muito se fala e se diz que este recurso deveria ir para a educação, para a saúde, para obras, isso e aquilo, etc, Ora vejamos, devem os desavisados e desinformados saber que estas áreas já têm os seus orçamentos garantidos em percentuais inimaginavelmente acima do que é destinado para a cultura. Não seria o menor dos orçamentos públicos (o da cultura) que iria salvar redes hospitalares e fazer expressiva diferença no campo da educação. Um certo comentário (posição individual), na internet,torpedeou o carnaval e as escolas de samba, dizendo que esse dinheiro deveria ir pra Jesus, para que o segmento evangélico pudesse fazer seus eventos pois, quando é pra Jesus nunca se temnada. Perguntamos: Jesus e sua obra divina estão mesmo carentes de recursos assim? Outro comentário até chamava de vagabundos os trabalhadores do carnaval. Queremos educação em bom plano, queremos saúde eficiente e queremos cultura pra alimentar nossas mentes, ideias e corações, somos cidadãos e cidadãs e isso nos é constitucionalmente garantido. Somos do entendimento que dinheiro destinado para a cultura não é despesa e sim investimento. Basta uma rápida reflexão, ao pé da realidade que circunda a produção do carnaval, pra se ver o número de empregos gerados, a movimentação no comércio de tecidos, fantasias e artigos carnavalescos, hotéis, bares, lanchonetes e similares, serviços de transporte (táxi, ônibus, mototáxi), dentre outros. Ainda nos falta sim, abrir a clareira da nova estrada pela qual passará uma produção cultural mais organizada e melhor planejada. Isso, porém, não se dá com o quase extermínio de tão rica manifestação cultural, assentado no querer de uns tantos apátridas da cultura. Podem até não admitir, mas cultura educa, forma, informa e até cura certos males como, por exemplo, as agudas crises das mentes pueris por onde orbitam o desprovimento cultural daqueles que “são ruins da cabeça ou doentes dos pés”, segundo Dorival Caymmi. Noutras, palavras, pra exterminar o carrapato, tão querendo matar o boi.