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Exclusivo: Capitão Natureza navega 10.000 km defendendo meio-ambiente

 

Por Beto Bertagna

Fernando Bittencourt é paranaense. Seu projeto, navegar pela Amazônia levando mensagens ecológicas às populações ribeirinhas. Navegando em um barquinho de madeira, movido a remo e à vela, Fernando viajou o primeiro trecho de Porto Velho/RO a Manaus/AM em menos de 30 dias, propagando mensagens de preservação na vela amarela do barco. Ele ganha a vida transformando troncos de árvores sem vida em esculturas ou móveis. Assustado com a quantidade de lixo que encontrou pelo caminho, ele didaticamente mostra que “o lixo tem que ter os três erres no seu tratamento: reduzir, recuperar e reciclar. ” De volta a Porto Velho, Fernando está às voltas com um novo projeto, a construção de um barco tri-ecoflex, que vai utilizar três tipos de energia renovável.  Fernando Bittencourt está em busca de um patrocinador para levar suas mensagens Amazônia afora, desta vez pelos rios Negro e Solimões, continuando seu Projeto Marco Zero, iniciado nos galpões da centenária Estrada de Ferro Madeira-Mamoré , em Porto Velho. Bons ventos, Capitão !

Por quê na Amazônia nenhum deputado ousa propor o uso do biodiesel B-100 nos ônibus ?

Nem Rio Branco, nem Porto Velho, nem Boa Vista, Manaus, Belém, Macapá… Nada. Nas capitais e principais cidades amazônicas ninguém propõe, corajosamente, que as frotas de ônibus usem o biodiesel B-20 ( concentração de 20 % de biodiesel produzido por matrizes renováveis) ou mesmo o B-100, o biodiesel puro, que reduz as emissões de gás carbônico em até 90 %.

Porto Velho e seus distritos, por exemplo, por conta do transporte dos trabalhadores das usinas se entupiram de ônibus que queimam diariamente o pior tipo de diesel, o mineral, liberado para venda a pequenas cidades ou campo e que dispersam na atmosfera uma quantidade absurda de enxofre.

Não se ouviu um pio vindo da Assembléia Legislativa de Rondônia, propondo a adoção do biodiesel B-20 neste caso e até no transporte rodoviário urbano de passageiros nas cidades de Rondônia, que hoje enfrentam o caos do trânsito por conta das dezenas de obras implantadas pelo PAC .

Os deputados nem precisariam muita criatividade, como costumam se gabar nas propagandas de mau gosto da ALE. Bastaria seguir o exemplo da Coca-Cola e da Man Latin America, que se uniram num projeto inédito de motores com injeção inteligente movidos a biodiesel B-100, sem qualquer perda da capacidade e potência. Em março de 2009, a MAN completou a compra das operações brasileiras da Volkswagen Caminhões e Ônibus, criando a MAN Latin America.

Inédita no País, a tecnologia Dual Fuel contribui para a redução das emissões de CO2 em até 90%, além de emitir menos material particulado. Gerenciado eletronicamente, sem a adição de qualquer aditivo especial, o novo sistema permite o monitoramento de sua operação, ajustando o fornecimento do combustível apropriado para o motor a cada momento – biodiesel ou óleo diesel comum –, por meio de uma unidade dosadora.  Hoje , através de norma da ANP, é obrigatória a adição de 5% de biodiesel, o chamado B-5.

Quem sabe algum, em algum estado, tenha alguma preocupação puramente ecológica…Tem até usina pronta sendo vendida em Rolim de Moura, veja só.

FARCs na Amazônia preocupam militares que prevêem invasão da região pelos Estados Unidos

soldados na selvaPor Nelson Townes

A descoberta de uma base das FARCs (o exército rebelde colombiano), no Estado do Amazonas, confirma os temores dos militares brasileiros expressados em Porto Velho, até de forma pública a explícita, sobre uma invasão militar da Amazônia por forças estrangeiras – cedo ou tarde.

A própria presença da FARC em território nacional é uma invasão – ainda que os rebeldes colombianos pretendem usar a selva brasileira apenas como esconderijo. O perigo é se os “assessores militares norte-americanos”, das quase dez bases oficialmente instaladas na Colômbia, resolverem fazer turismo não autorizado na Amazônia para capturar os rebeldes.

Esse é o cenário, cada vez mais real, previsto em 2005 numa conferência de oficiais da 17ª Brigada de Infantaria de Selva do Exército para estudantes do ensino médio e de segundo grau numa modesta escola do bairro operário JK 1, em Porto Velho.

Era uma simples (na verdade muito séria) conferência pronunciada de forma muito clara, informal, mas repleta de dados, com direito a perguntas e apartes da platéia, aos jovens estudantes do bairro periférico de Porto Velho. Um major do Exército disse aos estudantes que a invasão da Amazônia pelos Estados Unidos – a pretexto de prender narcotraficantes que fugiram da Colombia (ou rebeldes como os da Farc) era apenas “uma questão de tempo.”

No dia 10 de maio corrente, o Departamento de Ensino e Cooperação (Depec) do Ministério da Defesa em parceria com o Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) iniciou, o I Curso de Extensão em Defesa Nacional.

O professor de História, Delmo de Oliveira Arguelhes, participou da aula inaugural dizendo que, no caso do Brasil, a guerra é literalmente a última opção. “Desde o fim da guerra do Paraguai, há 140 anos, tentamos convencer os nossos vizinhos que somos um país pacífico.”

E é claro que amamos nossos vizinhos (exceto quando se trata da Seleção Argentina de Futebol). Mas, temos que entender bem o que diz, nas entrelinhas ,o professor.

Por via das dúvidas (aliás, dos prognósticos), o Exército treina suas tropas para guerra de desgaste contra os virtuais intrusos. “No braço não dá para enfrentar os americanos, a solução é a tática de guerrilha na selva;

Prevendo essas ameaças, a Aeronáutica transformou a Base Aérea de Porto Velho na primeira unidade de ataque aéreo com helicópteros de última geração. Aqui estão estacionados os caças A 29 Super Tucano, outra arma importante para combates aéreos na região.

“As FARC estão ai”, disse um oficial do Exército ao repórter. “Cuidado com o que pode vir no rastro delas.”

Leia também

> O Esquadrão Poti agora é aqui

> Agora é a vez do Esquadrão Pacau vir para a Amazônia

Filmes para entender Rondônia – 4 – Oswaldo Cruz na Amazônia

No início do século 20, após a implantação das campanhas sanitárias no Rio de Janeiro, Oswaldo Cruz partiu para a Amazônia, em viagem de inspeção sanitária aos portos do Brasil.

Em 1910, realizou campanha contra a febre amarela em Belém do Pará e, em visita às obras de construção daa Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, estabeleceu umo de combate à malária na região. Quase um século depois, utilizando filmes, fotografias, caricaturas, cartas e relatórios do cientista, uma equipe de pesquisadores da Casa de Oswaldo Cruz refez seu percurso e gerou este documentário que resgata a memória e atualiza as principais questões de saúde por ele levantadas.

O documentário tem 55 minutos de duração com produção , pesquisa, roteiro e direção de Eduardo Vilela Thielen e Stella Oswaldo Cruz Penido, câmera de Luiz Carlos Bonella, edição de Joana Collier, consultoria de Eduardo Coutinho e narração de Paulo José. O ano de produção é 2002, e os contatos da Casa de Oswaldo Cruz são : fone (21) 3882 9039 e e:mail editora@fiocruz.br ou através do site www.fiocruz.br/editora

De quebra, você leva o filme “A revolta da vacina” , com esquetes teatrais e depoimentos de médicos, pesquisadores e historiadores sobre a história da varíola, da vacina e da revolta popular de 1904, ocorrida no Rio de Janeiro, abordando as questões sociais, políticas e culturais que envolveram a campanha de vacinação do governo de Rodrigues Alves , em plena República Velha.

Livros importantes para entender o Pará – Jornal Pessoal

Sempre comentei no site os livros importantes e os imprescindíveis para entender Rondônia. Desta vez, faço uma pequena lista de livros legais para compreender esta doida, devastada, amada e vilipendiada Amazônia. Todos estão no Jornal Pessoal, uma iniciativa do jornalista Lúcio Flávio Pinto, que publica desde 1987 uma edição quinzenal impressa. É uma proeza ! Diz o editorial do site : ” O Jornal Pessoal circula quinzenalmente, em Belém do Pará, desde a 1ª quinzena de setembro de 1987. Tornou-se a publicação alternativa de existência mais duradoura do país e a única em atividade. É jornal alternativo porque recusa publicidade. Sempre viveu exclusivamente da venda avulsa, sobretudo em bancas de revista e livrarias de Belém, cidade que está chegando a 1,5 milhão de habitantes e é a mais importante da Amazônia. É alternativo também por ser escrito por uma única pessoa, o jornalista Lúcio Flávio Pinto, nascido em 1949, na profissão desde 1966, com a ajuda do irmão, Luiz Pinto, nas ilustrações e edição. É alternativo também por ter optado pelo formato menor e mais pobre, justamente para não depender da receita da venda de anúncios, que costuma limitar a liberdade de expressão quando dependente de grandes anunciantes e dos governos. Graças a essas características, o Jornal Pessoal só tem uma limitação: a capacidade de se informar e de transmitir informações do seu redator solitário. Lúcio Flávio se tornou a principal referência sobre a Amazônia na imprensa brasileira. Ganhou prêmios nacionais e internacionais em função da seriedade e profundidade das suas análises sobre a região, que, hoje, é tema de abrangência universal. Durante 18 anos seguidos trabalhou em O Estado de S. Paulo. Passou por outras redações da grande imprensa e de alternativos antes de se dedicar ao seu jornal, em formato ofício, 12 páginas, sem cores e fotos. Certas informações e abordagens sobre a Amazônia só costumam aparecer no JP. Por isso, o jornal obteve reconhecimento internacional. Em compensação, é vítima de constante e dura perseguição. Lúcio já sofreu 33 processos na justiça do Pará e foi condenado quatro vezes. Seu crime: dizer a verdade. Na imensa e devastada a Amazônia, dizer a verdade é considerado crime, a ser punido e coibido.”

O link para o site é http://www.lucioflaviopinto.com.br

E a lista dos livros é esta :

Amazônia, o anteato da destruição Editora: Grafisa – Belém, 1977. 372 páginas (2ª edição, 1978).

Amazônia: no rastro do saque Editora: Hucitec – São Paulo, 1980. 219 páginas.

Carajás, o ataque ao coração da Amazônia Editora: Marco Zero – São Paulo, 1982. 112 páginas (2ª edição ampliada, 1982, 140 páginas).

Jari: toda a verdade sobre o projeto de Ludwig Editora: Marco Zero – São Paulo, 1984.

Amazônia, a fronteira do caos Edição do autor – Belém, 1991. 159 páginas.

Amazônia, o século perdido Edição Jornal Pessoal – Belém, 1992. 160 páginas.

Internacionalização da Amazônia Edição Jornal Pessoal – Belém, 2002. 57 páginas.

Hidrelétricas na Amazônia Edição Jornal Pessoal – Belém, 2002. 124 páginas.

CVRD: a sigla do enclave na Amazônia Editora: Cejup – Belém, 2003. 256 páginas.

Guerra amazônica Edição Jornal Pessoal – Belém, 2005. 300 páginas.

O jornalismo na linha de tiro Edição Jornal Pessoal – Belém, 2006. 530 páginas.

Contra o poder Edição Jornal Pessoal – Belém, 2007. 278 páginas.

Geopolítica – O Esquadrão Poti agora é aqui

Do mar para a selva. O Brasil agora tem um esquadrão de helicópteros de ataque de verdade. E ele fica aqui, em Porto Velho

Por Beto Bertagna
Quando o primeiro helicóptero de ataque AH2-Sabre saiu do solo da Base Aérea de Porto Velho neste sábado (17) marcou definitivamente a transição do pequeno povoado provinciano sem muita importância para o Brasil , surgido com a implantação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré no início do século XX, para um centro geopolítico estratégico no contexto nacional. Antes porém, o povoado que ganharia o nome de Porto Velho passou por diversos ciclos econômicos e de desenvolvimento, como os da borracha, do ouro, da mineração. De Território Federal do Guaporé em 1943 passou a Estado. Ganhou grandes empreendimentos , viu a agricultura florescer, a pecuária dar um salto gigantesco e as cidades crescerem e se multiplicarem.

A transferência do Esquadrão Poti, antes sediado em Recife, para Porto Velho, com cerca de 200 homens no entanto é a prova mais irrefutável da importância estratégica que Porto Velho assumiu, pela sua localização , ao lado da Bolívia, perto de outras repúblicas que podem tomar rumos chavistas e , principalmente, a Venezuela. O que está em jogo nos próximos 50 anos é a chave deste intrincado jogo de xadrex.

Em agosto de 2009, cinco oficiais aviadores do Esquadrão Poti (2º/8º GAV) já haviam concluído o curso teórico da aeronave MI-35M (AH-02 Sabre), na Rússia, e iniciavam os preparativos para a instrução aérea.
Em dois meses e meio de aulas teóricas diárias, a equipe conheceu a aerodinâmica, a construção do helicóptero, o motor, o armamento, o emprego em combate e os instrumentos. O MI-35 é uma versão atualizada para exportação do MI-24 utilizado pelas Forças Aéreas, dentre outras, do Afeganistão, Argélia, Angola, Armênia, Azerbaijão, Belarus, Brasil (Mi-35) , Bulgária, Cazaquistão, Coréia do Norte, Croácia, Cuba, Eslováquia, Estados Unidos, Georgia, Hungria, Índia, Indonésia, Líbia, Peru, Polônia, , República Tcheca, Rússia, Sérvia, , Síria, Ucrânia, Uzbequistão e Vietnã.

Combate ao narcotráfico ? Soberania nacional ? Água ?(Já se sabia do aquifero Guarani e,agora,  pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) apresentaram um estudo, na sexta-feira (16), apontando o Aquífero Alter do Chão como o de maior volume de água potável do mundo) Petróleo ? Reservas naturais ? Ou tudo isto junto , somado a um esforço gigantesco das Forças Armadas para proteger a Amazônia Brasileira dos olhos cobiçosos de super-potências.

Porto Velho transformou-se numa das mais poderosas Bases Aéreas do Brasil. Já possuía o mais moderno simulador de vôo dos T-29 Super Tucano(EMB-314), com tecnologia brasileira e israelense que a transformara em centro de excelência de treinamento de pilotos para aquele equipamento. Além disso , seu poderio bélico tem os Super Tucano T-29, uma aeronave considerada robusta, barata, de operação simples, fácil manutenção e muito funcional. Como armamento utiliza duas metralhadoras .50”, uma em cada asa, e possui 5 pontos duros (dois em cada asa e um sob a fuselagem) para instalação de pylons para armamento, tanques de combustível ou módulos adicionais; a capacidade de carga externa é de 1.500kg. Utiliza mísseis AA (Piranha), mísseis antitanque, bombas de queda livre e foguetes.

Super Tucano T29, da Embraer. Um sucesso operacional e comercial

Ao montar e operacionalizar os primeiros helicópteros de ataque de sua frota, três helicópteros russos MI-35 recebidos no dia 16 de dezembro de 2009, transportados pelo Antonov 124, um dos maiores cargueiros do mundo o seu status subiu mais alguns degraus em importância.

O poder de fogo do AH2 inclue um canhão de dois canos GSh-23L em calibre 23 mm ou uma metralhadora Yakushev Borzov YAK-B 12,7 mm com 4 canos rotativo, 16 mísseis AT-6 Spiral ou AT-9 Spiral 2 (Ataka) antitanque, 2 casulos com 20 foguetes de 80 mm ou casulos UB-32 de 32 foguetes de 50 mm, casulos lançadores de granadas. Ele tem capacidade para transportar 8 homens na sua cabine.
Coincidentemente os MI-35 são os mesmos usados pela Força Aérea Venezuelana e rebatizados no Brasil de AH-2 Sabre, de um total de 12 previstos para chegar até 2012. A FAB , no entanto, exigiu a troca de alguns equipamentos aviônicos por outros produzidos em Israel, possivelmente da Elbit System Ltd, semelhantes aos que equipam os Tucanos T-29 da Embraer.
O custo total da operação chega a aproximadamente 400 milhões de dólares, e inclui os armamentos e peças de reposição por pelo menos 5 anos.

Mas, como compensação comercial (off-set), os russos investirão metade do valor da compra na instalação de ferramentas, bancadas e treinamentos para manutenção, que será feita majoritariamente no Brasil, e treinamento de pilotos e mecânicos, além de um simulador de voo.

O valor dessa compensação, no entanto, quando multiplicado por pesos aplicados de acordo com a relevância de cada tecnologia transferida, sobe para mais de 100% do valor da compra, segundo parâmetros da FAB, devendo chegar a 160%.

O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, comemorou a incorporação do novo equipamento ao seu arsenal. “É uma plataforma guerreira, com capacidade furtiva, armamento de alta precisão e letalidade.”

Segundo Saito, as aeronaves estão preparadas para missões de superioridade aérea (domínio aéreo da área de conflito) e de interdição, tanto diurnas quanto noturnas.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que a aquisição seguiu os preceitos da Estratégia Nacional de Defesa, ao prever a capacitação nacional na manutenção dos equipamentos, embora a quantidade comprada tenha sido pequena para a negociação de fabricação local.

“Os nossos pilotos, engenheiros e mecânicos já estão e continuarão treinamento de últimas técnicas de empregos. É uma quebra de paradigma. Somos internalizadores de tecnologia, conhecimento e treinamento para o desenvolvimento nacional”, afirmou Jobim, ao lado do embaixador da Rússia no Brasil Vladimir L. Tyurdenev.

Com o parque de manutenção instalado, o governo poderá repassar o conhecimento a empresas privadas que possam ampliar a clientela, cuidando inclusive da manutenção de aeronaves de outros países da América do Sul – como Peru, Colômbia, e Venezuela – e da África.

Na cerimônia de batismo, em vez de champanhe, foi utilizado um cálice de cachaça Faysca, lançada pelo ministro Jobim na fuselagem da aeronave.
“-Agora és brasileiro e estás na Amazônia” disse Jobim. “Não venha ninguém dizer como o Brasil deve tratar a Amazônia. Nós protegeremos a Amazônia para nós e para o mundo, e que o mundo saiba disso.”

Foi uma homenagem à própria FAB, pois a bebida é produzida na fazenda da FAB em Pirassununga (SP), onde são produzidos alimentos consumidos pelos alunos da academia da Força Aérea, inclusive industrializados (queijos, iogurtes, embutidos, etc.). A Faysca é muito usada como brinde, em encontros oficiais com forças de outros países.

O ESQUADRÃO POTI

Sediado na Base Aérea de Recife, Pernambuco, o Segundo Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (2º/8º Gav), conhecido como Esquadrão Poti, tem suas origens no Centro de Formação de Pilotos Militares (CFPM) no Primeiro Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação (1º/5º GAv), na então Base Aérea de Natal.

Inicialmente equipado com aeronaves North American T-6D/G Texan, Neiva L-42 Regente e helicópteros Bell OH-4 Jet Ranger, estes depois substituídos ao final de 1974 pelos Bell UH-1H Iroquois, teve também em sua dotação aeronaves Neiva T-25 Universal e Embraer U-7 Seneca.

A denominação Segundo Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (2º/8º GAv) foi implantada através da Portaria nº R-239/GM3, de 09 de setembro de 1980.

Subordinado à Segunda Força Aérea (II FAe), o Esquadrão Poti opera atualmente as aeronaves Helibras H-50 Esquilo, montados no Brasil sob licença da Eurocopter, podendo ser armados com pods para lançadores de foguetes SBAT 70/7 de 70 mm e metralhadoras MAG calibre 7,62 mm ou FN Herstal calibre 12,7 mm.
A sua principal missão é formar e treinar pilotos e tripulantes de helicópteros em diversas missões, mantendo o preparo técnico-profissional de suas equipagens, permitindo o cumprimento de missões na Tarefa Operacional de Superioridade Aérea: Interceptação, Ataque, Escolta, PAC (Patrulha Aérea de Combate) e demais missões da Tarefa Operacional de Apoio ao Combate.

Em um plano secundário, executar as chamadas Operações Especiais: infiltração e exfiltração de tropas (utilizando as técnicas de Rapel, Pouso de Assalto e McGuire), Busca e Salvamento (SAR) e Busca e Salvamento em Combate (C-SAR) tanto na selva como no mar, evacuação aeromédica, entre outras.

No caso da aquisição dos AH-02 nem tudo são flores. A Rússia é muito criticada pelo seu atendimento “pós-venda” o que forçará a necessidade de uma rápida absorção da indústria nacional e na transferência de sua tecnologia para manter as super-máquinas no ar por bastante tempo.

A transferência do Esquadrão Poti para Porto Velho expôs também o desinteresse de parte da mídia local por um assunto de importância estratégica extrema. A maioria dos sites se limitou aos releases enviados pela assessoria da BAPV , reproduzindo as notícias em meio às tradicionais fofocas e fuxicos paroquiais.

Quem pousar hoje no aeroporto dos Guararapes , Base Aérea do Recife, no entanto, poderá observar o hangar do Esquadrão Poti às moscas. A sua nobre missão agora está nestas paragens do poente.

Leia Também : Com atraso, Rússia entrega em Porto Velho o simulador do helicóptero de ataque MI-35m

Filmes para entender Rondônia – 3 – Nas cinzas da floresta

foto: Adrian Cowel

A partir da construção da BR 364 em Rondônia e estradas vicinais que a ligavam, este filme de Adrian Cowel (já falecido) e Vicente Rios traça um panorama abrangente, apresentado pelo ambientalista gaúcho José Lutzemberger (já falecido) , de como a política do governo brasileiro para a ocupação da Amazônia na década de 80 levou à degradação de enormes áreas de floresta neste Estado.

” Nas Cinzas na floresta” tem 52 minutos , foi produzido em 16 mm no ano de 1990.

Cientista americano defende esforço global para preservar a Amazônia

O cientista Thomas Lovejoy, um dos mais respeitados especialistas em biodiversidade e presidente do Centro Heinz de Ciências, Economia e Meio Ambiente, defendeu, durante o Fórum Internacional de Sustentabilidade, evento promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais – em Manaus, um “esforço planetário” para restaurar os ecossistemas do mundo, em particular os da floresta amazônica, tema do encontro que aconteceu neste final de semana.

Lovejoy, que já foi vice-presidente do WWF nos Estados Unidos, alertou para a possibilidade de algumas regiões da floresta amazônica, dentro e fora do Brasil, desaparecerem em alguns anos por causa das intervenções humanas.

Ele chamou especial atenção para as regiões Leste e Sul da floresta, que atualmente são as mais afetadas pelas intervenções humanas. Neste aspecto, o cientista criticou projetos de desenvolvimento que acabam interferindo no equilíbrio do ecossistema, como a construção de rodovias e de hidrelétricas. “Rodovias causam um impacto pesadíssimo e muito sério”, explicou Lovejoy.

“Estradas induzem ao desmatamento. Elas precisam ser substituídas por trilhos ou por hidrovias. Isso porque, afirmou, a floresta é responsável pelo equilíbrio do clima. Ele citou como exemplo ações de desmatamento realizadas em Rondônia, com a utilização de fogo, que acabou gerando um longo período de seca na região. Por isso, ele alertou também para a questão do desmatamento parcial, ou seja, derrubada de fragmentos relativamente isolados da floresta.

Segundo Lovejoy, há impacto na biodiversidade. “Uma área de um quilômetro quadrado perde metade das espécies de pássaros em 15 anos que vivem sob o dossel da floresta.”

Com informações de Maxpress/CDN

Degelo nos Andes bolivianos mata milhares de tartarugas no Vale do Guaporé em RO

O Vale do Guaporé é garantia para a reprodução dos quelônios

Por Nelson Townes, do NoticiaRo.com

Ao menos 300 a 400 mil filhotes de tartarugas, tracajás, “matas-matas”, cangarás e outros quelônios morreram ou deixaram de nascer em 2009 em praias fluviais de desova de rios de Rondônia,  inundadas por enchentes causadas pelo aumento do degelo dos Andes Bolivianos.

Este é provavelmente o primeiro grave impacto do aquecimento global na Amazônia. As geleiras dos Andes bolivianos (como no resto da cordilheira) estão sendo derretidas pelo aumento da temperatura no planeta.

O desastre em Rondônia aconteceu entre agosto e outubro do ano passado, quando as tartarugas e outros quelônios procuravam as praias dos rios Guaporé e Mamoré, na fronteira com a Bolívia, para desovar, como fazem anualmente, e não as encontraram.

Elas estavam submersas pelos rios afetados pelo degelo dos Andes – que fizeram subir o nível dos rios Beni ( o nome que o bolivianos dão ao Guaporé), e Madre de Dios e Yata, que deságuam no Mamoré

O nível dos rios subiu também sob efeito da volta do El Niño, o fenômeno climático que aquece as águas do oceano Pacífico a causa chuvas em Rondônia.

Os ribeirinhos e os encarregados de monitorar a reprodução e preservação dos quelônios foram os primeiros a perceber a tragédia. Eles calculam que normalmente são enterrados ao menos 500 mil ovos por ano nas areias das praias fluviais.

Os monitores disseram a “NoticiaRo.com” que, em 2009, no máximo cerca de 100 mil ovos ou menos foram desovados e eclodiram em raras faixas de praia não alagadas. “Até o momento, creio que temos a lamentar a perda  de 300 a 400 mil quelônios que normalmente nascem nesta época” – calculou um dos encarregados de controlar a população da espécie

Alguns ribeirinhos ainda têm a esperança de que parte dos quelônios que procuravam outras praias para desovar tenham conseguido encontrá-las.

Em poucos dias os ovos eclodem e os filhotes seguem na direção do rio. Mas, para a eclosão, é necessário que sejam enterrados na areia e fiquem sob o calor do sol.

Os quelônios estão na lista das espécies em extinção na Amazônia. Os rios do Vale do Guaporé são seu último reduto de sobrevivência. Funcionários públicos e voluntários trabalham monitorando as praias fluviais onde são desovados e de onde correm para o rio.

A corrida das minúsculas tartarugas para a água constitue um espetáculo que até se tornou atração turística em Costa Marques, 716 quilômetros ao sul de Porto Velho. Para proteção dos ovos, ou de recém-nascidos, em certas circunstâncias, há até um “berçário” de tartarugas nesta cidade

Os rios com o nível aumentado pelo degelo estão localizados no Vale do Guaporé, no sudoeste, sul e sudeste de Rondônia. O fenômeno parece não ter dado tempo aos voluntários de defender as espécies ou controlar o perigo.

A região, considerada um “santuário ecológico” do noroeste do Brasil, mostrou sua fragilidade diante das agressões ambientais planetárias – reconheceu um voluntário.

A água das geleiras bolivianas é essencial, porém, para a formação das bacias hidrográficas da Amazônia. O principal afluente do Amazonas, o rio Madeira, é formado por rios que surgem com o degelo normal de parte dos Andes quando começa o “verão amazônico” – a época da estiagem que dura seis meses.

O volume de água do excesso de degelo em 2009, acumulado nos rios do Vale do Guaporé vai, num primeiro momento aumentar o nível do rio Madeira. As autoridades da Defesa Civil estão preocupadas com a possibilidade de causar enchentes em Porto Velho, talvez maiores do que a de anos anteriores.

Influi na questão climática a Alta da Bolívia, um fenômeno, como explicam os meteorologistas, presente nos altos níveis da atmosfera (geralmente em cima do território boliviano, por isso essa denominação) e que favorece a organização de áreas de instabilidade em todo o seu redor.

É um sistema típico desta época do ano e que, junto com a Zona de Convergência do Atlântico Sul, é responsável pelos acumulados significativos de chuva que ocorrem durante o inverno amazônico em Rondônia.

Este sistema favoreceu, nos últimos dias, a organização de muitas nuvens em todo o Estado. Com o calor e a grande disponibilidade de umidade, as nuvens ficam carregadas com facilidade e por isso as chuvas ocorreram com bastante frequência em todo o Estado.

Um boletim da Divisão de Meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), mostra de modelos de previsão climática indicando que o fenômeno El Niño ainda deve continuar atuando na região do Pacífico Equatorial, causando chuvas acima da média no Sul e oeste de Rondônia, sul do Pará, sul de Tocantins e nos setores sul, leste e nordeste do Mato Grosso.

O El Niño ameaça com novas enchentes os Estados do Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Nos Estados do Sudeste e do Centro-Oeste o fenômeno é caracterizado pela irregularidade da chuva, com períodos chuvosos intercalando períodos de veranico, secos e quentes.

No Nordeste a chuva diminui drasticamente, e no Norte ocorre menos chuva do que o normal.

O meteorologistas explicam que em anos em que o fenômeno El Niño se estabelece, há o enfraquecimento dos ventos alísios, que sopram de leste para oeste nas proximidades da linha do Equador.

Outras previsões indicam que, como o degelo dos Andes bolivianos foi intenso no ano passado, as geleiras bolivianas provavelmente não terão água suficiente no próximo verão para alimentar os rios e, ao contrário de 2010, o ano de 2011 poderá ter uma diminuição do nível do próprio rio Madeira.

O baixo nível do rio a partir de 2011 poderá prejudicar o funcionamento das hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau e a navegação das grandes balsas de soja entre Porto Velho e Itacoatiara.

Remanso : A explosão de fé do Divino em 2010

Remanso , na Bolívia, será a sede da Festa do Divino 2010.

A 116ª Romaria do Senhor Divino Espírito Santo no Vale do Guaporé, na Amazônia terá início no dia 5 de abril de 2010, com a chegada do batelão na localidade de Surpresa, distrito de Guajará-Mirim. É uma festa planejada com um ano de antecedência, o que poderia servir de exemplo para a administração pública.
A celebração, que envolve o Brasil e a Bolívia, é um Patrimônio Cultural Imaterial de Rondônia que está em processo de instrução para ser reconhecido como Patrimônio Brasileiro.
O Presidente da Irmandade do Divino, Dionísio Faustino espera uma atenção maior das autoridades para esta que é a maior celebração religiosa, cultural e folclórica do Vale do Guaporé :
– Aguardamos muita gente na chegada em Remanso, povoado da Bolívia, quando o batelão aportará no dia 18 de maio de 2010 às 16 horas.
Os ribeirinhos já conhecem os políticos que dão atenção ao Vale, por isto vai a dica: Não adianta chegar como penetra distribuindo bonézinho e camiseta, é perda de tempo. Os beiradeiros, quilombolas, devotos e assemelhados são espertos e só dirigem suas preces para quem realmente merece.
E para quem fala, e mal, da cultura rondoniense é uma boa pedida, tirar um pouco a bunda da cadeira e andar algumas centenas de quilômetros em estrada de chão e voadeira, lendo Viagem ao Redor do Brasil, do João Severiano da Fonseca, irmão do ilustre Deodoro da Fonseca, para purificar a alma e dar uma polida no arcabouço intelectual.