Arquivo da tag: Alberto Lins Caldas

Veneza

Por Carlos Moreira

Veneza é um imenso romance. E pronto. Foi engendrado em outro mundo. Em outra língua. Veneza inaugura uma linguagem além do barroco, além de Vieira, além-simetrias: o labirinto é um monstro repleto de vazio, o fora próprio da linguagem. Em Veneza nada é, tudo vem e passa sem o estado de presença. A chama seria a forma deste romance, mas uma chama vista através de um espelho d’água. Uma chama apaixonada pela água, amante do fluir cristalino. Daí sua violência. Nada é mais violento que a beleza.
Veneza está em todo lugar que se despreze. Depois de amar. Em todo lugar que anda e que afunda, já que, não existindo o tempo, só o lugar pode afundar. Nessa geografia movediça, nesse lugar nômade, nessa água viva que queima mesmo quando morre, ou ainda mais depois de morta, é que se movem Pierre Bourdon e o Mouro, um claro o outro escuro, um palavra o outro silêncio, um água o outro fogo, um sombra o outro corpo. E que Tao épico-sardônico, que novela sangrenta e hilária eles tecem juntos. Byron e Proust, Chaucer e Nava.
O que potencializa a narrativa é a própria máquina-linguagem, máquina-língua, estrangeira como todos em Veneza, mesmo os lá nascidos. Porque em Veneza tudo é mangue, tudo é plâncton e palavra, tudo nasce da água e morre no fogo primordial. Entre o mestre e o mouro até o silêncio é literatura. Em “Kafka: por uma literatura menor”, Deleuze e Guattari afirmam que “Mesmo aquele que tem a infelicidade de nascer no país de uma grande literatura deve escrever em sua língua como um judeu tcheco escreve em alemão, ou como um uzbeque escreve em russo. Escrever como um cachorro que faz seu buraco, um rato que faz sua toca. E, para isso, achar seu próprio ponto de subdesenvolvimento, seu próprio dialeto, seu próprio terceiro mundo, seu próprio deserto.”
É na travessia desse deserto que se dá “o relato vivo do muito que pensou, sofreu e sonhou o cavaleiro Pierre Bourdon”, numa magistral lição borgeana. Desde a frase inicial, uma das mais geniais enquanto início de um livro, até o desdobramento final, a linguagem se metamorfoseia junto com o narrador: estamos diante de uma imensa literatura menor, muito mais potente de sentido e criação do que supõe nossa Grande Literatura. Ler este livro lança um mundo no mundo, como um jogo de espelhos que vai do dito real até “O nada, o caos e o nada novamente.” Levados pela narrativa de Pierre e na companhia do Mouro, vamos descobrindo o que Veneza é: um grande romance. E ponto.

a perversa migração das baleias azuis

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o poema, em toda sua grandeza épica, trágica, narrativa, carnal e dramática passou pela entrega ao nada, do nada do suco de laranja. a prosa se tornou best seller e a poesia, essa coisinha egóica, se tornou pastiche de um “eu” esgotado. num mundo de forças fracas, forças reativas – criar uma narrativa da força, criar uma força da narrativa, é feito doloroso e profundamente alegre. a força da narrativa só se potencializa quando produz e é ativamente a narrativa da força, força menipéia, dionisíaca, vital, essencialmente política, ética – esse passo além do mercado. mas é preciso ta dentro, diante e com as forças e não apenas inventando uma força, delirando forças.
os poema da “perversa migração das baleias azuis” não é só uma “experiência direta”, uma “experiência pessoal”, mas “experiência interior” como queria bataille – abole o autor, a vidinha, o caso, a descrição, os sentimentos: partir da vida pessoal não faz do poema um relato, uma descrição de algo – ele é diretamente a “outra coisa aberta” pela experimentação da vida: sua língua não é nem pode ser a mesma da poesia (isso q não consegue escapar da latrina do eu e da vida e das coisas do eu), da crônica, do olhar q não escapa de si e das suas crenças: o poema é experiência da diferença, do movimento e do enfrentamento – sua substância é a ficção, a alteridade em guerrilha, o corpo dis-posto contra o mundo. a experiência do poema é ficção q possibilita a experiência, nada legítimo, real, verdadeiro ou pessoal. um poema é instrumento de luta, arma, arsenal – jamais declaração de qualquer coisa, um recado, uma mensagem, um dizer o q “sinto e penso”. o poema diz até onde pode ir o corpo, o pensamento a vida: não a vida aqui, a vida menor do “sujeito”, mas essa vida q se abre e é entrevista através do tecido do poema: a vida do horror, isso q treme e vibra e faz doer, esse lugar sem lugar dos espectros da máquina tribal, esse por dentro q é todo fora, esse lugar de guerra onde tamos todos envolvidos. sem uma dimensão, uma posição dionisíaca, um riso luciânico, um esgar cínico. sem violência política não há poema, só poesia, só crônica, só relato da latrina do eu, esse pobre eu q todos sabem, todos reconhecem, todos gostam e entendem – essa coisinha q os poderes e o poder adora porq podem dominar, amedrontar, inverter, perverter, redirecionar e por “nas salas de aula, das salas de jantar e nos quartos”. o poema não é coisa de poeta, mas de libertino.
Alberto Lins Caldas publicou os livros de contos Babel (Revan, 2001), Gorgonas (Companhia Editora de Pernambuco, 2008), o romance Senhor Krauze (Revan, 2009) e de poemas Minos (Ibis Libris, 2011), De corpo presente (Ibis Libris, 2013) e 4×3 Trílogo In Traduções (Ibis Libris, 2014), com Tavinho Paes e J J de Melo Franco.
baleias
alberto lins caldas
a perversa migração das baleias azuis
ibis libris, rio de janeiro, 2015.
156 p.
R$ 30,00
 
Link para o livro

“O Número”, um curta de Beto Bertagna neste domingo na TV Cultura do Pará

Neste domingo,11, de Círio de Nazaré, a TV Cultura do Pará apresenta o programa Cultura.Doc. às 21h com a exibição de dois filmes  que foram apresentados durante a Mostra de Cinema da Amazônia. Um dos filmes é “O Numero”, de Beto Bertagna, produzido em Porto Velho em 16 mm e transformado em digital.

Um homem troca de nome até conquistar um, definitivo… Baseado em conto do livro Babel, de Alberto Lins Caldas. Um curta-metragem brasileiro com Othon Bastos, premiado em Festivais de Cinema. Direção de Beto Bertagna. Filmado em 16 mm numa sala em construção da Faculdade Uniron, na cidade de Porto Velho/RO. Diretor de Fotografia, “Ruda”Rodolfo Ancona Lopez  Negativo, Fuji Câmera, Eclair

A TV Cultura do Pará integra a Televisão América Latina (TAL) e a Associação Brasileira de Emissoras Educativas e Culturais (ABEPEC), que mantém a Rede Pública de TVs no Brasil (RPTV). É a única TV do Brasil que produz um programa infantil com temática amazônica, o “Catalendas”, exibido em rede nacional. É a maior produtora de clipes musicais na Amazônia e a que mais transmite ao vivo ou exibe gravações de shows de música brasileira na região. O atual diretor da TV Cultura é o jornalista Tim Penner.

Leia mais : O Número”, de Beto Bertagna, entra em cartaz no Curta Petrobras

O Número

Um homem troca de nome até conquistar um, definitivo

Baseado em conto do livro Babel, de Alberto Lins Caldas. Um curta-metragem brasileiro com Othon Bastos, premiado em Festivais de Cinema.

Direção de Beto Bertagna. Filmado em 16 mm numa sala em construção da Faculdade Uniron, na cidade de Porto Velho/RO. Diretor de Fotografia, “Ruda”Rodolfo Ancona Lopez  Negativo, Fuji Câmera, Eclair

Veja uma entrevista minha no site CartaMaior

Mais vale um byte ou um por do sol ?

Por Beto Bertagna

Sinta mais o mundo ! E leia menos !  Ou melhor,  qualifique sua informação.

É muita porcaria , é muita coisa mal escrita, mal articulada, que não vai lhe servir prá nada ! Falta conteúdo, falta vivência e às vezes um pouquinho de educação.  Ética é uma palavra distante congelada dentro de um iceberg.

Faça um teste com um saite destes de fofocas políticas, esprema bastante e veja o que sobra de realmente relevante. Te aconselho, irmão, a lavar as mãos com creolina, no caso despoluir os olhos,coração e mente com 1/2 hora de um belo por do sol ou com a lua que insiste no meio das nuvens.

Até este bravo blog se vc achar que não lhe traz nada, nenhuma emoção mais recôndita, nenhuma informação importante, mande-o para as calendas do inferno, faça-o queimar na mármore fervente do belzebu.

É uma profusão de endereços virtuais, senhas, perfis, links, informações digitais de qualidade, outras tão idiotas parecendo escritas por quem acabou de sair do Mobral ( quá…. esta é antiga !).

O You Tube, o Orkut, o Facebook e o Twitter talvez não passem de modismos efêmeros, como tantos outros já houveram e haverão. ( Lembrei disto, há pouco, do modismo do rádio-amador Faixa Cidadão, o famoso PX da década de 80, talvez o nosso Twitter de hoje.)

Todo mundo perde tempo e , muitas vezes, fica com a cabeça embaralhada com o excesso de informação, perde o foco no trabalho, perde o foco no carinho, perde o foco na paixão, no amor, na família…

Não quer ficar de fora dos bate-papos virtuais mas mal cumprimenta a mulher quando chega em casa, isto se ainda tem mulher, se os filhos não embarcaram no mesmo delírio da loucura cotidiana.

Fazer um site é relativamente simples. Todo jornal  está direcionado para algum grupo político. Isto é normal, os grandes grupos editoriais explicitam sua posição em longos editoriais e os seguem quem quiser.  E no leque multifacetado do arco-íris midiático infelizmente também existe a cor marrom. Nesta coloração que lembra outras coisas, o $ite fala bem, ou então o $ite fala mal e isto pode mudar em questão de horas, quase sempre o tempo que demora a compensação bancária ou o depósito on-line.

Por isto, crie a sua meta , não seja refém dos outros e questione sempre as entrelinhas, ou até mesmo a veracidade das notícias. Em Rondônia temos excelentes profissionais, ótimos jornalistas que já labutaram  nos grandes jornais de SP, RJ, PR, RS e que se equiparam aos melhores do país. O problema é que a cultura digital tá virando um delicioso inferno, com mil fóruns, workshops, zilhões de blogs, redes sociais que parecem reunião de diretoria das empresas, onde vale mais fazer uma participação inteligente prá marcar o seu espaço como um cachorro mija no pneu ou no poste.

Sinceramente, blogueiros, tuiteiros, orkutzeiros ou o raio que o parta, acho que ainda  mais vale a boa idéia na cabeça e isto é uma coisa cada vez mais rara.

E se não for cineasta e não tiver a câmera na mão, como diria Glauber, vá olhar o por do sol do rio Madeira com olhos infantis ao lado da pessoa amada. Ou o Guaporé, o Mamoré, ou qualquer igarapé…

Só não sugiro jogar os notebooks, netbooks, laptops, Iphones e o escambau ( cheio de baterias de litio e niquel-cadmio, venenosas) no leito do rio prá não poluir ainda mais o nosso frágil ecossistema que ainda vai nos cobrar todas as nossas irresponsabilidades reais e virtuais.

Amemos, meninos e meninas, amemos o por do sol que ainda nos resta e nos recarrega as baterias mais do que qualquer tuitada propositalmente espirituosa…

Prefiro ainda um por do sol tímido e autêntico, recheado de nuvens insistentes e teimosas que deram prá infestar o céu de Rondônia  do que uma centena de bytes frios e teclados quase sempre por um aspirante a robô, escondido atrás de um monitor e se achando o dono da última Coca-Cola do deserto !

Quáááá !  Tenho dito !

(Crônica escrita num velho guardanapo,  por este modesto aspirante a blogueiro na Casa da Moeda, na Rua da Moeda no Recife/PE, escutando frevo autêntico tocado por uma orquestra de metais  e degustando uma , pasmem, “Norteña” uruguaia de litro, logo depois de ter dado um abraço caloroso no grande escritor Alberto Lins Caldas e conhecido a Cyane.  Isto que é globalização, cáspite ! E chega porque é a hora do galo.

Minos, de Alberto Lins Caldas


Por João José de Melo Franco

Diz-se que Minos, quando morreu, o lendário rei que deu à antiga civilização cretense a qualidade de seu nome, a cultura minóica (séc. XV a.C.), desceu ao mundo subterrâneo, onde tornou-se um dos juízes dos mortos, que se apresentavam diante dele e eram encaminhados para determinados círculos do Inferno, segundo a falta mais grave que tinham cometido em vida. Assim ele é vivamente retratado por Dante Alighieri, no Canto V, no Inferno da Divina Comédia. E este também é o Minos de Alberto Lins Caldas, contudo, e surpreendentemente, o juiz dos mortos por ele referido, está, como o poeta, em um inferno invertido, não mais nos subterrâneos, mas entre nós, e à beiramar. Por estar entre os vivos, o Minos de Alberto, adquire uma amplitude humana, não apenas o rei lendário e o juiz dos mortos, mas também o criador de labirintos, o homem entre homens, o homem diante da natureza e do pensar, o criador de touros, o homem diante da brutalidade do existir, tão bem representada pela imagem do Minotauro. Este Minos de Alberto Lins Caldas é a ampliação do mito, por ele usado como ponto de partida para uma profunda re-visão da vida. Não é livro fácil de se ler, pois que nos chama à reflexão, que tantas vezes falta aos homens nos dias atuais, e vem provar o quanto a poesia ainda é um fundamento civilizatório indispensável, pois é mais que necessária aos que, como eu, ainda são capazes de se deixar tocar pela beleza e pelas profundidades do espírito humano. Não encontramos comparativos significativos nos versos de Minos, pois a poesia de Alberto é para lá de singular, não só pelo tônus grave, pelas metáforas que evocam outras, como algo que não encontra seu fim em si, mas também pelo modo como ele a escreve, suprimindo acentos, cortando palavras e entremeando-as com pontos, como a nos dizer que tudo é fim e nada é fim, nem mesmo a morte, que ele frequentemente devolve à vida. Encontramos, aqui e ali, algo que semelha a Klebnikov, a Maiakoviski, a Baudelaire e a Mallarmé, mas o fato é que nada disso nos revela algo sobre esta poesia, que vem a público já completamente madura, e nos mostra um poeta com voz e rosto próprios. Finalmente, Alberto Lins Caldas estreia sua poesia em livro. Acredito que os leitores desses poemas também poderão dizer: finalmente e definitivamente!

Serviço:

MINOS
Poemas
Autor: ALBERTO LINS CALDAS
ISBN: 9788578230883
Editora: Ibis Libris
Cidade: Rio de Janeiro
Páginas: 102
Acabamento: Brochura
Ano: 2011
Preço: R$ 30,00

Do Mural de Alberto Lins Caldas

*
cavo escavo teu corpo
gosto de abrir teu corpo
corpo q não escapa
…corpo q se refaz

sentir todos os musculos
dobras unhas odores
gosto dos teus sinais

gosto quando mascamos
desertos e ruinas
morada de leopardos

escavando teu corpo
esqueço labirintos
e sem achar raizes
te entrego minha lingua
*

Do Mural de Alberto Lins Caldas

*
desperto em vc e digo
vamos passear nessa tarde
os graos tão plantados
…a colheira não demora

vem assim mesmo
vazia nua e distante
vem passear comigo
q te faço ver

a agua encrespada
entre ervas queimadas
nesse longo verão
e q teu riso fara renascer

alem disso vem a noite
e dormiremos ao relento
no meio dos pomares
de ameixas e laranjas

quando os desertos
começarem a rugir
tem certeza duma coisa
ficarei contigo longe deles
*

Do Mural de Alberto Lins Caldas

*
essas linhas de força
como girassois se contorcem

…essas feridas eu mesmo
tratei de curar com saliva

essa luz foi o deserto
q tornou ruina quase treva

sentado aqui desenho
com sonhos quartos e salas

o cansaço da tarde invade
o centro fragil da noite

sei q os jasmineiros
não foram plantados

mas as ervas selvagens
desenham um nome
*

Do mural de Alberto Lins Caldas 2

nada ampara isso q espera
q nada dura e vai embora
larva suave q se desfaz
agua salgada ferve e some
indistinta vida q se debate
materia varia q se desvia
azul entre amarelos frios
noturno simples e vitreo
q o olho olha sem vi ver

Do mural de Alberto Lins Caldas

da ignorada estatua
dum grande imperador
inda desconhecido
foi achada aos pedaços
a cabeça do cavalo
mas o corpo real
e tudo a seu respeito
isso com certeza
se misturou
com a terra ao redor
tornando acre
aquela massa negra
q destruiu o conjunto
e arruinou o campo

Mais vale um byte ou um por do sol ?

Sinta mais o mundo ! E leia menos !  Ou melhor,  qualifique sua informação.

É muita porcaria , é muita coisa mal escrita, mal articulada, que não vai lhe servir prá nada ! Falta conteúdo, falta vivência e às vezes um pouquinho de educação.  Ética é uma palavra distante congelada dentro de um iceberg.

Faça um teste com um saite destes de fofocas políticas, esprema bastante e veja o que sobra de realmente relevante. Te aconselho, irmão, a lavar as mãos com creolina, no caso despoluir os olhos,coração e mente com 1/2 hora de um belo por do sol ou com a lua que insiste no meio das nuvens.

Até este bravo www.betobertagna.com se vc achar que não lhe traz nada, nenhuma emoção mais recôndita, nenhuma informação importante, mande-o para as calendas do inferno, faça-o queimar na mármore fervente do belzebu.

É uma profusão de endereços virtuais, senhas, perfis, links, informações digitais de qualidade, outras tão idiotas parecendo escritas por quem acabou de sair do Mobral ( quá…. esta é antiga !).

O You Tube, o Orkut, o Facebook e o Twitter talvez não passem de modismos efêmeros, como tantos outros já houveram e haverão. ( Lembrei disto, há pouco, do modismo do rádio-amador Faixa Cidadão, o famoso PX da década de 80, talvez o nosso Twitter de hoje.)

Todo mundo perde tempo e , muitas vezes, fica com a cabeça embaralhada com o excesso de informação, perde o foco no trabalho, perde o foco no carinho, perde o foco na paixão, no amor, na família…

Não quer ficar de fora dos bate-papos virtuais mas mal cumprimenta a mulher quando chega em casa, isto se ainda tem mulher, se os filhos não embarcaram no mesmo delírio da loucura cotidiana.

Fazer um site é relativamente simples. Todo jornal  está direcionado para algum grupo político. Isto é normal, os grandes grupos editoriais explicitam sua posição em longos editoriais e os seguem quem quiser.  E no leque multifacetado do arco-íris midiático infelizmente também existe a cor marrom. Nesta coloração que lembra outras coisas, o $ite fala bem, ou então o $ite fala mal e isto pode mudar em questão de horas, quase sempre o tempo que demora a compensação bancária ou o depósito on-line.

Por isto, crie a sua meta , não seja refém dos outros e questione sempre as entrelinhas, ou até mesmo a veracidade das notícias. Em Rondônia temos excelentes profissionais, ótimos jornalistas que já labutaram  nos grandes jornais de SP, RJ, PR, RS e que se equiparam aos melhores do país. O problema é que a cultura digital tá virando um delicioso inferno, com mil fóruns, workshops, zilhões de blogs, redes sociais que parecem reunião de diretoria das empresas, onde vale mais fazer uma participação inteligente prá marcar o seu espaço como um cachorro mija no pneu ou no poste.

Sinceramente, blogueiros, tuiteiros, orkutzeiros ou o raio que o parta, acho que ainda  mais vale a boa idéia na cabeça e isto é uma coisa cada vez mais rara.

E se não for cineasta e não tiver a câmera na mão, como diria Glauber, vá olhar o por do sol do rio Madeira com olhos infantis ao lado da pessoa amada. Ou o Guaporé, o Mamoré, ou qualquer igarapé…

Só não sugiro jogar os notebooks, netbooks, laptops, Iphones e o escambau ( cheio de baterias de litio e niquel-cadmio, venenosas) no leito do rio prá não poluir ainda mais o nosso frágil ecossistema que ainda vai nos cobrar todas as nossas irresponsabilidades reais e virtuais.

Amemos, meninos e meninas, amemos o por do sol que ainda nos resta e nos recarrega as baterias mais do que qualquer tuitada propositalmente espirituosa…

Prefiro ainda um por do sol tímido e autêntico, recheado de nuvens insistentes e teimosas que deram prá infestar o céu de Rondônia  do que uma centena de bytes frios e teclados quase sempre por um aspirante a robô, escondido atrás de um monitor e se achando o dono da última Coca-Cola do deserto !

Quáááá !  Tenho dito !

(Crônica escrita ontem, num velho guardanapo,  por este modesto aspirante a blogueiro na Casa da Moeda, na Rua da Moeda no Recife/PE, escutando frevo autêntico tocado por uma orquestra de metais  e degustando uma , pasmem, “Norteña” uruguaia de litro, logo depois de ter dado um abraço caloroso no grande escritor Alberto Lins Caldas e conhecido a Cyane.  Isto que é globalização, cáspite ! E chega porque é a hora do galo.

Leia também > Efeito Manada