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Filmes para entender Rondônia – 6 – Desafio no Inferno Verde : A Ferrovia do Diabo

Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Imigrantes e aventureiros do mundo inteiro tombaram ao longo dos 366 kms de trilhos que levaram quatro décadas para serem assentados. Vitimados pelas doenças tropicais, os trabalhadores enfrentavam a natureza hostil e os índios que surgiam de repente do inferno verde. É uma história de coragem e heroísmo, de tragédia e de sangue dos pioneiros que fundaram Porto Velho. Não se apaga da memória de um povo um fato histórico que determinou suas origens. O vídeo traz um pouco do passado que ainda ecoa através dos apitos, quando alguma máquina passeia pelos trilhos e dormentes de “ouro” da Madeira-Mamoré, a ferrovia do diabo. Produção em Betacam SP de 1997, roteiro de Nelson Townes e direção de Beto Bertagna. Vencedor do Tatu de Prata, melhor vídeo da XXV Jornada Internacional de Cinema da Bahia em 1998.

Livros imprescindíveis para entender Rondônia – 10 – A Ferrovia do Diabo

No final do século XIX e início do século XX, construir uma estrada de ferro no Brasil já era um desafio. Construí-la em meio à selva amazônica era uma verdadeira epopéia. A Estrada de Ferro Madeira—Mamoré foi um projeto ambicioso que consumiu uma soma de dinheiro equivalente a 28 toneladas de ouro e centenas de vidas humanas.

Embora muito noticiada na época, a trágica história de sua construção ficou praticamente esquecida até 1957, quando o jornalista e historiador Manoel Rodrigues Ferreira se deparou com cerca de 200 negativos da ferrovia tirados na época da construção pelo fotógrafo americano Dana Merrill, que havia sido contratado para registrar todas as etapas da obra. De posse das fotos e com grande espírito investigativo, Manoel iniciou uma profunda e minuciosa pesquisa, analisando, durante anos, diversos documentos históricos que mais tarde se perderam ou foram destruídos pelo regime militar.
A Ferrovia do Diabo, o mais completo e respeitado livro sobre a E. F. Madeira— Mamoré, nos revela todos os detalhes desse grandioso empreendimento, desde as primeiras tentativas de colonização da região, passandó pela conturbada construção da ferrovia, até o seu sucateamento e a reativação de pequenos trechos para fins turísticos.

O jornalista, historiador e sertanista Manoel Rodrigues Ferreira reconstrói a epopéia de uma das mais ambiciosas e trágicas obras de engenharia realizadas no Brasil: a construção da The Madeira and Mamoré Railway Company. Contornar o trecho não navegável dos rios Madeira e Mamoré era a alternativa mais viável para o escoamento dos produtos brasileiros e bolivianos para o Atlântico. Com isso, projeto da ferrovia atraiu o interesse de investidores do mundo inteiro, e trabalhadores de mais 40 nacionalidades vieram se aventurar nos confins da selva amazônica, no atual Estado de Rondônia. Poucos retornariam: entre 1872 e 1912, mais de 1.500 trabalhadores faleceram tentando vencer a selva. Cercada de desastres, ataques de índios e animais ferozes, epidemias, problemas financeiros e muitas lendas, a história da construção da Madeira – Mamoré correu o mundo, e, até hoje, a ferrovia é conhecida como a mais trágica da América.

Após anos de abandono, a velha ferrovia e seu parque em Porto Velho, tombados pelo Patrimônio Histórico Nacional, ganham um projeto de revitalização, que inclui a restauração dos seus galpões e oficinas, um novo museu , a completa restauração de 2 locomotivas a vapor e a volta do passeio turístico até Santo Antônio.

Pimenta Bueno/RO : Vladimir Herzog passou por aqui

Vladimir Herzog, numa cela do DOI-CODI em São Paulo. 25/10/1975

Vlado Herzog, que assinava Vladimir por considerar seu nome muito exótico para estas bandas brasileiras era um jornalista, fotógrafo, professor e dramaturgo nascido na Croácia e naturalizado brasileiro.  Com o golpe de 64, foi com a familia morar em Londres. De volta ao Brasil, foi convidado pelo Secretário de Cultura de São Paulo, José Mindlin para assumir o jornalismo da TV Cultura.   Na noite do dia 24 de outubro de 1975, o jornalista foi intimado e apresentou-se espontâneamente na sede do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações/ Centro de Operações de Defesa Interna) para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com o PCB (Partido Comunista Brasileiro). No dia seguinte, foi morto aos 38 anos. A morte de Herzog foi um marco na ditadura militar (1964 – 1985) provocando reações imediatas da sociedade civil.

As redações de todos os jornais, rádios, televisões e revistas de São Paulo pararam.  Os donos dos veículos de comunicação fizeram um acordo com os jornalistas para que estes trabalhassem apenas uma hora afim de que os jornais circulassem e os rádios e tvs não interrompessem as programações.

Vlado integrava a Expedição Ford (Caravana Ford) , a primeira a percorrer a BR 29, como correspondente do “Estado de São Paulo” . No relatório do Sr. Antônio Brasileiro, primeiro chefe da Caravana Ford ao Governo do Território  ele descreve a primeira parte da viagem até Muqui , quando passou o bastão para a chefia de Eduardo Lima e Silva, que conduziu a caravana até Porto Velho. Diz ele em certa parte:
” – Peço permissão a V. Excia para deixar registrada neste relatório a cooperação prestada à Caravana pelo pessoal de imprensa que nos acompanhou até Pimenta Bueno. O sr. Hugo Penteado, da Folha de São Paulo, excelente amigo, minucioso nas suas anotações, muito observador,excepcional. O sr. Wlado Herzog , repórter do “Estado de São Paulo”, desenvolveu sempre intensa atividade e teve oportunidade de fazer diversas observações, encontrando sempre meios para transmití-las a seu jornal, mantendo assim em evidência a nossa progressiva marcha. ”

Aliás, o relatório inteiro está reproduzido no livro ” O Outro Braço da Cruz”, indicado por este site como um dos livros imprescindíveis para entender Rondônia.

A construção da BR 29, hoje BR 364 na década de 60 interrompeu o isolamento do Território de Rondônia e é um capítulo importante na história da ocupação amazônica.

O Presidente Juscelino Kubitschek derrubou, simbólicamente, a última árvore que obstruía a BR 29,  em Vilhena, no dia 6 de julho de 1960. A foto , histórica, de JK caminhando em cima da árvore foi feita por Manuel Rodrigues Ferreira, autor do consagrado livro “A Ferrovia do Diabo” .