Gente que encontrei por aí…Fernando Valdívia

Comunicador social e cineasta peruano, Valdívia trabalhou com The Field Museum, Calandria, TV Cultura e audiovisual Chaski em projetos comunitários que promovem a soberania audiovisual na América Latina. Ele foi diretor dos programas ecológicos Te Quiero Verde e National Geographic, o PNUD, a COICA, Deutsche Welle, ARD, Channel 4, DFID, Save the Children, WWF, The Nature Conservancy, Organização Mundial da Saúde, a CARE, Real TV, Ethno Medicina Projeto de Preservação, Jean Michael Cousteau – Ocean Futures Society, Drets dels Pobles Lliga dels.
Desde 1997 é diretor da Teleandes Productions , tendo produzido os documentários “Searching for the blue”, “Crossing chumpi”, “Shipibo, o filme da nossa memória”, “Iskobakebo, um encontro difícil”, “povos da Amazônia e Mudanças Climáticas”.

No carnaval do Rio não há crise… de alegria.

Texto e foto de Valéria del Cueto

Não adianta chororô, nem mimimi. Pode ter crise econômica, protesto do “agro” e mudanças no regulamento. É do jogo. Nada atrapalhará a maior festa popular do mundo. A única coisa que não pode ser prevista nem contornada é a chuva. Ela, sim, um imponderável sem possibilidade de controle. E há previsão…

As novidades de 2017 começam na estrutura do espetáculo definida pelas alterações no regulamento da Liesa, a Liga das Escolas de Samba, para este carnaval. Menos tempo de desfile, agora são 75 minutos para cada agremiação. Um carro alegórico a menos, são 6 por escola. Menos paradas para apresentações para os julgadores, apesar de continuarem existindo 4 cabines de julgamento, as duas centrais estão no mesmo ponto. Um novo horário, agora começa às 22 horas a festa no Sambódromo Darcy Ribeiro, a mítica passarela carnavalesca carioca, na Marquês de Sapucaí.

Infelizmente quem vê o desfile pela televisão continuará sem assistir a íntegra da apresentação das primeiras agremiações. E olha que as alterações se justificavam justamente para que, ao contrário do ano passado, as escolas que abrem a festa no domingo e na segunda-feira de carnaval pudessem ser transmitidas para o Brasil e o mundo. Serão, mas parcialmente.

Domingo é dia de índio, música e comédia

No domingo o Paraíso do Tuiti, campeão da Série A do Acesso, abre o Desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro. “Carnavaleidoscópio Tropifágico”, enredo de Jack Vasconcelos, homenageia o Movimento Tropicalista. O carnavalesco já avisa: “o enredo não é político”.

A levada continua musical, porém, levantando a poeira do Axé da baiana Ivete Sangalo na única homenagem a uma personalidade deste ano. A Grande Rio vem com “Ivete de rio a Rio”. A proposta de Fábio Ricardo passeia pela vida da cantora.

Quando, no início do ano, videntes disseram que a Grande Rio, a Beija-Flor e a Imperatriz Leopoldinense estariam no páreo para o título de 2017 foi uma surpresa. Para começar, as três desfilam no domingo e, de 2.000 para cá, apenas a Vila (2006) e a Tijuca (2010) ganharam o título no primeiro dia de competição. A campeã costuma sair das escolas que se apresentam na segunda-feira.

Logo depois, a polêmica provocada pelo “Belo Monstro” e outros detalhes do enredo da Imperatriz Leopoldinense a colocaram em evidência. Xingu, o clamor da floresta” desagradou o agronegócio. Foi bravamente defendido por seu criador Cahê Rodrigues que, com o apoio do presidente Luizinho Drumond e da comunidade, manteve o projeto original. A tentativa de censurar ou modificar a proposta acabou saindo pela culatra. Popularizou o tema, mexendo com os brios dos componentes da escola de Ramos. Índio quer espaço e, se isso divide opiniões, a Imperatriz contrabalança com uma unanimidade: o retorno de Luiza Brunet como Musa à passarela do samba.

“Vila, azul que dá o tom da minha vida…” o enredo “O Som da Cor“, de Alex de Souza produziu um dos melhores sambas do ano, interpretado por Igor Sorriso e a Suingueira de Noel. A escola tenta se reerguer após chegar a anunciar que não participaria do carnaval por ter tido suas contas bloqueadas na justiça ano passado. Vem prometendo Kizombar.

O Salgueiro continua por ali. Loucos para “morder” mais um título, Renato e Márcia Lage desenvolvem o enredo “A Divina Comédia do Carnaval” enquanto, nos bastidores, se comenta que o carnavalesco teria fechado com a Unidos da Tijuca para o próximo ano.

A noite termina com a Beija-Flor e “A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema”. Uma das novidades da comunidade nilopolitana será a ausência de alas, já adiantou Laíla, coordenador da comissão de carnaval. Um alerta. O samba, puxado por Neguinho da Beija-flor, é um chiclete daqueles que não sai da cabeça nem os sonhos mais exaustos de quem voltará para a Sapucaí para o segundo dia de desfiles…

Mangueira em busca do bi campeonato

Marrocos aos USA nos rios do tempo da simpatia Pensar mal disso? É segunda!

O carnavalesco Severo Luzardo estreia no Grupo Especial apresentando o passado, o presente e o futuro sob a ótica africana do candomblé da nação de Angola, dos povos Bantos, “puxado” por Ito Melodia, no enredo “Nzara Ndembu – Glória ao Senhor Tempo“.

Depois da festa de encerramento das Olimpíadas, Rosa Magalhães se debruçou sobre a preparação do carnaval da São Clemente. Tenta falar aí: “Onisuáquimalipanse” Traduzind o: Envergonhe-se quem pensar mal disso. E vamos esperar para ver o que a carnavalesca campeã das campeãs trará para a Sapucaí.

Abre-te Sésamo que o samba ordenou: vindo lá do Marrocos de Padre Miguel, “As Mil e Uma Noites de uma ‘Mocidade’ prá lá de Marrakesh”, apresenta um ótimo samba para embalar o enredo das arábias de Alexandre Louzada e Edson Pereira.

A vice-campeã de 2016, Unidos da Tijuca falará sobre música, a americana. “Música na Alma, Inspiração de uma Nação”, e dá-lhe variedade! A sinopse do enredo da comissão composta por Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, tem até um glossário para explicar termos e estilos musicais dos USA.

E aí, vem a Portela, num ano conturbado com a morte de seu presidente Marcos Falcon. O vice, Luis Carlos Magalhães teve que se desdobrar para administrar o projeto de carnaval. Já em 2017, por exemplo, foi trocado, por exigência do carnavalesco Paulo Barros, o comando da comissão de frente! Mesmo antes do desfile, seu enredo já é realidade para os portelenses: “Quem nunca sentiu seu corpo arrepiar ao ver esse rio passar”. As chances de um bom resultado aumentam com o fim do mandato de Eduardo Paes, portelense assumido e um pé-frio daqueles. Em 8 anos de torcida e apoio declarado a escola de Osvaldo Cruz não conseguiu chegar ao título.

A última escola a desfilar confirma a regra por ser exceção. Só os mangueirenses mais apaixonados apostavam no título conquistado em 2016 pelo jovem carnavalesco estreante no Grupo Especial, Leandro Vieira. Diante das previsões dos videntes, novamente, ele corre por fora. Nascido e criado para vencer demanda, cercado de todas as proteções imagináveis, conta com muita força lá de cima! Leandro avaliou suas possibilidades de chegar ao bicampeonato até no título do enredo verde e rosa. “Só com a ajuda do Santo”.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Ordem dos desfiles:

Domingo: Paraíso do Tuiuti, Grande Rio, Imperatriz, Vila, Salgueiro e Beija-flor

Segunda: Ilha, São Clemente, Mocidade, Unidos da Tijuca, Portela, Mangueira

Na beira do Madeira

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Bares do Raul

Este fica na cidade de Cacoal, Rondônia

Skindô, skindô !!!

foto: Zane Santos

Muro pintado em São Miguel do Gostoso / RN, prenunciando a chegada do Carnaval ! Porque é em Gostoso, se fosse em S.Paulo essa belezura não teria o direito de existir !

Gente que encontrei por aí…Nair Benedicto

Ela é da pesada… Escolhendo dar voz às minorias, violência contra a mulher, o homossexual, o menor de rua e o índio são presentes nas imagens.  Nos seus 43 anos de profissão, Nair Benedicto, uma das maiores fotógrafas deste país, tem em sua obra um viés político que integra os acervos dos museus de arte moderna do Rio de Janeiro (MAM) e de Nova York (MoMa), entre outros.

Nesses tempos difíceis conviver algumas horas com uma pessoa desse naipe é um bálsamo para o cérebro, é como ela mesmo diz em sua fantástica palestra : “não desistir de si mesmo”.

Por tudo, obrigado Nair.

Louvação a Iemanjá na Praia Grande
Santos-SP
1978
Crédito: Nair Benedicto/N Imagens

Me engana !

Texto e foto de Valéria del Cueto

A lua cheia – que a tudo ilumina e renova –  chegou para banhar entre as grades da janela a cronista reclusa e encontrou uma mensagem:

“Me engana e diz que não enxergo bem, que a miopia rouba os contornos, tira a definição e deturpa as imagens que meus olhos insistem em registar.

Me engana! E explica que através das lágrimas não vejo o fim do tempo da delicadeza e da esperança.

Me engana e jura de pés juntos (mesmo que certamente com os dedos cruzados nas costas) que a brutalidade e a violência são apenas uma miragem incrementada pelo gás lacrimogênio. O gás jogado contra os que protestam por seus mais legítimos direitos, inclusive membros da mesma corporação.

Me engana e explica como as forças da lei atiram aqui!  E ali retiram seus homens deixando os cidadãos a mercê da bandidagem…

Me engana afirmando que os que surrupiaram os sonhos, venderam nossa tranquilidade, tentam (inutilmente) sufocar a vontade de todos, não são os mesmos que hoje desprezam nossos direitos e tramam para vender o bem maior. Água é vida!

Me engana e diga que nós, que votamos obrigados entre o pior e o tão ruim quanto, somos os culpados por elegermos os bandidos quesurrupiam nosso patrimônio depois de sugarem qual vampiros nossas riquezas.

Me engana, por favor, mais uma vez e afirma peremptoriamente que é legítimo, moral e ético!

Os mesmos vendilhões e aproveitadores responsáveis por abrirem a porteira da ladroagem, mandarem às favas a Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovarem o RDC – Regime Diferenciado de Contratação, as LOAS e LDOS,  Leis de Diretrizes Orçamentárias, se locupletando e  incentivando a corrupção, são aqueles que (apesar de terem seus nomes citados nas delações premiadas  de empresários corruptos, serem  indiciados e covardemente protegidos pelo foro privilegiado de seus mandatos e, claro,  também questionados por tretas mis)  negociam a venda da CEDAE, a companhia de água e saneamento do Rio de Janeiro.

Me engana. Mas faz isso direito! Porque a minha, a nossa paciência está esgotada de tanta devassidão podridão. E, se depender da minha vontade não serei mais vítima de tanta vilania.

Serei seu algoz! Não tenho mais nada a perder…

Não me lembro de ter dado autorização para vocês venderem o meu futuro para pagarem os altos custos da incompetência e da falta de vergonha na cara.

Também não me lembro de ter passado uma procuração em branco para quem aprovou as suas contas e autorizou seus orçamentos megalômanos e descompensados. Portanto, não passei recibo nem dei moral para seus cúmplices abjetos.

Me engana, mas engana direito! Como foi feito com os órgãos que tinham a obrigação constitucional de defender e resguardar os interesses da Sociedade. Sigla, só siglas sem sentido e de pouca valia. A não ser na hora de levar seu “quero o meu”. Bancadas com os recursos dos impostos pagos pelo povo…

Me engana! E engana agora porque cheguei ao meu limite. Com todas as forças do meu conhecimento constitucional pleiteio um plebiscito para saber se o povo do Rio de Janeiro aceita entregar a CEDAE para pagar o rombo alheio.

Me engana, mas engana direito senão vou te devorar! Exatamente como você fez com os sonhos. Os meus e os de um povo inteiro!”

*Uma quinta-feira de TV ligada e a cronista (que estava quase concordando em se dar alta) teve um surto delirante. De seu reduzido espaço, entre as barras da janela, jogou a mensagem e a chave da cela para a Lua. Esta, depois de ler o recado, achou por bem não contrariar.  Jurou guardar o tesouro e garantir a sanidade da amiga. Mas não resistiu. Distribuiu aos quatro ventos em todas as suas fases o desafio lançado da mensagem: Me engana!

**Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

 

Guerreiros da Luz

E agora, Mestre, como atravessar esse pântano ?

Do mural de Alberto Lins Caldas

em silencio

● assim como os olhos dos morcegos ●
● são cegos pra claridade do dia cegos ●
● são os olhos dela clitemnestra ●

● q esqueceu q a morte do homem ●
● clama irresistivelmente pela morte ●
● da mulher na balança das putas moiras ●

● ela clitemnestra não se matou ●
● agamenon rei é quem foi morto por ela ●
● o corpo torcido retalhado por espadas ●

● vejam medeia q matou jasão ●
● quando degolou os dois filhos e bem viva ●
● ficou com aqueles olhos q brilhavam ●

● quem sabe de ajax com a espada ●
● no coração no centro daquela praia ●
● pode compreender e não deixar passar ●

● assim como os olhos dos morcegos ●
● somos todos cegos demais pra claridade ●
● enquanto devoramos treva com treva ●

● a morte gloriosa deve ser aceita ●
● jamais caçada como se vai ao mercado ●
● em busca de frutas verduras e carnes ●

● espartano ou não o guerreiro se mata ●
● apenas sob os golpes frios da desonra ●
● enquanto vamos digerir treva com treva ●

● assim perdemos a sombra como a pele ●
● queimada se descama menos clitemnestra ●
● q dança nua e ri nessa noite tão opressa ●

● nela não ha a dor dos infortunios ●
● aquilo idiota destroçado foi so um marido ●
● fiquemos aqui no mercado de boca calada ●

● foram treva com trevas demais trituradas ●
● marcadas pela infamia ou pela loucura ●
● não nos cabe mais dizer o caminho ●

● nem mesmo a morte depois da vergonha ●
● vivemos outro tempo outras tantas razões ●
● engoliremos mais essa treva em silencio ●

*

Do mural de Cintia Duarte Montilla

Por Cintia Duarte Montilla

– Esconde esse absorvente
Essas espinhas
Arranca esses pelos
Da um jeito nesse seu cabelo duro
Mal cuidada
Porca

Feche esse sorriso
Sua mãe não te ensinou
Sobre o perigo de andar sorrindo na rua?
Abaixa essa cabeça
Para de encarar
Você esta chamando atenção
Assim vão achar que você esta dando mole

Delicia
Gostosa
Oh la em casa
Fecha essa boca e não reclama
Saiu de casa de saia curta
Camisa decotada
Maquiagem
Sem um homem
Tem que aguentar

Como assim não sabe cozinhar?
Você é mulher
Tem que cuidar do lar
Como assim não quer engravidar?
Você é mulher
Tem que engravidar

Faculdade? Viagem?
Mas você é mãe
Tem que cuidar
Abriu as pernas, agora não adianta
Largar na creche
Irresponsável

Mãe solteira?
O pai foi embora?
Não sabe quem é o pai?
Transou sem camisinha
Vai ter que aguentar
Vadia

Esse roxo ai
Tenho certeza que apanhou
Que teu marido te bateu
Mas você mereceu
Provocou ele
Você sabe que não pode se levantar
Mulher tem que ser submissa
O homem é que comanda o lar

Ah, mas que criança linda
É uma menina?
Toma aqui esse vestidinho rosa
Essa coberta de florzinhas
Pinta o quarto de rosa
Um rosa bem bonito
Porquê mulher é monocromática durante a infância

Ih, chegou a menarca
Essa vai dar trabalho
Ensina pra ela a se valorizar
Mulher tem que se dar ao respeito
Fala pra ela não deixar ninguém ver esse absorvente
Esse sangue sujo

Vai ter que começar a usar sutiã
Os mamilos estão aparecendo pela camisa
Que coisa horrível
Adolescente descuidada
A mãe dessa ai não ensinou nada

Foi estuprada?
Morreu no processo?
Devia estar pedindo
Sem sutiã, andava sozinha
Aquele batom vermelho
Aquela bunda enorme
Não sabe que menina tem que ficar em casa?
Deu sorte pro azar

Não foi educada
A mãe era solteira
O pai estava é certo de ir embora
Se ela era assim com a filha, imagine com o marido

Não foi respeitada
Opressão?
Imagine

Olha lá a mãe dela
Na beira do caixão
Olhando pro rosto da filha
Sem cor, sem vida
Um futuro morto antes mesmo do nascimento
Filha de mãe solteira
Sem pai, sem respeito

Morreu tão jovem
Aos 17
Uma menina tão linda
Maldita sociedade
Espero que a mãe dela aprenda a lição
E não tenha mais filhos

Suicídio?
Mas ela poderia ter começado uma vida nova
Agora que tinha perdido a filha
Poderia terminar a faculdade
Arrumar um emprego
Mas era uma fraca
Era mulher
O destino, a vida, as possibilidades
As pessoas
Cavaram a cova e jogaram ela lá dentro

Vitimismo? Preconceito?
Abuso? Agressão?
Cala essa boca e vai lavar uma louça
Você tem uma delegacia só sua
Tem seus direitos
Não luta na vida
(Mas luta na rua)
Não morre na guerra
(Mas morre em casa)

Pipando por aí

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Arquitetura em Porto Velho

Por Giovani Barcelos

A arquitetura de Porto Velho merece uma discussão mais aprofundada, pois mistura estilos americano, inglês, europeu e, claro, local, com suas características vernaculares riquíssimas. Faço aqui uma colocação bem superficial, devendo ser aprofundada com tempo.
A arquitetura de Porto Velho começou o seu caminho com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Construções em madeira, adaptadas ao clima da região, fazem parte das primeiras imagens da cidade, somando-se a construções efêmeras executadas para dar suporte à construção da linha férrea. No meu entender, de alguém que mora aqui há pouco tempo, sem as láureas de muitos que tratam disso, é a principal referência de arquitetura local, somando-se aos ribeirinhos, com suas casas também em madeira totalmente adaptadas ao local.
Depois desse momento, mais local e adaptado à região, temos os estilos tardios que construíram a imagem arquitetônica que a maioria tem da cidade. Chamo de estilos tardios, pois quando chegam aqui no século XX, já não são mais os estilos utilizados nos locais que servem de imagem aos que aqui chegam. Nesse conjunto, destaco os prédios com referências neoclássicas e ecléticas. Ainda fazem parte dos estilos utilizados no Brasil no século XX o neocolonial, ainda guardando as raízes da colonização brasileira e sendo um dos estilos utilizados por Lúcio Costa antes de aderir as linhas modernas. Anterior ao modernismo temos o Art Decó (presentes em prédios na Av. Sete de Setembro) e o Protomodernismo (que observamos no Prédio do Relógio e na Escola Carmela Dutra).
A arquitetura contemporânea em Porto Velho não possui uma linha de elementos que possam caracterizá-la. Existem construções que seguem modismos com fachadas envidraçadas, inclusive voltadas para o oeste, bem como edificações que já estariam prontas, mas o profissional insiste em encher de elementos, enfim, exageros. Gosto da arquitetura residencial produzida aqui, pois mescla soluções que se adequam à região. Os conjuntos habitacionais, assim como em outras cidades, se proliferam, onde a quantidade não é acompanhada pela qualidade.
A fase mais rica que considero da arquitetura Portovelhense refere-se ao período associado a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, mas é uma discussão para outra oportunidade.

Colisão

Texto e foto de Valéria del Cueto

Olhando o navio sem conseguir distinguir onde começa a laje e por onde se estende o mar, Pluct Plact, o extraterreste, se prepara para fazer sua primeira visita do ano à sua parceira preferida, a cronista. Reclusa do outro lado do túnel. Num lugar onde a única visão exterior é a lua que, durante alguns dias do mês, derrama seus raios pelo vão da janela da cela onde está voluntariamente (vamos deixar bem claro), alojada. Cansou do mundo. Simplesmente.
Como você já deve saber, o extraterrestre veio em missão de re-conhecimento e acabou preso na atmosfera, onde se movimenta aos pulos, batendo e rebatendo a lataria cibernética de sua nave na poluição da camada de ozônio. Ela o impede de prosseguir viagem em direção a outros universos e galáxias.
Pode dizer. É muito tempo para ficar sem dar notícias. Mas, pensando bem, foi melhor assim. Melhor porque só fica pior. É cada coisa que acontece…
Como meta de ano novo tinha se proposto a só chegar pela janelinha deslizando pelo brilho do rastro da lua, quando tivesse algo realmente empolgante e alvissaro para narrar para sua querida cronista. Depois do grand finale de 2016, com aquela incrível sequência de partidas, as coisas bem que poderia cair na normalidade.
Opa! Aí, talvez, more o problema. A normalidade anda uma verdadeira aberração. E está sobrando para todos os lados. Não há trégua nessa luta dos rochedos com os mares, males e ondas traiçoeiras. A barra está pesada e o calor também. É tanto que não dá para ir à praia. Os raios UVs estão nas alturas, prometendo derreter e adoecer até as peles mais curtidas. É melhor não facilitar.
O perigo também mora nos bondes. Não dá para andar atoa por aí. Virou moda uma modalidade de “ocupação” de espaços. Primeiro nas praias, com horários mais ou menos definidos. Depois vieram a ampliação dos períodos e o aumento da área de abordagem: ônibus, ruas, estabelecimentos, o metro…
Na outra ponta, a que deveria mostrar que o crime não compensa, reina a barbárie. É guerra de gente grande manipulando e matando gente pequena. E não tem João Batista livre de condenação pelos grupos opositores. De Norte a Nordeste e dali para baixo corre o sangue das penitenciárias superlotadas. Facções lutam por espaços cada vez menos guardados e protegidos pelos responsáveis.
Os próprios e muitos outros sufocados e estrangulados pela falta de pagamento e condições de trabalho. Pezão, no Rio, só não fechou a porta do estado e jogou a chave fora porque falta depenar o pouco que restou da rapação patrocinada por seu guru e colega de primeiro escalão, habitante do Complexo de Bangu, Sérgio Cabral. Ah, Cedae, Cedae. Água é vida e é ela que saíra das mãos do Estado do Rio para pagar a bagaceira que ninguém pretende consertar. Aliviar e olhe lá…
O que tem visto é inenarrável. Não dá para contar para a amiga tudo de uma vez, na lata. É informação demais.
A ideia era parar por aqui e sobrar uns parágrafos para fazer um carinho na reclusa. Não deu.
Falta lauda para tanta informação nefasta. A última é a queda do avião bimotor que levava o Ministro do Supremo Tribunal Teori Zavascki para Paraty, com o dono de um empreendimento hoteleiro, o piloto e outras duas vítimas. Teori era o relator dos processos relacionados a Lava Jato. No momento, analisava e ia homologar em fevereiro, depois das férias forenses, os acordos de delações premiadas dos executivos da Odebrecht. Elas envolvem mais de uma centena de nomes de políticos dos mais variados matizes…
A região da queda remete ao desparecimento do helicóptero com Ulisses Guimarães, Dona Mora e o casal Severo Gomes. O avião lembra o acidente de Eduardo Campos. Os motivos? Poderiam ser associados a várias ocorrências inexplicáveis. De JK a Celso Daniel. Ou ter sido apenas um trágico acidente.
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Gente que encontrei por ai… Mapinguari !

Mais amor por favor !

Texto e foto de Valéria del Cueto

Gosto de escrever textos leves, engraçados e, mesmo nas piores situações, poéticos. Mas tem hora que não dá para ser nessa levada. É preciso falar sério. Este é o caso. O papo tem que ser reto.

O assunto começa no carnaval. Mas o tema desse enredo, não é exatamente propício para o ambiente da maior festa popular do mundo. Uma festa carioca, popular,  plural! E famosa por não aceitar ali, qualquer forma de censura.

O maior exemplo é o espetacular episódio do Cristo Mendigo coberto por ordem judicial a pedido da Igreja. Foi revelado pelo povo do samba em plena Sapucaí no desfile da Beija-Flor na comemoração do seu campeonato. O enredo nilopolitano de Joãzinho Trinta, em 1989, era “Ratos e urubus, larguem a minha fantasia”. Captou? A sequência narrada pelo querido Fernando Pamplona, cujo link faço questão de colocar aqui, é inesquecível. https://youtu.be/ykt0KMvgbDU

Dito isso, vamos brincar de telefone sem fio. Aquela brincadeira em que uma pessoa diz uma coisa no ouvido da outra, que repete pra uma terceira, que manda no pé da orelha a informação pra frente. Do outro lado da linha, alguém diz em voz alta o recado que recebeu…

Nas primeiras manifestações, o tom usado para “discutir” o  enredo da Imperatriz Leopoldinense “Xingu, o clamor que vem da floresta, já indicava que  ia “dar ruim”. A senha, desde o primeiro comentário, era: vamos brigar, xingar, partir pra dentro. Assim.

Não demorou para que as informações desencontradas e incorretas tropeçassem nas próprias pernas. Após o apelo, que funcionou como um tiro perto de uma boiada, começou o achismo e, com ele, bateção de cabeça.

Exemplo? Alguém “pesca” na rede a informação de que os queridos Zezé di Camargo e Luciano eram convidados do carro de som da escola de Ramos. Alvo achado, mira feita e tiro dado. A patrulha botou as manguinhas de fora e, ouvindo o galo cantar sem saber onde, “patrolou” a dupla sertaneja. Diz nota oficial do Pres. do Sindicato Rural de São Gabriel e Vice Pres. da Farsul, a Federação de Agricultura do RS:

“…Curiosamente, o site da escola anuncia como “puxadores” convidados, os artistas Lucy Alves e Zezé di Camargo & Luciano. Ela, que faz música com sotaque rural, e eles, que nunca recusam oportunidade de faturar em exposições-feiras, como a de São Gabriel, no ano passado. O músico e produtor Zezé pode até achar bonito o discurso que coloca o produtor rural como inimigo do indígena, mas imagino que não coloca suas terras de Goiás à disposição da União para fazer reservas indígenas. E viva o Brasil do Carnaval, da ignorância histórica e da desinformação

 A resposta veio do próprio Zezé de Camargo. O texto não está completo por falta de espaço. Basta dar um “google” para lê-lo. Diz ele, entre elogios ao setor:

 “ fiquei surpreso ao ser citado, ironicamente e de forma equivocada, pelo presidente do Sindicato Rural de São Gabriel Vice Presidente do Farsul.

Caro Sr Tarso Teixeira, também é ignorância afirmar o que não se tem conhecimento. Nunca fui convidado para ser o puxador do samba enredo da Imperatriz Leopoldinense. Nem eu nem o meu irmão Luciano. Tenho muito carinho pela escola que homenageou a minha família no ano passado. Mas não temos ingerência sobre temas que a Imperatriz possa criar e abordar. Se tivéssemos, garanto com toda a convicção, que mostraria aos membros da escola que a maneira como estão colocando o agronegócio não condiz com a realidade… …E como quem faz alegria vive de magia, é fato que não existe maldade na homenagem, mas falta de informação. Cabe então, a nós, simples mortais, porém que conhecemos este outro lado da moeda, mostrarmos para os criadores do samba, em tom de paz (não de guerra) que a nossa Terra se faz com a força e garra daqueles que produzem o espetáculo que reluz diante de meu Brasil gerado pelo agronegócio.”

 Depois dessa aulasobre diálogo e gentileza, segue a novela com direito a fervura até o dia do desfile. Nas cenas dos próximos capítulos o senador Ronaldo Caiado promete uma audiência no Senado Federal para fazer uma devassa nas contas da agremiação carnavalesca que ousou desagradar o agro. Parece reprise, não é?

 *Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Uma prece para Manuel Messias Viveiros

Quem me conhece sabe que  não sou muito de pedir essas coisas. Mas acontece que eu também reconheço a força que as preces tem, independente da religião ou credo.

E essa prece, que poderia ser solitária , é compartilhada com o imenso número de amigos em comum que temos e vai para um grande companheiro que partiu por complicações do diabetes, o Messias, da Samf.

Vibremos positivamente em favor desse magistral ser humano, que a todos encantava com seu violão e seu papo bem humorado.

A sua amiga Helenice Guimarães assim escreveu no Facebook : ” Compreender os propósitos de Deus, realmente pode ser uma tarefa bem difícil, principalmente quando perdemos amigos queridos. Hoje a tristeza bate mais uma vez na minha porta anunciando a perda de mais um amigo Manuel M. Viveiros Viveiros. ”

Na foto, Messias faz um show no Mercado Central, durante o lançamento do meu Vocabulário Popular de Porto Velho, em 1997.

Que seus novos caminhos sejam iluminados, Messias !

Mato Grosso em nova polêmica carnavalesca no papel de vilão

Texto e foto de Valéria del Cueto

Dá para acreditar? Todo mundo no mesmo saco, um estado inteiro no erro? Nada disso!

Assim se criam as polêmicas virais. Uma informação retirada do contexto. A afirmação categórica que a unidade é o todo. Com um tom de indignação se desconstrói o conceito previamente deturpado.

Enredo pobre e medíocre é assim. Eis a indignada manchete com o conteúdo seguindo o script: “Escola de samba do RJ vai criticar agro na Sapucaí”. As reações nas redes sociais, diante do apresentado, foram superlativas. Negativas em sua esmagadora maioria. Com ampla utilização de termos chulos, preconceitos variados explícitos e assinados contra a escola, o carnaval, o povo carioca e o Rio de Janeiro como um todo. Só a página que repercutiu o alerta indignado original teve mais 700 comentários até o fechamento desta edição. Muitos impublicáveis em veículos de comunicação.

Agora, o Rio é a Geni. Aquela em que jogam pedras depois de vários enredos carnavalescos, patrocinados ou não, muito bem-sucedidos sobre o agronegócio.  “Parábola dos Divinos Semeadores”, em 2011, pela Mocidade Independente de Padre Miguel (CNA). “A Vila canta o Brasil, celeiro do Mundo”, deu o último campeonato à azul e branca, em 2013 (Basf). O vice-campeonato de 2016 foi da Unidos da Tijuca com “Semeando Sorriso, a Tijuca festeja o solo sagrado”.

Foi neste último que vimos passar pela avenida as matas seriam derrubadas, aradoscolheitadeiras,  aviões agrícolas para aplicação de defensivos. E, sim, uma fantasia similar a uma das que estão causando protestos. As composições de carro com lindas larvas do último carnaval reaparecem numa ala chamada “fazendeiros e seus agrotóxicos”. Mas lá podia…

“Olhos da cobiça” e “Doenças e pragas” fantasias de alas comerciais, são apresentadas como provas cabais de que com o enredo de 2017 a Imperatriz é inimiga mortal do agronegócio. Três fantasias num universo de mais de 30 alas num total 5 mil componentes fazem o link megalômano, um canal suficiente para defenestrar e destruir o universo inteiro do carnaval e botar no mesmo balaio de (pré)conceitos todos os envolvidos no processo e adjacências.

Mas afinal, qual o enredo da escola de Ramos? “Xingu, o clamor que vem da floresta”. Cá entre nós, serão todos os agricultores do Brasil os vilões citados no samba enredo que diz que “o belo monstro rouba a terra de seus filhos, devora e seca as matas e seca os rios, tanta riqueza que a cobiça destruiu”? Ou seria… Belo Monte, a usina hidrelétrica?

O que será pior: quem veste a carapuça de destruidor do meio ambiente ou quem deveria reconhecer que, por não ter feito a lição de casa, novamente a nota de interpretação de texto não dá pra passar de ano?

 A direção da Imperatriz Leopoldinense não vai se manifestar sobre o episódio.


Com a palavra Cahê Rodrigues, carnavalesco e autor do enredo da Imperatriz Leopoldinense

Você esperava uma reação dessa proporção do “agro” ao  enredo?

Sempre me preocupo muito com uma mensagem de amor e paz. Fujo de todo tipo de polêmica, de agressão ao próximo. Eu nunca fui um carnavalesco de entrar em polêmicas. Desde o início o objetivo desse tema foi exaltar os povos do Xingu dando voz a esses índios que lutam durante tanto tempo, tantas décadas, em prol da sua liberdade, do respeito com a sua terra, pela sua cultura, pelo seu povo. A proposta do enredo da Imperatriz é uma exaltação aos índios do Xingu. Eu realmente não esperava, uma repercussão negativa na área do agronegócio.

O enredo do Xingu é um enredo patrocinado?

Esse ano a Imperatriz não teve nenhuma proposta de enredo patrocinado. Trouxe três ideias de enredo como eu sempre faço. E, é claro, que eu tinha um carinho especial por esse tema do Xingu, porque já era um desejo meu de um dia poder exaltar os índios em algum dos meus enredos.

O agronegócio é um tema muito explorado no carnaval carioca…

Várias escolas já fizeram carnavais muito bem-sucedidos homenageando o agronegócio. A própria Imperatriz, no último carnaval fez uma homenagem a vida do sertanejo, a vida do caipira. Exaltou o trabalho do agronegócio, dos agricultores, na figura do caipira, do homem do campo e com muito orgulho levou essa história para o sambódromo.

Alguém do setor te procurou para dialogar ou pedir informações sobre a abordagem do enredo?

Ninguém me procurou pessoalmente, podem ter procurado a assessoria de imprensa da escola. Para mim ninguém ligou. Acho um pouco demais e desnecessária a posição agressiva de algumas pessoas que desconhecem a proposta de carnaval da Imperatriz e estão falando bobagens e coisas sem sentido, agredindo o carnaval da Imperatriz e o carnaval carioca.

Essas pessoas realmente não devem ter conhecimento da grandiosidade que essa festa representa para o país, o número de empregos que o carnaval gera o ano inteiro. Eu não tenho o que falar, o que responder para essas pessoas que realmente estão a fim de aparecer e de agredir desnecessariamente uma escola que está fazendo um projeto lindo, um projeto de respeito ao ser humano.

Um projeto que pretende exaltar não só os índios do Xingu, mas todo indígena brasileiro. Esse enredo é uma ode a todos os índios do Brasil, não só os índios do Xingu e, infelizmente, eu não tenho como mudar a história. A proposta do enredo não é agredir ninguém, mas eu não vou omitir nem vou deixar de mostrar na avenida aquilo que de fato agride, sim, a vida do índio. Ele depende da floresta para sobreviver, depende da água para pescar o seu peixe e o índio depende do ar puro para respirar assim como todos nós. O índio depende desse verde. Por isso o clamor da floresta que a Imperatriz vai levar para a avenida é para que todos possam olhar para as nações indígenas do Brasil com respeito e com o carinho que eles merecem.

Compositores: Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna

 

BRILHOU… A COROA NA LUZ DO LUAR!
NOS TRONCOS A ETERNIDADE… A REZA E A MAGIA DO PAJÉ!
NA ALDEIA COM FLAUTAS E MARACÁS
KUARUP É FESTA, LOUVOR EM RITUAIS
NA FLORESTA… HARMONIA, A VIDA A BROTAR
SINFONIA DE CORES E CANTOS NO AR
O PARAÍSO FEZ AQUI O SEU LUGAR
JARDIM SAGRADO O CARAÍBA DESCOBRIU
SANGRA O CORAÇÃO DO MEU BRASIL
O BELO MONSTRO ROUBA AS TERRAS DOS SEUS FILHOS
DEVORA AS MATAS E SECA OS RIOS
TANTA RIQUEZA QUE A COBIÇA DESTRUIU

SOU O FILHO ESQUECIDO DO MUNDO
MINHA COR É VERMELHA DE DOR
O MEU CANTO É BRAVO E FORTE
MAS É HINO DE PAZ E AMOR

SOU GUERREIRO IMORTAL DERRADEIRO
DESTE CHÃO O SENHOR VERDADEIRO
SEMENTE EU SOU A PRIMEIRA
DA PURA ALMA BRASILEIRA

 

JAMAIS SE CURVAR, LUTAR E APRENDER
ESCUTA MENINO, RAONI ENSINOU
LIBERDADE É O NOSSO DESTINO
MEMÓRIA SAGRADA, RAZÃO DE VIVER
ANDAR ONDE NINGÚEM ANDOU
CHEGAR AONDE NINGUÉM CHEGOU
LEMBRAR A CORAGEM E O AMOR DOS IRMÃOS
E OUTROS HERÓIS GUARDIÕES
AVENTURAS DE FÉ E PAIXÃO
O SONHO DE INTEGRAR UMA NAÇÃO
KARARAÔ… KARARAÔ… O ÍNDIO LUTA PELA SUA TERRA
DA IMPERATRIZ VEM O SEU GRITO DE GUERRA!

SALVE O VERDE DO XINGU… A ESPERANÇA
A SEMENTE DO AMANHÃ… HERANÇA
O CLAMOR DA NATUREZA
A NOSSA VOZ VAI ECOAR… PRESERVAR!

O link para baixar o áudio está aqui: http://www.imperatrizleopoldinense.com.br/odesfile.html

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Para-choque de blog

“Só os tolos não se deixam guiar pela primeira impressão.” (Oscar Wilde)

Tem trem cuiabano na memória verde e rosa…

Texto e foto de Valéria del Cueto

Meus caminhos levam ao samba. E ele passa pela Estação Primeira de Mangueira. A escola verde e rosa completa seus 90 anos em 2018 e já se agita animada para a comemoração.

Um passo importante na preparação dos festejos é a reabertura, após 10 anos, do Centro de Memória Verde e Rosa. Ele fica no terceiro andar do Palácio do Samba, a quadra da escola, junto ao Auditório Dona Zica, a sala de cinema Carlos Cachaça e Biblioteca Dona Neuma.

Aberto em 1999, na gestão do presidente  Elmo José dos Santos, tem um acervo composto por objetos queridos dos mangueirenses que narram a história da escola e da comunidade. Lá estão expostos fotos, fantasias, instrumentos musicais, incluindo o saxofone de Mestre Pixinguinha e o surdo do primeiro desfile da escola,  revistas e jornais, como a primeira edição de “ A voz do Morro, publicação criada numa favela, em 1935, e outras preciosidades.

Imaginem a emoção e alegria dos convidados do Vice-Presidente Cultural, Paulo Ramos, um dos responsáveis pela revitalização do  espaço de referência para pesquisa, educação, documentação e comunicação, considerado um “território de cultura encravado no pé do Morro da Mangueira”.

Uma parte do Centro foi atualizado, incluindo a conquista do último campeonato, o de 2016, com o enredo homenageando Maria Bethânia, “A menina dos olhos de Oyá”.

Também foi renovado o painel que fica diante da porta de acesso do Centro de Memória Verde e Rosa. E ele é a causa desta crônica natalina.

Outro dia, os jornais de Mato Grosso publicavam que o VLT poderá ser construído em duas etapas e que a primeira irá do aeroporto, em Várzea Grande, ao Porto. Conclusão: por mais um capricho do destino, Várzea Grande terá um VLT antes de Cuiabá. Ô trilho difícil!

Pensa no trem. Sonho de Vicente Vuolo. Aquele que quase chegou á Cuiabá. A locomotiva que acabou “puxando” a exuberância da capital de Manto Grosso pela Sapucaí para o mundo, no desfile dessa mesma Mangueira, de 2013.

É incrível que a cidade não guarde nem preserve essa memória. E que, quando vem à cabeça a reação local ao desfile verde e rosa daquele ano, a primeira lembrança seja sempre a questão do jequitibá, símbolo da escola citado no samba e tão criticado por estar lá, já que não há jequitibá em Cuiabá. A polêmica rendeu um trem!

Esse do enredo que levou a obra do fabuloso artista plástico João Sebastião para o último carro da escola, o da Copa do Mundo. O da alegoria que, quando viu que estava chegando o final do desfile, resolveu atender sua natureza de borboletear, dificultando sua passagem pela torre de televisão na Marquês de Sapucaí. Ali, pontos essenciais foram perdidos. Mangueira e Cuiabá ficaram fora do desfile das Campeãs…

Mas a linda e arrebatadora apresentação recebeu o maior reconhecimento que poderia alcançar, diante da quebra do carro. Ganhou do júri do Jornal o Globo, o cobiçado prêmio Estandarte de Ouro de Melhor Escola do Carnaval 2013.

Para alguns cuiabanos pode ser que essa história tenha acabado e, inclusive, servido a vis propósitos políticos de quem não respeita nem avalia o que representa estar ali, na vitrine do Sambódromo Carioca, diante de centenas de milhões de espectadores. Uma pena para Cuiabá…

Mas não para a Mangueira, que sabe reverenciar sua história e, ao reabrir seu Centro de Memória escolheu, para encantar quem adentra suas portas como visitante, uma imagem do Abre Alas do desfile “Cuiabá, um Paraíso no Centro da América”.  

Gratidão por seu passado e respeito por sua história. Vamos aprender com quem pratica. Esses são meus desejos para a cidade que amo e, um ano depois dos 90 da Mangueira, em 2019, comemorará seus 300 anos. Vamos preparar a festa!   

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Texto da série “É carnaval” do Sem Fim…

Pelas ruas de Belém…

Bengui Belem do Pará foto: Fernando Leitão Jr.

Gente que encontrei por aí… Riva Pavlawski

Um grande músico de blues e companheiro nas happy hours da vida, Riva Pavlawski fez uma grande apresentação no 1ª Armazém do Porto Blues Festival junto com outras feras como Danny VincentDecio Caetano e  Luke De Held .

Se essa rua fosse minha…

Texto e foto de Valéria del Cueto

Meus caminhos levam às praias. Incluindo a rota pelo Parque Garota de Ipanema, no Arpoador. Desde que mudei para o Posto 6 acompanho interessada a construção do hotel Arena Ipanema. Ironia da vida, quando saí da Ponta, o Arena Leme estava sendo construído. Fiquei apegada aos lindos vidros espelhados. Sempre que passava pelo parque observava o canteiro de obras que ocupava uma parte do jardim do espaço público.

Se feio estava, feio ficou na época dos Jogos Olímpicos e Paraolimpícos, festas maiores do  calendário turístico de 2016. Na verdade, piorou e não foi um pouco com o fechamento da entrada pela lateral na praia. Via de acessibilidade por possuir rampas e pistas “lisas”. A partir daí, ficou apenas a travessia pelo coração do Garota de Ipanema. Irregular e cheia de árvores, recantos. Mais perigosa. Os Jogos acabaram e retiraram os tapumes do canteiro de obras. Começou a recuperação do espaço que, detonado, estava lotado de entulhos da construção do empreendimento turístico.

Um dia, apareceu a passagem. De ponta a ponta, na lateral do hotel. Um “passeio” reto e gradeado, já que as duas entradas para o parque foram fechadas durante as obras e a rampa de concreto de acessibilidade retirada. Quando ia pra praia, a passagem era ótima para os dias de pressa. O passeio pelo interior do parque era perigoso e mais longo.

Domingo foi assim. Optei pela passagem lateral. Quando cheguei no portão ele estava fechado, mas não cadeado. Estranhando, entrei. Já na altura da entrada de serviço do hotel fui alertada que não poderia passar por ali por ser uma rua privativa e estar fechada ao público durante os finais de semana. Sabe quando passa pela sua cabeça um filme? Pois é. O enredo e a produção eram cuiabanos. A rua ficava no Porto e negócio, feita por um prefeito, foi revisto depois…

Na volta da praia ao atravessar novamente por dentro do parque “perguntadeira”, fui assuntando com salva vidas, guardas municipais e PMs que estavam de serviço (muitos, era domingo), se sabiam e o que achavam da medida. Unanimidade. Os guardiões afirmavam que estava complicado para quem passava e era obrigado a ir pelo parque. Tanto na acessibilidade quanto no quesito segurança. E ninguém sabia informar como a rua havia virado privativa.

Para me inteirar melhor na segunda feira fiz um passeio fotográfico com o apoio de um guarda municipal. Os cenários e recantos se estivessem bem conservados seriam espetaculares! Mas, hoje, não dá para ficar dando sopa com um aparelho qualquer no pedaço. Publiquei as fotos no Instagram. Fazem parte da série #ValeRio2016. Uma das mostram o antes, o durante e o depois dos megaeventos cariocas. Por definição, assim como foi no Pan e na Copa, estamos no #justafter, o legado.   

Caí dentro na internet atrás de informações. Já com o suficiente nas mãos procurei o marketing do grupo Arena que me encaminhou para o gerente geral do Arena Ipanema. Douglas Viegas é um gentil cavalheiro da hotelaria carioca. Morador de Copacabana e, portanto, disposto a uma boa conversa, a dar as explicações disponíveis e ouvir ponderadamente a demanda. Explicou que o Arena Ipanema adotou o parque. Fazia a revitalização e conservação do mesmo. Também me disse que havia uma decisão, tomada pela Associação dos Moradores, Região Administrativa, PM e Guarda Municipal, de que o parque funcionaria de 6 da manhã às 20h. Perguntei se haveria horário de verão, mas ele disse que não. Concluí com meus botões: não consultaram os esportistas! Surfistas madrugam e a volta pela Francisco Otaviano atrasa ainda mais o mergulho matutino. O mesmo acontece quando o sol se põe mais tarde, no verão. Nada de cortar caminho… Parece que a decisão de fechar a rua rolou numa reunião dessas. Mas, como Douglas não lembrava a data, fiquei de enviar essa e outras perguntas por email. Na saída aproveitei e mostrei as fotos que fiz da reforma do parque, hashtag #sosparquegarotadeipanema, sugerindo sutilmente que alguém do hotel dê uma fiscalizada na qualidade dos trabalhos.

Onde quero chegar com essa prosa? A um final feliz. Na mesma tarde recebi um convite para fotografar a passagem no próximo sábado. Segundo Douglas, ela estará aberta ao público em geral e aos que precisam de acessibilidade para chegar ao Arpex, o paraíso carioca…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Texto da série “Arpoador” do Sem Fim…

Na beira do Amazonas…

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foto : Fernando Leitão Jr.

Talking Heads (Cabeças que Falam)

Filme de Krzysztof Kieslowski legendado em português.

Piloto que sobrevoava o local revela os últimos diálogos da torre de controle com avião da Chapecoense

chapeAudio divulgado por fontes colombianas mostram os momentos previos do choque do avião que transportava a Chapecoense.

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Pelas ruas de Rio Branco…

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Gameleira – Centro de Rio Branco foto: Michel Wirlle

A história me absolverá…Morre o maior líder político do século XX

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Ele falou isso aos 26 anos, quando ainda era um jovem revolucionário.

Depois do ataque ao quartel Moncada de Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953, e depois de passar 76 dias “preso em uma cela solitária”, como denunciou na época, ele fez a própria defesa no julgamento. E encerrou com estas palavras:

“Sei que a prisão será dura como nunca foi para ninguém, cheia de ameaças, de enfurecimento ruim e covarde, mas não a temo, como não temo a fúria do tirano miserável que arrancou a vida de 70 dos meus irmãos. Condene-me, não importa, a história me absolverá.”

Fidel Castro foi condenado no dia 16 de outubro daquele mesmo ano. Depois de passar 22 meses na prisão, foi libertado graças a uma anistia e partiu para o exílio no México.

Fidel Alejandro Castro Ruz  (Birán, 13 de agosto de 1926 — Havana, 25 de novembro de 2016, o Fidel Castro, foi um político e revolucionário cubano que governou a República de Cuba como primeiro-ministro de 1959 a 1976 e depois como presidente de 1976 a 2008. Politicamente, era um um cubano nacionalista e marxista-leninista. Ele também serviu como Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba de 1961 até 2011. Sob sua administração, Cuba tornou-se um Estado socialista unipartidário; a indústria e os negócios foram nacionalizados e reformas socialistas foram implementadas em toda a sociedade. Castro morreu em Havana na noite de 25 de novembro de 2016, aos 90 anos.

Nascido em Birán como filho de um rico fazendeiro, Castro adotou a política anti-imperialista de esquerda enquanto estudava direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra os governos de direita na República Dominicana e na Colômbia, planejou a derrubada do presidente cubano Fulgencio Batista, lançando um ataque fracassado ao Quartel Moncada em 1953. Depois de um ano de prisão, viajou para o México onde formou um grupo revolucionário, o Movimento 26 de Julho, com seu irmão Raúl Castro e Che Guevara. Voltando a Cuba, Castro assumiu um papel fundamental na Revolução Cubana, liderando o movimento em uma guerra de guerrilha contra as forças de Batista na Serra Maestra. Após a derrota de Batista em 1959, Castro assumiu o poder militar e político como primeiro-ministro de Cuba. Os Estados Unidos ficaram alarmados com as relações amistosas de Castro com a União Soviética e tentaram sem êxito removê-lo através de assassinato, bloqueio econômico e contrarrevolução, incluindo a invasão da Baía dos Porcos em 1961. Contra essas ameaças, Castro formou uma aliança com os soviéticos e permitiu que eles colocassem armas nucleares na ilha, o que provocou a Crise dos Mísseis de Cuba – um incidente determinante da Guerra Fria – em 1962.

Adotando um modelo marxista-leninista de desenvolvimento, Castro converteu Cuba em uma ditadura socialista sob comando do Partido Comunista, o primeiro no hemisfério ocidental. As reformas introduziram o planejamento econômico central e levaram Cuba a alcançar índices elevados de desenvolvimento humano e social, como a menor taxa de mortalidade infantil da América, a erradicação do analfabetismo e da desnutrição infantil, mas foram acompanhadas pelo controle estatal da imprensa e pela supressão da dissidência interna. No exterior, Castro apoiou grupos anti-imperialistas revolucionários, apoiando o estabelecimento de governos marxistas no Chile, Nicarágua e Grenada, além de enviar tropas para ajudar os aliados na Guerra do Yom Kipur, da Guerra Etío-Somali e da Guerra Civil Angolana. Essas ações, aliadas à liderança de Castro no Movimento Não Alinhado de 1979 a 1983 e ao internacionalismo médico cubano, melhoraram a imagem de Cuba no cenário mundial e conquistaram um grande respeito no mundo em desenvolvimento. Após a dissolução da União Soviética em 1991, Castro levou Cuba ao seu “Período Especial” e abraçou ideias ambientalistas e antiglobalização. Na década de 2000 ele forjou alianças na “onda rosa” da América Latina e assinou a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América. Em 2006, transferiu suas responsabilidades para o vice-presidente e irmão Raúl Castro, que assumiu formalmente a presidência em 2008.

Castro era uma figura mundial controversa e divisiva. Ele foi condecorado com vários prêmios internacionais e seus partidários o elogiam por ter sido um defensor do socialismo, do anti-imperialismo e do humanitarismo, cujo regime revolucionário garantiu a independência de Cuba do imperialismo estadunidense. Por outro lado, os críticos o classificam como um ditador totalitário cuja administração cometeu múltiplos abusos ao direitos humanos,  Através de suas ações e seus escritos, ele influenciou significativamente a política de vários indivíduos e grupos em todo o mundo.

Marcha combatiente por el Malecón y frente a la oficina de intereses de EEUU en Cuba en protesta por las medidas que quiere imponer George W. Busch a Cuba para la transcición a la democracia. La misma estuvo presidida por el Comandante en Jefe Fidel Castro Ruz y también participó el genewral de ejército Raúl Castro Ruz. (foto:Juvenal Balán) 14.05.04 SINA01N0

com Wikipédia e Granma

Túnel do Tempo : Locomotiva Cel. Church da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

ft_01 ft_02 ft_03 ft_04A velha locomotiva nº 12, a “Coronel Church” , nome dado em homenagem ao coronel norte-americano George Earl Church, que em 1872 idealizou a ferrovia, foi a primeira máquina a chegar na Amazônia, trazida pela firma “P & T Collins” em 1878. Após a desativação em 1972, a locomotiva permanecia nas dependências do 5º Batalhão de Engenharia e Construção – o 5º BEC. (em Porto Velho, capital de Rondônia) de onde foi removida para o museu, ganhando nova pintura nas cores originais. Ano de 1981

Túnel do Tempo : Madeira-Mamoré

Você pagou com traição…

img_20161117_170046328_hdr_31064160135_o-praia-do-diabo-jacare-equilibrio-bandeiraTexto e foto de Valéria del Cueto

Que dia inesquecível! Principalmente para os habitantes do estado do Rio de Janeiro e sua capital, a Cidade Maravilhosa.

Essa que Pluct Plact tem evitado abandonar por muito tempo desde que assumiu o papel de mensageiro. Levando compenetrado à sua melhor amiga do planeta notícias e impressões desse momento fantástico e imprevisível  do mundo circundante. Sente que, ao fazê-lo, pode contribuir para facilitar uma futura readaptação da querida companheira voluntariamente exilada numa cela do outro lado do túnel, ao mundo (ir)real.

Há quanto tempo assumiu a tarefa? Não saberia dizer ao certo sem consultar os alfarrábios nanotecnodigital de sua nave mãe. A que o trouxe para esse planeta. A mesma sem força propulsora para ultrapassar a (mais uma vez noticiada) aquecida camada atmosférica local para tirá-lo desse trecho interminável de sua jornada.

Só sabe quem tem o sentimento. Quando certas coisas começam a se repetir.  Já tinha visto esse filme!  O cenário era uma batalha campal na frente do belíssimo Palácio Tiradentes. Tudo narrado em “Pluct, Plact, POW”. Mudaram um pouco os personagens. Ficaram mais variados. Agora, não são somente professores e alunos que ele entrevê no meio da fumaça, entre uma ardência e outra, provocada pelas bombas de efeito moral com validade vencida. É polícia sem muita vontade de brigar versus polícia, bombeiro e aposentado morrendo de vontade de invadir a Assembleia Legislativa. Até aí, coincidência, dirão os mais céticos leitores…

Fica pensando o que dirá a cronista quando descrever a cena do governador passeando de carro oficial da Polícia Federal. “Pluct, Plact seu HD está dando “tilt”. Essa história você já contou. Lembra de Pluct, Plact toin oin oin? Foi antes de que eu sumisse do mundo, quando prenderam o governador (ainda era) de Mato Grosso, Silval Barbosa.”

Qual será sua reação quando explicar que apesar das semelhanças de propósitos, como o assalto aos cofres públicos, o percurso e o cenário eram diferentes. Saem as avenidas cuiabanas das obras inacabadas para a Copa do Mundo. Entram imagens paradisíacas da orla carioca. Do Leblon a sede da Polícia Federal, na Praça Mauá, zona portuária. Da Beira Rio à Rio Orla…

Permanece o partido, o PMDB. A sigla deveria mudar para PMDBREX – Partido do Movimento Democrático Brasileiro da Roubalheira Encarcerada no Xadrez.

A população fluminense, exceto os comparsas, cargos comissionados e terceirizados do compadreio (outra perna do polvo da corrupção pública), aplaude e comemora o arresto da sem-vergonhice e o basta na roubalheira escrachada. Só nestes mandados de prisões  existem mais de 224 milhões de motivos para encarcerar Sérgio Cabral. Devia ser em Bangu, mas os torcedores do querido time não aceitam a escalação. Pensam em pedir a mudança de nome do presídio para Vasco da Gama. “ A Sérgio o que é de Sérgio”, já dizia sem que ninguém pedisse sua opinião, o mui amigo Eike Batista em seu depoimento voluntário às autoridades policiais, delira o extraterreste. É muita gozação…

O problema é o compadreio que leva na mesma puxada de rede figuras (im)polutas e aliados em geral. Todos direta e indiretamente ligados as falcatruas, ladroagens e taxas de oxigênio embutidas nas obras. Sem distinção. Do PAC das Favelas à destruição criminosa do Maraca, está todo mundo no RDC. É o Regime Diferenciado de Contratação, o pulo perfeito do afano do gato.

Aliás, autores, propositores, votantes e usuários dessa aberração que abre as porteiras e estende tapete vermelho para atos de corrupção e malabarismos contábeis, devem ser considerados responsáveis,  culpados e condenados pela farra do roubo sistematizado e a gastança indiscriminada dos recursos públicos da educação, saúde, segurança e habitação. São os crocodilos que pagaram com traição a quem sempre lhes deu a mão.

Volta cronista! Está dando gosto de ver…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Texto da série “Fábulas fabulosas” do Sem Fim…

Pelas ruas de Belém…

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Bairro do Comércio – foto: Fernando Leitão

Gente que encontrei por aí…Madrinha Peregrina

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Gente que encontrei por aí… Anne Sofie & Enrique Barrera

com Anne Sofie Hult  &  Enrique Barrera

Y ahora, habemus Trump

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O agora presidente dos EUA, Donald Trump na sua juventude muito orgulhoso que seus pais o tenham iniciado na seita racista do “KKK” – Ku Klux Klan . Na foto, posa  com seus pais com o uniforme do grupo extremista .kkk

Documentarista revela Pantanal dos Pantanais (ou Pantanal de pai para filha)

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Texto de Valéria del Cueto, fotos/divulgação.

Quantos pantanais existem no Pantanal? Mais de 10 mil quilômetros rodados por 11 sub-regiões do bioma, durante dois meses, foi o que Marcelo de Paula, Carla Mendes, sua mulher, e Morgana, a filhota de 7 anos, percorreram para explorar as múltiplas facetas do bioma.

O material, reunido para um longa-metragem e uma série de TV, começa a ser editado na casa da família, em Cabo Frio, estado do Rio de Janeiro, logo após o fim da aventura que durou 2 meses.

Eles passaram por Aquidauana, Bodoquena, Miranda, Porto Murtinho, Corumbá, Rio Verde, Coxim e Sonora, em Mato Grosso do Sul e Barão de Melgaço, Santo Antônio do Leverger, Poconé e Cáceres, em Mato Grosso. Reuniram informações ambientais, exploraram as questões sócio-culturais, históricas, destacando aspectos econômicos, turísticos e as tradições pantaneiras.

As imagens foram produzidas em terra, água e ar, com drones e equipamentos subaquáticos. Os temas do roteiro idealizado por Marcelo foram abordados em 25 depoimentos. O cavalo pantaneiro, o gado Caracu, a pesca profissional, a Estação Ecológica de Taiamã, o chapéu Carandá, o artesanato de couro de peixe, são alguns deles.

O fotógrafo esteve pela primeira vez no Pantanal em 1983 quando tinha 18 anos. A última, muitos prêmios, filmes, séries e fotos depois, em 2008. Nem Morgana, sua filha de 7 anos, membro da expedição, é novata. Foi batizada em Bonito quanto tinha 9 meses, na viagem anterior.

“Ela tem talento para a fotografia”, avalia. “A viagem foi muito importante para o seu amadurecimento e crescimento. Teve aulas geográficas ambientais “in loco”. Comeu jacaré, tomou Tereré…  isso só fez engrandecer o “HD” dela. Vai estar nas próximas” decreta com o apoio incondicional da mulher, Carla Mendes.

À sua lista de atividades de produtora e editora, conhecedora do processo de produção audiovisual de cabo a rabo, ela incorporou outras tarefas. “Não dá para separar as coisas, a função é tripla: produtora, mãe e professora. As atividades da escola eram feitas comigo”, explica, lembrando que fez a segunda câmera e o making of. “A percepção precisou ser ampliada. Agora, é cuidar de mim e dela. Foi difícil, mas sempre soubemos que seria assim. Sempre quisemos que fosse todo mundo junto”.

Para Marcelo, o que mais mudou desde a última visita foram as condições do patrimônio publico e histórico das cidades visitadas. “Quando estávamos em Cáceres o Ministério Público entrou com uma ação contra o IPHAN pelo abandono do patrimônio histórico”, lembra.

Ele destaca, também, o caso do impacto das áreas públicas do Pantanal. “As reservas federais estão em condições mais razoáveis, mas onde o poder público não chega o descaso é total. A fiscalização é precária e os parques estaduais só existem no papel, tanto em Mato Grosso como em Mato Grosso do Sul”.

Nos locais privados explica que houve uma conscientização maior. As fazendas preservam e não geram grande impacto. O poder privado avança muito mais, avalia ressaltando que “a carta da Caiaman assinada recentemente, envolveu o todos os agentes, mas a iniciativa partiu do poder privado”.

Agora, explorar e editar os registros recolhidos para o longa “Pantanais do Pantanal”, produzido pela Código Solar, produtora do casal, é o principal. A série para TV será desenvolvida com calma. “Estamos na fase inicial da edição do filme. Ela deve ir até janeiro”, calcula. “O lançamento temático será no Rio de Janeiro, depois vamos viajar levando o filme até nossos parceiros”.

Bom, falta a opinião de Morgana, a menina que fez história por ser a primeira criança a visitar a Estação Ecológica de Taiamã. “Gostei bastante das onças e dos outros bichos”, conta ela pelo whatsapp. “Queria voltar o mais rápido possível, mas estou muito cansada. Mas, depois, vou voltar de novo!”

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Texto da série “Parador Cuyabano” do Sem Fim…nas-trilhas-do-passo-do-lontra-park-hotelmorgana-na-producao

Túnel do Tempo : km 0 da EFMM, 2010

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O vento leva

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Quando você vê, foi…

Gente que encontrei por aí…Cátia Cernov

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XizeLando por aí

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Porto Velho, por aqui sempre umas poucas e boas (I)

tataPor Altair Santos (Tatá)

Um certo João Alves, apelidado de João Canarinho, por gostar muito de assoviar, era um fagueiro, enxerido, falante, bebedor de cachaça e até mesmo álcool 97º ou Leite de Rosas, afinal tudo valia e servia na falta da carraspana. Certa noite embarcou num “motô” na Boca do Rio Maici, abaixo de Calama, rumo a Porto Velho. Na manhã seguinte, bem cedo, antes de atracar no Cai N´água, confidenciara a uma senhorita, também passageira daquela nau de agosto de 1970, ser ele um homem de negócios, um bem sucedido que trabalhava com vendas.
Quando o barco exibiu a sua proa lá na ponta d´água, já quase na altura do complexo da EFMM ele, mais do que apressado se arrumou todo e, desconfiado, tirou de dentro de um enorme saco de pano uma enorme pasta tipo presidente, de couro, a qual abriu em segredo e, dentro dela, alojou um conteúdo esquisito, suspeito até. Depois, em galanteio, aproximou-se e detidamente fitou a jovem dama, fundo nos olhos, fez um riso com o canto da boca e, conquistador, piscou praquela tímida e visivelmente receptiva. A senha fora dada, se ela topasse o canarinho, malandro como ele só, assoviaria em gorjeios aos seus ouvidos, alma, coração e corpo inteiro. Mas atento, o pai da moça imediatamente chegou e desfez o flerte, o trololó.

Mal o barco encostou, o João canarinho de pasta em punho saltou em terra e olhou pra trás pra ver se, pela destreza, a encantadora moçoila o assistira admirada. Em seguida o representante de vendas ganhou a cidade barranco cima. Já no plano urbano andava de um lado pro outro, montado em alta boçalidade, a ponto de ser visto a uns duzentos metros, anunciado pela ultra-reluzente camisa amarela que usava e pelo escandaloso balançar dos braços e, claro, ornado pela enorme pasta que empunhava e sacudia em descompasso ao movimento cadenciado dos tradicionais homens de negócios da capital como o seu José Oceano Alves, José Saleh Moheb, Hortêncio Simplício, Boanerges Lima, João Vitaliano Neto (o João Maranhense) e outros.

Quando aquela tarde de calor infernal exigia do povo refrescar-se de alguma maneira, ele chegou à calçada do Bar e Sorveteria Café Santos onde alguns senhores também portavam pastas tipo presidente. Pronto, ali a coisa era alta patente, era no padrão de como queria, afinal a maioria era como ele, executivos alinhados. Pra melhorar avistou a moça do barco com seu pai numa das mesas se empanturrando de sorvete de graviola e guaraná. Nisso, todo na pose, tratou de ir ao balcão e, sobrando em panca acotovelou-se, pediu uma cerveja, soltou umas duas piadas para ser notado, serviu seu copo e bebeu numa só golada e fitou a jovem que, ao menor descuido do pai, lhe dispensava intercalados olhares de soslaio, enviesados e coloridos com certo ar de riso. Ela estava gamada, seduzida!

Um dos assíduos freqüentadores da casa, minucioso, prestava atenção naquele cidadão novato ao meio e cheio de curvas, gingas e balançados. Aproximou-se e com ele teve assim: boa tarde meu bom rapaz, como vai, seja bem-vindo, pelo visto você é recém chegado na cidade, não me lembro de tê-lo visto por aqui outras vezes, de onde vens, trabalhas com quê, veio pra morar, trouxe a família, ou estais de passagem? Era a vez do João Alves debulha, ao conhecimento daquela platéia, o seu currículo e aptidões e se fazer ouvir pela jovem presente no afamado point, o Café Santos.

Sem perder tempo agasalhou a pasta sobre quina do balcão, dobrou a manga da camisa até o plano três quartos, sacou do bolso um cigarro continental com filtro que ficou entre seus dedos e com voz empostada tascou: veja bem meu amigo, muito prazer, eu sou o João Alves seu criado, solteiro, sou paraense de Santarém, mas estou vindo do Amazonas, trabalho com venda de peças nacionais e importadas para motocicleta, carro e motor marítimo, caso o senhor precise posso lhe visitar em sua loja ou escritório, eu nem vim a passeio e nem pra ficar, estou aqui para conhecer a praça.
A informação soou útil por demais ao interlocutor que trabalhava numa loja de baterias automotivas e seria levada como boa nova ao seu chefe que na época, cremos, teria sido o senhor Henrique Pullig. No balcão após cumprimentos e alguns goles, o curioso voltou a perguntar: e o que tens aí na pasta, alguma novidade pra nos mostrar? A resposta: não, aqui só alguns tipos de rolamentos pra carro e moto, mas são pra uns modelos que aqui e Porto Velho não tem, são encomendas que vou mandar pra amigos em Manaus. Ah entendi disse outro!

Adiante, já rodeados por alguns interessados na prosa, o João Alves, pra desconversar, tascou: vamos beber umas e outras meus amigos hoje é por minha conta. Pediu mais duas e disse podem deixar que lhes sirvo os copos. Foi aí quando pegou a garrafa e, na desatenção, esbarrou-a na pasta que, em após queda alta, espatifou no chão e abriu-se toda, fazendo esparramar e rolar pelo salão e por entre as mesas, cadeiras e pés dos clientes e transeuntes na calçada, o farto conteúdo de três ouriços de castanha macetas, dois cacaus que se partiram em bandas e umas quatro ou cinco dúzias de tucumãs madurinhos.

Assustado e intrigado o seu amigo de conversa gritou: eeeiiita porraaaa hein, esses carros e motos de Manaus são muito modernos, usam até rolamentos de frutas! Nisso sem ter como se explicar, o João Canarinho empreendeu fuga saindo em disparada pela direita na Prudente de Moraes, outra vez dobrou a direita já na Natanael de Albuquerque e quase fora atropelado pelo Jipe do Sebastião Resky, atravessou a Praça Marechal Rondon e sumiu pra nunca mais voltar. No bar, a pasta, os ouriços e alguns tucumãs, ficaram como penhora em quitação à conta não paga.

tatadeportovelho@gmail.com

Estupro

filha,

escute, saiba que um dos piores crimes é o estupro
porque parece que ele nunca acaba
primeiro vem o monstro que pode ser qualquer homem
vagabundo, professor, doutor, pastor, mestre de tambor ou padre
depois no exame de corpo delito
quando o medico te trata como um pedaço de carne
depois vai encarar o delegado
que antes de te ouvir já vai ter te julgado
e vai fazer perguntas do tipo
o que você fazia na rua aquela hora da noite
e essa saia curta, e esse decote abusado
vão dizer que você tinha que ter se prevenido minha filha
e se o monstro for um artista famoso
pode apostar que a imprensa vai sujar teu nome
e queira deus que não aconteça
como aconteceu com aqueles 30 homens contra aquela menina
ou como aquela que foi empalada na argentina
ou como aquela que todos os dias
igual aquela que disse que não queria
e teve aquela que deixou anotado onde iria
se encontrar com aquela que foi viajar sozinha
e aquela que nesse momento sente a misoginia
e seja como for filha, seja como essas
que nascem do centro da rebeldia

Por elizeubraga

Pelas ruas de Belém…

bengui

Bengui foto: Fernando Leitão

Brechó (ou… “7 tópicos e asterisco numa quase fábula fabulosa”)

aquidsela-160616-043-selaria-renascer-brecho-placa-roupas-novas-e-usadasTexto e foto de Valéria del Cueto

Falta tudo, inclusive tempo. Só não falta assunto… Então, vamos por itens. Tipo rascunho dos temas que o extraterrestre Pluct, Plact encaminhará para sua querida cronista enclausurada voluntariamente (ou não? Onde já se viu bate-papo com ser interplanetário?). Não captou? Então vamos por partes, como diria o esquartejador.

1 – A recém empossada presidente do STF, o Supremo Tribunal Federal, Ministra Carmem Lúcia, valoriza, a cada pronunciamento ou declaração, a cultura brasileira.

Na sua posse, entre outras citações, falou do filme de Adriana Dutra, “Quanto tempo tem o tempo” produzido pela Infinitto, da cuiabana Viviane Spinelli. Essa semana foi a vez de “Deixa o Alfredo falar”, título de crônica e livro do escritor Fernando Sabino.

Pelo menos, seguindo suas dicas, vai ter gente tendo que se ligar na genuína cultura “popular” brasileira. E não apenas na erudição do “juridiquês”!

2 – Prenderam o Eduardo Cunha. Vai delatar ou não vai?

3 – O anel que tu me destes não era de vidro, nem se quebrou. Mas, diz a lenda, foi devolvido! Custou R$ 800 mil o mimo que o delator Fernando Cavedish, da boa, velha e mal falada empreiteira Delta, bancou para Sérgio Cabral Filho – ex-governador que deu uma contribuição e$$encial para a falência do estado do Rio de Janeiro – presentear sua mulher, Adriana, na comemoração de seu aniversário em Mônaco. (A pesquisar se foi na ocasião da singela festinha o famoso evento dos guardanapos na cabeça).

4 – Verba e estrutura do Congresso Nacional usadas para fazer varreduras senatoriais visando evitar investigações de anti inteligência (como se escreve esse “fiz que fui e acabei fondo”, como diria Nunes, jogador do Flamengo, em priscas eras?*) para descobrir grampos, inclusive os autorizados pela justiça. Pela Lava-Jato, por exemplo. Com direito a varreduras nas residências nos estados. Senadores citados: José Sarney, Fernando Collor e Edison Lobão. Mais uma delação premiada e temos a Polícia Federal indo atrás do Chefe de Polícia e outros funcionários da… Polícia Legislativa do Congresso Federal.

5 – Por falar na família Sarney:

Governadores de Mato Grosso, Pedro Taques, e de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, com a presença do Ministro José Sarney Filho, do Meio Ambiente, assinaram a Carta de Caiman. Um termo de compromisso que estabelece políticas comuns para o Pantanal considerando seus aspectos ambientais e culturais semelhantes. Também prevê uma legislação única para regulamentar e proteger o sistema garantindo seu uso sustentável. A carta define o prazo de um ano para a definição de uma área de interesse para o econegócio, contemplando o planalto e a planície pantaneira.

6 – ECONEGÓCIO PANTANEIRO. Você ainda vai ouvir falar muito nesse termo. Beeeem diferente do agronegócio de sempre. Aquele…

7 – Uma rápida pesquisa no site do Senado Federal informa que o relator da PLS750/2011, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, que dispõe sobre a Política de Gestão e Proteção do Bioma Pantanal, de autoria do atual Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, é nada mais nada menos que o suplente do dito cujo, Cidinho dos Santos.

A relatoria da PLS na Comissão já foi do candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que passou para seu suplente quando assumiu o Ministério da Pesca, Eduardo Lopes. Coube a ele a apresentação de um substitutivo integral ao texto, depois retirado. Aí, Crivella trocou com ele. Reassumiu sua cadeira no Senado e Eduardo Lopes virou Ministro da Pesca.

O processo voltou para o homem do Bispo que se esqueceu dele. Com sua saída para ser candidato foi redistribuído pelo presidente da Comissão, Waldir Maranhão. Em julho desse ano, quem diria, que coincidência fortuita, foi cair no colo justamente do suplente do autor da proposta, conhecido mundialmente pelo singelo prêmio recebido, o “Motosserra de Ouro”…

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do Sem Fim…

O sr. Robert Allen Zimmerman vence o Prêmio Nobel de Literatura

foto: F. Antolín Hernandez

foto: F. Antolín Hernandez

Bob Dylan, 75 anos, foi o escolhido este ano por ter criado novas formas de expressão poéticas no quadro da grande tradição da música americana, explicou a Academia Sueca.

Numa curta entrevista após anunciar o premiado, a secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, explicou que Bob Dylan mereceu o prémio por ser “um grande poeta na grande tradição poética inglesa”.

“Ele encarna essa tradição”, disse a responsável, lembrando que há 54 anos que o cantor, poeta e compositor se reinventa, criando novas identidades.

Instada a escolher uma canção emblemática do agora Nobel da Literatura, Sara Darius disse que o álbum “Blonde on Blonde”, de 1966, “é um exemplo extraordinário da sua forma brilhante de rimar e do seu pensamento pictórico”.

A representante da Academia Sueca lembrou ainda, quando questionada sobre a especificidade da poesia de Dylan, que foi escrita para ser cantada, que também Homero e Safo, há mais de 2000 anos, escreveram poesia que devia ouvir-se. “E ainda hoje lemos Homero e Safo”

Salve A Nossa Pátria Querida !

Meu Deus, Meu Deus salve a nossa pátria querida !!!

Vana Lopes, vítima do médico estuprador faz abaixo assinado em defesa de Monica Iozzi

Vana Lopes : solidariedade a Monica Iozzi

A história ganhou repercussão acima do esperado pelo autor do processo. Ao condenar a atriz Mônica Iozzi a pagar uma indenização de R$ 30 mil por ter criticado a decisão de soltar o médico estuprador Roger Abdelmassih, acusado de cometer estupro contra mulheres que tentavam engravidar, o ministro do STF, Gilmar Mendes, mexeu em algo que parecia sepultado. Além da repercussão que ganha nas redes sociais, o caso suscitou um abaixo assinado de uma das vítimas do médico. Vana Lopes pede que o ministro recue na decisão de condenar a atriz. Algo sutil diante da ação que pedia silêncio e reparação.

A ação de Gilmar, ganha na Justiça, obriga Monica Iozzi a pagar-lhe R$ 30 mil e ainda assumir as custas judiciais. Mônica, como cidadã, criticou a decisão do ministro. Ao liberar o médico estuprador, Gilmar permitiu, involuntariamente, que fugisse. Afinal, o homem que atacou mais de 50 mulheres estava condenado a 278 anos de prisão.

Na sua página do Instagram a atriz escreveu:

“Cúmplice? “Gilmar Mendes concedeu Habeas Corpus para Roger Abdelmassih, depois de sua condenação a 278 anos de prisão por 58 estupros. Se um ministro do Supremo Tribunal Federal faz isso. Nem sei o que esperar.”, escreveu.

Por causa do comentário, Gilmar Mendes pediu na Justiça indenização de R$ 100 mil à atriz. Para o juiz que condenou Monica, o comentário dela violou “a dignidade, a honra e a imagem” do ministro.

Vana Lopes criticou a postura do ministro do Supremo. “Quem maiores danos sofreram com todo este drama foram as vítimas de estupro, que não receberam nenhuma indenização. Gostaria de lembrar que o Poder Judiciário deixou escapar o Monstro Abdelmassih, oportunidade que o médico aproveitou para fugir, e esta situação nos trouxe traumas irreparáveis”, escreveu Vana, autora do livro Bem-vindo ao inferno, em que relata o drama das vítimas.

“Ademais não podemos esquecer que esta decisão por fim onerou o Estado em gastos para prender o foragido que recaiu sobre todos nós brasileiros. Abster-se de receber a presente indenização certamente não irá ferir vossa honra nem causar maiores danos à militância das vítimas”, acrescentou.

O grupo “Vítimas Unidas” já tem mais de 78.000 mil integrantes on line que apoiam vitimas de violência , animais e ajudam em denuncias. A intenção é em breve apresentar projetos de leis que surgem das ideias no fórum de debates virtual .
A cada minuto uma pessoa é vitima ,podendo ser um amigo ou parente e não saber como denunciar, e deixa o algoz impune por brecha na lei. Para denunciar se nao quiser fazer on line Use o  email vitimas-unidas@hotmail.com que seu sigilo estará protegido.

Acesse a página do abaixo-assinado

vitimas-unidas

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via Conexão Jornalismo

Leia Também > Carta Aberta de Vana Lopes ao Min. Gilmar Mendes 

Lágrimas por nossa, senhora

flor-sa-ferreira-161006-img_20161006_125257393_30072263851_oTexto e foto de Valéria del Cueto

Na falta de solução, apelemos para a gentileza. Vamos pregar a delicadeza. Porque não, não está fácil pra ninguém.

A constatação é de Pluct Plact, aquele extraterrestre extraviado no planeta Terra, sem chance imediata de retorno para qualquer lugar menos lunático da galáxia.

Bem que ele tentou como paliativo uma vaguinha junto a sua amiga cronista, voluntariamente isolada já tem um tempo numa “invernada”, do outro lado do túnel (é seu correspondente, único contato com o mundo exterior). Mas a lotação anda esgotada, com uma imensa fila de terráqueos querendo vaga no lugar. Como alienígena juramentado, não conseguiu sequer fazer sua inscrição. Chegaram a conclusão que de louco, ele não tinha nada.

Uma pena. Isso o obrigou a acompanhar mais uma eleição  para poder contar na próxima visita, entre outras novidades, que passado o limpa banco eleitoral, vem aí um refresco até a votação do segundo turno.

Pelo menos em 55 cidades com mais de 200 mil eleitores divididos (onde os candidatos não alcançaram maioria simples mais um), haverá chance de uma discursão mais aprofundada sobre o modelo de gestão a ser adotado.

Não que adiante muito em alguns lugares. No Rio, tédio… Vai dar Marcelo. Crivella ou Freixo. Oito ou oitenta. Com muitas ausências, votos nulos e brancos entre os extremos.

Sobre São Paulo pretende nem citar, se ela não perguntar…

Um pedido garantido da reclusa será um rápido painel do seu Mato Grosso. Momento de tensão. Pra começar, a inacreditável sinalização referente a  participação feminina no pleito. Dos 141 municípios, 15 prefeitas se elegeram. Delas, 12 são marinheiras de primeira viagem no cargo. Parece pouco?

Nos legislativos elas ocuparão reles 12,93% das cadeiras. 42 localidades não têm nenhuma única mulher na câmara municipal! Santa Carmem é o único município do estado em que estão em maioria ocupando 5, das 9 vagas. Informações do jornalista Eduardo Gomes.

E quanto ao segundo turno na capital, assunto de interesse geral? Em Cuiabá, entre Emanuel Pinheiro, do PMDB, e Wilson Santos, do PSDB. Lá, como no Rio e São Paulo, a ausência foi campeã de votos no primeiro turno. É difícil saber quem é o mais do mesmo.

Sim, Emanuel, do PFL, para o PDT (onde costurou o apoio do partido a candidatura de Wilson Santos à prefeitura, conta seu site), na Secretaria de Trânsito e Transportes Urbanos do prefeito eleito… Wilson Santos. Vai pro PL, PR e, finalmente para o PMDB de… Carlos Bezerra.

Já Wilson Santos abre os trabalhos no PMDB de… Carlos Bezerra, como vereador. Passa para o PDT e depois para o PSDB. Prefeito por um mandato e meio.

Tudo parecido. Wilson diz que é Dante. Emanuel é Jonas Pinheiro. Emanuel é Blairo que governava quando Wilson era prefeito. Que é Pedro Taques. Wilson só não é Mauro Mendes e esse jamais será Wilson, se nem agora assumiu. Mas são do mesmo grupo político, captou?

A parte boa é que há mais tempo para conhecer as características dos postulantes e suas propostas.

Isso, enquanto o mundo continua girando e a história é atropelada pelos acontecimentos. O Brasil está… Melhor deixar pra lá. Vamos manter o ânimo elevado.

Como Pluct, Plact é otimista, idealiza um período de depuração. Considera que pior não pode ficar.Então o jeito é peneirar. O problema é: peneirar o que?

Os surpreendentes sinais de que há humanidade no meio de tanta crueldade, sugere. Pequenas sutilezas. Como as miúdas Lágrimas de Nossa Senhora fotografadas (colher jamais) para a amiga. Elas florescem! Num pé de árvore numa rua qualquer de Copacabana…  

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do Sem Fim…

Pelas ruas de Belém… Auto do Círio

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foto: Fernando Leitão

Butão, o país do Ministério da Felicidade

O Butão, país ao sul da China, é a única nação no mundo cuja religião oficial é o budismo tântrico. Assim, o objetivo principal de seu governo é fazer com que cada um de seus cerca de 700 mil habitantes seja feliz. E, acredite, isso está consagrado no artigo 9º da Constituição do país.

Como isso funciona? Por exemplo: nos censos sempre é perguntado aos cidadãos: «Você é feliz?» Durante na última edição, de 2015, foi constatado que 35% dos butaneses são ’muito felizes’ e 47,9% são ’felizes’.

Outra curiosidade: o país asiático contabiliza o PIB, Produto Interno Bruto, mas dá muito mais ênfase a um indicador mais em linha com o que a Constituição busca, a Felicidade Interna Bruta. Isso quer dizer que, para além do crescimento econômico puro e simples, o ponto fundamental das políticas públicas é a busca dela, a felicidade. E é aí que entra o Ministério.

O Butão é realmente um país incrível: não há fome no país e os índices de criminalidade são baixíssimos; Seus habitantes são pessoas abertas, hospitaleiras, mas, ao mesmo tempo, defendem sua cultura única e original contra as influências do mundo exterior.

É proibido caçar ou pescar e a maioria dos habitantes é vegetariana. A importação de adubos químicos é proibida e toda a produção agrícola é orgânica.

Outra peculiaridade de Butão é que não se derrubam bosques; ao contrário, se plantam mais e mais árvores. O país é realmente um lugar de pureza e iluminação. A região ainda é pouco conhecida e a parte sul (que faz fronteira com a Índia) quase não é habitada, funcionando como reserva de fauna e flora.

O reino é completamente autossuficiente e garante alimentos e roupas a toda a sua população.

fotos : Geografia da Vida

fotos : Geografia da Vida  texto : Incrivel Club

Bons tempos…

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