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Livros para entender Rondônia : O Poder do Santo Daime, de Arneide Bandeira Cemin

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Atualmente podemos observar um aumento na produção acadêmica e não acadêmica sobre o cipó dos mortos, ou ayahuasca. Este psicoativo de uso milenar e de origem amazônica é composto, basicamente, por talos de cipós do gênero Banisteriopsis (Malpighiaceae), ricos em β-carbolinas (harmina, tetrahidroharmina e harmalina) (Grob et al., 1996) fervidos por várias horas ou mesmo dias  e adicionados com dezenas de possíveis misturas vegetais, cada qual com seus significados medicinais, espirituais e rituais (Ott, 1994). Dentre estas várias de plantas, Psychotria viridis (Rubiaceae) e Diplopteris cabrerana (Malpighiaceae), ambas ricas em dimetiltriptamina, ou simplesmente DMT, são as principais, tanto por seus efeitos psicoativos e potenciais terapêuticos quanto por seu valor simbólico (Schultes & Hofmann, 1992).

Embora presente em grande parte da Amazônia Ocidental, aonde vem sendo utilizada há milênios por dezenas de grupos indígenas (Luna, 1986), a ayahuasca é hoje contextualizada – em grande parte dos casos – em relação às grandes religiões ayahuasqueiras brasileiras (Santo Daime, Barquinha e União do Vegetal) que a consomem como um sacramento, e possuem um alto grau de organização institucional.

O presente texto tem como objeto de reflexão o livro da antropóloga Arneide Bandeira Cemin, “Ordem, xamanismo e dádiva – O poder do Santo Daime”, versão reduzida de sua tese de doutorado em Antropologia Social (USP) que disserta sobre aspectos variados de uma das maiores religiões ayahuasqueiras. Com trabalhos de campo realizados nos grupos mais antigos do culto do Santo Daime (Alto Santo Rio Branco/AC e Porto Velho/RO), o trabalho da autora discorre sobre as influências, cosmovisões e aspectos socioculturais que formaram os grupos em questão, além de conectar o uso da ayahuasca com os aspectos mais amplos da sociedade brasileira tanto da época da criação do culto como da atualidade.

Editora: Terceira Margem.
Ano de publicação: 2001.
Número de páginas: 269.

Livros para entender Rondônia > Seringueiros da Amazônia : Sobreviventes da fartura, de Nilson Santos

NILSON SANTOS - seringueiros da amaz+¦nia - sobreviventes da fartura - capa frente

“A experiência essencial que Nilson Santos nos convida a empreen­der neste livro não é mais um momento acadêmico, mas uma “expe­riência interior”. Isso quer dizer que não saímos iguais depois dessa experiência. Os seringueiros de Nilson latejam da mais pura vida. Eles sentem e lutam e reivindicam não como con­ceitos ou fragmentos de discursos montados pelo pesquisador, mas enquanto plenitudes essenciais. Livro raro não apenas para quem quer conhecer de perto a vida nos seringais da Amazônia, mas um acontecimento para todos que desejam enfrentar o outro na dimensão do outro, sem a perigosa fantasia que produz um outro escalpelado e domado.”

Alberto Lins Caldas

Livros para entender Rondônia – Do jeito que vi, de Montezuma Cruz

livro-MonteA terra dos contrastes, clássico do sociólogo francês Roger Bastide, se materializa em ” Do jeito que vi “, anotações do grande repórter que é Montezuma Cruz, sobre o que ele construiu em 44 anos de jornalismo. São 144 páginas de histórias recolhidas numa peregrinação de milhares de quilômetros quase sempre onde o asfalto é raridade, em territórios pelos quais o ser humano escasseia, o tempo é mais lento e as distâncias , imensas.  Carlos Gilberto Alves

Livros para entender Rondônia : Etnodicéia Uruéu-Au-Au, de Mauro Leonel

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Segundo Carmem Junqueira, este livro, como outros pioneiros, inaugura uma nova vertente de antropologia: de um lado, ao tratar a questão indígena como inseparável da ambiental : do outro, ao demonstrar que o problema do índio não é marginal da sociedade brasileira, mas é exemplar dos nossos grandes dramas econômicos e sociais. A defesa dos direitos indígenas, embora os índios sejam minoria, ameaça grandes interesses econômicos, como os das mineradoras, das empresas de construção ou dos grandes proprietários de terras e entra em confronto com mal formulados programas públicos de colonização e de construção de estradas ou usinas hidrelétricas.

Edição de 1995 / IAMA / Edusp

Livros para entender Rondônia : As Minas de Urucumacuã, de Lioberto Ubirajara C. de Souza

lIOBERTOSegundo o autor, “As Minas de Urucumacuã – O mapa do tesouro inca na Amazônia” vai revelar nas entrelinhas da história, a real localização do tesouro mais cobiçado do mundo, o mapa da mina do ouro mais puro que existe.

Como se divertiam nosso(a)s bisavós (via Sin Embargo)

Uma coleção de fotos eróticas resgata o final do século XIX e início do século XX. O tema é sexo livre: mulheres com mulheres, homens e mulheres. Como nossos avós estavam se divertindo ! E nossos bisavós também.

Quer ver a coleção completa entra no site mexicano >  Sin Embargo

Livros para entender Rondônia : As botas do diabo, de Kurt Falkenburger

botas“A história verdadeiramente cinematográfica da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré… Seria de estranhar-se que o assunto não se prestasse igualmente à ficção. Não uma história romanceada, daquelas que nos habituamos a ver em torno das “sagas do Oeste” na história dos Estados Unidos. Mas um romance mesmo, no sentido mais amplo do termo e que pudesse transportar a nossa epopéia sertaneja até para a tela do cinema.  Pois é este romance , que se estranhava não tivesse ainda aparecido que intitula-se As Botas do Diabo…

Livros para entender Rondônia : À sombra de Rondon e Juarez, de Enio Pinheiro

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O autor, Enio Pinheiro foi diretor da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e por duas vezes, Governador do Território Federal de Rondônia. O título do livro é sugestivo. Ambos soldados excepcionais, ambos engenheiros militares.

Rondon sintetiza a energia , a determinação , a força do homem brasileiro, no desbravamento de nossos sertões, no alargamento de nossas fronteiras econômicas, consolidando o que nos foi legado pelos nossos antepassados.

Juarez é o soldado idealista, pronto a dar sua vida na luta contra a tirania dos governantes, em defesa do povo.  É o político que , no final da sua vida pública, como Ministro da Viação, ainda lutou sem descanso pelo desenvolvimento do Brasil.

Esses dois grandes brasileiros, exemplos para toda uma geração de militares, representam este contraditório país, pois embora em campos opostos, por vezes, tiveram atuações convergentes no interesse da independencia, da conquista e do desenvolvimento do país.

Livros para entender Rondônia : Coronel de Barranco, de Cláudio de Araujo Lima

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O “Coronel de Barranco” é o romance do apogeu e do colapso da borracha na Amazônia, nele se reconstituindo a existência nababesca e imprevidente dos seringalistas  e a vida sofrida e miserável do seringueiro.

O livro do amazonense Cláudio de Araújo Lima é um roteiro de um longa-metragem perfeito (isto na minha cabeça, claro !), um livro de um tempo em que as pessoas que se atrevessem a escrever tinham que ler muito antes. Uma leitura de denúncias e advertências, sobre este pedaço do Brasil tão cobiçado pelos estrangeiros. Edição de 1970 da Civilização Brasileira.

Em termos de ficção, o escritor revive os anos 1876 a 1926, períodos extremos desse centro abastecedor de borracha para o mundo.  Descreve a evasão da hevea brasiliensis , surrupiada pelos ingleses com a nossa complacência e mesmo cumplicidade, o apogeu do se chamou a civilização da borracha, e, em seguida, o seu declínio, provocado pelo cultivo racional da maravilhosa planta em terras orientais, enquanto nós, descuidados e imprevidentes, a tínhamos como pródigo e inextinguível dom da natureza, como privilégio ecológico da nossa flora.

Em “O Coronel de Barranco” estão vivos e bem caracterizados, os seringalistas, milionários a esbanjar fortunas nas pensões alegres de Manaus, a beber champanhe e finos licores franceses, ou a comer caviar e latarias europeias em plena selva e no desconforto dos barracões miseráveis. Estão também, e principalmente, os desvalidos e tantas vezes beribéricos seringueiros, mansos ou brabos, impedidos de organizar família, proibidos de plantar e pescar, forçados a efetuar todos os seus suprimentos – inclusive as ferramentas de trabalho, que lhes eram debitadas a preços escorchantes – no armazém do patrão, que lhes impingia as mais esdrúxulas e inúteis mercadorias – os seringueiros duplamente explorados: como força de trabalho e como simples consumidores. Seringueiros que até hoje no limiar da vida são explorados por malandros de olho em suas aposentadorias e políticos sem escrúpulo.

Está ainda o regatão – o turco contrabandista que trocava quinquilharias -e até mulheres – pela borracha furtada aos grandes proprietários pelos seus alugados, criaturas desesperadas para fugir, a qualquer custo, da servidão a que foram reduzidas.

O “Coronel de Barranco” não deriva de nenhum outro livro que tenha abordado o mesmo assunto. Nasceu, isso sim, das reminiscências do romancista e das evocações ouvidas de seu pai, J. F. Araújo Lima, médico e administrador para quem a região não tinha segredos.

É um romance que disseca meio século do passado amazônico, detendo-se , em particular, na tragédia  que desabou  sobre humildes e poderosos, quase os irmanando na mesma desgraça.

É meu livro preferido sobre o tema e , acredito , leitura obrigatória para quem gosta de navegar em águas profundas nos assuntos amazônicos.

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Na fila para ler o meu exemplar, Z e L. Brito, portanto nenhum risco de vê-lo queimado.