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Eurico Miller, quando o homem se confunde com a ciência

Por Danilo Curado

Hoje a ciência no Brasil perde um grande homem, mas a Arqueologia perde um dos maiores pesquisadores. Eurico Miller, o patrono da Arqueologia Rondoniense seguiu sua trajetória, mas seu legado para a Memória Nacional é algo imensurável.

Sem sombra de dúvidas, o professor Eurico Miller foi um dos maiores arqueólogos no Brasil. Não quero aqui usar da régua de quem é melhor ou pior, qual o cientista que alcançou maior profundidade ou notoriedade, não é isso.

Quando digo que Miller foi um colosso dentre os arqueólogos é porque Miller – conforme palavras dele mesmo sobre a sua vida – se casou com a Arqueologia. Era um abnegado e o que mais alimentava sua alma era, sem sombra de dúvidas, a própria Arqueologia.

Como certa vez um colega disse, o professor Miller era o “Cowboy da Arqueologia”, ou seja, era aquele que conseguia sozinho entrar no meio da Floresta Amazônica e ficar escavando, solitariamente, meses afinco, sob chuva e sol, num calor ululante, metido num buraco de metros de profundidade, para, no máximo do isolamento de um ermitão – envolto às cobras, onças e animais não muito amistosos – entender o passado humano, o passado do povo brasileiro.

Este mesmo Cowboy, que suportou nada menos que 31 malárias ao longo de décadas de pesquisa, foi o mesmo que, quase como num filme de John Wayne, Ferroni ou Eastwood, resgatado no interior de Rondônia debruçado sobre um cavalo, que mansamente carregava aquele moribundo vitimado pela malária.

Mas mais que um roteiro de Velho Oeste ou Indiana Jones, a vida do pesquisador Miller fazia a qualquer um vibrar com tamanha eloquência professoral, e com um conhecimento abissal conseguia relacionar facilmente fatos geológicos decorridos no Brasil com correntes marítimas no Japão, o cultivo do milho no Peru e a entrada do homem nas Américas.

Sem contar o bom humor provocativo, que ao ver-nos em nossos expedientes, enclausurados na burocracia reinante das normas, sempre nos alertava sobre a necessidade de ir para o campo, de pesquisar, de embrenhar no mato, enfim, de fazer Arqueologia.

Num ano de vitórias para os arqueólogos – uma vez que tivemos nossa profissão regulamentada – temos por obrigação rememorar a trajetória dos nossos colegas, que de forma seminal começaram do zero, daqueles que antes de tudo faziam Arqueologia com Paixão.

É indiscutível que Miller está entre os pioneiros e é um dos responsáveis pelo entendimento sobre a gênese do homem no território nacional, por isso, seu nome perpetuará de maneira imortal na memória da arqueologia brasileira.

Ao querido amigo Miller, como de costume do grito de guerra que ecoa na Amazônia: Selva!!

EUA registram propriedade medicinal do jambu e impedem pesquisa da Universidade Federal do Amazonas

Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) abandonaram três meses de estudos sobre as propriedades anestésicas do jambu porque uma patente registrada nos Estados Unidos os impedia de lançar no mercado uma pomada bucal de uso odontológico. As pesquisas realizadas eram com a substância spilantol, presente no jambu, vegetal usado na culinária amazônica como ingrediente do tacacá e pato no tucupi, por exemplo.

Segundo informações obtidas no departamento de Fisiologia Humana da Ufam, o jambu – planta típica de regiões de trópico úmido – não existe nos Estados Unidos (EUA). Mesmo assim, nos sites de patentes encontraram 15 delas registradas nos Estados Unidos e 34 na Europa.

A substância spilantol é descrita nessas patentes como apropriadas para uso anestésico, antisséptico e ginecológico e vendida no mercado até mesmo como cosméticos. Ou seja, os estudos que descreviam a tecnologia e destinação dos pesquisadores da Ufam  já estavam descritos pelos americanos desde setembro de 2007

Com a perda da patente do jambu, o departamento de fisiologia admite que novas pesquisas agora são realizadas com pelo menos três outras plantas apresentam, também, alcalóides com propriedades semelhantes ao spilantol. O objetivo é lançar no mercado um anestésico local, de uso tópico, que elimine a necessidade da seringa no consultório odontológico. O nome das plantas são mantidas em segredo para garantir o sigilo do conhecimento até que tenha sido devidamente patenteada.

O episódio com o jambu, segundo o departamento, demonstra que o conhecimento ancestral dos povos da Amazônia precisa ser melhor para que não cai nas mãos de pesquisadores estrangeiros.

As  propriedades anestésicas do jambu são conhecidas da população local. Suas folhas e flores são usadas sobre o dente comprometido para aliviar a dor. Esses conhecimentos estão na internet e deixaram de ser tradicional para ser universal antes mesmo dos pesquisadores brasileiros estudarem suas propriedades e patenteá-las.

Spilantol

O alcalóide spilantol presente no jambu recebeu várias patentes nos Estados Unidos e Europa para usos diversos, como remédios e cosméticos. Entre os estudos realizados no exterior com a substância está o que pretende criar um botox menos tóxico que o produzido pela bactéria botulínica, e causa risco de morte para as pessoas.

O spilantol é descrito como um cosmético antirrugas por inibir as contrações dos músculos subcutâneos, em especial os do rosto, assim como o botox usado no tratamento de rejuvenescimento.

Outras patentes registaram o spilantol como substância eficaz no tratamento da queda de cabelo e no amaciamento da pele, além de possuir propriedades desodorantes. Uma patente descreve um produto destinado ao banho, que deve ser feito com bolhas para tratamento de pele e inibindo o surgimento de sardas e manchas.

Outra propriedade do alcalóide não passou despercebidas pelos pesquisadores estrangeiros, tanto que uma patente registra que o spilantol produziu o fim de arritmia quando injetado no coração de um coelho.

Fonte: Portal do Holanda

Amazon Sat exibe Jornada Cineamazônia Itinerante

Peru – Cineamazônia 

O encontro do cinema com as diversidades de populações da Amazônia no Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia é uma forma de definir a série documental ‘Itinerâncias: uma jornada pelo Cineamazônia Itinerante’ que o canal Amazon Sat começa a exibir a partir desta quinta-feira, (12/04/18), às 8h30, com reprises durante a semana. Obra da rondoniense Espaço Vídeo e Cinema, a série mostra as diversas nuances de um festival de cinema itinerante realizado desde 2008 pela produtora entre comunidades ribeirinhas e quilombolas nas fronteiras Brasil-Peru-Bolívia-Colômbia.

Dirigida por Jurandir Costa e Fernanda Kopanakis, com roteiro de Ismael Machado, Itinerâncias é uma série de cinco episódios que, mais do que apresentar um registro puramente documental, envereda por uma linguagem poética e reflexiva a respeito do ponto de encontro que une culturas de países diferentes, mas unidos por um mesmo nome: Amazônia.

Uma das características da série é que toda a equipe técnica é regional. A fotografia é de André Cran, com montagem de Rai de Jesus, trilha sonora de José Alkbal Sodré e finalização de Gilmar Monteiro dos Santos. Fernanda Kopanakis e Jurandir Costa assumem também a produção executiva da série.

Peru – Cineamazônia

O primeiro episódio, Em ‘Uma só América’, a ideia é mostrar que a Amazônia é formada por vários povos, com um mesmo sentimento. Um pouco da Amazônia e América Latina na visão de um boliviano que acompanha a expedição do Cineamazônia Itinerante por Rondônia, Bolívia, Peru e Colômbia. Nessa jornada de aventuras e descobrimentos, uma mesma sensação: os rios que separam são os mesmos rios que unem as populações numa só Amazônia.

No segundo episódio, ‘O Circo do Cinema’, são mostrados os bastidores de um festival de cinema itinerante contados por um palhaço. Animador do Cineamazônia, o palhaço Bob descobre o mundo ribeirinho de Rondônia. Com humor e sensibilidade, Bob narra as diversas histórias de comunidades que pela primeira vez tem acesso ao mundo mágico do cinema.

Uma abordagem antropológica, histórica e cultural ambienta o terceiro episódio ‘Nada é Longe’, a partir do olhar vibrante e curioso do historiador Marco Teixeira, que busca encontrar os traços de convergência entre as culturas amazônica, africana e portuguesa. Seus laços e raízes. Suas similitudes e diferenças. Dos ribeirinhos de Manicoré no Amazonas aos ribeirinhos de Porto Velho. Da negritude cabo-verdiana aos negros, mulatos e brancos manauaras e paraenses. Dos hábitos lusitanos a cultura indígena. Lugares distintos, mas integrados pela língua, pela arte e cinema.

Quarto episódio ‘Horizontes e Fronteiras’, envereda pela música a partir do olhar poético e apaixonado do compositor e músico rondoniense Bado, que através de sua música conecta Brasil, Bolívia e Peru. Percorrendo ruas, feiras, estradas e escolas, encontrando outros músicos e conhecendo a musicalidade dos países vizinhos, o personagem mostra como a música une culturas diferentes.

A série encerra com o episódio ‘Cinema no Meio do Mundo’, uma jornada poética pela itinerância do festival. Cinema que expõe a beleza e a desolação da natureza. Que interpreta a fraqueza e a grandeza do ser humano. Visita a realidade para lembrar que é possível e necessário sonhar. Que cada um, no seu canto, pode ser uma luz. Numa comunidade a margem do Rio Madeira, ou lá do outro lado do oceano, há algo que pode ser feito para cuidar do meio ambiente. A mostra itinerante é, antes de tudo, um festival de encontros. É a sétima arte se encontrando com o público. O público, encontrando na arte uma janela para reflexão.

“Há uma busca nossa por registrar as transformações amazônicas nesses últimos anos. A ideia é usar a cultura, no caso o cinema, o circo, a literatura e a música como mecanismos para isso”, explica Jurandir Costa.

“A proposta inicial era exibir filmes em comunidades que não tinham e não tem acesso a cinema, por exemplo. Mas o contato com essas realidades tão distintas fez com que ampliássemos o leque. Acabou sendo, de 2008 para cá uma intensa troca de experiências”, complementa Fernanda Kopanakis.

“É um cenário rico e as histórias vão sendo construídas quase naturalmente. Cada episódio une o cinema a outra forma de arte, como a música e a literatura, por exemplo”, explica o roteirista Ismael Machado.

Peru – Cineamazônia

Além de produzir um festival de cinema que pega a estrada e já com 21 anos de experiência, a Espaço Vídeo e Cinema será a primeira produtora rondoniense a realizar um longa de ficção no estado. ‘Perdidos’ une novamente o trio Fernanda, Jurandir e Ismael em uma história que envolve questões amazônicas num thriller político-policial. O filme está em fase de pré-produção. “A gente entende que isso só se tornou possível graças à política pública da Ancine, a partir da descentralização e regionalização do Fundo Setorial do Audiovisual”, enfatiza Kopanakis. “Tem muita gente com produção nova na região por conta disso”, completa Jurandir.

Os dois entendem que a outra ponta desse elo é fundamental, ou seja, ter canais dispostos a abrir espaço para as produções locais. É o que ocorre com o Amazon Sat, considerado pela dupla um grande difusor da Amazônia e parceiro do Cineamazônia.

O Amazon Sat é um canal de televisão digital distribuído por satélite, internet (Amazon Sat Play e aplicativos), com temática regional que aborda economia, política, cultura e esporte. O canal é transmitido para os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá por meio de televisão aberta alcançando 5 capitais e mais de 50 municípios para demais estados brasileiros, ao vivo pelas redes sociais e Tv por assinatura para os municípios de Belém, Ananindeua, Porto Velho e Acre.

Peru – Cineamazônia

Mais informações:

http://portalamazonia.com/cultura/saiba-como-assistir-ao-amazon-sat

Horários das exibições / Quintas (inédito) / 08h30

Alternativos /Quintas 16h30 / Sextas: 00h30 / Sábados: 15h30, 23h30 / Domingos 7h30, 15h30, 23h30 / Segundas 7h30

Rondônia: Floresta privatizada esconde o nióbio, o mineral mais estratégico e raro no mundo

Por Nelson Townes, no Notícia RO (republicado)

Com o início da Era Espacial, aumentou muito o interesse pelo nióbio brasileiro, o mais leve dos metais refratários. Ligas de nióbio, como Nb-Ti, Nb-Zr, Nb-Ta-Zr, foram desenvolvidas para utilização nas indústrias espacial e nuclear.

Bem que o governador de Rondônia, o médico Confúcio Moura, ficou meditando sobre o interesse da China por este Estado da Amazônia. As primeiras delegações estrangeiras que ele recebeu na Capital, Porto Velho, após tomar posse como novo governador foram de chineses. Primeiro veio um grupo de empresários, logo seguidos pela visita do próprio embaixador da China no Brasil, Qiuiu Xiaoqi e da embaixatriz Liu Min.

Os chineses não definiram, nas palavras do governador, o que lhes interessa em Rondônia. Mas, é possível que a palavra “nióbio” tenha sido pronunciada durante as conversações.

Confúcio Moura comentaria após as visitas partirem que “algo de sintomático paira no ar” e fez uma visita à Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais em Rondônia (CPRM) para saber de suas atividades no Estado.

Oficialmente, o governador nunca se referiu ao nióbio como um dos temas das conversas com os chineses. Mas, o súbito interesse do médico governador por geologia gerou comentários.

Seria ingenuidade descartar o nióbio dos motivos que levariam os chineses a viajar do outro lado do planeta para Rondônia. Este é um dos Estados da Amazônia que tem esse minério estratégico de largo uso em engenharia civil e militar de alta tecnologia. A China não tem nióbio e importa do Brasil 100 por cento do que usa.

O problema é que as jazidas atualmente conhecidas em Rondônia estão localizadas na Floresta Nacional (Flona) do Jamari, por onde o governo petista de Lula começou a “vender” a Amazônia para particulares (são concessões com prazo de 60 anos.)

O então presidente dos Estados Unidos, George Bush, fez uma visita ao Brasil e abraçou o presidente Lula quando o Brasil decidiu leiloar a Amazônia.

Os particulares vencedores do leilão da floresta, historicamente, acabam se consorciando a estrangeiros, e riquezas da bio e geodiversidades de Rondônia poderão continuar a migrar para o Exterior, restando migalhas para o povo rondoniense.

Ninguém está duvidando da boa intenção dos empresários chineses e, se de fato é o nióbio que atrai sua atenção para Rondônia, o Estado pode estar nas vésperas de realizar uma parceria comercial e reverter uma história de empobrecimento causada pela má administração de suas riquezas naturais.

O nióbio, hoje, representa o que foi a borracha há um século para o desenvolvimento industrial das potências mundiais da época. O Brasil, que tem o monopólio mundial da produção desse minério estratégico e vive um Ciclo do Nióbio, está, no entanto, repetindo erros ocorridos durante o Ciclo da Borracha na Amazônia entre os séculos 19 e 20.

Por exemplo, embora seja o maior produtor do mundo, o Brasil deixa que o preço do minério seja ditado pelos estrangeiros que o compram (como acontecia no Ciclo da Borracha.)

O nióbio (Nb) é elemento metálico de mais baixa concentração na crosta terrestre, pois aparece apenas na proporção de 24 partes por milhão.

Quase anônimo, entrou na lista dos “novos metais nobres” por suas múltiplas utilidades nas recentes “tecnologias de ponta”. Praticamente só existe no Brasil, que tem entre 96% e 97% das jazidas.

O nióbio é usado principalmente para a fabricação de ligas ferro-nióbio, de elevados índices de elasticidade e alta resistência a choques, usadas na construção pontes, dutos, locomotivas, turbinas para aviões etc.

Por ter propriedades refratárias e resistir à corrosão, o nióbio é também usado para a fabricação de superligas, à base de níquel (Ni) e, ou de cobalto (Co), para a indústria aeroespacial (turbinas a gás, canalizações etc.), e construção de reatores nucleares e respectivos aparelhos de troca de calor.

Na década de 1950, com o início da corrida espacial, aumentou muito o interesse pelo nióbio, o mais leve dos metais refratários. Ligas de nióbio, como Nb-Ti, Nb-Zr, Nb-Ta-Zr, foram desenvolvidas para utilização nas indústrias espacial e nuclear, e também para fins relacionados à supercondutividade. Os tomógrafos de ressonância magnética para diagnóstico por imagem utilizam magnetos supercondutores feitos com a liga NbTi.

Com o nióbio são feitas desde ligas supracondutoras de eletricidade a lentes óticas. Tudo o que os chineses estão fazendo, desenvolvendo-se como potência tecnológica, industrial e econômica.

“O nióbio otimiza o uso do aço na indústria de aviação, petrolífera e automobilística”, explica a jornalista Danielle Nogueira, em artigo no site Infoglobo.

Em países desenvolvidos, são usados de oitenta gramas a cem gramas de nióbio por tonelada de aço. “Isso deixa o carro mais leve e econômico”. Na China, são usadas apenas 25 gramas em média de nióbio por tonelada.

Analistas dizem que no mercado asiático estão as chances de expansão das exportações – e utilização do minério. O Japão também importa 100 por cento do nióbio do Brasil. No Ocidente, os Estados Unidos importam 80 por cento e a Comunidade Econômica Europeia, 100.

O diretor de assuntos minerários do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Marcelo Ribeiro Tunes, citado por Danielle Nogueira, disse que “boa parte do potencial de expansão de nossas exportações de nióbio está na China.”

“Em 2010, a receita com vendas externas de nióbio foi de US$1,5 bilhão. Foi o terceiro item da pauta de exportações minerais, atrás de minério de ferro e ouro. As duas empresas que atuam no setor no Brasil são a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, do grupo Moreira Sales e dona da mina de Araxá (MG), e a Anglo American, proprietária da mina de Catalão (GO).”

É provável, portanto, que o principal interesse dos chineses por Rondônia seja exatamente o nióbio escondido no subsolo do Estado, em números ainda não bem conhecidos, especialmente em terras que podem ser compradas ainda que indiretamente por estrangeiros.

Até o momento, segundo o Mapa Geológico de Rondônia feito pelo CPRM, foram descobertas jazidas desse minério na região da Floresta Nacional (Flona) do Jamari.

A área tem mais de 220 mil hectares de extensão, localizada a 110 km de Porto Velho, atinge os municípios de Itapuã do Oeste, Cujubim e Candeias do Jamari. Além da enorme quantidade de madeira e água, o subsolo da floresta a ser leiloada é rico, além de nióbio, de estanho, ouro, topázio e outros minerais.

As jazidas de Araxá (MG) e Catalão (GO) eram consideradas as maiores do mundo até serem descobertas as da Amazônia.

As jazidas de Rondônia são as menores da Amazônia, mas há ainda muito a ser investigado. Na região do Morro dos Seis Lagos, município de São Gabriel da Cachoeira (AM), encontrou-se o maior depósito de nióbio do mundo, que suplanta em quantidade de minério, as jazidas de Araxá (MG) e Catalão (GO), antes detentoras de 86% das reservas mundiais.

Por que os chineses desembarcaram em Rondônia – se um de seus supostos interesses, o mais óbvio, seriam negócios com nióbio, embora existam poucas jazidas aqui? Porque o minério estratégico está na Floresta Nacional do Jamari, que o governo petista de Lula escolheu, em 2006, através da então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para iniciar a privatização da floresta.

Não seria surpresa se os chineses resolvessem, de alguma forma, em participar do leilão da Flona do Jamari. Em outras áreas, como em Roraima, onde se supõe existir uma reserva de nióbio maior do que todas as conhecidas no País, é mais difícil extrair o minério porque ele está, em princípio, preservado e inalienável por pertencer ao território indígena da Raposa do Sol. A venda de florestas em Rondônia abre caminho para a exploração de sua biogeodiversidade por estrangeiros.

O plano do governo federal é dividir a Flona do Jamari em três grandes áreas (17 mil, 33 mil e 46 mil hectares) e usá-la como modelo, concedendo o direito de exploração a grandes empresas com o discurso de que preservariam melhor o meio ambiente.

Das oito empresas que se inscreveram para entrar na disputa, não há nenhuma das pequenas e médias madeireiras que já atuam na região há vários anos.

A privatização da floresta tem sofrido embargos judiciais. E o senador Pedro Simon (PMDB/RS) declarou na época que a proposta que trata a concessão de florestas públicas, transformada na Lei 11.284 em março de 2006, “foi no mínimo, uma das mais discutíveis que já transitaram no Congresso Nacional, além de ter sido aprovada sem o necessário aprofundamento do debate.”

O interesse das potências estrangeiras pelas riquezas naturais brasileiras é antigo. Os brasileiros prestaram mais atenção ao nióbio em 2010, quando o site WikiLeaks disse que o governo norte-americano incluiu as minas de nióbio de Araxá (MG) e Catalão (GO) no mapa de áreas estratégicas para os EUA. O mapa certamente inclui agora as grandes jazidas dos Estados do Amazonas e Roraima e o pouco conhecido potencial de Rondônia.

Frequentemente a CPRM e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) são acusados de sub avaliar o tamanho das jazidas, das reservas.

Ainda assim, considerando-se válidas as estimativas da CPRM, o Brasil seria o dono de um superdepósito de nióbio, com 2,9 bilhões de toneladas de minérios, a 2,81% de óxido de nióbio, o que representaria 81,4 milhões de toneladas de óxido de nióbio contido, nada menos do que 14 vezes as atuais reservas existentes no planeta Terra, incluindo aquelas já conhecidas no subsolo do País.

Os minérios de nióbio acumulados no “Carbonatito dos Seis Lagos” (AM), somados às reservas medidas e indicadas de Goiás, Minas Gerais e do próprio estado do Amazonas, passariam a representar 99,4% das reservas mundiais.

O nióbio, portanto, é um minério essencialmente nacional, essencialmente brasileiro, mas quem fixa os preços é a London Metal Exchange (LME), de Londres.

O contra-almirante reformado Roberto Gama e Silva sugeriu, na condição de presidente do Partido Nacionalista Democrático (PND), a criação pelo governo do Brasil da Organização dos Produtores e Exportadores de Nióbio (OPEN), nos moldes da Organização dos Produtores de Petróleo (OPEP), a fim de retirar da London Metal Exchange (LME) o poder de determinar os preços de comercialização de todos os produtos que contenham o nióbio.

A LME fixa, para exportação, preços mais baixos do que os cobrados nas jazidas.

“Evidente que as posições do Brasil, no novo organismo, seriam preenchidas com agentes governamentais que, não só batalhariam para elevar os preços dos produtos que contém o nióbio, mas, ainda, fixariam as quotas desses materiais destinadas à exportação”, diz Silva.

De qualquer forma, em 2010, a receita com vendas externas de nióbio foi de US$1,5 bilhão. Foi o terceiro item da pauta de exportações minerais, atrás de minério de ferro e ouro.

Num encontro com jornalistas, realizado em 7 de fevereiro, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que um novo marco regulatório da mineração no Brasil será encaminhado ao Congresso ainda no primeiro semestre deste ano.

Lobão disse que serão encaminhados três projetos independentes: um que trata das regras de exploração do minério, outro que cria a agência reguladora do setor e um terceiro que trata exclusivamente dos royalties.

Segundo Lobão, o Brasil tem hoje um dos menores royalties do mundo. “Nós cobramos no Brasil talvez o royalty mais baixo do mundo. A Austrália e países da África chegam a cobrar 10% e o Brasil apenas 2%.”

NR: O jornalista Nelson Gonçalves Townes de Castro faleceu em 2011. O seu site NoticiaRO foi hackeado e tirado do ar no mesmo ano, possivelmente por algum desafeto. As investigações levaram a um IP local, de Porto Velho.

Guajará : o falador de gírias

Por Altair Santos (Tatá)

O trem apitara pela vez última em junho de 1972. Três anos depois, na manhã duma quarta-feira de junho de 1975, o Bairro do Triângulo (de Porto Velho) cedinho ao abrir portas e janelas, avistou um jovem transitar em passos suaves sobre os dormentes da inerte Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

Era um desconhecido quase a levitar quando subia nos trilhos e, de braços abertos, andava coisa de vinte metros ou mais, sem desequilibrar. Aquela invejável destreza e aparente paz de um monge budista das montanhas do Tibet, chamou a atenção, causou intriga e expectativa certeira nos jovens do lugar, a ponto de lhes deixar pulgas atrás das “zorêlhas” afinal, andar assim, hábil, pelos trilhos com jeito de pensador e não ser morador daqui, só mesmo vindo da região de Jaci, Abunã ou Guajará Mirim.

Em sendo da Pérola do Mamoré era presença e risco iminente de fazer ruir o império dos tupiniquins, ainda mais se o cara tocasse violão e cantasse em castelhano com o sedutor sotaque na timbragem peculiar dos artistas dos altiplanos bolivianos e Cordilheira dos Andes. E se fosse desembaraçado na conversa e já soubesse fumar e dançar, usasse camisa gola cacharréu, calça boca de sino daquelas que varriam as ruas, sapato tipo cavalo de aço ou tamanco, atributos, vestuários e badulaques mui valorizados no currículo dos rapazes daquela época, a ameaça ganhava contornos vivos de tragédia posto fazer trêmulas e fragilizadas as emoções ciumentas dos nossos moços, tementes que as “girls,” cá das barrancas do madeira, viessem a se “embandeirar” e “dar bola” pro recém chegado.

Mais tarde reunidos, os daqui se punham a tecer sobre o “bicão” que se intrometia causando sismos na paz da comunidade. O cara em poucas, horas desde a chegada, já despertara o olhar analítico e interessado de algumas moçoilas, suscitando investigação e reação de defesa por parte dos inseguros boys portovelhenses.

Para monitorar o ir e vir do estranho montaram campana debaixo da Placa 1, defronte à nossa casa, morada abençoada por Deus, tendo a varanda dos fundos com privilegiada vista para o intacto e saudável Rio Madeira onde, além do inspirador pôr do sol, botos saltitantes e gaivotas desenhavam belas coreografias, um balé ímpar naquele indescritível mosaico natural. Ali, meninos nus, íntimos e consanguíneos da liberdade, improvisavam um píer sobre toras de cedro e açacu atracadas ao porto da serraria do boliviano Romão Salazar e se banhavam inocentes, livres de inibição repressora, eram anjos sem asas e de baladeira no pescoço, a viverem o Éden de suas existências.

Na frente da nossa casa, rivalizando sem choque com o rio, tínhamos outro belo presente, os trilhos estendidos, poesia e enlevo aos olhares e sentimentos. Era o tapete ferroviário por onde o trem, nosso herói de ferro, robusto, histórico e inesquecível, antes do seu triste silenciar fumegava e apitava fazendo sucessivas idas e vindas elando Porto Velho e Guajará Mirim urbes queridas, além doutras cidadelas, pontos equidistantes.

Após acalorado debate os moços do Triângulo resolveram, naquele dia, tirar o assunto a limpo. O desconhecido agora réu naquela corte de mancebos teria sua identidade revelada, seus passos seguidos, os reais motivos da sua intrigante estada por aqui seriam visceralmente expostos, tudo com precisão e discrição, tal como faz ou fazia a Scotland Yard, a polícia inglesa. A abordagem se deu as 17 horas, justo quando as meninas voltavam da escola e testemunharam seus pretendentes em atitude heroica enquadrando o rapaz, rezando-lhe o bê-a-bá, dizendo como é que a valsa tocava.

A coisa se deu assim: quando audaz, leve como pluma ao vento, surgiu o moço a andar sobre os trilhos, alguém do grupo o chamou. Ei você vem aqui falar com a gente. O rapaz atendeu e foi chegando manhoso, cheio de curva e gingado, trazendo o corpo esquálido num balanço invocado, um swing próprio de quem veio de Cachoeira Pequena trazendo na bagagem ar e trejeitos de um experimentado “malaco” da malandragem fronteiriça. Mascando um chiclete e levantado os dedos indicador e médio duma das mãos em “V”, símbolo e saudação hippie de paz e amor, foi logo dizendo boa tarde gurizada, “qualé” a de vocês?

Aquela entrada desmontou parte da sisuda volúpia inicial do inquisidor que retomou já em tom menos ríspido. Só queremos que você solte pra gente o seguinte lero: abre aí o teu nome, donde tu caiu pra chegar aqui e qualé a tua onda aqui no bairro, é malandragem, é “azaração com as mina,” é “trampo,” é o quê? Ele respondeu: Ok, “sem grilo, morou?” Taí, tu é um cara “manero” mas esse “teu plá” é de “horror”, te liga que “eu vô batê” abram as “cacholas” de vocês: eu sou conhecido como Guajará, nasci lá.

Nisso todos tremeram, as pernas fraquejaram quase a caírem espalhados pelo chão como num strike, se não se escorassem uns nos outros. E prosseguiu: vim dar uns “rolés” pra esperar o outro ano chegar. Fui expulso do colégio, eu gazetava muita aula pra ir tomar banho lá no Palheta e pesou contra mim, as toneladas de caretice e a coleção de notas zero e outras mais, todas vermelhas, que recebia nas provas de um certo “teacher” linha dura e desalmado.

“Sartei fora” e vim curtir as festinhas daqui, fazer um som com a turma. Eu canto em castelhano e em inglês, toco violão, uma biritinha vai bem e, cá pra nós, curto um “baseadinho suave” naquela de moderado. Fumo uns tarugos bem bacanas coisa dez ou doze por dia, só pra despoluir o corredor cerebral, expandir a mente, colorir o horizonte e aliviar a caixa pensante, vocês sacaram, vocês alcançaram a minha onda, ou não “atinaram” por onde orbita o meu planeta cuca legal?

E tem mais, já “mancuriquei” que as “minas” aqui do pedaço é tudo broto legal e quero jogar umas teses de “love sinceridade” pra cima delas. Aliás tem uma que eu vi passar, ela é assim jeitinho “doce de côco”, tipo flor do meu jardim, tudo pra mim e coisa e tal, eu “parei” na dela, vocês me “understand” (entendem)? E abro mais, colar aqui pra gente transar essa ideia foi massa. Nisso, algumas moças que passavam e já bem informadas sobre ele o cumprimentavam assim: oiii Guajará, “tudo joia,” se entrosando com os meninos né?

Guajará um rapaz moreno, estatura média, cabelo estilo black power no padrão Jimmy Hendrix, um tipo opção rock and roll apartada da beatlemania, órfã legião de fãs no mundo inteiro, desde quando os rapazes de Liverpool emudeceram a banda em 1970. Articulado e bom de papo, o emergente da fronteira passou no teste, na dialógica engoliu os possíveis oponentes e dividiu os hostis. Para alguns melhor seria aliar-se ao novato, enquanto outros se mantinham na espreita. Mesmo assim, divididos, o convidaram pra uma festinha já no próximo sábado, no terreiro de uma casa do bairro.

Pra içar bandeira branca, selar a paz ou cessar fogo, combinaram se encontrar mais cedo, no dia festa, pra umas caipirinhas a partir das19 horas, no que foram pontuais, inclusive o Guajará que passara a tarde toda nas preliminares festivas, em trajes menores, se banhando no Igarapé do Burrinho, bebendo katira (um tipo de cachaça ultra forte) e tirando gosto com cajarana além, é claro, de mandar pro cérebro levas enfumaçadas do teor alucinante da “marijuana” que ele, artesanal e esmerado no ofício, preparava e deixava pronto pra consumo quase no avantajado formato (tamanho e circunferência) dos afamados charutos Cohibas, os cubanos legítimos. Cada tarugo daqueles, dizia ele, era dose pra leão!

Na festinha tão logo rolou um intervalo para trocarem as pilhas da vitrola ele pediu o violão e, decidido, performático e com a cabeça viajando em alucinação pelas galáxias estreladas, desferiu acordes fortes, notas seguras e com voz rouca “à la” Rod Stewart cantou as inesquecíveis hei tonight, have you ever seen the rain e traveland band, um pout pourri imortalizado pelo grupo americano Creedence Cleawater Revival. Depois, versátil e plural, falou direto ao coração quando tascou uma sequência romântica que tinha Roberto e Erasmo Carlos, Los Pastelos Verdes, Peppino Di Capri, Gianni Morandi, Demmis Roussos… Aí o homem virou ídolo das “minas” que tinham seus “zoinhos” a rebrilhar feito estrelas no céu.

Quando das pausas, Guajará, o show man, soltava risos e gracejava com as garotas “papo firme,” bebericava algo e, infalivelmente, ia pra detrás de uma mangueira. Lá na penumbra era avistado a acender e soltar baforadas em algo que não era vela para as almas e nem pra santo nenhum. Na volta o adepto das ervas e passageiro das viagens inimagináveis nas asas da “canabis sativa,” a popular maconha, se punha recluso num canto tipo em transe, viajante solitário a ver miragens e dialogar silencioso, talvez com o além, ou com algo além do próprio além… Depois afogava seus olhos vermelhos e abrasados em baldes e mais baldes de colírio Moura brasil.

Aqui em Porto Velho ele ficou uns quatro ou cinco anos, dos quais, a maior parte, mais a voar do que andar, mesmo sempre estando no chão. Até arrumou uma namorada esquisita, conhecida pela alcunha de Chica Mata Gato a quem, de uma hora pra outra, deixou a ver navios, barcos e canoas na margem do Madeira. Sem nada dizer ou recado deixar voltou pra sua terra natal, na fronteira Brasil-Bolívia.

tatadeportovelho@gmail.com

Arqueologia brasileira e rondoniense perde Maria Lúcia Pardi

Maria Lúcia Pardi, sentada de lado, junto à arqueologa Francilene Rocha, no sítio Rainha da Paz, em Riachuelo/Ro. 2008

Faleceu neste domingo (24), às 7:50 hs, em Brasília / DF a arqueóloga Maria Lucia Pardi, três dias após ter comemorado o seu aniversário.  Pardi em seus momentos finais estava cercada pelo carinho de seus filhos, Yuri e Mayara,  familiares e entes queridos.

Mestre em Gestão de Patrimônio Cultural com concentração em arqueologia pela UCG/GO, Bacharel em Arqueologia pela Universidade Estácio de Sá (1984).trabalhou 23 anos no Iphan – Instituto do Patrimonio Histórico e Artístico Nacional. Atualmente trabalhava do Ministério da Cultura. Membro da SAB – Sociedade de Arqueologia Brasileira na gestão 2009-2011 e do grupo de estudosrqueologia Brasilia. Atuava principalmente na area de politicas publicas, gestão de bens arqueológico, projetos de pesquisa cientifica para preservação do patrimônio, sistemas de informação informatizados e turismo cultural em areas com arte rupestre.

Segundo o ex-Superintendente do IPHAN em Rondônia, Beto Bertagna é uma enorme perda para a arqueologia e a ciência e pesquisa brasileira.

Em Rondônia, Pardi implantou a gestão do patrimônio arqueológico no Estado , rico em sítios milenares.  ” A região central de Rondônia possui uma alta densidade de sítios arqueológicos de grafismos rupestres diversificados. Acreditamos que a área foi densamente ocupada e utilizada como refúgio e trânsito entre diferentes ambientes, como indicam as teorias que apontam a região como o centro de dispersão dos povos tupi que circulavam por todo o território nacional. ” Pardi colaborou na identificação deste rico patrimônio na elaboração de parceiras com associações de moradores, comunidades e trouxe uma nova luz para a arqueologia no Estado

A arqueóloga Maria Lúcia Pardi, do IPHAN dizia que ” este é um pedacinho do Brasil que foi descoberto e que precisa ser preservado, pois representa um tesouro cultural de valor inestimável. ”

Pardi esteve à frente do projeto desde sua implantação e viu com alegria a organização da comunidade, se articulando  para receber recursos federais, estaduais e municipais para a preservação do patrimônio , explorando-o de forma controlada e responsável.

Segundo familiares, o velório está sendo feito no MEMORIAL CAMPOS ELÍSEOS, Rua Fernão Sales,1287 Ribeirão Preto, com término às 20h00  e retorno amanhã no Crematório Ecológico Prever às 10h00, Rodovia Cândido Portinari, Km 321, onde o corpo será cremado.

Maria Lúcia Franco Pardi deixa dois filhos, Yuri e Mayara.

Adeus, Pardi. E obrigado por tudo o que fez pelo patrimônio cultural brasileiro, em especial o arqueológico de Rondônia.

Festival Cineamazônia divulga finalistas da mostra competitiva

Os amantes de cinema de Porto Velho já podem preparar a agenda. A 15ª edição do Festival Cineamazônia divulgou em suas redes sociais as produções finalistas da Mostra Competitiva de 2017. Ao todo foram selecionados 41 filmes entre curtas, médias e longas metragens que concorrerão ao Troféu Mapinguari divididos em quatro categorias: Documentário, Ficção, Animação e Experimental.

Dos selecionados, 32 são curta-metragens (filmes curtos de até 15 minutos de duração) e estão distribuídos nas categorias Ficção, Animação e Experimental e docuentário. O Rio de Janeiro é o estado brasileiro com mais representantes, com sete filmes escolhidos. Já Rondônia possui quatro produções entre os finalistas. “Balanceia”, de Thiago Oliveira e Juraci Júnior; “Que assim seja”, de Érica Pascoal; “Guariterêbenguela”, de Chicão Santos e “Banho de Cavalo”, de Michele Saraiva e Francis Madson.

Oito produções são de média e longa metragem, cujos finalistas concorrem apenas na categoria Documentário (Prêmio Melhor Longa Metragem Documentário). São eles “Dedo na ferida”, de Sívlio Tendler (RJ); “Não só sereias ou faunos”, Sara Bonfim (PR); “Belo Monte: um mundo onde tudo é possível”, Alexandre Bouechet (RJ); “Água mole em pedra dura”, James Lloyd e Flávia Angelico (SP); “Xavante: Memória, cultura e resistência”, de Henrique Dantas (BA). As produções moçambicana “Macoconi – As raízes dos nossos filhos”, de Fábio Ribeiro, e peruana “Los ojos del camino”, de Rodrigo Otero Heraud, fecham a lista de finalistas.

Ao todo a curadoria do festival recebeu 452 filmes, entre curtas, médias e longa metragens. Além das produções nacionais, o Festival Cineamazônia recebeu candidatos de Colômbia, Espanha, Peru, Chile, Argentina, México, Moçambique, Índia, Itália, Birmânia, Bósnia/Herzegovina, Portugal, E.U.A., Irã, França, Singapura, Alemanha.Clique nas imagens para ampliar

Tragédia em família no Acre : Pais da jovem que transmitiu o próprio suicídio ao vivo também se matam

reprodução : Facebook

Essa sexta feira (28) foi marcada por mais uma tragédia envolvendo suicídio em Rio Branco, capital do Acre, no noroeste do Brasil.

Os pais da universitária Bruna Andressa Borges, de 19 anos, estudante do terceiro período do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Acre (Ufac) que cometeu suicídio e trasmitiu ao vivo pela internet o ato, foram encontrados mortos na sua casa localizada na Vila Militar, bairro Cohab do Bosque .

Na residência os policiais acharam bilhetes e cartas para a família, explicando a decisão de tomar tal medida .  Nos recados, o subtenente do exército Marcio Brito,e a esposa Claudineia Borges também pedem desculpas pelo ato de desespero. Nas redes sociais, Bruna desabafou que ‘O ser humano é a pior arma que o mundo criou’, criticando os seres humanos e comparando-os a armas,  Antes de se enforcar a jovem pediu desculpas a todos os seguidores. O Corpo de Bombeiros atendendo aos apelos dos Internautas ainda tentou chegar à casa da menina, mas o endereço passado pelo serviço de urgência não correspondia ao seu atual.

Bruna e seus pais se mataram enforcados. Antes de cometer o ato, ela publicou diversas mensagens nas redes sociais. O ato teria sido transmitido ao vivo pela rede social Instagram. O corpo de Bruna tinha sido enterrado ontem, na cidade de Capixaba a 80 km da capital Rio Branco.

NR: Não é nossa praxis nem queremos sensacionalismo e audiência noticiando essa tragédia. Queremos é a reflexão profunda das pessoas para o cotidiano de suas vidas, de seus amigos, de suas pessoas queridas. O que queremos do mundo ?

Nova medicação promete curar a malária em 1 dia

O anúncio foi feito durante a 6ª Conferência Internacional sobre Pesquisa de Plasmodium Vivax ocorrida em Manaus/AM nesta semana. A droga tafenoquina será usada em um único comprimido segundo os pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical.

Hoje o tratamento tradicional é feito à base de cloroquina e primaquina e dura de uma a duas semanas. O novo medicamento deverá estar disponível no mercado em aproximadamente 4 anos. O remédio  já completou as três fases requeridas de testes, e o próximo passo é o registro do produto.

Alguns Mitos difundidos na região que prejudicam o controle da doença:

– Malária pode ser transmitida pela água? Mentira. A única forma de transmissão é pela picada do carapanã contaminado.

– Chás e plantas medicinais podem curar a malária? Mentira. O tratamento só pode ser feito com medicamentos e tem que ser completo, caso contrário, a malária pode voltar mais grave.

– Se os sintomas da malária passaram, a pessoa está curada?A pessoa tem que fazer o tratamento até o final, por mais que os sintomas já tenham desaparecido. Depois do tratamento, é importante fazer novamente o exame de malária para saber se está completamente curado.

– O sangue da ponta do dedo não permite um diagnóstico preciso para malária? Mentira. As gotas de sangue colhidas na ponta do dedo ou na veia fornecerão as mesmas informações sobre a doença. Os exames realizados são seguros e todos aprovados pelo Ministério da Saúde.

É preciso sentir todos os sintomas para estar com malária? Mentira. Os sintomas podem variar, portanto, basta sentir um ou dois desses sinais para procurar um serviço de saúde para fazer o exame. Os sintomas são dor de cabeça, dor no corpo e na barriga, febre e tremor.

– Mulheres grávidas não podem fazer o tratamento? Mentira. A gestante tem um tratamento diferenciado, basta procurar o serviço de saúde para receber um acompanhamento especial.

“Ao levarmos informação, conseguiremos interromper o ciclo da malária. Quando as pessoas fazem o tratamento até o final, elas ficam curadas e diminuem os riscos de contaminar outros mosquitos que poderão transmitir a doença para familiares e vizinhos.

O assassinato do artista de rua uruguaio Matias Ziatriko em Ji-Paraná/RO

foto: Samira Lemes

Era 8 horas da manhã, do sábado (8 de abril) e ele (Matías Galindez Rodríguez ) estava contente. Conversando sobre política e outras questões da vida nas ruas num posto de gasolina na região norte do Brasil, Matias acabou irritando um jovem, que estava passando de carro no local. A discussão terminou com 10 tiros a queima roupa e o assassinato intolerante e xenofóbico do uruguaio, que viajava trabalhando com a arte circense pelo Brasil e pela América Latina.

A artista Samira Lemes, que têm ajudado a família a conseguir os recursos para levar Matias ao Uruguai, conta que ele era um jovem de muita paz e serenidade, e servirá de inspiração para  muitos. “Ele semeava amor. E temos que mostrar que esses artistas de rua são os anjos do mundo. São os ‘busca vidas’. Se doam para mudar essa realidade do mundo.”

Filho de família humilde, ele perdeu a vida aos 29 anos em Ji-Paraná/Rondônia, no noroeste do Brasil  enquanto falava sobre ser artista de rua, profissão da qual conheceu já adulto, após ter trabalhado em muitas outras e ter descoberto e aperfeiçoado seu dom ao longo dos últimos 10 anos.

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