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Da quintessência de Z


Gostos retidos pelos olhos

Escuto a paisagem como se obtivesse a sensibilidade dos poetas
Sinto os tons das cores agrupadas docilmente no céu da boca
Saciando uma fome, até a pouco desconhecida, com um belo arco íris
Entorpecida com os sentidos aguçados e lindamente trocados
Lanço-me num abismo florido
Despenco com movimentos envoltos por uma luz neon
Embora tenha medo, os reflexos cintilantes me acalmam
Devaneando entre o obscuro e a claridade que eu encontrei a liberdade !

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Quintessência (quinta essência) é uma alusão à Aristóteles, que considerava que o universo era composto de quatro elementos principais – terra, água, ar e fogo-, mais um quinto elemento, uma substância etérea que permeava tudo e impedia os corpos celestes de caírem sobre a Terra.  A dinamicidade é a propriedade mais atraente da quintessência. O maior desafio de qualquer teoria de energia escura é explicar o fato de ela existir na medida exata: numa quantidade não tão grande para impedir a formação das galáxias no universo primordial, e nem tão pequena que não pudesse ser detectada agora. A energia do vácuo (a constante cosmológica de Einstein), é totalmente inerte, mantém a mesma densidade o tempo todo. Portanto, para explicar a quantidade de energia escura hoje, os valores da constante cosmológica deveriam ter sido muito bem sintonizados na criação do universo para ter o valor adequado com as observações de hoje. Em contraste, a quintessência interage com a matéria e evolui com o tempo, de forma que se ajusta naturalmente aos valores observados na época atual.

Arte de rua : grafite em Floripa

Lindo grafite numa rua de Florianópolis. Enquanto isso em São Paulo….

GRAFITE X PICHO X MURAL

Grafite: arte normalmente feita de desenhos coloridos em muros e locais que podem ser autorizados ou não autorizados

Picho: escritos, com letras retas, feitos em muros e locais não autorizados. A maior diferença entre o grafite e a pichação, palavras que os adeptos pretendem grafar com x, é a intenção de quem faz. Normalmente a pichação é feita mais pelo aspecto do vandalismo, do ataque à sociedade, e o grafite já é algo que busca conteúdo artístico, mesmo que que tenha questões de protesto..

Mural: arte feita nos locais autorizados pelos proprietários.

Reflexos do frasco de letrinhas

Texto e foto de Valéria del Cueto

Dia de escrever crônica adiantada. Elas existem e são provocadas pelos feriados. Inúmeros. Ultimamente caindo sempre as sextas, meu deadline usual.

Requerem uma mudança básica no andar das atividades semanais com menos tempo para acumular impressões a serem impressas semana sim e, quase sempre, na seguinte também. Falho, mas elas fazem parte da regra que tem que ter exceções.

Isso requer um estímulo extra para não perder o tom e o dom de escribar com uma certa constância. Ainda mais nesse formato incerto e pouco sabido apesar da brincadeira já estar rolando desde 24 de agosto de 2004.

Por ser uma data significativa sempre será um marco na história das crônicas do Sem Fim. Foi na abertura da exposição dos 50 anos da morte de Getúlio Vargas que elas começaram a serem escritas.

Foram os olhos dos visitantes ao Museu da República que destamparam meu frasco de letrinhas. Ele me foi dado anos antes por Emília, a boneca de pano falante do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato.

Na ocasião participando de uma das incríveis aventuras com Narizinho, Pedrinho e a turma do sítio, aceitei o presente sem ter noção do alcance do seu significado.

Joguei no fundo da minha frasqueira de viagens infantis e deixei por lá rolando de um lado para o outro. Até que, como a boneca que falava asneiras advertiu, ele pudesse – e como – ser útil.

Nesse meio tempo de muitos anos e algumas décadas pipocamos por muitas histórias e lugares aprendendo um pouco sobre quase tudo. Eu, a malinha e, dentro dela, a máquina fotográfica e o frasco de letrinhas.

Algumas vezes tentei abri-lo e derramar um pouco do seu conteúdo em papéis, áudios e até em vídeos. O resultado não foi nada mau.

Mas ainda sentia que faltava um ingrediente para deixar fluir o que via, lia e apre(e)ndia. Não, não estava faltando forma nem expressão que essas foram lapidadas desde sempre.

Era algo na essência, no olhar. No desembestar como dizia Emília, ao destravar a língua falando que nem louca, tagarelando pelos cotovelos quando ganhou o dom da fala numa das Reinações de Narizinho.

O dom chegou para mim num reflexo. Os vi nos olhos de quem vagava nos lugares onde Getúlio viveu seus últimos dias cinquenta anos depois. Histórias de devoção, amor e intimidade de vidas inteiras. Ali, esse reflexo ganhou forma. Precisou ser incontrolavelmente extravasado.

Ele se mantém até hoje nos sinais que fazem a caneta deslizar ligeira pelas páginas em branco do caderninho. Sem linhas para delimitarem o tempo e o espaço ou impedirem o voo inquieto e ágil da imaginação.

Serve para quem, como eu, consegue ver nos reflexos (olha eles de novo aí) dos vidros e gradeados que cercam a vida dos habitantes encarcerados da selva de pedra que virou Ipanema, um convite irrecusável.

Aquelas ilhas ensolaradas do Atlântico refletidas nos vidros indicam o caminho irresistível para deixar de lado a realidade assustadora que nos cerca e quase domina.

É o momento de concretizar o texto da semana deixando aberto o frasco de letrinhas, destampado nas areias convidativas do Arpoador.

Dessa vez sai dele uma homenagem a todos os dias dos livros. Especialmente os infantis. Aqueles que, se você tiver a mesma sorte, nos acompanharão pela vida.

Viva o Sítio. O do Picapau Amarelo. Salve Monteiro Lobato!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Ônibus sem cobrador: mais um passinho atrás, por favor

Neste momento, a Prefeitura de São Paulo está testando viagens de ônibus sem a presença do cobrador, em uma linha que vai do Metrô Jabaquara até o Terminal Santo Amaro, na Zona Sul, e que tem em média 2% das passagens pagas em dinheiro. Já faz algum tempo, especialmente depois da implantação da bilhetagem eletrônica, que a gestão municipal tenta eliminar os cobradores dos ônibus da cidade.

Atualmente, em média, 6% das viagens são pagas em dinheiro vivo e, por isso, a Prefeitura entende que os cobradores ficam ociosos na maior parte do tempo. A eliminação dessa atividade impactaria positivamente em uma redução de custos, o que em tese,  teria efeitos benéficos no preço da passagem.

A princípio, esse raciocínio parece fazer sentido. No entanto, desconsidera outras funções que esses trabalhadores exercem nos ônibus, como auxiliar pessoas com mobilidade reduzida, oferecer aos usuários informações que deveriam constar nos pontos de embarque ou dentro dos veículos, mas não constam, entre outras atividades que fazem com que os motoristas não fiquem sobrecarregados.

Esta mudança também sinaliza para outra questão, muito mais ampla: a substituição do trabalho humano por sistemas automatizados e robotizados. Nos Estados Unidos, já circulam em algumas cidades carros sem motorista, que vêm sendo testados pela Uber e o Google. As duas empresas competem para desenvolver a tecnologia, que, para a Uber, por exemplo, seria uma forma de transformar seu negócio em algo ainda mais lucrativo. Um dos carros da empresa, no entanto, capotou há alguns dias em Tempe, no Arizona, colocando a Google à frente da corrida. Carros sem motoristas, portanto, não são nenhuma ficção, e sim um processo em curso.

Aplicadas nos mais diversos setores, tecnologias desse tipo poderão substituir parte significativa da mão de obra na próxima década. Tal cenário levou Bill Gates, dono da Microsoft, uma das empresas responsáveis pela revolução tecnológica que vivemos, a propor que seria necessário cobrar uma espécie de imposto dos fabricantes de robôs que substituem pessoas. O tributo, segundo Gates, deveria então ser aplicado na recolocação dos humanos no mercado de trabalho. Outras pessoas já falam em cotas obrigatórias de empregos para humanos!

Se não precisarmos mais de cobradores, nem de motoristas, nem mesmo dos “auto”-empregados motoristas de Uber, qual será o futuro do trabalho humano? Em uma sociedade onde a renda – e a sobrevivência – está ligada ao trabalho e, nos últimos cinquenta anos, a mecanismos de proteção social, a destruição destes mecanismos, aliada também à obsolescência do trabalho, desenha um cenário tenebroso…

Comentário feito originalmente na última quinta-feira (6) na Rádio USP.  Confira a íntegra.

via blog da Raquel Rolnik

Embaixador da Coréia do Norte diz que o mundo está a beira de uma guerra nuclear

 

Para o embaixador norte-coreano Kim In-ryong, a Casa Branca está “perturbando a paz e a estabilidade” de todo o mundo com a sua resposta “injusta e desproporcional” ao líder do país, Kim Jong-un.

Além disso, Ryong garantiu que o seu país conduzirá novos testes com armamentos nucleares “no momento oportuno”, fazendo referência ao recente lançamento fracassado de mísseis pelo país asiático.

Na opinião do embaixador, está “muito claro” que Washington está “empenhado” em entrar em guerra com a Coreia do Norte, o que pode acontecer “a qualquer momento”, segundo Ryong.

As declarações do representante norte-coreano na ONU foram feitas durante uma conversa com jornalistas nesta segunda-feira.

A escalada das tensões na Península Coreana se intensificou devido aos últimos episódios envolvendo a gestão do presidente norte-americano Donald Trump, e também à persistência de Pyongyang em seguir em frente com o seu programa nuclear.

Na semana passada, o Pentágono determinou o deslocamento do porta-aviões USS Carl Vinson e o seu grupo de ataque – composto por um cruzador e dois destroieres armados com mísseis de cruzeiro Tomahawk, além de pelo menos um submarino nuclear – para a região da Península Coreana.

Tal movimento, somado aos exercícios conjuntos com as formas militares da Coreia do Sul, são tratados como uma “ação agressiva” pelo governo norte-coreano, no que pode desembocar em uma “guerra real”.

Além disso, o vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence disse nesta segunda-feira, em visita a Seul, que a “paciência estratégica” com a Coreia do Norte acabou e que “todas as opções estão na mesa” para lidar com Pyongyang.

fonte: Agência Sputnik

Caldo quente

Texto e foto de Valéria del Cueto

Pluct, plact está rezingando para cronicar. Puxando fios de lá, juntando com fios de cá pra ver se a trama ganha alguma consistência e consegue suportar o peso dos últimos e nem tão surpreendentes acontecimentos.

Que droga a falta de um lastro positivo para conseguir esticar a corda até quase arrebentar de tantas, tão variadas e excessivamente robustas informações, ou deformações, melhor dizendo.

Lua cheia no céu, luz intensa entrando pela fresta da janela daquela cela do outro lado do túnel onde se esconde a cronista das vicissitudes dos mundos.

Tem gente que ainda não sabe mas ela, cansada como Teresa Batista das guerras desse mundão, escolheu o isolamento. Desistiu de ser um objeto teste com uma incrível quantidade (impossível de ser decifrada integralmente) de imagens projetadas diante de sua estarrecida e estatelada visão de cenas desconexas, porém, verdadeiras.

Elas aconteciam em todos dos planos. Pessoal. Consciente e inconsciente. Do ambiente, do entorno, do país, do continente e do mundo. Do vizinho, do distante. Do amigo, inimigo e do desconhecido em geral. Cenas, cenas, imagens, raciocínio, sentimento, sonho, sobrevivência. Realidade.

Cansou e pediu para sair. Foi parar no lugar que habitava seu caminho durante anos. Desde os 12 mais precisamente nas idas e vindas para o colégio. O Pinel. De um lado, o ex Canecão. Templo da música carioca dramaticamente abandonado, deserto. Em ruínas.

Do outro, sua ex Universidade. O local onde o conhecimento e o saber transformaram, anos antes, a vestibulanda bem colocada na tabela do Cesgranrio numa participante do grupo de criação conceitual que a levaria à TV Tupi. Isso, depois de uma apresentação da instalação exposta numa das salas de pés altos e paredes grossas do antigo manicômio, então Escola da Comunicação da UFRJ.

Estava em casa. Bem situada nas proximidades da sede do Botafogo. E dela, a cela, só costumava se conectar com o (já citado no início do texto) Pluct, plact. Ele é um extraterrestre perdido na atmosfera terráquea graças a péssima qualidade do ar. Tenta ir, vai, bate na camada poluída e… volta, quicando e se recompondo em outro ponto do planeta.

Preparado para a missão de coletar dados e tentar entender o “funcionamento” do ser humano se surpreende a cada novo lance que registra. Sabedor que é da necessidade de manter um canal de conexão com a realidade de sua amiga e confidente, a cronista encarcerada, tenta fazer um resumo dos acontecimentos para tentar atraí-la novamente para o mundo verdadeiro.

Mas está difícil. Trump ataca o Estado Islâmico com uma bomba quase atômica. Tipo a largada pelo Ministro do Supremo Edson Fachin ao autorizar a abertura de inquéritos contra uma parte significativa e representativa do mundo político brasileiro.

Se a Odebrecht é o diabo de rabo e chifres o inferno está lotado de seguidores até então entusiasmados e dispostos a fazerem tudo que seu mestre mandava por uma módica quantia. Creditada nas contas bancárias nacionais, internacionais e, caso seja conveniente, as baseadas no nepotismo puro e simples: ajudando parentes também.

Tudo bancado com dinheiro que deveria ir para o povo brasileiro. Centenas de milhões, bilhões!

Dias antes o inocente do Ministro Blairo Maggi descansava da semana pesada de tanta “Carne Fraca”  contando num vídeo caseiro como prepara sua receita de arroz carreteiro.

Mal sabia que seu “caldo” estava sendo depurado e apurado em mais de uma das delações premiadas dos responsáveis pelas operações nada republicanas da maior empreiteira do país…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas fabulosas”, do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

O assassinato do artista de rua uruguaio Matias Ziatriko em Ji-Paraná/RO

foto: Samira Lemes

Era 8 horas da manhã, do sábado (8 de abril) e ele (Matías Galindez Rodríguez ) estava contente. Conversando sobre política e outras questões da vida nas ruas num posto de gasolina na região norte do Brasil, Matias acabou irritando um jovem, que estava passando de carro no local. A discussão terminou com 10 tiros a queima roupa e o assassinato intolerante e xenofóbico do uruguaio, que viajava trabalhando com a arte circense pelo Brasil e pela América Latina.

A artista Samira Lemes, que têm ajudado a família a conseguir os recursos para levar Matias ao Uruguai, conta que ele era um jovem de muita paz e serenidade, e servirá de inspiração para  muitos. “Ele semeava amor. E temos que mostrar que esses artistas de rua são os anjos do mundo. São os ‘busca vidas’. Se doam para mudar essa realidade do mundo.”

Filho de família humilde, ele perdeu a vida aos 29 anos em Ji-Paraná/Rondônia, no noroeste do Brasil  enquanto falava sobre ser artista de rua, profissão da qual conheceu já adulto, após ter trabalhado em muitas outras e ter descoberto e aperfeiçoado seu dom ao longo dos últimos 10 anos.

Leia a matéria completa em Jornalistas Livres 

A Globo transborda de hipocrisia

Texto atribuído à juíza federal do Trabalho, Roberta Araujo, que se formou pela Faculdade de Direito do Recife, UFPE, com doutorado na instituição de ensino Universidade Federal de Pernambuco, que teria publicado em sua rede social um questionamento sobre as contradições apresentadas pelo Grupo Globo que resolveu afastar das suas funções o ator José Mayer por assédio e o apresentador do Video Show, Otaviano Costa por “rir de atitude machista no BBB.

Leia o testemunho: “Queridas, antes de divulgar e exultar com a postura da Globo em “ punir” José Mayer por assédio ou afastar Otaviano Costa do vídeo show por rir de atitude machista do Big Brother lembrem-se de que foi a Globo que universalizou entre nós a cobiça por Anita, apresentada como uma “ ninfeta” ousada que seduzia um homem casado e com idade de ser seu pai. Foi a Globo que nos apresentou Angel, uma adolescente que permeou o imaginário dos desejos mantendo um ardoroso caso com o marido da sua própria mãe. Foi a Globo que em Laços de Família envolveu o Brasil na polêmica trama em que a jovem filha rouba Edu, o namorado da mãe, interpretado por Reynaldo Gianecchini. Foi a Globo que em Avenida Brasil nos trouxe como núcleo de comédia a trama com três mulheres envolvidas com o mesmo homem- o empresário Cadinho – e que declinam da suas vidas e dignidade para se sujeitarem a viver com ele, mesmo após se descobrirem enganadas. Em Império, a Globo preencheu o imaginário de desejos com a trama do charmoso Comendador que mesmo casado com Marta mantinha um fogoso affair com uma menina mais jovem que sua própria filha. Foi a Globo que fez o Brasil se divertir com o programa Zorra Total, que tinha em seu quadro principal duas amigas em um vagão, sendo uma delas, a Janete, bolinada de várias formas e tocada em suas partes íntimas com a batuta de um maestro enquanto a sua amiga Valéria , ao invés de defendê-la, dizia: “aproveita. Tu é muito ruim, babuína. Se joga.” Então queridas, quando essa emissora diz em nota que “repudia qualquer forma de desrespeito, violência ou preconceito” esta em verdade sendo dissimulada e ofensiva por nos considerar alienadas ou parvas. A verdade é que a Rede Globo coisifica as mulheres, naturaliza a violência, os abusos e assédios, incentiva o desrespeito, ridiculariza o papel e a posição da mulher e subalterna nossa dignidade. São mensagem explícitas e subliminares como as que esta Rede Globo universaliza e crava no imaginário masculino brasileiro que estupram, abusam, ferem e vitimam milhares de Mirellas que habitam entre nós”.

A Globo, cínicamente, leu um pedido de desculpas, tanto no caso do ator José Mayer como no caso BBB, dizendo que “repudia toda e qualquer forma de desrespeito, violência ou preconceito. … “.

O mistério do sumiço de Bruno e dos livros criptografados do Acre

Uma estátua de Giordano Bruno, o teólogo, cosmólogo e filósofo italiano nascido em 1548 e queimado vivo na fogueira pela inquisição romana em 1600. Giordano Bruno também era perito em mnemotécnica, a arte de desenvolver a memória.

Nas paredes , de forma totalmente simétrica – no teto e chão do quarto muitos escritos criptografados feitos à mão .

Este é o cenário do quarto de Bruno Borges, um jovem de 24 anos, estudante de psicologia que saiu de casa e sumiu em Rio Branco, capital do Acre, no noroeste do Brasil.

Bruno Borges, em foto de família.

Bruno falava de um projeto que iria revolucionar o mundo e a forma de pensar dos seres humanos. O dinheiro, possivelmente para adquirir a estátua de Giordano Bruno, foi conseguido com o seu primo, o médico Eduardo Veloso que lhe emprestou R$ 20 mil, baseado nas conversas iniciais que teve com Bruno sobre o projeto misterioso.

Rivasplata e Bruno durante a produção da escultura.

A estátua de Giordano Bruno, uma réplica da existente no Campo de Fiori, em Roma , onde ele foi queimado na fogueira é de autoria do artista peruano Jorge Rivasplata de La Cruz . o “Rivas”,  de 84 anos que chegou a Rio Branco na década de 80 e nunca mais saiu. Por seus trabalhos filantrópicos como uma escolinha de artes para crianças recebeu da Assembléia Legislativa do Acre os títulos de Cidadão Riobranquense e Cidadão Acriano

Desaparecido há dias, ele deixou algumas chaves para quebrar a criptografia. Baseado nessas informações, sua irmã mais velha já descobriu que um dos livros supostamente é chamado de “A teoria da absorção do conhecimento” e um outro “A busca da verdade absoluta”.

Nesses momentos , as teorias pipocam nas redes sociais. Giordano Bruno, o teólogo italiano era acusado dentre outras coisas de “reivindicar a existência de uma pluralidade de mundos e suas eternidades.”.

Um site foi lançado na internet http://decifreolivro.com/ para tentar descriptografar os escritos e sinais deixados nas paredes e livros.

O site de tecnologia Tecmundo procurou dois experts em criptografia, Rincon e Renoir que colocaram os caracteres criptografados sobre um teclado físico para entender melhor como o padrão de criptografia. Segundo Renoir, a ideia agora é “centralizar todos esses documentos, quebrar a criptografia e disponibilizar a todos”.  O diretor da Antecipe, plataforma de gerenciamento de vulnerabilidades, Igor Rincon, e o líder de desenvolvimento, Renoir dos Reis, montaram o site para ajudar a descriptografar outras páginas que venham a surgir.

Na Internet também foi divulgado o número de telefones caso alguém encontre Bruno ou sabe onde ele está:  (68)9 9985 2775 ou (68)9 8401 1151

Uma nova teoria sobre os códigos chama atenção para a semelhança com “O Manual do Escoteiro Mirim”, HQ com aventuras de Huguinho, Zezinho e Luisinho, sobrinhos do Pato Donald.As investigações do caso permanecem em sigilo pela Polícia Civil do Acre e nós do blog desejamos que o Bruno volte logo prá casa de seus pais com saúde . E que as teorias de conspiração não transponham os limites da Internet.

Ou se revelem de vez.

por Beto Bertagna.

NR: O blog sofreu um ataque hacker nesta madrugada e saiu do ar por algumas horas. A equipe de suporte já identificou o IP criminoso que é da região de Porto Velho. Não é a primeira vez que isso acontece. Conseguimos colocar o blog no ar novamente, suprimindo algumas funcionalidades por motivo de segurança, pelo qual pedimos desculpas. Em breve, teremos o blog com todas os seus recursos normalmente. 

A lo largo

Texto e foto de Valéria del Cueto

É muito bom ser geminiana e gostar de ter diversas vidas. Isso faz que seja uma metamorfose tranquila trocar de ares como quem muda de roupa. Depois do carnaval de Uruguaiana é a hora de reacender as raízes pampianas. Para isso, nada melhor que um mergulho no silêncio das suaves colinas da fronteira oeste, na Estância São Lucas.

Tudo programado e preparado “au grand complet” com uma passagem na La Bodeguita pra providenciar um rancho a altura do cenário: queijo e salame da colônia, costelinhas de bovino, cebola para assar, bala de goma e alfajores para sobremesa e, vindo do outro lado da fronteira, no caso do Uruguai, algumas garrafas de vinho  a serem degustadas enquanto o fogo é feito, a carne fica no ponto e  um picado engana a fome que só aumenta enquanto ouvimos o trepidar do carvão em brasa. Vida mansa no final do dia.

Na chegada na estância no meio da tarde damos passagem ao gado da raça braford que vai sendo recolhido à mangueira. No dia seguinte os animais serão apartados pelos peões pilchados a cavalo para trabalharem o rebanho. Ali já dá para saber que o tão almejado silencio noturno será substituído pelo coro de mugidos  que ponteará madrugada afora, como uma sinfonia.

A imagem, impressionante para quem nunca viu a movimentação, é um colírio aos olhos saudosos que ficaram mais de um ano longe da lida campeira. Ao final do dia, uma mateada e algumas fotos dos gaúchos reunidos no galpão proseando ao cair da tarde.

A luz é muito especial. As sobras se alongam fazendo desenhos no campo, delineando o relevo das árvores contra as cores impressionantes do entardecer outonal.

Basta percorrer a cerca que protege a casa principal até a porteira para captar várias configurações da paisagem. O sol vai se pondo, ora no meio do arvoredo, ora no contorno suave da planície, dependendo do ponto de vista. O lusco fusco avermelha o horizonte e cria outras imagens dramáticas quando se acrescentam os contornos das porteiras e cercas dos bretes.

Quando resta penas um fiapo de luminosidade mais uma surpresa. A lua nova que dá as caras fininha, obriga a uma rápida mudança nos parâmetros da câmera fotográfica para que o sorrido do gato de Alice (a do País das Maravilhas) imprima nos sensores. Todo esse movimento acontece sem trégua. Deixa uma sensação de urgência para que tudo seja devidamente registrado. Mal comparando, é como uma escola de samba que passa na sua frente. A gente sabe que não pode perder nenhuma ação pois ela não se repetirá novamente. É hoje só, amanhã não tem mais, pelo menos daquela maneira exata.

O próximo ato é cair de boca no churrasco ao som de um programa de música nativa dos Pampas. Uma vingança à Carne Fraca que habita o cotidiano dos brasileiros em geral. E que se dane o colesterol, porque a gordurinha tostada é irresistível e o vinho dilui as incertezas futuras.

Coragem mesmo é mudar o fuso horário e, em busca da imagem perfeita, sair da cama por volta das 6 da matina, enfrentar o friozinho da madrugada partindo, de pilcha e botinas, em busca de ângulos que valorizem o prateado do orvalho que – ainda – molha os campos. O trabalho com o gado sendo apartado para a pesagem e a avalição rende registros de um estilo de vida fatigante, normalmente narrado de forma poética. Não é fácil a vida campeira. Essa conclusão se fortalece a medida em que o dia vai “adelante” e o calor castiga os animais e quem labuta na terra.

A poeira levantada pelas patas dos animais poderia ser apenas um filtro que deixa as imagens mais “doces” se não impregnasse a roupa, as peles suadas dos animais, de quem se dedica ao trabalho da pecuária e – ai de mim -, o delicado equipamento fotográfico.

Nada que não valha a pena quando o resultado do dia no campo ficar guardado, não apenas na memória de quem estava na lida, mas ao alcance dos que, sem passarem por todas as etapas aqui narradas, puderem viver esses momentos visitando os registros que trago de lá…   

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fronteira oeste do Sul”, do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

Gente que encontrei por aí… Valéria del Cueto

Fotógrafa,  jornalista e cineastaValéria del Cueto é formada em Gestão de Carnaval pelo Instituto do Carnaval, da Universidade Estácio de Sá.

Repórter, cronista e documentarista é correspondente do Diário de Cuiabá e trabalha como fotógrafa de pista na Sapucaí. Em  2010, convidada pela Mocidade Independente de Padre Miguel,  começou acompanhar a construção dos carnavais no barracão verde e branco.

Estudiosa do processo de realização do carnaval do Rio de Janeiro desenvolve, desde 2011, uma pesquisa fotográfica sobre formato de uso e espacialidade dos barracões da Cidade do Samba.

Atua como fotógrafa da Bateria da Mangueira  e colaboradora do Getty Image.

Veneza

Por Carlos Moreira

Veneza é um imenso romance. E pronto. Foi engendrado em outro mundo. Em outra língua. Veneza inaugura uma linguagem além do barroco, além de Vieira, além-simetrias: o labirinto é um monstro repleto de vazio, o fora próprio da linguagem. Em Veneza nada é, tudo vem e passa sem o estado de presença. A chama seria a forma deste romance, mas uma chama vista através de um espelho d’água. Uma chama apaixonada pela água, amante do fluir cristalino. Daí sua violência. Nada é mais violento que a beleza.
Veneza está em todo lugar que se despreze. Depois de amar. Em todo lugar que anda e que afunda, já que, não existindo o tempo, só o lugar pode afundar. Nessa geografia movediça, nesse lugar nômade, nessa água viva que queima mesmo quando morre, ou ainda mais depois de morta, é que se movem Pierre Bourdon e o Mouro, um claro o outro escuro, um palavra o outro silêncio, um água o outro fogo, um sombra o outro corpo. E que Tao épico-sardônico, que novela sangrenta e hilária eles tecem juntos. Byron e Proust, Chaucer e Nava.
O que potencializa a narrativa é a própria máquina-linguagem, máquina-língua, estrangeira como todos em Veneza, mesmo os lá nascidos. Porque em Veneza tudo é mangue, tudo é plâncton e palavra, tudo nasce da água e morre no fogo primordial. Entre o mestre e o mouro até o silêncio é literatura. Em “Kafka: por uma literatura menor”, Deleuze e Guattari afirmam que “Mesmo aquele que tem a infelicidade de nascer no país de uma grande literatura deve escrever em sua língua como um judeu tcheco escreve em alemão, ou como um uzbeque escreve em russo. Escrever como um cachorro que faz seu buraco, um rato que faz sua toca. E, para isso, achar seu próprio ponto de subdesenvolvimento, seu próprio dialeto, seu próprio terceiro mundo, seu próprio deserto.”
É na travessia desse deserto que se dá “o relato vivo do muito que pensou, sofreu e sonhou o cavaleiro Pierre Bourdon”, numa magistral lição borgeana. Desde a frase inicial, uma das mais geniais enquanto início de um livro, até o desdobramento final, a linguagem se metamorfoseia junto com o narrador: estamos diante de uma imensa literatura menor, muito mais potente de sentido e criação do que supõe nossa Grande Literatura. Ler este livro lança um mundo no mundo, como um jogo de espelhos que vai do dito real até “O nada, o caos e o nada novamente.” Levados pela narrativa de Pierre e na companhia do Mouro, vamos descobrindo o que Veneza é: um grande romance. E ponto.

Túnel do Tempo : filmagem do documentário “Povo Amondawa”

foto : Luiz Brito

Fazendo a fotografia do filme “Povo Amondawa”, do diretor Luiz Brito. produzido entre 1992 e 1997.

A nação indígena Amondawa, ramificação dos Uru eu wau wau,  como tantas outras existentes em Rondônia, foi mais uma das vítimas do avanço da civilização através dos projetos de colonização  ocorridos no estado, a partir do final da década de 70.

Uma das principais características vividas em Rondônia naquela  época foi  o intenso fenômeno da migração trazendo consequências sociais profundas não só para as sociedades indígenas.

O filme documentário “Povo Amondawa”   com 12 minutos registrou um pouco desse processo que teve como meta principal  o progresso a qualquer custo, e que foi maléfico para os Amondawa e outros povos indígenas que não tiveram  tempo e nem direito de se pronunciar como cultura  amazônica no processo.

foto : Luiz Brito

Voa, águia portelense…

Texto e foto de Valéria del Cueto

Já deu pra ver que não sou boa de previsões. Pensar que só a chuva poderia atrapalhar o espetáculo carnavalesco carioca… São tantas informações que dividirei esse espaço dois lados: o bom e o outro. Como sempre e mais que nunca, lembro que sou uma só e não onipresente. Só posso relatar o que vi.

O lado bom

Vi o rio da Portela levar o campeonato, merecidamente depois de 33 anos, com o enredo “Quem nunca sentiu seu corpo arrepiar ao ver esse rio passar”. É a quarta vitória do carnavalesco Paulo Barros. Foi emocionante.

Quase que a mágica das arábias de Padre Miguel com “As mil e Uma Noites de uma Mocidade pra lá de Marrakesh” surpreende e “rouba” o título. A decisão veio nas notas do último quesito, enredo. Um gostinho especial o carnavalesco Alexandre Louzada levará novamente. A imagem do carnaval 2017 é a do Aladim sobrevoando o Sambódromo no tapete voador. O público foi ao delírio.

Aliás, a festa em Madureira foi dupla. O Império Serrano, campeão do grupo de Acesso, garantiu sua vaga no Especial em 2018. A verde e branca da Serrinha soube explorar as pequenas delicadezas do enredo “ Meu quintal é maior que o mundo”, sobre o poeta pantaneiro Manoel de Barros. Neguinho, por uma janela, espiava todo o imaginário de seu universo poético passeando pela Sapucaí. Chorei.

Se o enredo sobre Xingu não deu o resultado esperado pela Imperatriz Leopoldinense, a comissão de frente, por exemplo (que achei maravilhosa), não teve boas notas, tribos povoaram a Beija-flor e, imponentes, índios guardavam a coroa imperiana no abre-alas.

Vi o Salgueiro na terceira posição após sua presidente, Regina Célia, avisar que sua escola não entraria se não houvesse uma limpeza no piso. A Vila Isabel perdeu o tom do “Som da Cor”, teve problemas e derramou óleo na pista. Ah, “A Divina Comédia do Carnaval”, em que uma mulher tem coragem para peitar o regulamento. Isso não aconteceu nem quando a Paraíso do Tuiuti e a Unidos Tijuca socorriam as vítimas dos lamentáveis acidentes ocorridos diante do público do Setor 1, na armação.

Vi a reação do povo da Mangueira, quarta colocada graças a travada do carro de São João, o da cantora Alcione. Fez um buraco que nem com a ajuda do santo (que, afinal, costuma ser justo) poderia deixar de ser “canetado” nos quesitos evolução e harmonia.  Torcendo no Palácio do Samba a comunidade aplaudiu, ao final da apuração, o campeonato da coirmã de Madureira. Mais uma vez, fotografei a empolgante passagem da verde e rosa e, especialmente, a bateria. Um privilégio carinhoso proporcionado pelos Meninos da Mangueira!

Vi Ivete na Grande Rio passar duas vezes, igualzinho Fafá de Belém, em 2013, no enredo sobre o Círio de Nazaré. Foi também na comissão de frente, onde ela atuou, que a escola de Caxias perdeu alguns preciosos décimos. A bateria foi penalizada, a velocidade do samba pipoca acabou provocando a perda de outros décimos. Ficou em quinto.

A Beija-Flor foi a sexta colocada e abrirá o desfile das Campeãs. A escola de Nilópolis tentou inovar criando tribos misturadas em vez de alas definidas entre os setores. A novidade não agradou aos jurados que pegaram pesado inclusive no quesito enredo, baseado em Iracema, clássico de José de Alencar!

O outro lado

Não, não havia nas dependências do sambódromo os mesmos cuidados de finalização de anos anteriores. Caí no vão entre a porta e a escada mal ajustada da sala de imprensa; desdobrei a atenção com cabos estendidos no corredor para a torre de transmissão (sem a proteção nos dois primeiros dias, os do grupo de Acesso); a pintura da pista não havia secado até o início das apresentações do Grupo Especial…

Abrindo o desfile no domingo, a Paraíso do Tuiutí protagonizou o primeiro desastre. O último carro alegórico bateu nos dois lados da armação, atropelando quem trabalhava no local! Apesar da gravidade, a ordem foi não interromper o espetáculo.

Quem crê que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, reveja seus conceitos. Na mesma Armação    despencou, com mais gente ferida, a parte superior de outro carro alegórico. O de News Orleans, da Unidos da Tijuca, na segunda-feira. Novamente, apesar da seriedade do acidente, foi ordenado que o desfile continuasse. A expressão dos torcedores no Setor 1 dava noção da perplexidade do público. Imaginem o clima dos componentes da escola do Borel.

Outros episódios lamentáveis para a credibilidade do Desfile do Grupo Especial comprometeram o evento. Apesar da justiça no topo das classificadas, o julgamento está definitivamente em cheque. As notas da União da Ilha, São Clemente e Imperatriz Leopoldinense não corresponderam ao que foi apresentado. Para coroar os equívocos, representantes das agremiações decidiram que não haverá rebaixamento. Surpreendentemente a Unidos da Tijuca ainda conseguiu notas mais altas que a Paraíso do Tuiuti! Última colocada acabou, por tabela, sendo beneficiada pela “anistia”.

A inabilidade do prefeito Marcelo Crivella expôs sua falta de jogo de cintura para transformar limão em limonada. Perdeu a chance, ao recusar a missão de entregar as chaves da Cidade Maravilhosa para o Rei Momo, de anunciar que abdicaria do privilégio para, simbolicamente, passá-lo à uma legítima herdeira do povo do samba, a neta de Cartola,  mulher e negra! Nilcemar Nogueira é Secretária Municipal de Cultura e acabou fazendo papel sem as honras que merecia, após o alcaide fazer forfait e não comparecer no(s) horário(s) marcado(s) para a cerimônia tão simbólica para os cariocas.

Para o bom entendedor…

Não dá para terminar essa narrativa carnavalesca, assim, pra baixo. Ficou para o final as palavras de Luis Carlos Magalhães. Ele entrou para a história do carnaval ao assumir a direção da Portela depois do assassinato de Marcos Falcon. Como a águia, planando sobre as adversidades, a levou ao tão sonhado campeonato: “A vitória não é só da Portela é de todas as escolas… Mais importante que a vitória da Portela é levantar a bandeira do samba, da cultura brasileira!”

 *Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Transmissão do Desfile das Campeãs: TV Brasil e Viva.   

Ordem dos desfiles: Beija-flor, Grande Rio, Mangueira, Salgueiro, Mocidade e Portela.

Gente que encontrei por aí…Fernando Valdívia

Comunicador social e cineasta peruano, Valdívia trabalhou com The Field Museum, Calandria, TV Cultura e audiovisual Chaski em projetos comunitários que promovem a soberania audiovisual na América Latina. Ele foi diretor dos programas ecológicos Te Quiero Verde e National Geographic, o PNUD, a COICA, Deutsche Welle, ARD, Channel 4, DFID, Save the Children, WWF, The Nature Conservancy, Organização Mundial da Saúde, a CARE, Real TV, Ethno Medicina Projeto de Preservação, Jean Michael Cousteau – Ocean Futures Society, Drets dels Pobles Lliga dels.
Desde 1997 é diretor da Teleandes Productions , tendo produzido os documentários “Searching for the blue”, “Crossing chumpi”, “Shipibo, o filme da nossa memória”, “Iskobakebo, um encontro difícil”, “povos da Amazônia e Mudanças Climáticas”.

No carnaval do Rio não há crise… de alegria.

Texto e foto de Valéria del Cueto

Não adianta chororô, nem mimimi. Pode ter crise econômica, protesto do “agro” e mudanças no regulamento. É do jogo. Nada atrapalhará a maior festa popular do mundo. A única coisa que não pode ser prevista nem contornada é a chuva. Ela, sim, um imponderável sem possibilidade de controle. E há previsão…

As novidades de 2017 começam na estrutura do espetáculo definida pelas alterações no regulamento da Liesa, a Liga das Escolas de Samba, para este carnaval. Menos tempo de desfile, agora são 75 minutos para cada agremiação. Um carro alegórico a menos, são 6 por escola. Menos paradas para apresentações para os julgadores, apesar de continuarem existindo 4 cabines de julgamento, as duas centrais estão no mesmo ponto. Um novo horário, agora começa às 22 horas a festa no Sambódromo Darcy Ribeiro, a mítica passarela carnavalesca carioca, na Marquês de Sapucaí.

Infelizmente quem vê o desfile pela televisão continuará sem assistir a íntegra da apresentação das primeiras agremiações. E olha que as alterações se justificavam justamente para que, ao contrário do ano passado, as escolas que abrem a festa no domingo e na segunda-feira de carnaval pudessem ser transmitidas para o Brasil e o mundo. Serão, mas parcialmente.

Domingo é dia de índio, música e comédia

No domingo o Paraíso do Tuiti, campeão da Série A do Acesso, abre o Desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro. “Carnavaleidoscópio Tropifágico”, enredo de Jack Vasconcelos, homenageia o Movimento Tropicalista. O carnavalesco já avisa: “o enredo não é político”.

A levada continua musical, porém, levantando a poeira do Axé da baiana Ivete Sangalo na única homenagem a uma personalidade deste ano. A Grande Rio vem com “Ivete de rio a Rio”. A proposta de Fábio Ricardo passeia pela vida da cantora.

Quando, no início do ano, videntes disseram que a Grande Rio, a Beija-Flor e a Imperatriz Leopoldinense estariam no páreo para o título de 2017 foi uma surpresa. Para começar, as três desfilam no domingo e, de 2.000 para cá, apenas a Vila (2006) e a Tijuca (2010) ganharam o título no primeiro dia de competição. A campeã costuma sair das escolas que se apresentam na segunda-feira.

Logo depois, a polêmica provocada pelo “Belo Monstro” e outros detalhes do enredo da Imperatriz Leopoldinense a colocaram em evidência. Xingu, o clamor da floresta” desagradou o agronegócio. Foi bravamente defendido por seu criador Cahê Rodrigues que, com o apoio do presidente Luizinho Drumond e da comunidade, manteve o projeto original. A tentativa de censurar ou modificar a proposta acabou saindo pela culatra. Popularizou o tema, mexendo com os brios dos componentes da escola de Ramos. Índio quer espaço e, se isso divide opiniões, a Imperatriz contrabalança com uma unanimidade: o retorno de Luiza Brunet como Musa à passarela do samba.

“Vila, azul que dá o tom da minha vida…” o enredo “O Som da Cor“, de Alex de Souza produziu um dos melhores sambas do ano, interpretado por Igor Sorriso e a Suingueira de Noel. A escola tenta se reerguer após chegar a anunciar que não participaria do carnaval por ter tido suas contas bloqueadas na justiça ano passado. Vem prometendo Kizombar.

O Salgueiro continua por ali. Loucos para “morder” mais um título, Renato e Márcia Lage desenvolvem o enredo “A Divina Comédia do Carnaval” enquanto, nos bastidores, se comenta que o carnavalesco teria fechado com a Unidos da Tijuca para o próximo ano.

A noite termina com a Beija-Flor e “A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema”. Uma das novidades da comunidade nilopolitana será a ausência de alas, já adiantou Laíla, coordenador da comissão de carnaval. Um alerta. O samba, puxado por Neguinho da Beija-flor, é um chiclete daqueles que não sai da cabeça nem os sonhos mais exaustos de quem voltará para a Sapucaí para o segundo dia de desfiles…

Mangueira em busca do bi campeonato

Marrocos aos USA nos rios do tempo da simpatia Pensar mal disso? É segunda!

O carnavalesco Severo Luzardo estreia no Grupo Especial apresentando o passado, o presente e o futuro sob a ótica africana do candomblé da nação de Angola, dos povos Bantos, “puxado” por Ito Melodia, no enredo “Nzara Ndembu – Glória ao Senhor Tempo“.

Depois da festa de encerramento das Olimpíadas, Rosa Magalhães se debruçou sobre a preparação do carnaval da São Clemente. Tenta falar aí: “Onisuáquimalipanse” Traduzind o: Envergonhe-se quem pensar mal disso. E vamos esperar para ver o que a carnavalesca campeã das campeãs trará para a Sapucaí.

Abre-te Sésamo que o samba ordenou: vindo lá do Marrocos de Padre Miguel, “As Mil e Uma Noites de uma ‘Mocidade’ prá lá de Marrakesh”, apresenta um ótimo samba para embalar o enredo das arábias de Alexandre Louzada e Edson Pereira.

A vice-campeã de 2016, Unidos da Tijuca falará sobre música, a americana. “Música na Alma, Inspiração de uma Nação”, e dá-lhe variedade! A sinopse do enredo da comissão composta por Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, tem até um glossário para explicar termos e estilos musicais dos USA.

E aí, vem a Portela, num ano conturbado com a morte de seu presidente Marcos Falcon. O vice, Luis Carlos Magalhães teve que se desdobrar para administrar o projeto de carnaval. Já em 2017, por exemplo, foi trocado, por exigência do carnavalesco Paulo Barros, o comando da comissão de frente! Mesmo antes do desfile, seu enredo já é realidade para os portelenses: “Quem nunca sentiu seu corpo arrepiar ao ver esse rio passar”. As chances de um bom resultado aumentam com o fim do mandato de Eduardo Paes, portelense assumido e um pé-frio daqueles. Em 8 anos de torcida e apoio declarado a escola de Osvaldo Cruz não conseguiu chegar ao título.

A última escola a desfilar confirma a regra por ser exceção. Só os mangueirenses mais apaixonados apostavam no título conquistado em 2016 pelo jovem carnavalesco estreante no Grupo Especial, Leandro Vieira. Diante das previsões dos videntes, novamente, ele corre por fora. Nascido e criado para vencer demanda, cercado de todas as proteções imagináveis, conta com muita força lá de cima! Leandro avaliou suas possibilidades de chegar ao bicampeonato até no título do enredo verde e rosa. “Só com a ajuda do Santo”.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Ordem dos desfiles:

Domingo: Paraíso do Tuiuti, Grande Rio, Imperatriz, Vila, Salgueiro e Beija-flor

Segunda: Ilha, São Clemente, Mocidade, Unidos da Tijuca, Portela, Mangueira

Gente que encontrei por aí…Nair Benedicto

Ela é da pesada… Escolhendo dar voz às minorias, violência contra a mulher, o homossexual, o menor de rua e o índio são presentes nas imagens.  Nos seus 43 anos de profissão, Nair Benedicto, uma das maiores fotógrafas deste país, tem em sua obra um viés político que integra os acervos dos museus de arte moderna do Rio de Janeiro (MAM) e de Nova York (MoMa), entre outros.

Nesses tempos difíceis conviver algumas horas com uma pessoa desse naipe é um bálsamo para o cérebro, é como ela mesmo diz em sua fantástica palestra : “não desistir de si mesmo”.

Por tudo, obrigado Nair.

Louvação a Iemanjá na Praia Grande
Santos-SP
1978
Crédito: Nair Benedicto/N Imagens

Me engana !

Texto e foto de Valéria del Cueto

A lua cheia – que a tudo ilumina e renova –  chegou para banhar entre as grades da janela a cronista reclusa e encontrou uma mensagem:

“Me engana e diz que não enxergo bem, que a miopia rouba os contornos, tira a definição e deturpa as imagens que meus olhos insistem em registar.

Me engana! E explica que através das lágrimas não vejo o fim do tempo da delicadeza e da esperança.

Me engana e jura de pés juntos (mesmo que certamente com os dedos cruzados nas costas) que a brutalidade e a violência são apenas uma miragem incrementada pelo gás lacrimogênio. O gás jogado contra os que protestam por seus mais legítimos direitos, inclusive membros da mesma corporação.

Me engana e explica como as forças da lei atiram aqui!  E ali retiram seus homens deixando os cidadãos a mercê da bandidagem…

Me engana afirmando que os que surrupiaram os sonhos, venderam nossa tranquilidade, tentam (inutilmente) sufocar a vontade de todos, não são os mesmos que hoje desprezam nossos direitos e tramam para vender o bem maior. Água é vida!

Me engana e diga que nós, que votamos obrigados entre o pior e o tão ruim quanto, somos os culpados por elegermos os bandidos quesurrupiam nosso patrimônio depois de sugarem qual vampiros nossas riquezas.

Me engana, por favor, mais uma vez e afirma peremptoriamente que é legítimo, moral e ético!

Os mesmos vendilhões e aproveitadores responsáveis por abrirem a porteira da ladroagem, mandarem às favas a Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovarem o RDC – Regime Diferenciado de Contratação, as LOAS e LDOS,  Leis de Diretrizes Orçamentárias, se locupletando e  incentivando a corrupção, são aqueles que (apesar de terem seus nomes citados nas delações premiadas  de empresários corruptos, serem  indiciados e covardemente protegidos pelo foro privilegiado de seus mandatos e, claro,  também questionados por tretas mis)  negociam a venda da CEDAE, a companhia de água e saneamento do Rio de Janeiro.

Me engana. Mas faz isso direito! Porque a minha, a nossa paciência está esgotada de tanta devassidão podridão. E, se depender da minha vontade não serei mais vítima de tanta vilania.

Serei seu algoz! Não tenho mais nada a perder…

Não me lembro de ter dado autorização para vocês venderem o meu futuro para pagarem os altos custos da incompetência e da falta de vergonha na cara.

Também não me lembro de ter passado uma procuração em branco para quem aprovou as suas contas e autorizou seus orçamentos megalômanos e descompensados. Portanto, não passei recibo nem dei moral para seus cúmplices abjetos.

Me engana, mas engana direito! Como foi feito com os órgãos que tinham a obrigação constitucional de defender e resguardar os interesses da Sociedade. Sigla, só siglas sem sentido e de pouca valia. A não ser na hora de levar seu “quero o meu”. Bancadas com os recursos dos impostos pagos pelo povo…

Me engana! E engana agora porque cheguei ao meu limite. Com todas as forças do meu conhecimento constitucional pleiteio um plebiscito para saber se o povo do Rio de Janeiro aceita entregar a CEDAE para pagar o rombo alheio.

Me engana, mas engana direito senão vou te devorar! Exatamente como você fez com os sonhos. Os meus e os de um povo inteiro!”

*Uma quinta-feira de TV ligada e a cronista (que estava quase concordando em se dar alta) teve um surto delirante. De seu reduzido espaço, entre as barras da janela, jogou a mensagem e a chave da cela para a Lua. Esta, depois de ler o recado, achou por bem não contrariar.  Jurou guardar o tesouro e garantir a sanidade da amiga. Mas não resistiu. Distribuiu aos quatro ventos em todas as suas fases o desafio lançado da mensagem: Me engana!

**Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

 

Do mural de Alberto Lins Caldas

em silencio

● assim como os olhos dos morcegos ●
● são cegos pra claridade do dia cegos ●
● são os olhos dela clitemnestra ●

● q esqueceu q a morte do homem ●
● clama irresistivelmente pela morte ●
● da mulher na balança das putas moiras ●

● ela clitemnestra não se matou ●
● agamenon rei é quem foi morto por ela ●
● o corpo torcido retalhado por espadas ●

● vejam medeia q matou jasão ●
● quando degolou os dois filhos e bem viva ●
● ficou com aqueles olhos q brilhavam ●

● quem sabe de ajax com a espada ●
● no coração no centro daquela praia ●
● pode compreender e não deixar passar ●

● assim como os olhos dos morcegos ●
● somos todos cegos demais pra claridade ●
● enquanto devoramos treva com treva ●

● a morte gloriosa deve ser aceita ●
● jamais caçada como se vai ao mercado ●
● em busca de frutas verduras e carnes ●

● espartano ou não o guerreiro se mata ●
● apenas sob os golpes frios da desonra ●
● enquanto vamos digerir treva com treva ●

● assim perdemos a sombra como a pele ●
● queimada se descama menos clitemnestra ●
● q dança nua e ri nessa noite tão opressa ●

● nela não ha a dor dos infortunios ●
● aquilo idiota destroçado foi so um marido ●
● fiquemos aqui no mercado de boca calada ●

● foram treva com trevas demais trituradas ●
● marcadas pela infamia ou pela loucura ●
● não nos cabe mais dizer o caminho ●

● nem mesmo a morte depois da vergonha ●
● vivemos outro tempo outras tantas razões ●
● engoliremos mais essa treva em silencio ●

*

Do mural de Cintia Duarte Montilla

Por Cintia Duarte Montilla

– Esconde esse absorvente
Essas espinhas
Arranca esses pelos
Da um jeito nesse seu cabelo duro
Mal cuidada
Porca

Feche esse sorriso
Sua mãe não te ensinou
Sobre o perigo de andar sorrindo na rua?
Abaixa essa cabeça
Para de encarar
Você esta chamando atenção
Assim vão achar que você esta dando mole

Delicia
Gostosa
Oh la em casa
Fecha essa boca e não reclama
Saiu de casa de saia curta
Camisa decotada
Maquiagem
Sem um homem
Tem que aguentar

Como assim não sabe cozinhar?
Você é mulher
Tem que cuidar do lar
Como assim não quer engravidar?
Você é mulher
Tem que engravidar

Faculdade? Viagem?
Mas você é mãe
Tem que cuidar
Abriu as pernas, agora não adianta
Largar na creche
Irresponsável

Mãe solteira?
O pai foi embora?
Não sabe quem é o pai?
Transou sem camisinha
Vai ter que aguentar
Vadia

Esse roxo ai
Tenho certeza que apanhou
Que teu marido te bateu
Mas você mereceu
Provocou ele
Você sabe que não pode se levantar
Mulher tem que ser submissa
O homem é que comanda o lar

Ah, mas que criança linda
É uma menina?
Toma aqui esse vestidinho rosa
Essa coberta de florzinhas
Pinta o quarto de rosa
Um rosa bem bonito
Porquê mulher é monocromática durante a infância

Ih, chegou a menarca
Essa vai dar trabalho
Ensina pra ela a se valorizar
Mulher tem que se dar ao respeito
Fala pra ela não deixar ninguém ver esse absorvente
Esse sangue sujo

Vai ter que começar a usar sutiã
Os mamilos estão aparecendo pela camisa
Que coisa horrível
Adolescente descuidada
A mãe dessa ai não ensinou nada

Foi estuprada?
Morreu no processo?
Devia estar pedindo
Sem sutiã, andava sozinha
Aquele batom vermelho
Aquela bunda enorme
Não sabe que menina tem que ficar em casa?
Deu sorte pro azar

Não foi educada
A mãe era solteira
O pai estava é certo de ir embora
Se ela era assim com a filha, imagine com o marido

Não foi respeitada
Opressão?
Imagine

Olha lá a mãe dela
Na beira do caixão
Olhando pro rosto da filha
Sem cor, sem vida
Um futuro morto antes mesmo do nascimento
Filha de mãe solteira
Sem pai, sem respeito

Morreu tão jovem
Aos 17
Uma menina tão linda
Maldita sociedade
Espero que a mãe dela aprenda a lição
E não tenha mais filhos

Suicídio?
Mas ela poderia ter começado uma vida nova
Agora que tinha perdido a filha
Poderia terminar a faculdade
Arrumar um emprego
Mas era uma fraca
Era mulher
O destino, a vida, as possibilidades
As pessoas
Cavaram a cova e jogaram ela lá dentro

Vitimismo? Preconceito?
Abuso? Agressão?
Cala essa boca e vai lavar uma louça
Você tem uma delegacia só sua
Tem seus direitos
Não luta na vida
(Mas luta na rua)
Não morre na guerra
(Mas morre em casa)

Arquitetura em Porto Velho

Por Giovani Barcelos

A arquitetura de Porto Velho merece uma discussão mais aprofundada, pois mistura estilos americano, inglês, europeu e, claro, local, com suas características vernaculares riquíssimas. Faço aqui uma colocação bem superficial, devendo ser aprofundada com tempo.
A arquitetura de Porto Velho começou o seu caminho com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Construções em madeira, adaptadas ao clima da região, fazem parte das primeiras imagens da cidade, somando-se a construções efêmeras executadas para dar suporte à construção da linha férrea. No meu entender, de alguém que mora aqui há pouco tempo, sem as láureas de muitos que tratam disso, é a principal referência de arquitetura local, somando-se aos ribeirinhos, com suas casas também em madeira totalmente adaptadas ao local.
Depois desse momento, mais local e adaptado à região, temos os estilos tardios que construíram a imagem arquitetônica que a maioria tem da cidade. Chamo de estilos tardios, pois quando chegam aqui no século XX, já não são mais os estilos utilizados nos locais que servem de imagem aos que aqui chegam. Nesse conjunto, destaco os prédios com referências neoclássicas e ecléticas. Ainda fazem parte dos estilos utilizados no Brasil no século XX o neocolonial, ainda guardando as raízes da colonização brasileira e sendo um dos estilos utilizados por Lúcio Costa antes de aderir as linhas modernas. Anterior ao modernismo temos o Art Decó (presentes em prédios na Av. Sete de Setembro) e o Protomodernismo (que observamos no Prédio do Relógio e na Escola Carmela Dutra).
A arquitetura contemporânea em Porto Velho não possui uma linha de elementos que possam caracterizá-la. Existem construções que seguem modismos com fachadas envidraçadas, inclusive voltadas para o oeste, bem como edificações que já estariam prontas, mas o profissional insiste em encher de elementos, enfim, exageros. Gosto da arquitetura residencial produzida aqui, pois mescla soluções que se adequam à região. Os conjuntos habitacionais, assim como em outras cidades, se proliferam, onde a quantidade não é acompanhada pela qualidade.
A fase mais rica que considero da arquitetura Portovelhense refere-se ao período associado a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, mas é uma discussão para outra oportunidade.

Colisão

Texto e foto de Valéria del Cueto

Olhando o navio sem conseguir distinguir onde começa a laje e por onde se estende o mar, Pluct Plact, o extraterreste, se prepara para fazer sua primeira visita do ano à sua parceira preferida, a cronista. Reclusa do outro lado do túnel. Num lugar onde a única visão exterior é a lua que, durante alguns dias do mês, derrama seus raios pelo vão da janela da cela onde está voluntariamente (vamos deixar bem claro), alojada. Cansou do mundo. Simplesmente.
Como você já deve saber, o extraterrestre veio em missão de re-conhecimento e acabou preso na atmosfera, onde se movimenta aos pulos, batendo e rebatendo a lataria cibernética de sua nave na poluição da camada de ozônio. Ela o impede de prosseguir viagem em direção a outros universos e galáxias.
Pode dizer. É muito tempo para ficar sem dar notícias. Mas, pensando bem, foi melhor assim. Melhor porque só fica pior. É cada coisa que acontece…
Como meta de ano novo tinha se proposto a só chegar pela janelinha deslizando pelo brilho do rastro da lua, quando tivesse algo realmente empolgante e alvissaro para narrar para sua querida cronista. Depois do grand finale de 2016, com aquela incrível sequência de partidas, as coisas bem que poderia cair na normalidade.
Opa! Aí, talvez, more o problema. A normalidade anda uma verdadeira aberração. E está sobrando para todos os lados. Não há trégua nessa luta dos rochedos com os mares, males e ondas traiçoeiras. A barra está pesada e o calor também. É tanto que não dá para ir à praia. Os raios UVs estão nas alturas, prometendo derreter e adoecer até as peles mais curtidas. É melhor não facilitar.
O perigo também mora nos bondes. Não dá para andar atoa por aí. Virou moda uma modalidade de “ocupação” de espaços. Primeiro nas praias, com horários mais ou menos definidos. Depois vieram a ampliação dos períodos e o aumento da área de abordagem: ônibus, ruas, estabelecimentos, o metro…
Na outra ponta, a que deveria mostrar que o crime não compensa, reina a barbárie. É guerra de gente grande manipulando e matando gente pequena. E não tem João Batista livre de condenação pelos grupos opositores. De Norte a Nordeste e dali para baixo corre o sangue das penitenciárias superlotadas. Facções lutam por espaços cada vez menos guardados e protegidos pelos responsáveis.
Os próprios e muitos outros sufocados e estrangulados pela falta de pagamento e condições de trabalho. Pezão, no Rio, só não fechou a porta do estado e jogou a chave fora porque falta depenar o pouco que restou da rapação patrocinada por seu guru e colega de primeiro escalão, habitante do Complexo de Bangu, Sérgio Cabral. Ah, Cedae, Cedae. Água é vida e é ela que saíra das mãos do Estado do Rio para pagar a bagaceira que ninguém pretende consertar. Aliviar e olhe lá…
O que tem visto é inenarrável. Não dá para contar para a amiga tudo de uma vez, na lata. É informação demais.
A ideia era parar por aqui e sobrar uns parágrafos para fazer um carinho na reclusa. Não deu.
Falta lauda para tanta informação nefasta. A última é a queda do avião bimotor que levava o Ministro do Supremo Tribunal Teori Zavascki para Paraty, com o dono de um empreendimento hoteleiro, o piloto e outras duas vítimas. Teori era o relator dos processos relacionados a Lava Jato. No momento, analisava e ia homologar em fevereiro, depois das férias forenses, os acordos de delações premiadas dos executivos da Odebrecht. Elas envolvem mais de uma centena de nomes de políticos dos mais variados matizes…
A região da queda remete ao desparecimento do helicóptero com Ulisses Guimarães, Dona Mora e o casal Severo Gomes. O avião lembra o acidente de Eduardo Campos. Os motivos? Poderiam ser associados a várias ocorrências inexplicáveis. De JK a Celso Daniel. Ou ter sido apenas um trágico acidente.
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Mais amor por favor !

Texto e foto de Valéria del Cueto

Gosto de escrever textos leves, engraçados e, mesmo nas piores situações, poéticos. Mas tem hora que não dá para ser nessa levada. É preciso falar sério. Este é o caso. O papo tem que ser reto.

O assunto começa no carnaval. Mas o tema desse enredo, não é exatamente propício para o ambiente da maior festa popular do mundo. Uma festa carioca, popular,  plural! E famosa por não aceitar ali, qualquer forma de censura.

O maior exemplo é o espetacular episódio do Cristo Mendigo coberto por ordem judicial a pedido da Igreja. Foi revelado pelo povo do samba em plena Sapucaí no desfile da Beija-Flor na comemoração do seu campeonato. O enredo nilopolitano de Joãzinho Trinta, em 1989, era “Ratos e urubus, larguem a minha fantasia”. Captou? A sequência narrada pelo querido Fernando Pamplona, cujo link faço questão de colocar aqui, é inesquecível. https://youtu.be/ykt0KMvgbDU

Dito isso, vamos brincar de telefone sem fio. Aquela brincadeira em que uma pessoa diz uma coisa no ouvido da outra, que repete pra uma terceira, que manda no pé da orelha a informação pra frente. Do outro lado da linha, alguém diz em voz alta o recado que recebeu…

Nas primeiras manifestações, o tom usado para “discutir” o  enredo da Imperatriz Leopoldinense “Xingu, o clamor que vem da floresta, já indicava que  ia “dar ruim”. A senha, desde o primeiro comentário, era: vamos brigar, xingar, partir pra dentro. Assim.

Não demorou para que as informações desencontradas e incorretas tropeçassem nas próprias pernas. Após o apelo, que funcionou como um tiro perto de uma boiada, começou o achismo e, com ele, bateção de cabeça.

Exemplo? Alguém “pesca” na rede a informação de que os queridos Zezé di Camargo e Luciano eram convidados do carro de som da escola de Ramos. Alvo achado, mira feita e tiro dado. A patrulha botou as manguinhas de fora e, ouvindo o galo cantar sem saber onde, “patrolou” a dupla sertaneja. Diz nota oficial do Pres. do Sindicato Rural de São Gabriel e Vice Pres. da Farsul, a Federação de Agricultura do RS:

“…Curiosamente, o site da escola anuncia como “puxadores” convidados, os artistas Lucy Alves e Zezé di Camargo & Luciano. Ela, que faz música com sotaque rural, e eles, que nunca recusam oportunidade de faturar em exposições-feiras, como a de São Gabriel, no ano passado. O músico e produtor Zezé pode até achar bonito o discurso que coloca o produtor rural como inimigo do indígena, mas imagino que não coloca suas terras de Goiás à disposição da União para fazer reservas indígenas. E viva o Brasil do Carnaval, da ignorância histórica e da desinformação

 A resposta veio do próprio Zezé de Camargo. O texto não está completo por falta de espaço. Basta dar um “google” para lê-lo. Diz ele, entre elogios ao setor:

 “ fiquei surpreso ao ser citado, ironicamente e de forma equivocada, pelo presidente do Sindicato Rural de São Gabriel Vice Presidente do Farsul.

Caro Sr Tarso Teixeira, também é ignorância afirmar o que não se tem conhecimento. Nunca fui convidado para ser o puxador do samba enredo da Imperatriz Leopoldinense. Nem eu nem o meu irmão Luciano. Tenho muito carinho pela escola que homenageou a minha família no ano passado. Mas não temos ingerência sobre temas que a Imperatriz possa criar e abordar. Se tivéssemos, garanto com toda a convicção, que mostraria aos membros da escola que a maneira como estão colocando o agronegócio não condiz com a realidade… …E como quem faz alegria vive de magia, é fato que não existe maldade na homenagem, mas falta de informação. Cabe então, a nós, simples mortais, porém que conhecemos este outro lado da moeda, mostrarmos para os criadores do samba, em tom de paz (não de guerra) que a nossa Terra se faz com a força e garra daqueles que produzem o espetáculo que reluz diante de meu Brasil gerado pelo agronegócio.”

 Depois dessa aulasobre diálogo e gentileza, segue a novela com direito a fervura até o dia do desfile. Nas cenas dos próximos capítulos o senador Ronaldo Caiado promete uma audiência no Senado Federal para fazer uma devassa nas contas da agremiação carnavalesca que ousou desagradar o agro. Parece reprise, não é?

 *Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Uma prece para Manuel Messias Viveiros

Quem me conhece sabe que  não sou muito de pedir essas coisas. Mas acontece que eu também reconheço a força que as preces tem, independente da religião ou credo.

E essa prece, que poderia ser solitária , é compartilhada com o imenso número de amigos em comum que temos e vai para um grande companheiro que partiu por complicações do diabetes, o Messias, da Samf.

Vibremos positivamente em favor desse magistral ser humano, que a todos encantava com seu violão e seu papo bem humorado.

A sua amiga Helenice Guimarães assim escreveu no Facebook : ” Compreender os propósitos de Deus, realmente pode ser uma tarefa bem difícil, principalmente quando perdemos amigos queridos. Hoje a tristeza bate mais uma vez na minha porta anunciando a perda de mais um amigo Manuel M. Viveiros Viveiros. ”

Na foto, Messias faz um show no Mercado Central, durante o lançamento do meu Vocabulário Popular de Porto Velho, em 1997.

Que seus novos caminhos sejam iluminados, Messias !

Mato Grosso em nova polêmica carnavalesca no papel de vilão

Texto e foto de Valéria del Cueto

Dá para acreditar? Todo mundo no mesmo saco, um estado inteiro no erro? Nada disso!

Assim se criam as polêmicas virais. Uma informação retirada do contexto. A afirmação categórica que a unidade é o todo. Com um tom de indignação se desconstrói o conceito previamente deturpado.

Enredo pobre e medíocre é assim. Eis a indignada manchete com o conteúdo seguindo o script: “Escola de samba do RJ vai criticar agro na Sapucaí”. As reações nas redes sociais, diante do apresentado, foram superlativas. Negativas em sua esmagadora maioria. Com ampla utilização de termos chulos, preconceitos variados explícitos e assinados contra a escola, o carnaval, o povo carioca e o Rio de Janeiro como um todo. Só a página que repercutiu o alerta indignado original teve mais 700 comentários até o fechamento desta edição. Muitos impublicáveis em veículos de comunicação.

Agora, o Rio é a Geni. Aquela em que jogam pedras depois de vários enredos carnavalescos, patrocinados ou não, muito bem-sucedidos sobre o agronegócio.  “Parábola dos Divinos Semeadores”, em 2011, pela Mocidade Independente de Padre Miguel (CNA). “A Vila canta o Brasil, celeiro do Mundo”, deu o último campeonato à azul e branca, em 2013 (Basf). O vice-campeonato de 2016 foi da Unidos da Tijuca com “Semeando Sorriso, a Tijuca festeja o solo sagrado”.

Foi neste último que vimos passar pela avenida as matas seriam derrubadas, aradoscolheitadeiras,  aviões agrícolas para aplicação de defensivos. E, sim, uma fantasia similar a uma das que estão causando protestos. As composições de carro com lindas larvas do último carnaval reaparecem numa ala chamada “fazendeiros e seus agrotóxicos”. Mas lá podia…

“Olhos da cobiça” e “Doenças e pragas” fantasias de alas comerciais, são apresentadas como provas cabais de que com o enredo de 2017 a Imperatriz é inimiga mortal do agronegócio. Três fantasias num universo de mais de 30 alas num total 5 mil componentes fazem o link megalômano, um canal suficiente para defenestrar e destruir o universo inteiro do carnaval e botar no mesmo balaio de (pré)conceitos todos os envolvidos no processo e adjacências.

Mas afinal, qual o enredo da escola de Ramos? “Xingu, o clamor que vem da floresta”. Cá entre nós, serão todos os agricultores do Brasil os vilões citados no samba enredo que diz que “o belo monstro rouba a terra de seus filhos, devora e seca as matas e seca os rios, tanta riqueza que a cobiça destruiu”? Ou seria… Belo Monte, a usina hidrelétrica?

O que será pior: quem veste a carapuça de destruidor do meio ambiente ou quem deveria reconhecer que, por não ter feito a lição de casa, novamente a nota de interpretação de texto não dá pra passar de ano?

 A direção da Imperatriz Leopoldinense não vai se manifestar sobre o episódio.


Com a palavra Cahê Rodrigues, carnavalesco e autor do enredo da Imperatriz Leopoldinense

Você esperava uma reação dessa proporção do “agro” ao  enredo?

Sempre me preocupo muito com uma mensagem de amor e paz. Fujo de todo tipo de polêmica, de agressão ao próximo. Eu nunca fui um carnavalesco de entrar em polêmicas. Desde o início o objetivo desse tema foi exaltar os povos do Xingu dando voz a esses índios que lutam durante tanto tempo, tantas décadas, em prol da sua liberdade, do respeito com a sua terra, pela sua cultura, pelo seu povo. A proposta do enredo da Imperatriz é uma exaltação aos índios do Xingu. Eu realmente não esperava, uma repercussão negativa na área do agronegócio.

O enredo do Xingu é um enredo patrocinado?

Esse ano a Imperatriz não teve nenhuma proposta de enredo patrocinado. Trouxe três ideias de enredo como eu sempre faço. E, é claro, que eu tinha um carinho especial por esse tema do Xingu, porque já era um desejo meu de um dia poder exaltar os índios em algum dos meus enredos.

O agronegócio é um tema muito explorado no carnaval carioca…

Várias escolas já fizeram carnavais muito bem-sucedidos homenageando o agronegócio. A própria Imperatriz, no último carnaval fez uma homenagem a vida do sertanejo, a vida do caipira. Exaltou o trabalho do agronegócio, dos agricultores, na figura do caipira, do homem do campo e com muito orgulho levou essa história para o sambódromo.

Alguém do setor te procurou para dialogar ou pedir informações sobre a abordagem do enredo?

Ninguém me procurou pessoalmente, podem ter procurado a assessoria de imprensa da escola. Para mim ninguém ligou. Acho um pouco demais e desnecessária a posição agressiva de algumas pessoas que desconhecem a proposta de carnaval da Imperatriz e estão falando bobagens e coisas sem sentido, agredindo o carnaval da Imperatriz e o carnaval carioca.

Essas pessoas realmente não devem ter conhecimento da grandiosidade que essa festa representa para o país, o número de empregos que o carnaval gera o ano inteiro. Eu não tenho o que falar, o que responder para essas pessoas que realmente estão a fim de aparecer e de agredir desnecessariamente uma escola que está fazendo um projeto lindo, um projeto de respeito ao ser humano.

Um projeto que pretende exaltar não só os índios do Xingu, mas todo indígena brasileiro. Esse enredo é uma ode a todos os índios do Brasil, não só os índios do Xingu e, infelizmente, eu não tenho como mudar a história. A proposta do enredo não é agredir ninguém, mas eu não vou omitir nem vou deixar de mostrar na avenida aquilo que de fato agride, sim, a vida do índio. Ele depende da floresta para sobreviver, depende da água para pescar o seu peixe e o índio depende do ar puro para respirar assim como todos nós. O índio depende desse verde. Por isso o clamor da floresta que a Imperatriz vai levar para a avenida é para que todos possam olhar para as nações indígenas do Brasil com respeito e com o carinho que eles merecem.

Compositores: Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna

 

BRILHOU… A COROA NA LUZ DO LUAR!
NOS TRONCOS A ETERNIDADE… A REZA E A MAGIA DO PAJÉ!
NA ALDEIA COM FLAUTAS E MARACÁS
KUARUP É FESTA, LOUVOR EM RITUAIS
NA FLORESTA… HARMONIA, A VIDA A BROTAR
SINFONIA DE CORES E CANTOS NO AR
O PARAÍSO FEZ AQUI O SEU LUGAR
JARDIM SAGRADO O CARAÍBA DESCOBRIU
SANGRA O CORAÇÃO DO MEU BRASIL
O BELO MONSTRO ROUBA AS TERRAS DOS SEUS FILHOS
DEVORA AS MATAS E SECA OS RIOS
TANTA RIQUEZA QUE A COBIÇA DESTRUIU

SOU O FILHO ESQUECIDO DO MUNDO
MINHA COR É VERMELHA DE DOR
O MEU CANTO É BRAVO E FORTE
MAS É HINO DE PAZ E AMOR

SOU GUERREIRO IMORTAL DERRADEIRO
DESTE CHÃO O SENHOR VERDADEIRO
SEMENTE EU SOU A PRIMEIRA
DA PURA ALMA BRASILEIRA

 

JAMAIS SE CURVAR, LUTAR E APRENDER
ESCUTA MENINO, RAONI ENSINOU
LIBERDADE É O NOSSO DESTINO
MEMÓRIA SAGRADA, RAZÃO DE VIVER
ANDAR ONDE NINGÚEM ANDOU
CHEGAR AONDE NINGUÉM CHEGOU
LEMBRAR A CORAGEM E O AMOR DOS IRMÃOS
E OUTROS HERÓIS GUARDIÕES
AVENTURAS DE FÉ E PAIXÃO
O SONHO DE INTEGRAR UMA NAÇÃO
KARARAÔ… KARARAÔ… O ÍNDIO LUTA PELA SUA TERRA
DA IMPERATRIZ VEM O SEU GRITO DE GUERRA!

SALVE O VERDE DO XINGU… A ESPERANÇA
A SEMENTE DO AMANHÃ… HERANÇA
O CLAMOR DA NATUREZA
A NOSSA VOZ VAI ECOAR… PRESERVAR!

O link para baixar o áudio está aqui: http://www.imperatrizleopoldinense.com.br/odesfile.html

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Tem trem cuiabano na memória verde e rosa…

Texto e foto de Valéria del Cueto

Meus caminhos levam ao samba. E ele passa pela Estação Primeira de Mangueira. A escola verde e rosa completa seus 90 anos em 2018 e já se agita animada para a comemoração.

Um passo importante na preparação dos festejos é a reabertura, após 10 anos, do Centro de Memória Verde e Rosa. Ele fica no terceiro andar do Palácio do Samba, a quadra da escola, junto ao Auditório Dona Zica, a sala de cinema Carlos Cachaça e Biblioteca Dona Neuma.

Aberto em 1999, na gestão do presidente  Elmo José dos Santos, tem um acervo composto por objetos queridos dos mangueirenses que narram a história da escola e da comunidade. Lá estão expostos fotos, fantasias, instrumentos musicais, incluindo o saxofone de Mestre Pixinguinha e o surdo do primeiro desfile da escola,  revistas e jornais, como a primeira edição de “ A voz do Morro, publicação criada numa favela, em 1935, e outras preciosidades.

Imaginem a emoção e alegria dos convidados do Vice-Presidente Cultural, Paulo Ramos, um dos responsáveis pela revitalização do  espaço de referência para pesquisa, educação, documentação e comunicação, considerado um “território de cultura encravado no pé do Morro da Mangueira”.

Uma parte do Centro foi atualizado, incluindo a conquista do último campeonato, o de 2016, com o enredo homenageando Maria Bethânia, “A menina dos olhos de Oyá”.

Também foi renovado o painel que fica diante da porta de acesso do Centro de Memória Verde e Rosa. E ele é a causa desta crônica natalina.

Outro dia, os jornais de Mato Grosso publicavam que o VLT poderá ser construído em duas etapas e que a primeira irá do aeroporto, em Várzea Grande, ao Porto. Conclusão: por mais um capricho do destino, Várzea Grande terá um VLT antes de Cuiabá. Ô trilho difícil!

Pensa no trem. Sonho de Vicente Vuolo. Aquele que quase chegou á Cuiabá. A locomotiva que acabou “puxando” a exuberância da capital de Manto Grosso pela Sapucaí para o mundo, no desfile dessa mesma Mangueira, de 2013.

É incrível que a cidade não guarde nem preserve essa memória. E que, quando vem à cabeça a reação local ao desfile verde e rosa daquele ano, a primeira lembrança seja sempre a questão do jequitibá, símbolo da escola citado no samba e tão criticado por estar lá, já que não há jequitibá em Cuiabá. A polêmica rendeu um trem!

Esse do enredo que levou a obra do fabuloso artista plástico João Sebastião para o último carro da escola, o da Copa do Mundo. O da alegoria que, quando viu que estava chegando o final do desfile, resolveu atender sua natureza de borboletear, dificultando sua passagem pela torre de televisão na Marquês de Sapucaí. Ali, pontos essenciais foram perdidos. Mangueira e Cuiabá ficaram fora do desfile das Campeãs…

Mas a linda e arrebatadora apresentação recebeu o maior reconhecimento que poderia alcançar, diante da quebra do carro. Ganhou do júri do Jornal o Globo, o cobiçado prêmio Estandarte de Ouro de Melhor Escola do Carnaval 2013.

Para alguns cuiabanos pode ser que essa história tenha acabado e, inclusive, servido a vis propósitos políticos de quem não respeita nem avalia o que representa estar ali, na vitrine do Sambódromo Carioca, diante de centenas de milhões de espectadores. Uma pena para Cuiabá…

Mas não para a Mangueira, que sabe reverenciar sua história e, ao reabrir seu Centro de Memória escolheu, para encantar quem adentra suas portas como visitante, uma imagem do Abre Alas do desfile “Cuiabá, um Paraíso no Centro da América”.  

Gratidão por seu passado e respeito por sua história. Vamos aprender com quem pratica. Esses são meus desejos para a cidade que amo e, um ano depois dos 90 da Mangueira, em 2019, comemorará seus 300 anos. Vamos preparar a festa!   

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Texto da série “É carnaval” do Sem Fim…

Gente que encontrei por aí… Riva Pavlawski

Um grande músico de blues e companheiro nas happy hours da vida, Riva Pavlawski fez uma grande apresentação no 1ª Armazém do Porto Blues Festival junto com outras feras como Danny VincentDecio Caetano e  Luke De Held .

Se essa rua fosse minha…

Texto e foto de Valéria del Cueto

Meus caminhos levam às praias. Incluindo a rota pelo Parque Garota de Ipanema, no Arpoador. Desde que mudei para o Posto 6 acompanho interessada a construção do hotel Arena Ipanema. Ironia da vida, quando saí da Ponta, o Arena Leme estava sendo construído. Fiquei apegada aos lindos vidros espelhados. Sempre que passava pelo parque observava o canteiro de obras que ocupava uma parte do jardim do espaço público.

Se feio estava, feio ficou na época dos Jogos Olímpicos e Paraolimpícos, festas maiores do  calendário turístico de 2016. Na verdade, piorou e não foi um pouco com o fechamento da entrada pela lateral na praia. Via de acessibilidade por possuir rampas e pistas “lisas”. A partir daí, ficou apenas a travessia pelo coração do Garota de Ipanema. Irregular e cheia de árvores, recantos. Mais perigosa. Os Jogos acabaram e retiraram os tapumes do canteiro de obras. Começou a recuperação do espaço que, detonado, estava lotado de entulhos da construção do empreendimento turístico.

Um dia, apareceu a passagem. De ponta a ponta, na lateral do hotel. Um “passeio” reto e gradeado, já que as duas entradas para o parque foram fechadas durante as obras e a rampa de concreto de acessibilidade retirada. Quando ia pra praia, a passagem era ótima para os dias de pressa. O passeio pelo interior do parque era perigoso e mais longo.

Domingo foi assim. Optei pela passagem lateral. Quando cheguei no portão ele estava fechado, mas não cadeado. Estranhando, entrei. Já na altura da entrada de serviço do hotel fui alertada que não poderia passar por ali por ser uma rua privativa e estar fechada ao público durante os finais de semana. Sabe quando passa pela sua cabeça um filme? Pois é. O enredo e a produção eram cuiabanos. A rua ficava no Porto e negócio, feita por um prefeito, foi revisto depois…

Na volta da praia ao atravessar novamente por dentro do parque “perguntadeira”, fui assuntando com salva vidas, guardas municipais e PMs que estavam de serviço (muitos, era domingo), se sabiam e o que achavam da medida. Unanimidade. Os guardiões afirmavam que estava complicado para quem passava e era obrigado a ir pelo parque. Tanto na acessibilidade quanto no quesito segurança. E ninguém sabia informar como a rua havia virado privativa.

Para me inteirar melhor na segunda feira fiz um passeio fotográfico com o apoio de um guarda municipal. Os cenários e recantos se estivessem bem conservados seriam espetaculares! Mas, hoje, não dá para ficar dando sopa com um aparelho qualquer no pedaço. Publiquei as fotos no Instagram. Fazem parte da série #ValeRio2016. Uma das mostram o antes, o durante e o depois dos megaeventos cariocas. Por definição, assim como foi no Pan e na Copa, estamos no #justafter, o legado.   

Caí dentro na internet atrás de informações. Já com o suficiente nas mãos procurei o marketing do grupo Arena que me encaminhou para o gerente geral do Arena Ipanema. Douglas Viegas é um gentil cavalheiro da hotelaria carioca. Morador de Copacabana e, portanto, disposto a uma boa conversa, a dar as explicações disponíveis e ouvir ponderadamente a demanda. Explicou que o Arena Ipanema adotou o parque. Fazia a revitalização e conservação do mesmo. Também me disse que havia uma decisão, tomada pela Associação dos Moradores, Região Administrativa, PM e Guarda Municipal, de que o parque funcionaria de 6 da manhã às 20h. Perguntei se haveria horário de verão, mas ele disse que não. Concluí com meus botões: não consultaram os esportistas! Surfistas madrugam e a volta pela Francisco Otaviano atrasa ainda mais o mergulho matutino. O mesmo acontece quando o sol se põe mais tarde, no verão. Nada de cortar caminho… Parece que a decisão de fechar a rua rolou numa reunião dessas. Mas, como Douglas não lembrava a data, fiquei de enviar essa e outras perguntas por email. Na saída aproveitei e mostrei as fotos que fiz da reforma do parque, hashtag #sosparquegarotadeipanema, sugerindo sutilmente que alguém do hotel dê uma fiscalizada na qualidade dos trabalhos.

Onde quero chegar com essa prosa? A um final feliz. Na mesma tarde recebi um convite para fotografar a passagem no próximo sábado. Segundo Douglas, ela estará aberta ao público em geral e aos que precisam de acessibilidade para chegar ao Arpex, o paraíso carioca…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Texto da série “Arpoador” do Sem Fim…

Piloto que sobrevoava o local revela os últimos diálogos da torre de controle com avião da Chapecoense

chapeAudio divulgado por fontes colombianas mostram os momentos previos do choque do avião que transportava a Chapecoense.

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A história me absolverá…Morre o maior líder político do século XX

fidel_castro_-_mats_terminal_washington_1959

Ele falou isso aos 26 anos, quando ainda era um jovem revolucionário.

Depois do ataque ao quartel Moncada de Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953, e depois de passar 76 dias “preso em uma cela solitária”, como denunciou na época, ele fez a própria defesa no julgamento. E encerrou com estas palavras:

“Sei que a prisão será dura como nunca foi para ninguém, cheia de ameaças, de enfurecimento ruim e covarde, mas não a temo, como não temo a fúria do tirano miserável que arrancou a vida de 70 dos meus irmãos. Condene-me, não importa, a história me absolverá.”

Fidel Castro foi condenado no dia 16 de outubro daquele mesmo ano. Depois de passar 22 meses na prisão, foi libertado graças a uma anistia e partiu para o exílio no México.

Fidel Alejandro Castro Ruz  (Birán, 13 de agosto de 1926 — Havana, 25 de novembro de 2016, o Fidel Castro, foi um político e revolucionário cubano que governou a República de Cuba como primeiro-ministro de 1959 a 1976 e depois como presidente de 1976 a 2008. Politicamente, era um um cubano nacionalista e marxista-leninista. Ele também serviu como Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba de 1961 até 2011. Sob sua administração, Cuba tornou-se um Estado socialista unipartidário; a indústria e os negócios foram nacionalizados e reformas socialistas foram implementadas em toda a sociedade. Castro morreu em Havana na noite de 25 de novembro de 2016, aos 90 anos.

Nascido em Birán como filho de um rico fazendeiro, Castro adotou a política anti-imperialista de esquerda enquanto estudava direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra os governos de direita na República Dominicana e na Colômbia, planejou a derrubada do presidente cubano Fulgencio Batista, lançando um ataque fracassado ao Quartel Moncada em 1953. Depois de um ano de prisão, viajou para o México onde formou um grupo revolucionário, o Movimento 26 de Julho, com seu irmão Raúl Castro e Che Guevara. Voltando a Cuba, Castro assumiu um papel fundamental na Revolução Cubana, liderando o movimento em uma guerra de guerrilha contra as forças de Batista na Serra Maestra. Após a derrota de Batista em 1959, Castro assumiu o poder militar e político como primeiro-ministro de Cuba. Os Estados Unidos ficaram alarmados com as relações amistosas de Castro com a União Soviética e tentaram sem êxito removê-lo através de assassinato, bloqueio econômico e contrarrevolução, incluindo a invasão da Baía dos Porcos em 1961. Contra essas ameaças, Castro formou uma aliança com os soviéticos e permitiu que eles colocassem armas nucleares na ilha, o que provocou a Crise dos Mísseis de Cuba – um incidente determinante da Guerra Fria – em 1962.

Adotando um modelo marxista-leninista de desenvolvimento, Castro converteu Cuba em uma ditadura socialista sob comando do Partido Comunista, o primeiro no hemisfério ocidental. As reformas introduziram o planejamento econômico central e levaram Cuba a alcançar índices elevados de desenvolvimento humano e social, como a menor taxa de mortalidade infantil da América, a erradicação do analfabetismo e da desnutrição infantil, mas foram acompanhadas pelo controle estatal da imprensa e pela supressão da dissidência interna. No exterior, Castro apoiou grupos anti-imperialistas revolucionários, apoiando o estabelecimento de governos marxistas no Chile, Nicarágua e Grenada, além de enviar tropas para ajudar os aliados na Guerra do Yom Kipur, da Guerra Etío-Somali e da Guerra Civil Angolana. Essas ações, aliadas à liderança de Castro no Movimento Não Alinhado de 1979 a 1983 e ao internacionalismo médico cubano, melhoraram a imagem de Cuba no cenário mundial e conquistaram um grande respeito no mundo em desenvolvimento. Após a dissolução da União Soviética em 1991, Castro levou Cuba ao seu “Período Especial” e abraçou ideias ambientalistas e antiglobalização. Na década de 2000 ele forjou alianças na “onda rosa” da América Latina e assinou a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América. Em 2006, transferiu suas responsabilidades para o vice-presidente e irmão Raúl Castro, que assumiu formalmente a presidência em 2008.

Castro era uma figura mundial controversa e divisiva. Ele foi condecorado com vários prêmios internacionais e seus partidários o elogiam por ter sido um defensor do socialismo, do anti-imperialismo e do humanitarismo, cujo regime revolucionário garantiu a independência de Cuba do imperialismo estadunidense. Por outro lado, os críticos o classificam como um ditador totalitário cuja administração cometeu múltiplos abusos ao direitos humanos,  Através de suas ações e seus escritos, ele influenciou significativamente a política de vários indivíduos e grupos em todo o mundo.

Marcha combatiente por el Malecón y frente a la oficina de intereses de EEUU en Cuba en protesta por las medidas que quiere imponer George W. Busch a Cuba para la transcición a la democracia. La misma estuvo presidida por el Comandante en Jefe Fidel Castro Ruz y también participó el genewral de ejército Raúl Castro Ruz. (foto:Juvenal Balán) 14.05.04 SINA01N0

com Wikipédia e Granma

Túnel do Tempo : Locomotiva Cel. Church da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

ft_01 ft_02 ft_03 ft_04A velha locomotiva nº 12, a “Coronel Church” , nome dado em homenagem ao coronel norte-americano George Earl Church, que em 1872 idealizou a ferrovia, foi a primeira máquina a chegar na Amazônia, trazida pela firma “P & T Collins” em 1878. Após a desativação em 1972, a locomotiva permanecia nas dependências do 5º Batalhão de Engenharia e Construção – o 5º BEC. (em Porto Velho, capital de Rondônia) de onde foi removida para o museu, ganhando nova pintura nas cores originais. Ano de 1981