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Geopolítica da Intervenção : a história da Lava Jato

Quais as reais motivações daquela que se proclamou a maior operação de combate à corrupção do Brasil? Em Geopolítica da Intervenção – a verdadeira história da Lava Jato, publicado pela Geração Editorial, o advogado e cientista político Fernando Augusto Fernandes afasta as especulações e revela os bastidores sob a ótica de quem viveu alguns dos episódios decisivos da investigação.

Como advogado defensor do presidente do Instituto Lula, Fernando Fernandes foi redator e signatário do habeas corpus pelo qual obteve a decisão de soltar Lula em 2018, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre (RS). Foi também ele o relator da reclamação no STF – Supremo Tribunal Federal, que permitiu a toda a imprensa entrevistar o ex-presidente.

Princípios como estes, de liberdade e justiça, nortearam este profícuo trabalho de pesquisa, fundamentado pelo registro de documentos, links de vídeos na internet, matérias jornalísticas, processos, somados os relatos do autor, testemunha ocular dos acontecimentos.

O título da obra – Geopolítica da Intervenção – decorre da forte influência norte-americana desde o período pós-segunda guerra. Reside, aí, a questão central abordada por Fernando Augusto Fernandes: os interesses ocultos dos Estados Unidos na Lava Jato. O “Grande Irmão” merece não só um, mas alguns capítulos sobre as ações de espionagem e vigilância global, que incluem a cooperação do juiz Sérgio Moro.

A forma autoritária e em desrespeito às decisões do SupremoTribunal Federal não eram novas para Sérgio Moro. O juiz havia determinado a monitoração do advogado e professor Cezar RobertoBitencourt para a sua defesa. Fez uma trajetória não só de cooperação internacional com autoridades estrangeiras, mas também de atitudes heterodoxas no Direito, a exemplo da perseguição aadvogados. (Geopolítica da Intervenção, p. 88)

Geopolítica da Intervenção traz informações fundamentais para a compreensão não somente da Lava Jato, mas dos eventos que desencadearam a instabilidade que afasta o Brasil da plena democracia. Uma obra para o leitor refletir sobre os destinos do país, no exato momento em que a operação começa a esmorecer.

Quem me navega

Texto, foto e vídeo de Valéria del Cueto

Ah… querida cronista voluntariamente recolhida em sua almofadada cela do outro lado do túnel. Cada vez compreendo mais sua atitude tão fora do comum na ocasião.

Nosso conhecimento vem daquela época quando – lembro bem – Eike Batista orgulhosamente ancorava seu iate na Enseada de Botafogo. Cheguei a mencionar (acho que foi a primeira tentativa alienígena de fazer uma piada) a proximidade dos dois alojamentos. O dele, al mare, e o seu, no PINEL.

Tanto tempo sem comparecer ao encontro transportado pelo raio de luar que ilumina, pelas barras da janela, sua morada e eu aqui fazendo rodeio para dizer que estou quase lá, com mais de 80% de download de humanidade. Seja lá o que isso significa.

Tenho visto coisas que Deus não só duvida, como qualquer divindade do bem abomina. Feitas descarada e monetariamente com seu santo nome usado em vão. Tipo tirar dinheiro de impostos devidos da boca do povo carente e mergulhado na crise. Acredite, falam de bilhões. No Rio de Janeiro, Bezerra da Silva é uma das poucas unanimidades. Se gritar pega ladrão, a começar por todas as esferas do poder público, em todos os níveis, não fica quase nenhum, meu irmão.

A incorporação quase geral e sem precedentes desse, digamos, “way of life” veio com uma reação planetária visceral aos abusos cometidos e alertas não atendidos. Foi no enjaulamento compulsório coletivo que houve um passo decisivo para nossa mútua adaptação. O encarceramento provocado pela Covid-19 é o exemplo e, agora, a desculpa para os tropeços provocados pelo chega pra lá que o planeta nos dá.

Do macro ao micro os fatos estão aí para provar para quem quiser conferir. Quem nos navega, já desvendou o poeta, é o mar de dúvidas e incertezas em que estamos mergulhados. Presos, no máximo, a uma boiazinha ligada a sabe-se lá o que no meio desse denso nevoeiro.

Me incluo nessa, um extraterrestre que se comunica por um feixe de luz lunar com uma cronista reclusa. Que mar, maré, marola é essa? Explica aí para Pluct Plact, aquele que não consegue forças em seus motores para atravessar a barreira de ozônio? É tipo um movimento cósmico do contra que impede – não, modifica, o rumo dos planos imaginados e decisões tomadas. Não, ninguém vai por aí…

E vale para os grandes e pequenos projetos. Das viagens interplanetárias aos relatos que andam escassos para você, amiga. Não navego nem o meio ideal para emendar essas palavras. Queria o caderninho para manter seu ritual, me conformei em digitar, mas a sede de cócegas da aspereza da caneta no papel venceu. Deu uma pernada na máquina. Ela acabou rateando.

Eis-me aqui, escrevinhando afeto e evitando as notícias em geral. Jurei que não vou me aprofundar nessas questões, mas não posso deixar de inserir informações que situem esse relato no tempo e no espaço.

Mais uma vez estamos envolvidos pela fumaça das queimadas. Elas fazem parte do rol de proezas dos fanáticos negacionistas. Não há fogo, vacina não é necessária e sim, a terra é plana. No caso das queimadas da Amazônia e do Pantanal até general, vice e presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, faz parte do bloco da Nega Luzia, a que queria tocar fogo no morro. Nero anda tocando harpa por aqui enquanto observa o preço do arroz chegar nas alturas. Estamos importando! Cá pra nós é apenas a ponta do iceberg. Já se avista nas alturas o milho das rações, o trigo do pão e o algodão das roupas. Aí meu etanol!

Os sinais da passagem, tempos atrás, de várias patrulhas visitantes de outras galáxias foram observados em diversos pontos do planeta. Agora não se ouve mais falar das incursões. Como a esperança é a última que “morde”, atribuo a falta de contato visual as dificuldades de adivinhar os sinais no meio do fumacê. Minha mensagem para meus companheiros está pronta para ser encaminhada pelo primeiro alienígena que cruzar o radar embaçado da nave mãe. Nela, peço passagem e carona no rabo do cometa para dois. Lhe incluo nessa, já aviso.

Até lá, vamos seguir devagarinho deixando o mar dos acontecimentos navegar como se fosse nos levar. Será pra onde?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Homenagem a Salvador Allende em um Chile diferente #AllendeVive

A grande marcha  em homenagem ao ex-presidente Salvador Allende e às vítimas do pinochetismo que ocorre todos os anos não acontecerá em 2020 devido à pandemia.

Que estranho paradoxo sobre Allende, apontou o escritor chileno Antonio Skármeta: “Um homem que teve três funerais e se mantém muito vivo no coração de seu povo”.

Relembrando…

Dois atentados. Dois fatos históricos diferentes. O do Chile foi cometido há 32 anos e anda meio esquecido. Vale relembrá-lo.
Em 11 de setembro de 73, a mais sólida democracia da América do sul sofreu um atentado que deixou uns 30 mil mortos no seu rasto. O Chile foi vítima de um golpe militar, perpetrado pelas três Forças Armadas, com o objetivo de quebrar a esperança de se construir um país socialista pela via eleitoral.
Salvador Allende, após três derrotas, venceu as eleições presidenciais em 1970. O imperialismo americano não podia permitir que a “via chilena para o socialismo” vingasse e fosse um exemplo para a América Latina. Por isso, junto com a burguesia chilena conspirou e chamou os militares para acabar com aquela experiência. Allende foi derrubado. O Palácio de la Moneda, assim como várias fábricas onde estavam trabalhadores dispostos a resistir, foram bombardeados.
Com o golpe, dezenas de milhares de pessoas foram presas, torturadas e exiladas. Se calcula que de 10 a 30 mil foram assassinados ou se tornaram os famosos desaparecidos, vitimas da ditadura do general Pinochet. A esquerda foi quebrada. Com isso os Estados Unidos puderam dirigir tranqüilamente a economia chilena, sem freios. O Chile foi o primeiro país do mundo onde se implantou o projeto neoliberal. Os famosos Chicago Boys, os defensores da doutrina neoliberal, liderados pelo economista Milton Friedman ali testaram os resultados dos planos neoliberais.

Tudo isso exigiu um atentado terrorista contra a esquerda e o povo chileno que custou 30 mil mortos. Dez vezes mais do que o número de mortos no atentado em Nova Iorque em 2001, quando caíram as duas Torres Gêmeas e que, com razão, comoveu o mundo.

Victor Jara, o cantor de Venceremos

Há vários filmes dobre o Golpe do Chile de 1973. O mais recente é Machuca, mas há outros quase clássicos: ‘Chove sobre Santiago’, ‘Missing – O desaparecido’ e ‘A Casa dos Espírito’. Em ‘Chove sobre Santiago’, uma das cenas mais chocantes é a de milhares de presos, no dia 11 de setembro, amontoados no Estádio Nacional de Santiago. Muitos foram mortos sob tortura ou com um tiro na nuca ali mesmo. Outros seguiram para várias prisões ou acabaram sendo jogados vivos ao mar de aviões militares.

No estádio um dos presos era o cantor e poeta Victor Jara. Os torturadores lhe deram um violão e o forçaram a cantar o Hino da Unidade Popular que tantas vezes ele tinha cantado junto com o povo. Victor Jara teve suas mãos cortadas para nunca mais, com seu violão, cantar Venceremos.

Santa Maria de Iquique: um massacre em 1907

A matança da Escola Santa Maria, na cidade de Iquique, no norte do Chile é um dos fatos mais trágicos vividos pelos trabalhadores chilenos. Foi no dia 21 de dezembro de 1907. Foram assassinados mais de 3.000 trabalhadores do salitre, que estavam em greve por melhores salários e para que se mudasse o sistema de pagamento de vales para dinheiro.

Trecho da Cantata Santa María de Iquique, de Luis Advis

“Vamos mujer / Partamos a la ciudad.
Todo será distinto, no hay que dudar.
No hay que dudar, confía, ya vas a ver,
porque en Iquique todos van a entender.
Toma mujer mi manta, te abrigará.
Ponte al niñito en brazos, no llorará.
va a sonreir, disle cantarás un canto,
se va a dormir.
Qué es lo que pasa?, dime, no calles más.
Largo camino tienes que recorrer,
atravesando cerros, vamos mujer.
Vamos mujer, confía, que hay que llegar,
en la ciudad, podremos
ver todo el mar.
Dicen que Iquique es grande como un salar,
que hay muchas casas lindas te gustarán.
Te gustarán, confia como que hay Dios,
allá en el puerto todo va a ser mejor.
Qué es lo que pasa?, dime, no calles más.
Vamos mujer, partamos a la ciudad.
Todo será distinto, no hay que dudar.
No hay que dudar, confía, ya vas a ver,
porque en Iquique todos van a entender.”

via Prensa Latina & Núcleo Piratininga, com os meus sinceros agradecimentos a Heloisa Helena Rousselet de Alencar(Nininha), por ter me apresentado o Quilapayún, nos idos anos 70…

NR: Em estava participando do  Festival Chileno de Curtas-Metragens de Santiago, junto com meu amigo também cineasta Robinson Roberto e assistimos à estréia de um documentário chamado “Fernando está de volta.”, de Silvio Caiozzi. Muitos anos depois, Ricardo Aronovich , (diretor de fotografia de “Missing – O Desaparecido”, de Costa-Gavras ) foi meu professor num Estágio Avançado da FEMIS na UnB e nas rodas de café contou muitas outras histórias sobre o filme e a ditadura chilena.

O documentário “Fernando ha vuelto” mostra como médicas legistas trabalhando no necrotério de Santiago (Oficina de Identificación del Instituto Médico Legal) conseguem identificar os corpos de  desaparecidos prisioneiros da ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990).

Os médicos demonstram as técnicas utilizadas em um caso recentemente resolvido: os restos de um homem encontrado enterrado, junto com muitos outros, no Pátio 29 do Cemitério Geral de Santiago, em 1991.Os restos mortais são de Fernando Olivares Mori, um chileno de 27 anos de idade que trabalhava para as Nações Unidas . Ele desapareceu em  5 de outubro de 1973. Após quatro anos de trabalho, os médicos com sucesso conseguem estabelecer a identidade de Fernando e, uma vez que já voltaram seus restos mortais para sua viúva, comunicar oficialmente a causa da morte (quase sempre tortura e execução sumária). Imagens do documentário testemunham o impacto que o retorno de Fernando tem em sua família: seu filho, seus irmãos e sua mãe. Seu testemunho ilustra como quão irrelevantes as convicções políticas podem ser quando se trata de sofrimento humano.

Um momento muito tenso, porque no Cine Pedro de Valdivia estava a família de Allende e o filme trata justamente de uma ossada que é identificada e tem , finalmente, um enterro cristão. No Chile, as feridas ainda estão abertas. Quase 40 anos depois…

#AllendeVive 

Quem vem lá ?

Texto e foto de Valéria del Cueto

Hoje o assunto é a bicharada, mas não a da Flotropi. A que me cerca nesse isolamento da Covid-19. Bem aqui, na quebrada da Bulhões, quase Sá Ferreira, em Copacabana.

Depois de meses de reclusão tudo vira motivo de observação para um olhar treinado, porém acostumado as imensidões e horizontes vastos, como os das Pontas do Leme e do Arpoador.

Comecei procurando o céu pela janela do apartamento. Continuei ampliando a dimensão do voo das gaivotas e urubus que ficam rodeando o maciço do PPG (os morros do Pavão, Pavãozinho e o Cantagalo), ou cruzam de leste para oeste e vice-versa, dependendo dos bons ventos seguindo a orla carioca, na cobertura do prédio.

Pelo telhado também passam pombos, mas esses não circulam em bando, não têm um desenho de voo tão harmonioso e preferem voar mais baixo, procurando comida.

Fico pensando como estão se virando com menos gente nas ruas e, principalmente nas praias. Era lá que eles bicavam os resíduos deixados pelos “generosos” banhistas nas areias.

Também recebo a visita de um ou dois bem-te-vis. Sempre dão uma paradinha numa antena de TV de antigamente, encravada entre parabólicas de canais de HDTV.

Já consegui fotografa-los uma vez, mas costumo ser lenta no desenrolar da abertura da bolsa em busca da câmera. Foram muitas as vezes que os danadinhos me escaparam enquanto me enrolava nos zippers e cordéis da sacola de telhado, uma bolsa de praia com o conteúdo adaptado para as necessidades do banho de sol nas alturas.

Em casa costumo das bom dia a um bem-te-vi que passeia entre as floreiras das janelas. Ele saltita entre a azaleia e o pé de camélia cheio de botões que, sabe-se lá por que motivo, nunca desabrocham.

Aqui começa, justamente nele, meu exíguo contato com o mundo animal. Me dedico (sem muito sucesso) a diminuir o vai-e-vem de micro formigas que circulam e botam ovos nas folhas e brotos do pé de camélia.

Quando apertei o olhar descobri que os antúrios também andam nas mãos do exército de formigas! Minha estratégia será partir para uma pesquisa em busca do formigueiro central. Como não tenho fumo de rolo, estou lavando as folhas das plantinhas com água e sabão de coco, pra ver se espanto os batalhões.

Foi esse olhar microscópico que me fez localizar os caramujinhos e minhocas. Agora, nas plantas da área de serviço.

Essas tomam menos sol. O local é ideal para samambaias e outras espécies que preferem locais mais sombreados e protegidos do vento do mar que encana por entre os prédios.

A gente também recebe visitantes!

Outro dia, nos maços de verduras orgânicas que vieram do mercado, apareceu um mini grilo. Um filhotinho perdido. Deu até para gravar sua passagem aqui pelo quinto andar, bem verdinho e olhudo.

Partiu e, dias depois, me deixou outro “grilo”. Dessa vez na cabeça, com a notícia das nuvens de gafanhotos que passeiam pelo sul da América do Sul. Teria sido um aviso?

Bom, a última novidade foi o aparecimento de Joanita, a joaninha. Justamente no dia 25 de junho, dia de… São João, ela deu um giro pelas floreiras das janelas.

Se for um sinal, meu desejo mais profundo é que seja alvissaro. Estamos todos precisando de boas novas.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador” do SEM FIM…  delcueto.wordpress.com

Fotos para Rondônia : ação humanitária apoia povos indígenas

Mais de cem fotografias brasileiras e estrangeiras estarão disponíveis a partir desta terça-feira (01) no site da ação humanitária “Fotos para Rondônia”. A ação visa ao apoio a diversos povos indígenas e outras populações tradicionais que se encontram em vulnerabilidade frente à COVID-19, no estado de Rondônia, no sul do Amazonas e no noroeste de Mato Grosso. Esta é uma experiência emocionante que nos leva às malhas amazônicas a partir das fotografias! O projeto é construído por muitas mãos que, juntas, vão tecendo nós de histórias para que, a partir da venda de fotografias, possamos auxiliar os povos indígenas dos territórios citados no enfrentamento aos desafios impostos pela COVID-19!

Em meio à pandemia, grupos de fotógrafas e fotógrafos de várias regiões brasileiras, estão se mobilizando com a finalidade de auxiliarem suas localidades a partir da circulação, da venda e da transferência dos valores arrecadados de imagens autorais a ações especificas de apoio a comunidades e populações em extrema vulnerabilidade a situação da COVID 19; da mesma maneira surgindo o “Fotos para Rondônia”.

Todas as fotografias foram disponibilizadas de forma gratuita, por fotógrafas e fotógrafos brasileiros; registrando a forte presença de mulheres e de profissionais da região norte; assim como a presença de fotógrafos estrangeiros, enriquecendo a composição visual desta Galeria “Fotos por Rondônia”, que tem como objetivo a circulação, a venda e a destinação de 100% do valor líquido às comunidades tradicionais, indígenas e ribeirinhas que hoje se encontram em situação de extrema vulnerabilidade nesta parte do território amazônico.

As impressões serão padrão: Fine Art, 20x30cm, acompanhadas de certificado de autenticidade, com valor fixo na aquisição por imagem de R$ 150,00. O valor arrecadado será intermediado pela Associação de Defesa EtnoAmbiental – Kanindé, entidade que receberá via transferências e depósitos os recursos e cuidará dos trâmites contábeis para o direcionamento dos valores líquidos A ARTICULAÇÃO DE SUPORTE AO ENFRENTAMENTO À COVID 19 PELOS POVOS INDÍGENAS DE RONDÔNIA, SUL DO AMAZONAS E NOROESTE DO MATO GROSSO, depois de geridos os custos operacionais e logísticos.

Ressaltando que o montante arrecadado sofrerá descontos logísticos e operacionais como impostos, custos de impressão e envio. E, após esses descontos, que giram em torno de 30% do valor arrecadado, serão direcionados os 70% restantes de forma integral às necessidades das comunidades.  As impressões serão ilimitadas pelo tempo de seis meses; duração do projeto; com entrega gratuita pelos Correios em todo território nacional.

A abrangência do projeto inclui Terra Indígena Rio Branco, Terra Indígena Karitiana, Terra Indígena Karipuna, Terra Indígena Igarapé Lourdes, Terra Indígena Zoró, Terra Indígena Kwaza, Terra Indígena Tubarão Latunde, Terra Indígena Kaxarari, Terra Indígena Sete de Setembro, Terra Indígena Rio Negro Ocaia, Terra Indígena Pacáas-Novas, Terra Indígena Sagarana, Terra Indígena Igarapé Ribeirão, Terra Indígena Igarapé Lage, Terra Indígena Rio Guaporé, Terra Indígena Uru Eu Wau Wau, Terra Indígena Rio Mequens, Terra Indígena Roosevelt além dos povos indígenas em situação urbana Kassupá (São Domingos, Costa Marques e Porto Velho), Puruborá (Seringueiras, Costa Marques, Guajará-Mirim e São Francisco), Guarasugwe (Pimenteiras, Porto Velho e Costa Marques), Migueleno (São Francisco e Porto Velho), Oro Mon (Porto Velho), Paumari (Porto Velho), Karitiana (Porto Velho), Mura (Porto Velho), Parintintin (Costa Marques e Porto Velho), Sakyrabiar (Costa Marques, Guajará-Mirim), Arua (Costa Marques), Tupari (Costa Marques), Cujubim (Costa Marques), Chiquitano (Costa Marques), Canoe (Costa Marques),, Macurap (Guajará-Mirim e São Francisco) Wajuru Porto Rolim Sabane (Vilhena), Maimande (Vilhena), Terena (Vilhena), Negarotê (Comodoro e Tangará) e a Comunidade Tradicional de Nazaré, no Baixo Madeira, em Porto Velho.

Sai Juremir Machado da Silva : a lenta e triste agonia da tradicional Rádio Guaíba

foto: Wikipédia/Rodrigo Canela/CPFL Cultura, 2009

Esta simpática cinquentona, a ZYU 58, nasceu quase junto comigo e entrou no ar em 30 de abril de 1957 operando em 720 khz Amplitude Modulada (AM) ou ondas médias e também com transmissores de ondas curtas (49 metros) que atingiam todo o Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina.

Foi a única emissora gaúcha a transmitir a Copa de 58.

A Guaíba foi a rádio, que comandou a “Cadeia da Legalidade” de Leonel Brizola,  após a renúncia de Jânio Quadros e o fechamento das rádios Gaúcha e Farroupilha.

Vendida na década de 80 pelo seu criador, Breno Caldas para a família Ribeiro, de produtores de soja,  manteve as suas características originais.

Em 2007 foi negociada com o Grupo Record, do bispo Edir Macedo.

A partir daí, tentaram tirar o Correspondente Guaíba, tradicional programa noticioso, herdeiro do Correspondente Renner que ficou muitos anos no ar, mas devido à reação do público a decisão foi revertida.

No esporte, tradicional carro-chefe da emissora, quando  a dupla Grenal joga fora de casa a partida é narrada em cabine de Porto Alegre , não direto do estádio, como antes. Para o local, só vai um repórter. Salvo casos especiais. Sinal dos tempos…

Os spots comerciais e jingles são gravados, quando antes só iam ao ar lidos pelo locutor, ao vivo.

A Guaíba se modernizou e tem aplicativos para acesso por tablets e smartphones.

Mas o golpe final na velha Guaíba, cheia de características ímpares que a colocaram no coração dos gaúchos, para os seus amantes pode ter sido dado nas madrugadas.

No espaço do  “Noturno Guaíba” , programa comandado por Fernando Veronezzi (falecido em 2010) durante muitos anos e que embalava as noites e os rincões gaúchos com uma seleção musical de qualidade vem aí…..

da meia-noite às 4 da manhã um programa evangélico da Igreja Universal…

Só então , às 4 da manhã entra o “Quadrantes do Sul”, apresentado por Maria Luiza Benitez.

É claro que comercialmente a rádio não vai morrer, pelo contrário, talvez esteja numa de suas fases mais prósperas quando se fala em dinheiro, amparada pela sua milionária controladora.

Mas começa assim, devagarinho… desmontando aos poucos.

Como diria outro gaúcho fanático pela rádio ( a antiga) : bah, tchê, me preteou as banana…

A despedida neste fim de semana do mais tradicional e independente articulista da emissora, Juremir Machado da Silva, apresentador do “Esfera Pública” encerra de vez o capítulo “Tradicional Rádio Guaíba”. Professor da PUCRS, Juremir era debatedor no programa de Rogério Mendelski, o Bom Dia. Depois assumiu o Esfera Pública, ao lado de Taline Oppitz.

Agora a guaíba não passa de mais uma das milhares de emissoras evangélicas do Brasil;

Triste fim !

Projeto do PSL torna obrigatório exame toxicológico anual para professores da rede pública


O Projeto de Lei 3928/20 torna obrigatório o exame toxicológico para professores da rede pública de ensino. Em análise na Câmara dos Deputados, o texto estabelece que os exames para detecção do uso de drogas ilícitas sejam realizados antes da admissão do professor e depois anualmente.

A proposta concede ao professor direito à apresentação de contraprova em caso de resultado positivo. Confirmado o uso de droga pelo docente, ele será, conforme o projeto, encaminhado para tratamento a ser definido em regulamento, sem prejuízo de sanções administrativas.

Autor da proposta, o deputado Marcelo Brum (PSL-RS) entende que os professores “são peça chave na prevenção da dependência a drogas por terem contato prolongado com os alunos”. “Considerando esse fato, não é admissível que os profissionais do ensino possam ser, eles mesmos, dependentes de drogas ilícitas”, pontua Brum.

Nós comentários do site da Câmara onde aparece a notícia, há várias sugestões. ” Militares das três forças da mais baixa à mais alta patente, sem exceções nem para os ocupantes de cargos máximos. Políticos de todos os níveis, de vereadores a senadores.”,escreve um internauta. Outro comenta : ” Ao invés dessa lei, deveria ser criada uma lei que igualasse o salário do professor ao do deputado. E os exames toxicológicos deveriam começar pelos Deputados.”. Outro comentário é pitoresco : ” Em vez de fazer exame para detectar se o professor usa drogas !! Sugiro que crie uma lei que forneça remédio para matar os piolhos que os professores pegam nas escolas seria mais útil.”.

O exame proposto é o mesmo utilizado por caminhoneiros e motoristas de ônibus que possuem a habilitação CNH categoria D. Custa em média R$ 300 reais e demora de 20 a 40 dias para ficar pronto. O número de professores no Brasil passa de 2,5 milhões, segundo censos educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Túnel do Tempo : filmagem do documentário “Povo Amondawa”

foto : Luiz Brito

Fazendo a fotografia do filme “Povo Amondawa”, do diretor Luiz Brito. produzido entre 1992 e 1997.

A nação indígena Amondawa, ramificação dos Uru eu wau wau,  como tantas outras existentes em Rondônia, foi mais uma das vítimas do avanço da civilização através dos projetos de colonização  ocorridos no estado, a partir do final da década de 70.

Uma das principais características vividas em Rondônia naquela  época foi  o intenso fenômeno da migração trazendo consequências sociais profundas não só para as sociedades indígenas.

O filme documentário “Povo Amondawa”   com 12 minutos registrou um pouco desse processo que teve como meta principal  o progresso a qualquer custo, e que foi maléfico para os Amondawa e outros povos indígenas que não tiveram  tempo e nem direito de se pronunciar como cultura  amazônica no processo.

foto : Luiz Brito

O mundo fica mais triste. Falece Alejandro Bedotti, teatrólogo e psicólogo

Ésta é uma notícia que jamaís gostaria de postar. Faleceu no início desta noite, 18, em Porto Velho, no Hospital do Amor onde estava internado , o multiartista Alejandro Bedotti.  Argentino, radicado no Brasil, deixa os filhos Ulisses e Thalia. O também psicólogo era mímico, teatrólogo, roteirista, diretor de cinema dentre outras habilidades. Atuou como Repórter Abóbrinha no meu documentário “Porto das Esperanças” no início dos anos 90.  E principalmente era meu amigo desde 1980, quando chegamos em terras rondonienses e dividimos mesas, cervejas e boas conversas. Não há mais palavras neste momento, o mundo ficou muito mais triste…

Alto Risco

Texto, foto e vídeo de Valéria del Cueto

Troco as pontas que tanto amo, a do Leme e do Arpoador. Esclareço aos mais recentes chegados às leituras do Sem Fim que são elas, na orla carioca, os lugares que mais gosto quando penso em falar da vida.

Para isso estendo a canga, estico o raciocínio destrinchando as ideias antes de embrulhar as palavras, apertadas nas duas laudas que me cabem, e mando ver.

Sai facilzinho mais um texto @no_rumo das histórias que passam diante dos meus olhos ultimamente tão perplexos. Desde o início da pandemia perdi o direito de estacionar ao ar livre e respeitei as recomendações. Quando não aguentava mais a falta das paradas obrigatórias, fiz igual ao gato. Subi no telhado. De lá, esticando a canga de peixinhos no concreto da laje e trocando o barulho do mar pelos resmungos da água subindo para encher a caixa, fiz um esforço danado, num exercício concentrado de imaginação para manter o fio das palavras, o curso das ideias.

O tempo passou e a imobilidade me obrigou a correr mais riscos que os andares que subia pela escada de incêndio para não dividir o elevador do prédio, sob direção bolsonarista e, portanto, gerenciado na toada da gripezinha e da terra plana.

Não, não há um cuidado maior por aqui que um álcool gel para quem pede na portaria. A entrada é livre para moradores, entregadores e afins. Tanto gente como cachorro não precisam pisar em tapetes sanitizadores. Se você não pedir para abrir o portão que corre, o da garagem, ainda tem que empurrar com as mãos o menor que é de mola. E também não, ninguém protesta, ninguém reclama. Eu passo voando pelos heróis da portaria e tento ajuda-los, quando posso.

A praia me espera. No início era só caminhada e entre os passos cuidadosos na areia fofa (fortalecer as pernas com cuidados básicos para não detonar os joelhos) ia construindo mentalmente a teia de cada crônica.

Quantas vezes pensei em tirar a canga demarcatória e rezar para ser mais rápida na rabiscagem que a chegada dos fiscais, guardas municipais e PMs, que deveriam permitir apenas exercícios na orla.

O diálogo seria mais ou menos esse… “Senhora, não pode ficar na praia. Só se estiver fazendo exercícios”, diria o responsável pela ordem do alto de seu quadriciclo de fiscalização.

“É o que estou fazendo, seo guarda”, tentaria explicar perscrutando seus olhos. O rosto da autoridade semicoberto pela máscara mal colocada impediria avaliar sua expressão. “Exercito minha escrita, dando um gás na imaginação para melhor a performance literária…”

Nem tentei o argumento diante da ausência do requisito mínimo de prevenção nas faces da maioria das autoridades vigilantes, aquelas que deveriam zelar pela saúde pública e as próprias.  Sinto que esse tipo de exercício, o literário, não estaria na lista dos admitidos no decreto municipal.

Um “teje preso”, inevitável diante das circunstâncias higiênicas dos valorosos membros das corporações, não seria de modo algum adequado.

Os dias passaram as crônicas, de uma maneira ou de outra, vieram e as praias parece que um dia serão liberadas. Enquanto aguardávamos os delirantes cercadinhos que o genial prefeito Crivella prometeu implementar por aplicativo virtual, quem pôde resolveu aproveitar a liberdade provisória.

Tive que fugir das pontas para alcançar um espaço que me permitisse desenhar meus pensamentos no caderninho! O bom e velho Quase Nove foi o local menos crítico, onde reencontrei o prazer de unir o som do mar, o apito dos salva-vidas e as cócegas da caneta deslizando pelo papel.

Pela sensação de conversar com o vento e construir o texto no ritmo do murmúrio do oceano? Vale o alerta da bandeira vermelha de ALTO RISCO da ressaca que levanta o mar para os surfistas ou da Covid-19, a que baila livre, leve e mortal impulsionada pela ignorância que circula de cara limpa impunemente pela cidade que já foi maravilhosa.

Use máscara

**Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Itália deve cortar 230 deputados e 115 senadores. E a causa não é o Covid 19

A Itália deverá realizar um referendo em setembro para diminuír o número de parlamentares do seu Congresso. Serão 230 deputados e 115 senadores a menos. E a causa não é a Pandemia de Covid 19. O assunto já tinha sido discutido em 2019, ficando o referendo marcado para março de 2020, este sim transferido para setembro por conta da Covid 19.

E daí, o que vc acha da idéia ?

Sem Covid 19, Cuba elimina lista restritiva de atividades comerciais privadas e amplia turismo

Pela 1ª vez em 130 dias, Cuba anunciou  que não há novos casos domésticos de covid-19, à medida que a maior parte do país passou para a fase final visando à retomada de atividades, com uso de máscaras e distanciamento social.

Francisco Duran, chefe de epidemiologia do Ministério da Saúde, que atualiza o país diariamente sobre a pandemia, tirou a máscara durante a transmissão nacional para dar a boa notícia.

A maior parte da ilha do Caribe, onde vivem 11,2 milhões de habitantes, está livre da doença há mais de 1 mês.

“Eu sempre digo para você ficar seguro em casa, mas eu sei que muitos hoje vão à praia”, disse Duran, sorrindo, lembrando à população a importância de manter o distanciamento social.

Os 2,2 milhões de habitantes da capital permanecem na 1ª fase de 3 estágios de reabertura, na qual eles podem usar transporte público e privado, ir à praia e outros centros de recreação e desfrutar de uma viagem à beira-mar, bem a tempo para as férias de verão.

O distanciamento social e o uso de máscaras permanecem obrigatórios na maioria das circunstâncias.

O país abriu um grupo de resorts para turismo internacional. A fase 3 amplia viagens internacionais, dependendo do risco.

O país comunista recebeu altas notas pela forma de informar sobre a pandemia. O sistema de saúde comunitário robusto e gratuito de Cuba permitiu manter o número de infecções abaixo de 2.500, com 87 mortes.

Cuba eliminará a lista de 123 atividades permitidas no setor privado , uma medida amplamente exigida pelos economistas que abre novas oportunidades de negócios para empresários da ilha em um momento de grave crise econômica.

A ministra cubana do Trabalho e Previdência Social, Marta Elena Feito, anunciou na televisão estatal, embora sem especificar uma data, que essa lista de atividades será eliminada “com escopo pré-estabelecido e limitado” para permitir que indivíduos iniciem negócios. “perfil muito mais amplo”.

Na lista atual – em vigor desde 2018 -, o número de atividades permitidas é de 123 , a maioria relacionada a restaurantes, transporte e arrendamento de moradias.

Ao eliminar essa lista, os “trabalhadores independentes” (como são conhecidos os trabalhadores do setor privado em Cuba) poderão realizar outras atividades econômicas “onde o escopo é determinado com base no projeto de trabalho apresentado pela parte interessada”.

Economistas cubanos e o próprio setor privado passaram anos exigindo a eliminação da lista de atividades permitidas, considerando um empecilho para a economia do país, que passa por uma crise cada vez mais preocupante , agravada pelas mais recentes sanções dos EUA, que mantém um bloqueio total à ilha há mais de 50 anos e pela queda do turismo devido à pandemia do coronavírus.

Como alternativa, os especialistas sugeriram que o governo substituísse a lista de empregos permitidos por uma das ocupações proibidas, o que aumentaria bastante o espectro de atividades dos empreendedores na ilha.

Espera-se que setores estratégicos do Estado cubano, como saúde, educação, telecomunicações, imprensa e defesa, permaneçam vetados da iniciativa privada .

Elas serão complementadas por outras políticas que buscam garantir que os salários “constituam a principal fonte de satisfação para o trabalhador e sua família”, que geralmente procuram vincular pagamentos ao desempenho dos funcionários , eliminar restrições à remuneração e agilizar os procedimentos.

Por seu lado, o setor privado, que reúne mais de meio milhão de trabalhadores independentes que geram aproximadamente um terço dos empregos no país, foi particularmente afetado pela pandemia , pois o turismo desapareceu e o número de clientes em seus negócios.

Várias empresas reiniciaram os vôos internacionais para Havana, Cayo Coco, Santiago de Cuba e outros destinos como a Mexicana de Aviación, American Airlines , Copa Airlines dentre outras.

Além das praias estonteantes,  Cuba tem uma cultura de prestígio.
Museus por toda a ilha, dedicados aos temas mais diferentes, como: História, Revolução, música, ciências naturais, arte colonial e decorativa, armas, carros, religião, tabaco, rum, açúcar, etc. Instalações culturais e entretenimento para balé, concertos, música popular, dança, galerias de plástico. Eventos internacionais como Festival Internacional de Ballet, Festival Internacional de Novo Cinema Latino-Americano, Jazz Plaza Festival, Bienal de Havana, Feira do Livro, Cuba Baila, Las Romerías de Mayo, entre outros.
Valores arquitetônicos e patrimoniais e o bom estado de conservação de diferentes conjuntos de edifícios centenários. As fortificações da engenharia militar espanhola da época colonial podem ser vistas em muitas cidades do país.

Cuba cobre uma área de 110.992 km². É uma ilha longa e estreita, com a aparência de um jacaré, atingindo 1.200 quilômetros de extensão. Sua parte mais larga mede 210 quilômetros e os 31 quilômetros mais estreitos.
Está localizado na parte mais ocidental da Bacia do Mar do Caribe, logo na entrada do Golfo do México. Trata-se de terras longas e estreitas dispostas horizontalmente entre as duas Américas na entrada do Golfo do México, no noroeste do mar do Caribe, uma posição estratégica que, na época, o tornava um local altamente cobiçado. O arquipélago cubano é composto por mais de 4.000 ilhotas e pequenas ilhas.
Em um mapa da região, Cuba será facilmente reconhecida por seu tamanho, pois é a maior das Antilhas e, além disso, por sua forma que lembra um crocodilo. Seus territórios mais próximos são: a leste, Haiti (77 km), a oeste, Yucatan, México (210 km); para o norte, Flórida, EUA (180 km); e ao sul, Jamaica (140 km).
Cerca de 300 praias naturais de areia branca e fina e águas transparentes a privilegiam. O mais conhecido é Varadero, no entanto, existem outros semelhantes. Três grupos montanhosos, duas longas regiões de savana, vários vales conhecidos internacionalmente como Viñales, Yumurí e Los Ingenios, atravessam a ilha em sua extensão.

Águas mornas e transparentes, biodiversidade impressionante e conservação de seus ecossistemas, a grande variedade e suas diferentes formações de corais atraem os amantes do mergulho. Nas nossas águas existem cerca de 500 espécies de peixes e outras 200 de esponjas, jardins de corais, cavernas, campos gorgonianos, além de moluscos e crustáceos, algas e leques marinhos. O norte da parte central oriental, exatamente na província de Camaguey, é uma das barreiras mais bem preservadas do planeta e a apenas 2 km da costa.

Para completar o maravilhoso mundo subaquático, belas cavernas, paredes verticais, túneis, falésias, canais e destroços valiosos, entre outras atrações consideráveis, se reúnem.

A fauna cubana é muito atraente, preserva algumas curiosidades, como o zunzuncito ou o pássaro de mosca, o menor pássaro do mundo. O menor sapo, um pequeno morcego chamado borboleta e um escorpião que não excede 14 milímetros, fazem parte de nossa espécie mais exclusiva. O endemismo é apreciável da mesma maneira em anfíbios e répteis. O crocodilo, perpetuado em incubatórios, é outra das espécies características de Cuba. Há cerca de 400 espécies de aves, nenhuma delas prejudicial ao homem.

Sua flora é rica e diversificada. No país, existem mais de 300 áreas protegidas que ocupam aproximadamente 22% do território nacional. Cuba estima seis áreas declaradas pela UNESCO como Reserva da Biosfera: a Península de Guanahacabibes, a Sierra del Rosario e o Parque Nacional Ciénaga de Zapata, a oeste; o Parque Nacional Caguanes, no centro; e o Parque Baconao e Cuchillas del Toa, no leste do país.

O significado da palavra Cuba poderia ser terra, devido ao significado aborígene dessa palavra, pertencente à língua Araguaco da cultura Taíno, de acordo com os critérios mais amplamente utilizados na historiografia. Outro significado recentemente atribuído poderia ser cúpula, de acordo com novos elementos fornecidos por estudos atuais que atribuem uma origem hispano-árabe ao nome da maior das Antilhas.

É na parte urbana, onde vive cerca de 70% da população, predomina a arquitetura eclética, embora alguns centros históricos como Havana ou Trinidad, entre outros, preservem o ambiente colonial, a ponto de serem declarados Patrimônio da Humanidade. Mas, em geral, é observada uma grande diversidade de manifestações culturais.

Quando e como viajar
Em qualquer época do ano, você pode ir para Cuba. Nos primeiros meses, é mais frio e agradável e, se uma frente fria aparecer, será apenas por alguns dias.
De abril a setembro, praticamente sem interrupções, o céu é limpo e a temperatura é quente, sendo ideal para ir à praia ou praticar atividades ao ar livre. Chove frequentemente em áreas montanhosas e mais esporadicamente nas planícies e costas. Os meses de julho e agosto são os mais quentes.
Cuba está ligada às principais capitais e cidades latino-americanas e européias por mais de 60 linhas regulares e fretamentos, e 10 aeroportos internacionais operam no país, além de uma dúzia de marinas e portos localizados nas costas norte e sul, que facilitar as chegadas por via marítima com as melhores condições de atracação.

Divisão político-administrativa
A República de Cuba é composta por 14 províncias e pelo Município Especial da Ilha da Juventud. De oeste a leste, essas províncias são: Pinar del Río, Havana, Havana, Matanzas, Cienfuegos, Villa Clara, Sancti Spiritus, Ciego de Ávila, Camagüey, Las Tunas, Holguín, Granma, Santiago de Cuba e Guantânamo.

em formação
As melhores informações são obtidas diretamente das pastas dos hotéis ou das agências de turismo, onde você também pode gerenciar suas excursões, fazer várias reservas para restaurantes, cabarés e shows. Nas grandes cidades com um grande fluxo de viajantes internacionais, como Havana, Santiago de Cuba, Camagüey, Matanzas, Cienfuegos e Trinidad, entre outras, existem algumas unidades ligadas ao Ministério do Turismo da República de Cuba, conhecidas como INFOTUR, com as informações mais atualizadas. serviços turísticos, propostas de opções, circuitos, transporte e hospedagem.

Atenções médicas
Nos hotéis, a atenção primária à saúde é garantida. Existem também clínicas internacionais e uma garantia para cobrir emergências em hospitais especializados. É sempre recomendável que o viajante seja coberto por uma apólice de seguro. O país possui um sistema de saúde considerado único em toda a América Latina, com cobertura total da população e um trabalho permanente em saneamento epidemiológico que constitui a base dos sucessos da ilha em uma esfera tão importante da vida social.

Extensões e mudanças modais de Turismo
Para prolongar a estadia em Cuba, o turista deve ir ao escritório de turismo de seu hotel ou vila; Da mesma forma, se você desejar variar a modalidade pela qual você viajou para o país, o departamento de turismo correspondente do seu hotel ou villa fará os ajustes necessários.

Moedas e formas de pagamento
A moeda oficial é o peso cubano e o peso conversível (CUC) também circula. Os preços em todos os serviços turísticos são fixados em CUC, portanto, quando você chegar ao aeroporto, deverá fazer a alteração; Você também pode alterá-lo em bancos e hotéis. Nas principais cidades e vilas, existem casas de câmbio (CADECA) para converter moedas em pesos e CUC. Os cartões de crédito Cabal, Transcard, Visa e MasterCard são aceitos desde que não tenham sido emitidos por bancos americanos ou suas subsidiárias.

Regulamentos de imigração
Todos os visitantes devem ter um passaporte válido em seu nome e o visto ou cartão de turista correspondente, exceto nos países com os quais Cuba possui acordos de visto gratuito. O cartão de turista, individual e para grupos, pode ser solicitado nas representações consulares cubanas, agências de viagens e escritórios de companhias aéreas.

Regulamentos aduaneiros Itens de uso pessoal, 2 garrafas de bebida alcoólica, 1 caixa de cigarros e até 10 kg de medicamentos estão isentos de impostos. Itens de até US $ 250,00 podem ser importados; desse valor, 50,00 USD estão isentos de pagamento e, para os restantes 200,00 USD, uma taxa de 100% deve ser paga. Não é permitido o seguinte:
– Narcóticos. É proibida a posse, tráfico, consumo e venda de drogas e entorpecentes.
Pornografia. É proibida a introdução de qualquer tipo de material pornográfico.
– produtos de sangue.
– Telefones e microfones sem fio.
– Eletrodomésticos.
– Armas de fogo, exceto armas de caça devidamente autorizadas. – A importação ou exportação de pesos cubanos.
A entrada de dinheiro é ilimitada. Para reexportar um valor igual ou superior a 5 000,00 USD, é necessário apresentar a declaração aduaneira correspondente.

Ao sair de Cuba, é autorizada a exportação gratuita de até 23 charutos a granel ou em contêineres. Para uma quantidade maior, o viajante deve entregar à alfândega uma cópia da fatura correspondente à compra do produto. Os charutos devem estar em contêineres originais, com classificações oficiais. Para extrair obras de arte ou antiguidades, é necessário solicitar permissão do Registro Nacional do Patrimônio Cultural, do Departamento de Patrimônio do Ministério da Cultura. O pagamento do excesso de bagagem no ponto de origem não exime o viajante de pagar, na chegada a Cuba, o pagamento da taxa correspondente de acordo com o valor dos itens.
Regulamentos de saúde
Somente é necessário apresentar o Certificado Internacional de Vacinação a viajantes de países onde a febre amarela e a cólera são endêmicas ou foram declaradas áreas de infecção pela OMS. A entrada de produtos de origem animal ou vegetal é restrita.

Corrente elétrica
110V., 60 Hz. Tomadas planas. Em alguns hotéis e instalações, é possível usar corrente de 220V.

Nossas Sugestões
Praias:
Pinar del Río: Cayo Levisa
Matanzas. Praia de Varadero
Península de Zapata: Playa Girón e Playa Larga.
Cienfuegos: Rancho Luna
Trinidad
Praia: Ancón Camaguey Península : Santa Lucía Praia:
Las Tunas: Praia de Covarrubias: Praia de Guardalavaca
Holguín: Praia de Marea del Portillo: Granma
Santiago de Cuba: Baconao e Chivirico.
Cidades:
Havana
Santa Clara
Cienfuegos
Sancti Spíritus
Trinidad
Santiago de Cuba
Paisagens.
Pinar del Río: Vale Viñales
Trinidad: Vale dos Engenheiros e Topes de Collantes
Santiago de Cuba: Costa Baconao, de Gran Piedra, Marea del Portillo – rodovia turística de Santiago de Cuba, na costa sul do leste de Cuba.

Detalhes. Ouça música tradicional na Casa de la Trova em Trinidad; navegue pela Cueva del Indio, em Viñales, Pinar del Río e observe de seu telhado a brilhante baía de Cienfuegos.
Sempre favoritos. de Trinidad, os músicos populares da Casa de la Trova, em Santiago de Cuba. E não esqueça ! “Mi mojito en La Bodeguita, mi Daiquiri en La Floredita” – Ernest Hemingway

com Vozpopuli e Agência Brasil

Filme sobre Victor Dequech desvenda mitos das lendárias Minas de Urucumacuã

DEQUECHO falecimento do engenheiro de minas Victor Dequech, ocorrido em Belo Horizonte em 2012 poderia também sepultar uma parte importante da história de Rondônia.

Conhecido por ser o fundador da Geosol, a maior empresa de sondagens do país e da Sociedade Brasileira de Espeleologia, Dequech entra para a história de Rondônia a partir da Expedição da década de 40 que visava encontrar as lendárias Minas de Urucumacuã.

A sua versão dos fatos, a fonte primária da história, estaria perdida se não fosse a ação visionária dos documentaristas Luiz Brito e Beto Bertagna(yo), que munidos de uma câmera Digital e microfones profissionais, gravaram muitas  horas de histórias na sua residência em Belo Horizonte, com apoio da TV Minas.

O depoimento de Dequech é uma verdadeira bomba e põe por terra muitos mitos criados na fértil imaginação de cutubas e peles curtas.

O filme tem o título provisório de “Urucumacuã , A Salvação do Brasil” e reedita a parceria dos dois diretores  feita no documentário “Divino, Cem Vezes Divino“.

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Não conto

Texto e foto de Valéria del Cueto

Esperei. Por sete dias…

Nos tempos da natação, nas categorias infanto-juvenil da equipe do Flamengo, quem treinava de manhã no grupinho de três ou quatro tinha uma mania/simpatia. Se você sonhava com uma coisa e quisesse que ela acontecesse tinha que contar antes do café da manhã. Se fosse um pesadelo só podia contar depois para evitar sua concretização.

Era o tipo de brincadeira como encontrar placa de carro em que os números da licença somassem nove e fazer um pedido. Se a gente cruzasse com uma mulher grávida e alguém de chapéu (boné não valia), era certeza que o desejo se tornaria realidade.

O que causava transtorno na simpatia do sonho é que o treino começava às seis da matina e sem chance para se alimentar e enfrentar horas de piscina. O café com pão e companhia eram depois do esforço físico. Não dá para treinar de barriga cheia…

Contar o sonho, se fosse bom, era uma das coisas que atrapalhavam e mereciam reprimendas do técnico que não alcançava o motivo de tanto tititi madrugador. Era mais difícil esperar o fim do treino porque todo mundo saía correndo apressado para começar a rotina diária.

Sempre que tenho um SONHO com maiúsculas me lembro da brincadeira e, sim, procuro seguir à risca a simpatia.

Deixei passar o café da manhã e muitos dias sem contar pra ninguém sobre o silêncio ensurdecedor. Ultrapassei os prazos para nem depois do almoço, ou dos jantares, externar em palavras o hiato absurdo da ausência.

Pulei o evento e passei para o outro lado, imaginando o despertar para a irrealidade dos sonhos interrompidos, dos projetos infindos. Sou parte disso, o que facilita a projeção. E, sim, acredito em passagem, em “firmar” na inconsciência para facilitar a consciência.

Não consigo ir além da estupefação e da revolta, então tentei mentalizar saídas, opções e a muito breve reencarnação para poder continuar de onde parou (dizem que a gente não esquece o que aprende e sempre anda pra frente). Com a mesma fome de justiça, a voz rouca punk rock. Talvez um tiquinho menos explosivo, que é para segurar o coração, mas sempre jogando de maneira franca e aberta. Como foi o convite para fazer a coluna batizada por ele de “Crônicas do Sem Fim…”, na revista Ruído Manifesto.

Mal entrei e ele partiu. Me deixou muda exatamente depois de combinarmos fazer muito barulho. O soco no estômago ainda dói como se fosse verdadeiro.

A falta do fio com a revista se mantém porque não há linha forte o bastante para resistir ao cerol da fatalidade que mandou para o céu a big pipa inquieta e curiosa que vadiava (no bom sentido) em busca de horizontes mais altos e visíveis para novos escritores, poetas, artistas. De Mato Grosso para o mundo. A pipa se foi, mas o fio ficou…

E os dias se passaram, com aquele vácuo barulhento incomodando, impedindo qualquer forma de expressão, qualquer tentativa de reação.

Foi assim até o dia que o mar, devagarzinho, pariu no horizonte a lua cheia de agosto. Redonda que nem bolacha (lembrou alguém?). Fazendo suas gargalhadas se refletirem nas marolas animadas de uma pós ressaca daquelas!

Fiquei em paz com minha revolta, guardada para as muitas ocasiões que, meu amigo sabia e sobre isso conversamos, precisaríamos muito dela.

Ao fio, que une a todos nós do Ruído Manifesto (olha eu bancando aquele…) anuncio que estou aqui, pronta para “voar” na gritaria.

Re-começo com “Não Conto” para, como ele que partiu até ali, (res) suscitar na poesia, na prosa e, no meu caso, nas imagens. Elas, as que  fazem de nós ruidosos manifestos impermanentes da inquietação e, quem sabe, da esperança.

*Pro Rodivaldo.

**Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Brasil mais pobre : Cinema e MPB perdem Sérgio Ricardo, aos 88 anos

Morreu na manhã desta quinta-feira (23), aos 88 anos, o cantor e compositor Sérgio Ricardo, que atuou em movimentos que redefiniram a cultura brasileira, como a bossa nova e o cinema novo.  Ele estava internado no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio, desde abril, quando contraiu Covid-19, e teve uma insuficiência cardíaca nesta quinta. Ele tinha se curado do novo coronavírus, mas precisou permanecer no hospital.

Cara, é o seguinte… Ele era da pesada !

João Lutfi, ou mais simplesmente , Sérgio Ricardo, diretor de cinema, ator, cantor e compositor.

Descendente de família libanesa, em 1940, aos 8 anos, foi matriculado no Conservatório de Música de Marília para estudar piano e teoria musical; mudou-se para São Paulo e foi locutor da rádio Cultura em São Vicente, litoral do estado.

Ao mudar para o Rio de Janeiro em 1952 conseguiu emprego como técnico de som e pianista, substituindo Tom Jobim. Familiarizado com a cidade, que foi o berço da bossa nova, passou a fazer parte do primeiro núcleo de compositores desse movimento musical. Lançou no começo dos anos 60 os LPs Não Gosto Mais de Mim e A Bossa Romântica de Sérgio Ricardo.

Participou do III Festival de Música Popular Brasileira transmitido pela TV Record, quando, num momento antológico, foi vaiado pelo público ao cantar “Beto bom de bola”, e nervoso, quebrou o violão e atirou-o contra a platéia.

Incentivado por Carlos Lyra, passou a inteirar-se de problemas políticos e sociais, o que o levou a compor canções retratando esses temas.

Há 3 anos atrás produziu um  show lindíssimo com seus filhos, Cinema na Música de Sérgio Ricardo, show-visual que comemorava seus 85 anos, e era por dirigido por Marina Lutfi, sua filha – designer e cantora, que também se apresentava no palco -, com as principais criações de Sérgio para o cinema, campo em que recebeu inúmeras premiações por trilhas sonoras inesquecíveis, como a de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, e de filmes próprios, como “A Noite do Espantalho”, juntamente com João Gurgel (voz e violão), acompanhados do fera da percussão Carlos Cesar.

Suas últimas apresentações eram acompanhadas por projeções de trechos dos filmes – a maioria com fotografia de Dib Lutfi, o “homem-grua” do Cinema Novo, que faleceu em outubro de 2016. Dib era o irmão caçula de Sérgio Ricardo. A cuidadosa seleção das imagens foi feita por Victor Magrath, editor dos últimos filmes de Sérgio, profundo conhecedor de sua filmografia.

Pose de gostosa

Texto e foto de Valéria del Cueto

Esse texto também sai da foto que o ilustra. Por si só ela dá seu recado para quem, além de olhar a imagem, consegue ver a mensagem. Não espere que ela seja descrita por aqui. É ponto de partida. Ou de chegada, dependendo da interpretação de cada um.

A minha é que estamos assim, colados na rede, sem saber se vivos, por um fio, ou já secando sem saber.

Nas duas hipóteses, o que resta é a trama. Para o bem ou para o mal, a gosto do freguês.

Mudando a abordagem, temos o ferro, mineral sustentando a planta, vegetal. A rigidez dando suporte à flexibilidade do abraço orgânico enquanto se submeter a teia.

É vida real em que toda regra tem exceção. No caso, ainda no quadro visual do quinto andar, cercado de prédios pelas quatro ruas que o compõe, divisa de Copacabana e Ipanema, onde os muros das muitas garagens e poucas áreas de lazer se tocam formando uma ilusão de rascunho de desenho geométrico a lá Mondrian ainda não colorido (estou  ressignificando quase tudo no quarto mês de isolamento).

Visualizou o solo? Então, agora, levanta o olhar. No tédio insuportável da monotonia, convido você a contar o número de janelas que nos observam. Acima, já sabe: biruta, jardins suspensos, grades, antenas emolduram o céu azul.

A exceção mencionada anteriormente é composta por três elementos. Casas de uma vila com entrada ensanduichada entre dois prédios da Sá Ferreira e, no meio de seus telhados se lançam para o alto uma mangueira e outra árvore majestosa. Seus galhos e ramadas, pelas minhas contas, atingem até o oitavo andar, interferindo na paisagem de lego emoldurada pelas janelas dos apartamentos.

Não sei o efeito dessa informação para os leitores do restante do país, mas garanto que, para quem conhece Cuiabá e outras regiões de norte a sul, esse detalhe tem um significado especial. Com gosto, textura, aroma e lambança de fruta comida com a mão. Não sei você, mas sou adicta. Ter uma mangueira no raio visual sempre será um privilégio e uma forma ludicamente biológica de acompanhar o desenrolar do tempo.

Folhas novas, brotos, botões, florezinhas espevitadas amarelas, calor (chuva da manga em Cuiabá, já ouviu falar? Também tem a do caju…). Ouvir os uivos de agosto, mês do cachorro louco, derrubarem as mais frágeis. Calor, calor, vento e campana para ver os frutos crescerem e amadurarem. Tem que colher e, se possível, esperar ficar perpitola. Nunca chego lá. Gosto de frutas mais pra verde.

Já cheguei na colheita imaginária, mas a verdade é que nunca comi os frutos do pé de manga do quadrado. Pensando bem, acho que não costumo estar no Rio na época. Posso estar comendo manga em Mato Grosso, em Uruguaiana e até em Belém do Pará, a Mangueirosa, como me ensinou Ismaelino Pinto apresentando as maravilhas amazônicas.

Ano passado estava na fronteira do Paraguay com Mato Grosso do Sul. Beirando o Pantanal, flanando por Campo Grande e vendo a explosão dos Ipês Rosa.

Esse ano, a mangueira do quadrado emoldurada por sua amiga gigante é a salvação da pátria verde e amarela. Sua copa alimenta meus olhos, atiçando a imaginação.

Os movimentos dos seus galhos e o balanço das folhas ao vento acariciam, sem me tocar. Ao contrário dos moradores que, ao abrirem suas janelas, são abraçados pelo atrevimento da natureza, abusada.

Para mim, ela, essa mangueira que não é o Chapéu, minha comunidade, como dizia o grande Bola, nem a verde e rosa, só acena a distância fazendo pose de gostosa. E quer saber? Parece pouco, porém está de bom tamanho. Daqui a pouco vem o fruto e recomeça o ciclo…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador” do SEM FIM…  delcueto.wordpress.com