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Quem vai pra onde?

Texto e foto de Valéria del Cueto

“Deu pra ti, vou ali e volto quando der” informa num bilhete curto e grosso Pluct, Plact à sua querida amiga, a cronista enclausurada. A revolta do extraterrestre é mais que justificada e não foi levada para o lado pessoal pela destinatária.

Serviu como deixa para informar o destino do viajante intergaláctico revoltado: Porto Alegre, Rio Grande do Sul, onde o que se dá para o baixo astral é… tchau!

Antes de rumar para o sul, qual pássaro na época migratória, Pluct, Palct tentou voos mais ousados. Embicou sua aeronave espacial para o céu e deu um gás nos motores antes de se lançar ao infinito. Conseguiu chegar só até ali. Bateu no poderoso escudo formado pela combalida camada de ozônio poluída e, num efeito bumerangue australiano perfeito, voltou ao ponto de partida.

Para provar sua tentativa frustrada fez fotos da Cidade Maravilhosa do alto. Foram elas que chegaram às mãos da cronista em seu refúgio do outro lado do túnel junto com o bilhetinho codificado.

Na dedicatória, outra pista do motivo de sua retirada estratégica: “Vista de um dos poucos lugares em que o codinome continua fazendo jus ao Rio de Janeiro. Cidade Maravilhosa só de cima. Beeeem de cima”

Em outros planos e pontos de vista o que se vive e vê no Rio é a lama!

A falta de vergonha e medida fez do presídio em Benfica o lugar que reúne o maior número de corruptos bandidos (ou será bandidos corruptos?) por metro penitenciário quadrado.

A área devidamente gradeada e frouxamente protegida abriga barba, cabelo e bigode da política fluminense. Ali estão décadas do poder político eleito pela população do estado. Parte do joio que se achou melhor que o trigo e que, acreditando piamente na impunidade eterna, contaminou os poderes executivo, legislativo e costumava ser protegida pelo judiciário.

Aquele que age pedindo vistas do processo no julgamento do Supremo Tribunal Federal que pode acabar com o foro privilegiado.

Se está ruim de ser digerida pelo estômago sofisticado do caminhão basculante de lixo intergaláctico, imagina pelo órgão digestivo de simples mortais?

Simples mortais, extraterrestres… que diferença fará para os degustadores de presunto de Parma, bolinhos de bacalhau e camarão, contrabandeados para dentro das celas penitenciárias para deleite dos políticos aprisionados em Benfica? Haja estômago para aguentar tanto abuso.

O nosso, porque o deles está empanzinado de deliçuras enquanto funcionários públicos caem da corda bamba sem conseguir tirar o nariz de palhaço nem sobreviver com seus salários atrasados. Enquanto assistem de camarote o desenrolar do encontro de ex-rivais, agora irmanados e igualados pelas regras de convivência dos presídios cariocas.

Isso explica a deserção momentânea de Pluct Plact? Claro que não. Ela tem um motivo de força maior e mais feliz.

De Porto Alegre seguirá quicando até a fronteira oeste onde pretende representar a cronista num evento musical, a Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul, em Uruguaiana. O encontro nativista marcou a vida de sua amiga exilada. Como ela não poderá comparecer a sua quadragésima edição por motivo de encarceramento voluntário maior, caberá a ele representá-la condignamente e mantê-la atualizada sobre as composições concorrentes.

Melhor que ouvir choradeira da família Garotinho e aturar a depressão provocada pela falta de quitutes gastronômicos da difícil vida fácil de Cabral e seus parceiros de ladroagem no subúrbio carioca, não acha, caro leitor?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa matéria faz parte da série “Fábula Fabulosa” do Sem Fim delcueto.wordpress.com

Festa “camba” comemora aniversário do Beni em Porto Velho

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Por Beto Bertagna & Júlio Yriarte

Neste domingo (19), em Porto Velho, capital de Rondônia , noroeste do Brasil,  uma belíssima festa “camba” comemorou os 175 anos do Estado do Beni, território boliviano fronteiriço  com Rondônia , fundado em 1842 .

A festa promovida pelo Centro Cultural Boliviano em Porto Velho, teve comidas típicas, apresentações musicais e mostrou a diversidade cultural deste país vizinho ao Brasil.

Como sempre, um dos pratos tradicionais mais requisitados é o “Pique a lo Macho“, uma espécie de carne picada e apimentada com diversos acompanhamentos. Outra referência gastronômica boliviana é  o “Silpancho” , composto por  arroz, batatas, uma fatia circular de carne de vaca frita, pão e um ou dois ovos. Tem ainda como acompanhamento salada de beterraba e cenoura, batatas fritas e uma salada de cebola e tomate, na parte superior.

Vale ressaltar que tanto o Silpancho quanto o Pique a Lo Macho tem origem “colla”. O pique macho assim como a saltenha já estão mais “acambaus’,  mais regionalizados. A saltenha e a parrilhada bolivianas (ambas tem origem argentina) tem sabor e preparo diferentes dos argentinos.

Os collas habitam a região sul da Bolívia, o ocidente. Os cambas a região norte, o Oriente.

Os collas: tem uma cultura mais forte, em sua maioria são indígenas, descendem diretamente dos Incas Quechuas e Aymaras, puxam pelo “s” ao falar, são trabalhadores incansáveis, mastigam coca (planta sagrada em Bolívia) o tempo todo, habitam regiões frias (La Paz, Cochabamba, Oruro Potosi, Chuquisaca e Tarija).

Os cambas habitam as regiões quentes, tropicais (Beni, Pando e Santa Cruz de la Sierra), descendem dos espanhóis e de indígenas, em grande parte Mojenhos, Guaranis, Chiquitanos.

Nestas festas não pode faltar , como bebida o “Mocochinchi“, refrescante suco feito de pêssego descascado e desidratado

“Pique a lo Macho” – INGREDIENTES E MODO DE PREPARO

1 filé
2 pacotes de salsicha
4 cebolas
Cebolinha e cheiro-verde a gosto
2 pimentões vermelhos
2 pimentões amarelos
2 pimentões verdes
5 tomates
1 kg de batatas
5 limões
Sal
Azeite extra-virgem
Pimenta calabresa desidratada
6 ovos
Maionese
1 locoto (pimenta boliviana)
Modo de Preparar
Corte o filé em tiras não muito finas, tempere com o limão, o cheiro-verde, o sal e a pimenta calabresa. Deixe a carne por pelo menos uma hora nessa solução. Corte as salsichas em rodelas e reserve. Corte os pimentões, a cebola e três tomates em tiras. Cozinhe os ovos e frite as batatas. Em uma panela grande, em fogo alto, aqueça o azeite em quantidade suficiente para fritar a carne. No momento da fritura, escorra a carne da solução de limão, deixando-a o mais seca possível. Deixe a carne fritar até o ponto do seu gosto e acrescente as salsichas. Quando a carne estiver quase no ponto, acrescente as verduras e frite mais um pouco, sem deixá-las murchar. Em um refratário, coloque as batatas fritas e despeje a carne e as verduras em cima. Corte os ovos cozidos em rodelas e coloque sobre a carne. Faça um quadriculado com a maionese e sirva a seguir. Não necessita acompanhamento. Bata o locoto com dois tomates no liquidificador e sirva separadamente como molho picante.

fonte: Wikipédia

Matéria atualizada 27/11/2017 às 12:36

Deu no Pravda : Evo Morales relembra tratado de Petrópolis com o Brasil

O presidente Evo Morales, relembrou nesta sexta, 17 , a assinatura do Tratado de Petrópolis em 1903 mediante o qual, Bolívia cedeu uma superfície aproximada de 191 mil quilómetros quadrados ao Brasil.

‘Como hoje, 1903, durante o governo liberal de José Manuel Pando, se assina o Tratado de Petrópolis pelo qual a Bolívia entregou o território do Acre em contrapartida de uma compensação de dois milhões de libras esterlinas e a construção de uma estrada de-ferro nessa zona’, recordou o mandatário em sua conta em Twitter @evoespueblo.

O território dado pela nação andino-amazónica ao Brasil correspondem em sua maior parte ao atual estado brasileiro do Acre, que se somaram aos 164 mil 242 km² já concedidos em 1867 por outro acordo de paz e amizade.

O convênio também permitiria a construção de um caminho-de-ferro entre as cidades de Riberalta e Porto Velho, para a exportação do borracha daquela época (estrada-de-ferro Madeira-Mamoré), o qual funcionou até 1972, quando o desativaram por não constituir um interesse econômico para ambos países.

Também, a Bolívia teve autorização para utilizar os rios brasileiros para o transporte de mercadorias até o Atlántico e manter agentes aduaneiros nas zonas de Belem do Pará, Manem-vos, Curumba e demais postos estabelecidos por Brasil sobre a Madeira-Mamoré ou outras localidades da fronteira comum.

via Prensa Latina

Lendo e aprendendo

Texto e foto de Valéria del Cueto

Confesso e assino em baixo. Não ia ter crônica essa semana. Cansada dessa esculhambação, acho que ela não merece mais nem uma mal tra(n)çada linha do meu esforço literário.

Este minifúndio tem sido insuficiente para listar as peripécias semanais que se acumulam nas prateleiras nos galpões dos absurdos diários que nos assolam.

Só a abstração quase total e certamente irrestrita ainda permite sonhar com uma nesga de felicidade, tranquilidade e/ou realização nessa avalanche que desce a ladeira da decência e dos bons costumes. Para tanto lanço mão de um refúgio solitário, mas cem por cento eficaz. Parto para o oposto da ignorância e me dedico ferozmente a leitura.

Melhor do que chafurdar no mar de lama que leva de roldão aqueles que, durante período recente, mandavam e desmandavam no pedaço. Além de revoltante é deprimente ver os resultados dos mal feitos (é assim que diz, né?) e das negociatas que levaram para o espaço direitos básicos de centenas de milhões de brasileiros. Falo de saúde, educação, segurança, saneamento básico e afins. Direitos comuns a todos, roubados por larápios incompetentes que nem tiveram a capacidade de esconder seus torpes movimentos.

Vá entender o funcionamento dos cérebros deformados que participaram de tantas barbaridades. A amoralidade, um sintoma de psicopatia, é um traço comum a corja que habita nossas principais câmaras governamentais. Só fechando o hospício e jogando a chave fora para parar com essa sangria.

Lendo a gente aprende, viu só? Por isso é fácil estabelecer uma rota de fuga literária que permita um respiro salutar entre uma delação premiada e uma barbárie, um drama humano e uma polêmica moralista. Diluídos em pílulas nas redes sociais…

Para não romper de vez com a humanidade que a duras penas tenta remar em meio a altas dosagens de informações, “fakenews” e os delírios provocados por cruzadas falso moralistas, optei por me aprofundar nas origens históricas da sociedade brasileira.

Depois dos excelentes livros de Laurentino Gomes sobre a chegada da corte portuguesa a colônia, os meandros da Independência e os episódios que levaram à Proclamação da República, juntamente com meu parceiro literário para assuntos históricos e militares, Jayme del Cueto, caí dentro de uma nova exploração pelo período do primeiro reinado brasileiro.

Confesso que fui instigada por uma novela global e as peripécias de Titília e Demonão. Mas aviso que resisti a tentação e, deixando para o final as cartas inéditas de Dom Pedro à Marquesa de Santos, optei por começar a leitura dos livros de Paulo Rezzutti, escritor e pesquisador paulista, pela biografia de “D. Pedro, a história não contada. O homem revelado por cartas e documentos inéditos”.

Então apresento o motivo do atraso e da quase não crônica: devorei o livro. Também já escolhi qual será o próximo. Entre as biografias de “Domitila, a verdadeira história da Marquesa de Santos” (finalista do prêmio Jabuti em 2014), e “D. Leopoldina, a história não contada. A mulher que arquitetou a independência do Brasil”, fiquei com a segunda. A arquiduquesa austríaca que, há duzentos anos, por um casamento de conveniência, veio bater nesses costados e, em sua breve passagem, mudou o destino e os rumos da história do Brasil.

Seres humanos! Cheios de defeitos e algumas qualidades. Como nós, capazes de, com seus gestos, escreverem a história que, hoje, poucos re-conhecem. Mas todos nós somos derivados de seus atos, assim como serão, no futuro, as gerações que virão, das atitudes que hoje tomamos.

Captou?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa matéria faz parte da série “Cabine” do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

O Iphan ameaçado

Por Danilo Curado

Apesar de ser considerado uma das mais longevas instituições públicas federais com vigência ininterrupta, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) apresenta-se ameaçado no atual governo federal. Seja pelas movimentações realizadas pelo Planalto, seja pelo desmoronamento logístico-orçamentário, o Instituto, com capilaridade em todos os estados brasileiros, clama pelo socorro do povo brasileiro, e busca pela rememoração de todos os atos pela defesa da Memória Nacional.

Conforme entrevista concedida para um jornal carioca no último mês de setembro, a presidente do IPHAN, Kátia Bogéia, apresentou os dados alarmantes da instituição, colocando o risco do fechamento das portas da instituição devido à falta de funcionários. Conforme palavras da presidente, o Instituto conta apenas com 680 funcionários – em todo o território nacional – todavia, com a estimativa de que 350 irão se aposentar em 2018. Para a solução, urge a autorização de concurso público para suprir 580 cargos vagos. Caso contrário, o IPHAN tenderá ao infeliz fechamento.

Ao longo dos seus 80 anos, longe da decrepitude, o IPHAN resguardou aquele que talvez seja um dos direitos fundamentais mais importantes de toda e qualquer sociedade: o direito à memória coletiva, parte indispensável da dignidade da pessoa humana.

Ou seja, uma vez que o artigo 5º da Constituição Federal, em seu parágrafo 2º prevê a existência de direitos fundamentais implícitos, assim, o direito à memória faz-se presente como fundamental, equiparável aos demais direitos fundamentais. Nesta senda, seria oportuno equiparar o direito à memória como um desdobramento do direito à herança, depreendendo para além da sucessão privada de bens, prevista no Direito Civil, mas alcançando a visão do Direito Internacional quando do tratamento da “herança cultural”.

Destarte, inexiste outro órgão público que possua tal competência exclusiva, qual seja, a de proteger a memória brasileira. Assim, é inconcebível que o Governo Federal não reconheça a importância ímpar do IPHAN, permitindo que o Instituto evole-se após 80 anos de atuação ativa em prol da memória do povo brasileiro. Encerrar o IPHAN é assumir o fim da herança cultural, a qual, certamente, atingirá sobremaneira na autodeterminação da soberania nacional.

*Danilo Curado é arqueólogo do Iphan, especialista em Gestão Pública e Mestre em Educação

Canto do Avô (para Mariá e Théo)

Na foto, minha neta Mariá, de 5 anos…

Canto do Avô, por Victor Hugo

Riam e dancem, pequenas moças,
Em rodas vão.
Vendo-as belas e risonhas
Bosques rirão.

Dancem, ó pequenas princesas,
Em rodas vão.
Os namorados sem surpresas
Se beijarão.

Riam e dancem, pequenas loucas
Em rodas vão.
Todos os livros nas escolas
Resmungarão.

Dancem , ó pequenas formosas,
Em rodas vão.
Os pássaros com suas asas
Aplaudirão.

Riam e dancem, pequenas fadas,
Em rodas vão.
Dancem, cabelo em margaridas
A aurora em mão.

Dancem, minhas pequenas damas,
Em rodas vão.
Os dançarinos às amadas
Sussurrarão.

Pega leve

Texto e foto de Valéria del Cueto

Perdi a lua mas continuo na sua, cara cronista voluntariamente encastelada, quer dizer, enclausurada do outro lado do túnel em terras cariocas.

É que o tempo anda tão sem tempo quanto nós, ou melhor, vocês pobres mortais. (Se não o sou, ajo como tal e já incorporei o “physique du rôle”). Não fossem por certas peculiaridades que tão bem conhecemos, como poder visita-la num raio de lua, poderia facilmente passar por mais um perdido nesse baile da vida.

São tantas informações e acontecimentos que é impossível um registro ordenado e sistemático dos eventos. Imagine se ainda dá tempo para qualquer tipo de análise – por mais rasteira e superficial que seja – de suas causas e consequências.

Nem o supercérebro de minha nave espacial está dando contado recado. Especialmente agora que incorporou certos parâmetros terráqueos inexistentes em seu sistema original. Coisas como “dá um tempo”, “volto já” e “senha esgotada”. Quando a trucagem não é mais direta e objetiva com o emblemático “estamos atualizando os nossos sistemas”. Não tenho nem como argumentar, querida amiga. Lembre-se que não vim para esse mundo a passeio, mas com uma missão que, agora, sei impossível.

Principalmente por seu tempo (olha ele aí) indeterminado de duração. Culpa daquela circunstância imprevisível de não conseguir partir desse mundo para outros melhores. Graças a incapacidade da nave mãe de ultrapassar a camada de poluição que recobre a atmosfera local. E só piora. Arde o cerrado na Chapada dos Veadeiros, Mato Grosso é megacampeão de queimadas na Amazônia no mês de setembro!

Situação: todo (eu disse todo) o sistema de armazenamento está em colapso. Esgotamento total. É muita informação. Não param de chegar. Com um detalhe: juntando o que dá, a conclusão é catastrófica.

Mal comparando, sabe aqueles dias nublados e sem graça que por falta de estímulo físico, financeiro e mental, o destino óbvio é a praia? Imagine no final da tarde quando banhistas voltam para a casa tonalizados. Falo de matizes variadas, nas cores das cascas de camarões e lagostas. De rosa bebê ao pink punk. Com aquele bronzeado que será lembrado por dias seguidos a cada virada noturna, abraço ou tapinha nas costas.

Essa é uma imagem alegórica, reparou? (Me orgulho dessa capacidade de metaforicamente explicar uma situação. Aprendi e desenvolvi aqui entre os humanos). Só assim para entender que um dia como esse que parece um pouco triste e modorrento possa encobrir um mormaço torturante, como a vida aqui fora.

Enquanto assistimos cenas de violência explícita nas ruas; de escárnio, desrespeito e deboche nas mais altas “câmaras” governamentais; de intolerância e incompreensão entre iguais que querem para si direitos excepcionais e privilégios, mas não se unem para reivindicar o básico, tentamos (estou na vibe  por me sentir 100% humano nesse roldão de eventos desgovernados) procurar bons motivos e melhores razões para seguir em frente.

“Pega leve e abstrai”, me aconselha o cérebro da nave mãe. A mim, o viajante que não acredita no que vive e vê…

O problema é que somente quando saímos (o que é cada vez mais difícil) do centro desse turbilhão conseguimos ter uma visão mais abrangente do mal que está sendo feito a corpos, mentes e, o que é pior, ao planeta em que habitamos (me incluo nessa evidentemente e involuntariamente). E não temos ideia do que será o “aloe vera” ou Caladril (santos remédios que diminuem os sintomas do excesso de calor acumulado no mormaço) que aliviará nossas dores e acalmará nossos pensamentos.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa matéria faz parte da série “Fábulas Fabulosas” do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

Gente que encontrei por aí…Chico Batera

Desculpa a rima torta, mas o Chico Batera, é fera ! Já gravou ou tocou diversos instrumentos como frigideira, tamanco, tímpano, sinos chineses, chaves, badalos, triângulo, queixada, caxixi ,vibrafone e até bateria com outras feras como Chico Buarque, Cat Stevens, The Doors (Full Circle)Beth Carvalho, Som Imaginário, O Terço,  Gal Costa, Francis Hime, Ivan Lins, Fagner, Milton Nascimento, João Bosco, MPB-4, Martinho da Vila, Gilberto Gil, Edu Lobo, Raul Seixas, Djavan, Wilson Simonal, Simone, Frank Sinatra, Gerald Wilson, Ella Fitzgerald, Tom Jobim, Joni Mitchell e Quincy Jones, e participou de trilhas sonoras de filmes hollyoodianos com Michel Legrand e Dave Grusin. Conversar com esse cara é alegria, inteligência, memória e malandragem no seu mais puro sentido. Obrigado, Chico !

Cabine de projeção

Texto e foto de Valéria del Cueto

Nem no tranco está pegando. Bateu um cansaço de avisar e registrar e avisar de novo… Função de amigo, né? Mas enche o saco. Então está na hora de procurar outros caminhos. De preferência que agreguem valores, instiguem a imaginação de forma positiva, ampliem o leque de conhecimento.

Sempre adorei ir ao cinema. Desde criancinha. A partir do momento em que estive apta a entender e respeitar o ritual do silêncio da sala escura e ter capacidade de viajar nas histórias troquei a sessão infantil das cinco da tarde no Leme Tênis Clube por outras mais profissionais, por assim dizer.

Quando assisti, logo após o lançamento, “Help!” dos Beatles já era palpiteira. Foi o primeiro filme deles que assisti. Me atrevi a dizer que era chato, sem apresentar uma boa justificativa. “Por isso não dá para trazer criança no cinema…”, ouvi da minha mãe.

Como não eu não era “criança”, realinhei meus parâmetros críticos, engrenei numa vida “cinemeira” e nunca mais parei. A turbinada que faltava para o vício veio aos 18 anos, quando finalmente parei de ser barrada nas bilheterias por ser “menor de idade”.

Foi um tempo áureo. Nos jornais só olhava as colunas de lançamentos da semana e as reprises em busca de raridades e ciclos cinematográficos que passavam nos cineclubes. Do MAM, das universidades e nos grupos jovens católicos.

O tempo passou me empurrando daqui para lá e daí fui parar em Mato Grosso. Em Cuiabá a vida cinematográfica praticamente inexistia. Tinha o básico, algumas salas pornôs e o Cineclube Coxiponés, da Universidade Federal de Mato Grosso.

Para não pirar e desapegar, abstrai. Foi o tempo das fugas nos finais de semana para São Paulo e imersões em sessões seguidas na Paulista, com pausas gastronômicas e pit stops em apart-hotéis da região. Os vídeos e, mais tarde, os DVD acabaram substituindo o ritual do escurinho o cinema.

Sim, até tentei algumas vezes quando aumentou a oferta de blockbusters nas salas dos shoppings cuiabanos. Mas foram ruins as experiências. Na maioria das vezes especialmente no quesito concentração. A que preciso para ser envolvida pela mágica do cinema. Barulhos, conversas, celulares… Melhor ficar em casa. Sim, continuo quase feliz.

Outro dia, comecei a reparar que estava difícil manter a concentração num filme inteiro. Tudo em volta distrai. O computador, o celular (de novo), coisas que precisam ser resolvidas logo já que passam na sua cabeça como um filme no meio do filme… Urgências.

Foi assim que uma quebra de rotina e um novo desafio apareceu naturalmente com um convite para uma cabine de cinema. Sabe o que é uma cabine? Sessões especiais para jornalistas e críticos assistirem os lançamentos e fazerem resenhas cinematográficas nos seus veículos.

Na primeira fui interessada no filme. Sorte a minha. Normalmente as cabines têm sido marcadas para o período a manhã. Antes das sessões regulares das salas. Se meu debut fosse num filme chato…

Acabei aprendendo alguns truques básicos que têm feito de mim uma adicta das projeções matinais. Um deles é sempre ter uma balinha e água na bolsa. As cafeterias ainda não abriram nesse horário. Outro truque é ser honesta comigo quando dormi mal na noite anterior ao compromisso. Sim, já quase desmaiei de sono numa manhã, mas me orgulho de dizer que não sucumbi.

Tudo para ter de novo uma porta aberta – e silenciosa – para manter acesa a capacidade de me transportar para outros mundos. Por aqui, a coisa está mais para filme trash. Deixou de ser filme B já faz um bom tempo. Então, vamos para ele, o cinema, que ainda é a maior diversão.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa matéria faz parte da série “Cabine” do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Festival Cineamazônia divulga finalistas da mostra competitiva

Os amantes de cinema de Porto Velho já podem preparar a agenda. A 15ª edição do Festival Cineamazônia divulgou em suas redes sociais as produções finalistas da Mostra Competitiva de 2017. Ao todo foram selecionados 41 filmes entre curtas, médias e longas metragens que concorrerão ao Troféu Mapinguari divididos em quatro categorias: Documentário, Ficção, Animação e Experimental.

Dos selecionados, 32 são curta-metragens (filmes curtos de até 15 minutos de duração) e estão distribuídos nas categorias Ficção, Animação e Experimental e docuentário. O Rio de Janeiro é o estado brasileiro com mais representantes, com sete filmes escolhidos. Já Rondônia possui quatro produções entre os finalistas. “Balanceia”, de Thiago Oliveira e Juraci Júnior; “Que assim seja”, de Érica Pascoal; “Guariterêbenguela”, de Chicão Santos e “Banho de Cavalo”, de Michele Saraiva e Francis Madson.

Oito produções são de média e longa metragem, cujos finalistas concorrem apenas na categoria Documentário (Prêmio Melhor Longa Metragem Documentário). São eles “Dedo na ferida”, de Sívlio Tendler (RJ); “Não só sereias ou faunos”, Sara Bonfim (PR); “Belo Monte: um mundo onde tudo é possível”, Alexandre Bouechet (RJ); “Água mole em pedra dura”, James Lloyd e Flávia Angelico (SP); “Xavante: Memória, cultura e resistência”, de Henrique Dantas (BA). As produções moçambicana “Macoconi – As raízes dos nossos filhos”, de Fábio Ribeiro, e peruana “Los ojos del camino”, de Rodrigo Otero Heraud, fecham a lista de finalistas.

Ao todo a curadoria do festival recebeu 452 filmes, entre curtas, médias e longa metragens. Além das produções nacionais, o Festival Cineamazônia recebeu candidatos de Colômbia, Espanha, Peru, Chile, Argentina, México, Moçambique, Índia, Itália, Birmânia, Bósnia/Herzegovina, Portugal, E.U.A., Irã, França, Singapura, Alemanha.Clique nas imagens para ampliar

Ação e reação, intolerância não!

Texto e foto de Valéria del Cueto

 

“Ó meu Brasil

cuidado com a intolerância

tu és a pátria da esperança,

a luz do Cruzeiro do Sul.

Um país que tem estrela assim tão forte

não pode abusar da sorte

que lhe dedicou o Olurum.”

(“Alabê de Jesusalém, a saga de Ogundana”, samba da Viradouro, carnaval 2016, baseado na ópera de Altay Veloso. Compositores: Paulo César Feital, Zé Gloria, Felipe Filósofo, Maria Preta, Fábio Borges, William, Zé Augusto e Bertolo)

O alerta dado há dois anos atrás no carnaval carioca deixou de ser premonitório e se torna, a cada dia, uma triste realidade no Brasil. Atos de intolerância se multiplicam e se espalham por vários pontos do país. O preconceito explode em diferentes setores. Entre eles, o religioso.

O capítulo mais recente dessa triste história que ainda estamos escrevendo foi o vandalismo praticado contra o busto de Chico Xavier, no cemitério São João Batista, em Uberaba, Minas Gerais. O vidro blindado que protege da obra foi danificado por pedradas ou tiros, no sábado,

30 de setembro. Os autores não foram identificados.

Re-ação

A toda ação corresponde uma reação. Aqui no Rio de Janeiro ela vem ocorrendo na mesma proporção em que a intolerância religiosa se manifesta e, coisa dos tempos atuais, é registrada em gravações distribuídas pelas redes sociais como troféus de uma cruzada obscurantista de preconceito e violência.

Da 10ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa que reuniu milhares de fiéis na orla de Copacabana, no domingo 17 de setembro, participaram representantes de religiões de matriz afro-brasileiras e lideranças de igrejas cristãs, das comunidades judaica, kardecista, budista, wicca…

Mais do que ser uma celebração da convivência pacífica entre a maioria das religiões realizada há uma década, esse ano a mobilização teve um apelo recorrente: a punição dos ataques a terreiros de matriz afro-brasileiras.

Filme antigo

Na Primeira Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa de 2008, protesto idealizado depois de denúncias de que traficantes estariam proibindo terreiros em favelas e após o ataque a um centro umbandista, Marcelo Crivella, então candidato à prefeitura do Rio pelo PRB, apareceu de surpresa no protesto e

se posicionou. “Minha rejeição como político vem da intolerância de pessoas que não aceitam que eu seja evangélico”, disse o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus.

Em março de 2016, como representante do estado do Rio de Janeiro no Senado Federal, Crivella cobrou a adoção de medidas corajosas para evitar o radicalismo das religiões no pronunciamento da tribuna em que homenageava cristãos mortos num atentado no Paquistão. Ele lamentou os atos de violência contra muçulmanos no Brasil apelando à tolerância religiosa e a convivência pacífica entre todos os credos. “ Eu gostaria de lembrar que a única guerra, o único combate legitimado por Cristo é o combate contra si mesmo, é a luta contra o medo, contra as hesitações, contra as tentações, contra as fraquezas. É a única luta que se prevê no âmbito da fé. Qualquer outra é movida pelo orgulho, pela prepotência. E eu digo mais: pior pecador é o acusador”, explicou.

O agora prefeito além de não comparecer a décima edição da Caminhada, através de medidas de controle que dá a seu gabinete o poder de autorizar ou negar a realização de qualquer evento na cidade, também se tornou alvo dos protestos e das mobilizações que se multiplicam em setores da sociedade carioca.

Intolerância na roda

Este será também o mote de dois fóruns de debates nos próximos dias no Rio de Janeiro.

O primeiro será (mais) uma audiência pública na Assembleia Legislativa, dia 05 de outubro, às 10h, com o tema “ Intolerância religiosa e os recentes ataques a terreiros de religiões de matrizes africanas”, promovida pela Comissão dos Direitos Humanos e Cidadania, presidida pelo deputado Marcelo Freixo, do PSOL.

O segundo evento será mais amplo e abrangente. Ocorrerá durante a EXPO Religião, feira inter-religiosa que ocupará 6.000m² do Porto das Artes, do Boulevard Olímpico, no centro do Rio, de 06 a 09 de outubro.

Diversidade e respeito serão conceitos que darão a tônica do encontro ecumênico. Nele, se reúnem durante o final de semana representantes de 17 religiões, autoridades como o Presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira, o secretário estadual de Cultura, André Lazaroni e personalidades como o apresentador e carnavalesco Milton Cunha. Eles participarão da primeira de muitas mesas de palestras. Esta, terá como tema “Diversidades (religiosa, sexual, cultural e social)”.

Ensino laico ameaçado

Para a organizadora da EXPO Religião, a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que professores de ensino religioso em escolas públicas promovam suas crenças em sala de aula será mais um assunto na pauta das discussões. “Agora nossa responsabilidade é maior. Precisamos mais do que nunca lutar pelo respeito e pela diversidade religiosa. Tendo em vista que hoje em sua grande maioria os professores são de uma única religião, essa decisão coloca em risco o livre arbítrio”, posiciona-se Luzia Lacerda, diretora e idealizadora do evento, considerado a maior feira do segmento na América Latina.

Temperando essas questões e integrando os visitantes, apresentações e novidades em produtos e serviços religiosos no Espaço Gastronomia, com stands de comidas, Espaço Oráculo, com práticas adivinhatórias como búzios, tarô, além do Espaço Zen com terapias alternativas, como a holística. Tudo ao ritmo de shows musicais, sempre às 18h, e de danças nos intervalos entre as atividades no decorrer do dia.

Para abrir com o pé direito, todas as bênçãos e o axé que precisa para ter êxito, a EXPO Religião receberá, às 13:30h do dia 06 de outubro, a visita da imagem de Nossa Senhora Aparecida Peregrina, como parte da comemoração dos 300 anos da Aparição da Padroeira do Brasil.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa matéria faz parte da série “Arpoador” do SEM   FIM…  delcueto.wordpress. com

AcreditArte : um projeto da artista Samira Lemes

Samira Lemes artista circense, massoterapeuta, fotógrafa , produtora , viajante caroneira livre , amante das artes , tem o dom da comunicação , fazendo a todos que os cerca sentirem felizes ,resgata a magia das pessoas que as rodeiam como no público em geral.  Viaja de  carona percorrendo convenções e festivais de circo e palhaçaria do Brasil e América latina, retratando os artistas e o movimento atual desse universo do circo.  E batizou essa aventura como projeto AcreditArte. Um pouquinho de seu projeto:

O combustível para meu jeito de fotografar é a curiosidade sobre os artistas circenses que se arriscam em fazer esta arte no Brasil ocupando espaços públicos. Um projeto itinerante que registra artistas viajantes de toda a América Latina que fazem da rua seu picadeiro e da sua vida arte, encontrando assim suas raízes. A realidade, porém, não é muito fácil para quem se arrisca a fazer arte de rua no Brasil onde o artista  se encontra numa condição marginalizada.
Este projeto quer mostrar um mundo que talvez passe despercebido aos olhos de muitos, que na correria de suas vidas não reconhecem os artistas de rua como seus semelhantes, ou seja, trabalhadores. Ocupando os espaços públicos, pois é uma arte democrática sem preconceitos não escolhendo platéia e trazendo questões relevantes à sociedade.
O intercambio e a intimidade que existem entre o artista e eu revelam minha experiência de vida. São reflexões particulares, muitas vezes vividas no limite da sociedade onde diversos tipos de preconceitos são comuns, tais como: machismo, homofobia, racismo, xenofobia, dentre outros. Por outro lado é esse tipo de condição que faz florescer a união coletiva dos artistas circenses, que se ajudam e se apóiam mutuamente onde quer que estejam. É essa união que dá a força e a motivação necessárias para que esses artistas sigam em frente expressando sua arte, muitas vezes em forma de protesto.
Como não posso descrever essa realidade, capturo imagens que parecem ser válidas da maneira como as vejo: intensas e quentes. Há muita ternura, dedicação e também certo nervosismo e medo, expressando um misto de verdadeiros sentimentos.
Minhas fotos têm a intenção de fazer pensar, de olhar esse mundo de uma maneira diferente para que possamos nos expressar e ver que todos têm problemas.
Quero mobilizar as reações dos expectadores e envolvê-los com questões levantadas pela imagem. Fazer perguntas sobre nós mesmos, estas por vezes desconfortáveis, em retratos com olhos arregalados, olhares tortos, equilibristas, verdades nuas, singularidades, muitas dessas perguntas sem resposta. É um fazer se questionar, encorajar. Pois somos mais fortes, quando empoderamos o outro.
Portanto é um encontro consigo mesmo, revelando nosso interior, que por si só, são o núcleo, a essência. A fotografia é apenas a maneira de registrar isso e não menos importante eu mesma. É onde me encontro

Senta no toco

Texto e foto de Valéria del Cueto

Cronista, minha cronista. Que bom que por aqui não anda. Reclusa que está, em seu encarceramento voluntário do outro lado do túnel. Aqui quem fala é aquele seu estupefato amigo extraterreste, Pluct Plact, testemunha involuntária de fatos praticamente inenarráveis de tão inacreditáveis.

Não há mais espaço para a sua especialidade por aqui. Impossível alcançar a sofisticação existente no critério inventividade. Não, não se trata de um problema em relação a produção possível e necessária das deliciosas histórias cotidianas que fazem parte de sua lavra, cara amiga.

O caso é outro. Se chama operação Malebolge, o oitavo círculo do inferno de Dante. É décima segunda fase da Ararath. A primeira após a delação premiada do ex-governador Silval Barbosa.

Demorou, mas ela chegou com busca e apreensão em 65 endereços. De alto a baixo, de cabo a rabo. Em dois estados e no Distrito Federal.

Em âmbito ministerial temerístico pegou na veia. Nosso representante foi o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blaigo Maggi (PP), com direito a busca e apreensão no apartamento funcional de Brasília, a casa de Rondonópolis e o seu escritório na Amaggi de Cuiabá.

No Congresso Nacional os mato-grossenses agitaram as já efervescentes duas casas com as visitas das equipes da PF. No Senado o alvo foi Cidinho Santos (PR) e na Câmara o deputado federal Ezequiel Fonseca (PP).

Em Mato Grosso também sobrou para todos os lados. Em Cuiabá o prefeito Emanuel Pinheiro recebeu a visita dos agentes em sua casa e na prefeitura. Em Juara, a visitada foi prefeita Luciane Bezerra (PSB).

Na Assembleia Legislativa o movimento foi intenso com apreensões nos gabinetes dos deputados estaduais Gilmar Fábris (PSD), Baiano Filho (PSDB), Zé Domingos Fraga(PSD), Romualdo Júnior (PMDB), Wagner Ramos (PSD), Oscar Bezerra (PSB), Ondanir Bortoloni, o “Nininho” (PSD) e Silvano Amaral (PMDB).

O caso de Gilmar Fabris, vice-presidente da Assembleia Legislativa, é ainda mais complicado. Suspeito de ocultar provas na Operação Malebolge por decisão do Ministro Luiz Fux foi preso e afastado do cargo.

No Tribunal de Contas do Estado valeu a regra do jogo conhecido como “ Resta Um”. Houve busca e apreensão nos endereços residenciais, gabinetes e respectivas assessorias no TCE, dos conselheiros José Carlos Novelli, Waldir Teis, Antonio Joaquim, Valter Albano e Sérgio Ricardo (afastado). Posteriormente, o Ministro Luiz Fux mandou afastar 5 dos seis conselheiros. Só restou um…

Nem a Procuradoria Geral do Estado ficou de fora do limpa trilhos. O Gabinete do Procurador e ex-deputado Alexandre Cesar também estava na lista dos endereços visitados pelas equipes da Polícia Federal.

Para fechar a lista, em São Paulo entrou na roda presidente do Bic Banco, José Bezerra de Menezes,

Tá ruim? Pois fique sabendo, amiga cronista, que as coisas tendem piorar ainda mais praquelas bandas. O governador Pedro Taques, comemora a volta do Comendador Arcanjo ao o sistema prisional estadual mandando recados provocativos para o detento recolhido aos costumes. Parece ignorar o velho ditado que diz: “Senta no toco e espera”. É lá que anda Arcanjo. Esperando…

Isso, enquanto esquenta a chapa e aguardamos que seja homologada a delação premiada do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva. Recordista em processos na justiça, é bom lembrar que só haverá acerto se forem apresentados – e provados – fatos novos em relação aos inúmeros desmandos praticados por ele e seus asseclas.

Por essas e por outros e que recomendo veementemente sua permanência no conforto amigo de sua cela cinco estrelas. É muita notícia quente neste calor insuportável. Na próxima lua minguante que é para ninguém me ver, prometo uma nova análise e, quem sabe, melhores notícias.  Do sempre teu, Pluct plact.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas Fabulosas” do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

O decadente jornal ZH demite Luiz Fernando Veríssimo

Luis Fernando Verissimo fala da recente saída da RBS, da transferência do seu acervo pessoal para a nova biblioteca da Unisinos, em Porto Alegre, e da onda de conservadorismo que está transformando o caráter do brasileiro médio em cada vez mais “selvagem” e “intolerante”. A redação do Portal Making Of confirma que o colunista Luiz Fernando Veríssimo foi demitido do jornal Zero Hora onde começou a atuar há 45 anos. A demissão ocorreu há duas semanas, mas foi descoberta apenas agora. A primeira informação dada pelo jornalista gaúcho Mário Marona que atua no Rio de Janeiro dizia que o contrato teria sido rompido neste sábado.
Não há informação oficial sobre o desligamento que não foi divulgado ainda no Rio Grande do Sul. Zero Hora continua publicando a coluna de Veríssimo às segundas-feiras porém distribuída pelo jornal O Globo. O contrato rompido era direto com o escritor para a produção de coluna locais. O motivo da demissão foi contenção de custos.

Discos que levarei para o bunker…The charque side of the moon

Em tempos de tecnologia e misturas, já está se tornando até comum um artista pegar um álbum clássico e reinventá-lo. Foi assim com Dangermouse e seu “Grey Album” um mash-up do “Álbum Branco” dos Beatles com o “Black Album” do rapper Jay-Z. Depois veio o DJ BC juntando Beatles e Beastie Boys. A tendência de misturar sons as vezes opostos, recriar em cima de obras já prontas, ganhou espaço e cada hora surge uma novidade. No Brasil os mash-ups já fazem sucesso em determinados meios, mas agora um grupo de músicos paraenses resolveu ir além e recriou um clássico do Pink Floyd em uma versão bem particular. A idéia surgiu da cabeça de Luiz Félix, guitarrista, percussionista e vocalista da banda La Pupuña, do Pará, que logo convidou o baixista da banda, Fabrício Jomar, para regravar o álbum “Dark Side of the Moon” com pegada paraense, a base de guitarrada, cumbia, lundum, brega e surf music. O resultado é impressionante. Estão lá todos os sons, os detalhes e a sequência das músicas do original, todo o clima, todas as invencionices, toda a viagem do clássico álbum de 1973, numa fidelidade até assustadora. Tudo certinho, como quase se fosse o original, mas é tudo com um tempero especial.

O disco foi gravado com a banda La Pupuña e um time de convidados que alteraram o DNA do disco e injetaram música e elementos paraenses no universo progressivo. Logo no início os sons do carimbó e dos barcos popopô fazem a introdução de “Speak to me Breath” para logo entrar ao mesmo tempo um irresístivel suingado e o espirito do Pink Floyd da década de 70. “On the Run” traz a competência de Pio Lobato e Guilherme Guerreiro do Cravo Carbono. Os sinos e o despertador de “Time” permanecem mas na verdade eles estão substiuídos pelos sinos da Basílica de Nazaré e pelo despertador de Luiz Félix. Cantada por Roosevelt Bala, vocalista do Stress, banda pioneira no heavy metal Brasileiro, com reforço da cantora de brega Denise Lima, a mais conhecida música do disco segue bem fiel até aos poucos se transformar num carimbó pelas mãos percussivas do grupo regional Os Baioaras. Sacrilégio? Pelo contrário, uma homenagem marcante e especial que trafega por todas as faixas do disco.

Quem imaginaria Gabi Amarantos, cantora de Tecnoshow, soltando a voz em uma vesão de “The Great Gig in the Sky”? Mais ainda, a reconstrução de outra clássica como “Money”, que começa alterada com uma base de percussão suingada, segue com as vozes da própria Denise Lima e da vocalista da banda Madame Saatan, Sammliz, e termina desconfigurada genialmente com solos de guitarrada de Mestre Vieira e um transe percussivo paraense. A viagem segue durante “Us and Them”, “Any Colour You Like”, que ganha uma percussão merengue, “Brain Damage”, com direito a risadas sampleadas de Fafá de Belém, e a incrível versão quase lambada de “Eclipse”. É como se o Pink Floyd tivesse gravado o mesmo disco de 35 anos atrás, mas que no sangue de Roger Waters e David Gilmour, além de rock progressivo, psicodelia, texturas sonoras, jazz fusion e art rock, corresse uma sonoridade latina.

Um quem é quem da música paraense atual, com convidados de estilos diversos abrilhando um trabalho de alto nível que já chamou atenção de gravadoras estrangeiras que devem lançar o álbum na Europa. O “Charque” do título se refere mesmo a carne-do-sol, mas também a como é chamada a genitália feminina lá no Pará (daí a capa do disco). Um trabalho para ouvir e reouvir, pegar o original e ficar comparando, notando as diferenças e curtindo a criatividade dos músicos paraenses.

Irma, irmãos, furacão!


Texto e foto de Valéria del Cueto

Essa mudança de dia de publicação ainda não foi devidamente assimilada. Uma coisa era escrever na madrugada de quinta a crônica distribuída no final de semana. Outra, bem diferente, é fechar o texto no domingo à noite para publicação na edição de terça.

Tem um gap de informações aí. Para mais ou para menos, rola uma certa dificuldade em “surfar” no sentimento do leitor. Explico com um bom exemplo, o da na semana passada. “Análise de conteúdo”, a crônica, demandou um grande esforço: a leitura do calhamaço de mais de 700 páginas da delação premiada do ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa. Ela não deixou pedra sobre pedra na política estadual, com relevantes reflexos nacionais. Fechada na noite de domingo passado, o material chegou ao leitor entre segunda e terça. Só que…

Da noite em que foi redigida até chegar ao público alvo, mais do que água por baixo da ponte, o que rolou correnteza abaixo foi a ponte inteira. Nesse bat-período vieram a público quatro mal gravadas horas de conversa jogada fora pelos delatores Joesley Batista e Ricardo Saud. Um arrasa quarteirão! Poderia jurar que Joesley é do signo de escorpião. O que se pica com o próprio veneno…  

Seguindo o modus operandi da divulgação em pílulas pela imprensa das revelações do ex-governador mato-grossenses, as incríveis opiniões (dadas num palavreado de fazer inveja a um jegue xucro) pelos representantes do suprassumo do empresariado nacional foram sendo vomitadas paulatinamente para o público.

Dá para imaginar a reação dos alvos das observações dos dois “confidentes”. Vamos começar por suas respectivas mulheres? O irmão que provavelmente entrará de gaiato no navio da Papuda? Pensem nos demais familiares. Deixe para o final da ficção as autoridades citadas. Não poderia dar outra. Xilindró para eles, os que não seguiram a que deveria ser máxima básica nesses tempos de gravações descontroladas e traições desvairadas: quanto menos conversa, nenhuma!

Mas era apenas o começo…  Nem bem acabaram as 4 horas de ouvido pendurado no alto-falante do computador tentando captar os murmúrios do encarregado das relações institucionais do grupo J&S entre os delírios oligofrênicos do seu chefe, eis que começa a maratona de acompanhar, tim tim por tim tim, os depoimentos em vídeos para o Juiz Sérgio Moro do ex-poderoso, atual presidiário, quase delator Antônio Palocci e do comprador da sede do Instituto Lula. Parente distante, porém, compadre de Bumlai, o amigo o ex-presidente. Espanto em cima de espanto. Todos movidos por primeiras, segundas, terceiras e quartas intenções.

Acabou? Não. Como cada um tem os furacões que merece, os do hemisfério norte estão em plena atividade, animadíssimos. Irma vem na frente pedindo passagem, seguido de perto por José e Kátia. Destruição em massa, sem qualquer discriminação. Dá uma invejinha de ver como os fenômenos estão sendo previstos e acompanhados por lá, na medida do possível.

Pra gente a coisa é mais complicada. Não há como prever o que vem por aí depois do “teje preso” para os “parça” que não respeitou nem o feriadão da Independência. O que sabemos é que pelo menos um dos nossos fenômenos tem data para terminar: dia 17 se encerra o mandado do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Até lá, tudo pode acontecer. Inclusive a necessidade da convenção um novo grau na escala de intensidade desse tipo de manifestação. Acho que 5 será pouco.

Por aqui, nem o céu é o limite para os severos e irreparáveis danos que podem ser causados nos próximos dias às nossas instituições. Preste atenção no modelo que será definido para as eleições de 2018. Por aí dará para projetar o tamanho do que virá por aí na política brasileira. O sacode promete abalar, mais uma vez, as já combalidas estruturas sociais brasileiras.

Já preparou suas reservas? Morais, éticas e cívicas. Se não der, tenta uma de avião. Deve haver um lugar mais tranquilo nesse mundão de Deus.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Análise de conteúdo

Texto e foto de Valéria del Cueto

Demorou. Após a abertura dos (longos) trabalhos, travar, pausar, voltar, enjoar, precisar de ar, mais ar e… começar de novo. Parecia que nunca ia terminar. Definitivamente, para quem encarou, se não uma tarefa agradável, muito esclarecedora. Foi nessa levada inconstante e cheia de mal-estar a leitura – obrigatória – dos documentos liberados pelo Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, contendo a delação premiada do ex-governador Silval Barbosa, família e assessoria.

A monstruosa pacoteira trouxe uma série de fatos e mídias contundentes. Eram tantas informações que o material acabou sendo fatiado em matérias destrinchadas e distribuídas pelos meios de comunicação de Mato Grosso. Caso típico de aplicação da máxima popular “vamos por partes, como já dizia o esquartejador”. No conteúdo explosivo informações para todos os gostos e vertentes. Daria para publicar várias edições de material inédito puxando a brasa para a sardinha do vizinho, deixando uns para mais tarde e diluindo informações comprometedoras no meio da meada apresentada.

Isso foi um aspecto. Outro foi a reação dos citados, alguns com a marca de “corrupto” carimbada através das imagens e gravações estarrecedoras que vieram a público. Como bem salientou o publicitário Mauro Cid em seu artigo “O silêncio que incomoda”, publicado no último final de semana, faltam “argumentos” e explicações. Que “artistas” esses, da incrível peça que, infelizmente, não é de ficção. Vejam quem, diz a Procuradoria Geral da República, protagoniza o espetáculo.

“…Entre os agentes políticos, destaca-se a figura de BLAIRO BORGES MAGGI, o qual exercia incontestavelmente a função de liderança mais proeminente na organização criminosa, embora se possa afirmar que outros personagens tinham também sua parcela de comando no grupo, entre eles o próprio SILVAL BARBOSA e JOSE GERALDO RIVA.

Embora seja difícil estabelecer um marco temporal preciso para o início das atividades do grupo criminoso, é fato que, desde a gestão de BLAIRO MAGGI no governo do Mato Grosso, a organização já utilizava financiava-se com recursos de operadores financeiros para atingir seus fins ilícitos. Na época, já era corrente o pagamento de propinas a integrantes do Poder Legislativo e do Tribunal de Contas do Estado, de modo a garantir a harmonia no funcionamento do ecossistema delitivo entranhado nas estruturas do Estado.

E mais. Um dos principais articuladores do esquema, EDER DE MORAES DIAS, já atuava sob o comando de BLAIRO MAGGI. SILVAL DA CUNHA BARBOSA, sem embargo da extrema gravidade das condutas por ele praticadas, apenas deu continuidade ao esquema iniciado no governo de seu antecessor. Vale aqui destacar que, mesmo sob a gestão de SILVAL BARBOSA, a liderança e influência de BLAIRO MAGGI era presente e se fazia valer.

Com efeito, uma das condições para que SILVAL DA CUNHA BARBOSA obtivesse o apoio de BLAIRO MAGGI e de seu grupo político para concorrer a cadeira de Governador do Estado nas eleições de 2010 foi assumir as dívidas deixadas por ele perante os operadores financeiros e arranjar meios para saldá-las – por intermédio dos diversos esquemas de corrupção e desvio de recursos narrados pelos colaboradores.” Págs. 749/750

Trecho da petição número 7.085/DF do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, do Ministério Público, para o relator do processo de delação premiada de Silval Barbosa, Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, págs. 749/750.

Em tempo: Rodrigo Janot deixa claro ao final da petição que não pretende, momentaneamente, desmembrar os 7 casos narrados. O que significa que outros, muitos outros, poderão surgir.

A pesquisar: o que contérá o documento de mídia do estacionamento, anexada no processo na página 545 e acautelado pelo Ministro Luiz Fux no cofre da Corte?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

Morre “Negro Matapacos”, o revolucionário cão chileno que acompanhava todos os protestos contra o governo

“Nós o vimos mais de uma vez correndo a toda velocidade pelas escadas da Central, escalando quatro andares sem pausas, e do topo do prédio – o que entendemos foi a sua sentinela – o preto monitorado: o Parque Almagro e San Ignacio. Duas frentes que dariam intensos dias de resistência e luta. Às vezes, ele apenas assistia, e outras latia até que sua voz se passasse, não mais ecoava como os negros “. Este parágrafo faz parte da despedida oficial que a fanpage deu ao “Negro Matapacos”, o cão que foi para todas as marchas e que sempre esteve presente entre os encapuzados.

“As marchas começaram, havia duas exigências claras dirigidas ao Estado do Chile:” Educação gratuita e qualidade! Termine o lucro! “. Tivemos líderes, hoje alguns são deputados da República. Mas nós, as bases, temos uma guaripola ( um bastão de madeira de 1,5 m, com diversos adornos e que tem uma ponta metálica . Quem leva esta insígnia é o maestro de uma banda militar.)

El Negro “. O poder saltou para a fama pública com o funcionamento das manifestações. A partir de 2011, era comum ver imagens do animal na linha de frente. Havia mesmo relatórios de jornais sobre sua figura. “E ele não apenas os liderou, mas também quando se tratava de resistir à repressão policial, ele foi plantado em frente a forças especiais, mas sempre com seus melhores companheiros, os estudantes.

Para mim, em particular, esse fato me cativou, tanto que se criou umperfil no Facebook que permaneceu como Black Matapacos. Lá percebi que o negrito era um fenômeno, e muitos fotógrafos independentes começaram a compartilhar seus registros comigo. Era que devíamos estar lá para entender o tremendo símbolo representado pelo nosso amigo negro “. Pelo mesmo motivo, algumas horas atrás, a morte dos “Matapacos Negros” foi confirmada, após o que as redes sociais foram preenchidas com mensagens de despedida para o cão. “Hoje (26/08) o Negro Matapacos não morreu, ele simplesmente foi buscar utopias”.

Nas redes sociais, os chilenos também se manifestaram com a morte do cão:

Por Christian Monzón, Publimetro/Chile

Desgaste ósseo na terceira idade pode ser evitado com dieta fortalecida

Sempre que pensamos na figura de um idoso, é comum associarmos a imagem de um indivíduo que caminha com certa dificuldade, faz movimentos mais lentos ou simplesmente não tem tanto vigor. Contudo, ao contrário do que muitos pensam, a perda da força e autonomia não são consequências naturais do envelhecimento. Certos problemas comumente associados à velhice não surgem, necessariamente, devido à idade, mas sim, como resultado de uma série de hábitos cultivados ao longo da vida. Esse é o caso, por exemplo, da osteoporose, doença que, embora muito comum entre os mais velhos, pode surgir ainda na juventude. O problema é que por ser assintomática, só é realmente perceptível quando já atinge níveis preocupantes, o que costuma ocorrer, justamente, após os 50 anos.

Felizmente, o desgaste ósseo pode ser prevenido e, até mesmo, tratado com medidas simples. Dentre os inúmeros fatores que podem mudar este quadro, a alimentação é, sem dúvidas, a chave para enfrentar o problema. E nesse momento, o famigerado cálcio não é a única solução. Existem outros nutrientes tão relevantes para a saúde dos ossos quanto o mineral, capazes, inclusive, de auxiliar na absorção do nutriente no organismo. Por isso, apostar num cardápio estratégico é fundamental para garantir ossos mais fortes, sobretudo na terceira idade.

Quando a cabeça não pensa…

Segundo dados do Ministério da Saúde, atualmente 10 milhões de brasileiros sofrem com a osteoporose e, uma das maiores razões para tal não é apenas o fato de estarmos vivendo mais, mas, principalmente, por estarmos cultivando maus hábitos alimentares. Para se ter uma ideia, uma pesquisa realizada pelo órgão juntamente com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011, revelou que nós consumimos pouco cálcio e muito sódio, isso em todas as faixas etárias. No que isso implica?

De acordo com a nutricionista Gabriela Domingues, da Nova Nutrii, especializada em nutrição clínica,: “É indiscutível a importância de cálcio para a saúde dos ossos, afinal, quase todo cálcio do nosso corpo está concentrado nessas estruturas. O problema é que quando existe uma deficiência do mineral, os ossos ficam enfraquecidos e mais suscetíveis a cãibras, dores e, até mesmo lesões. Essa situação é agravada ainda mais pelo consumo excessivo de sódio, pois este mineral “rouba” o cálcio do organismo, ou seja, impede sua absorção eficaz.  É nesse momento que o corpo vai sofrer pelas escolhas pouco qualificadas feitas ao longo de anos. Justamente por isso que muitos só se conscientizam da importância do cálcio nas suas refeições quando o problema já está estabelecido. Ainda assim, muitos continuam errando, pois, apesar de se preocuparem com a ingestão do mineral, se esquecem de outros nutrientes fundamentais para “fixar” o cálcio nos ossos”.

Aliados do cálcio

Sem dúvidas este mineral é o protagonista de uma dieta fortalecedora dos ossos, afinal é o responsável por “construir” ossos e dentes e participar de funções vitais para o organismo como, por exemplo, a coagulação do sangue, transmissão de impulsos nervosos e contração muscular. Conforme Domingues, é importante ressaltar apenas que o cálcio não é encontrado somente no leite e seus derivados, mas também em outros alimentos que podem servir como excelentes opções na hora de repor o mineral no organismo. “O brócolis, a sardinha, a ameixa preta, o abacate e a amêndoa também são excelentes fontes de cálcio e podem ser ingeridas por meio de uma alimentação balanceada. É importante variar o cardápio não apenas pela diversidade de nutrientes, mas também porque, com o passar dos anos, alimentos derivados do leite podem não ser bem tolerados por algumas pessoas”.

Inclusive, engana-se quem acredita que para manter a saúde dos ossos em dia é necessário consumir grandes quantidades de cálcio, pois, na verdade esse mineral depende de outros fatores para que sua absorção ocorra de maneira satisfatória. Por conta disso, é preciso ter uma dieta equilibrada, rica em nutrientes que atuam como “fixadores” do cálcio nos ossos. Segundo a nutricionista, os seguintes elementos não podem faltar no cardápio de quem deseja enfrentar ou prevenir o desgaste ósseo:

Vitamina D

A vitamina D faz com que o cálcio seja absorvido pelo organismo com mais eficiência e é responsável por direcioná-lo aos ossos, diminuído a fragilidade dos membros. Muitas pessoas acham que a deficiência desta vitamina está diretamente ligada a uma alimentação incorreta, mas existem outros hábitos a serem observados. “Basicamente, boa parte da vitamina D é obtida por meio da exposição solar, por isso é importante, sempre que possível, tomar sol. Caso contrário, o nutriente também pode ser ingerido por meio de alimentos como fígado, ostras, gema de ovo e óleos ricos em Ômega 3”.

Domingues também afirma que o tempo de exposição pode variar de pessoa para pessoa, por isso é necessário realizar periodicamente exames laboratoriais que indiquem a quantidade de vitamina D presente no sangue. Pois, em casos mais severos de deficiência da vitamina, a suplementação pode ser indicada por um médico/nutricionista.

Vitamina K2

Conhecida como menaquinona, a vitamina K2 pertence ao grupo das vitaminas K e tem despertado interesse dos cientistas nos últimos anos justamente por intensificar a ação da vitamina D, quando utilizadas juntas. Para a saúde dos ossos, seu efeito é ainda mais importante, pois é responsável por impedir que o cálcio se deposite em articulações, órgãos e artérias, o que acarreta em outros problemas de saúde.

“Dentre suas ações, a vitamina é capaz de ativar a osteocalcina, uma proteína não colagenosa, produzida pelas células dos ossos, fundamental para integrar o cálcio à matriz óssea e assim, impedir a degradação do esqueleto.” – explica Domingues. De acordo com a nutricionista é possível encontrar esse nutriente em alimentos como: “Soja fermentada, gema de ovo, leite, fermentação de queijos, fígado, óleos de peixes e iogurte natural”.

Proteínas

Fortalecer a parte muscular também é fundamental para a saúde óssea, afinal são esses tecidos os responsáveis por proteger o esqueleto. Portanto, se não houver um estimulo constante à massa magra, o organismo entenderá que não há a necessidade de uma estrutura fortificada para sustentar os ossos e deslocará os minerais e vitaminas para outras partes vitais, o que contribui para o surgimento da osteoporose. E é aí que entram as proteínas:

“Para combater essa patologia, também é importante haver uma ingestão adequada de proteínas juntamente com os outros nutrientes fortalecedores da estrutura óssea, pois esse macronutriente ajuda na formação da massa magra. Para isso, é importante o consumo equilibrado de carnes, ovos, couves, espinafre, grão de bico, brócolis e aves em geral”. – explica a nutricionista Gabriela Domingues. Conforme a profissional, idosos devem, igualmente, prestar atenção ao aporte proteico, pois geralmente deixam de consumir alimentos como carnes, ovos e laticínios devido a problemas digestivos ou, até mesmo, por ter outras preferencias. Como estes alimentos são ricos em proteínas de alto valor biológico, ou seja, oferecem boa parte do que o organismo precisa para formar os tecidos, é preciso variar o cardápio para que não haja uma deficiência de proteínas e, consequentemente, perda da massa magra e maior fragilidade dos ossos.

Além disso, Domingues ressalta que é preciso, além de investir nesses nutrientes, evitar alimentos que prejudicam a absorção do cálcio como, por exemplo, excesso de chás escuros, café, dietas ricas em gordura, refrigerantes e excesso de sal. Vícios como fumo e ingestão de bebidas alcoólicas devem ser rigorosamente evitados.

A hora é agora!

De acordo com a nutricionista, o momento de corrigir a alimentação é qualquer fase da vida, afinal, a deficiência desses nutrientes em qualquer idade pode comprometer a saúde óssea. Contudo, durante a terceira idade, os cuidados devem ser redobrados, pois, a perda natural da massa óssea pode evoluir para osteoporose. “A osteopenia, como é chamada essa fase inicial de perda de massa óssea, acontece por volta dos 30 anos, e, se não tratada pode evoluir para quadros mais graves. Por isso é preciso investir nesses nutrientes tanto para atenuar a perda natural da massa óssea, quanto para frear a progressão da osteopenia.”

É preciso suplementar?

O cardápio equilibrado é sempre a melhor saída para evitar complicações de saúde como a osteoporose, contudo, quando os sintomas são muito intensos e prejudicam a qualidade de vida, é possível que o problema esteja relacionado a uma carência nutricional mais severa. Idosos, geralmente, precisam de um aporte nutricional mais elevado e, naturalmente, tem maior dificuldade de absorver os nutrientes vindos da alimentação de forma eficaz. Porém, a suplementação jamais deve ser iniciada deliberadamente, é fundamental procurar um médico/nutricionista para averiguar a origem do problema, bem como quais nutrientes estão em falta e em qual proporção. “O primeiro passo é fortalecer a alimentação e buscar melhorar o estilo de vida, e, se ainda assim, o problema persistir, é imprescindível buscar auxílio médico para que o tratamento seja eficaz e seguro”. – alerta a nutricionista.

Além de uma dieta rica em cálcio, vitamina D, vitamina K2 e proteínas, é necessário manter uma rotina de exercícios que estimulem a musculatura. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, indivíduos que enfrentam problemas de desgaste ósseo devem fugir do sedentarismo. Para tal, atividades físicas moderadas devem ser incluídas na rotina, respeitando os limites do indivíduo e sempre com acompanhamento profissional. Isso porque, manter-se ativo contribui para um melhor equilíbrio corporal e controle dos movimentos, além de beneficiar diversos aspectos do organismo.  “Portanto, manter o vigor na terceira idade e disfrutar de uma boa saúde óssea requer, antes de tudo, um estilo de vida saudável. Dessa forma, o indivíduo ganha em disposição e qualidade de vida.” – finaliza Domingues.

Fonte:  Nova Nutrii

Só dá mais uma

Texto e foto de Valéria del Cueto

Ação! Complicado abandonar assim para toda a vida um companheiro inseparável de tantas jornadas. Daqueles que andam colados com a gente em qualquer situação.

Com esse subi e depois desci o Brasil em busca das tantas histórias que você, leitor, teve a sorte de apreciar por aqui.

Foi um tempo enriquecedor e transformador, verifico ao checar seu registro inicial. Passear aleatoriamente por suas páginas me transporta para outros mundos, várias ideias, anotações curiosas, um tempo para atrás, alguns planos para a frente.

Nesses anos já tentei sem sucesso várias técnicas para evitar inconscientemente o final desse amor que acaba sendo temporário, substituído que é por outro exemplar, nem sempre tão adequado mas, certamente, essencial nas minha humilde vida literária.

A última separação foi adiada mas, como você verá, não evitada com um artifício primário. Quando notei que o momento do desapego se aproximava, acreditem, passei a ter dois companheiros em vez de um só. A intenção era ir me acostumando com as características que marcariam o futuro próximo, enquanto praticava um desapego lento e gradual do caso que chegava ao fim.

Verdade. Peguei os dois paralelamente   para evitar uma fria troca, apegada que estava ao mais antigo, procurando postergar seu inexorável abandono.

Deu ruim porque perdi a ordem cronológica dos fatos narrados. Embaralhados ficarão para a posteridade na prateleira da estante. Provavelmente, inclusive, amarrados por algum barbante no espiral para não se desencontrarem, o que seria problemático em caso de consulta ou recaída nostálgica.

Falhei sim, e pagarei o preço da inconstância no futuro. Claro que acabei chamando urubu de meu louro e as consequências são inevitáveis, reconheço, mas fazer o que?

Assumir o subterfúgio quando ele se tornar aparente e agir com toda a dignidade e respeito quando o fim for definitivamente inadiável.

E, lamento dizer, não importam os nossos momentos de felicidades, as aventuras que vivemos juntos, nossas lembranças comuns. Apesar de ter adiado o quanto pude, é quase hora de dizer adeus.

Que seja rápida enquanto dure essa passagem cheia de nostalgia, gratidão e agradecimentos. Não só pelo que revelamos juntos mas, também, pelos segredos que compartilhamos no silêncio de nossa memória cheia de cumplicidade.

Agora, aperto algo além do meu coração, encolho as letras, diminuo o tom. Descobri que não! Ainda não chegou a hora do abandono.

Contanto que não erre nem rabisque para começar de novo, acabe com espaços e parágrafos aqui, no caderninho de quem me despeço, ainda haverá espaço para mais uma crônica, outra história, renovados desejos e alguns sentimentos.

Pena que na vida, nem sempre seja possível ter a escolha de mudar sem pestanejar ou adiar ao máximo a troca dos nossos caderninhos, aqueles em que ficam registrados atos, atitudes e posturas.

Conheço muita gente que nesse momento, daria tudo para poder destruir de seus registros de vida pregressa, algumas páginas, quem sabe capítulos e até tomos inteiros de informações e relatos.

O que é o mundo moderno. De nada adiantaria! Se aquilo que está escrito pudesse ser esquecido haveria uma grande chance de estar gravado num vídeo clandestino  deste estilo big brother palaciano que tem mostrado ser de mil e uma utilidades. De material para futura chantagem e/ou garantia de pagamento a, quem sabe, apenas um registro nu e cru da monstruosa realidade.

Diga-me por onde andas e te direi quem te grava… Corta!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador” do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

Será?

Texto e foto de Valéria del Cueto

Novamente escrevo antes para publicação posterior a um eclipse. Diz que esse é poderosão e mexe até com a crosta da terra e o peso corporal das pessoas.

Coisa séria, mas não suficiente para dar um sacode nesse panorama mais enrolado que fio de arame farpado véio na hora da troca do aramado nos campos. Enquanto isso, não sabemos se partimos para dentro ou damos a volta por cima. Se ficar, o bicho pega, se correr o bicho come.

Escrevo e vejo cenas de uma operação policial no Rio de Janeiro. O que chama a atenção é a “preparação” da chegada dos meliantes recolhidos em várias comunidades cariocas. Agora, as forças policiais fazem formação e esperam o sinal de “ação” para entrarem no raio das câmeras de TV que aguardam a chegada dos apreendidos na delegacia no “ao vivo”. Tempos “mudernos”…

Em Brasília, a secura e o vento formaram um redemoinho que passeou pela paisagem do Distrito Federal. Pena que não era o de Dorothy e o Mágico de Oz não teve oportunidade de dar uma repaginada nos personagens de Brasília.

Quem seriam o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde? Tem as Bruxas Más do Leste e do Oeste. Lembrando que a do Leste já foi pro book, mortinha da silva pela casa de Dorothy que despencou em cima dela, depois de rodopiar de Brasília, ops, do Kansas, até as terras de OZ que abrigam fadas, bruxas e outros seres mágicos. Aqui e lá, todo mundo vagueia procurando a Estrada Amarela que leva até a Cidade das Esmeraldas e ao mágico severo, mas que realiza os desejos.

Se fosse aqui, em terras brazucas, seria difícil que não houvesse, junto com nossa Dorothy e seu cãozinho Totó, não apenas quatro amigos, mas uma multidão de descerebrados, covardes e seres sem coração, seguindo a sonhadora menina. A maioria, certamente, não terá direito a clemencia, o que dirá a uma graça especial do Grande OZ…

Enquanto nosso conto de fadas não vira realidade, conviveremos com o silêncio por quatro anos das famosas badaladas de Big Ben, o relógio londrino (que, por coincidência, ou não, parou de badalar regularmente ao meio dia do dia do eclipse total). Quem ouviu, ouviu, quem não ouviu terá mais dificuldades em fazê-lo no decorrer do período.

Uma reforma milionária e meticulosa de suas engrenagens só o fará soar em ocasiões especiais como o réveillon informam os austeros e precisos porta-vozes ingleses aos meios de comunicação.

Sem querer fazer premonições, sinto que seu silêncio será quebrado em outras ocasiões menos festivas e mais necessárias. O mundo não está para brincadeiras e nem para deixar sossegados seus símbolos mais significativos. Vamos aguardar e ver quais serão os motivos que farão o velho relógio soar seus badalos até 2021. Está aí um bom motivo de apostas nas famosas bolsas londrinas.

Voltando ao sumiço do sol, o Apocalipse de São João informa que esse eclipse seria o princípio do fim do mundo. Captou a mensagem? É só o princípio…

Diante dessa auspiciosa semana, vou ali fazer ginástica e dar uma meditada no horário do fenômeno que é para me certificar que esta leveza lunar auxilie meu esforço atlético.

Afinal, com o quadro acima descrito, é preciso ter pernas para parar o mundo e, quando dele conseguir descer, correr para o mais longe que puder! É perna do mundo e não no mundo, para sumir, como cantou Gonzaguinha.

Se não corporalmente, em espírito. De luz, de preferência, para fazer desse um momento sério (como de fato é), mas cheio de esperanças. Que possamos almejar com a leveza do nosso corpo e o magnetismo “eclíptico” tempos melhores num futuro não tão distante. Pior que está… o que será?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador” do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Tribo Arco-íris

Por Rúbia Luz, texto e fotos

“Em algum lugar, pra relaxar
Eu vou pedir pros anjos cantarem por mim
Pra quem tem fé
A vida nunca tem fim
Não tem fim
É”

Meu amado vive agora uma vida eterna e, pensando em retomar nossos caminhos, eu decidi dar continuidade aos nossos sonhos. Não sei ao certo como o farei nem quando. Vou precisar fazer ajustes e tudo é ainda indefinido. O fato é que retomarei o blog e as caminhadas, como uma maneira de homenageá-lo e de manter sua alegria comigo e em mim! Enquanto espero com temperança, resolvi passear nos lugares onde gostávamos de ir e de concluir a mostra de lugares que, por alguma razão nós não conseguimos.

Falar sobre a Tribo Arco-íris aconteceu por meio de uma daquelas coincidências da vida que me fez despertar. Ocorre que meu primogênito, Calil, resolveu dar-se um  tempo sabático  e aportou pelas paragens do lago Cujubim, naquela comunidade alternativa. Nós já havíamos falado dela e mostrado um pouco em  “Furo do Candeias e Lago Cujubim”, mas com quase nada de informações. Com a ida de meu filho para lá, eu pude passar mais tempo com eles e pedir permissão para revelar um pouco mais do lugar e desse modo de vida.

O Lugar

Paisagem da janela lateral, do quarto de dormir…

Geograficamente,  a Tribo Arco-íris  fica na direção leste do Município de Porto Velho- RO, área rural, pela Estrada da Penal, próxima a localidade do baixo-madeira conhecida como Cujubim-grande, mais precisamente em frente ao lago Cujubim. O lago é  protegido pelos moradores  do entorno contra a pesca predatória e a favor da preservação da floresta.  Há poucas informações disponíveis sobre a Tribo Arco-íris nos veículos de pesquisa.  Apesar disso, trata-se de uma comunidade muito conhecida entre os viajantes e mochileiros de vários países.

Sua existência e informações são passadas no “boca-a-boca” e, via de regra, os viajantes descobrem a localização por meio de um outro que já esteve ou se encontra por lá. A distância é significativa  e não há placa indicativa. Ainda assim, pessoas do mundo inteiro passam por lá e por lá ficam o tempo que desejam, numa comunhão e conexão que transpõem as barreiras da língua, das culturas distintas e  da diversidade humana. É um lugar com poucos recursos materiais e abundante em recursos humanos e afetividade.

Quem são?

Os fundadores do lugar são uma família voltada para a espiritualidade,  que acredita e vivencia um modo de vida alternativo. Em relação a questão religiosa, são adeptos da doutrina do Santo Daime, com base cristã e crentes no reencarnacionismo, tendo como ritual o uso do chá de  mesmo nome. No que se refere ao modo de vida, defendem uma vida simples, com muita liberdade, respeito e partilha, sem preocupações com o consumo.

Pai Jackson

Valéria

Capitão América e… a liga da justiça?

Cláudia

Deste modo, aceitam a presença de pessoas  que ali desejam estar pelo tempo que pretendam ficar, bastando para isso que contribuam com a limpeza e organização do lugar, bem como com a compra de alimentos que são todos repartidos. Em geral, as pessoas se cotizam, compram os alimentos e lá preparam e partilham. Aliás, como ainda não são autossustentáveis (ainda – eles frisam), este é um quesito de suma importância  para o bem estar de todos; É de todo desejável a participação na compra de alimentos.

Calil com mantimentos. Colaboração e partilha!

Gael, a maior beleza do sitio, segundo sua mãe!

A cozinha é um  espaço comum, de uso livre, bem como os outros espaços como lavanderia e banheiros também. Tudo é muito simples e rústico… Sendo privativas as barracas e as casas que eles mesmos constroem. Há energia elétrica, porém, não há internet nem televisores. Há um telefone, que poucas vezes é usado e há um lago em que todos se banham. Por vezes, ocorre de estarem coabitando cerca de cinquenta pessoas no local. Por vezes, bem menos… No entanto, a “superpopulação” é um problema devido a capacidade de suporte do local.

Onde todo mundo come, todo mundo lava os pratos.

Hora do almoço; Convidados ilustres!

Reencontro especial: Pai e filha não se viam a mais de ano….

Sereia

Totens

Outra  preocupação com a população tem a ver com os equívocos que alguns cometem ao se dirigirem para lá. Há equívocos de toda natureza; Gente que pensa ser uma comunidade LGBT, por conta do nome Arco-íris. Gente que pensa ser uma comunidade onde o uso de drogas é liberado ou, ainda, que, por haver liberdade haja também permissividade. Por isso,  é importante ressaltar: É permanentemente proibido o consumo de álcool no local, o uso de drogas sintéticas e o consumo de carne vermelha. Em ocasiões que antecedem os rituais do chá, há também uma dieta sexual a ser seguida para os participantes da fé ali professada.

Barracão de preparação do Chá.

Estar ali, voltado para a espiritualidade não é obrigatório. Obrigatório, lá, é o respeito ao outro, a natureza e a vida! Ninguém precisa concordar com tudo mas o amor e a harmonia são cuidadosamente mantidos, como uma frequência em que todos  devem estar  sintonizados. Aqueles que, por alguma razão, não estão na mesma frequência, procuram por si outros caminhos. Assim me foi esclarecido.

“Se você não aceita o conselho, te respeito

Resolveu seguir, ir atrás, cara e coragem

Só que você sai em desvantagem se você não tem fé

Se você não tem fé”

O nome

Quando disseram a mim  sobre o equívoco causado pelo nome do lugar eu os questionei sobre a razão de se chamar “Arco-íris”. Me foi dito que resultou de um conjunto de fatores: O primeiro e  mais importante é religioso. Tem a ver com o “Arco da eterna aliança” de Deus para com os homens. O segundo e não menos importante motivo é que a representação das  cores revela uma aceitação e união de pessoas de todas as nações.

Por fim,  o nome se dá, também, devido a um fenômeno que ocorre com frequência no Lago que é o surgimento de arco-íris, por vezes a presença de três arcos até,  por conta da pluviosidade do lago e da refração da luz. Creio que este fenômeno deva  ocorrer  com mais frequência nos períodos chuvosos, onde a umidade relativa do ar chega a ultrapassar 88%. Enfim, lamentei não ter visto e fotografado essa lindeza!

O funcionamento

O modo como tudo acontece e vai se desenvolvendo, ali, tem relação direta e congruente com a forma de pensar a vida e a existência dos  fundadores do lugar. A primeira vista me pareceu confuso e um tanto inusitado, pois as pessoas vão chegando sem convite prévio, se apresentando e lá permanecessem o tempo que desejarem, com crianças, bichos de estimação como cachorros, gatos e até peixinhos. Alguns levam suas barracas, outros constroem suas casas  e  convivem de uma maneira curiosa.

Acolhida: Sejam bem-vindos!

Ela está erguendo seu lar; Amazona!

Panter, se sentindo selvagem!

Guaraná foi achado na rua, muito doente, e foi adotado.

Clara Luz estava só de visita

As normas, que citei à cima, são repassadas pelo idealizador do lugar Jackson, a quem as pessoas se referem carinhosamente como “pai”. Leva-se em consideração o nível de consciência e de evolução espiritual de cada um. Assim, ao mesmo passo que algumas pessoas chegam  e desenvolvem projetos de melhoria do lugar, constroem hortas e colaboram com ideias de permacultura, outras pessoas não possuem a mesma consciência e são menos colaborativas.

Espinafre, para dar força!

Apesar das dificuldades que existem, eles resistem! Adotaram esse modo de vida há mais de vinte anos e não se arrependem. O meu olhar, mais estranho que o olhar dos estrangeiros que ali se encontram, poderia encontrar pontos frágeis desse modo de viver. Mas, daí eu me questiono: “Para quê?”.  Olho ao meu redor e vejo pessoas sorridentes, crianças brincando livremente, vejo amizade, respeito e penso em como posso colaborar. Pensei  que fazer uma postagem esclarecedora poderia ser bom para os que ali se encontram e para os que desejam lá estar. Espero ser útil!“Te mostro um trecho, uma passagem de um livro antigo

Pra  te mostrar que a vida é linda

Dura, sofrida, carente em qualquer continente

Mas, boa de se viver em qualquer lugar, é”

Consumo x liberdade

Há tempos eu venho desacelerando a vida, adotando um modelo de vida menos consumista e, de certo modo, até minimalista. Há uns quinze anos eu adotei  a ideia de ter pra mim o necessário e o suficiente. Isto porque eu tenho a nítida impressão de que o consumo se mantém sobre o prisma de falsas premissas; Ver como necessário o que não é.  Achar tudo insuficiente, ou seja, é preciso sempre mais. Trabalhar incessantemente para consumir e se ver consumido…

Essa dona Aranha não sobre paredes… Nem a chuva derruba.

No entanto, aquelas pessoas que ali vivem e que por ali tem passado, me revelam um desapego ainda maior e uma liberdade admirável; Os idealizadores da Tribo abriram mão, com alegria, de uma vida considerada confortável na cidade, de empregos invejáveis e decidiram estar conectados à natureza e ao sagrado, longe do consumo e de padrões de comportamento pré-estabelecidos. Demonstram enorme prazer na harmonia e contentamento na partilha. Suas riquezas vem da experiência com outro e do sagrado em cada um.

As pessoas que por ali tem passado tem algo muito semelhante; Converso com vários deles e descubro que se tratam de ex-funcionários públicos concursados ou profissionais liberais; professores, contadores, psicólogos, sociólogos, jornalistas… Eles escolheram viver assim. Não se trata de falta de alternativa, mas de pura volição! Optaram por seus modos de vida não por preguiça de trabalhar, mas por pensarem o trabalho e o consumo de modo diferente do senso comum.

Acreditem: Eles trabalham muito! Aqueles que vivem de artesanato passam horas do seu dia a confeccionar seus produtos. Fazem-no com satisfação por longas horas e com a maior destreza possível, procurando realizar um produto com excelência. Mãos habilidosas na confecção de bonitezas. Os que decidiram oferecer entretenimento como mão de obra, treinam incansavelmente para executar sua arte para uma plateia, muitas vezes, angustiada e apressada, contida em carros, parada em seus semáforos. Malabaristas na vida,  treinam com afinco a arte de manter tudo em movimento e em suspensão, tornando o tempo de espera mais leve.

De um lado, vejo a coragem daqueles que enfrentam o julgamento e olhares curiosos por terem decidido viver em uma localidade distante, com poucos recursos, na contra-mão do que é pregado e exaltado em nosso modo de vida secular, e vivendo uma espiritualidade acolhedora. De outro lado, vejo aqueles que tem a coragem de se lançar ao mundo com suas mochilas nas costas, de  abrirem mão de seus confortos,  de suas pátrias maternas e se  tornaram consumidores de vivências, trocadores de experiências.

O aprendizado

Somos todos aprendizes na vida… Creio eu que estamos aqui, neste plano, para aprendermos a amar, posto que amar é o grande mandamento da minha fé. Por isso mesmo é que procuro olhar e ouvir sem julgamentos. Isto nem sempre é fácil. Não é tão simples despir-nos de conceitos pré concebidos quando as nossas crenças são confrontadas por  realidades diferentes.

Não raro, é comum o desejo de afastar aquilo que causa desconforto e evitar o que causa angústia por ser desconhecido. No entanto, agir de forma defensiva ou reativa nos atrofia a alma. Está  escrito: “Examinai tudo. Retende o que é bom.” ( 1 Talonissenses 5;21). Eu examino aquele modo de vida e fico com o que acho bom;  Jovens estrangeiros, em sua maioria, lançaram-se ao mundo e encontram acolhimento e espiritualidade. Pessoas, em busca de si, encontram aceitação e respeito. Ali, o foco da vida é lançado sobre as soluções e não sobre os problemas…

Talvez, este seja o mais interessante aprendizado que tiro do meu pouco convívio com aquelas pessoas e do seu modo de vida: Concentrar meu pensamento em busca de resoluções e não ficar gastando energia a remoer problemas. Essa bela maneira de ver as coisas me foi descrita por Calil, quando em uma conversa solta e tranquila, ele me relatou o que vem aprendendo com aquele jeito de viver. Gostei! Eu tenho pensado assim, mas ver isto em movimento é animador!

Outra coisa boa e curiosa que observei nas horas em que passamos juntos foi que essas horas são lentas… Engraçado como o dia lá parece longo e denso… Talvez porque não hajam distrações como televisões, computadores e celulares, a vida é tranquila como aquele grande lago.  Uma música instrumental fica tocando suavemente, as crianças brincando  pelo imenso quintal, gente namorando, gente conversando, gente rindo, gente por inteiro no aqui e agora, gente sendo gente

Conclusão

“Vossos filhos não são vossos filhos. são filhos e filhas da ânsia por si mesma” Gibran

Contei, no início da postagem, que meu amado filho decidiu aportar por aquelas paragens e isso oportunizou a minha estadia mais prolongada com a Tribo. Antes disso, porém, as pessoas que me conhecem e que tomaram conhecimento dessa escolha – Temporária?- de Calil me questionavam sobre o modo de vida dos meus filhos. Sim, Caio também vive uma vida alternativa, produz artesanatos e também já pegou a estrada…

Conviver com escolhas alternativas de vida é, antes de tudo, uma questão de respeito pelo livre-arbítrio: Foi Deus quem deu… Quem somos nós para desejar impedir, conter ou modificar? Aceitar o outro pelo que escolhe ser – ou estar- é a expressão mais profunda do amor que decidimos conscientemente viver, ao meu ver.  Eu os amo e os admiro por suas coragens e determinações. E, claro, não espero que todos concordem comigo! Amo pessoas que discordam, também. Discordância é cabível, aceitável e desejável, desde que seja respeitosa!

Na tentativa vã e pretensiosa de buscar uma definição para esse modo de vida eu perguntei ao meu filho: “São hippies?” e ele me disse: “Não…”. Insisti: “ São hipster?”. “Não tem rótulo, mãe…”- Ele me respondeu pacientemente. Depois de muito pensar, disse a ele que havia encontrado uma definição que os agradaria: “ São livres!”. Eles concordaram!  Isso me fez lembrar Cervantes: ” A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a vida”

“Volte a brilhar, volte a brilhar

Um vinho, um pão e uma reza

Uma lua e um sol, sua vida, portas abertas”

Anjos (Para quem tem fé) – O Rappa

NR: Sempre tive vontade de escrever sobre a comunidade Arco Íris, mas apesar de conhecer a Tribo, achava que me faltava o embasamento necessário para exprimir tudoque vivi, vi  e senti por lá. Daí me chega às mãos (aos olhos) esse impressionante e avasssalador relato da Rúbia Luz, desmistificando as bobagens de gente que nunca chegou perto mas que adora opinar sem conhecimento, sem mostrar as verdadeiras faces de uma experiência que vai na contra-mão da loucura que se vê no mundo moderno… Pedi licença à Rúbia para reproduzir o texto e suas belas fotos. Resposta dela : “Suas palavras me dão força para continuar escrevendo sobre o que eu acredito.” Resolvi então seguir com a máxima fidelidade o teor do seu post, respeitando inclusive a edição pessoal que Rubia fez do texto, fotos e diagramação.  O seu querido Pasin, onde estiver, com certeza irá gostar…

B. Bertagna

Zona Geral

Texto e foto de Valéria del Cueto

Ela chegou, passou, e veio outra frente fria para desfilar o guarda roupa de inverno pelas ruas brasileiras das cidades das regiões sul, sudeste e centro-oeste, pelo menos. Começar a crônica falando do tempo pode ser pura enrolação em busca da linha da pipa do pensamento que anda vagando por aí. Nada de novo, nem o excesso de argumentos convincentes para garantir o desenrolar um texto de duas laudas para cumprir o compromisso semanal.

Distritão, aumento do Imposto de Renda, mais de 3 bi para Gilmar Mendes comandar a pantomina eleitoral. Meireles, Temer, agendas noturnas, sessões soturnas nas Comissões da Câmara Federal. Buraco negro.

Pezão honra o apelido ao aplicar seu mais certeiro pontapé na falência carioca. Abre licitação para contratar horas de voo particulares. Saúde, educação, segurança, salários que se danem. Se é para ir ao Spa, que seja com pompa e circunstância. Não dá é para deixar de lado a liturgia do cargo falido.

“Reclamando de que?”, indaga o ex vice-governador e secretário de obras do megalô, corrompido e atual presidiário Sérgio Cabral, o que mandava o cachorrinho de helicóptero para Mangaratiba.

Sérgio é aquele que, no pelotão de ouro da disputa pelos títulos de recordista de ações criminais e tempo de cadeia entre a elite política brasileira, está ali, ali nas paradas de sucesso. Cabeça a cabeça com Geraldo Riva, até então líder incontestável entre os políticos denunciados. Opa! Essa informação tem que ser checada para confirmar se não há nenhum outro competidor correndo por fora…

Onde fomos parar? A pergunta que não quer calar não deve ser pronunciada! Ainda é muito cedo. Ninguém sabe quando vamos parar, o que dirá onde. Essa é a questão que habita entre o céu e a terra. Daquelas que somente supõe nossa vã filosofia. Ah, bardo inglês, o que não farias com nossas peripécias cotidianas e os malabarismos da nossa corte irreal…

Não há limite para a imaginação enquanto o mundo faz de Despacito um clip de 3 bilhões de acessos. É verão no hemisfério norte, hora de diversão e alegria. Mesmo com a chegada de levas de refugiados em frágeis embarcações nas praias paradisíacas da costa espanhola sob os olhares incrédulos dos turistas da temporada. Faz parte do pacote ou foi no improviso?

Em terras cariocas o contingente da guarda-municipal é submetido a um questionário sobre suas preferências religiosas. Com campos para católicos, evangélicos, espíritas e “outro”. Com três pontinhos para explicar que outro é esse.  Também querem saber se os guardas são praticantes ou não. Com nome e matrícula no formulário, que é para não ter direito a anonimato.Deu ruim. Claro que a “pesquisa” vazou e foi acrescentada ao incrível conjunto da obra do bispo prefeito.

A balança não ficou totalmente desequilibrada pela simples razão de que seu antecessor, o nervosinho Eduardo Paes, também está sendo caneteado por liberar um pagamentozinho básico de compensação ambiental para a empresa que construiu o campo de jogos de golfe das Olímpiadas que esse mês fez um ano. Muita água ainda vai rolar debaixo dessa e outras pontes peemedebistas.

Pulando de saco para rato (sem sair da mesma ideologia partidária) e procurando um modus operandi em comum, o que foi a delação de Silval Barbosa, ex-governador peemedebista de Mato Grosso? A torcida aguarda os próximos lances da delação que o ministro Luís Fux, do Supremo, já classificou de “monstruosidade”. Parece que com direito a vídeos comprovando as tenebrosas transações que ocorreram entre a ida do BRT que deveria ter virado VLT, cujos vagões nunca chegaram aos seus respectivos trilhos.

Resta saber o que fazer quando a nega maluca, aquela do samba, chega na sinuca e anuncia: “toma que o filho é teu”. Corre em Mato Grosso que vai ter plebiscito pro povo resolver o que o poder público não conseguiu: VLT ou BRT?

Resumindo está tudo dominado e dividido. Não tem pra onde correr. Tudo uma zona. Federal, estadual e municipal. Ninguém escapa. Nem você!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador” do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Cinema brasileiro perde cineasta gaúcho-pantaneiro Geraldo Moraes aos 78 anos

foto: reprodução Facebook

Faleceu neste fim de semana, no sábado o cineasta Geraldo Moraes. Ele estava internado em um hospital de Cuiabá (MT), depois de sofrer uma complicação em virtude de uma hepatite viral. Moraes gravava uma minisérie e passou mal.

O gaúcho-gremista-pantaneiro-brasiliense Geraldo Moraes foi diretor, roteirista e produtor e concentrou sua filmografia em temas relacionados à cultura do Centro-Oeste brasileiro, onde se radicou.  Dirigiu os curtas-metragens A semente do pão (1973) e Os mensageiros da aldeia(1976), antes de dedicar-se à realização dos longas-metragens A difícil viagem (1980),Círculo de fogo (1990) e No coração dos deuses (1999). Foi também professor de cinema da Universidade de Brasília, onde ajudou a criar o Centro de Produção Audiovisual.

Foi Secretário Nacional do Audiovisual do Ministério da Cultura, durante a gestão de Antônio Houaiss, quando contribuiu para a administração do Prêmio Resgate do Cinema Brasileiro e participou da regulamentação da Lei do Audiovisual. Em 2003, foi eleito presidente do Congresso Brasileiro de Cinema, o CBC.

Leia também > Gente que encontrei por aí … Geraldo Moraes e Solange Lima

É fria, a frente

Texto e foto de Valéria del Cueto

“Querida amiga reclusa.

Antes de mais nada gostaria de pedir desculpas pela ausência. Não consegui chegar em tempo hábil na última lua cheia para, usando seus raios, alcançar a fresta da janela e “invadir” sua cela no retiro voluntário.

Andava “pluct placteando” e perdi o bonde da carona lunática espectral. Falha minha envolvido que andei acompanhando os inenarráveis movimentos para o desenlace pós recesso no país. Fim de férias para várias pendências nacionais, estaduais e municipais. Para não ampliarmos excessivamente nosso raio de observação científica.

Pulei de galho em galho, tal e qual macaca de auditório acompanha shows dos ídolos décadas atrás do milênio passado.

Sim, sei que você vai me repreender por usar o termo animal, em vez do simpático e politicamente correto tiete. Culpa dos sofisticados sistemas de minha moderníssima aeronave. Aquela que não consegue ultrapassar a atmosfera e me cuspir para além da estratosfera. Seguiria tranquilo minha viagem intergaláctica. Tomamos embalo. Ela, a nave mãe, comigo dentro, mas acabamos ping pongueando sem furar o bloqueio celestial.

Diante disso, só me resta passar para o plano B da viagem interestelar e continuar por aqui recolhendo dados do declínio inexorável dessa civilização que tantas maravilhas já revelou ao universo. É muita informação para ser armazenada. Dessa missão até tenho dado conta. Quem não está conseguindo acompanhar e decodificar os eventos é a máquina na cabine de comando da nave que havito.

Não, não vou entrar em detalhes para evitar traumas e choques na sua lenta – e frágil – recuperação. Acontecerá com você, amiga, o mesmo que ocorre com o computador de bordo. Chamará tiete de macaca de auditório e político de ladrão e sem vergonha. Assim mesmo. Generalizando que é para colocar toda a farinha no mesmo saco. De preferência cm uns corózinhos, aqueles bichinhos, que é para inutilizar de vez o fardo inteiro. Tudo podre.

E é aí que mora o perigo. Porque corre o risco da minha cronista preferida levar um “teje preso”. É fia, estamos nessa vibe. Com direito a projeto de lei proibindo “defamar” a categoria como um todo. De autoria renomada e apoiado por muitos dos que pregam crença que não creem nem moral que não praticam.

Sorte que a novidade não atingirá seres como eu, de outro planeta. Só que este não é o seu caso e a desculpa da insanidade não será considerada nas cortes judiciais do seu país.

Tatua o nome do seu amado no ombro? Tira a camisa numa cerimônia pública para exibir a obra de hena? Usa seu precioso tempo no seu ambiente de trabalho para pedir nudes pelo seu aplicativo? Votou sim? Não? Então não terá a menor chance de pedir imunidade para abusar da impunidade.

Insanidade pouca não anda fazendo verão por aqui. Foca, amiga querida. Contenção de gastos é a ordem geral. Excluindo para eles que continuam mandando ver em emendas, explodindo de cargos e, claro, levando algum por fora.

Por falar nisso, essa é a razão dessa missiva fora de lua. Ainda estamos a uma semana da lua que nos une por seu raio. Não tenho ideia de onde estas mal traçadas linhas irão encontra-la, minha enluarada.

Seu reduto do outro lado do túnel, o Pinel, está ameaçado, se já não foi esvaziado! Por isso, mando essas instruções por aquele enfermeiro gente boa.

Não se preocupe, vou busca-la onde estiver. Na próxima cheia nos encontramos na ponta do raio mais longo de luar. Até lá, É fria, a frente. Se cuida.        

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte das séries “Fábulas Fabulosas” do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Adeus à Pérola Negra : MPB perde Luiz Melodia aos 66 anos

foto: Divulgação FLI

O cantor carioca Luiz Carlos do Santos  , o Luiz Melodia morreu nesta sexta-feira, por volta das cinco horas da manhã aos 66 anos, em consequência de um miolema múltiplo, um tipo raro de câncer no sangue (câncer de medula óssea). O cantor havia iniciado o tratamento de quimioterapia em abril deste ano.

Autor de grandes sucessos como Pérola Negra, Magrelinha, Estácio, Holly Estácio ,  Eu e você, Juventude transviada e Negro Gato (canção que, embora não seja de sua autoria, foi responsável por apelidar o artista).

Com mais de 40 anos de carreira, o Negro Gato mesclava suingue com MPB, num estilo próprio e inconfundível.

Filho do sambista e funcionário público Oswaldo Melodia, de quem herdou o nome artístico, Melodia lançou 16 álbuns ao longo da carreira.

Ele era casado com a compositora, cantora e produtora Jane Reis e pai do rapper Mahal Reis.

Do Tatuzão da Unir em Porto Velho à FLI, Festival Literário de Iguape ele nos fará muita falta nestes tempos sombrios.

Viva o felino negro !

Física aplicada

Texto e foto de Valéria del Cueto

Faz tempo que o caderninho anda no fundo da bolsa só fazendo número e peso nos ombros para cima e para baixo. A culpa não é dele. É da vida que, ultimamente, se não impede as boas intenções de serem intenções, provoca situações em que elas não podem se efetivar.

Foi assim na última vez em que, cheia de empolgação, largou as vicissitudes da vida, chutou o balde das aflições e rumou para a praia mais próxima pronta para rasgar o verbo sob o sol de inverno carioca. O ímpeto inspirador voltou ao nível 0 (zero) quando descobriu que havia caderninho na bolsa como sempre, mas faltava… a caneta!

De tão revoltada pulou aquela semana e, tal e qual Sherazade não pode fazer para o seu sultão em nenhuma das mil e uma noites, não mandou a crônica semanal.

Pior. Não apenas falhou, o que já havia acontecido antes, como não deu a menor satisfação nem mesmo para seu editor carrasco mais exigente.

Sabem o que aconteceu? NADA! Ninguém reclamou nem reparou na ausência das suas palavras.

E, como já provado pela terceira lei de Newton, a que diz que “a toda ação há sempre uma reação oposta de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos”, dessa vez não teve conversa. A crônica está saindo como devia antes que, além de ignorada, ainda perca seu espaço nos jornais, sites e blogs. Afinal, são mais e 450 textos das séries de crônicas no rumo do Sem Fim fiados e bordados ao longo de anos.

Em plena quinta feira um sol de veranico de julho aquece a ponta do Arpoador numa tarde clássica. Como é férias tem muita gente na praia aproveitando o dia perfeito para uns, como os adeptos de stand up paddle, já que o mar está mais para liso.

As poucas e fracas ondas não atraem os Surfistas com S maiúsculo. Os poucos que arriscam um mergulho o fazem só por pura fé e com roupas de neoprene. Sim. Clara e numa tonalidade espetacular verde azulada esmeralda, a água está fria!

O que parece não fazer muita diferença para os insistentes atletas que, prestando bastante atenção, inclusive nas suas poucas habilidades, pode-se concluir serem alunos das escolinhas de surf. Elas atraem principalmente entusiasmados turistas, os que não resistem ao mar perfeito para iniciantes, mesmo que gelado. Tipo: “é hoje só amanhã não tem mais por que venho de um lugar frio pra caramba. Está bom demais!”

Felizinhos estão os vendedores ambulantes. Dias atrás gritavam seus bordões deles para eles mesmos. Agora têm para quem vender seus variados produtos: no abre-alas o Mate Leão e o Biscoito Globo. Cuscus, picolé, queijo coalho, amendoim, cangas e biquínis, camarão, óculos de sol, caipirinha, pau de selfie, bronzeador, esfirra, cerveja, água, empadas. Especificamente nessa (des)ordem.

Dois minutos depois tudo de novo. No sentido inverso e com a mesma intensidade, como a lei. Graças ao bate volta no fim da faixa de praia, poucos vendedores ultrapassam a Praça Millor Fernandes para alcançar a Praia do Diabo. A exígua clientela do local não vale o esforço…

Na semana que vem essa moleza acaba com a volta às aulas, o fim das férias. O veranico torcemos para permanecer por mais uns dias adiando ao máximo a entrada daquela frente fria que vira o tempo no litoral no início de agosto. A previsão meteorológica incerta diminui as chances de outras crônicas relax como essa.

Sem vento, com a maré subindo para morder as areias de Ipanema, anda na contramão dos apreciadores do pôr do sol no Arpoador. Iniciantes. Nessa época do ano, o astro rei desce no meio dos prédios. Bonito mesmo é no auge do verão, quando o sol cai no meio das ilhas…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador” do SEM FIM…  delcueto.wordpress.com

Nunca quiso escucharme…

por Alberto Lins Caldas

cria

● cria cuervos sim cria pois teus olhos alimentam ●
● teu coração alimenta tua carne alimenta demais ●
● alimentam inda mais tuas palavras tua loucura ●

● cria de todas as cores esses cuervos verdes ●
● brancos azuis cuervos amarelos e furtacores ●
● cria cuervos enquanto resta musculo e viscera ●

● sim cria cuervos desses q falam e rosnam ●
● cria pois são mais sabios q automatos e gente ●
● cria desses q sonham desejam prometem traem ●

● cria cuervos como quem cria filhos ou amigos ●
● cria sem querer não criar cuervos cria apenas ●
● sim cria cuervos dentro e fora do teu quarto ●

● cria nas salas nos quintais nas camas e mesas ●
● cria nos banheiros nas cozinhas na garagem ●
● cria cuervos na tua espera e no teu futuro ●

● cria cuervos no passado cria cuervos agora ●
● cria cuervos com livros com imagens cria ●
● cria cuervos como quem inventa um mundo ●

● cria cuervos o tempo todo e no nada tambem ●
● cria e vai criando teus cuervos como sementes ●
● cria nesse deserto ridiculo cuervos de pedra ●

● cuervos de caramelo cuervos de açucar de mel ●
● cuervos de madeira cuervos de paixão cuervos ●
● de amor cuervos de amizade cuervos de merda ●

● cuervos de insonia cuervos de ceramica cuervos ●
● em figura de laranjas de mulheres de crianças ●
● de cães de gatos de operarios devorados e nus ●

● em forma de aves de leão de sapo ou inseto ●
● cria como quem não sabe criar outra coisa ●
● cria cuervos nas tempestades nos invernos ●

● cria cuervos nos verões e nas primaveras todas ●
● cria cuervos noite e dia hora a hora cria cria ●
● cria teus cuervos sem susto sem medo cria ●

● cria cuervos sem esperar mais q criar cuervos ●
● cria e um dia quando menos esperar cria ●
● mais cuervos multidões de cuervos manadas ●

● de cuervos enxames vivos de cuervos cria ●
● caravanas de cuervos cria cardumes de cuervos ●
● cria partidos bandos nuvens de corvos cria ●

● cria cuervos enquanto o matadouro não chega ●
● enquanto todos os cuervos não findam de comer ●
● teus olhos tua lingua teu figado tuas mãos teu cu ●

Tragédia em família no Acre : Pais da jovem que transmitiu o próprio suicídio ao vivo também se matam

reprodução : Facebook

Essa sexta feira (28) foi marcada por mais uma tragédia envolvendo suicídio em Rio Branco, capital do Acre, no noroeste do Brasil.

Os pais da universitária Bruna Andressa Borges, de 19 anos, estudante do terceiro período do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Acre (Ufac) que cometeu suicídio e trasmitiu ao vivo pela internet o ato, foram encontrados mortos na sua casa localizada na Vila Militar, bairro Cohab do Bosque .

Na residência os policiais acharam bilhetes e cartas para a família, explicando a decisão de tomar tal medida .  Nos recados, o subtenente do exército Marcio Brito,e a esposa Claudineia Borges também pedem desculpas pelo ato de desespero. Nas redes sociais, Bruna desabafou que ‘O ser humano é a pior arma que o mundo criou’, criticando os seres humanos e comparando-os a armas,  Antes de se enforcar a jovem pediu desculpas a todos os seguidores. O Corpo de Bombeiros atendendo aos apelos dos Internautas ainda tentou chegar à casa da menina, mas o endereço passado pelo serviço de urgência não correspondia ao seu atual.

Bruna e seus pais se mataram enforcados. Antes de cometer o ato, ela publicou diversas mensagens nas redes sociais. O ato teria sido transmitido ao vivo pela rede social Instagram. O corpo de Bruna tinha sido enterrado ontem, na cidade de Capixaba a 80 km da capital Rio Branco.

NR: Não é nossa praxis nem queremos sensacionalismo e audiência noticiando essa tragédia. Queremos é a reflexão profunda das pessoas para o cotidiano de suas vidas, de seus amigos, de suas pessoas queridas. O que queremos do mundo ?

Na moral

Texto e foto de Valéria del Cueto

Deixar Mato Grosso depois de seis anos de ausência não foi fácil. Mil motivos para estender a permanência e apenas um para voltar. Difícil decisão…

O pouco tempo na Chapada dos Guimarães não serviu para tirar o gosto de quero mais. Pelos amigos queridos, a música maravilhosa (não tem preço se embalar numa rede na varanda da casa da fada do jardim ouvindo o violão que ecoa por todo o espaço. Se, como dizem, as plantas se desenvolvem melhor quando escutam música, isso explica a exuberância que gerou tantos registros num dia especialmente iluminado de exploração fotográfica pela paisagem), o passeio pela sede das Bordadeiras da Chapada, projeto regado mesmo de longe com olhar de amor e muita torcida para que continue crescendo fiel as suas origens, com a instigante convivência das participantes. A sugestão é ir com tempo para uma boa prosa se passar por lá para conhecer os trabalhos e explorar os detalhes do espaço. A proximidade da Festa do Divino em Cuiabá e a de Nossa Senhora de Santana, a quem é dedicada a matriz de Chapada dos Guimarães, prometia grande imagens e muitas emoções.

Ficou faltando mais banhos de rios, noites na varanda da Vivenda da Vovó Suely, encontros felizes com gente querida, reencontros mais alegres ainda. Poderia ter havido tempo para mais reconciliações e declarações de amores, carinhos e amizades que permanecem verdadeiras, apesar da distância. Também ainda havia espaço para muita comida cuiabana e pantaneira. Pacu recheado, farofa de banana, pintado, bolo de queijo, um furrundu de vez em quando…  Nem cheguei no São Gonçalo, para visitar Domingas! Teve arte e risadas aos montes no encontro especial com Aline Figueiredo e Cacá de Souza, num almoço pantaneiro comemorativo. Não poderia ter sido melhor. E ficou assunto pra depois…

Só que era hora de voltar. Havia um compromisso no Rio de Janeiro. Participar com outros 18 fotógrafos da Exposição Artistas do Carnaval – Múltiplos Olhares, durante a Carnavália SambaCon. Na sua quarta edição ela reúne a cadeia produtiva carnavalesca brasileira para apresentar produtos e serviços, além dialogar sobre política e produção da festa popular. Em tempos de crise e problemas no relacionamento com os gestores públicos imaginem o papel de um evento desse porte.

Três fotos de cada participante e a dúvida atroz. O que mandar? Como estava viajando fiz um recorte temporal: carnaval 2017. A intenção era uma foto do ensaio técnico, outras duas do desfile de segunda-feira, o oficial. O foco nos Meninos da Mangueira, parceiros de outros carnavais.

A marcação da virada do samba no ar pelos diretores de bateria verde e rosa foi pule 10. Especialmente porque faz tempo preparo um trabalho sobre os gestuais e comandos dos mestres de bateria. A foto do fradinho ritmista Bruno Obrigado no contra da luz do dia nascendo com as arquibancadas populares ao fundo surgiu pela ausência de elementos, um certo “minimalismo” em meio ao caos entusiasmado da dispersão do desfile. Para finalizar o beijo da sorte abençoado pelo Santo Antônio do “padre” diretor Wallance Tchoá e da noivinha passista, Jhéssyka  Santtos. Uma licença poética carnavalesca. Dessas que andam fazendo falta na folia. Um selão de alegria e irreverência num assunto sério que parece ter virado uma guerra. A intolerância generalizada que impede o diálogo e a convergência que deveriam nortear um momento de crise como o que atravessamos.

Foi justamente dela que veio a surpresa. O convite da Nega Chic Elisa Santos para fornecer estampas que seriam modeladas para uma performance relâmpago nos corredores da Carnavália SambaCon. Sem maiores explicações, porque não dava tempo. Da Mostra CarnevaleRio foram resgatados alguns detalhes do barracão da Mocidade Independente de Padre Miguel, do enredo de Cid Carvalho “Parábola dos Divinos Semeadores”, de 2011. Deu no que deu a junção de parcerias. Foi tão legal que pediram bis! A passagem das modelos “tatuadas” e invocadas com a faixa “CARNAVAL MERECE RESPEITO” foi aplaudida pelos corredores momentos antes sorteio da Ordem dos Desfiles do Grupo Especial no Carnaval de 2018, um dos pontos altos do evento. Na moral…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte das séries “Parador Cuyabano” e “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Outras memórias pantaneiras

Texto e foto de Valéria del Cueto

Perdi as palavras diante dos sentimentos. Muitos. Profundos. Emocionantes.

Até especialistas em se expressar, coisa que sempre busquei nas mais diferentes “mídias”, se calam quando tudo é pouco diante dos fatos e os diversos graus de sensações que provocam.

Voltei ao meu belo Mato Grosso, aquele de antigamente, ainda sem divisão geográfica. E os tempos queridos, acreditem, os que não voltam nunca mais, estavam lá.

O pé de cedro havia crescido e dado novas ramificações. Encontrei o pequeno arbusto cheio galhos e de raízes crescidos no tempo em que distantes vivi, amei e, claro, também sofri.

Todos nós nos transformamos…

Sua sombra amiga me acolheu e protegeu, me mostrou seus frutos (cedro dá que tipo de frutos? Sei lá…)

E nada do que imaginava para essa jornada aconteceu como planejei. Tudo foi mais.

Mais tempo nublado e chuvas, o que não seria problema se não fosse a duração quase permanente, o que gerou menos imagens reais como pássaros, animais e exuberância natural na região pantaneira.

Isso me empurrou para os livros que levaram a imagens de outros tempos mais, muito mais antigos. Voltei à Guerra do Paraguay.

Aos encontros e desencontros dos pioneiros que entre batalhas, muito trabalho bruto, longas esperas e amores povoaram o baixo Pantanal e a fronteira entre Corumbá e Ponta Porã.

Se pouco soube de Solano, o invasor paraguaio, li a respeito de Raphaela Lopes, sua irmã, que se casou com o interventor designado pelo Império Brasileiroe a saga da vinda da família Pedra para a região. Sou quase um deles. Além dos netos de Pompílio, agora, “colada” com mais duas gerações.

Quando, finalmente, o tempo permitiu que começasse a fotografar já estava encharcada pela água dessa fonte de lembranças expandida com a ajuda de informações e indicações de como lidar com um baú de comitiva repleto de imagens e referências.

Tudo veio pra mim. Primeiro na Casa Candia, de dona Jandira, em Anastácio. Depois na Selaria Renascer, do seo Jairo, em Aquidauana. Nos dois lugares tive direito a um “Guia Lopes” para me conduzir pelas macegas de objetos emblemáticos, ícones das narrativas que havia devorado nos livros.

Isso em meio a uma outra guerra que acontecia na vizinhança. Sangrenta, sem tréguas. Cinematográfica. Em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero a disputa pelo poder do tráfico se desenrolava nas ruas. Registradas por câmeras de vídeo dos celulares e disseminadas pelas redes sociais. A violência da fronteira evoluiu, como quase tudo em volta, mantendo sua essência.

Os últimos dias da viagem me levaram a Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, à celebração das novas gerações da família, continuação dessa estirpe que vem lá de trás.

Pais, avós, filhos, netos, numa alegre confusão, em comunhão com a vida, independente dos percalços e diferenças. Esperança!

Tudo ao seu tempo – não conforme meus planos (como sempre)-, acabou acontecendo.

Na última manhã da viagem, o ciclo se completou com a ajuda de Osana. Foi ela que me indicou nos jardins onde seria o desfile da passarada: tucanos, curicacas, beija-flores… Vieram para a despedida!

Um até logo cheio de gratidão de minha parte, emoldurado pelo sorriso que não tem preço de uma das queridas matriarcas da família, que não nega seu sobrenome: Pedra!

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “No Rumo” do Sem Fim…

Gatos : o filme

Um documentário da diretora turca Ceyda Torun, o filme capta o cotidiano de sete gatos livres que passeiam pelas ruas e vielas de Istambul, mostrando suas mazelas, espertezas e reações para sobreviver numa cidade grande.

Os muçulmanos atibuem aos gatos um especial dom de espiritualidade, e segundo a lenda, Maomé os adorava.  O seu favorito se chamava Muezza. Mas a foto debaixo que ilustra a matéria é de Fidel Sartre, que não era de Maomé e vive hoje pachorramente em Porto Velho. O documentário estará em breve num cinema perto de sua casa. E se você reparar no filme alguns felinos com a orelha esquerda cortada, não estranhe. É o sinal C.E.D , a prática  de captura, esterilização e devolução dos gatos ao ambiente, uma maneira de controlar a população dos bichanos de rua na Turquia.

Namoradeira

Janela da Pousada Casa Grande, em Iguape/SP

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor?
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Nos braços de um tipo qualquer?

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nem um pedaço do seu pode ser?

Lupiscínio Rodrigues

O samba-canção “Nervos de Aço”, de Lupicínio Rodrigues, foi lançado originalmente em 1947 pelo cantor e compositor Francisco Alves, conhecido como O Rei da Voz e falecido em 1952 num acidente de carro na via Dutra. Em pouco tempo, a canção se tornaria um clássico de seu repertório e da própria música popular brasileira. Vale lembrar que Chico Alves foi o primeiro a gravar, em 1948, “Esses moços” (Pobres moços), outro clássico de Lupicínio, também autor em 1953 do hino oficial do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense .

Lupicínio Rodrigues nasceu em Porto Alegre (RS) em 19 de setembro de 1914. De acordo com o site MPBNet, foi o inventor do termo “dor-de-cotovelo”. Este termo, ao contrário do que se propagou como inveja – se refere à prática, comum nos bares, do homem ou mulher que se senta no balcão, crava os cotovelos no mesmo, pede um Whisky duplo, faz bolinhas com o fundo do copo e chora o amor que perdeu.

Lupe, como era chamado desde pequeno, tinha três grandes paixões em sua vida: a música, o bar e as mulheres. A música poderia ter convivido com tranqüilidade com as outras duas, mas as mulheres em sua vida jamais entenderam ou conviveram com sua paixão pela boemia. Constantemente abandonado, Lupicínio buscava em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam abraçados, afogando as mágoas na mesa de um bar – onde, finalmente, conseguia unir suas paixões: amor, música e boemia.

Com versos profundos, conseguia tocar todos os corações que paravam para ouvi-lo, dando, a cada um, a sua própria história. Ninguém soube, como ele, cantar a dor e a desilusão de forma tão genial, sem cair em clichês e lugares comuns. Todas as pessoas que um dia choraram um amor, ergueram sem dúvida um brinde a Lupiscínio. Faleceu na capital gaúcha em 27 de agosto de 1974.

Leia também : Por que sou gremista

Canto pros santos do meu canto


Texto e foto de Valéria del Cueto

Acordar ouvindo a gritaria da passarada na janela enorme a sombra das borboletas de metal que dançam ao vento presas no entorno da não parede transparente. O pulo da cama é para tomar um copo de água fresca e fazer a ginástica diária de subir o toldo e abrir o janelão, deixando o ar da imagem matinal invadir e clarear o espaço do quarto.

Ao descer as escadas não esquecer de apagar a luz. Guia para o caso de precisar ir até a parte de baixo da casa durante a noite. Entre reparar na luz acesa e chegar ao pé da escada de madeira e ferro, a atenção é desviada para luminosidade que vem do lado de fora.

São poucas paredes. Os vãos envidraçados fazem com que tudo se mexa onde normalmente haveria apenas o senso comum de decoração interior. Os raios de sol projetados invadem o ambiente e quanto mais o vento agita as folhagens que cercam a habitação, maior o ritmo do balanço que alegra o chão e as pilastras de sustentação da sala/cozinha vazada. As sombras dos passarinhos que dão rasantes entre as árvores em busca do alimento matinal também fazem da manhã uma festa na Vivenda da Vovó Suely.

O tempo está perfeito. Quase julho e o ar ainda está limpo, como se já não fizesse mais de um mês sem uma gota d´água vinda do céu, apesar de algumas ameaças e a torcida geral por chuvas que adiassem o princípio da secura insuportável do “verão” no cerrado cuiabano.

Deu até uma esfriada. Aquela que o céu fica vermelho e a lua tem um halo em seu redor. Isso, um dia antes da parede de nuvens pesadas se formar para o lado sul no meio da tarde e ir invadindo o horizonte e depois completando o céu inteiro. Chegou o frio! Notado até por aqueles que, mais acostumados que os cuiabanos em geral, só o sentem quando a temperatura baixa dos 14 graus. Pois baixou…

Graças a Deus não durou nem pegou a temporada dos festejos de São Benedito, o santo padroeiro de Cuiabá. Assim, todos os devotos puderam louvá-lo com pompa e circunstância. Especialmente nas atividades da madrugada, como a novíssima lavagem das escadarias da igreja a ele dedicada e o tradicionalíssimo levantamento do mastro, com a imagem do Divino Espirito Santo ornamentando o topo. Diz a lenda que o lado que a bandeira aponta é de onde virá o futuro Imperador, organizador os festejos no próximo ano. Seja cumprindo promessa, fazendo pedidos para o santo, usando sua coroa, entoando os cânticos da missa da madrugada, experimentando o café com bolo depois da função, participando da procissão ou frequentando as barracas de comidas típicas cuiabanas, a fé do povo se manifesta a cada gesto.

Tão significativa e necessária é a devoção aos santos, como o ritual correspondente à natureza local. Ele pede o banho de rio na Chapada dos Guimarães onde, certamente, descem nas águas cristalinas as energias excessivas que se acumulam no corpo e na alma do vivente. Com sorte a água pode não estar muito gelada depois da inevitável descida até a beira do rio Paciência, por exemplo. E não adianta somente colocar os pés na água, molhar as mãos e a nuca.

O ideal é um mergulho físico e espiritual em que apenas o esforço para não rodar riacho abaixo faça o fio terra com o mundo real. Se der, que a conexão seja feita só com a ponta dos dedos dos pés, numa aula prática de física para demostrar como um único ponto fixo pode segurar a força do corpo contra a correnteza das águas.

Como na vida, em que os pequenos gestos e movimentos podem ser definitivos e decisivos diante do turbilhão que nos cerca e tenta nos devorar, serão as delicadezas e sutilezas que nos manterão ligados ao que temos de melhor a preservar.  

A essência da simplicidade é a luta pela verdade. A nossa verdade interior. Aquela que insiste em resistir em se manifestar livremente, como um direito que todos deveríamos exercer plenamente em nosso dia a dia.

Lembra da luz ao pé da escada? Voltando para apagar. Ficou acesa…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuyabano”, do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

A imprensa independente está de luto. Morreu Paulo Nogueira, aos 61 anos

Paulo Nogueira editava o Diário do Centro do Mundo

Paulo Nogueira morreu na noite de 29 de junho. Tinha 61 anos.

Estava com câncer. Depois de uma batalha de dez meses, finalmente descansou.

Paulo está vivo.

Paulo está em seus filhos: meus sobrinhos Emir, Pedro, Camila e Fernando. Paulo está em minhas cunhadas Erika e Luísa.

Está nos seus irmãos Mari, Zé, Kika. Nos seus sobrinhos e sobrinhas. Na minha tia Maria Ely. Nos amigos, como Sergio Berezovsky, Caco de Paula, Bia Parreiras e aqueles que peço desculpas por não citar nesse momento.

Está em mim e em você. 

Está em seu legado vasto e generoso, digno do nosso pai, o jornalista Emir Nogueira, a quem Paulo dedicou linhas e linhas de beleza e gratidão.

Ele fez de tudo no jornalismo. Foi repórter, editor, diretor de redação, superintendente. A maior parte da carreira na Editora Abril, outra parte na Editora Globo, os anos mais recentes neste Diário do Centro do Mundo.

Um dos maiores jornalistas do país, passou pela Veja, foi editor da Veja São Paulo, reinventou a Exame, lançou diversas outras publicações.

Deixou sua marca em cada uma delas. A vibração, a provocação, o apuro, a busca da excelência. Antecipou tendências, fez acontecer.

Nunca foi santo. Era duro. Era também de uma paciência infinita. Fez companheiros para a vida toda nas redações e revelou vários talentos. Fez inimigos, também, como todo grande homem.

“Sempre que você se desentender com alguém, lembre que em pouco tempo você e o outro estarão desaparecidos”, dizia, repetindo Marco Aurélio, o imperador romano, seu filósofo de cabeceira.

O DCM era seu projeto preferido. Ele falava do privilégio de poder exercer o ofício depois dos 50. Poderia ter tido uma aposentadoria tranquila, jogando tênis e pôquer às margens do Tâmisa.

Preferiu combater o bom combate, com a mesma paixão de sempre. Em 2012, quando começamos, comemorávamos quando conseguíamos alcançar 20 mil visualizações num dia. Ele de Londres, eu de São Paulo. Hoje são 500 mil.

O Paulo tinha uma visão e a perseguia com a mesma obstinação que tinha jogando futebol (um dia eu conto do gol mais bonito que ele fez. Um dia eu faço isso, quando não me doer desse jeito).

A utopia do Brasil escandinavo, um Brasil mais justo, foi a nossa bússola no DCM. Continuará sendo.

Uma vida intensa, um homem que fez tudo à sua maneira. Nasceu e morreu no mesmo quarto na casa dos nossos pais, no Jardim Previdência.

Como ele queria.

Publicado no Diário do Centro do Mundo

Minguante

Texto e foto de Valéria del Cueto

Não sei quando liguei a lua minguante a hora da partida. Desde que me lembro foi assim. Acho que é nela que a nossa ligação com a terra enfraquece, o fio de prata fica mais tênue. Se a força da lua influencia as marés, as plantas e, dizem por aí, o nascimento dos bebês, por que não ser presente também na morte? Com o tempo passei a observar o “fenômeno” que se repete a ciclo lunar. Em maior ou menor intensidade, para mim, sempre está presente.

Essa lua foi daquelas que vai levando de roldão várias pessoas queridas. Depois de seis anos de ausência aportei em Cuiabá. Dias antes da virada da lua minguante para testemunhar em uma semana a cuiabania sofrer sucessivas perdas.

O jornalista Jorge Bastos Moreno abriu a lista dos que, espero, tenham ido dessa para muito melhor. “Grande coisa melhorar o que está péssimo”, diria ele resmungando se lhe fosse dado o direito de, já assim rapidinho, mandar notícias do outro do outro lado. “Uma twittada, por favor, São Pedro. Se deixar devolvo a chave…”

Também partiram Rômulo Vandoni, amigo das minhas idas ao Senadinho e fonte de vastas informações sobre Cuiabá e outras regiões de Mato Grosso. Sempre gentil e disposto a saciar minha sede de histórias e curiosidades daqui.  Foi colaborador valioso em diversas campanhas políticas em que atuei no estado.

Com o Aecim Tocantins, também personagem essencial da história cuiabana, não tive tanto contato. Mas senti a perda de outro baluarte da cultura local. Dois contadores de histórias e um personagem influente e querido por toda a comunidade.

E já estava de bom tamanho, pensei prestando atenção na data do final da lua minguante: 23 horas do dia 23. Que passasse logo essa fase e os fios que nos unem a terra se fortalecessem…

Mas não tinha acabado. Na madrugada final do reinado da minguante de junho, se foi Fatima Sonoda, minha bióloga preferida.

A conheci logo que cheguei por aqui na década de 80. Como uma boa e longa amizade, a nossa nunca foi linear. Havia amor e discordâncias. Ficávamos “de mal” e tínhamos um enorme prazer em fazer as pazes. Uma das brigas mais sérias foi quando ela estava grávida de Bibi. Essa durou. Até o dia em que, numa campanha de Luiz Soares, quando estava com Helinho Lopes gravando numa reunião num ginásio perto da Universidade Federal de Mato Grosso, um toco de gente cruzou o salão com aquele andar cambaleante de bebê e, inexplicavelmente, grudou nas minhas pernas. Fiquei ali, meio sem saber de onde viera o afago até Fátima chegar perto de mim e declarar: “Essa é Beatriz. Se ela gostou de você, também tenho que gostar, né?” As pazes estavam, finalmente, feitas. Bibi não sabe, mas sempre teve meu carinho especial por ter feito a reconciliação.

Como já disse, Fátima é bióloga. E como tal a reconheci em cada passo da sua vida. Fosse jogando Master e dando surras homéricas nos demais desafiantes (foi quando revoltada gritei o bordão que encerrava nossas demandas: “ Ela é biooooologa!”.  Fator incontestável diante do meu saber empírico, após essa constatação não havia mais discussão), fosse como especialista e defensora do meio ambiente. Luta árdua.

Técnica do melhor calibre e maior comprometimento, minha fonte de saber e inspiração nesse campo da ciência, batalhou corajosamente pelos biomas mato-grossenses. Virava onça! Especialmente quando falávamos de uma paixão imensurável que tínhamos em comum: o Pantanal.

Como aprendi com ela! Noves fora nossas paixões em comum: Nina Haggen, Lou Reed, Tom Waits, Laurie Anderson, Charles Bukowski e por aí vai… Tudo gauche na vida, como ela.

Então Fá se foi e nós ficamos. Com tremendas saudades! Mas certos que logo ali ela vai se enturmar. Boas companhias não faltarão para a amiga querida. E logo, logo, nos vemos por aí. Numa minguante qualquer…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuyabano”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress. com

Noel tinha razão

Texto e foto de Valéria del Cueto

Doente do pé e/ou ruim da cabeça, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, entre idas, vindas e bênçãos, mandou um recado (!) ao povo do samba: o dinheiro da subvenção da prefeitura para o carnaval 2018 foi reduzido pela metade.

Tal qual marido traído os responsáveis pelo espetáculo foram os últimos a saberem da intenção do alcaide. Em nota ele informou que botará iogurte na merenda das creches cariocas capando um milhão de cada escola do Grupos Especial (50%). Também pretende reduzir a verba do Acesso e cortar os recursos para a montagem da estrutura do desfile dos demais grupos, na Intendente Magalhães. Adieu cultura popular.

O que levaria o bispo Marcello Crivella a provocar um tsunami no mundo do samba, abalando as estruturas de um espetáculo que rende aos cofres da prefeitura  um retorno de 3 bilhões e movimenta em todos os níveis a cadeia produtiva do Rio de Janeiro?

As mesmas intenções que fizeram o agronegócio defenestrar o enredo sobre Xingu da Imperatriz no último carnaval e Luciano Huck correr atrás de uma escola que topasse contar sua riquíssima história na Sapucaí, dias atrás.

O mundo do carnaval é terreno em que se plantando tudo dá. Especialmente notícias e repercussão instantânea. Boa, bonita e barata. O “custo” de uma ação de marketing coordenada é muito baixo quando a capilaridade e a “sonoridade” dos defensores da maior manifestação cultural brasileira são acionadas.

Crivella tem planos maiores. Inicialmente, seu caminho natural, já que nunca participou da administração pública, seria da prefeitura ir para o governo do estado e, então, a Presidência da República seria o limite.

Só que, como verificamos dia a dia, o Brasil tem a capacidade de extrapolar a ficção e descontruir projetos, especialmente a logo prazo. Com a instabilidade política, a estratégia traçada precisa ser readequada para acompanhar os acontecimentos. Com o cavalo passando encilhado, é hora tentar monta-lo!

Há um vácuo de poder federal e uma possibilidade de se movimentar com a falta de candidatos viáveis para a Presidência já em 2018. Bolsonaro se lançou, mas não é lógico entregar ao alheio o ativo de votos evangélicos. João Dória voa baixo, mas está muito exposto. Seu partido, o PSDB implodindo.

A bancada e a base evangélica não têm porque apoia-los se tiver um nome com projeção nacional. Crivella pode se viabilizar nessa brecha. Para isso precisa se apresentar e posicionar no tabuleiro eleitoral.

A polêmica carnavalesca é um recurso caseiro para alavanca-lo. O assunto já mostrou que tem abrangência. É briga de cachorro grande e apaixonante.

Quantos municípios brasileiros cancelaram seus carnavais em 2017? Será que isso prejudicou a imagem de seus prefeitos? Ao contrário. Fortaleceu. Com o quadro atual, Crivella precisa apressar o processo. Bate de frente com o carnaval carioca, ganha exposição e cria um debate nacional que pode posiciona-lo como um possível candidato a presidente.

É jogo alto, baseado em pesquisas, projeções e acordos aos quais os eleitores comuns não têm acesso, mas que estão rolando nos bastidores. Juntando os votos evangélicos com os da direita ele pode virar um trator eleitoral.

O timming está certinho! Se não houver desvios de percurso, pavimenta sua candidatura à Presidência e se equipara a outro candidato (provavelmente da bancada ruralista). Se não der para ganhar, tem cacife para negociar. Que vença o melhor. Para eles.

Somos peça chave nesse tabuleiro. Com um detalhe estratégico: enquanto jogamos damas, ele joga xadrez…

Em tempo: parte dos recursos orçamentários que sobrou do carnaval de 2017, quase um milhão, foi realocado para uma campanha da Riotur de atração de turistas nacionais, a #vemprorio. Segundo anunciou o presidente do órgão, Marcelo Alves, em maio, o custo da iniciativa é de 200 milhões!

*Veja o resultado da enquete feita pela Revista Veja sobre o assunto

**Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É Carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress. com