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Textim em construção. Aceito reparos e adições, mas mantenham a linha!

Por José Leme Galvão Jr.

Justo na semana após o desastre do interlúdio do “serial coup” tive que me apresentar no banco para a prova de vida anual. Sem ela me matam. Ou pelo menos começam suspendendo meu salário de aposentado federal. Danei-me a pensar: OK, provo que vivo, mas como vivo? Digo, que tipo de vida tenho que me aprove ou reprove?
Para uma boa análise e diagnóstico (báideuêi sou agnóstico noturno também) achei por bem, claro, fazer exames gerais – nem clínicos nem cínicos – começando com o famigerado exame de consciência, na verdade bem complexo e dependente do nosso meio social e natural, inclusive por ações e relações moral e politicamente incorretas, com maior ou menor comprometimento no trato com semelhantes. Também com os dessemelhantes (comer ou não animais e tampouco usar seus nomes em vão, burro e anta por exemplo.). Enfim, exame através de imagens e de coisas que disse ou escrevi nesta minha vida adulta (crianças e adolescentes são cruéis pré-pagos), passando por quitações de dívidas e dúvidas, valores e amores apenas possíveis, mas diáfanos ou encarnadamente perigosos, desaforos de todo tipo etc.
Tomograficamente encontrei placas de desacatos vários, manchas persistentes de desaforos, mossas de desencontros e pancadinhas de amizades e outras relações que foram mal construídas ou sobre bases movediças. Vi também apêndices que poderiam ter sido extirpados, vírus e bactérias exóticas aguardando uma chance de se manifestar… Enfim, coisas normais. Mas nada, nada, de monta ou que possa me embaraçar ou comprometer.
Então porque tanto ódio se nos aplica ou respinga ou separa? Seríamos irmãos, primos e amigos no lugar e na hora errados?
Na radiografia política de uma clínica à rua direita fui (fomos) diagnosticado como petralha esquerdopata, com sinais antigos e riscos de desenvolvimento de contagiosa sociopatia comunista (entendida pela boçalidade descerebrada como maladia. Fico perplexo). Parti para um segundo diagnóstico que indicou inalterada radicalidade xiita a favor da preservação da memória cultural (há outros muito amis xiitas que radicais), mas na verdade foi verificada forte intolerância à determinados bestialidades tais como burrice adquirida (sim, existe), maus caráteres desvelados sob máscaras de gente fina, ladrões de casaca, colarinhos brancos, procuradores que só acham o que querem, promotores que só promovem o caos, juízes de piso à soldo etc. Enfim, corrompidos e corruptores travestidos de cidadãos justos, capazes e merecedores do poder que compraram ou usurparam. Nada foi constatado quanto a manter confiança em políticos, advogados, sacerdotes e outros “profissas” em estrito senso, assim como na sociedade e nas pessoas em geral. Ufa!
Mas – sempre o mas – há ainda substratos sob esses vetores de intolerância. Um primeiro é pleno de grupos opostos e displásicos, que invertem os textos intentando reverter modos e argumentos, senão a própria realidade. Assim os pobres diabos que nada sabem seríamos nós. Seríamos nós os desonestos, os desviados da normalidade, da moral e da ética. Prática bastante comum entre os fundamentalismos de qualquer tipo, inclusive de esquerda. Causam horror e terror.
Abaixo, outro substrato abriga grupos milicianos, formais ou não. Observamos sem reagir e ao longo do tempo seu surgimento, armamento e consolidação, tipo o exército de “gondor”. Descerebrados de todo tipo pululam. Covardes atávicos compactuam-se na violência física e na caça a quaisquer privilégios inter-pares. Boçais abissais.
E chegamos à expressão privilégio. Nenhuma outra resume tão bem as ambições e metas dos caçadores de poder. Nem me refiro ao “bozo”, eleito já tantas vezes. Apesar de obscuro e mentalmente raso ele é de certo modo um conquistador, como Hitler foi, entre outros que a história apresenta. Me refiro à maioria dos malfeitores que vem golpeando o país e a democracia. À soldo ou autônomos agregados, buscam elevar-se pelo tripé dinheiro – poder – privilégios. Não tem ou não pode ter para todos, seria uma contradição. Não há equilíbrio aí. Trata-se de uma superfície sulfurosa, caótica, tóxica, em sucessões mais rápidas do que a própria vida humana.
Por isso a minha intenção inicial não atingiu a graça de mostrar o lado ridículo disso tudo.

Lá e cá

Texto e foto de Valéria del Cueto

Depois de um texto burilado e trabalhado em referências, como o da última crônica “Na luta é que a gente se encontra”, a vontade é de só falar de banalidades para quebrar a linha de raciocínio. E, claro, por saber que é muito difícil ir mais longe na excelência do produto.

Só que ainda me lembro do compromisso que talvez você, leitor, não se recorde: continuar viajando pela fronteira de Mato Grosso do Sul e, quando dá, cruzar para o lado de lá, o Paraguay… Então convido você a seguir pela Ruta 5, em direção a Bella Vista, na província de Amambay, ao norte do país vizinho.

Saindo de Cerro Cora seguimos para a Hacienda Ñe´a. Uma pena que com a pressa (queríamos chegar com a luz da tarde), não deu para ir fazendo paradas para fotografar o relevo que desenha o perfil das paisagens que passaram voando pelas janelas. Um tereré circulava entre as passageiras da aventura: Adriana, Rosanie, Dora e Natália, todas da família Nuñez.

A sede da hacienda é protegida por uma cadeia de montes. Adriana até sugeriu um passeio a cavalo para explorarmos a região, mas declinei. Estava satisfeita com as construções que avistei em volta da linda casa principal. Fora isso, é claro, tive o bom senso de evitar as dores que, certamente, sentiria nos dias seguintes. Não monto há anos!

Quer saber? Para esgotar as possibilidades fotográficas da Ñe´a preciso de muito mais tempo do que a tarde que por lá passamos. Pelo que vi imagino as nuances da luz em diferentes períodos do dia, como o amanhecer e o anoitecer, e as variadas cores da vegetação do entorno conforme mudam as estações do ano. É material para muitas idas e passeios. O visual ainda estava marcado pela estiagem comum nesse período. Isso dava à morraria, especialmente no cair da tarde, tons dourados que contrastavam com a vegetação que renascia.

Ao lado da casa principal uma pequena represa compõe a visão bucólica e serve para banhos refrescantes nas épocas mais quentes do ano. O que chamou a atenção foi a “passarela” de tábuas de madeira usada para as lavadeiras baterem as roupas no curso d´água. Cena típica de tempos e práticas de antigamente.

Depois de mais uma rodada de tereré na varanda da casa principal era hora de um giro pelos galpões, oficinas e a área das moradias dos peões. Trabalhando com o contraste das sombras que se alongavam com o cair da luz fui fotografando a vizinhança.

A câmera atraiu a atenção das crianças que brincavam entre os varais de roupas que secavam ao vento. Uma se aproximou cheia de curiosidade perguntando o que eu fazia. Expliquei que fotografava a hacienda. Outras  foram chegando e pediram para que as fotografasse, o que, é claro, aceitei prontamente. Agora, era um grupinho que fazia pose e me intimava para ver no visor o resultado. Um dos meninos foi buscar uma bola. E dá-lhe clique! Outro, dava ideia de subirem na cerca da mangueira. Aí, a “direção” da brincadeira já não era da fotógrafa…

Nem prestei atenção ao sol que caía rapidamente e produzia uma luz quase frontal perfeita para os registros. Fui andando a procura do ponto ideal para pegar o pôr-do-sol, mas não resisti ao chamando da criançada que dava a dica de outro cenário. Dessa vez na varanda do galpão do estábulo, com arreios e tralhas ao fundo. Arrumei os assistentes perfeitos. Melhor “frente de locação” impossível… Foram eles que me contaram onde as imagens ficariam melhores.  Me despedi dos “eres” explicando que achava que voltaria logo trazendo as fotos impressas.

É o que, creio, acontecerá em breve. É nessa região que pedirei asilo depois dos resultados do segundo turno das eleições. Será a rota de fuga mais adequada para me dirigir nos próximos meses. Vai ser difícil aturar o juiz que, provavelmente, fará dobradinha com o bispo no Rio de Janeiro e a dupla de milicos em posições invertidas que avança sobre a democracia brasileira.

Mas espere, caro leitor, não é agora! Antes cairei no samba num verão carioca inesquecível que terá seu ponto alto no desfile da Sapucaí. Será um carnaval temperado por enredos como “Xangô”, do Salgueiro, e “História pra ninar gente grande”, da verde e rosa. Esse contará ao Brasil e ao mundo quem são os verdadeiros heróis populares do país que não está no retrato ritmado pelo surdo de primeira que marcará os 60 anos da Bateria da Mangueira! E eu? Estarei lá…

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Das séries “Fronteira Oeste do Sul” e “É Carnaval”, do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Dependência afeta profundamente as mulheres

 

Por Alice Schuch

A psicóloga argentina Clara Coria alerta para a necessidade de compreensão das questões que afetam profundamente as mulheres. De acordo com o filósofo e economista britânico Stuart Mill, já em 1806, o primeiro e indispensável passo para a emancipação das mulheres é a educação de modo a não necessitarem do pai ou do marido para manter-se, posição esta segundo o autor, que em nove entre dez casos as convertem em joguete ou em escravas daquele que as alimenta, e no caso número dez, em sua humilde amiga e nada mais.

“Convém sermos vigilantes porque quanto em nosso interior descobrimos alguém que nos freia, somos nós que o escolhemos e o queremos, pois ao interno de cada uma a decisão é pessoal”, explica a doutora e pesquisadora Alice Schuch.

Como refere a obra O Em Si do homem: “se o sujeito não se desenvolve em crescimento, perde a memória, o traçado e a forma segundo o tipo de privação que sofreu em cada sucessiva interação que o fez regredir”.

Em sentido positivo, ao aperceber-se de uma presença vital, a inteligência feminina deseja e escolhe aquela relação para crescer. “Essa é a lógica da vida: busca um comportamento de permanente adaptação a cada realidade de contato enriquecedor, útil e funcional ao próprio devir”, diz Alice.

Como refere Maslow, todo o ser humano porta dentro de si dois conjuntos de forças. Um deles apega-se a segurança e a defesa e tende a regredir, temeroso de correr riscos, de colocar em perigo aquilo que já possui, receoso da liberdade e da separação. O outro impulsiona para a totalidade, para a individualidade, para a ação plena e para a confiança em relação ao mundo externo.

“O igual não existe no mundo da vida, cada uma de nós é diversa por como se constrói. Nascimentos são constantes para aquelas que crescem e realizam. Por isso, investir no pessoal desenvolvimento me torna mais eu, mais real, mais bela e muitíssimo mais feliz. Calma, ma fare subito ou: Calma, mas faça logo!”, sugere Alice Schuch.

Na luta é que a gente se encontra

Texto e foto de Valéria del Cueto

Dias antes do incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, estive num lugar que, por analogia, me fez sentir ainda mais o desastre imensurável para a história, a cultura e a ciência brasileira.

Cerro Corá fica perto Pedro Juan Caballero, a 41 km de Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, fronteira com o Brasil. Ali, as tropas brasileiras da Guerra do Paraguay, conduzidas pelo General Câmara sob o comando do Conde D´Eu, (marido da Princesa Isabel, A Redentora, que libertou os negros da escravidão, segundo a história oficial brasileira), encontraram o que restava do exército em fuga do  Mariscal Solano Lopéz.

No riacho Aquidaban Nigui o cabo Chico Diabo golpeou “El Supremo” e entrou para a história. A nossa, que não nos conta que Elisa Lynch, a poderosa amante do presidente, enterrou com a ajuda de sua filha, usando uma lança, não apenas os restos mortais do Mariscal, mas de seu filho de 16 anos, o Coronel Juán Francisco López. “Panchito” também se recusou a se entregar aos inimigos.

Estudo essa história desde a adolescência quando meu pai serviu em Bela Vista e virei rata da biblioteca do médico paraguaio, o Dr. Caito. Lá comprovei, lendo em espanhol os relatos que contam o outro lado dessa incrível saga sul americana, que a verdade pode até querer ser uma só, mas tem sempre várias versões.

Minha memória se colore com a panapanã que encantou a primeira vez que visitei Cerro Corá, ainda criança. O local em que os combatentes caíram estava “tapado” por uma nuvem de borboletas amarelas, como as que reencontrei na Macondo, de Gabriel Garcia Marques.

Agora, ali é o Parque Nacional Cerro Corá, com mais de 5500 hectares. O marco, na Ruta 5, e um pórtico estilizado indicam sua entrada. Um pouco recuada fica cancela de identificação e a portaria com a simpática guarda florestal fazendo a recepção e apresentando o minimuseu. O lugar também é um sítio arqueológico.

Seguindo se alcança o mirante que marca o local onde aconteceu o último embate entre as tropas, em 1 de março de 1870. O visual é deslumbrante, com o Cerro Corá dominando o cenário. Bustos dos comandantes que ali sucumbiram vigiam o território paraguaio.

Mas ainda não era isso que estava procurando. Dalí, uma alameda cercada de palmeiras leva à grande cruz que marca onde estiveram enterrados os heróis paraguaios. Ao lado, um nicho formado por guerreiros de pedra, adornados com elmos e lanças de metal estilizados, indica onde Madame Lynch enterrou Solano Lopéz e Panchito. Ainda é necessário fazer um caminho por pequenas trilhas para chegar, no Aquidaban Nigui, ao passo onde o líder paraguaio sucumbiu.

O que mais me impressionou foi a proposta do parque.  Não há uma invasão visual. Tudo integra os acontecimentos aos locais. Dá para notar a imponência das linhas do monumento no local da batalha e da cruz, de tempos mais antigos, e a linda proteção dos guardiões, homenagem do ex-presidente Fernando Lugo. As equipes trabalhando e a conservação dos jardins, alamedas e trilhas, mostram o zelo com o espaço.

Vivi tudo isso com as lágrimas nos olhos do meu sonho colorido de infância dias antes de, estarrecida, ver arder (há exatos um mês) nossa memória – e, inclusive, desconfio, objetos ligados a essa história – na Quinta da Boa Vista.

Quando voltei ao Rio, caí dentro do registro da Bateria da Mangueira na escolha do samba que cantará na avenida o enredo do carnavalesco Leandro Vieira, “História para ninar gente grande”. Ele fala da “história que a história não conta, o avesso do mesmo lugar”. Cito trecho de uma das parcerias, a de Deivid Domenico, que concorre na final, dia 13 de outubro, no Palácio do Samba, a quadra da Mangueira.

Não costumo me manifestar durante essa etapa do processo carnavalesco, a escolha dos sambas, que acontece até meados de outubro. Mas, confesso, torço para cantar na Sapucaí “tem sangue retinto, pisado, atrás do herói emoldurado” e meu nome, MARIA, junto com as “Mahins, Marielles, Malês”, “Lecis, Jamelões”. Quero muito dar nome aos nossos verdadeiros heróis que, diga-se de passagem, nem sempre precisaram matar para assim serem considerados. Eles e tantos outros anônimos elementos catalizadores do que nosso país tem de melhor.

Pense nisso na hora de exercer seu voto nesse domingo. Na base de seus representantes. Se escolher seu presidente é complicado, mais difícil é ter critério e consciência ao escolher senadores, deputados federais e estaduais. Caberá a eles representá-lo nas difíceis decisões que virão pela frente. Afinal, “na luta é que a gente se encontra…

* Este é o link para clip do samba mencionado:https://youtu.be/s91TcNhfYtY e, aqui, seu feito na torcida verde e rosa https://youtu.be/asc92FJmwYQ

** Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Das séries “Fronteira oeste do Sul” e “É Carnaval”, do SEM FIM…delcueto.wordpress.com

Medidas compensatórias

Texto e foto de Valéria del Cueto

Vivendo e aprendendo. Inclusive a não prometer o que não sei se vou poder cumprir.

Na última passada nesse espaço, com a crônica “Logo ali”, jurava que seria capaz de fazer você, leitor, acompanhar as etapas da viagem a Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguay e adjacências.

Cheia de boas intenções, pretendia enviar relatos semanais da entrada por Campo Grande, a descida até Ponta Porã, uma passada planejada em Bonito. Depois, dias em Aquidauana, antes de voltar para Campo Grande e para a rotina imprevisível da vida no Rio de Janeiro.

Quais as partes (observe o plural) que não foram cumpridas? Enquanto atravesso uma área de turbulência, já pertinho de São Paulo, tento fazer um balanço das semanas que inexisti no sentido literário de meu compromisso com você eleitor – ops, ato falho, leitor – e enviar para a publicação os textos e fotos.

E quer saber? Não me arrependo. Quase tudo deu certo e o que deixei de fazer foi substituído por experiências diversas e inesperadas. Um exemplo?

Para ele, me baseio numa teoria que acabo de criar e ando burilando. Imaginem um registro gastronômico. Você vai ao restaurante e, antes de abrir os trabalhos, para tudo. Faltou a foto ma-ra-vi-lho-sa do prato em questão. Ali, saboroso, com aroma e temperatura perfeitos. No mínimo, preciosos segundos de contemplação foram perdidos.

A comida esfria enquanto a gente dá uma ajeitada no entorno, acerta o plano, gira o prato para ficar ainda mais apetitoso, arruma os talheres. Tira as logos dos refrigerantes e da água do quadro. Claro, se houver um bom vinho, tem que acertar a posição do rótulo. Não frontal, displicentemente, quase lateral. Aproximar a taça devidamente preenchida até a altura adequada, dependendo do tipo da bebida.

E a comida? Linda na foto (que você já checou para ver se está no foco, no ângulo certo). Esfriouuu… Amado leitor. Sou muito chata para comer e, se o prato for irresistível, tenha certeza: lá se foi o registro perfeito para as redes sociais. E ainda tem antenados que fazem as postagens antes de cair de boca. Com direito a textinho, localização hashtag e marcar o estabelecimento e os amigos. Fora as “Stories”.

Estou. Fora. Se estava irresistível certamente não haverá registro. Assim como de outros momentos especiais na minha vidinha…

Agora, amplia isso para uma viagem inteira. Locais, encontros, aventuras. Espero ter explicado porque nos últimos 20 e poucos dias o máximo que consegui foi dar uma curtidinha nas fotos feitas por amigos que me pegaram de jeito com meu “sorriso gato da Alice”.

Todo mundo sabe que sou tímida, envergonhada e detesto ser fotografada. Essa é uma das razões que escolhi ficar do lado oposto da máquina fotográfica. Mas, como virou moda o registro incondicional de encontros e divertimentos, para não ser mal-educada e evitar muita zoação, desenvolvi essa técnica. O sorriso do gato, inspirado no bichano de “Alice no país das maravilhas”, de Lewis Carroll. Essa foi a maneira de saber por onde andei. Nos perfis amigos.

O Instagram, companheiro e cumplice compreensivo, solidário com sua assinante, emburrou. Deu de travar, engasgar, e refugar em boa parte da viagem. Me explicaram que, coitadinho não é chegada no 3G, sofisticada e phyna…Essas foram algumas falhas imprevisíveis nas intenções iniciais da viagem.

Cabe registrar que a aventura gastronômica no paraíso também não aconteceu. Baixou o lendário nevoeiro em Ponta Porã. O frio veio junto. De rachar. Foi impossível o deslocamento para Bonito com a partida de Ponta Porã tendo que acontecer de madrugada num dos dias mais frios do ano…

Como já disse, as frustrações tiveram suas compensações. E essas, não prometo mas, pretendo, contar nos próximos textos sul mato-grossenses.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fronteira oeste do Sul”, do SEM FIM…delcueto.wordpress.com

O silêncio do suicídio

por Aline Rodrigues

Você já pensou em pôr fim à sua vida? Pode soar de forma agressiva, mas se trata de uma pergunta que tem rondado os pensamentos dos brasileiros mais do que imaginamos.

Outra questão é: Você conhece alguma pessoa que suicidou? Acredita que essa pessoa efetivamente suicidou ou que foi um acidente ou morte natural?

A sinceridade em assumir esta realidade é extremamente importante. Porque, a negação deste comportamento é um dos grandes fantasmas que potencializam seu aumento.

Como iremos tratar algo que não consideramos existente? E assim, negando sua existência, mais e mais pessoas colocam fim em suas vidas por não conseguirem mais suportar ou lhes dar sentido.

Dados estatísticos revelam que, anualmente, 800 mil pessoas suicidam no mundo. Sua maior incidência acontece na faixa etária de 15 a 29 anos. E, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Brasil apresenta um registro de 12 mil mortes por ano. Um dado assustador.

Diante deste cenário, podemos abrir inúmeras discussões. Atenho-me apenas a uma reflexão: todos que atentam contra a própria vida o fazem por estar vivendo um quadro de doença psíquica? Afinal, este é o discurso que ouvimos a todo instante. De fato, isso precisa ser questionado, visto que a dimensão psicológica não é a única que norteia o ser humano.

É válido ressaltar que somos um ser biológico, psicológico, social e espiritual. Que dentro da dimensão biológica, pode se notar alterações neuroquímicas e hormonais que estão relacionadas diretamente ao quadro de humor da pessoa, um dos fatores que implicam no comportamento suicida.

Outra dimensão é a psicológica. Claro que esta é a que mais atinge esse público, inegavelmente. O aumento de doenças psíquicas como depressão, ansiedade e tantas outras patologias, tem gerado o que chamamos de “adoecimento coletivo”. Atrelado a essas patologias, podemos notar que o ser humano tem ficado perdido quanto à sua identidade.

Muitas vezes, não reconhece o seu lugar, valor e missão no mundo. O que gera confusão e sensação de falta de sentido. Não entro aqui na discussão de casar ou não, ter filhos ou não, trabalhar ou não. Falo das frustrações e decepções vividas, do sentimento de abandono e desamparo sofrido. De olhar para si e não reconhecer nenhum sentido na própria vida.

Uma outra dimensão que potencializa esse sofrimento humano é a social. A sociedade tem violentado o ser humano, pois ele não consegue freá-la, nem dar respostas saudáveis. Vive no automático, respondendo a uma cultura de massa, que tira toda a sua individualidade. Exigindo, muitas vezes, um comportamento e uma forma de pensar muito diferente do que é dele. E uma vez que não consegue encontrar o seu lugar nesta sociedade, perde o sentido da vida. Essa dimensão é como um gatilho no revólver que é a nossa estrutura psíquica.

Essas dimensões humanas são como os pés de uma mesa: se uma está doente, é como se o pé quebrasse. Um pé da mesa quebrado, o que acontece? A mesa fica “manca”. Esteja atento, reconheça essas dimensões nos integrantes de sua casa, olhe para a dor do outro que está perto O suicídio é real, fruto de uma realidade doentia de alguma das dimensões da nossa vida.

Temos uma geração fraca, que não sabe lidar com as frustrações, decepções e os NÃOS que são próprios da vida. Aprenda a dizer não! Auxilie seus filhos a lidarem com as decepções e frustrações. Mostre às pessoas que você ama que é possível achar o equilíbrio, enfrentar e superar o problema que tem gerado essa dor momentânea.

*Aline Rodrigues é psicóloga, especialista em saúde mental, e missionária da Comunidade Canção Nova. Atua com Terapia Cognitiva Comportamental; no campo acadêmico, clínico e empresarial.

Logo ali

Texto e foto de Valéria del Cueto

Fiz que fui, quase fiquei mas, para felicidade geral, acabei indo. A vida é uma partida de futebol interminável incluindo os deslocamentos pelo campo que é esse mundão de Deus. Como todo bom jogador completo vou para onde o técnico manda. Porém, confesso, tenho minhas preferências e, quando posso, faço escolhas próprias baseadas em algumas variáveis.

Adoro ir onde o vento leva. Mas hoje, além do bom tempo, sigo as correntes dos preços das passagens aéreas, as cotações das moedas de países da lista de desejos e outros critérios mais objetivos do que gostaria esse ser viajandão.

Reconheço que em alguns momentos apago as prioridades e tomo um rumo certeiro por exigência de sobrevivência do equilíbrio básico necessário para fortalecer meu eu interno. Aí, troco o oceano de água salgada por um imenso mar de água doce no centro do continente sul americano. Nele, me dispo das camadas do convívio ligeiro e superficial para encarar o mais difícil e complexo personagem do repertório da vida: ser eu, apenas eu.

Tá, já sei sua pergunta: “o que a água doce te dá que a salgada não te traz?” A resposta é dolorosa, mas real. Entre outros benefícios, a segurança.

Na minha praia carioca todos os sentidos têm que estar alertas. Mesmo em momentos como esse de concentração literária. Tudo pode acontecer e, das duas uma, ou vira crônica ou motivo de, com toda a agilidade disponível, levantar acampamento e seguir outro destino.

Foi assim, quase traumática, a última experiência no Arpoador. Do luxo ao lixo em poucos e preciosos minutos. De uma crônica inspirada sobre o paraíso  “Quase perdido”, a ser testemunha involuntária de uma barbárie oficial no horário nobre do por do sol mais famoso do Rio de Janeiro, talvez do Brasil, quiçá da América do Sul. Tirei de letra a crônica da felicidade e registrei em vídeo a violência oficial da guarda municipal, cotidiana e banal na cidade partida.

No impacto dos acontecimentos concluí que era hora de trocar o tempero das águas cariocas por correntes menos imprevisíveis. No “unidunitê” dispensei os “salameminguê” e usei um critério climático para cravar o novo destino.

Na dúvida, entre o Pantanal de Mato Grosso e o irmão do sul o segundo levou a melhor. Nele, como em todo nosso Centro Oeste agro pop, a umidade do ar está um pouco mais relativa e amigável. Volto às origens, agora partidas, de uma terra especial que (re)conheço desde criança. Fugindo da secura caí para o oeste e para o sul.

Do alto da serra de Maracaju vislumbro o doce mar que tanto anseio. Quero o silêncio barulhento das águas, da terra e dos animais para substituir as batidas das paredes sendo derrubadas nas múltiplas reformas do meu quadrado copacabanense. O sussurrar das folhas ao vento ao invés do som do corte do esmeril que entra pela janela transformando meu pequeno mundo numa cadeira de dentista com a broca indo e vindo 8 horas por dia.

Não, não é aqui no avião que atingirei o nirvana. Pelo menos no trecho Rio-São Paulo. No agradável trajeto uma menininha de uns três anos resolveu decretar o apocalipse e, da decolagem ao pouso, berrou delícias a todo pulmão do tipo: “Estou com meeedo”, “Balançoou…”, “O avião vai cair…”. Tirando a gritaria em si, nada disso me abala, mas pegou na veia de outros passageiros que, de tanto aguentarem a ladainha desesperada da pequena, foram emprenhados pelo ouvido e, apesar da tranquilidade do voo, resolveram distraí-la. Adiantou? Não.

Os excelentes pais sem domínio sobre a cria deixaram o tumulto correr frouxo. Nada que meio Dramin, para fazer a malinha sem alça e sem rodinhas descansar, não resolvesse. Ou um pouco de autoridade familiar. Mas aí também era querer demais… Melhor abstrair e ignorar as expressões da metade dos passageiros enfurecidos e incomodados. Eles que se mudem! Mas para onde?

Foi a última prova antes de alcançar o nirvana que buscava. Duríssima! Não sucumbi e resisti. Agora, estou no trecho como gosto. O paraíso é logo ali…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fronteira oeste do Sul”, do SEM FIM…delcueto.wordpress.com

Adivinha?

Texto e foto de Valéria del Cueto

Estiquei o máximo que pude e dei linha para a pipa da cronista enclausurada sabedor dos efeitos prolongados da lua de sangue do eclipse do final de julho.

A desculpa é boa mas não totalmente verdadeira por deixar de retratar o impacto que a noite de sexta-feira e os efeitos do fenômeno provocaram em mim, um extraterrestre reconhecidamente acariocado.

Descrevo o evento para explicar a demora nesse contato com a amiga voluntariamente recolhida a uma cela do outro lado do túnel.

O veranico de julho ainda reinava, transformando a paisagem do Rio de Janeiro um daqueles cartões postais que conseguem apagar com sua exuberância e beleza as mazelas da cidade. Água caribenha, apesar da ressaca que chacoalhou o litoral nos dias anteriores, céu de brigadeiro e uma brisa fraca esperavam os visitantes que se preparavam para ver o eclipse. O primeiro lugar escolhido por 10 entre 10 apreciadores foi o Forte de Copacabana. No meio da tarde a fila gigantesca que serpenteava pela Francisco Otaviano recebeu a notícia que as senhas para a entrada nas instalações militares haviam se esgotado.

A opção B foi a Pedra do Arpoador, do lado da Praia do Diabo. Disfarçado de mim mesmo cheguei cedo e encontrei uma protuberância que serviu de mangrulho (posto militar de observação em lugar elevado, aprendi a palavra numa música gaúcha) natural. Dali não saí nem me mexi até o final do espetáculo. E assim tinha que ser já que, depois de estabelecida a base, a população cresceu absurdamente no entorno. A ponto de não dar mais nem para esticar as pernas.

Depois do por do sol a quantidade de gente cresceu mais ainda. Quem estava apreciando a performance solar, não tão bonita quanto no verão quando o sol se põe no mar, entre as ilhas, viu o astro-rei descer entre os prédios e a montanha. Depois, se moveu para ter o visual do lado leste, onde a lua surgiria.

Era engraçado ver a direção em que a maioria dos assistentes se posicionou. Claramente achavam que a lua, já eclipsada e, portanto, avermelhada surgiria em cima das montanhas quando, na realidade, ela apareceu por cima do mar.

Aí, veio a segunda confusão. A “linda bruma” que se via na barra do horizonte (na verdade, uma camada de poluição) era tão espessa que a lua teve que vencer essa nova barreira e já surgiu quase tossindo, pálida de tanta suspensão, bem acima do mar.

Não precisa dizer que entendo plenamente o significado dessa camada, a mesma que impede minha espaçonave de ultrapassar o ozônio que habita a atmosfera terráquea e me levaria para novas aventuras intergalácticas.

Não fosse esse jeito carioca de ser já assimilado, certamente, já teria entrado em desespero e feito alguma tentativa desesperada de levantar âncora em direção a novos mundos.

Acontece que nessa terra, basta a gente ficar imóvel e deixar a vida passar em seu ritmo (a)normal para saber que não haverá tédio nem paradeira. Entre músicas diversas, drones dispersos e muitas câmeras mais ou menos profissionais a lua, acompanhada de Marte, brilhando forte, deu um banho de luminosidade na humanidade.

Foi deixando essa energia fluir que me atrasei um pouco para vir trazer as novidades. Esperava que o efeito também se prolongasse pela fresta que a ilumina. Pelo menos até chegarmos as últimas novidades.

Cara amiga, acredite, “habemus candidatus”. Para todos os gosto e tipos. Encarcerados como você, apalermados, genéricos, patéticos, coligados, ajojados, amontoados, enfim, para tudo falta pouco. O grande dilema para candidatos a presidente e governadores foram os vices, todos escolhidos na última hora, alguns pegos a laço.

O próximo passo? O compasso. Um átimo até as eleições, onde nem a lua adivinha o que poderá acontecer…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM FIM…delcueto.wordpress.com

O chuá no chuê, chuê

Texto e foto de Valéria del Cueto

Céu, sal areia, mar. É tudo que se faz necessário para, finalmente, abrir o ciclo do segundo semestre (pós Copa do Mundo da Rússia) já em curso. A registrar, além das surpresas que fazem do futebol um esporte tão vivo quanto a bola do jogo, as cenas inesquecíveis da premiação.

Se tudo estava quase dando certo para a imagem vendida ao mundo pela potência anfitriã, ali, todo esforço semiótico (que incluiu ensinar seus sisudos cidadãos, pelo menos nas cidades sedes, o poder do sorriso), caiu por terra.

Na verdade, a lua de mel havia ido somente até a questão da homofobia legal que impede manifestações LGBTS e afins de qualquer tipo em local público. O limão acabou virando limonada e as camisas das torcidas formando a “bandeira” com as cores do arco-íris foi notícia mundial. Um estepe alegórico que tirou o foco da questão mais séria: o direito usurpado de manifestar sua sexualidade livremente.

O que se esperava? Não, a Rússia não é um país democrático. Portanto, manda quem pode, obedece quem quiser (ainda) ter juízo.

Na cerimônia de encerramento a participação do atabaque do campeão mundial de 2002 Ronaldinho Gaúcho foi, sem dúvida, um toque de mestre para aproximar a nação que convidava de seus exóticos visitantes de todos os quadrantes do mundo. E convenhamos, quando o assunto é sorriso, Ronaldinho bate um bolão.

Tudo acontecia conforme o minunciosamente planejado até que um imprevisto climático serviu para, em minutos, fazer cair a máscara de polidez, respeito e delicadeza do cerimonial do encerramento.

Começa a chover. No palco do gramado os presidentes da Fifa, da anfitriã, da França e da Croácia participam da premiação da inédita vice-campeã e da bicampeã mundial, a seleção francesa. Aos primeiros pingos surge um e-nor-me guarda-chuva. Ele é posicionado para proteger os convidados, entre eles uma dama, a mandatária croata? Não.

O apetrecho impede que apenas e tão somente o poderoso Putin seja protegido do aguaceiro que, em questão de minutos, encharca as autoridades. Os jogadores, recebendo suas medalhas e cumprimentos, cá entre nós, não têm do que reclamar, querem mesmo é festejar a conquista.

As câmeras da transmissão oficial reproduzem as imagens para o mundo e mostram a cena constrangedora por vários minutos. O terno do presidente Emmanuel Macron, da França, já havia até mudado de tom, de tão molhado estava. Assim como a camisa xadrez da seleção croata e os cabelos da presidente Kolinda Grabar-Kitarovic, nada resistiu a chuvarada que desabou sem dó nem piedade celestiais.

Finalmente começam a surgir outros guarda-chuvas. Menores. Eles são distribuídos aos assistentes para que protejam os convidados. Só que… mais uma vez, diante do mundo, as prioridades são invertidas. Primeiro eles. Eis que chega uma proteção para Macron. Depois, os próprios assessores se garantem…

Ali se via como a banda toca: todos protegendo os chefes e se protegendo. Sem ninguém tomar a iniciativa de, num ato de gentileza, oferecer abrigo à única mulher na linha de frente da cerimônia, a presidente da Croácia.

O que há de anormal na cena? Nada. Esta é a ordem mundial, a vida, a sociedade. É o terceiro milênio! Onde (ainda) é preciso matar um leão por dia para se impor. A vitória foi francesa, mas Macron, ao distraidamente esquecer tudo que sua professora e companheira deve ter lhe ensinado em sua convivência sobre como tratar as mulheres, colaborou para agigantar ainda mais o feito da Croácia e de sua presidente.

A que viaja de avião na classe econômica, paga sua passagem com dinheiro do bolso e tem descontados de seu salário os dias que acompanhou, como torcedora nas arquibancadas, a incrível trajetória da seleção de seu país que, como ela, surpreendeu o mundo…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador”, do SEM FIM…delcueto.wordpress.com

Alta performance na vida: o poder do silêncio

Por Fernanda Surian

“Pra mim, o silêncio é uma higiene mental. É com ele que começo meu dia, sempre que possível, e é ele quem me salva quando a mente já está saturada de informação, barulhos e precisa de calma para pensar” A frase é da atleta de alta performance Fernanda Surian, quatro anos de Crossfit e que compartilha em suas redes sociais a busca pela dobradinha resultado e qualidade de vida. Pode parecer simples demais, mas o silêncio é artigo raro nos dias de hoje, especialmente nas grandes cidades. Já nos acostumamos com os barulhos dos carros e das buzinas, mas experimente perguntar a alguém que vive em outro lugar: nós temos barulhos demais!

E como estamos acostumados a eles, e a músicas, conversas, televisão, rádio e tudo mais que emita som, não parece que isso possa ter efeitos tão nocivos ao nosso bem-estar. Sobre sua experiência de aumentar períodos de silêncio na rotina, Fernanda revela: quando comecei a prestar atenção a essas pausas no meu dia, em que me proponho apenas a silenciar, percebi que há uma energização, as ideias clareiam, é algo que costumo fazer quando preciso me concentrar para estudar, por exemplo, ou quando estou em um momento do dia em que dá vontade de dizer CHEGA!”. Para ela, o silêncio é uma espécie de “basta” pra esse zunzunzum que acaba trazendo estresse, irritação, ansiedade.

A atleta cita duas coisas bem importantes que aprendeu sobre o silêncio:

Estamos acostumados a reagir diante das situações. O que isso quer dizer? Alguém fala/questiona/ataca e a gente já tem que ter resposta na ponta da língua, certo? Bem, nem sempre. Às vezes, silenciar antes de reagir pode nos trazer outra perspectiva das situações, nos fazer agir com mais clareza e evitar confrontos desnecessários. E, se eles precisam acontecer, que seja de cabeça fria e argumentos concretos, não é mesmo?

Ansiedade e estresse são falta de estar no presente. Há algo de muito poderoso em silenciarmos, olharmos em volta e vermos que, agora, está tudo certo. Quanta ansiedade passamos por coisas que nem chegam a acontecer? E quanto estresse por situações que já terminaram, e que só continuam em looping na nossa mente? O silêncio é uma ferramenta incrível para estar no presente.

Fernanda lembra que, com o silêncio, aprendemos a entender também os movimentos que estão no pensamento e que normalmente não percebemos: “observar os próprios pensamentos permite ter mais clareza sobre as situações, nos dar conta do que realmente nos preocupa ou estressa”. Segundo ela, ouvir o que pensamos é enriquecedor.

Tempo de Lazer e Tempo de Estudar

Por Janaína Spolidorio

Com a correria que vivemos atualmente e a necessidade de termos, quando adultos, múltiplas atividades para o mercado de trabalho, muitos pais acabam sobrecarregando os filhos com atividades extra-curriculares e isto pode causar estresse e pouco aproveitamento.

Primeiramente, é preciso que a criança tenha sim aulas extra-curriculares, mas que ela possa sentir prazer nestas aulas, ou pelo menos em algumas delas. Talvez o desejo da mãe seja que a filha faça balé, por exemplo, mas ela gosta de bateria. Investir no desejo da criança, neste caso, pode ser essencial para que ela se saia bem nas demais aulas extra-curriculares. Por gostar tanto da bateria, aproveitando o exemplo, ela irá se dedicar e encarar a aula como se fosse um lazer.

Antes de matricular em várias aulas e causar excesso de atividades, reflita quais são as melhores opções para a criança. Quais serão as aulas realmente indispensáveis ao seus futuro e quais são apenas “acessórios”. Tome cuidado para não colocar muitas aulas que requeiram estudo formal, mescle com aulas de teor mais “leve”.

Um bom exemplo é que a criança tenha tanto aulas de estudo regular, como de um idioma, quanto aulas que requeiram habilidades físicas, como artes marciais ou dança ou até um esporte, uma vez que a atividade física é importante para a saúde.

Não coloque excesso de aulas, porque a criança ainda tem a escola regular para lidar. Ela precisa do tempo de poder se dedicar aos estudos, senão com o tempo começam as recuperações e desculpas de falta de tempo para fazer tudo.

Sol e chuva com você

Texto e foto de Valéria del Cueto

Pluct Plact totalmente ambientado, definitivamente à vontade, se sentindo quase em casa, está impregnado do espírito carioca. Só quando ele baixa é capaz de turbinar seus sentidos sem perder a consciência do paraíso presente quase perdido. Se não for assim… é desespero! Bem que tentou se aprofundar, encontrar os princípios, delinear teorias, estabelecer parâmetros, enquadrar os conceitos básicos que permitem a sobrevivência no cenário espetacular de uma cidade em processo de falência existencial. Desistiu.

Só a encantaria pregada e estudada pelo professor e historiador Luiz Antônio Simas, entrincheirado no Bode Cheiroso, pé sujo de subúrbio do Rio de janeiro, para explicar o fenômeno. E, como extraterrestre, Pluct Plact sabe reconhecer os efeitos desse processo!

Imbuído de sua missão de olheiro das penúltimas, últimas e imprevisíveis possíveis novidades do mundo exterior para sua amiga e confidente, a cronista mais que nunca voluntariamente enclausurada do outro lado do túnel, mudou um pouco seu local de pouso escrevinhante. Trocou a Pedra do Arpoador pelo famoso Posto 9, entre a Vinícius e a Joana Angélica, na praia de Ipanema.

Cariocamente caminhado pela orla foi atraído pelo som do sax de um grupo que se apresentava na Vieira Souto. Não, não é o barulho chato de bate estacas imposto pelo evento da cerveja Itaipava no Arpoador! Sem direito a DJ pop e desperdício de infra, o instrumento era acompanhado pelo baixo e a bateria da Dub Club Band. Arrancou aplausos e assobios entusiasmados nos intervalos de quem parou para apreciar os improvisos jazzísticos encerrados no embalo de Alceu Valença: “Não, não quero mais brincar de sol e chuva com você…não suporto mais brincar…”

O recado faz Pluct Plact voltar à sua missão (delicada, diga-se de passagem) de na fresta da lua levar as f(r)estas das ruas à cela da cronista.

Tá fácil começar pela Copa da Rússia. A que será lembrada pela atuação impecável do Santo dos Bolões Perdidos. E foram muitos. Especialmente se considerarmos que, apesar de no início não levar muito a sério a participação brazuca no certame, o bolão sempre foi de fé!

Com o passar dos jogos da primeira fase, vagarosamente, o espírito da festa só não pegou mais que o sarampo. Aquele que, depois de erradicado do território nacional, volta a fazer vítimas a torto e a direito. Nas oitavas já não existia amanhã. A pátria vestia as chuteiras da seleção, gemia e rolava junto a cada presepada do rapaz que torrava o coco a cada troca de cor dos cabelos e respectivo penteado, quer dizer, a cada partida disputada.

Enquanto isso, livres leves e soltos os de sempre tramavam e executavam seus planos pré-eleitorais fazendo e acontecendo em benefício dos parças nas barbas da pátria distraída com a competição esportiva.

Mas, pra variar, começam a botar o carro na frente dos bois e, quando o assunto passou a ser se os campeões do mundo visitariam ou não a capital federal, eis que a Bélgica enquadrou a nação e colocou no devido lugar o escrete canarinho.

Não sem antes permitir que alguém tivesse a luz de gravar o ágape matutino oferecido pelo prefeito do Rio de Janeiro, o bispo licenciado porém ativo e operante (como ouvimos) da igreja Universal, Marcelo Crivella. Eis que foi introduzido no imaginário carioca sua mais nova musa. A Márcia! Obreira e funcionária indicada nos registros de áudio como contato para agilizar operações de catarata, vasectomias e demandas na saúde municipal, quase uma São Pedro. Detentora das chaves do paraíso do furo das filas quilométricas do sistema de regulação da saúde. Ao Dr. Milton coube a função de trazer para perto dos templos dos 250 pastores presentes interessados quebra-molas e pontos de ônibus…

Para resumir, porque a fresta de luar não dura para sempre, uma última efeméride. O surpreendente domingo ioiô de Lula. “Libertado” por um juiz de plantão nas férias do judiciário, enquadrado por Moro, liberado de novo pelo plantonista, mantido na cadeia pelo relator do processo. Depois do juiz dar prazo de uma hora para que a Polícia Federal o soltasse, o ex-presidente acabou permanecendo na sede da Federal de Curitiba após mais uma contraordem. Dessa vez, do presidente da tchurma. Um fica-e-sai que movimentou o feriado emendado frustrado, já que terça não será mais folga com a eliminação do Brasil…

Fechando o informe, aquele lembrete que, certamente, arrancará da cronista seu melhor sorriso: o Mengão continua líder!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM FIM…delcueto.wordpress.com

Eurico Miller, quando o homem se confunde com a ciência

Por Danilo Curado

Hoje a ciência no Brasil perde um grande homem, mas a Arqueologia perde um dos maiores pesquisadores. Eurico Miller, o patrono da Arqueologia Rondoniense seguiu sua trajetória, mas seu legado para a Memória Nacional é algo imensurável.

Sem sombra de dúvidas, o professor Eurico Miller foi um dos maiores arqueólogos no Brasil. Não quero aqui usar da régua de quem é melhor ou pior, qual o cientista que alcançou maior profundidade ou notoriedade, não é isso.

Quando digo que Miller foi um colosso dentre os arqueólogos é porque Miller – conforme palavras dele mesmo sobre a sua vida – se casou com a Arqueologia. Era um abnegado e o que mais alimentava sua alma era, sem sombra de dúvidas, a própria Arqueologia.

Como certa vez um colega disse, o professor Miller era o “Cowboy da Arqueologia”, ou seja, era aquele que conseguia sozinho entrar no meio da Floresta Amazônica e ficar escavando, solitariamente, meses afinco, sob chuva e sol, num calor ululante, metido num buraco de metros de profundidade, para, no máximo do isolamento de um ermitão – envolto às cobras, onças e animais não muito amistosos – entender o passado humano, o passado do povo brasileiro.

Este mesmo Cowboy, que suportou nada menos que 31 malárias ao longo de décadas de pesquisa, foi o mesmo que, quase como num filme de John Wayne, Ferroni ou Eastwood, resgatado no interior de Rondônia debruçado sobre um cavalo, que mansamente carregava aquele moribundo vitimado pela malária.

Mas mais que um roteiro de Velho Oeste ou Indiana Jones, a vida do pesquisador Miller fazia a qualquer um vibrar com tamanha eloquência professoral, e com um conhecimento abissal conseguia relacionar facilmente fatos geológicos decorridos no Brasil com correntes marítimas no Japão, o cultivo do milho no Peru e a entrada do homem nas Américas.

Sem contar o bom humor provocativo, que ao ver-nos em nossos expedientes, enclausurados na burocracia reinante das normas, sempre nos alertava sobre a necessidade de ir para o campo, de pesquisar, de embrenhar no mato, enfim, de fazer Arqueologia.

Num ano de vitórias para os arqueólogos – uma vez que tivemos nossa profissão regulamentada – temos por obrigação rememorar a trajetória dos nossos colegas, que de forma seminal começaram do zero, daqueles que antes de tudo faziam Arqueologia com Paixão.

É indiscutível que Miller está entre os pioneiros e é um dos responsáveis pelo entendimento sobre a gênese do homem no território nacional, por isso, seu nome perpetuará de maneira imortal na memória da arqueologia brasileira.

Ao querido amigo Miller, como de costume do grito de guerra que ecoa na Amazônia: Selva!!

As chuteiras sem pátria

Por Julio Yriarte

A Copa do Mundo Rússia 2018 começou e ainda não terminou!

A seleção brasileira, infelizmente tropeçou no meio do caminho, desta vez nas quartas. A Argentina, Alemanha, Uruguai idem! Da mesma forma, outras tantas e boas seleções. Tanto uma quanto outra chegaram com a esperança (ou a certeza) de empoderar-se e quiçá, de apoderar-se do Campeonato Mundial!

Aqui, como lá, o país parou, e no caso, aqui, seus mais de 170 milhões de habitantes se esqueceram de tudo, até de comer, de beber e de amar, para, a cada jogo ficar pendentes diante de uma telinha acompanhando o balé dos seus meninos/ídolos em campo.

Quem quis trabalhar não conseguiu, quem quis silêncio para pensar, meditar ou simplesmente dormir também não conseguiu. Todos foram obrigados a compartilhar os gritos de ansiedade da torcida nervosa que comeu as unhas e chorou e se agitou diante do jogo, ou ouvindo os foguetes a cada gol.

Não adiantava! Ninguém iria trabalhar mesmo. E quem tentasse, não conseguiria render. É o destino da pátria sendo decidido por 11 pares de pés que se movimentam em campo, e por duas mãos do goleiro que impede o gol do adversário.

Estranho, muito estranho, uns querendo o gol, outros querendo impedi-lo? Por isso há que concluir: é apenas um jogo e assim deve ser tratado, não vale a pena sofrer, chorar, cacarejar havendo tantas coisas e assuntos mais importantes para fazer, para pensar…

As empresas e repartições públicas se resignaram: meio expediente ou expediente nenhum quando houve jogo do Brasil. Aí. O país não andou nada produziu, salvo algumas esdrúxulas propostas legislativas aprovadas ao compasso da euforia de um GOL!

Óbvio que pela perícia no esporte nacional, pela quantidade de bons jogadores, o Brasil se faz respeitar no mundo inteiro. Será que o povo está muito exigente? A Arena Kazan, na Rússia foi o grande palco da derrota. A seleção brasileira perdeu e o povo está querendo crucificar seus antigos heróis, incluído aqui, o técnico Tite (faltou incluir o destemperado Galvão Bueno).

Parece que ao povo lhe falta compreensão, entender que os “heróis” são também humanos, e que do lado contrário tem outros onze bons jogadores que também buscam a vitória.

Agora, Neymar ou qualquer outro jogador nem ouse falar “que não é obrigado a jogar bem todas as partidas”. Claro que é obrigado! Ganha para isso, e muito bem por sinal, além do que merece.

E se fosse um médico que não é obrigado a operar sempre bem? O paciente, com certeza, morreria. E se um músico de orquestra falasse que não é obrigado a tocar sempre bem? Diga-se de passagem, neste caso, qualquer “notinha na trave” estragaria todo o concerto, a crítica e público (torcida) não perdoariam.

No futebol estamos vendo “as turras” bola na trave e até longe dela, mas, o jogo continua e o torcedor entende e aceita, só não está aceitando a eliminação da seleção canarinha do mundial. Paciência!.

E isso não fez bem ao nosso ego em baixa, ao nosso complexo de cachorro vira-lata, como diria Nelson Rodrigues. Por outro lado, quando a seleção é vitoriosa, faz bem ao país ser cotado entre os melhores do mundo em contraste com os milhões de desempregados, de analfabetos, mas, continuamos caminhando com a esperança e fazendo água na boca e deglutindo todos os sabores.

Se a seleção vencesse, haveria ainda menos produção, e isso seria ruim para o país. E já que a seleção perdeu, não há risco também de cair a produção? Há, mais aí depende da euforia, desequilíbrio e consciência individual de cada cidadão.

Os da antiga geração não se terão esquecido do engodo da Ditadura Militar no governo Médici, que fez com que a vitória do Brasil, conquistando o tricampeonato no México, desviasse a atenção da opinião pública para as barbaridades que aconteciam nos porões do regime.

Enquanto a população gritava gol e dava vivas à Seleção, nas prisões brasileiras jovens eram torturados até a morte; mulheres grávidas perdiam os bebês devido ao sofrimento físico e moral por que passavam. Quem tinha ou têm dinheiro em caixa, ou não sabia, ou não sabe, ou não quis ou não quer saber deste lado negro, nada sofreu ou nada sofre, até hoje!

Conquistado o título naquela época, foi a vez da economia montar e consolidar sua mentira mais espetacular. O famoso “milagre brasileiro”, que fez a classe média acreditar que era rica, esburacou para sempre as finanças do país, e por muito tempo os gastos e pagamentos feitos deixaram amargas conseqüências devido ao preço daquele embuste.

Ao “milagre” seguiram-se a inflação galopante, a pobreza crescente, sempre regados com discursos que diziam ser necessário que o bolo crescesse primeiro, para depois reparti-lo.

Enquanto isso, a Seleção voltava do México e era aclamada pelas ruas. E o fosso entre ricos e pobres aumentava. E toda uma geração era perseguida, torturada e morta. E o povo brasileiro se alegrava com seu aparente trunfo, com sua estrela brilhando, sem saber que era uma estrela cadente, rapidamente se dissolveria.

Em fim! Tempo de Copa do Mundo! Foi justo e necessário torcer e muito por nossa Seleção. Valeu tudo: chamar o juiz de ladrão, carcomer as unhas, arrancar os cabelos, gritar de alegria pelo gol feito e chorar de angústia e frustração pelo gol tomado, e finalmente, pela derrota mortal.

Malditos FERNANDINHO (autor do gol contra), DE BRUYNE (autor do gol da vitória da Bélgica e, maldito LUKAKE (puxou o contra-ataque que finalizou no vitorioso gol da Bélgica).

A massa humana amarela presente na Arena Kazan ficou muda e estarrecida, sem acreditar no que estava acontecendo 2 X 1. Final do jogo! Não esqueçam: Apenas + um jogo!

O que importa mesmo é compartilhar a alegria do povo com essa festa democrática que é um campeonato mundial de futebol. Mas fazê-lo, sem esquecer que o país do futebol tem grandes problemas que não seriam solucionados com as estratégias do TITE ou a perícia dos dribles do menino NEYMAR, nem com os chutes do gênio MARCELO, nem com as eficientes defesas de THIAGUINHO, tampouco com as finalizações de Coutinho, Paulinho ou de qualquer outro “inho”.

Apenas com muito trabalho, espírito comunitário, práticas solidárias e desejo de justiça, será possível reverter o atual caótico quadro de miséria e distanciamento social existente entre os próprios habitantes deste grande país abençoado por Deus chamado… Brasil.

Julio Yriarte – É Advogado atuante, guitarrista de LOS DINOS, membro da Academia Guajaramirense de Letras e Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/RO.

Em 1907 nascia Frida Kahlo

“Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade.”

“Pés, para que te quero, se tenho asas para voar?”

“Meu pai foi para mim um grande exemplo de ternura, de trabalho… e acima de tudo de compreensão de todos os meus problemas.”

“Amuralhar o próprio sofrimento é arriscar que ele te devore desde o interior.”

“Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente – como um relâmpago iluminado a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria.”

EUA registram propriedade medicinal do jambu e impedem pesquisa da Universidade Federal do Amazonas

Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) abandonaram três meses de estudos sobre as propriedades anestésicas do jambu porque uma patente registrada nos Estados Unidos os impedia de lançar no mercado uma pomada bucal de uso odontológico. As pesquisas realizadas eram com a substância spilantol, presente no jambu, vegetal usado na culinária amazônica como ingrediente do tacacá e pato no tucupi, por exemplo.

Segundo informações obtidas no departamento de Fisiologia Humana da Ufam, o jambu – planta típica de regiões de trópico úmido – não existe nos Estados Unidos (EUA). Mesmo assim, nos sites de patentes encontraram 15 delas registradas nos Estados Unidos e 34 na Europa.

A substância spilantol é descrita nessas patentes como apropriadas para uso anestésico, antisséptico e ginecológico e vendida no mercado até mesmo como cosméticos. Ou seja, os estudos que descreviam a tecnologia e destinação dos pesquisadores da Ufam  já estavam descritos pelos americanos desde setembro de 2007

Com a perda da patente do jambu, o departamento de fisiologia admite que novas pesquisas agora são realizadas com pelo menos três outras plantas apresentam, também, alcalóides com propriedades semelhantes ao spilantol. O objetivo é lançar no mercado um anestésico local, de uso tópico, que elimine a necessidade da seringa no consultório odontológico. O nome das plantas são mantidas em segredo para garantir o sigilo do conhecimento até que tenha sido devidamente patenteada.

O episódio com o jambu, segundo o departamento, demonstra que o conhecimento ancestral dos povos da Amazônia precisa ser melhor para que não cai nas mãos de pesquisadores estrangeiros.

As  propriedades anestésicas do jambu são conhecidas da população local. Suas folhas e flores são usadas sobre o dente comprometido para aliviar a dor. Esses conhecimentos estão na internet e deixaram de ser tradicional para ser universal antes mesmo dos pesquisadores brasileiros estudarem suas propriedades e patenteá-las.

Spilantol

O alcalóide spilantol presente no jambu recebeu várias patentes nos Estados Unidos e Europa para usos diversos, como remédios e cosméticos. Entre os estudos realizados no exterior com a substância está o que pretende criar um botox menos tóxico que o produzido pela bactéria botulínica, e causa risco de morte para as pessoas.

O spilantol é descrito como um cosmético antirrugas por inibir as contrações dos músculos subcutâneos, em especial os do rosto, assim como o botox usado no tratamento de rejuvenescimento.

Outras patentes registaram o spilantol como substância eficaz no tratamento da queda de cabelo e no amaciamento da pele, além de possuir propriedades desodorantes. Uma patente descreve um produto destinado ao banho, que deve ser feito com bolhas para tratamento de pele e inibindo o surgimento de sardas e manchas.

Outra propriedade do alcalóide não passou despercebidas pelos pesquisadores estrangeiros, tanto que uma patente registra que o spilantol produziu o fim de arritmia quando injetado no coração de um coelho.

Fonte: Portal do Holanda

Pensa que é PIS?

Texto e foto de Valéria del Cueto

Sabe aquele ditado popular que diz que “quando a esmola é demais o santo desconfia”? Essa sou eu. Mais uma vez ancorada numa agência bancária. Nessa, vou mudar o tom da prosa e dar nome aos dois: Temer e a Caixa Econômica Federal. Exatamente nessa ordem. O vampirão começou liberando o PIS/PASEP para “aliviar” a pressão da falta de dindin circulando no mercado. Fui no site da CEF por mera curiosidade e, depois de verificar que tinha um saldo, segui as instruções.

Elas diziam que deveria comparecer a uma agência levando um documento e o Cartão Cidadão. Lá me fui, prevenida que sou, levando identidade, comprovante de residência… Obediente e crente pedi uma senha para o caixa. Nada que um bom livro não resolvesse. Um ou dois capítulos e lá estava eu.

Coisa boa, não é? Se fosse só isso. A atendente informou que seria necessário “atualizar o cadastro”. Outra senha, um único atendente e gente, muita gente. Estava bom? Claro que não. Além da falta de lugares para sentar, o sistema estava sistema da Caixa. Quer dizer, instável. Daquele jeito. A tarde passava entre uma conversa e outra enquanto a senha do painel permanecia estática.

Horas esperando para sair de lá sabendo que precisaria retornar com cópias das páginas com foto e contra folha da Carteira de Trabalho, Identidade, CIC, comprovante de residência e… título de eleitor(!).

Na espera paciente e comunicante as histórias começaram a se encaixar. A notícia saiu na sexta, de surpresa. Na segunda, dia 18, quando o banco abriu, as pessoas esperavam atendimento e os funcionários tentavam entender as especificações e o procedimento padrão. É claro que isso rendou várias interpretações que apenas dificultaram a vida dos cidadãos.

Isso foi segunda. Voltei à penitência dia 21. Com todos os documentos. A fila, maior ainda. Havia um sistema de triagem do lado de fora da agência, na parte dos caixas eletrônicos, mas o atendimento seguia lento. Cheguei lá por volta das 13h, contando com o fim do horário do almoço. Peguei a senha 59. Estava na 29… Fazer o quê? Esperar e ouvir. Histórias. De pessoas que, como eu, chegavam com as meias informações. Esperavam horas para receberem as mesmas solicitações de documentos, concluí depois de assuntar geral o que havia sido necessário apresentar. Mais fácil seria dar a lista para que a papelada fosse providenciada sem fazer cada um passar pelo atendente, para entrar no sistema e checar se era isso mesmo!

Sim, falamos daquele sistema intermitente e carregado por milhares de consultas feitas ao mesmo tempo em todas as agências da Caixa Econômica Federal do dia 18 ao dia 28 de junho, para começar. Depois, em agosto, vai piorar! O saque será liberado.

Só que não terminou. Outros empecilhos seriam capazes de fazer o serviço andar ainda mais devagar. Incluindo aquela servidora padrão que nunca pode ajudar e ainda atrapalha o serviço do atendente alheio. Foi assim que, durante a espera (que terminou depois do horário de fechamento bancário quando parece que as coisas andam mais rápido), desperdicei o presente de um porteiro gente boa da Rua Souza Lima que, como não poderia mais aguardar, já que ia pegar no batente às 14h, me deu sua senha, a número 40.

Morri na praia. Acontece que levei as xerox, mas não os originais! E não adiantou mostrar a lista com a solicitação das cópias. Mexe daqui, mexe dali, fui encontrando os documentos. Menos o título de eleitor! Voltei em casa para pegar o danado e retornei à espera do número 59. Esse, o que foi atendido depois do horário de encerramento bancário. A papelada estava pronta. Porém, o sistema de transferência não funcionava mais naquele horário!

Fui parar novamente na Caixa. Era sexta, jogo do Brasil, para fazer um TED. Feita transferência, avisei ao gerente no BB. Nessa segunda soube que o TED não havia entrado. Já rezando muitas ave-marias me dirigi a agência da Caixa. Onde, acreditem, não pude entrar! Uma infiltração inundou o espaço, o sistema teve que ser desligado. Havia água inundando o piso. As portas nem abriram para o público, aquele que tem mais dois dias para sacar o benefício. É pouco? Não. Quando acharam que o problema havia sido sanado abriram os registros e não foi só água que caiu. Parte do teto da agência veio junto!

Você já conseguiu receber seu benefício? Nem eu. Pensa que é PIS? É PASEP aguentar tanta bateção de cabeça…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM FIM…delcueto.wordpress.com

Na dúvida…

Texto e foto de Valéria del Cueto

Essa Ponta do Arpoador é sempre uma surpresa! Quem avalia, analisa, registra e cataloga é Pluct, Plact, o extraterrestre, enquanto espera a chegada da escrevinhadora de caderninhos.

Precisa dela para tentar clarear as ideias antes de cruzar novamente com sua cronista de fé sabiamente isolada dessas e outras mazelas, recolhida que está numa cela do outro lado do túnel.

É domingo, faz sol depois de uns dias de vento cortante, céu mal-humorado e muitas promessas de ressacas espetaculares. “Como não falo do que não vi, nada posso relatar”, esclarece o alienígena um pouco desconcentrado pelo som que vem do evento da vez. Ele toma o Largo do Millôr e promete um “sonset” (isso mesmo, com sílaba tônica no O) em ritmo de bate-estacas. Sabe a tal de democracia? Para quem…

Fazer o que? Duas opções. Se isso te incomodar, o que não faz parte do menu de opções disponível para um ser de outro mundo que se preze, se mude. Ou… siga o magnânimo conselho da escrevinhadora do caderninho: ceda o espaço de domingo para quem só pode usufruí-lo nos finais de semana e deixe para vagabundear durante os dias de batente coletivo.

Enquanto oscila entre partir ou ficar Pluct Plact começa a tabular outras informações que podem auxiliá-lo na tomada de decisão. A mais gritante, por assim dizer, é que a qualidade musical está se deteriorando rapidamente após uma largada até que promissora.

No mar as tão esperadas ondas, que motivaram o encontro com a escrevinhadora, simplesmente sumiram. O que se vê são marolinhas de aprendiz numa água certamente gelada, se deduz pela indumentária dos surfistas. Se a virada do tempo não rendeu as ondulações aguardas pelos feras do esporte, serviu para virar barcos, provocar mortes e colocar de prontidão os serviços marítimos locais à procura dos desaparecidos na região de Sepetiba. Por esse ângulo, foi bom o mar baixar rapidamente para não tumultuar ainda mais as buscas.

A chegada da dona do caderninho acabou adiando um pouco a última boa razão para uma retirada oportuna.

Atraída pela bandeira, sua sombra, o contorno das lambidas das ondas que quase batem na murada do Arpoador (deixando pouco espaço para os banhistas lagartearem), ela estacionou na murada. Os elementos chamaram a atenção da escrevinhadora e testaram minha paciência interplanetária durante o tempo de espera para a tentativa da foto perfeita.

Bandeira esticada, sombra alinhada e definida, a marola lambendo a areia perto do pé do mastro do alerta vermelho dos salva-vidas. O resto é lucro…

Dali, só nos moveríamos ao derradeiro sinal que era hora de partir. Que, por incrível que pareça, já previa ser dado somente ao final do show anunciado entre músicas e tremedeiras das carrapetas.

Afinal, está pensando o que? Aqui é o Rio de Janeiro, uma cidade que te permite mudar de ideia com uma rapidez inacreditável…

“Já curtiu a nossa página no feicebuque, seguiu no insta? Vai lá enquanto aguarda o show”, intima o animador do evento de um plano de saúde. “Daqui a pouco o cantor Jorge Israel e o cantor Marcelinho da Lua…”, anuncia animadão o antenado locutor.

“Marcelinho da Lua cantor?” pergunta a escrevinhadora se levantando, “vamos embora.” Nos dirigimos a Ipanema enquanto escutamos o locutor descolado corrigindo seu reclame.

“Já curtiu a nossa página no feicebuque, seguiu no insta? Marcelinho da Lua não é cantor, é DJ. É que escreveram errado aqui”, explica. Jogando a culpa, como sempre, na produção….

Hora de partir, alguma dúvida?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM FIM…delcueto.wordpress.com

A arte de “realizar”

Texto e foto de Valéria del Cueto

Se alguém me dissesse que estaria olimpicamente escrevinhando no caderninho numa segunda-feira chuvosa, em plena agência bancária esperando as quinze pessoas que estão na frente para ser atendida em um dos caixas? Diria que, sem dúvida, isso é um delírio. Igual aos da cronista encarcerada, amiga do fiel e absolutamente (como se nós também não estivéssemos) estarrecido, Plact, Pluct, o extraterreste.

Perto daqui, dizem que o mar é um espetáculo com ondas que chegarão aos 2,5 metros para inalcançável deleite dos meus olhos e das lentes das minhas câmeras. No momento me dedico a procurar entender os caminhos que me levaram ao único lugar engarrafado da agência.

Nem o magico aplicativo do banco  pode resolver minha demanda(me recuso a instala-lo, a não ser que a instituição me forneça um aparelho para “trabalhar” para ela. O meu celular não tem espaço, nem me transformarei voluntariamente em operária padrão não remunerada de empresas e corporações).  A ordem de pagamento também não pode ser sacada e depositada nos caixas eletrônicos. A impossibilidade é a mesma com a atuação do gerente personalizado.

A posição na “tabela” tinha que ser galgada paulatinamente. Então não tem solução, além de multiplicar por quinze a (im)paciência e usar a imensa imaginação que Deus me deu para transformar as paredes forradas de madeira fake (cor de burro tomando fôlego para quase fugir) e o mobiliário de linhas sóbrias e modernas, no espaço aberto recheado de sensações e informações imagéticas da Ponta do Arpoador.

A concentração necessária para o pulo do gato imaginário é quebrada para registrar que destoam do ambiente do banco VIP os banners pendurados em pedestais de alumínio com propagandas de produtos oferecidos à clientela que aguarda atendimento.

Não é fácil! Para começar, falta o estímulo auditivo. O que se ouve por aqui é uma sequência de nomes sendo chamados e encaminhados de acordo com as respectivas necessidades. “Dona Fulana sala 4”. Fico com a sensação de que aquela cantada de pedra não combina com o ambiente e e volto pro caderninho. Minutos depois… “Senhor Beltrano, sala 2”! Vejo o correntista se encaminhar para o lado de dentro do estabelecimento e tento recomeçar. “Sicrano, vá ao caixa”. Aí já estava realmente desligada da viagem que pretendia fazer lá para fora e prestando atenção no entorno.

Me perguntava onde já se viu anunciar em voz alta na recepção de uma agência quem ia ao caixa. Estranho, não? Até o caro Watson acharia elementar a dedução de que parte de quem é chamado para o caixa pode sair com dinheiro do banco. No Rio de Janeiro, cidade perigosa. Alardeia, moçada, alardeia…

Funcionárias na recepção recolhem os dados, analisam a demanda e cantam o chamado tão aguardado, um segurança (claro), e mais o atendimento para encaminhar o paciente, quer dizer, o cliente, compõe o “time”.  Com o banco já fechado, passava das 16h, a pedras começaram a serem cantadas mais rápido. O expediente, a segunda-feira, a chuva que armava.

Também há uma campainha para quebrar a concentração e anular completamente qualquer possibilidade de um exercício de troca de cenário imaginário, assim como uma miragem. É ele, o sinal sonoro, acionado cada vez que um cliente entra ou sai. E são tantas.

Além da praia estava ficando para trás o primeiro dia de ginástica da semana. Exercício, só da paciência. E como cansa. Saio na chuva, disposta a não desistir. Entro na academia na ânsia de tomar as rédeas da minha vida!

Nem que fosse correndo na esteira ouvindo pelos fones do celular o barulho do mar na seleção praiana que em construção no meu canal do youtube. Pelo menos, o som e a imagem da praia do Arpoador estão garantidos, ainda que em vídeo dando o ritmo do treino.

Em tempo: no banco é proibido o uso de celular. O que foi bom. Senão não tinha crônica para você, nem ginástica para desopilar a quase Polianna escrevinhadora.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM FIM…delcueto.wordpress.com

Gente que encontrei por aí… Frans Krajcberg (in memorian)

Ao fundo a Cachoeira de Sto Antônio / Porto Velho

Frans Krajcberg      (Kozienice, 12 de abril de 1921 – Rio de Janeiro, 15 de novembro de 2017) foi um pintor, escultor, gravador, fotógrafo e artista plástico nascido na Polônia e naturalizado brasileiro

Momento efêmero, já a amizade…

Texto e foto de Valéria del Cueto

Pode parecer brincadeira, mas quem sabe, talvez, não por acaso, essa pode ser uma chance única de pirulitar desse mundo doido! “Alô, alô, aqui quem fala é da terra…” brada em seu sistema de comunicação intergaláctico Pluct, Plact, o extraterrestre, ancorado involuntariamente no planeta em tela.

A voz, clara e límpida, como há tempos não se ouvia, reverbera pelas ondas da Via Láctea e daí para outras galáxias. Um fenômeno cada vez mais raro de acontecer.

Pode ser chamado de greve, lockout ou sacolejo, mas o fato é que a ausência do ir e vir reduziu de forma perceptível a quantidade de gases poluentes lançados à camada de ozônio. Foi isso que abriu a fenda que, caso o movimento persista, poderá permitir a passagem da nave do ser alienígena mais carioca que existe no universo.

É isso aí, brou. Ele absorveu (por algum tipo osmose interplanetária) características particulares do modo de ver e levar a vida dos habitantes do Rio de Janeiro.

Só eles para, no oitavo dia da greve dos caminhoneiros que paralisa o transporte e altera a rotina da vida dos brasileiros, exercitarem o direito inalienável ao forfait à convocação para manifestações de apoio formais, por assim dizer. Mostram sua aderência ao movimento fazendo o mesmo que, em qualquer domingo de sol e céu de brigadeiro, seria parte essencial de seu roteiro. A praia é o caminho, o mar, o destino.

No canto da Praça, colado a Pedra do Arpoador, a família faz um animado piquenique comemorando o aniversário de uma das crianças. Sofia, inclusive, aprendendo a andar em sua bicicleta de rodinhas, pede socorro à tia. Embicou e estacionou, sem conseguir mover seu “veículo”, num banco da praça.

O encalacre infantil é para variar a narrativa costumeira de que os surfistas se acabam no mar do Arpoador, o que significa que as ondas da Praia do Diabo não estão boas para os especialistas, que lá não é point de amador. Nas areias da pequena praia o frescobol come solto.

Falta, é verdade, a presença maciça de forças de segurança. Polícia, militar e guarda municipal. Uma única viatura e poucos gatos pingados fazem a proteção da área. Tudo na mais santa paz na Ponta do Arpoador, sempre sob o olhar atento dos salva-vidas posicionados nos postos de salvamento.

Portanto, o desespero e o desequilíbrio geral propostos pelos meios de comunicação não correspondem aos fatos na domingueira de greve. Está tudo muito leve e esse status quo pode ser breve.

Daí a espera paciente de Pluct Plact. A persistir as condições ideais há uma chance remota, mas real, de partir em direção a outros mundos.

O problema todo mundo sabe qual é. Deixar no meio dessa bagunça institucionalizada a cronista enclausurada. O céu limpo de poluição, tão positivo para Pluct, Plact, é um sinal de que as coisas não estão exatamente do jeito que a reclusa voluntária deixou ao de se isolar na cela do outro lado do túnel.

Se bobear, tão fora desse mundo ela anda, não deve nem ter notado a drástica redução da variedade de alimentos fornecidos. No máximo poderá ter reparado na diminuição do barulho vindo da rua nos últimos dias devido a redução de veículos circulando graças a falta de combustível. Também ficou livre de ter que aturar a narrativa fajuta da imprensa em geral, da Rede Globo em especial e de testemunhar a bateção de cabeças federais, estaduais e municipais.

Certamente se tivesse consciência do momento estaria torcendo pelo sucesso da tentativa do confidente extraterrestre. Afinal, amigos são aqueles que desejam e torcem pelo melhor para o outro. Mesmo sabendo que para os que ficam não há solução visível no horizonte…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM FIM…delcueto.wordpress.com

Falando nela

Texto e foto de Valéria del Cueto

Saí pensando nela, uma crônica da janela. Porque só dela (e nem sempre) é possível olhar a vida passar em relativa, mas não absoluta segurança.

Para quem se distrai desenhando letras, imaginando sóis, reflexos e silhuetas, desligada do entorno pulando de ideias sem prestar atenção no entorno da vida real, está perigoso empunhar o caderninho e se deixar levar.

Outro dia, levei um pito por me dedicar a um dos esportes mais nobres nas antigamente lânguidas tardes ensolaradas. Dormir na praia, lagartear ao sol.

Não dá mais para se deixar embalar e adormecer ao som dos resmungos do mar, do assobiar da brisa e dos pregões dos ambulantes anunciando seus produtos.

O mais distante das barracas com caixas de som funk/sertanejo. Era possível até sonhar aquecida pelos raios do sol temperados pela maresia.

Há que estar atento, forte e não ter medo de temer o tudo que pode acontecer nos dias que vivemos.

Nos rendemos a falta de poesia, trocamos o voo criativo pela simples fuga desabalada da realidade crua e nua, despida de fantasia. Sobreviver é o bastante. Como se o sofrimento não bastasse.

Não desisto da praia, como não largo de mão a ginástica. O exercício é essencial para manter a espinha ereta. Já o coração tranquilo anda bem mais difícil.

Nada que não empalideça diante do escandaloso visual de outono no Arpoador. As cores gritam quando céu está limpo e de bom humor.

Em dia de ressaca, como é o caso, a gente acaba envolvida, quase abduzida pela força do lugar.

E aí, voltando ao início do texto, a janela deixa de ser uma opção. A segurança? Entrega a Deus!

Na verdade, deixa nas mãos dos deuses e não tão deuses que circulam pelos caminhos que levam ao relevo acidentado, vasto e amplo das pedras da Ponta do Arpoador. São eles e todos os tipos de forças de segurança que permitem imaginar uma garantia da paz local.

Sensação distribuída entre moradores, locais e turistas que nunca desistem de tentar a sorte de um por do sol tranquilo e cinematográfico.

Com a ressaca fica um espetáculo magistral. A impressão do cantinho e do violão provocada por um mar calmo e poucas ondas para acompanharem o passeio de Tom Jobim e seu violão na entrada do Arpoador ficam tímidas e desafinam perto do sacode provocado pela fúria do mar revolto.

Daquelas tão mexidas que nem os surfistas se arriscam no lado de Ipanema. Só na Praia do Diabo as ondas estão formando de forma organizada o suficiente para quem é fera e tem uma boa roupa de neoprene. Além da força do sacode a água está gelada. Vai encarar?

Eu só do lado de fora, descrevendo o espetáculo que avança até quase o paredão, deixando sem faixa de areia o Arpoador e desarrumando as escadas feitas de sacos de contenção pelos barraqueiros para facilitar o acesso da clientela.

Nada que os frequentadores costumeiros já não tenham visto. Nada que já não tenha sido reconstruído depois da fúria marítima ser aplacada a cada temporada.

Até lá as marolas se espraiam e fazem brilhar as areias encharcadas de acordo com os humores do céu, do sol e das nuvens que se mesclam em luminosidade derramando luzes e cores por toda a orla.

Pensando bem, se for da janela, essa ou aquela, que cada um tenha a sua. A que merece ou escolhe. Da minha, avisto a vida, mesmo quando ela foge para se esconder de tanta desumanidade…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador”, do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Da quintessência de Z

‘Aviso da Lua que Menstrua’, de Elisa Lucinda, lido por Z. Santos

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Quintessência (quinta essência) é uma alusão à Aristóteles, que considerava que o universo era composto de quatro elementos principais – terra, água, ar e fogo-, mais um quinto elemento, uma substância etérea que permeava tudo e impedia os corpos celestes de caírem sobre a Terra.  A dinamicidade é a propriedade mais atraente da quintessência. O maior desafio de qualquer teoria de energia escura é explicar o fato de ela existir na medida exata: numa quantidade não tão grande para impedir a formação das galáxias no universo primordial, e nem tão pequena que não pudesse ser detectada agora. A energia do vácuo (a constante cosmológica de Einstein), é totalmente inerte, mantém a mesma densidade o tempo todo. Portanto, para explicar a quantidade de energia escura hoje, os valores da constante cosmológica deveriam ter sido muito bem sintonizados na criação do universo para ter o valor adequado com as observações de hoje. Em contraste, a quintessência interage com a matéria e evolui com o tempo, de forma que se ajusta naturalmente aos valores observados na época atual.

Guitarrista e fundador da banda gaúcha Cachorro Grande, Marcelo Gross é demitido

A banda gaúcha Cachorro Grande demitiu o seu membro fundador guitarrista Marcelo Gross, O músico é o autor de sucessos como  “ Sinceramente”, “ Hey Amigo” e “ Lunático”. Para Beto Bruno, vocalista e também fundador da banda que completa 19 anos este ano, o processo de separação já estava visível, a relação estava por um fio, devido ao afastamento de Gross do processo criativo das músicas e por conta de sua carreira-solo.

Em entrevista para o jornal Folha de São Paulo o vocalista disse que para o lugar do músico, a banda convocou o guitarrista Gustavo X, que trabalha como roadie de guitarras no circuito de rock e é próximo do grupo. ” Neste primeiro momento, o Gustavo será o substituto do Gross. Ele foi a primeira opção por já ter uma certa ligação conosco. Nos conhecemos há anos”, disse Bruno.

Procurado pela reportagem, o guitarrista Marcelo Gross disse lamentar a situação, mas enxerga o momento com cautela. “Pode ser um período ruim, mas quem sabe um dia possamos voltar a tocar juntos. A Cachorro Grande sempre foi minha vida”, diz.

A banda gaúcha segue em turnê nacional com a divulgação do seu primeiro disco ao vivo, intitulado “Clássicos”.

Não me falaram…

 Na escola não me falaram.
Da Lua e das suas fases,
Da Terra e dos seus ciclos,
Não me falaram sobre a morte.
Como Nascimento,
Não me falaram sobre a sexualidade.
Como Sagrada,
Não me falaram do corpo.
Como um templo emocional.

Falaram-me em adaptar-me.
De se encaixar,
Falaram-me de sentar.
Sempre no mesmo banco.
E ver repetidamente um só
Ângulo das coisas.

Me qualificaram com números,
Fizeram-me sentir às vezes mais.
Mas quase sempre menos do que outro.

Às vezes merecia,
Outras vezes não.

Disseram-me que era distraída.
Rebelde desrespeitosa
Disseram-me para me calar.
Que estude até o que eu não goste
E que tire uma folha
Como uma ameaça.

Me quiseram dar medo
Me quiseram submissa
Me quiseram sistêmica
Quiseram-me sem questionar.
Me quiseram obediente
Queriam-me bem.

Mas nunca ninguém quis.
Que me descobrisse.

Ninguém me esperou.
Ninguém me perguntou
Ninguém parou para olhar para mim.

Quando vai existir uma escola
Que olhe para nós.
A cada um.
Pausada
Mente?

Quando vamos deixar
De querer ser
Todos iguais?

Até aqui chegamos.
Com este método.

Somos lobos batizados de cães.

Quero uivar para a lua.
Sem que me digam louca,
Quero viver ao meu ritmo.
Sem agendar metas.

Quero sentir-me sem medo.

Dou-te a minha estrutura.
Dou-te a minha produtividade.

A mim deixa-me
Livre,
Criativa,
E mesmo que não gostes,
E mesmo que te incomode,
Deixa-me também.
Selvagem

por Samira Lemes

Guaraná

Guaraná = mé= = abre-bondade = abre-coração = abrideira = abridora= aca= aço= acuicu= a-do-ó= água= água-benta= água-bórica= água-branca= água-bruta= água-de-briga= água-de-cana= água-de-setembro= água-lisa= água-pé= água-pra-tudo= água-que-gato-não-bebe= água-que-passarinho-não-bebe= aguardente= aguarrás= agundu= alicate= alpista= alpiste= amarelinha= amorosa= anacuíta= angico= aninha= apaga-tristeza= aquelazinha= a-que-incha= aquela-que-matou-o-guarda= a-que-matou-o-guarda= aquiqui= arapari= ardosa= ardose= ariranha= arrebenta-peito= assina-ponto= assovio-de-cobra= azeite= azougue= azulada= azuladinha= azulina= azulzinha=bafo-de-tigre=baga= bagaceira= baronesa= bataclã= bicarbonato-de-soda= bichinha= bicho= bico= birinaite= birinata= birita= birrada= bitruca= boa= boa-pra-tudo= bom-pra-tudo= borbulhante= boresca= braba= branca= brande= branquinha= brasa= braseira= braseiro= brasileira= brasileirinha= brava= briba=cachorro-de-engenheiro= caeba= café-branco= caiana= caianarana= caianinha, calibrina, camarada, cambraia, cambrainha, camulaia, cana, cana-capim, cândida, canguara, canha, canicilina, caninha, caninha-verde, canjebrina, canjica, capote-de-pobre, cascabulho, cascarobil, cascavel, catinguenta, catrau, catrau-campeche, catuta, cauim, caúna, caxaramba, caxiri, caxirim, caxixi, cem-virtudes, chá-de-cana, chambirra, champanha-da-terra, chatô, chica, chica-boa, chora-menina, chorinho, choro, chuchu, cidrão, cipinhinha, cipó, cobertor-de-pobre, cobreia, cobreira, coco, concentrada, congonha, conguruti, corta-bainha, cotréia, crislotique, crua, cruaca, cumbe, cumbeca, cumbica, cumulaia, cura-tudo,danada, danadinha, danadona, danguá, delas-frias, delegado-de-laranjeiras, dengosa, desmanchada, desmanchadeira, desmancha-samba, dindinha, doidinha, dona-branca, dormideira,ela, elixir, engenhoca, engasga-gato, espanta-moleque, espiridina, espridina, espírito, esquenta-aqui-dentro, esquenta-corpo, esquenta-dentro, esquenta-por-dentro, estricnina, extrato-hepático, faz-xodó, ferro, filha-de-senhor-de-engenho, filha-do-engenho, filha-do-senhor-do-engenho, fogo, fogosa, forra-peito, fragadô, frinha, fruta, garapa-doida, gás, gasolina, gaspa, gengibirra, girgolina, girumba, glostora, goró, gororoba, gororobinha, gramática, granzosa, gravanji, grogue, guampa, guarupada, homeopatia, iaiá-me-sacode, igarapé-mirim, imaculada, imbiriba, incha, insquento, isbelique, isca, já-começa, jamaica, januária, jeriba, jeribita, jinjibirra, juçara, junça, jura, jurubita, jurupinga, lágrima-de-virgem, lamparina, lanterneta, lapinga, laprinja, lebrea, lebréia, legume, levanta-velho, limpa, limpa-goela, limpa-olho, limpinha, linda, lindinha, linha-branca, lisa, lisinha, maçangana, maçaranduba, maciça, malafa, malafo, malavo, malunga, malvada, mamadeira, mamãe-de-aluana, mamãe-sacode, manduraba, mandureba, mangaba, mangabinha, marafa, marafo, maria-branca, maria-meu-bem, maria-teimosa, mariquinhas, martelo, marumbis, marvada, marvadinha, mata-bicho, mata-paixão, mateus, mé, melé, meleira, meropéia, meu-consolo, miana, mijo-de-cão, mindorra, minduba, mindubinha, miscorete, mistria, moça-branca, moça-loura, molhadura, monjopina, montuava, morrão, morretiana, muamba, mulata, mulatinha, muncadinho, mundureba, mungango, não-sei-quê, negrita, nó-cego, nordígena, número-um, óleo, óleo-de-cana, omim-fum-fum, oranganje, oroganje, orontanje, oti, otim, otim-fifum, otim-fim-fim, panete, parati, parda, parnaíba, patrícia, pau-de-urubu, pau-no-burro, pau-selado, pé-de-briga, péla-goela, pelecopá, penicilina, perigosa, petróleo, pevide, pílcia, pilóia, pilora, pindaíba, pindaíva, pindonga, pinga, pingada, pinga-mansa, pinguinha, piraçununga, piribita, pirita, pitianga, pitula, porco, porongo, preciosa, prego, presepe, pringoméia, pura, purinha, purona, quebra-goela, quebra-jejum, quebra-munheca, quindim, rama, remédio, restilo, retrós, rija, ripa, roxo-forte, saideira, salsaparrilha-de-brístol, samba, santa-branca, santamarense, santa-maria, santinha, santo-onofre-de-bodega, semente-de-arrenga, sete-virtudes, sinhaninha, sinhazinha, sipia, siúba, sorna, sumo-da-cana, sumo-de-cana-torta, suor-de-alambique, suor-de-cana-torta, supupara, suruca, tafiá, talagada, tanguara, teimosa, teimosinha, tempero, terebintina, tiguara, tindola, tíner, tinguaciba, tiguara, tiquara, tira-calor, tira-juízo, tira-teima, tira-vergonha, titara, tiúba, tome-juízo, três-martelos, três-tombos, uca, uma-aí, unganjo, upa, urina-de-santo, vela, veneno, venenosa, virge, virgem, xarope-de-grindélia, xarope-dos-bebos, xarope-galeno, ximbica, ximbira, xinabre, xinapre, zuninga

fonte: Confraria Goiana da Cachaça, da qual pretendo ser Cônsul Honorário em São Paulo (ainda em análise pelo Conselho) kkkkkkkkk

Marca, mas segue , mergulha e volta

Marca profunda
que sai no instante como lâmina
Corta à força/ vida, que exige domínio.
Segue em frente, agora que já sabe
que a integridade é para poucos.
Agora que sabe como ser
e arrasta o que não serve pra ser carregado.
Não carrega, joga fora!
Descarta aquilo que não tem peso
E vai pra frente, inteiro e firme!

Permanece, fica.
Sente a linha do silêncio, ouve o escuro.
Mergulha no absoluto,
nada, voa, corre e volta pra ser (de) novo.
Agora inteira, com a consciência do profundo mergulho.

Solta o riso e expande.
Vai pra cima,
Pega o astro que passa ao seu lado,
engole e vira cosmos.
Frequência de onda/ultrapassa o compreensível
Intenso limite, rompe
e integra o infinito,
onde as barreiras não atingem o que já se conheceu
e a energia se sente em casa,
como se soubesse que nunca mais voltaria a por os pés no chão!

por Fernanda Castanho

Médico especialista em sono dá cinco dicas para dormir bem

foto: Alessandro Zangrilli/Wikipédia

As pessoas dormem em média 8 horas por dia, o que resulta em cerca de um terço da vida em cima de um colchão. Esse tempo deve ser de qualidade, recuperar as energias e promover a manutenção da saúde corporal e mental. Privado do sono, o corpo tende a apresentar sinais de cansaço, falta de atenção, estresse, desmotivação e até mesmo doenças virais e bacterianas.

“Há importantes acontecimentos durante o sono: aumento da capacidade cerebral, retenção de aprendizados, fortalecimento da memória, regeneração muscular e produção de hormônios essenciais como a leptina, capaz de controlar a sensação de saciedade; o GH, responsável pelo crescimento; e a serotonina, ligado ao prazer”, explica Salomão Carui, médico Otorrinolaringologista especialista em Medicina do Sono, que acaba de inaugurar uma clínica multidisciplinar com um conceito inovador em São Paulo em parceria com o clínico geral Roberto Zeballos, a Clinical Care.

De acordo com o especialista, há diversos problemas ligados ao sono, mas um deles causa mais preocupação. “Quem sofre com apneia tem uma diminuição da oxigenação no sangue e no cérebro nos momentos em que não respira. Com isso, não chega a todos os estágios do sono nem descansa bem, já que a produção dos seus hormônios fica desregulada. Essas pessoas ainda têm maior chance de ter hipertensão, diabetes, colesterol alto, AVC ou enfartar”, aponta o médico.

E para detectar se o paciente sofre com esse ou outros distúrbios ligados ao sono, um dos exames realizado pela sua clínica é a polissonografia domiciliar. O exame monitora uma noite de sono em casa e é feito com um aparelho que se assemelha a um relógio de pulso, com um microcomputador, três sensores que captam frequência respiratória, roncos e posições do corpo e um dedal com sensor de tonometria, que mede tonicidade do dedo, oxigenação tecidual e cerebral, frequência cardíaca, arquitetura e fases do sono.

“O resultado do nosso exame é muito fiel, já que mantém a rotina do paciente de alimentação, horários e hábitos e não requer acompanhamento profissional para ser realizado. O paciente se conecta sozinho ao aparelho, o retira no dia seguinte e nos devolve para analisarmos os dados”, explica Dr. Salomão, que é membro do corpo clínico-cirúrgico do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital Sírio-Libanês.

Dicas para dormir bem

Para ajudar na missão de melhorar a qualidade de sua noite, o Médico Otorrinolaringologista especialista em Medicina do Sono, Salomão Carui, lista cinco atitudes da chamada Higiene do Sono – que deve ser praticada diariamente, assim como as higienes orais e do corpo:

  1. Só se deite com sono, mesmo que costume ir para cama sempre na mesma hora. Se estiver deitado sem dormir há mais de 20 minutos, levante e relaxe. Caso esteja com preocupações, anote-as para deixar para o outro dia;
  2. Se precisar de um cochilo durante o dia, que seja por uns 20 minutos e nunca até tarde da noite. Procure acordar durante a luz do sol, os ritmos circadianos vão te agradecer;
  3. Acostume o cérebro a relacionar cama com sono. Estabeleça um conjunto de comportamentos que apontam o ato de dormir – como escovar os dentes, ler ou ver algo fora do quarto e preparar a roupa do dia seguinte – e deixe o local arrumado, com temperatura agradável e sem demasiada luz e barulho;
  4. Não tome substâncias estimulantes antes de dormir, como café, refrigerantes a base de Cola, chá e álcool, nem use tabaco. Se estiver com fome, tome um pouco de leite ou uma infusão relaxante, mas nada de chocolate;
  5. Não leia em tablets ou celulares, já que a luz brilhante dificulta o sono, nem se exercite à noite. Como a prática ativa o organismo, a atividade física ajuda a dormir se for feita no mínimo 2 a 3 horas antes de deitar.

 

Especialista fala da importância da atividade física para envelhecer de maneira saudável e em plena capacidade funcional

  Eduardo Netto, diretor técnico da Bodytech Company, dá dicas de saúde e bem-estar

Com as taxas de natalidade caindo no Brasil desde 1970 é natural que a população idosa cresça. De acordo com o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), o país terá 73 idosos para cada 100 crianças até 2050. Isso significa aproximadamente 215 milhões de habitantes idosos no Brasil.

Também em 2015, a expectativa de vida dos brasileiros deve superar os 81 anos, mesmo nível apresentado por países com elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) como a Islândia e o Japão. Atualmente, os brasileiros vivem entre 72 e 78 anos. De fato, a população brasileira está envelhecendo mais rápido do que se imagina. Enquanto a previsão é de que a quantidade de idosos duplique no mundo até 2050; no Brasil, o número de pessoas com mais de 60 anos triplicará, segundo o Relatório Mundial da Saúde e Envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS).

“A muito penso em escrever algo que pudesse ser realmente efetivo para os mais jovens e também para aqueles que, como eu, buscam envelhecer com saúde e em plena capacidade funcional. Minha experiência está apoiada em inúmeras modalidades desportivas, incluindo lutas, musculação e até mesmo o CrossFit. Embasado nessas experiências e, principalmente, na procura constante pelo conhecimento científico, compartilho dicas de como manter a forma e, acima de tudo, a plenitude e a disposição para assumir qualquer desafio que a vida possa lançar”, relata Eduardo Netto.

Abaixo, seguem recomendações importantes que permitirão melhorar ou preservar a condição física, e evitar as temidas lesões.

DICAS DO QUE DEVE SER REALIZADO:

Priorize os exercícios INTEGRADOS: preferencialmente as atividades multiarticulares que envolvem simultaneamente os membros inferiores e superiores. São exercícios que requerem mais de uma articulação, potencializam a participação dos músculos e é um excelente estímulo para o aumento nos níveis de força e coordenação. A partir de gestos funcionais são realizados movimentos que reproduzem as atividades cotidianas como a marcha, a corrida e as ações de sentar e levantar.
Foque nos exercícios de MOBILIDADE: sem dúvida alguma, uma das razões mais comuns para as pessoas se sentirem fora de forma é a incapacidade de realizar determinados movimentos durante as tarefas do cotidiano, especialmente pela redução da mobilidade articular. Infelizmente, os jovens não conseguem perceber o quão importante é ter qualidade física. “Temos que ter em mente que é muito mais fácil preservar a mobilidade do que ter que trabalhar para recuperá-la. Com o surgimento dos rolos de espuma (Foam Roller), em 5 a 10 minutos de trabalho de mobilidade por dia, você poderá acrescentar um bom condicionamento atlético por anos. Nesse contexto, cabe ressaltar que estudos cientificos permitem afirmar o benefício da prática da autoliberação miofascial para se preservar a mobilidade, sem comprometer o desempenho”, ressalta Netto.
Variação: divirta-se e JOGUE: variedade é uma questão primordial no treinamento. Portanto não tenha medo de se divertir. Ao longo do tempo de treinamento, você perceberá que seus programas devem ser versáteis o suficiente para preservar o condicionamento físico e a capacidade funcional. Sempre que possível, pratique e experimente suas modalidades esportivas favoritas.
Acrescente exercícios básicos do CORE: devemos dar ênfase a parte central do corpo, praticando o que denominamos core training, momento em que ocorrem as transferências dos membros superiores para os inferiores e vice-versa. Para que essa transferência ocorra, o trabalho deve ser focado em resistir à extensão e a rotação do tronco.
Acrescente SALTOS na sua rotina de treinamento: a pliometria pode ser considerada um dos mais famosos treinamentos utilizados para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da potência muscular dos membros inferiores e da melhora do desempenho atlético. A pliometria também é conhecida como ciclo alongamento-encurtamento (CAE). Esse ciclo somente ocorre quando existe uma ação muscular excêntrica seguida imediatamente por uma explosiva ação muscular concêntrica. É de extrema importância preservar a nossa capacidade de utilizar efetivamente o CAE. “Isso não implica na necessidade de realizar saltos nas caixas, mas acrescentar pequenos saltos, incluindo essas sugestões no vídeo”, enfatiza Eduardo Netto.
Não fique CANSADO: para um envelhecimento saudável é fundamental à prática regular de treinamento cardiorrespiratório, como caminhada, corrida, natação, ciclismo, elíptico ou transport. Esse treinamento contribui para melhorar e preservar o consumo de oxigênio adequado e para manter os níveis de açúcar, de colesterol e de triglicerídeos normais. A escolha da atividade física deve seguir uma lógica como, por exemplo, pessoas obesas ou com lesão nos membros inferiores não podem correr. Já os lesionados na coluna não podem correr e nem praticar ciclismo. Nesse caso, as melhores opções são a natação, o transport ou o elíptico.
Alongue-se sempre: os exercícios de alongamento somados aos exercícios de mobilidade permitem preservar a realização dos movimentos diários e evitam o encurtamento dos músculos, preservando a postura. Exercícios de alongamento são submáximos, de curta duração e não causam dor ou desconforto. São fáceis e podem ser realizados diariamente.
Fique ÁGIL: o treinamento de agilidade é essencial para a autonomia funcional, considerando que o homem tenha que realizar tarefas rápidas e, por muitas vezes, inesperadas em seu dia a dia.
Ser COORDENADO faz bem: a coordenação é um elemento importante para o ser humano. Os movimentos coordenados garantem um maior desempenho e um menor gasto calórico, além de auxiliar na execução de atividades mais complexas.
Não posso cair e ter mais EQUILÍBRIO: em idosos a perda do equilíbrio potencializa quedas e fraturas. Por isso, o treinamento de equilíbrio não deve ser negligenciado e sim realizado por todos, inclusive por atletas. A perda do equilíbrio causa distúrbios osteomioarticulares que, por sua vez, ocasionam maiores cargas nas articulações e nos ossos.
DICAS DO QUE NÃO SE DEVE FAZER:

Entenda que lesão não é DOR. Existe lesão sem DOR, ou seja, você pode estar machucado por realizar movimentos inadequados sem saber. Por isso:
Nunca realize em treinamento, no trabalho ou em casa o movimento de pegar e descarregar objetos no chão com flexão tronco lombar, flexão e rotação com os joelhos em extensão;
Iniciantes: devem começar com pouca sobrecarga e poucas repetições;
Não faça o alongamento sentado com um dos membros inferiores à frente e nem com o joelho em extensão ou abdução com joelho flexionado. Esse movimento cria sobrecarga no joelho flexionado;
Deitado dorsalmente, não faça rolamento para traz jogando todo o peso do corpo sobre a cervical;
Não faça ponte com apoio sobre a cabeça;
Evite a circundução da cervical. Rodar a cabeça não é uma boa ideia;
Não se exercite com dor, caso ela não passe durante o pós-aquecimento;
Evite excesso de treinamentos;
Fale com o seu médico para saber se existe a necessidade de fazer densitometria óssea. A osteoporose é um problema de saúde pública principalmente para mulheres na menopausa, sedentárias e, também, para usuários de medicamentos com cortisona;
Caminhadas devem ser moderadas e realizadas com tênis apropriado;
Não passe muito tempo sentando – está posição aumenta a compressão nos discos lombares;
Pense na sua postura durante todo o dia e faça exercícios posturais diariamente;
Não deixe de se hidratar e beber bastante água;
Mantenha uma boa alimentação e não acredite em dietas milagrosas.

Amazon Sat exibe Jornada Cineamazônia Itinerante

Peru – Cineamazônia 

O encontro do cinema com as diversidades de populações da Amazônia no Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia é uma forma de definir a série documental ‘Itinerâncias: uma jornada pelo Cineamazônia Itinerante’ que o canal Amazon Sat começa a exibir a partir desta quinta-feira, (12/04/18), às 8h30, com reprises durante a semana. Obra da rondoniense Espaço Vídeo e Cinema, a série mostra as diversas nuances de um festival de cinema itinerante realizado desde 2008 pela produtora entre comunidades ribeirinhas e quilombolas nas fronteiras Brasil-Peru-Bolívia-Colômbia.

Dirigida por Jurandir Costa e Fernanda Kopanakis, com roteiro de Ismael Machado, Itinerâncias é uma série de cinco episódios que, mais do que apresentar um registro puramente documental, envereda por uma linguagem poética e reflexiva a respeito do ponto de encontro que une culturas de países diferentes, mas unidos por um mesmo nome: Amazônia.

Uma das características da série é que toda a equipe técnica é regional. A fotografia é de André Cran, com montagem de Rai de Jesus, trilha sonora de José Alkbal Sodré e finalização de Gilmar Monteiro dos Santos. Fernanda Kopanakis e Jurandir Costa assumem também a produção executiva da série.

Peru – Cineamazônia

O primeiro episódio, Em ‘Uma só América’, a ideia é mostrar que a Amazônia é formada por vários povos, com um mesmo sentimento. Um pouco da Amazônia e América Latina na visão de um boliviano que acompanha a expedição do Cineamazônia Itinerante por Rondônia, Bolívia, Peru e Colômbia. Nessa jornada de aventuras e descobrimentos, uma mesma sensação: os rios que separam são os mesmos rios que unem as populações numa só Amazônia.

No segundo episódio, ‘O Circo do Cinema’, são mostrados os bastidores de um festival de cinema itinerante contados por um palhaço. Animador do Cineamazônia, o palhaço Bob descobre o mundo ribeirinho de Rondônia. Com humor e sensibilidade, Bob narra as diversas histórias de comunidades que pela primeira vez tem acesso ao mundo mágico do cinema.

Uma abordagem antropológica, histórica e cultural ambienta o terceiro episódio ‘Nada é Longe’, a partir do olhar vibrante e curioso do historiador Marco Teixeira, que busca encontrar os traços de convergência entre as culturas amazônica, africana e portuguesa. Seus laços e raízes. Suas similitudes e diferenças. Dos ribeirinhos de Manicoré no Amazonas aos ribeirinhos de Porto Velho. Da negritude cabo-verdiana aos negros, mulatos e brancos manauaras e paraenses. Dos hábitos lusitanos a cultura indígena. Lugares distintos, mas integrados pela língua, pela arte e cinema.

Quarto episódio ‘Horizontes e Fronteiras’, envereda pela música a partir do olhar poético e apaixonado do compositor e músico rondoniense Bado, que através de sua música conecta Brasil, Bolívia e Peru. Percorrendo ruas, feiras, estradas e escolas, encontrando outros músicos e conhecendo a musicalidade dos países vizinhos, o personagem mostra como a música une culturas diferentes.

A série encerra com o episódio ‘Cinema no Meio do Mundo’, uma jornada poética pela itinerância do festival. Cinema que expõe a beleza e a desolação da natureza. Que interpreta a fraqueza e a grandeza do ser humano. Visita a realidade para lembrar que é possível e necessário sonhar. Que cada um, no seu canto, pode ser uma luz. Numa comunidade a margem do Rio Madeira, ou lá do outro lado do oceano, há algo que pode ser feito para cuidar do meio ambiente. A mostra itinerante é, antes de tudo, um festival de encontros. É a sétima arte se encontrando com o público. O público, encontrando na arte uma janela para reflexão.

“Há uma busca nossa por registrar as transformações amazônicas nesses últimos anos. A ideia é usar a cultura, no caso o cinema, o circo, a literatura e a música como mecanismos para isso”, explica Jurandir Costa.

“A proposta inicial era exibir filmes em comunidades que não tinham e não tem acesso a cinema, por exemplo. Mas o contato com essas realidades tão distintas fez com que ampliássemos o leque. Acabou sendo, de 2008 para cá uma intensa troca de experiências”, complementa Fernanda Kopanakis.

“É um cenário rico e as histórias vão sendo construídas quase naturalmente. Cada episódio une o cinema a outra forma de arte, como a música e a literatura, por exemplo”, explica o roteirista Ismael Machado.

Peru – Cineamazônia

Além de produzir um festival de cinema que pega a estrada e já com 21 anos de experiência, a Espaço Vídeo e Cinema será a primeira produtora rondoniense a realizar um longa de ficção no estado. ‘Perdidos’ une novamente o trio Fernanda, Jurandir e Ismael em uma história que envolve questões amazônicas num thriller político-policial. O filme está em fase de pré-produção. “A gente entende que isso só se tornou possível graças à política pública da Ancine, a partir da descentralização e regionalização do Fundo Setorial do Audiovisual”, enfatiza Kopanakis. “Tem muita gente com produção nova na região por conta disso”, completa Jurandir.

Os dois entendem que a outra ponta desse elo é fundamental, ou seja, ter canais dispostos a abrir espaço para as produções locais. É o que ocorre com o Amazon Sat, considerado pela dupla um grande difusor da Amazônia e parceiro do Cineamazônia.

O Amazon Sat é um canal de televisão digital distribuído por satélite, internet (Amazon Sat Play e aplicativos), com temática regional que aborda economia, política, cultura e esporte. O canal é transmitido para os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá por meio de televisão aberta alcançando 5 capitais e mais de 50 municípios para demais estados brasileiros, ao vivo pelas redes sociais e Tv por assinatura para os municípios de Belém, Ananindeua, Porto Velho e Acre.

Peru – Cineamazônia

Mais informações:

http://portalamazonia.com/cultura/saiba-como-assistir-ao-amazon-sat

Horários das exibições / Quintas (inédito) / 08h30

Alternativos /Quintas 16h30 / Sextas: 00h30 / Sábados: 15h30, 23h30 / Domingos 7h30, 15h30, 23h30 / Segundas 7h30

Não fui eu nem ninguém…

Texto e foto de Valéria del Cueto

Mas bem que poderia ter sido, avalia Pluct Plact, o simpático extraterrestre. Empoleirado num banco da orla de Copacabana, Rio de Janeiro, na altura do Posto 5, ele ainda tenta realinhar as coordenadas e fazer uma leitura correta de sua latitude e longitude. Era por ali, mas mais para acolá.

Tudo começou com mais uma tentativa (frustrada) de partir desse para mundos melhores confiando na nesga temporal aberta (teoricamente) pelo final da Semana Santa.

Afinal, se esse é um tempo de renovação e ressurreição poderia, também, ser o contexto exato para ultrapassar a barreira formada pelo aumento imensurável do buraco na camada de ozônio. É ela que vem impedindo o retorno da nave de Pluct Plact ao curso natural de sua histórica trajetória intergaláctica.

Deu ruim, muito ruim. O impacto foi tão ampliado que reverberou centenas de quilômetros abaixo da crosta terrestre, na parte norte do meio do continente sul americano. Bem em baixo da Bolívia, quase tocando no Chaco paraguaio! E isso não foi nada, considerando que pelas bordas é que se sentiu o tremor provocado pela tentativa inglória da cuspida sideral.

Sendo assim, Pluct Plact não estranhou o que quase provocou pânico, por exemplo, no centro financeiro do país, quiçá da América do Sul.

A baixa de pressão, a tontura que pegou no contrapé, especialmente os frequentadores dos edifícios mais altos de um dos metros quadrados mais valorizados quando o assunto é status imobiliário, não foi nadica de nada. Apenas uma sensação de cosquinha no estômago e uma correria bem civilizada, por sinal, em direção a segurança da “terra firme” na calçada da fama paulistana.

E o sacode se espalhou por outras bordas brasileiras. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e até São João do Meriti, no Rio de Janeiro. Só não foi um strike no já altíssimo stress da esgarçada camada social local porque, graças a esse Deus que, dizem é brasileiro, não aconteceu nada de mais sério. Cá entre nós, valeu o aviso!

E aqui está Pluct Plact. Ainda meio variado pelo impacto do lançamento e consequente retorno “pinado”, procurando forças e vontade para encarar o que provocou sua última tentativa desesperada de picar sua  mula espacial.

Acontece que, em ficando, será necessário aproveitar a fresta da luz cheia para visitar uma certa cronista enclausurada (voluntariamente) do outro lado do túnel.

Ela (ainda) é sua melhor amiga e confidente e, por e para ela, ele relatou os últimos e não tão últimos acontecimentos do mundo exterior. A intenção sempre foi manter o interesse da cronista desiludida no incrível mundo que a cerca.

Só que Pluct Plact já não se considera dono de cem porcento da sua capacidade descritiva e analítica para poder narrar os fatos ocorridos na vida nacional com isenção.

É tanto vai e vem, tanto “diz que me disse, mas não fui eu que falei” que em determinado momento nem os computadores de última geração espacial conseguem captar, analisar e depurar o “quem é o que” dos últimos acontecimentos. Acrescente-se a essa gororoba as chamadas Fake News, seus mentores, os robôs distribuidores e os incautos disparadores involuntários. Virou uma “nhanha”.

Até aí, dava para segurar. O “xis” da questão é o que virá. Sacolejo físico é uma coisa, rebordosa do terremoto moral e social, outra bem diferente.

Não precisa ter bola de cristal ou consultar os astros (objetos de desejo para nossa testemunha involuntária) desse período – no mínimo, caótico-, para saber que se já está ruim, tudo sinaliza que ainda pode piorar, sim…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto. wordpress.com

Rondônia: Floresta privatizada esconde o nióbio, o mineral mais estratégico e raro no mundo

Por Nelson Townes, no Notícia RO (republicado)

Com o início da Era Espacial, aumentou muito o interesse pelo nióbio brasileiro, o mais leve dos metais refratários. Ligas de nióbio, como Nb-Ti, Nb-Zr, Nb-Ta-Zr, foram desenvolvidas para utilização nas indústrias espacial e nuclear.

Bem que o governador de Rondônia, o médico Confúcio Moura, ficou meditando sobre o interesse da China por este Estado da Amazônia. As primeiras delegações estrangeiras que ele recebeu na Capital, Porto Velho, após tomar posse como novo governador foram de chineses. Primeiro veio um grupo de empresários, logo seguidos pela visita do próprio embaixador da China no Brasil, Qiuiu Xiaoqi e da embaixatriz Liu Min.

Os chineses não definiram, nas palavras do governador, o que lhes interessa em Rondônia. Mas, é possível que a palavra “nióbio” tenha sido pronunciada durante as conversações.

Confúcio Moura comentaria após as visitas partirem que “algo de sintomático paira no ar” e fez uma visita à Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais em Rondônia (CPRM) para saber de suas atividades no Estado.

Oficialmente, o governador nunca se referiu ao nióbio como um dos temas das conversas com os chineses. Mas, o súbito interesse do médico governador por geologia gerou comentários.

Seria ingenuidade descartar o nióbio dos motivos que levariam os chineses a viajar do outro lado do planeta para Rondônia. Este é um dos Estados da Amazônia que tem esse minério estratégico de largo uso em engenharia civil e militar de alta tecnologia. A China não tem nióbio e importa do Brasil 100 por cento do que usa.

O problema é que as jazidas atualmente conhecidas em Rondônia estão localizadas na Floresta Nacional (Flona) do Jamari, por onde o governo petista de Lula começou a “vender” a Amazônia para particulares (são concessões com prazo de 60 anos.)

O então presidente dos Estados Unidos, George Bush, fez uma visita ao Brasil e abraçou o presidente Lula quando o Brasil decidiu leiloar a Amazônia.

Os particulares vencedores do leilão da floresta, historicamente, acabam se consorciando a estrangeiros, e riquezas da bio e geodiversidades de Rondônia poderão continuar a migrar para o Exterior, restando migalhas para o povo rondoniense.

Ninguém está duvidando da boa intenção dos empresários chineses e, se de fato é o nióbio que atrai sua atenção para Rondônia, o Estado pode estar nas vésperas de realizar uma parceria comercial e reverter uma história de empobrecimento causada pela má administração de suas riquezas naturais.

O nióbio, hoje, representa o que foi a borracha há um século para o desenvolvimento industrial das potências mundiais da época. O Brasil, que tem o monopólio mundial da produção desse minério estratégico e vive um Ciclo do Nióbio, está, no entanto, repetindo erros ocorridos durante o Ciclo da Borracha na Amazônia entre os séculos 19 e 20.

Por exemplo, embora seja o maior produtor do mundo, o Brasil deixa que o preço do minério seja ditado pelos estrangeiros que o compram (como acontecia no Ciclo da Borracha.)

O nióbio (Nb) é elemento metálico de mais baixa concentração na crosta terrestre, pois aparece apenas na proporção de 24 partes por milhão.

Quase anônimo, entrou na lista dos “novos metais nobres” por suas múltiplas utilidades nas recentes “tecnologias de ponta”. Praticamente só existe no Brasil, que tem entre 96% e 97% das jazidas.

O nióbio é usado principalmente para a fabricação de ligas ferro-nióbio, de elevados índices de elasticidade e alta resistência a choques, usadas na construção pontes, dutos, locomotivas, turbinas para aviões etc.

Por ter propriedades refratárias e resistir à corrosão, o nióbio é também usado para a fabricação de superligas, à base de níquel (Ni) e, ou de cobalto (Co), para a indústria aeroespacial (turbinas a gás, canalizações etc.), e construção de reatores nucleares e respectivos aparelhos de troca de calor.

Na década de 1950, com o início da corrida espacial, aumentou muito o interesse pelo nióbio, o mais leve dos metais refratários. Ligas de nióbio, como Nb-Ti, Nb-Zr, Nb-Ta-Zr, foram desenvolvidas para utilização nas indústrias espacial e nuclear, e também para fins relacionados à supercondutividade. Os tomógrafos de ressonância magnética para diagnóstico por imagem utilizam magnetos supercondutores feitos com a liga NbTi.

Com o nióbio são feitas desde ligas supracondutoras de eletricidade a lentes óticas. Tudo o que os chineses estão fazendo, desenvolvendo-se como potência tecnológica, industrial e econômica.

“O nióbio otimiza o uso do aço na indústria de aviação, petrolífera e automobilística”, explica a jornalista Danielle Nogueira, em artigo no site Infoglobo.

Em países desenvolvidos, são usados de oitenta gramas a cem gramas de nióbio por tonelada de aço. “Isso deixa o carro mais leve e econômico”. Na China, são usadas apenas 25 gramas em média de nióbio por tonelada.

Analistas dizem que no mercado asiático estão as chances de expansão das exportações – e utilização do minério. O Japão também importa 100 por cento do nióbio do Brasil. No Ocidente, os Estados Unidos importam 80 por cento e a Comunidade Econômica Europeia, 100.

O diretor de assuntos minerários do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Marcelo Ribeiro Tunes, citado por Danielle Nogueira, disse que “boa parte do potencial de expansão de nossas exportações de nióbio está na China.”

“Em 2010, a receita com vendas externas de nióbio foi de US$1,5 bilhão. Foi o terceiro item da pauta de exportações minerais, atrás de minério de ferro e ouro. As duas empresas que atuam no setor no Brasil são a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, do grupo Moreira Sales e dona da mina de Araxá (MG), e a Anglo American, proprietária da mina de Catalão (GO).”

É provável, portanto, que o principal interesse dos chineses por Rondônia seja exatamente o nióbio escondido no subsolo do Estado, em números ainda não bem conhecidos, especialmente em terras que podem ser compradas ainda que indiretamente por estrangeiros.

Até o momento, segundo o Mapa Geológico de Rondônia feito pelo CPRM, foram descobertas jazidas desse minério na região da Floresta Nacional (Flona) do Jamari.

A área tem mais de 220 mil hectares de extensão, localizada a 110 km de Porto Velho, atinge os municípios de Itapuã do Oeste, Cujubim e Candeias do Jamari. Além da enorme quantidade de madeira e água, o subsolo da floresta a ser leiloada é rico, além de nióbio, de estanho, ouro, topázio e outros minerais.

As jazidas de Araxá (MG) e Catalão (GO) eram consideradas as maiores do mundo até serem descobertas as da Amazônia.

As jazidas de Rondônia são as menores da Amazônia, mas há ainda muito a ser investigado. Na região do Morro dos Seis Lagos, município de São Gabriel da Cachoeira (AM), encontrou-se o maior depósito de nióbio do mundo, que suplanta em quantidade de minério, as jazidas de Araxá (MG) e Catalão (GO), antes detentoras de 86% das reservas mundiais.

Por que os chineses desembarcaram em Rondônia – se um de seus supostos interesses, o mais óbvio, seriam negócios com nióbio, embora existam poucas jazidas aqui? Porque o minério estratégico está na Floresta Nacional do Jamari, que o governo petista de Lula escolheu, em 2006, através da então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para iniciar a privatização da floresta.

Não seria surpresa se os chineses resolvessem, de alguma forma, em participar do leilão da Flona do Jamari. Em outras áreas, como em Roraima, onde se supõe existir uma reserva de nióbio maior do que todas as conhecidas no País, é mais difícil extrair o minério porque ele está, em princípio, preservado e inalienável por pertencer ao território indígena da Raposa do Sol. A venda de florestas em Rondônia abre caminho para a exploração de sua biogeodiversidade por estrangeiros.

O plano do governo federal é dividir a Flona do Jamari em três grandes áreas (17 mil, 33 mil e 46 mil hectares) e usá-la como modelo, concedendo o direito de exploração a grandes empresas com o discurso de que preservariam melhor o meio ambiente.

Das oito empresas que se inscreveram para entrar na disputa, não há nenhuma das pequenas e médias madeireiras que já atuam na região há vários anos.

A privatização da floresta tem sofrido embargos judiciais. E o senador Pedro Simon (PMDB/RS) declarou na época que a proposta que trata a concessão de florestas públicas, transformada na Lei 11.284 em março de 2006, “foi no mínimo, uma das mais discutíveis que já transitaram no Congresso Nacional, além de ter sido aprovada sem o necessário aprofundamento do debate.”

O interesse das potências estrangeiras pelas riquezas naturais brasileiras é antigo. Os brasileiros prestaram mais atenção ao nióbio em 2010, quando o site WikiLeaks disse que o governo norte-americano incluiu as minas de nióbio de Araxá (MG) e Catalão (GO) no mapa de áreas estratégicas para os EUA. O mapa certamente inclui agora as grandes jazidas dos Estados do Amazonas e Roraima e o pouco conhecido potencial de Rondônia.

Frequentemente a CPRM e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) são acusados de sub avaliar o tamanho das jazidas, das reservas.

Ainda assim, considerando-se válidas as estimativas da CPRM, o Brasil seria o dono de um superdepósito de nióbio, com 2,9 bilhões de toneladas de minérios, a 2,81% de óxido de nióbio, o que representaria 81,4 milhões de toneladas de óxido de nióbio contido, nada menos do que 14 vezes as atuais reservas existentes no planeta Terra, incluindo aquelas já conhecidas no subsolo do País.

Os minérios de nióbio acumulados no “Carbonatito dos Seis Lagos” (AM), somados às reservas medidas e indicadas de Goiás, Minas Gerais e do próprio estado do Amazonas, passariam a representar 99,4% das reservas mundiais.

O nióbio, portanto, é um minério essencialmente nacional, essencialmente brasileiro, mas quem fixa os preços é a London Metal Exchange (LME), de Londres.

O contra-almirante reformado Roberto Gama e Silva sugeriu, na condição de presidente do Partido Nacionalista Democrático (PND), a criação pelo governo do Brasil da Organização dos Produtores e Exportadores de Nióbio (OPEN), nos moldes da Organização dos Produtores de Petróleo (OPEP), a fim de retirar da London Metal Exchange (LME) o poder de determinar os preços de comercialização de todos os produtos que contenham o nióbio.

A LME fixa, para exportação, preços mais baixos do que os cobrados nas jazidas.

“Evidente que as posições do Brasil, no novo organismo, seriam preenchidas com agentes governamentais que, não só batalhariam para elevar os preços dos produtos que contém o nióbio, mas, ainda, fixariam as quotas desses materiais destinadas à exportação”, diz Silva.

De qualquer forma, em 2010, a receita com vendas externas de nióbio foi de US$1,5 bilhão. Foi o terceiro item da pauta de exportações minerais, atrás de minério de ferro e ouro.

Num encontro com jornalistas, realizado em 7 de fevereiro, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que um novo marco regulatório da mineração no Brasil será encaminhado ao Congresso ainda no primeiro semestre deste ano.

Lobão disse que serão encaminhados três projetos independentes: um que trata das regras de exploração do minério, outro que cria a agência reguladora do setor e um terceiro que trata exclusivamente dos royalties.

Segundo Lobão, o Brasil tem hoje um dos menores royalties do mundo. “Nós cobramos no Brasil talvez o royalty mais baixo do mundo. A Austrália e países da África chegam a cobrar 10% e o Brasil apenas 2%.”

NR: O jornalista Nelson Gonçalves Townes de Castro faleceu em 2011. O seu site NoticiaRO foi hackeado e tirado do ar no mesmo ano, possivelmente por algum desafeto. As investigações levaram a um IP local, de Porto Velho.

Guajará : o falador de gírias

Por Altair Santos (Tatá)

O trem apitara pela vez última em junho de 1972. Três anos depois, na manhã duma quarta-feira de junho de 1975, o Bairro do Triângulo (de Porto Velho) cedinho ao abrir portas e janelas, avistou um jovem transitar em passos suaves sobre os dormentes da inerte Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

Era um desconhecido quase a levitar quando subia nos trilhos e, de braços abertos, andava coisa de vinte metros ou mais, sem desequilibrar. Aquela invejável destreza e aparente paz de um monge budista das montanhas do Tibet, chamou a atenção, causou intriga e expectativa certeira nos jovens do lugar, a ponto de lhes deixar pulgas atrás das “zorêlhas” afinal, andar assim, hábil, pelos trilhos com jeito de pensador e não ser morador daqui, só mesmo vindo da região de Jaci, Abunã ou Guajará Mirim.

Em sendo da Pérola do Mamoré era presença e risco iminente de fazer ruir o império dos tupiniquins, ainda mais se o cara tocasse violão e cantasse em castelhano com o sedutor sotaque na timbragem peculiar dos artistas dos altiplanos bolivianos e Cordilheira dos Andes. E se fosse desembaraçado na conversa e já soubesse fumar e dançar, usasse camisa gola cacharréu, calça boca de sino daquelas que varriam as ruas, sapato tipo cavalo de aço ou tamanco, atributos, vestuários e badulaques mui valorizados no currículo dos rapazes daquela época, a ameaça ganhava contornos vivos de tragédia posto fazer trêmulas e fragilizadas as emoções ciumentas dos nossos moços, tementes que as “girls,” cá das barrancas do madeira, viessem a se “embandeirar” e “dar bola” pro recém chegado.

Mais tarde reunidos, os daqui se punham a tecer sobre o “bicão” que se intrometia causando sismos na paz da comunidade. O cara em poucas, horas desde a chegada, já despertara o olhar analítico e interessado de algumas moçoilas, suscitando investigação e reação de defesa por parte dos inseguros boys portovelhenses.

Para monitorar o ir e vir do estranho montaram campana debaixo da Placa 1, defronte à nossa casa, morada abençoada por Deus, tendo a varanda dos fundos com privilegiada vista para o intacto e saudável Rio Madeira onde, além do inspirador pôr do sol, botos saltitantes e gaivotas desenhavam belas coreografias, um balé ímpar naquele indescritível mosaico natural. Ali, meninos nus, íntimos e consanguíneos da liberdade, improvisavam um píer sobre toras de cedro e açacu atracadas ao porto da serraria do boliviano Romão Salazar e se banhavam inocentes, livres de inibição repressora, eram anjos sem asas e de baladeira no pescoço, a viverem o Éden de suas existências.

Na frente da nossa casa, rivalizando sem choque com o rio, tínhamos outro belo presente, os trilhos estendidos, poesia e enlevo aos olhares e sentimentos. Era o tapete ferroviário por onde o trem, nosso herói de ferro, robusto, histórico e inesquecível, antes do seu triste silenciar fumegava e apitava fazendo sucessivas idas e vindas elando Porto Velho e Guajará Mirim urbes queridas, além doutras cidadelas, pontos equidistantes.

Após acalorado debate os moços do Triângulo resolveram, naquele dia, tirar o assunto a limpo. O desconhecido agora réu naquela corte de mancebos teria sua identidade revelada, seus passos seguidos, os reais motivos da sua intrigante estada por aqui seriam visceralmente expostos, tudo com precisão e discrição, tal como faz ou fazia a Scotland Yard, a polícia inglesa. A abordagem se deu as 17 horas, justo quando as meninas voltavam da escola e testemunharam seus pretendentes em atitude heroica enquadrando o rapaz, rezando-lhe o bê-a-bá, dizendo como é que a valsa tocava.

A coisa se deu assim: quando audaz, leve como pluma ao vento, surgiu o moço a andar sobre os trilhos, alguém do grupo o chamou. Ei você vem aqui falar com a gente. O rapaz atendeu e foi chegando manhoso, cheio de curva e gingado, trazendo o corpo esquálido num balanço invocado, um swing próprio de quem veio de Cachoeira Pequena trazendo na bagagem ar e trejeitos de um experimentado “malaco” da malandragem fronteiriça. Mascando um chiclete e levantado os dedos indicador e médio duma das mãos em “V”, símbolo e saudação hippie de paz e amor, foi logo dizendo boa tarde gurizada, “qualé” a de vocês?

Aquela entrada desmontou parte da sisuda volúpia inicial do inquisidor que retomou já em tom menos ríspido. Só queremos que você solte pra gente o seguinte lero: abre aí o teu nome, donde tu caiu pra chegar aqui e qualé a tua onda aqui no bairro, é malandragem, é “azaração com as mina,” é “trampo,” é o quê? Ele respondeu: Ok, “sem grilo, morou?” Taí, tu é um cara “manero” mas esse “teu plá” é de “horror”, te liga que “eu vô batê” abram as “cacholas” de vocês: eu sou conhecido como Guajará, nasci lá.

Nisso todos tremeram, as pernas fraquejaram quase a caírem espalhados pelo chão como num strike, se não se escorassem uns nos outros. E prosseguiu: vim dar uns “rolés” pra esperar o outro ano chegar. Fui expulso do colégio, eu gazetava muita aula pra ir tomar banho lá no Palheta e pesou contra mim, as toneladas de caretice e a coleção de notas zero e outras mais, todas vermelhas, que recebia nas provas de um certo “teacher” linha dura e desalmado.

“Sartei fora” e vim curtir as festinhas daqui, fazer um som com a turma. Eu canto em castelhano e em inglês, toco violão, uma biritinha vai bem e, cá pra nós, curto um “baseadinho suave” naquela de moderado. Fumo uns tarugos bem bacanas coisa dez ou doze por dia, só pra despoluir o corredor cerebral, expandir a mente, colorir o horizonte e aliviar a caixa pensante, vocês sacaram, vocês alcançaram a minha onda, ou não “atinaram” por onde orbita o meu planeta cuca legal?

E tem mais, já “mancuriquei” que as “minas” aqui do pedaço é tudo broto legal e quero jogar umas teses de “love sinceridade” pra cima delas. Aliás tem uma que eu vi passar, ela é assim jeitinho “doce de côco”, tipo flor do meu jardim, tudo pra mim e coisa e tal, eu “parei” na dela, vocês me “understand” (entendem)? E abro mais, colar aqui pra gente transar essa ideia foi massa. Nisso, algumas moças que passavam e já bem informadas sobre ele o cumprimentavam assim: oiii Guajará, “tudo joia,” se entrosando com os meninos né?

Guajará um rapaz moreno, estatura média, cabelo estilo black power no padrão Jimmy Hendrix, um tipo opção rock and roll apartada da beatlemania, órfã legião de fãs no mundo inteiro, desde quando os rapazes de Liverpool emudeceram a banda em 1970. Articulado e bom de papo, o emergente da fronteira passou no teste, na dialógica engoliu os possíveis oponentes e dividiu os hostis. Para alguns melhor seria aliar-se ao novato, enquanto outros se mantinham na espreita. Mesmo assim, divididos, o convidaram pra uma festinha já no próximo sábado, no terreiro de uma casa do bairro.

Pra içar bandeira branca, selar a paz ou cessar fogo, combinaram se encontrar mais cedo, no dia festa, pra umas caipirinhas a partir das19 horas, no que foram pontuais, inclusive o Guajará que passara a tarde toda nas preliminares festivas, em trajes menores, se banhando no Igarapé do Burrinho, bebendo katira (um tipo de cachaça ultra forte) e tirando gosto com cajarana além, é claro, de mandar pro cérebro levas enfumaçadas do teor alucinante da “marijuana” que ele, artesanal e esmerado no ofício, preparava e deixava pronto pra consumo quase no avantajado formato (tamanho e circunferência) dos afamados charutos Cohibas, os cubanos legítimos. Cada tarugo daqueles, dizia ele, era dose pra leão!

Na festinha tão logo rolou um intervalo para trocarem as pilhas da vitrola ele pediu o violão e, decidido, performático e com a cabeça viajando em alucinação pelas galáxias estreladas, desferiu acordes fortes, notas seguras e com voz rouca “à la” Rod Stewart cantou as inesquecíveis hei tonight, have you ever seen the rain e traveland band, um pout pourri imortalizado pelo grupo americano Creedence Cleawater Revival. Depois, versátil e plural, falou direto ao coração quando tascou uma sequência romântica que tinha Roberto e Erasmo Carlos, Los Pastelos Verdes, Peppino Di Capri, Gianni Morandi, Demmis Roussos… Aí o homem virou ídolo das “minas” que tinham seus “zoinhos” a rebrilhar feito estrelas no céu.

Quando das pausas, Guajará, o show man, soltava risos e gracejava com as garotas “papo firme,” bebericava algo e, infalivelmente, ia pra detrás de uma mangueira. Lá na penumbra era avistado a acender e soltar baforadas em algo que não era vela para as almas e nem pra santo nenhum. Na volta o adepto das ervas e passageiro das viagens inimagináveis nas asas da “canabis sativa,” a popular maconha, se punha recluso num canto tipo em transe, viajante solitário a ver miragens e dialogar silencioso, talvez com o além, ou com algo além do próprio além… Depois afogava seus olhos vermelhos e abrasados em baldes e mais baldes de colírio Moura brasil.

Aqui em Porto Velho ele ficou uns quatro ou cinco anos, dos quais, a maior parte, mais a voar do que andar, mesmo sempre estando no chão. Até arrumou uma namorada esquisita, conhecida pela alcunha de Chica Mata Gato a quem, de uma hora pra outra, deixou a ver navios, barcos e canoas na margem do Madeira. Sem nada dizer ou recado deixar voltou pra sua terra natal, na fronteira Brasil-Bolívia.

tatadeportovelho@gmail.com

Quase parando

Texto e foto de Valéria del Cueto

Já tentei de um tudo para voltar á normalidade semanal na escrevinhação. Sem muito sucesso…

É a vontade de continuar firme e forte no propósito que me traz até aqui, numa parte importante de como tudo começou. Várias partes aliás, menos aquela que responde a uma das questões essenciais de quase todos os bons textos.

O “onde” está alterado. Sai a Ponta do Leme para dar lugar à Ponta do Arpoador. Guardadas as devidas proporções, é tudo pedra. Do Leme, do Arpoador…

No más é o retorno à ideia original.

Hoje é sexta-feira, são quatro horas da tarde e estou… na praia.

Temos o onde, o quando e o como. Cadê o porquê? Esse, não sei porque não anda dando tempo para decifrá-lo.

Como a imagem que ilustra a crônica. Foi questão de segundos. Eu disse de segundos! Só deu tempo (olha ele aí) para pegar a Lumix e clicar duas vezes. Entre o abrir a bolsa e puxar o celular para fazer a #xepa, o registro do Instagram, e lá se foi a composição.

Antes de que eu conseguisse armar a câmera o sol saiu detrás da nuvem (ou será que foi a nuvem que correu da frente dele?) e lavou a imagem com seu brilho, tirando o “drama” do contorno da nebulosidade fugitiva.

Assim anda tudo. Muita velocidade para pouca capacidade de absorção.

Claro que nem meu exercício fotográfico, nem a ginástica mental, fazem a mínima diferença para quem está ao redor.

Na pouca areia os vendedores circulam entre turistas e locais dispostos a aproveitarem o dia pós dilúvio. Quinta foi de chuvarada.

Os surfistas não dão a mínima para a sujeira da água do mar. Só têm olhos, braços e pernas para as desafiantes ondulações ainda altas, graças a última ressaca. E tem muitos atletas.

Todos querendo tirar o atraso dos dias em que o mar, de tão mexido, não permitia que ninguém caísse. Não era uma questão só de coragem. Era de formação das ondas. Indomáveis!

A calmaria ainda não chegou, mas já permite o zig-zag nas ondas enquanto para o sul se vê a nova frente fria se aproximando por cima do Vidigal e do Dois Irmãos. Tudo preto para aquele lado.

Uma delícia gastar linhas e páginas descrevendo o paraíso na terra. E em que terra. Nessa mesma, onde o pingo que já foi letra não passa de uma eterna reticência.

Aquela pátria amada que, faz muito, abandonou a gentileza e adotou a violência como ponto de partida para qualquer princípio de conversa(?).

Aquela que sempre já começa… atravessada. Que nem escola de samba, quando a bateria vai para um lado e a cantoria para o outro.

Não há mais tempo para os outros. O que dirá para nós.

Por isso as crônicas andam rateando. Elas se baseiam nos pressupostos de observação, sensação (não necessariamente nessa ordem), pesquisa, análise e dedução amorosa, se possível.

Ah, tá. E a velocidade dos atos e fatos, onde é que fica? Ela deturpa, invalida, desvia as conclusões. Se não por forçar uma depuração artificial e apressada (e, portanto, perigosa), pela desatualização imediata dos dados e parâmetros consolidados para desenvolver o raciocínio dos textos.

O que é, era e não será mais. Num piscar de olhos. Como na foto…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Morre o produtor musical gaúcho “Miranda” aos 56 anos

O produtor musical Carlos Eduardo Miranda morreu na madrugada desta sexta-feira (23), aos 56 anos, na cidade de São Paulo. Ele trabalhou com Skank, de Minas Gerais; Raimundos, de Brasília; Mundo Livre, de Recife; Titãs e Rappa, mas ficou conhecido como jurado de programas caça-talentos musicais como Ídolos, , Qual é o Seu Talento? e Astros.

Miranda teve um mal súbito em sua casa. Ele estava em São Paulo, com a esposa e com a filha quando passou mal.

Ele participou da cena musical pop rock gaúcha como integrante de algumas bandas como a Taranatiriça ,  Atahualpa Y Us Panquis e Urubu Rei.

Na década de 1990, com os selos Banguela Records e Excelente, lançou nomes como Raimundos. Como produtor musical lançou, entre outros grupos, Skank, O Rappa, Virgulóides, Blues Etílicos, Cordel do Fogo Encantado, Cansei de Ser Sexy, Móveis Coloniais de Acaju, MQN, Mundo Livre SA e o primeiro disco da Graforréia Xilarmônica, Coisa de Louco II e também criou e dirigiu o site Trama Virtual, que é um projeto de distribuição online de artistas independentes por MP3. Nessa época, retomava o trabalho de músico com a banda de Rock experimental Aristóteles de Ananias Jr.

Miranda tinha completado seus 56 anos antes de ontem (21).

Marielle no Washington Post : “símbolo mundial na luta contra a violência”

 

O jornal Washington Post, um dos mais respeitados do mundo, dedicou uma longa coluna nesta desta terça-feira (20) à ativista e vereadora do PSOL/RJ Marielle Franco, friamente executada no Rio de Janeiro. Segundo o jornal Marielle se torna agora um símbolo global na luta contra a violência a discriminação racial. A a reportagem questiona o mito da “democracia racial” e destaca o genocídio praticado contra a população negra, pobre e periférica no Brasil. Em outro ponto, o jornal também ressalta que o crime até agora não foi esclarecido.

O jornal também deu destaque às manifestações internacionais em memória da vereadora, como a homenagem feita no Parlamento Europeu.

O Washigton Post também citou que  só há políticos brancos no comando de ministérios em Brasília ,segundo o jonal um  indício de falta de representatividade dos negros na política.

Uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, Ligue 180 para denunciar casos de violência contra a mulher, a ligação é anônima, gratuita e qualquer um pode fazer! #MulherMudaTudo

Será por que?

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Quando a gente deixa de mandar no tempo, tem que dar tempo ao tempo.

Entre o “vou ali” e o “estou chegando”, que quase nunca acontece, os fatos e acontecimentos vão tecendo uma teia de informações, necessidades e deduções que servem como desvios inequívocos à proposta inicial. Qual era mesmo?

Se e quando a teia te segura, só tem uma maneira de mudar o rumo: rompendo.

Foi o que fiz nessa tarde de quarta-feira na trégua entre uma chuvarada e outro alagamento. Danem-se intervenção, movimento, edição, grampolândia, paletó, vídeos, fotos, Detrans, PF, prende-solta, STF…

Fui aí, fui à praia! O caminho para Ipanema já denota um clima mais tranquilo. Menos vai-e-vem. Esquece. Não é por causa da escalação de um militar para bater bola com Pezão, nosso hábil e impoluto governador.

É fim de temporada, menos turistas e retorno às aulas. Foram-se as férias. A lembrança mais frequente e barulhenta do verão são ambulantes aos montes. Antes da peneira natural que separará os vendedores tradicionais e de fé dos de temporada, os que não resistem ao marasmo do pós- carnaval.

Como estou em débito no quesito crônica semanal aproveito para diminuir a desvantagem falando, entre outras coisas de… carnaval.

O mundo carnavalesco aguarda, com a mesma ansiedade que eu (aquela que faz o tempo não passar), o resultado de uma plenária da Liesa, a Liga das Escolas de samba, do Grupo Especial do Rio de Janeiro que acontecerá hoje! Daqui a pouco.

O ser ou não ser da questão posta na mesa dos “eleitores” presidentes das escolas do dreamteam carioca é (mais) uma alteração no resultado do carnaval 2018.

Pelo regulamento duas escolas deveriam cair para o Grupo de Acesso, subindo sua campeã para o Especial. Voltando, assim, ao número original de agremiações.

Esse equilíbrio, de 6 escolas por noite, deixou de existir ano passado quando a mesma plenária da Liesa decidiu não rebaixar as envolvidas nos acidentes com os carros alegóricos, a Unidos da Tijuca e Paraíso do Tuiuti, que marcaram o espetáculo em 2017.

Para esse ano a regra estabelecida era a queda de duas escolas só que, assim como a Paraíso do Tuiuti surpreendeu chegando ao vice-campeonato, do outro lado da tabela, a Grande Rio foi abatida por um problema em um de seus carros alegóricos que nem sequer chegou a entrar na Sapucaí.

Na véspera da apuração já corria um zumzumzum que haveria alteração e a escola de Caxias e, por tabela, o Império Serrano, também na lanterna, seria beneficiada.

O lobby na mídia dava conta, antes da primeira reunião da Liga após o carnaval, que a decisão era pule 10 e estava tomada por unanimidade. Portela e Mangueira avisaram que eram contra. O martelo ficou para ser batido numa plenária extraordinária marcada para daqui a pouco.

Imaginem a repercussão do fato, suas consequências e como está reverberando no mundo do samba. Para a maioria o “perdão” representa (mais) uma desmoralização para o carnaval carioca. Só que… apenas poucos e seletos votos são computados para resolver a demanda.

A dedução é sua, caro leitor. O que faria os envolvidos na questão tomarem uma medida que, claramente, desmoraliza a seriedade do julgamento e desgasta a imagem da Liesa?

Um reflexo dos tempos… Apenas duas escolas votaram pela manutenção do regulamento. Grande Rio e Império Serrano ficam no Grupo Especial. Tal “providência” foi suplicada pela maioria absoluta dos presidentes, de acordo com o ofício do prefeito Crivella informando não se opor ao aumento do número de escolas no Grupo Especial. Por que será?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É Carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Praticar o Autêntico Pilates auxilia no melhor desenvolvimento de crianças e adolescentes

Por Monica Esper de Oliveira

Você já deve ter reparado, em algum momento, como está a postura do seu filho, neto, amigo ou de alguém conhecido. É notório como a nossa postura vem piorando ao longo dos anos, com todas as facilidades do dia a dia, modernização dos aparelhos de comunicação, inatividade, menos brincadeiras ao ar livre, mais videogames, sofás e computadores…

Algum dia o nosso corpo nos passará a conta de todo esse “mau trato” dado a ele. E é exatamente na postura onde começam os primeiros sinais disso tudo. Os desvios posturais, quando encontrados na infância e na adolescência, têm risco de evolução e devem ser tratados precocemente. Vale o alerta: ainda é melhor prevenir!

Estudos indicam que a coluna vertebral é uma das estruturas que mais sofrem as consequências do sedentarismo e da má postura. Cerca de 80% da população brasileira, na fase produtiva da vida, sofre de alguma alteração do aparelho locomotor e os distúrbios da coluna vertebral são a segunda causa de afastamento de trabalhadores ao serviço ou de aposentadoria.

A estrutura óssea tem seu crescimento e desenvolvimento completo em torno da segunda década de vida. Pacientes com mais de 20 anos de idade e que apresentam escoliose estruturada, não terão condições de tratar a curva, apenas a sintomatologia ou possíveis complicações. Portanto, em escolioses detectadas tardiamente, o tratamento fisioterapêutico é efetuado visando a redução do quadro álgico, fortalecimento muscular, alongamento e reorganização postural.

Durante o período escolar, a criança pode sofrer um aumento de tensão em determinados grupos musculares, causado pelo rápido crescimento ósseo, entre sete e dez anos de idade. É importante que os pais aumentem a atenção na postura das crianças e adolescentes nessa fase, para que não haja danos futuros.

O sistema músculo esquelético, além de fatores genéticos e hereditários, sofre influência de fatores externos, principalmente durante a infância. Cada indivíduo apresenta particularidades influenciadas pelo seu biótipo e a coluna vertebral sofre alterações quando submetida a vícios posturais, sobrepeso corporal, deficiências nutricionais, atividades físicas insuficientes ou incorretas, alterações respiratórias e musculares, distúrbios psicológicos ou anomalias congênitas adquiridas.

Como alguns desvios posturais são detectáveis ainda na infância, consideramos a sua prevenção como uma estratégia facilmente aplicável, levando a criança à prática de movimentos saudáveis, os quais são facilmente incorporados quando iniciados precocemente.

Nossa proposta no Autêntico Método Pilates é trabalhar com a prevenção das alterações posturais e tratamento dos desvios laterais, cifoses, fraquezas musculares e atuar evitando a má postura e suas consequências. Os exercícios oferecidos pelo Método são realizados em sessões individuais com instrutores capacitados a lidar com desvios posturais, dores e, também, na prevenção, considerando todas as características e necessidades individuais de cada um.

KLM expande sua frota com jatos comerciais brasileiros

Nesta quinta-feira, 22 de fevereiro, a KLM Cityhopper (KLC), subsidiária regional do Grupo KLM na Europa, recebeu duas aeronaves da geração atual de jatos Embraer, o modelo E175+, com registro PH-EXU, e o modelo E190, com registro PH-EXV. A KLC opera na Europa exclusivamente com as aeronaves da fabricante brasileira, tendo 45 aviões em sua frota.

A entrega da 14º Embraer E175+ e 31º Embraer E190 marca um passo importante no processo inovador e contínuo de renovação da frota da KLM. Depois de eliminar o Fokker, e com base nas suas características tecnológicas avançadas dos jatos da Embraer, a KLM Cityhopper opera de maneira mais sustentável, utilizando menos combustível e, assim, reduzindo as emissões de CO2. Em comparação com o Fokker 70, a aeronave E175+ mais recente usa até 22% menos combustível.

10 anos de relacionamento entre KLM Cityhopper e Embraer

A primeira entrega de uma aeronave Embraer à KLM ocorreu em 2008 e desde então outras 44 já estão na frota da companhia. A aeronave Embraer também sustenta o objetivo da KLM, de sempre focar em seus clientes. As novas aeronaves oferecem mais conforto e espaço, contribuindo para que seus passageiros tenham experiências memoráveis.

A KLM Cityhopper atualmente opera a maior frota da Embraer na Europa. Em meados de 2018, a frota completa da KLC consistirá em 49 aeronaves produzidas pelo fabricante brasileiro de aeronaves. A entrega do 46º Embraer é esperada em abril.

Fábrica das icônicas guitarras Gibson pode estar à beira da falência

O problema tem uma escala mundial: as vendas de guitarras cairam no mundo inteiro e há rumores que a Gibson, icônica fabricante de guitarras e violões, estaria à beira de uma possível falência.

As fontes do Nashville Post indicam que boa parte do problema surgiu com a saída de Bill Lawrence, o chefe de finanças da companhia. Lawrence teria deixado a empresa em maus lençóis, uma vez que “375 milhões de dólares em dívidas e 145 milhões de dólares em empréstimos” estariam alcançando seu “vencimento”, caso não sejam refinanciados até Julho.

Além disso, a Gibson também saiu de Nashville, cidade que era sua sede há mais de 30 anos. Agora, o futuro da empresa está nas mãos de Henry Juskiewicz, o dono da empresa, mas será uma batalha difícil: Juskiewicz estaria “enfrentando uma luta contra credores por conta de decisões comerciais ruins”, como aponta o Dayton Daily News, e uma das opções para resolver a situação financeira seria decretar a falência da empresa.

Fundada em 1902, estima-se que a Gibson arrecade cerca de 1 bilhão de dólares por ano. A companhia possui alguns dos modelos mais icônicos de guitarra já lançados na história, como a Les Paul, SG e Flying V.