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Caminho de Volta

Texto foto e vídeo de Valéria del Cueto

Querida cronista.  A que voluntariamente enclausurada garantiu sua passagem permanente à maior liberdade que um ser humano pode ter: a interior.

Este seu amigo extraterrestre visitante nas noites de lua cheia pela fresta da abertura de sua cela do outro lado do túnel, reconhece a inutilidade do fato e vem mui respeitosamente pedir desculpas por todas as vãs tentativas de insistir em criar uma conexão a este mundo (ir)real.

É daqui, de uma das suas praias, que informo a decisão muito pensada e avaliada de mantê-la alheia aos últimos acontecimentos.

Hoje é um dia lindo, uma segunda-feira de setembro solar. De praia cheia no fim de tarde.

Daquelas que deixam a impressão (pelo efeito fotográfico do contraste explícito na direção do Leblon e do Morro Dois Irmãos) que o mar azul está emoldurado por reflexos rosa/alaranjados nas espumas das ondas e marolas brincalhonas.

Com os movimentos da maré que está subindo se desenham curvas e laguinhos. Imagens efêmeras no vai e vem do mar.  Incessantes e hipnóticas.

Nesse espaço semiaquático se veem os contornos dos corpos de quem passa caminhando na linha do mar ou em direção a um mergulho. Foi um desses banhistas que que informou, gritando para o grupo de amigos da barraca na areia, que a água está gelada.

No mesmo contraluz dá para apreciar crianças brincando nas poças que começam a encher aproveitando enquanto o sol não cai por trás das montanhas.

Ainda estamos em setembro e, como você me ensinou, sabemos que somente em dezembro ele cairá no mar, rasgando as águas com seus raios refletidos na superfície oceânica.

Em algumas rodas improvisadas as bolas sobem, descem e, quando podem, fogem dos pés dos atletas de fim de tarde estimulando os malabarismos corporais dos jogadores de altinho.

Vai durar pouco o espetáculo. Com a subida da maré a faixa de areia ficará estreita e íngreme dificultando a prática de um dos esportes preferidos por aqui.

Não pense que estou fazendo essa narrativa somente para você. Espero que esteja gostando. Faço também para mim, pobre Pluct Plact, o viajante interplanetário. Este ser estranho aprisionado nesse mundo. Sem a força propulsora necessária tomar um rumo espacial ou o privilégio de uma cela libertadora como você, amiga e mentora.

Preciso purificar meu olhar, depurar meus sentimentos. É, tipo limpar o HD da minha recém adquirida inteligência emocional. Ocupar meus slots com singeleza. Reprogramar a rotina com gentileza. Exercer a prática sem contra indicações da bondade inerente.

Coisas raras por aqui onde somos bombardeados por torpezas, vilanias, violência e obscurantismo. Não há mais limites para a barbárie. Apenas alvos, disparos, robôs e intolerância destrutiva. Muita.

Por isso, agora quem precisa de você sou eu. Para dar uma guinada no fio que sustenta a pipa que, hoje reconheço, somos cada um de nós vindos de qualquer lugar da terra ou, no meu caso, de fora dela.

Preciso de mais linha, ou que ela seja bruscamente recolhida no carretel, para que possa olhar e ver com outros olhos, captar as sensações de maneira diferente. Estes olhos que já viram muitos mundos e galáxias estão cansados de tanto desamor concentrados num só planeta.

Estou à procura nessas linhas do caminho de volta para a inocência e à pureza. Elas, as que deveriam manter a esperança de harmonia no universo…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Havia uma pedra

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Incêndio na Flotropi. E não é pouco fogo não. A bicharada está em pânico e entre uma tossida e outra, uma ajuda a um irmão encurralado e as tentativas de fugir das chamas que engolem a floresta se pergunta: “como chegamos a esse ponto?”

A formigas trabalhadoras já haviam sentido em suas caminhadas no leva e traz de folhas e galhinhos para os formigueiros que algo não estava bem. A começar pela falta de chuvas e o descuido com os preparativos para o período da seca, ao menos para proteger a clareira real. As cigarras estavam mais roucas por causa da fumaça!

O eleito da vez, com mania de dinastia e império, não só deixou de fazer o beabásico, como incentivou a desobediência às regras de queimadas na área florestal. Seu assessor, encarregado das ações preventivas visando proteger o habitat, já dava sinais que estava mais para coração de pedra que coração de leão. E que de protetor e mantenedor do meio ambiente da Flotropi e seus habitantes, animais, vegetais e, por que não, minerais, não tinha nada!

Começou sua obra transferindo o responsável pela proteção dos golfinhos para o lado mais seco do país, alocando-o numa parte semiárida do território.

Nessa época do ano, qualquer animal de boa cepa sabe, em vez de gastar os recursos do tesouro florestal com a medida que, logo depois, foi derrubada no tribunal dos bichos, ele deveria estar estruturando a fiscalização e punindo os infratores que, já no início do inverno e do tempo seco, se preparavam para tocar fogo nas matas. E o que o animal fez? Nada!

Se limita a desqualificar os guardiões e, devidamente motorizado nas redes sociais, agradecer os aplausos dos demais membros do conselho florestal do atual governante, todos interessados em enfraquecer e dizimar os valores primordiais do meio ambientes da Flotropi: o ar, as matas e seus habitantes.

Nem o aparecimento de imagens terríveis de animais carbonizados, da vegetação sendo engolida pelo fogo, nem os gemidos da floresta serviram para sensibilizar os cruéis e gananciosos governantes de Flotropi. Quem imaginaria que as coisas chegariam a esse ponto?

Quando os representantes de outros ecossistemas começaram a se movimentar para impedirem a destruição em massa as hienas e os chacais do conselho continuaram fazendo cara de paisagem (variadas, conforme o setor de atuação) até que o presidente da Flotrofran botou a boca no trombone e levou o caso ao conselho mundial dos mais poderosos sistemas ecológicos do planeta.

E deu no que deu. Ou seja, o eleito (bem feito!) e já não tão amado assim, como bom mico bateu boca com o líder que expôs suas mazelas, partiu para a baixaria pessoal marital, recusou ajuda para conter as queimadas e, vestindo a roupa nova de seus asseclas costureiros, achou que estava tudo dominado.

E não teve manifestação nem passeata da bicharada indignada que amolecesse a moleira e abrisse a “caixola” dos donos da clareira.

Não contaram com a reação que levou o coração de pedra para a lona. A informação de que os produtos da Flotropi estavam fora da pauta de importação de grandes consumidores dos produtos flotropicais.

Deu xabu, deu piti e terminou com uma passagem pela CTI. O que era pedra não furou (ainda), mas começou a propagar, quem nem gota n’água, as consequências de sua inconsequência. O rastilho alcançou vários setores e está fazendo a bicharada ficar de antenas e orelhas em pé.

Rapidamente começaram a operação enxuga gelo para apagar o fogo. Jogando mais lenha em outras “fofogueiras”, baboseiras e besteiras.

Mais ou menos, porque agora a floresta palpitante e o mundo vigilante não vão deixar de cuidar da natureza. Ela não tem dono. É de todos os habitantes. Pelo menos aqui, na Flotropi, onde quem manda sou eu.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Filmes : os 10 mais…

Os 10 melhores. Há alguns anos atrás comecei a fazer uma seleção das 100 melhores músicas para colocar num pendrive. Ô coisa difícil, é um tal de insere música , deleta outra….Até hj a lista está incompleta… Bebendo um vinho argentino, degustando os aromas perfumados de Mendoza enquanto vejo o neoliberalismo se desmanchando tal qual castelo de areia, silenciosamente pensei , porque não fazer uma lista dos 10 melhores filmes ? PQP, outra roubada.
 
1) Cidadão Kane
2) Cinema Paradiso
3) Laranja Mecânica
4) O Encouraçado Potemkin
5) Casablanca
6) Bye Bye Brasil
7) Big Fish
8) Era uma vez no Oeste
9) A felicidade não se compra
10) 2001 – Uma Odisseia no Espaço
11) Blade Runner
12).Um homem, uma mulher.
13)………..
 
Então ?

Se é pra chorar que seja ela, a viola! João Ormond cai no forró no Festival de Viola de Piacatu

Texto e foto de Valéria del Cueto

O ponteio da viola ressoa pelas montanhas que cercam a sede de um dos mais antigos distritos a leste da Zona da Mata mineira, num persistente resgate das raízes musicais brasileiras.

No cenário composto por um preservado casario do final do século XIX, o 16° Festival da Viola e Gastronomia de Piacatuba enche a bucólica Praça Santa Cruz de animados visitantes.

O projeto, produzido Maria Lúcia Braga e patrocinado pela Energisa e o governo de Minas Gerais, já virou tradição e marca registrada do charmoso distrito de Leopoldina, localizado a 25 quilômetros de Cataguases.

Os shows

As noites frias da última semana de julho foram aquecidas pelas etapas regional, nacional e performances de violeiros consagrados como Geraldo Azevedo, Chico Lobo, o mato-grossense João Ormond e Miltinho Ediberto.

As participações dos talentos locais, representados por Thalylis Carneiro e banda Carmim, de Cataguases, com a participação de Dudu Viana na abertura dessa edição, e Rodrigo d’Sá e os Serafins, de Leopoldina, convidando o gaitista Jefferson Gonçalves no encerramento, cumpriram mais uma proposta do projeto.

O intercâmbio entre diferentes vertentes e estilos musicais foi ancorado pela excelente estrutura de palco e som, quesitos essenciais para a valorização da sonoridade dos instrumentos.

O forró se destacou entre os diversos estilos. E foi por ele que o mato-grossense João Ormond trocou o dedilhado pantaneiro nessa edição. No roteiro, o material do CD “Tem Viola no Forró – 2”, o nono de sua carreira.

Esta foi sua terceira visita ao Festival. Na primeira, trouxe “Quariterê” que homenageia Tereza de Benguela. Em sua segunda participação foi a vez de “Viola Pantaneira”.

Baseado em Jundiaí desde 1999, hoje João transita por espaços diversos passeando por diferentes estilos musicais. “Tem um público que gosta do forró nos eventos de festivais como os de inverno, gastronômico, entre outros”, explica. “O som de viola mais tradicional a plateia acompanha em espaços como Sesc, aniversários de cidades.”

Diante dessas demandas Ormond se dedica a vários projetos. “Violas do Brasil” circula pelo Proac/SP. “Nele mostro a viola do cinturão caipira: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Tocantins e Goiás. A ênfase é a viola pantaneira, assim como em “Violas Pantaneiras”, o novo trabalho com Paulo Simões que será lançado dia 02 de agosto em Boticatu e dia 04 no Sesc de Piracicaba, em São Paulo. Estão nas plataformas digitais”, avisa lembrando que lá também está disponível o EP “Pote d´Ouro”.

É também em parceria com o sul mato-grossense “Toca Raul by Violas”, explorando o universo da obra Raul Seixas. “Daqui, irei para Bauru. Vamos fazer no Sesc de lá”, contou.

E são é só, sua viola está presente no projeto Pantanais Instrumentais, um especial Instrumental Sesc Brasil que acabou de ser gravado e em breve será apresentado na TV Sesc. Foi a pedido do Sesc SP que realizou “No Forró do Alceu Valença”, uma homenagem a Alceu Valença e ao cd “Forró de todo os cantos”

Nesses dias de mergulho sonoro, (uma das peculiaridades de Piacatuba é o fato de somente uma rede de telefonia celular tem alcance por lá), entre uma música, uma boa prosa e as atividades como oficinas, palestras e exposições, o que dá a liga e garante a sustância é um desfile de boa gastronomia.

Comidinhas e bebidinhas nos cafés e bares introduzem as saborosas refeições dos restaurantes locais. Com os cardápios no folder do evento já é possível traçar o roteiro ideal para explorar as delícias.

É esta conjunção de fatores que faz com que, não apenas o público, mas também, os astros da festa, como João Ormond, não se façam de rogados a cada possibilidade de marcar presença no evento mineiro.

Que venha em breve a quarta visita do ilustre representante da cultura de Mato Grosso e sua viola pantaneira nas noites animadas de Piacatuba. A plateia agradece!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Parador Cuyabano”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

“Jackson – Na Batida do Pandeiro”, um filme de Marcus Vilar e Cacá Teixeira

foto Heleno Bernardo

Por W.J.Solha

O documentário biográfico de Marcus Vilar e Cacá Teixeira sobre o “Rei do Ritmo” , nascido José Gomes Filho – Alagoa BB Grande, 1919, Brasília, 1982 – é perfeito, o que será fatalmente confirmado por prêmios em todos os festivais de cinema de que fizer parte. Sólido, estruturado em depoimentos do próprio protagonista e dos que lhe foram próximos, o filme alarga o conhecimento da importância de sua grande passagem pela música popular brasileira, através de comentários precisos como o de Bráulio Tavares – que analisa a origem do contundente “swing” de Jackson – o que é realçado pela notável interpretação do “Chiclete com Banana”, por Gilberto Gil.

A obra de Marcus Vilar e Cacá Teixeira vai fundo, também, no que concerne ao ser humano que Jackson foi. O êxodo da família extremamente pobre – de Alagoa Grande pra Campina – em quatro dias… a pé, liderado pela mãe viúva ( Flora Mourão, cantadora de coco ), mais a fome que ele – depois de tanto sucesso – passou no Rio, com a mulher – Neuza Flores – por força de um grave acidente de automóvel, que o impediu de trabalhar por longo tempo, mais a generosidade com que, por exemplo, recebeu o conterrâneo Antônio Barros ( que chegava pra tentar a sorte na então capitão federal, segundo depoimento do próprio futuro parceiro de Cecéu ) são todos tão marcantes quanto a narrativa de Elba Ramalho de como foi seu encontro com o Jackson no aeroporto de Brasília, em que ele insistiu que iria se apresentar num show, na cidade, apesar de se sentir enfartado. Aliás, um dos grandes momentos do belo relato é a inserção de uma disparada de ambulância, ao som da sirene, até encerrar a abertura do filme na escuridão de um viaduto, o relato da morte voltando no final do poderoso flashback que é o documentário, no igualmente belo voo sobre Alagoa Grande – até a casa onde tudo começou e que hoje é seu museu.

Neusa Flores, viúva de Jackon do Pandeiro. Foto : Thercles Silva

Nepotismo natural

Texto e foto de Valéria del Cueto

Hoje somos só nós. Vocês e eu. Caneta, caderninho e a que aqui escreve. Três por uma, a crônica.

Numa ponta, pra variar. Na sexta a tarde, pra firmar. Sem fantasia.

A caminho subi a rua do Posto 6 em direção ao Arpoador já pensando no conteúdo da prosa. Não é igual a ir à praia na Ponta do Leme, minha pedra original. Lá conhecia todo mundo e alcançar o paraíso era uma travessia amorosa.

Porteiros, gari, guardador/lavador de carro, o Coutinho banco/boteco, salvador nas horas perdidas, Marquinhos da papelaria.

Uma fiscalizada nas frutas no seo Avelino, com direito a exame de qualidade da partida mais recente das melhores (e sempre desejadas) mariolas, meu vício. Aquela passada pela banca de jornal do Santo pra conferir as capas dos jornais e o suco de banana com abacaxi com pão na chapa e polenguinho, do Romário ou do Malaquias, na padaria Duque de Caxias.

Essa social sempre fazia que só pensasse na crônica quando acabava de acampar na areia antes de me concentrar nos meus esportes favoritos: o surf nas ondas do canto da pedra e a pelada da garotada na beira do mar. Com traves do gol de coco ou havaianas.

Aqui no Posto 6 a levada é diferente. Mais papo reto. Não dá pra comparar a intimidade e os afetos de uma vida com essa paisagem. Lá era pulo. Aqui é ladeira. Acima. Pra chegar em Ipanema desfilo de ponta a ponta da Bulhões, cruzando do pé do Morro do Pavão até a Pedra do Arpoador.

Claro que já rolam obas e olás. Mas aquela animação não vira por essas bandas. A exceção (como não poderia deixar de ser) é com um velho amigo dos tempos de adolescente. Porteiro do prédio quando morei aqui, hoje bate ponto num edifício vizinho. Com ele a prosa rende. “Hoje está uma tranquilidade no entorno”, informa. “O vice-presidente Mourão está no pedaço com tudo que tem direito.”

Foi pensando neles, os direitos, que num silêncio pensativo subi o restante da ladeira. Nos direitos do general que virou vice e do porteiro que está perdendo os seus nas canetadas ensandecidas dos poderes constituídos de Brasília nessa reforma que, bradam, será para beneficiar os mais pobres.

Todos empurrados à escravidão contemporânea, a que não depende de raça e de cor. Grilhões financeiros e econômicos em que só falta já nascermos no negativo.

Claro que isso é uma projeção catastrófica, dirão aqueles que, com chicotes nas mãos, ainda encontram um jeito de aplaudirem o trabalho infantil.  Em breve seremos embalados pelos sons dos estalos dos rebenques no lombo do gado obediente.

Mas não foi para falar disso que cheguei até aqui. A vida do porteiro amigo ainda é das melhores. Tem emprego, é bom no que faz, ajuda os amigos e, sempre que pode, chuta o balde e vai pescar na praia.

Fui interrompida no riscado por Vilmar, o irmão do mar.  Perguntou o que eu estava escrevendo depois de me pedir um troco pra comprar um marmitex. Vilmar está recolhendo latinhas na praia. É desempregado, tem fome e um sorriso enorme.

Está pior, bem pior que o porteiro pescador. Mas se acha um privilegiado. Me explicou que só ele na família de vários irmãos tem o mar no nome, por isso se sente “irmão dessa lindeza”. Irmão do mar, Vilmar só almeja (me contou) outro mar. O marmitex de sexta.

Na volta pra casa há um burburinho no final da descida da rua. O vice com seu aparato policial, comitiva, coisa e tal, mais um soldo de R$ 19.000,00 acaba de chegar em seu lar!

Que não se compara ao do esfomeado Vilmar. Que pode não ter nada! Mas é irmão. E disso abusa, do mar…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador”, do SEM FIM…  delcueto.wordpress.com

CineBrasilTV : Estréia série “Marcadas” , de dupla paraense que fez Soldados do Araguaia

Com argumento e roteiro de Ismael Machado e produção e pesquisa de Michelle Maia, a série ‘Marcadas’, da Giros Produtora (RJ) tem sido uma das atrações da programação do CineBrasilTV durante todo o mês de julho.

Dirigida por Belisario Franca, Bianca Lenti e Júlia Mariano, a obra é composta por cinco episódios.  A produção narra a força e a resistência de dez mulheres ameaçadas de morte devido a seu engajamento em conflitos ligados à defesa dos Direitos Humanos.

São cinco episódios, exibidos às sextas-feiras, às 21h. Reprises aos domingos, às 21h30. É a segunda produção feita em parceria pelos paraenses Ismael e Michelle com a produtora carioca. Antes, a dupla emplacou outro projeto com a Giros, o longa-documentário Soldados do Araguaia.

Matrizes, show da Mangueira no barracão da Cidade do Samba

Matrizes é o espetáculo concebido por Leandro Vieira e montado no barracão da Estação Primeira da Mangueira na Cidade do Samba.
A estréia do show dirigido pelo carnavalesco duas vezes campeão na verde e rosa foi na quinta-feira, 04 de julho.

Clique AQUI  para acessar o álbum Matrizes no barracão da Mangueira do Flickr.

A cantora Alcione, a primeira convidada da temporada. O elenco é composto por 35 artistas, entre músicos, passistas, baianas e dançarinos. A bateria da Mangueira também participa, é claro. Na próxima quinta-feira o apresentação será de Nelson Sargento, presidente de honra da escola.

Relembrando as vertentes originais do samba carioca como o jongo, caxambu e o choro, o roteiro passeia por clássicos do samba e explora obras de compositores mangueirenses. As apresentações acontecerão às quintas dos meses de julho e agosto de 2019. Informações no site da Mangueira.

Abaixo, em vídeo, um pouco da pegada da bateria verde e rosa no espetáculo. Sobe o som…

Ensaio fotográfico e registros no canal del Cueto, no youtube de ©2019 Valéria del Cueto, all rights reserved
@no_rumo do Sem Fim… delcueto.wordpress.com
@delcueto para CarnevaleRio.com

“Histórias mal contadas” será exibida na TV Serra Azul

Resultado de uma parceria entre a Espaço Vídeo e Cinema e a Fundação Cultural Serra Azul, gestora da TV Serra Azul, localizada na cidade de Porangatu, Norte goiano, retransmissora da TV Futura, a série documental “Histórias mal Contadas” passa a ser exibida a partir de maio na programação da TV goiana.

Composta por 25 capítulos e com 1h52 minutos no total, “Histórias mal contadas” retrata a importância da preservação da oralidade da música autoral e revela todo o processo de construção das músicas através do depoimento de cada compositor participante. Através das narrativas descobre-se as curiosidades e os processos de composição dos artistas.

A figura do personagem como um narrador em processo oralizante possibilita o entendimento da mistura de vozes e sons presentes no qual é possível enriquecer o ponto de vista de cada tema e o produto audiovisual pode ser considerado como uma extensão do processo oral, com a intenção de dar voz ao(s) personagem(s) tornando-o, ao mesmo tempo, sujeito do processo e agente de preservação e resgate do patrimônio cultural vinculado a música autoral e as memórias coletivas.

A série retrata desde músicos famosos, como Chico Batera por exemplo, como pessoas totalmente desconhecidas, seja no Sertão Nordestino, na Floresta Amazônia ou em uma grande cidade, mas que fazem da música e da composição o retrato de seus locais e de suas culturas.

Todos os programas são tratados com a mesma estética, buscando sempre aspectos raros e desconhecidos e, com a possibilidade do desaparecimento das pessoas reais para ocupar uma paisagem sempre em constante transformação.

(Ainda) na luz

Texto e foto de Valéria del Cueto

Vendo a vida da Ponta do Arpoador é que me inspiro para mais uma conexão com você, cara cronista enclausurada.

Tudo é prata nesse mar de ressaca dominical que, diz a moça do tempo que quase sempre erra, mas dessa vez acertou, se estende por grande parte do litoral sul e sudeste do Brasil.

Tem chovido muito por aqui e mesmo com o céu cheio de nuvens, o que explica a prata predominante na palheta de cores que anunciei acima, muita gente aproveitou para lagartear ao sol que recorta e é fonte de luz para rebater as más energias e ampliar as positivas.

Tá todo mundo precisando e deveria haver mais esforço na busca de harmonia.

Mas, cá pra nós, amiga voluntariamente encarcerada do outro lado do túnel, o que tenho encontrado por aqui é justamente o oposto.

Os sensores de meu sofisticado equipamento interestelar energético estão em níveis críticos. Indicam que o desastre é eminente.

Não vou dizer que a situação é irreversível porque aprendi que nessa parte do globo terrestre a gente sempre tem que avaliar e considerar a hipótese da não hipótese. As chances da exceção a regra são geométricas, tomara!

Olhando esse mar maravilhoso em que os surfistas riscam as ondas como se rabiscassem uma coreografia celestial no contra luz do sol que começa a cair não dá para acreditar nos nefastos acontecimentos. São eles que geram os prognósticos negativos.

Nem vou entrar em detalhes que de tão cabulosos e agressivos estão levando a população à beira de um ataque de nervos coletivo.

Além da perda de direitos e das esperanças o que se vê é o prenúncio de uma guerra anunciada. Em que um dos lados dá sinais de que nem as regras básicas do jogo serão cumpridas. A intenção claramente é a de demolir as instituições. As palavras de ordem são invasão e agressão.

Tá danado, amiga. E todos os recursos, inclusive os motores e robôs das redes sociais, estão na arena.

Talvez você não saiba do que estou falando ou talvez já imaginasse em suas projeções, as que abriram seu caminho para a clausura voluntária.

São novidades perversas, instrumentos de disseminação do medo, do ódio e da confusão. Entraram em voga depois do seu exílio, querida, derrubando a credibilidade e provocando a multiplicação da desorientação generalizada. É um bate cabeça interminável.

Não, (agora reconheço seu alerta, amiga) esse mundo não é para amadores.

E, sinto muito dizer, nem para as abelhas, polinizadoras da vida, que morrem aos borbotões indicando (também) que tem alguma coisa errada na ordem natural das coisas.

Paralelamente, uma das “ilhas de prosperidade” da combalida economia brasileira nos primeiros meses de 2019 foi, justamente, as vendas de defensivos agrícolas que subiram mais de 27%!

Enquanto o mundo se preocupa o governo brasileiro abre a porteira da agressão ao meio ambiente agindo de forma criminosa e inconsequente na contramão dos alertas ambientais mundiais.

Não preciso dizer o que isso significa nos meus planos de partir desse para mundos melhores.  A força propulsora dos motores da minha nave cada vez tem menos chances de me irar dessa roubada.

Para finalizar, e poetar, porque ninguém é de ferro, nos restam a fresta (da janela) e a lua (tão nua). Ligações amorosas que nos unem (ainda) na luz.

Do seu Pluct, Plact.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

7º FLI acontece em Iguape dias 7 e 8 de junho com o tema Futuro , Lugar e Memória

 

Poeta, slammer e uma das organizadoras do Slam das Minas, Mel Duarte comanda o FLISARAU, um encontro poético com microfone aberto para todos que quiserem ler ou recitar textos, poemas ou poesias, autorais ou não autorais. Simplesmente, não dá para perder!

Área de povoamento bastante antigo, o Vale do Ribeira está localizado no sul do estado de São Paulo e leste do Paraná e é composto por municípios por onde passam o Rio Ribeira de Iguape e seus afluentes, que até o século passado eram a única via de acesso a outras regiões do estado.

A preservação das matas e a diversidade ecológica são algumas de suas marcas, mas a preservação não é apenas ambiental, importantes comunidades quilombolas, indígenas e caiçaras ocupam e dão identidade ao lugar.

Devido sua posição de isolamento, a região tem a característica de ser “um estado dentro do estado”, com vivências, memórias e identidade própria que tornam-se visíveis em diversos aspectos do local, desde a arquitetura, a economia, até a cultura.

Uma das maneiras de acessarmos toda essa memória, identidade e história é por meio de uma técnica de registro milenar, a escrita. E é assim que nasce o FLI!

O Festival, que acontece em Iguape,  na região do Vale do Ribeira desde 2013, traz para este ano o tema “Futuro, Lugar e Memória”. Com as presenças de escritores, artistas e pensadores como Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Geovani Martins, Mel Duarte e Bianca Santana, serão discutidas questões sobre território, ancestralidade e povos tradicionais.

Durante o 7° FLI vão rolar algumas sessões de autógrafos e lançamentos de livros, uma ótima oportunidade para quem quer ter algum tipo de troca com os autores das obras 🙂

Na sexta (7), às 20h, a autora Eda Nagayama estará no Ponto do Livro, na Praça da Basílica, Centro Histórico de Iguape, para o lançamento de “Yaser”. Na obra, Nagayama narra a realidade do povo palestino diante das contínuas políticas coloniais de Israel pela lente de Yaser, um camponês da vila de Yanoun.

Geovani Martins, autor do aclamado “O Sol na Cabeça”, Russo Passapusso, músico e compositor, integrante da banda BaianaSystem, e a atriz, cantora e ativista Zezé Motta se reúnem para “O Futuro Não Demora”. Com mediação de Bianca Santana, a conversa-reflexão aborda palavra, sociedade e insurgência a partir da vida e obra de três olhares e gerações.

A primeira atração musical do 7° FLI é Luedji Luna . Transitando entre o universo da música brasileira e africana, a cantora e compositora baiana apresenta o show de seu álbum “Um Corpo no Mundo”, que lhe consagrou uma das mais promissoras revelações musicais da atualidade, sendo premiada e indicada aos Prêmios Bravo, SIM, WME, Caymmi e Multishow 2018.

A partir do livro “Futuro e Memória – Escrevivências do Vale do Ribeira”, que reúne textos de escritores de Cajati, Cananeia, Eldorado, Iguape, Itaoca, Registro e Ribeira, a intervenção une música e poesia num ato de celebração da riqueza cultural do Vale. É a vez do Grupo Cultural Batucajé do Vale.

No segundo dia do FLI (8), às 10h, vai rolar o Samba de Roda Nega Duda, na Praça da Basílica, Centro Histórico de Iguape

Nega Duda e seu Samba de Roda evocam as memórias de sambadeiras e sambadores do Recôncavo Baiano, com referências do culto aos orixás e caboclos, à capoeira e à comida de azeite, exaltando uma das mais importantes e significativas manifestações populares da cultura brasileira.

Sábado (8), às 14h, Conceição Evaristo participa da conversa “Escrevivência Insubmissa”. Neste encontro, a autora de “Olhos D’água” e “Ponciá Vicêncio” fala sobre os temas presentes em sua obra, como educação, gênero, memória e relações étnicas na sociedade. Com mediação de Bianca Santana.

No  dia (8) também acontece o FLI Paralelo, no Museu Histórico, entre 11h30 e 19h. Uma das grandes atrações do espaço será o bate-papo Futuro, Lugar e Memória, que reunirá os escritores Júlio Cesar da Costa (Na Ribeira da Poesia), Angélica Freitas (Um Útero é do Tamanho de um Punho), Cidinha da Silva (Os Nove Pentes D África) e Eda Nagayama (Desgarrados). A proposta é discutir sobre escritas que, a partir do território e da identidade, propagam memórias, sentimentos e insubmissões. O bate-papo será das 17h30 às 19h. Neste espaço haverá também conversas com Nega Duda, Timóteo Verá Tupã Popyguá, Islene Motta, Maria Mazarello e Luciana Bento. No FLI Paralelo cada atividade tem 30 vagas, sendo que a distribuição de ingressos será feita 1h antes do início de cada conversa.

Destacamos também mais uma conversa imperdível que vai rolar no 7° FLI: Ana Maria Gonçalves, autora de “Um Defeito de Cor”, Deborah Dornellas, responsável por “Por Cima do Mar”, Marcelino Freire, que escreveu “Contos Negreiros” e “Nossos Ossos”, e Deivid Domênico, um dos compositores do samba-enredo de 2019 da Mangueira, refletem sobre outras perspectivas de nossa história, outras versões de nosso passado e de quem somos em “Histórias que a história não conta ou o avesso do mesmo lugar”, com a mediação de Bianca Santana.

No sábado (8), às 15h, acontecerá o lançamento e sessão de autógrafos do livro “Onde está o Bóris?” (Editora Piraporiando), com a autora Janine Rodrigues.

Onde está o Boris? Muita preguiça, um dia de chuva, um gato curioso, e uma menina zureta das ideias. Samantha não imaginava a confusão que se meteria quando decidiu não fechar a janela de seu quarto. E Belinda se recusou a esperar. E você? Sabe onde está o Boris?

Durante os dois dias de Festival, o público encontrará no Ponto do Livro um espaço de troca de obras infantis e adultas, além de gibis. É uma oportunidade de renovar as bibliotecas pessoais sem custo algum. No sábado (8), das 10h às 23h30, basta levar um livro em bom estado e trocar por outro. A atividade acontecerá na Praça da Basílica.

No show que encerra a sétima edição do FLI, Nação Zumbi, um dos grupos mais influentes e respeitados na música brasileira, precursor do Mangue Beat, apresenta seus clássicos, como “Manguetown” e “Quando a Maré Encher”, além de versões de grandes sucessos que influenciaram e marcaram a banda, como “Maracatu Atômico”.

Como outra qualquer, Flotropi


Texto e foto de Valéria del Cueto

A bicharada não está acreditando na performance do novo boss do mundo animal da Flotropi.

É por que se a fauna botou no governo um mito que pensa que seu mandato se expande por outras gerações de sua estirpe, a flora e os representantes do mundo mineral já mandaram avisar que não têm diálogo com quem já disse que quer “explorar” a natureza. Que a bicharada se responsabilize por suas escolhas, mas não venham dar pitaco no quintal alheio.

E não foi sem tempo: o mito já decretou o arrasa quarteirão dos recursos naturais. Tudo a troco de uns caraminguás.

Verdade seja dita, muito foram contra a ascensão da prole unida, mas não souberam se fazer ouvir. Outros, lavaram as mãos, asas, patas e guelras. Deu no que está dado.

Um desastre em proporções quase que bíblicas. O advento de mais um sacode florestal. Essa bicharada, cá entre nós, não acerta uma.

A coisa anda séria lá pros lados da clareira. Tem pena, couro, escama e pele sobrando pra todo lado. Nas redes sociais os papagaios, caturrita e afins estão a ponto de cair dos galhos, de tão cansados do leva e traz.

O causo é que um dos mitos filho assumiu o papel e o (des)controle das comunicações reais trazendo insegurança, desavenças e ampliando o destempero que que acaba provocando o desemprego para os antigos responsáveis pelo setor e a certeza que agora não é tudo nem nada, restou apenas uma grande confusão.

O que, obviamente, levou ao maior índice de inconfiabilidade já registrado na comunidade da floresta. Quando abriram as cortinas do universo, nem a lua conseguiu cantar em verso sua história astral.

Não há espaço para premonições, profecias nem poesia. Tudo é credo, cruz e muitas vezes sobra até pra ela, a Ave Maria. Imagina o que passa na cabeça de todos os santos?

Resumindo, não há mais alegria.

É tempo de medo, delação e preconceito no reino animal. Tipo cobra comendo cobra.

É um tal de chamar urubu de meu louro, num período em que o me engana que eu gosto está valendo ouro.

Não é necessário dizer que esse espirito de porco generalizado que se espalha tão estridente e insuportável como o canto da araponga ultrapassou as fronteiras anunciando medidas radicais e inconsequentes do governante de plantão.

No seu entorno, diga-se de passagem, só a fina flor. As gralhas gritam, as hienas, entre risadas, afagam, dando o bote. As raposas seguem rodeando e fazendo de conta que quem manda é o rei, enquanto desmantelam a estrutura florestal.

Não está sobrando ninho sobre os galhos, toca nas árvores, no mato ou sobre a terra. Mas tem animal achando bom.

Ou melhor. Tinha. Para gáudio e satisfação dos caçadores, apesar de proibido nas leis do reino, o mandatário mor liberou as armas, criando um desequilíbrio de forças entre as espécies. Não satisfeito, reduziu as verbas para a educação florestal.

Para finalizar, enquanto seu guru cospe impropérios contra os militares do exército real, o chefão avisa que mandará para a instância superior judiciário florestal seu dobermann da segurança e contenção que anda um pouco chateado com a falta de atenção com seus planos contra a corrupção (ora pois) e segurança.

Isso tudo em uma semana como qualquer outra aqui na pacata Flotropi…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Espaço Vídeo e Cinema e TV Serra Azul fecham parceria para exibição de séries

Uma parceria entre a Espaço Vídeo e Cinema e a Fundação Cultural Serra Azul, gestora da TV Serra Azul e retransmissora da TV Futura na cidade de Porangatu, Norte de Goiás, abre espaço na grade de programação da emissora para exibição de conteúdo nacional.

A proposta de parceria entre as instituições partir da necessidade, por um lado, de se ampliar o conteúdo nacional da TV Serra Azul e, por outro, da importância das séries produzidas pela Espaço Vídeo e Cinema no contexto de retratar diferentes aspectos da cultura brasileira.

Para o diretor da Espaço e Vídeo, o cineasta José Jurandir da Costa, a abertura de canais de televisão no interior do país para a exibição de produções nacionais “abre a possibilidade para que uma grande quantidade de obras produzidas possa ser conhecida pelos mais diferentes públicos em diversas regiões do Brasil”.

O presidente do Conselho de Administração da Fundação Cultural Serra Azul, engenheiro Carlos Rosemberg, um dos responsáveis pela parceria, ressalta que a TV Serra Azul “busca se inserir no contexto do audiovisual brasileiro e que um dos objetivos é possibilitar a abertura da grade para mostrar a riqueza das produções nacionais”. Ainda de acordo com ele, “a parceria com a Espaço Vídeo e Cinema vai inserir em nossa programação quase cinco horas de conteúdo nacional, o que é de suma importância para a região onde estamos”.

De acordo com o cineasta, foram disponibilizadas três séries documentais. A primeira, “Imagens da Memória”, composta três temporadas e vinte e dois capítulos e com cerca de 04 horas de duração, resgata a importância das histórias de vida de pessoas isoladas em diversos territórios do país.

Outra série que será exibida pela TV Serra Azul é “Histórias mal contadas”, com vinte e cinco capítulos e com 1h52 minutos no total e que retrata a preservação da oralidade da música autoral e revela todo o processo de construção das músicas através do depoimento de cada compositor.

A terceira série é “Animando Amazônia”, com duas temporadas e um total de trinta e três episódios, projeto pioneiro de animação desenvolvida na Amazônia brasileira e na Bolívia, utilizando a técnica de Pixilation e que tem sua atenção ao meio ambiente e a importância da consciência ambiental.

A parceria, firmada em 2019, pretende ser ampliada ainda este ano, com a Espaço Vídeo e Cinema já tendo sido convidada pela TV Serra Azul a produzir documentários que retratem a cultura e as tradições artísticas da região norte de Goiás e a importância da preservação do Cerrado.

Minha relação com os bancos escolares e universitários

foto:Paulo Fonteles Filho

Por Ismael Machado

Minha relação com universidades é intensa. Tenho duas graduações, além de um mestrado e três especializações. Mas também deixei por concluir pelo menos dois cursos. Mas sempre considero meus anos mais importantes os que envolvem minha primeira passagem universitária, como estudante de Psicologia (esse é um dos cursos inconclusos). Foi o mais marcante. Entrei na Universidade Federal do Pará (UFPA) em 1986. O ano, por si só, já é emblemático. Foi um dos anos mais interessantes daquele efervescente rock nacional da década, com discos fundamentais no período (só para lembrar: Legião Urbana 2, Cabeça Dinossauro, Vivendo e Não Aprendendo, Pânico em SP, Mercenárias, O Concreto já Rachou e muitos etc).

É difícil explicar o que foram os anos 80 para quem não os viveu, mas não é à toa que ele se tornou tão mítico na memória nacional. Entrei na universidade e ali o nome universidade fez sentido. Conheci pessoas que marcaram minha vida, entre professores e colegas. Não demorou e entrei numa chapa de Centro Acadêmico, como diretor cultural. A chapa era a Ensaio Geral e tinha uma moçada da Convergência Socialista na cabeça, gente como o Serginho Darwich e a Miriam, por exemplo. Tinha o Marquinho, o Fernando, a Celina etc. E nós éramos o sanguinho novo, mesmo sem coloração partidária. Éramos eu, Mylena, Adelaide, Fran, Bia, a turma da psicologia.

Mas tinha tanta gente cheia de energia. Roger Paes, Valéria Nascimento, Vânia Torres, Luciana Medeiros, Lula, Tatá Ribeiro, Valter Sampaio, Tereza Lobato, Walcir Cardoso, Bel, Assis Lúcio,  Cris, Ilma, Fran, Valzete Sampaio…de cursos diversos, de origens variadas.

Esse foi o período em que, por exemplo, houve a luta pela meia passagem. Com passeatas e enfrentamentos com a polícia. O ano de 1987 foi marcante nisso. Era o período dos últimos momentos do Projeto Pixinguinha. Vimos shows de Cida Moreira, Vitor Ramil, Zizi Possi, entre tantos outros, ali na UFPA, preço super bacana. Organizamos festas, shows, exposições ao longo desses anos. Nos divertimos, namoramos, crescemos em meio a crises pessoais, geracionais etc. E tendo alguns professores que amávamos e outros que detestávamos (na psicologia quem não foi perseguido por Maiolino Miranda? hahaha- eu fui). Mas havia professores como Alice Moreira que nos levava para fins de semana em sítios onde fazíamos coisas ligadas a biodança, ioga etc. Ou professoras como Marilice, ídola de quase todos nós. Zé Carlos, Cacá, Olavo Galvão. Professores que estavam ali, acessíveis, trocando ideias, discutindo etc.

Em sala de aula lembro de discussões bacanas em aulas de Filosofia, Antropologia Cultural (com a Carmen…que morava em São Braz e abria o apartamento para aqueles meninos e meninas irem ouvir música, conversar, discutir, namorar). Tenho sempre a imagem antiga de Mylena dançando ao som de Bolero, de Ravel, como uma das mais emblemáticas da década para mim.

O pôr do sol na beira do rio se misturava a bater cabeça para tentar compreender os textos em original de Descartes, por exemplo. Ou de Malinovski, ou de Vigotsky.

Quando vejo nos dias atuais esse ataque claro ao que representa a universidade, ao que representa o saber vivido e vívido, tenho nojo e pena. Nojo de quem está produzindo esse desserviço ao futuro do país e pena do país que está sendo comandado por alguém tão perverso, mas que representa milhões de pessoas tão perversas quanto.

Li hoje cedo que, por conta de fanatismos religiosos que são contra a ciência, algumas doenças extintas no país estão voltando com força total. Sangramos por dentro com tanta loucura sendo produzida em tão pouco tempo.

Volto minha lembrança para os anos de 1982 a 1984. Nesses três anos fiz o meu ensino médio em um colégio chamado Avertano Rocha. Foi ali que graças a um professor chamado Everaldo (homossexual, diga-se de passagem), ouvi falar a primeira vez de um dramaturgo e escritor chamado Antônio  Bivar. E foi graças a uma indicação dele que pela primeira vez pus os pés no teatro Waldemar Henrique, para assistir a peça Alzira Power, com Salustiano Vilhena e Henrique da Paz. E olha só, a peça era de Bivar. E minha vida mudou. Fiquei próximo de Salustiano, conhecido como Saluzinho, filho de um representante militar na Vila Sorriso, o Salu, chefe dos escoteiros. E Saluzinho afrotando a tudo isso, com sua verve e postura gay, a nos encher de referências como André Gide e Jean Genet, falando com brilho nos olhos de uma montagem da peça o Balcão, vista por ele lá no auge da ditadura.

Professores e Professoras que trouxeram referências literárias, artísticas, culturais etc que nunca esqueci. Que me indicaram livros para ler, filmes para ver (muito obrigado Everaldo por me falar do filme Blade Runner que estava em cartaz), músicas para ouvir. Que me fizeram perceber que sentar em um banco escolar (seja no ensino médio ou na universidade) é muito mais do que aprender a fazer conta, ler e escrever, como prega esse desvairado que chamam de mito.

Perdi a conta de quantos livros li na vida, de quantos discos ouvi, filmes que assisti, exposições e peças que vi. Volto minhas lembranças para o grupo cultural que criamos na universidade, o Vevecos, Panelas e Canelas, para a banda de rock que montei, para a peça teatral que ajudei a montar (o cego ouvido mudo), para as festas que eu e Roger Paes planejamos juntos, para as viagens feitas (coisas como ir de bicicleta até o Marajó, com Adelaide e Mylena como companheiras de aventura), para as reuniões na casa de Walcyr, com aquela coleção maravilhosa de discos de vinil.

Quando os nossos primeiros filhos começaram a nascer, tentamos, cada um de nós, dar a eles e elas uma possibilidade de mundo diferente. Mais solidário, mais comunitário e mais humano.

Muitos deles estão aí e nos dão orgulho pelas pessoas que se tornaram. Estão espalhados no mundo e atendem por nomes como Lui, Manuela, Ian, Dhavid, Tiê, Aruan, Gabriel, Sofia, Luana, Rafael, tantos…

Há um futuro sendo destruído hoje. Lembro do passado para tentar evitar que isso não ocorra.

Educação não é para aprisionar. É para libertar.

Saiu pra comprar cigarros…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saiu pra comprar cigarros. Se a ideia era não voltar, eu não sei. Só sei que voltou. Mas voltou sem cigarros e com o olhar abismado que nunca havia visto antes. Ela entrou na casa com aquele olhar, sem cigarros, e caminhou até o escritório.

No instante seguinte, pegou alguns papéis e uma caneta e começou a escrever. Parada diante dela, pensando se perguntava sobre o que fazer para o almoço, ela me pediu que saísse e fechasse a porta por fora. Foi o que fiz. Decidi que teríamos frango ensopado com polenta.”

Assim começa o livro “Saiu pra comprar cigarros”, coletânea com 13 contos, que poderiam ser chamados de experimentações pelas brincadeiras com os elementos narrativos de ficção. Como, por exemplo, no conto “– Você sabe por que está aqui?” que é escrito (desde o título) todo em diálogo, sem descrições de quem são os dois personagens, nem de onde eles estão. Através do diálogo, vamos entendendo o conflito e descobrindo por que eles estão ali.

Já o conto “À porta” poderia ser chamado de “monólogo à porta”, pois se trata de uma conversa íntima da personagem com ela mesma enquanto espera a hora de tocar a campainha para um encontro marcado. O conto “O interruptor” é uma experiência de histórias paralelas e cruzadas entre os personagens, com a diagramação também paralela: duas histórias na mesma página.

Outra das narrativas é em forma de um roteiro para rádio: um podcast, também com os ouvintes falando à locutora e com uma trama comum entre todos eles. “O buquê”, “Quatro noites e muitas outras” e “O Mito dos Zauês” contam histórias cujas protagonistas são mulheres que ultrapassam limites de padrões convencionais e surpreendem em suas ações. Estas histórias são narradas com jogos temporais de escrita. O jogo entre tempo e espaço também está presente no conto breve “Vida em branco”. Duas das narrativas são voltadas para finais de relacionamentos: “Incompatibilidade” e “Débito e crédito” e, assim como a trama, as histórias são sínteses: curtas e que resumem uma história maior que não precisou ser contada.

“O autor” é uma história de humor que brinca justamente com a condição de autor como autoridade sobre o que escreve.

E, por fim, “André liberto” e “Aquilo que só criança vê” dão um tom mais suave à coletânea, pois são histórias de crianças descobrindo coisas que ainda não conhecem.

Mesmo que as histórias tenham personagens e conflitos totalmente diferentes, todas elas têm em comum a delicadeza do olhar e a visão sobre coisas jamais “vistas” (ou pensadas) por aqueles personagens; o momento da percepção de algo e a reação a esta percepção. Reação que talvez fuja do pre-visível – tanto do personagem quanto do leitor.

A aurora sintetiza o livro como a reunião de 13 contos em que os personagens, muito diferentes uns dos outros, acabam pegando desvios inusitados e embarcando em mundos e tempos bem diferentes daqueles previstos em seus cotidianos. Diante de seus erros e acertos, nós, leitores, vamos pensando a vida de outros modos, sob outros pontos de vista. Junto com esses personagens, tomamos nossos próprios desvios e seguimos caminhos outros, abertos por detalhes novos, sentimentos simples, transitoriedades da vida.

“Saiu pra comprar cigarros” está disponível em: https://www.clubedeautores.com.br/ptbr/book/269627–

Você pode seguir a autora seguir no Facebook em https://www.facebook.com/ficcionarius/

ou pelo email: naramarqs@hotmail.com

Fé no axé, solidariedade e samba

Texto, fotos e vídeos de Valéria del Cueto

Na entrega da Medalha Pedro Ernesto para Evelyn Bastos, a casa do povo recebeu o povo. Preto. Para reconhecer o valor e o trabalho de uma rainha da favela. E da Bateria da Mangueira.

Não, não foi esse honroso título mangueirense que levou a menina das vielas a ser homenageada por uma iniciativa do vereador Leonel Brizola Neto.

Foi o conjunto da obra de uma mulher que, para poder estudar, conseguiu uma bolsa de estudos num colégio em Cascadura e com a ajuda do “Senhor Álvaro”, como ela chama Alvinho, ex-presidente da verde e rosa, que bancou seu transporte e os livros, se formou em Educação Física. Um exemplo a ser seguido.

No samba, é o que é. Uma passista de primeira. Filha de Valéria Bastos, Rainha de Bateria da Mangueira de 1987 a 1989, sempre disse que chegaria lá. Assumiu o posto quando, num resgate as tradições da escola, uma menina da comunidade voltou a desfilar na frente da bateria. Tinha 19 anos.

Em 2015 criou o projeto Samba, Amor e Caridade, o SAC. Alimentos e roupas são recolhidos na quadra, o Palácio do Samba, e distribuídos para os moradores de ruas da cidade. No início eram poucos. Hoje…

Na Mangueira cuida, ensina e incentiva as meninas que sonham em, como ela, serem passistas. A exigência é que estudem, para crescerem na vida.

Juntou a fome com a vontade de comer, no quesito combate a intolerância, ao se inserir de corpo (e que corpo) e alma no enredo “Histórias pra ninar gente grande”, do carnavalesco Leandro Vieira, que deu a Mangueira o campeonato do carnaval 2019. Representou Anastácia no ensaio técnico. No desfile oficial Esmeralda Garcia, escrava considerada a primeira advogada no Piauí.

Evelyn é do bem e “colocada”, como mostrou em seu pronunciamento que, fez questão, fosse da tribuna Marielle Franco. “Para falar do povo preto e favelado”. Estendeu a homenagem acrescentando 100 moções de louvor e reconhecimento a mangueirenses e personalidades.

A cerimônia foi emocionante. A começar pela interpretação de Cacá Nascimento, a capela, do Hino Nacional. Das galerias, a bateria deu o ritmo para o samba enredo campeão de 2019. Totalmente pertinente no contexto da homenagem.

As autoridades presentes e convidados fizeram pronunciamentos intercalados de vídeos. Um deles mostrava um elemento de ligação entre o sonho e a realidade do carnaval carioca. Foi com Leonel Brizola falando o que imaginava para o espaço recém construído do Sambódromo que em 2019 completou 35 anos. A palavra-chave era educação.

Evelyn, muito emocionada, em sua fala “fechou” o círculo. Religiosidade, o orgulho de seu povo preto, afeto, apoio, educação, crescimento e, principalmente, solidariedade. O poder de retribuir e ampliar a rede de proteção de sua “favela”.

Claro que não poderia faltar, para finalizar a homenagem, o giro das baianas e a saudação de representantes de segmentos tradicionais da escola ao som da bateria da Mangueira, comandada por outro “cria”, Mestre Wesley.

Num momento em que o axé da cidade e dos cariocas andam tão abalados pelos últimos acontecimentos, a reunião de da comunidade verde e rosa no Palácio Pedro Ernesto, antiga sede do Senado Federal, quando o Rio era a capital da república, foi um foco de resistência amorosa gerando uma sinergia positiva, união e sintonia do bem.

Exemplo e caminho que indicam as forças que precisamos comungar urgentemente para reencontrarmos a capacidade de nos reerguermos e reinventarmos. E como andamos precisando desses elementos catalizadores…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com