Está pedreira na clareira

Texto e foto de Valéria del Cueto

Lembra da Flotropi, aquela que já foi governada por uma anta, um morcego vampiresco e, agora, está sob os auspícios do mico que pensa ser mito? A que anda fora do foco dos relatos pela dificuldade de explicar a bagunça institucionalizada que anda por aqui. Faz tempo que não há um momento de tranquilidade.

Nem no reino vegetal, nem no mineral. O que dirá no animal… A clareira central e toda a periferia andam um pandemônio. Os MIs estão fazendo uma tremenda agitação.

A bicharada baseada no mais primitivo instinto, o da sobrevivência, se entoca. Enquanto o mico mito, a família miquilenta, os ministros amestrados, incluindo uma penca de gorilas, os seguidores bovinos (coitados) e a miquilicia, insistem que não há motivo de alarme. Ordenando que a vida a caminho da morte premeditada seja retomada nor-mal-men-te.

Como se não bastasse a praga do vírus na floresta tem também a praga da desinformação sendo utilizada de forma maldosa e criminosa, segundo os códigos de sobrevivência na selva, para confundir e amedrontar os animais.

É claro que a maioria das espécies não segue o aboio. Afinal, nem todos os animais têm por instinto andarem no passo do flautista, emprenhados por marchas requentadas. A qualidade musical já derruba a possibilidade. Nem os ratos aguentam. Só surdos.

A pressão é grande e, diante da falta de um comando consciente e preocupado com o coletivo florestal, diversas espécies deixaram o mico esbravejando sozinho e foram cuidar de garantir a sobrevivência (a duras penas, escamas, couros e cascos) do equilíbrio ambiental. A sabedoria da mata ensina a recolher o flap durante as tempestades.

Fazer o que? Quando se conclui que a família é mais importante e que o mundo animal é o que menos importa para quem foi escolhido para cuidar da floresta inteira…

Não, não é tagarelice, papagaiada, nem leva e traz da pombarada. Os incrédulos habitantes da Flotropi foram surpreendidos pela íntegra da reunião do conselho na clareira central. Nela, as piores intenções do gabinete florestal foram expostas sem pudor.

Quem esperava uma ajuda pra tocar seus empreendimentos, caso das formigas e de espécies como as abelhas, por exemplo, já tirou o cavalinho da chuva. Ouviu da hiena financeira que o dindin é só para adimplentes. Na Flotropi castigada. A que amarga os prejuízos de crises e ataques sucessivos.

Foi no encontro dos “notáveis”, dito pelo encarregado da proteção do meio ambiente, que souberam que havia uma boiada passando pelo Diário Oficial da Flotropi. Só falta a cabra chifruda decretar o correntão como instrumento de utilidade pública!

Também teve a fala da araponga beata, a que viu o ser supremo passeando de cipó. Avisava que vai dar um “teje preso” nos líderes da fauna que agirem contra o contágio eminente, acredite!

A araponga abriu MESMO o bico diante da hipótese de transformar a floresta num parque temático. Com direito a jogatina monetizada e vuco-vuco. À possibilidade da criação do parque ela não se alterou. Mas, diante da liberação do jogo, saiu dando bicadas na cabeça do predador do turismo.

Não terminam aí as surpresas desagradáveis do conselho. O javaporco do saber aproveitou a deixa pedindo a prisão da cúpula da Suprema Corte da Floresta e ainda declarou que, para ele, os bichos eram todos iguais! Da terra, do mar e do ar. Oi?

Pensa que os demais conselheiros se abalaram? Nem o mico, nem os gorilas. Ouviram com cara de paisagem as tolices e sandices proferidas no conselho florestal, entre guinchados esbravejantes pedindo proteção para os miquinhos trapalhões peraltas e outras ilações.

Tanto cutucou, incomodou e destratou o corvo da justiça que, para não distribuir bicadas e evitar perder a linha, esse chutou o poleiro e bateu asas, se retirando do encontro. Dias depois, ao cantar como uma cotovia, foi a ave que expôs as entranhas da reunião da maldade.

Claro que o mico e seu conselho macacal ainda estão dando as cartas. Mas, agora, além dos coiotes e hienas com o apoio de cobras e baratas para (des) governar. Aquelas que sobrevivem na face da terra desde os primórdios. Sem essa aliança não teriam mais forças para manter o território.

Por se saberem num mato sem cachorro, em que nem a onça está conseguindo ir beber água em paz, os animais passaram a se organizar por conta própria garantindo, na medida do possível, a sobrevivência das espécies.

70 por cento dos habitantes já entenderam que a Flotropi não pode ficar à mercê de guincharia e macaquices enquanto seu patrimônio ambiental, sua maior riqueza, é dilapidado e depredado.

Mas, e aí? Está pedreira na clareira…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

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