Carioquice olímpica

Texto e foto de Valéria del Cueto

“Zabumbar no fio da navalha é a nossa saída mais potente… a gente não faz festa porque a vida é fácil. A gente faz festa exatamente pela razão contrária.” A reflexão do historiador Luiz Antônio Simas, co autor do “Dicionário da História Social do Samba”, em parceria com Nei Lopes que, no jornal O Dia,  assina coluna semanal sobre a cultura das ruas cariocas, explica a extensão da alegria vigente por aqui nos últimos dias.

A cidade, nem sempre bem-humorada diante dos acontecimentos recentes, se rendeu a seu próprio charme, assumiu suas mazelas e faz o que pode: depois de uma largada espetacular e alto astral vai arrumando os problemas que surgem. Alguns bem conhecidos e comuns para seus moradores. Tudo isso, fazendo festa! Esta é a sensação que qualquer pessoa tem, ao andar pelos locais preparados para circuito olímpico.

Depois da abertura com aquele fim de semana clássico de Cidade Maravilhosa, nem Deus poderia manter o clima firme e limpo em pleno agosto. Aquele, o mês do cachorro louco. Ventanias provocaram o adiamento de provas e transtornos gerais. Os de trânsito acontecem a toda hora… Nem o incrível tom esverdeado da piscina de treinamento do Parque Aquático provocado, dizem os entendidos por algas está sendo deixado para trás.

No mais, é festa. Nos complexos esportivos, em Copacabana e no recém inaugurado Boulevard Olímpico, na região do Porto Maravilha. Local onde a estrela maior é a pira Olímpica. O auge da agitação foi no primeiro dia de desfile de uma escola de samba no local, a Paraíso de Tuiuti. Ela se encontrou com o bloco carnavalesco Escravos da Mauá. O evento se repetiria com as escolas do grupo especial e os principais blocos da cidade, mas a organização achou por bem transferir o carnaval improvisado para o Parque Madureira, diante a impossibilidade de garantir a segurança da multidão.

Foi ali na Casa Brasil, no Armazém 2, que Mato Grosso fez ontem sua apresentação turística, junto com o estado irmão, Mato Grosso do Sul. Mostraram a comida pantaneira, danças típicas e sua cultura. Hoje, índios Parecis estão no Rio Media Center, que reúne jornalistas de todo o mundo para os Jogos 2016, divulgando o roteiro do etnoturismo em Mato Grosso que percorre as aldeias da Rota Parecis. O luthier de violas de cocho, Alcides Ribeiro, dá aula sobre a produção do  instrumento típico da cultura pantaneira, embalado pelo Siriri e do Cururu do Flor Ribeirinha.

Além dos mega espaços dos patrocinadores, o Rio está bombando. Especialmente as casas dos países participantes dos Jogos espalhadas pela Zona Sul, Centro e a Barra da Tijuca. São muitas. Algumas definitivamente concorridas e cheias de atrações, como a do Qatar, sede da Copa de Futebol de 2022. A riqueza e as atrações do país são apresentadas com a utilização de recursos tecnológicos de última geração e a reprodução de um mercado árabe. Como resistir a tantos atrativos?

25 das 52 casas são públicas e com livre acesso. Poucas cobram ingressos. 27 só permitem a entrada de convidados e cidadãos do país. Caso da Casa da Rússia, no Clube Marimbás, em Copacabana. Lá está o protótipo do SportJet, avião da Sukhoi Civil Aircraft Corp de 60 lugares para  equipes e delegações esportivas. Com soluções para descansar, recuperar e relaxar atletas no ar, inclui equipamentos fisioterápicos, poltronas  que monitoram informações biométricas e áreas de reunião para análise de jogos e competições e equipe administrativa. A empresa  planeja seu primeiro jato para o início da temporada de 2017-2018 e está em negociações com federações e times interessados.

DJs, Vjs, comidas típicas e atrações variadas animam a maioria dos ambientes dos países presentes. É muita programação. Tanta que, em alguns momentos, é preciso lembrar o motivo principal de toda a movimentação, as competições esportivas mais importantes do planeta!

E os cariocas? Junto com os visitantes torcem, deliram e fazem a festa…

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Arpoador” do Sem Fim…

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