De nada

Arpoador 151216 013.jpg parede sombra correndoTexto e foto de Valéria del Cueto

Seria só um título se não fosse a expressão que moverá a roda em 2016.
“De nada”, aquele procede a um “muito obrigado”.
A gentileza gerada pela gentileza, num mundo onde a norma vigente é a pancadaria, o revide.
Em tempos de toma lá, dá cá, como tentar praticar a leveza para ser livre, solto?
Só com muita delicadeza.
Um exercício permanente e infindável de olhar além da realidade nua, crua e, por conseguinte, violenta, cruel!
Não é para qualquer um, nem em qualquer lugar.
Depende de equilíbrio, força de vontade e uma grande dose de malemolência, aquela arte de rodar um bambolê do carinho, sem deixar o arco da paciência cair, nem mesmo diante das maiores e constantes provocações.
Isso é estar em sintonia branda com o mundo.
Saber levar na esportiva, conseguir rir dos percalços e sacudir a dureza das ideias preconcebidas e tolhedoras da criatividade, empecilhos para novas descobertas e outros conhecimentos humanos e sensoriais.
Não é tarefa fácil. Exige paciência.
Que se considere apenas um teste a mais os tropeços e desvios das metas previamente traçadas. Há que ter planejamento! Nem que seja para ter o que desconstruir quando a tendência for apocalíptica ou diluviana.
É tempo de não haver um quase amanhã. Para que possamos renascer….
Seja na caridade do menino Jesus (e seu nascimento simbólico) ou na contagem gregoriana de mais um ano que começa.
E aí, voltamos ao início. Ao “de nada” que nunca vem só. Quando acontece é a resposta a uma reação provocada por uma ação inicial.
Só quem doa ou se doa para ter direito a um “de nada”.
Esse é o jogo do futuro próximo. Cultivar gentilezas, produzir delicadezas para suportar a onda que se forma no horizonte.
Um “de nada” aumenta o fôlego para a hora em for necessário submergir, mergulhar em direção ao futuro. Seja ele qual for. Tomara que o melhor.
Esse é só um desejo de quem passa pela vida tentando cultivar pequenos e inocentes jardins de consciência. Espalhados ao longo de muitos caminhos ligados por infindáveis encruzilhadas. E, nelas, uma sucessão de encontros e alguns – poucos – desencontros.
É hora de começar tudo de novo, ou seguir em frente, de acordo com os desejos de cada um, nessa (res)pirada de 2015 para 2016.
Tudo que posso e desejo a vocês, leitores e amigos, é que sejam muitos os “de nada” que virão nessa longa, trabalhosa e, espero que valorosa, jornada.
Obrigado por ter, mais uma vez, a sua atenção, carinho e companhia nessa, que pode ser a nossa virada.

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Arpoador” do Sem Fim…

Daí, o que você acha disso ?