Da Coluna do Nelson

Nelson Townes de Castro, jornalista premiado, falecido em 2011,  escrevia com a ajuda de um colaborador anônimo a “Coluna do Nelson”no jornal Estadão do Norte, de Porto Velho (RO) . Veja um trechinho de uma destas:

Pérolas comerciais
Mais algumas “pérolas” de comerciais de TV veiculados em Porto Velho. Num deles lê-se que determinado produto tem “autíssima qualidade”. Com “u”. Outra divulga o endereço de uma “funeilaria”. Faz sentido. Deve ser cruzamento de funerária com funilaria. Conserta o carro acidentado e enterra a vítima.

Barbaridades
Um carro anuncia “Mestiço Brasil brevimente”. Com “i”. Pior mesmo é ver aqueles monótonos, sem criatividade, sempre iguais, péssimos comerciais de supermercados anunciando que está em promoção o “leite condençado”. Com “ç”. E a gente na sala pedindo desculpas às visitas e mudando de canal. Com o risco de ver barbaridades maiores ainda.

Colorido
Mas, quem disser que a publicidade na TV não melhorou em Porto Velho nos últimos 20 anos esquece-se do tempo em que a televisão mostrava anúncios que só aqui poderiam aparecer nos intervalos da novela das 8. Bem na hora do jantar, você à mesa com a família, comendo e vendo o comercial de uma firma limpa-fossas mostrando cocô a cores.

Pitoresco
A história da publicidade em Rondônia tem histórias pitorescas. No início da década de 70, a Funerária Raposo, que ficava na av. Presidente Dutra, centro, contratou o então Padre Vitor Hugo, fundador e diretor da rádio Caiari, para participar de um comercial pela emissora. O anúncio transformou Vitor Hugo no primeiro garoto propaganda daqui.

Eficaz
O anúncio começava com uma música sinistra e a voz rouca do Padre Vitor Hugo falando num tom cavernoso autoritário: “Da morte ninguém escapa!” Em seguida ouvia-se um locutor (salvo engano o Osmar Vilhena) num tom jovial, alegre, falando da qualidade e dos ótimos preços dos caixões da Funerária Raposo, “bem ao lado da Panificadora Raposo”.

Sem papas na língua
Nelson também era conhecido por ser um gentleman, apesar de não ter papas na língua. Certa ocasião, mandou um repórter e editor de um site da cidade às favas . ” Os seus grunhidos parecerem vindos de um porco branco “, pois o aludido repórter vocifera “com o focinho enterrado enterrado na lama” – escreveu Nelson. E o porcalhão balançou seu rabinho torto e se enfiou de vez no lama e no pó.  Onde parece continuar até hoje.

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Daí, o que você acha disso ?