Acelera Tijuca. Airton Sena vence mais uma!

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Campeonato bom é aquele em que tudo pode acontecer… na apuração. Especular é de lei. Fazer alguém mudar seu palpite é difícil. Esses posicionamentos apaixonados e dificilmente isentos, discutidos em cada esquina no intervalo entre o final do desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro e o resultado da apuração, são sensações e percepções individuais sublimadas ou soterradas na quarta feira de cinzas.

O Império da Tijuca pulsou em ritmo de Batuk para tentar permanecer no Grupo Especial. O público gostou. Já os jurados… A São Clemente trouxe o cotidiano do morro para a avenida com o enredo “Favela”. Simpática e solta garantiu a permanência na elite do carnaval.

A Grande Rio, com direito a homem bala voando de um canhão (lembra do homem foguete de Joãozinho 30 que voava pela avenida?), abriu os olhos verdes de Maysa sobre Maricá. O desfile fluiu recheado  de bichinhos darwinianos simpáticos e atrizes globais.

A verde e duas vezes rosa (da Mangueira e de sua carnavalesca, Rosa Magalhães), trocou o nome de sua bateria mas não perdeu o gosto por novidades. Mestre Aílton regia a “orquestra” enquanto uma grua elevava sobre os ritmistas o bailado da rainha de bateria, Evelyn Bastos. Esse ano também havia uma torre no meio do caminho. Dessa vez, da cabeça do cacique de um dos carros alegóricos.

Renato e Márcia Lage, carnavalescos do Salgueiro, arriscaram novamente usando uma paleta de cores em tons de terra com detalhes em vermelho para aquecer “Gaia” e deixar o alerta: “a vida em nossas mãos”. Símbolo da destruição do planeta, motosserras eram empunhadas como alegorias de mão. A ala seguinte representava o mundo destruído. A mensagem se espalha…

Comissão de frente se apresentando paralelamente ao  mestre sala e a porta bandeira, como aconteceu na Beija Flor, acabou confundindo. Como analisar as duas performances ao mesmo tempo? Ainda mais quando se trata do bailado primoroso de Selmynha Sorriso e Claudinho. No mais, foi Boni.

Com o samba ecoando nas arquibancadas, a Mocidade abriu a segunda feira surpreendendo cheia de gás para (i)reverenciar Fernando Pinto. O público topou a parada. A Pernambucópolis de Paulo Menezes temperou samba com baião. E deu liga.

A caixinha de música da comissão de frente da União da Ilha, com a bailarina e o soldadinho de chumbo que oscilavam sobre o público, abriu a tampa do baú dos brinquedos e brincadeiras de infância. Pipas e a amarelinha para os mais antigos, transformers para os mais novinhos. Gira peão…

Vila Isabel, campeã de 2013, trouxe para a Sapucaí um resultado final que refletia os problemas enfrentados pela escola: faltavam elementos das fantasias que não foram entregues a tempo. A dignidade dos componentes segurou a passagem da escola do bairro de Noel Rosa.

Mengooooo o mantra ecoava acima do samba da Imperatriz Leopoldinense. Zico simboliza, com os jogadores de diversos times que participaram homenagem, um tempo áureo do futebol brasileiro. Ali não havia adversários, apenas cavaleiros de uma imensa Távola Redonda que reverenciavam seu rei boa praça: Arthur X, o Galinho!

Se uma andorinha não faz verão, a Portela resolveu não correr riscos. Botou na pista 21 águias, representando seus títulos. Alexandre Louzada, o carnavalesco, mostrou em seu trabalho porque voltou ao ninho onde começou sua carreira há 30 anos, quando o sambódromo foi inaugurado. Tradicionais, os  portelenses inovaram com uma águia/drone na avenida.

A Tijuca acelerou com Airton Sena apresentando personagens da Corrida Maluca, alguns truques novos e outros já consagrados. Tudo com a assinatura de Paulo Barros e a apresentação impecável da comunidade do Borel. Deu no que deu. Levou a bandeirada… É campeã!

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