Você gosta de conselhos?

Por Erika de Souza Bueno

Alguém fica sabendo que você está à procura de um novo emprego e, muito calmamente, se aproxima e o aconselha a desistir, pois, afinal, a vida não está fácil para ninguém. Outra pessoa percebe que você está em busca de uma dieta e exercícios físicos para, finalmente, conseguir a tão almejada redução de seu peso. Não disposta a correr o risco de se embaraçar em fofocas, diz que quando um “passarinho” contou sobre suas intenções naturais, ela quase não acreditou, pois, de acordo com o que pensa, você não precisa emagrecer nem ao menos um quilo.

Um colega na sala dos professores percebe que você está demasiadamente cansado, pois seus alunos estão cada dia mais desordeiros e desmotivados para o estudo. Querendo demonstrar preocupação, aborda você com algumas ideias de como vencer os desafios de ministrar aulas diante de uma sala com grandes dificuldades de organização. Esse colega, entretanto, é interrompido por outros que defendem firmemente que você deve seguir suas aulas sem se preocupar se há ou não alunos (normalmente os mais indisciplinados) aprendendo. Está indo tudo muito bem até que você se dá conta de que não perguntou a opinião de nenhum deles e, por isso, fecha-se a qualquer opinião que não faça coro ao que você acredita.

Seu filho chega em casa muito tarde e, quando você menos espera, já há várias pessoas interessadas em apurar os fatos e, assim, elaborar uma lista de ações que podem ser tomadas por você diante de um quadro tão delicado como esse. Bom, paciência, vivemos em sociedade e conhecemos bem a importância de mantermos a calma nesses momentos.

Assim, vamos seguindo e não deixamos transparecer bruscamente o que de fato pensamos, principalmente quando vemos nossos assuntos ser abordados por uma pessoa sem a devida permissão. Não é agir com falsidade, mas sim com a educação de uma pessoa que sabe ouvir e definir os limites que cada fala terá em sua própria vida.

Se alguém se fere facilmente com o que ouve, um bom conselho (se você o aceitar) é exercitar um pouco mais suas habilidades de convivência e entender que é comum as pessoas, muitas bem-intencionadas, desejarem transmitir um pouco de suas vivências. Isso é louvável, é humano e, certamente, as experiências de outras pessoas permitirão que nosso horizonte seja um pouco mais ampliado.

Se vamos ou não utilizar naquele momento os conselhos gentilmente concedidos a nós, isso poderá ser definido posteriormente, mas ouvir educadamente o que outro tem a dizer é uma atitude adequada à boa convivência. Além disso, quem sempre diz que se “conselho fosse bom não seria dado, mas vendido” desconhece a riqueza que há nas coisas sem preço dessa vida, tais como o amor ao próximo, a paz e a esperança. Esses, apenas para se ter ideia, são aspectos gratuitos que, com um bom conselho, podem ser conquistados por nós.

Daí, o que você acha disso ?