Guajará via 4 de Janeiro

Por  José Danilo Rangel

1.

Se depois de um tempo com os sentidos

afastados do que a eles se fez hábito mostrar,

expomos olhos e ouvidos e pele e nariz e boca

aos estímulos que eram os do costume,

não acontece de tudo no entorno,

parecer outro, ou novo, acontece, contudo,

de se constatar, imediatamente,

um tanto de novidade e diferença

recobrindo ou descobrindo

as coisas, as pessoas, os ares…

Um pouco do que a distância efetua na visão

nos faz ver mudança até onde não há,

desconhecer o que é conhecido,

o que não é de todo ruim, ou triste;

é para se pensar… Geralmente,

apenas quando desgrudamos

os olhos da coisa observada

é que podemos reparar na mudança.

Pudéssemos acompanhar

o grande rol de minúsculas transformações

que acabam por tirar a borboleta da lagarta,

como podemos acompanhar

em diversos e incontáveis casos

o cada passo do andar de uma a outra forma,

talvez achássemos que uma era a outra coisa,

percebendo, portanto, nas duas, a mesma coisa,

adivinhando, na borboleta, a lagarta,

e no íntimo da lagarta, a borboleta.

Vendo, contudo, ora a lagarta, ora a borboleta,

é mais fácil considerar que são dois entes,

e se a consideração não desponta,

é mais fácil que se enseje a sensação

da diferença, mas não das sutilezas

amontoando-se entre um e outro,

plim

: isso é aquilo?

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