Estupro Sentimental (via Entre Todas as Coisas)

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Dessa vez não tinha eco no banheiro. Não tinha melodia e a boa acústica das paredes não ritmava com a água caindo. Ela sentia um choro baixinho enquanto tentava lavar as marcas dos seios. Enojada. Completamente descrente da qualidade dos homens que a tocaram – e a despiram à força. Entraram em atrito com a pele dela – com as mãos nas coxas e nas panturrilhas. Homens desconhecidos, atribuídos de uma força que só os do signo de marte conseguem ter. Combateram as resistências dela e arrancaram a inocência voluntária que uma mulher tem ao se entregar. Violaram cada mínima parte do corpo dela – porque abusaram da alma. Usaram, jogaram e foram embora. Sem telefonema nos dias seguintes.

Ela fecha o chuveiro e apaga o gás. Evita a cama e o próprio corpo. Ainda se sente suja por se deixar levar a isso. Sente que a culpa foi sua por ter deixado que fizessem isso com ela mais uma vez. Não reagiu. Se manteve imóvel enquanto gritava por dentro. Arrebentava os tímpanos imaginários deles, cravava unhas em sua própria defesa.

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