Não temas, porque eu sou ( via O Blog do Andrew)

Por 

SE DOR A MAIS FORTE SOFRER,

OH, SEJA O QUE FOR, TU ME FAZES SABER

QUE FELIZ COM JESUS SEMPRE SOU!

Horatio Gates Spafford (1828-1888) foi um advogado renomado nos Estados Unidos. Era sócio de um dos maiores escritórios de advocacia do pais. Era também, junto com a esposa, Anna, um amigo querido do grande evangelista britânico D.L. Moody. Sua vida, porém, foi marcada por uma série de tragédias. Em 1870, perdeu seu único filho homem. O menino tinha apenas quatro anos de idade quando foi levada por uma escarlatina. Três anos mais tarde, Spafford decidiu passar um período de férias na Inglaterra com sua esposa e quatro filhas. Uma das razões da viagem era justamente para visitar Moody. Sua família foi na frente, enquanto Spafford ficou para trás por conta do seu trabalho. No meio da viagem, o navio sofreu um acidente e naufragou. Duzentos e vinte seis passageiros morreram, inclusive as quatro filhas de Spafford: Annie, com onze anos, Margaret Lee, nove anos, Bessie, cinco, e Tanetta, de apenas dois anos. Sua esposa sobreviveu e lhe enviou um telegrama: “Fui salva sozinha…”. Spafford fez a viagem para encontrar a esposa. Em meio à travessia, ao passar pelo local onde teriam afogado as suas quatro filhas, Horatio escreveu a letra do hino citado no início do texto.

Sou feliz com Jesus, meu Senhor.

Toda vez que ouço essa música, lembro dessa história e tento me colocar no lugar daquele pai naquele navio passando pelo local onde suas filhas foram levadas pelo Senhor. Será que eu seria capaz de escrever um hino assim? Será que eu sequer seria capaz de pronunciar essas palavras? Feliz? Mas, como? Como é que alguém consegue ser feliz em tais circunstâncias? A resposta está na terceira e quarta linha do primeiro verso.

OH, SEJA O QUE FOR, TU ME FAZES SABER

QUE FELIZ COM JESUS SEMPRE SOU!

Não importa o que aconteça, ele nos faz saber. Recordando do último texto (Pare de lutar), no versículo chave está o segredo: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus…” (Sl 46.10a). Junto com este, uma série de outros textos têm me chamado a atenção para esta mesma noção.

Em 2 Pedro 1, temos uma pequena descrição da prática progressiva das graças cristãs e seus resultados, ou, o crescimento espiritual como confirmação da eleição. O interessante desse trecho é que há uma cadência de práticas e, a partir de uma, a próxima é acrescentada. No v.3 temos a primeira delas, sobre a qual o resto é construído.

Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade,pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude;

Ou seja, o fundamento do nosso crescimento espiritual e “desenvolvimento da salvação” é o conhecimento de Deus, de Cristo e do Espírito Santo.

Em Jeremias 9.23-24, temos ainda o seguinte:

Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, mas o que se gloriar,glorie-se nisto: em me entender e me conhecerque eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.

Mais uma vez, o motivo da nossa glória, da nossa esperança, está em entender e conhecer que Ele é o Senhor. Afinal, é somente nessa verdade que temos a vida eterna (Jo 17.3).

E então… dá para entender a importância do “saber que eu sou Deus”. Voltando ao Salmo 46, o autor começa o capítulo falando sobre quem é Deus, descrevendo alguns dos seus atributos, tal qual uma grande parte do resto do livro. Temos desespero, temos dias em que tudo parece se apagar. Mas Deus nunca deixa de ser Deus. Temos que nos apegar a esta noção, a esta consciência, o conhecimento e a sabedoria de que Ele é Deus, e de que nisso temos esperança.

Mas e o coração… como fica? Aí é que mora a batalha. Pela sua revelação, temos a verdade. Conhecemos a Deus por meio da sua Palavra revelada a nós. As Escrituras testificam acerca de Deus, contam a história de um Ser infinito e poderoso que veio para nos salvar. Sim, mas e como é que isso resolve o meu problema? É complicado mesmo. Vivemos em dias que nos ensinam que mais vale sentir do que pensar. Quanto mais sentimos e menos pensamos, melhor. Certo? Mas a Palavra fala disso também.

E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Rm 12.2)

De novo, somos transformados pelo nosso entendimento. E não podemos nos conformar com este mundo, que prega justamente o “não pense, apenas sinta”.

Mas o coração arde, as lágrimas vêm e eu continuo triste. Eu sei. Eu também. O engraçado do meu processo de escrever os textos para blog é que na maioria das vezes, escrevo para mim mesmo. O legal é que ao derramar meu coração aqui, muitos se identificam com as minhas frustrações e desafios e se sentem motivados e encorajados. A mensagem de cima é dificílima de “engolir”. Sei bem disso porque ela está engasgada pra mim também. Nem sempre dou conta de lembrar e descansar no conhecimento de que Ele é Senhor. E quando me recuso a confiar nesse conhecimento, estou pecando, pois coloco meu sofrimento acima de Deus. A minha insignificante pessoa ousa colocar o meu mísero sofrimento acima da ação do Pai. (Rm 1.21,25)

Como sanar isso?

Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti. (Sl 119.11)

Fazendo mais uma referência a um texto citado no post passado (Lm 3.21), quero trazer à memória aquilo que traz esperança. E o que é que nos traz esperança? O conhecimento de Deus. E como alcançamos este conhecimento? Por meio da Palavra revelada.

Sabe como eu tenho absoluta convicção de que é isso que nos traz consolo? Por que não há outra alternativa. Se houvesse, Deus assim o teria dito. Mas Ele oferece de si mesmo, para que nós tivéssemos alegria no “simples” reconhecimento dEle. Qualquer solução aquém disso é um pecado contra a glória do Pai ao fazermos pouco dEle.

É um exercício diário, colocar o “saber” acima do “sentir”. Qualquer pessoa que já tomou uma decisão racional contrariando o próprio sentimento sabe disso (me incluo nessa parcela, e é uma batalha e tanta). Mas Deus nos deu esta capacidade racional para que pudéssemos louvá-lo com isso também. E é a esta verdade que temos que nos apegar, a noção e a compreensão de que Ele é Deus e de que dEle vem toda a nossa esperança.

Para não se desesperar, para não cair, para não pecar… guarde esta palavra no seu coração:

Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça. (Is 41.10)

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