Por Beto Ramos, texto e foto
Os beradeiros descem as águas do rio, armados com a força e a pureza da floresta.
Canoas sem remos enfrentando corredeiras.
Sacos de farinha, macaxeira, lamparinas…
Águas barrentas não poderiam lhes segurar.
Choram curumins no barranco do rio, que vai se desfazendo como lágrimas.
Cuiantã que já cantou o açaí, agora possui o medo de nadar na correnteza sem amanhã.
Fortes banzeiros.
Os botos mergulham para o esquecimento.
A canoa vai naufragar.
O que fazer?
Diante do progresso, são náufragos.
Lutam desigualmente.
Alguns desejam uma paisagem cheia de negócios.
Não poderia ser assim.
A curva do rio tornou-se fria e sem a beleza de ontem.
O que existe são investimentos.
Criam paliçadas.
Barracos com mantas térmicas, onde habita a nossa incompreensão.
Alguém que entoava cânticos observa seus medonhos medos.
Chora diante da gigante parede de concreto formada pelos desafios do progresso.
Progresso que chegou sem nenhuma gratidão aos que sabem realmente da terra e do rio.
Eles sentem medo do próximo inverno.
Diz a lenda


Eu também me sentiria assim….
“A curva do rio tornou-se fria e sem a beleza de ontem.”
A curva do rio – é mais do que um simples acidente topográfico. Faz parte do imaginário do Inconsciente Coletivo de determinados grupos ou sensibilidades :Enterrem Meu Coração na Curva do Rio, lembram-se? É solo sagrado. Quando fica fria e sem a beleza familiar, o que dizer? Triste …, muito!
Boa Sorte!