Arquivo diários:13/04/2012

Irmandade do Senhor Divino Espírito Santo do Vale do Guaporé e Dionisio Faustino, Presidente do Conselho Geral agraciados com a Ordem do Mérito Marechal Rondon

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Uma das mais justas homenagens que já se viu nestas Terras de Rondon foi a outorga da Ordem do Mérito Marechal Rondon, a maior honraria que este Estado presta a pessoas e entidades que contribuem ou contribuíram para o desenvolvimento do Estado de Rondônia por meio da religião, por sua coragem, ou através da economia, política, cultura e história à Irmandade do Senhor Divino Espírito Santo , na pessoa do seu Presidente do Conselho Geral, Dionísio Faustino. A comenda tem como ícones a Cruz dos Templários, a efígie de Rondon e o contorno estelar do Real Forte Príncipe da Beira, representando a fé, a coragem e a história sobre os quais se assentou o desenvolvimento e o progresso na região.

O culto ao Divino Espírito Santo , evocando o Pentecostes, quando o Espírito manifestou-se aos apóstolos como línguas de fogo, teve início com a construção do templo que lhe dedicou , em Alenquer, a Rainha Isabel de Portugal, esposa de Dom Diniz, no século XIII – a Rainha Santa, reverenciada pelos portugueses e a quem se atribui vários milagres. A celebração, que no Vale do Guaporé envolve o Brasil e a Bolívia, é um Patrimônio Cultural Imaterial de Rondônia que está em processo de instrução para ser reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro.

Marcos Santilli – documentos de transformação (via Imã Foto Galeria)

por Silvana de Carvalho , da Revista Fotographos

No clima montanhoso de Cunha, a poucos quilômetros da divisa de São Paulo com o Rio de Janeiro, localiza-se o atual hábitat de Marcos Santilli, fotógrafo paulista com 37 anos de carreira iniciada no fotojornalismo e que foi abrigando, ao longo do tempo, as facetas de curador, mentor e executor de projetos culturais.

Na atual fase profissional, afastado da cidade grande, ele vem impondo um novo ritmo ao dia-a-dia de trabalho. Sua trajetória fotográfica, que incluiu espaço para que se tornasse diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, durante cerca de seis anos, tem hoje contornos mais suaves aos comparados ao tempo em que atuava nas redações de alguns dos principais veículos brasileiros.

Santilli sente o prazer de usufruir sua fotografia como se fosse um amador, no sentido mais puro da palavra, apesar de sempre ter tido a oportunidade de fazer o que gosta. “Sinto-me privilegiado no meio fotográfico por fazer exatamente, e quase só, o que gosto e acredito”, diz.

Em Cunha, ele administra a  Pousada dos Anjos ao lado da família, sem deixar de lado a paixão pela imagem. “Sempre fui movido a paixões. Tive uma trajetória de vida aparentemente ilógica e enlouquecida. Só agora, aos 55 anos de idade, encontro racionalmente um sentido gratificante em tantas rupturas e pulverizações pelas quais passei”, explica.

Fotografar a cidade, a cultura, a paisagem e os personagens locais, assim como a própria pousada e a família, como nos velhos e bons tempos, são alguns dos momentos em que ele celebra aquilo que o moveu nas últimas três décadas.

Mergulhar nos arquivos de imagens documentadas em todos esse anos é outra forma de colocar em prática seu experiente olhar em prol de projetos que brotam da necessidade de mostrar situações que ele presenciou e que merecem ser discutidas. “Muitos de meus arquivos fotográficos ainda estão intocados”, declara, prenunciando o trabalho que terá pela frente para montar o que ele chama de “álbuns de figurinhas”, numa alusão ao que fazia na infância. “Creio que a fotografia aconteceu sutilmente em minha vida, talvez quando tinha apenas quatro anos e era apaixonado por álbuns de figurinhas. Preencher os quadros brancos dos álbuns me fascinava, assim como desvendar universos que, na forma rústica dos quadriculados cartesianos, pareciam tão completos, organizados e delimitados. Não imaginava que faria isto o resto da vida: colecionar cenas e contar histórias.”

Além do comprometimento com o próprio trabalho, Santilli também preenche seus dias com projetos culturais de terceiros. Ele está, atualmente, editando trechos de vídeos de seu extenso trabalho. Também está empenhado na realização de eventos fotográficos sediados em sua pousada.

Lembrando-se do tempo em que foi diretor do MIS, ele se refere à pousada como um “MIS de pau-a-pique”. Com estrutura que inclui área para exposição e biblioteca, o espaço conta com infra-estrutura necessária para a realização de eventos culturais.“Realizaremos exposições de fotografia, mostras de cinema e vídeo, workshops, palestras, encontros com artistas plásticos e músicos”, planeja.

O INICIO

Após o despertar da imagem em sua vida, tarefa que não só coube aos álbuns de figurinhas, como também a um brinquedo dado pelo pai em que eram inseridos discos de imagens em 3-D – que lhe transportavam pelo mundo imaginário dos fotógrafos, que viviam as emoções de um planeta incrível –, Santilli ia construindo antecedentes que o guiaram até o caminho da fotografia. “Não tive a clareza da importância desses antecedentes quando me apaixonei pela fotografia e abandonei o último ano do curso de Artes e Arquitetura na Universidade de Brasília, para me dedicar ao fotojornalismo nos nascentes Diário de Brasília e Jornal de Brasília.”


Anine foi a primeira criança suruí a ver o homem branco no primeiro contato, em 1970 (fotos em PeB de Jesco Von Puttkamer)). Chefe guerreiro dos suruí lidera um movimento de retorno às tradições tribais, construindo sua casa da maneira clássica suruí. (na foto, com camisa vermelha).

Em tempos de ditadura, o fotojornalismo praticado por ele e outros de sua geração permitia incomodar e comprometer o poder. Ao lado de outras artes e formas de comunicação, a fotografia representava uma válvula vibrante contra a opressão. “Em Brasília, arriscávamos tudo por muito pouco, influenciados por mestres engajados, como Frank Capa, Eugene Smith, Robert Frank, Henri Cartier-Bresson, Mary Ellen Mark, Charles Harbut e Douglas Duncan, na era de ouro do fotojornalismo”, relembra.

Simultaneamente às agitações de 1968, Santilli também começava a realizar projetos em que as questões sociais sobressaíam, destacando-se um estudo sobre a urbanização da região Centro-Oeste, outro sobre um movimento messiânico que criou a Cidade Eclética, em Goiás, e solicitações de serviços profissionais.


Floriano Oliveira, aparece em uniforme quando era chefe da estaçãode Guajará-Mirim. Em 1978, estava aposentado, após a paralisação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Em 1994, era administrador de Vila Nova, distrito de Guajará-Mirim.

Em busca de informações que pudessem contribuir com o seu trabalho, ele viajou pela Europa, no início da década de 70. O trabalho duro era recompensado pelo tempo vago para andar de mochila nas costas, na experiência de viajante solitário, com três camisetas, duas calças, casaco de couro, um único par de tênis, uma Pentax de rosca 35 mm, três lentes e um violão. “Perseguia tudo o que não havia aqui, numa verdadeira embriaguez de informações, de técnicas e relacionamentos”, conta. Estocolmo, Londres, Paris e Cairo, de onde saiu como refugiado de guerra, foram os locais freqüentados na aventura de descobrir o mundo.

Para ele, a experiência na Europa se consagrou como uma viagem profunda de comprometimento com a fotografia, de interação com outros povos e, principalmente, de autoconhecimento.

ENCONTRO ESPECIAL

Já no Brasil e após alguns trabalhos realizados em São Paulo, Santilli foi convidado a trabalhar na sucursal de Brasília da Editora Abril. Por mais de cinco anos, cobriu as regiões Norte e Nordeste, além de países vizinhos, o que lhe permitiu viajar à Amazônia muitas vezes, visitando essa região também na Bolívia e na Colômbia. “Essas viagens me despertaram grande paixão pela região, que degradava silenciosamente ao sabor dos predadores particulares e do governo militar com projetos megalômanos e irresponsáveis”, diz.

Sua sensibilidade para captar temas como esse foi posta à prova quando fotografou Rondônia para uma ampla matéria da revista Veja. Ele relembra o choque que sentiu ao ver a quantidade de migrantes que chegavam pelo primeiro acesso rodoviário local e a extensão das queimadas. “Da noite para o dia, povoados rústicos erguiam-se às margens da única e poeirenta rodovia do então Território de Rondônia.Índios perambulavam atônitos pelos novos caminhos e ruas, sob a estranha melodia de máquinas e motores, particularmente, a motosserra”, detalha.

Santilli presenciou o processo de desaparecimento de diversas sociedades tradicionais da região. Índios, boiadeiros, mateiros, caboclos, seringueiros, castanheiros e garimpeiros em rota de colisão com a poderosa sociedade industrial em instalação. Modernas indústrias de extração mineral e madeireiras instalavam-se. O conflito manifestava-se pleno, radical, explícito. “Deixei o emprego e iniciei um projeto de documentação fotográfica, intuindo que testemunharia a maior e mais rápida transformação social e ambiental já realizada pelo homem. Queria documentar e colocar esse material a serviço de forças transformadoras, que pudessem inverter o processo cego e predatório da ocupação e da exploração irracional”, explica.


O colono paranaense, João Guerin, estava acampado na periferia de Ariquemes quando foi fotografado, em 1977. Em 1978, já havia obtido seu lote da Incra e lá, vivia com a família. Em 1981, João havia se mudado para a cidade e vivia de pequenos biscates. Em 1990, estava aposentado. Faleceu no fim dos anos 90. Abaixo, três momentos da sua neta.

Esta reportagem deu início ao Projeto Nharamaã, tema das imagens apresentadas nesta edição da Fotógraphos. “É um documentário sem prazo para acabar, em que vou refotografando ou gravando o que acontece com pessoas e lugares previamente selecionados.”


Como tantas, a família Johson veio de Barbado para Rondônia na construção da Estrada de Ferro Madeira-Marmoré. Elisa Johson a matriarca viúva de Normon , permaneceu em Rondônia na época em que se iniciou o povoamento. Em Porto Velho, nasceram suas filha Elvira, a neta Lídia e a bisneta Joselice . Em 2000, Elisa e Elvira faleceram e nasceu Vitória, filha de Joselice.


A mesma vila residencial, em Guajará-Mirim, ao longo do tempo. As imagens de 2000 foram captadas em vídeo.


As imagens da torre da Igreja de Vila Murtinho mostram os ciclos de prosperidade e decadência que fizeram a curta e trágica história da vila. Próspera no tempo da ferrovia, por ser um importante embarque de borracha boliviana, tornou-se uma cidade fantasma, revivida pelo garimpo e agora lentamente ocupada pela avassaladora colonização agrícola de Rondônia.

CAPÍTULO À PARTE

Santilli reuniu grande arquivo pessoal dedicado à Amazônia nos últimos 30 anos e que vem sendo utilizado de forma variada, como na produção de livros, filmes, audiovisuais etc. Cerca de 50 mil cromos selecionados, 140 horas de gravações magnéticas digitalizadas e 50 horas de vídeo serão a base com que pretende contar a história de pessoas e lugares através de uma série de filmes dirigidos à TV. “A intenção é reunir elementos para realizar ampla reflexão através do exame detalhado de tantos elementos que interagem neste processo irreversível de transformação.”

Nas imagens, é possível acompanhar crianças que se tornaram adultos, adultos que envelheceram, camponeses que se urbanizaram, tribos que se aculturaram, vilas toscas de pau, palha e plástico que se converteram em cidades de concreto, seringueiros, garimpeiros e mateiros que desapareceram dando lugar à burguesia urbana. A floresta degradada em pastagens praguejadas. A topografia destroçada pelo garimpo. “Como um lugar tão especial se transformou em um lugar qualquer? Rondônia, com cerca de 35% de sua cobertura vegetal devastada, prenuncia o que ocorrerá com toda a Amazônia? Ou será uma lição para a correção de nosso comportamento?”, questiona.

As mudanças flagradas na região não foram as únicas notadas em seu trabalho. Santilli também viu o transitar de sua fotografia, que já apresentou as facetas P&B e coloridas. Ele usou filmes tri-x, ecktachrome e kodachrome de várias épocas, porém privilegiou os cromos coloridos, porque considera impossível, em muitas situações, operar ambos. “A Amazônia é colorida sob o sol. O colorido do filme é insuficiente para a reflexão das luzes tropicais, para as peles escuras e os contrastes luminosos das florestas. Mas nossa obra também expressa a tecnologia de nosso tempo, e meu trabalho é uma vitrina disso, iniciando-se com o processo E3 passando pelo E4, E5, E6 e por cibachromes para, então, chegar ao digital”, relata.
Nikon F2, depois a F4, uma Polaroid Land câmera SX70 – para fazer as fotos dadas aos entrevistados – e apoiadores, tripé, gravador cassete magnético, DV cam Sony PD-150, diversas lentes e poucos acessórios: essa é a bagagem que ele sempre carregou para lá.

Em 1987, quando morava em Nova York, teve acesso à tecnologia digital e comprou seu primeiro Macintosh.Realizou a pesquisa Fronteiras da Fotografia, identificando a convergência das linguagens, e passou por cursos de edição de cinema, design gráfico, vídeo e os diversos softwares. “Fiz as primeiras imagens fotográficas digitais em formato Tiff rudimentar, mas com poder assustador de manipulação, rapidez e praticidade. As inimagináveis possibilidades da internet nascente me contaram claramente que os dias da fotografia analógica estavam contados. Era impensável que seria tão rápido, porém intuí que seria impossível viver sem o RGB. Desde então, sempre tive um Mac.”


Augusto Lopes era o propietário do Seringal Arara. Podem-se ver as marcas do látex em suas roupas. Em 1981, havia abandonado o seringal e dedicava-se a plantar bananas. Doente e aposentado em 1989, faleceu em 1996, em Guajará-Mirim.

A tecnologia, entretanto, não mudou a linguagem clássica de seu trabalho, cuja criatividade formal se manifesta sutilmente nas luzes difíceis, na leitura dos conteúdos, na conceituação das transformações febris dos ciclos econômicos. “Nesta obra, optei por restringir o aspecto experimental e privilegiar denúncia, discussão e compreensão das graves decorrências da devastação, do processo de ocupação descontrolada, que compromete as perspectivas das gerações que estão chegando”, explica.

Paralelamente a esse projeto, ele desenvolve ensaios e exercícios de linguagem pessoal e experimental, que tratam de outros temas. Essas temáticas, sim, incubam as novas transformações. Mas do que ele não abre mão é de sua relação com a fotografia, para a qual ele dedica grande parte do tempo, apesar das novas atribuições. “Tenho sentido um prazer crescente na manipulação de meu acervo, o qual estou organizando para disponibilizar via internet”, conta, estimulado a capitanear novos trabalhos em que empresta sua experiência como curador. “Tenho grande prazer em trabalhar em equipe, também em projetos de terceiros. Morro de saudade do clima de redação, das viagens súbitas e surpreendentes”, finaliza.

Marcos Santilli é autor de três livros sobre Rondônia: Àre, que retrata o encontro das populações indígenas com os primeiros colonizadores (1987 – Sver & Bocato e Memória); Madeira-Mamoré, Imagem e Memória, o epílogo da saga da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (1988 – Memória Comunicações) e Amazon, a Yount Readers Look at the Last Frontier, publicado nos Estados Unidos, com finalidade educativa, e dirigido ao público infanto-juvenil, narra vários aspectos de uma viagem pelo Rio Guaporé e afluentes (1991 – Boyds Mills Press).

via Imã Foto Galeria

A vida em ácido e metal , por Angella Schilling

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A mostra de AngellaSchilling no SESC Centro, abre em Porto Velho, o ciclo das exposições do SESC AMAZÔNIA DAS ARTES 2012. Através desta,Angella comemora 40 anos de artes plásticas. Apresenta gravuras originais, registrando a natureza com lente de aumento, preservada em formas e cores, resultado de uma pesquisa muito pessoal, como artista plástica. Seu foco são frutos, sementes, flores, paisagens, insetos… Algumas obras já foram mostradas no Brasil, outras em Bienais Internacionais. Há, entre elas, gravuras premiadas e ainda outras inéditas. Angella retrata o tema com uma visão contemporânea e sua intenção é expressar seu amor pela natureza.