Por JLGalvão Jr
Retornam as águas puras estiadas em grande purgatório
Livram pecados de almas cristais eternos
Degelos nascem fios altiplanos
Batismam crédulos, tementes, grandes caudais
Beni benedictus
Mater Madre de Dios
Guá Guaporé guamar
Mamoré
Exclamam in nomine sanctus
Pará guassús
que nomes intimam as águas grandes?
Curumim lhe basta igarapé
Taihantessú pequizal nascente pareci
Parecida semente se queda
Sol nascente já é íntimo de águas
Reproduz nelas
Seduz belas
Mães de botos
Enfilham fugaces facies
Eternas flores régias
Deleitam
Deitam
Maria louca em grande eito
Negros homens barbados sujeitam
Alvos homens enredam sem filhos
Gês em revolta em volta picam
Batismam falsos rebentos de santos
Deitam
Maria louca em longo feito
Res incógnita sem dolo
Inconsútil túnica verde mata
Visgos ancestrais enleiam
Timbós unem céu e solo
Deitam
Maria louca em férreo leito
Não há vau, não há vão, apenas
Observam atônitos movimentos tectônicos
Quebram o madeiro céleres cadenas
Teotônio barra indômitos
Deitam
Maria louca em íntimo peito
Silêncio de sons alados ou rastejantes
Infinitos sinos d’agua repicam
Dardos de luz ferem peles viajantes
Impiedosos óleos visgam
Deitam
Maria louca em ígneo pleito
Deitam velhos frutos metálicos
Deitam odes e versos torpes
Deitam barro sobre girândolas
Deitam losas sobre madeira
Super flumine materiorum
Ouço rumores da história
Vejo estranhas seges naufragadas
Sinto flores estioladas
Tombam
Maria louca em gesto nobre

