Arquivo diários:06/12/2011

Política Nacional de Saúde Integral LGBT é assinada para atendimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

A população LGBT deve ter atendimento livre de preconceitos e discriminação, acesso integral aos serviços da rede pública de saúde e hospitais conveniados e, ainda, necessidades específicas contempladas.  A portaria que institui a Política Nacional de Saúde Integral LGBT foi publicada na última sexta-feira (2), no Diário Oficial da União e assinada durante a 14ª Conferência Nacional de Saúde, junto com a resolução que criou o Plano Operativo da Política Nacional de Saúde Integral LGBT.

As novas diretrizes vão contribuir para a redução das desigualdades e consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) como universal, integral e equitativo. Para atingir esse objetivo, uma das medidas é o reforço da capacitação dos profissionais para o atendimento ao público LGBT, assim como o estímulo à participação no controle social, por meio dos conselhos de saúde nos estados e municípios.

Entre os objetivos específicos estão a garantia de acesso ao processo transexualizador na rede do SUS; a promoção de iniciativas para reduzir riscos e promover o acompanhamento do uso prolongado de hormônios femininos e masculinos para travestis e transexuais. O texto também prevê ações para redução de danos à saúde pelo uso excessivo de medicamentos, drogas e fármacos, especialmente para travestis e transexuais; definição de estratégias setoriais e intersetoriais que visem reduzir a morbidade e a mortalidade de travestis. Adolescentes e idosos da população LGBT terão atenção especial, mas a política estabelece que a rede de serviços do SUS deve ser qualificada para atendimento a todas as faixas etárias deste público, que tem necessidades e demandas próprias.

As novas medidas também objetivam a qualificação da informação sobre a saúde, incluindo monitoramento constante, com recorte étnico-racial e territorial, além de oferecer atenção integral na rede de serviços do SUS nas Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), especialmente com relação ao HIV e às hepatites virais; medidas de prevenção de câncer ginecológico entre lésbicas e mulheres bissexuais e diminuição dos casos de câncer de próstata entre gays, homens bissexuais, travestis e transexuais.

Neste blog, a gente mata a cobra e mostra (êpa !) o pau. Veja aqui em arquivo PDF o Relatório Consolidado da 14ª Conferência Nacional de Saúde,

Nova droga corrói pele e músculos e deixa ossos à mostra

Livro-vídeo celebra 25 anos de Vídeo nas Aldeias

Um livro-vídeo bilíngue, com depoimentos, ensaios críticos e fotográficos e mais de seis horas de filme, celebra os 25 anos do projeto Vídeo nas Aldeias, que apóia e fomenta a produção de vídeo entre aldeias indígenas no Brasil desde a década de 1980.
A publicação, patrocinada pelo banco Itaú, pela Natura e pelo programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, reconta a história da iniciativa, que já produziu registros de 37 povos, oficinas em 127 aldeias e filmes premiados no Brasil e no exterior. O mais recente, Bicicletas de Nhanderú, imersão no cotidiano dos Mbya-Guarani (RS), poderá ser visto no lançamento, dia 12.12, no Itaú Cultural, em sessão seguida por debate com realizadores indígenas.
Criado pelo fotógrafo, cineasta e indigenista Vincent Carelli, diretor de Corumbiara (melhor filme no Festival de Gramado em 2009), o Vídeo nas Aldeias pôs as primeiras câmeras VHS a serviço de uma ideia inovadora: apresentar às aldeias um instrumento acessível de expressão e preservação de memória, apoiando-as na criação de um jeito próprio de lidar com o meio.

Uma câmera na mão e uma cabeça aberta

“O que interessava no vídeo era a possibilidade de mostrar imediatamente o que se filmava e permitir a apropriação da imagem pelos índios”, conta Carelli, que vinha de 17 anos de trabalho com índios brasileiros ao criar o projeto. “Não era chegar ‘com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, mas uma câmera na mão e uma cabeça aberta para o feedback da aldeia.”
O potencial transformador revelado já na primeira experiência, com índios Nambiquara (MT), surpreenderia o indigenista. “Ao cabo de várias performances para ajustar a sua imagem, resolveram realizar a cerimônia de furação de nariz e lábios, prática abandonada há mais de 20 anos”, ele conta. “Foi uma experiência catártica, muito além das expectativas, que nos demonstrou o poder da ferramenta e do dispositivo.”
Nas décadas seguintes, equipes do Vídeo nas Aldeias realizariam oficinas em mais de uma centena de aldeias brasileiras, voltadas à produção de filmes e à formação de realizadores. Reconhecido em países onde iniciativas envolvendo povos indígenas e meios audiovisuais eram mais comuns, o trabalho amealhou apoio das fundações Guggenheim, McArthur e Rockefeller, além de instituições na Holanda e na Noruega.
A extensiva produção resultante de 25 anos de oficinas – num total de 7 mil horas de vídeo – começou a atingir um circuito maior em 2009, com o lançamento da série de DVDs Cineastas Indígenas. No ano seguinte, três mil escolas brasileiras receberiam uma coletânea de 20 filmes da coleção.

Novas pontes, novo paradigma

Desenvolvida num contexto de lenta reconquista de direitos, territórios e identidade pelos povos indígenas brasileiros, a experiência do Vídeo nas Aldeias se alinha a um modelo indigenista que busca relações interculturais, de aproximação e convivência, com os índios – em oposição às políticas paternalistas adotadas pelo governo nos anos de ditadura.
Os depoimentos, artigos e belas imagens fotográficas reunidas no livro-vídeo comemorativo atestam a relevância do projeto na criação de uma imagem mais fidedigna da realidade contemporânea dos povos indígenas brasileiros.”Vídeo nas Aldeias faz parte de uma geração de iniciativas que contaram com apoio da cooperação internacional e construíram pontes com muitas etnias e aldeias, para gerar um novo paradigma, mais otimista, sobre o futuro dos 235 povos indígenas no Brasil”, diz o antropólogo Beto Ricardo, um dos diretores do Instituto Socioambiental (ISA) e “sócio-fundador” do projeto VNA, que viu nascer na primeira viagem aos Nambiquara.

Vídeo nas Aldeias _ 25 anos

Idealizado como um conjunto de textos, imagens e filmes que se complementam numa leitura rica e fascinante, Vídeo nas Aldeias – 25 anos reflete sobre cinco dos encontros mais significativos promovidos pelo projeto, com os índios Ashaninka (AC), Kuikuro, Xavante (MT), Huni Kui (AC) e Mbya-Guarani (RS).

fotos : Projeto Vídeo nas Aldeias

fotos : Projeto Vídeo nas Aldeias

Em cada segmento, índios e equipes do projeto discutem o trabalho conjunto, recompõem o processo de gestação dos filmes e comentam repercussões e desdobramentos. Mais do que detalhes factuais, os depoimentos revelam o impacto da chegada do vídeo às aldeias: a apropriação do meio incita à retomada de rituais esquecidos, evidencia disputas políticas entre facções diversas, expõe conflitos geracionais; mais do que tudo, possibilita projetar para o mundo uma imagem mais fiel dos realizadores.
“Quando apresentamos um trabalho, as crianças perguntam muito se esses índios existem mesmo. Os livros didáticos nos mostram como a gente era antigamente, ou seja, nesses livros nós não existimos mais. O vídeo vem acabar com essa distorção. Nós existimos, estamos aqui, nossa terra existe e nós nunca vamos ser brancos”, diz o cineasta Xavante Caimi Waiassé.
A preciosa coleção de filmes que integra o livro, acomodada em dois DVDs, atesta a diversidade de usos imaginados para o vídeo nas oficinas com as aldeias. Algumas encenam mitos; outras usam a ferramenta para promover encontros interculturais. Alguns filmes tratam de territórios e culturas ameaçados; outros servem de mote para a retomada de traços culturais perdidos.
A preocupação do projeto em introduzir os realizadores indígenas às possibilidades expressivas do vídeo também transparece nos filmes, que, não por acaso, foram premiados em festivais que não se limitam ao cinema etnográfico.
“Os monitores de Vídeo nas Aldeias não assumem uma posição ingênua, conforme a qual bastaria colocar uma câmera nas mãos de alguém para que consiga retratar a sua vida; é necessário aprender a usar o equipamento e conhecer a linguagem”, afirma o crítico Jean-Claude Bernadet em Vídeo nas aldeias, o documentário e a alteridade, um dos artigos nos quais antropólogos e cineastas analisam filmes do projeto.
Para o ensaísta Henri Arraes Geraveau, os filmes configuram quase um gênero à parte. “Ao assistir, em 1990, ao Espirito da TV, tive a imediata sensação de que Vincent tinha iniciado frutífera travessia documentária, abrindo caminho para uma antropologia da comunicação audiovisual, ao centrar a narrativa do vídeo no encadeamento das reflexões, fabulações e declarações verbais dos índios Waiãpi frente à exibição, num aparelho de televisão instalado na aldeia pela equipe, de sua própria imagem e sobretudo de imagens registradas por terceiros, não índios, sobre outros grupos indígenas.”

Sinopses

* O Espírito da TV (1990)
As emoções e reflexões dos índios Waiãpi (Amapá) ao verem, pela primeira vez, a sua própria imagem e a de outros grupos indígenas num aparelho de televisão.

*A arca dos Zo’é (1993)
Os índios Waiãpi, do Amapá, que conheceram os Zo’é através de imagens em vídeo, decidem ir ao encontro destes índios isolados no norte do Pará e documentá-los.

*Eu já fui o seu irmão (1993)
Um documentário sobre o intercâmbio cultural entre os Parakatêjê, do Pará, e os Krahô do Tocantins, que, embora falem a mesma língua, nunca haviam se encontrado antes.

*Shomôtsi (2001)
Crônica do cotidiano de Shomõtsi, um Ashaninka da fronteira do
Brasil com o Perú. Professor e um dos videastas da aldeia, Wewito retrata o seu tio, turrão e divertido.

*Das crianças Ikpeng para o mundo (2001)
Quatro crianças Ikpeng (MT) apresentam sua aldeia, respondendo a vídeo-carta de crianças da Sierra Maestra, em Cuba. Com graça e leveza, elas mostram suas famílias, suas brincadeiras, suas festas, seu modo de vida.

*Kinja Iakaha, Um dia na aldeia (2003)
Seis índios de diferentes aldeias Waimiri e Atroari, na Amazônia, registram o dia a dia de seus parentes da aldeia Cacau. Estes registros, nos transportam para a intimidade do cotidiano indígena com a sua interação intensa com a natureza.

*IMBÉ GIKEGÜ, Cheiro de Pequi (2006)
Ligando passado e presente, os realizadores Kuikuro (MT) contam uma história de perigos e prazeres, sexo e traição, em que homens e mulheres, beijaflores e jacarés constroem um mundo comum.

*PI’ÕNHITSI, Muheres Xavante sem nome (2009)
Desde 2002, Divino Tserewahú tenta produzir um filme sobre o ritual de iniciação feminino, que já não se pratica em nenhuma outra aldeia Xavante (MT). Mas todas as tentativas foram interrompidas. No filme, jovens e velhos debatem sobre as resistências para a realização da festa.

*KENE YUX˜I, As voltas do Kene (2010)
Ao tentar reverter o abandono das tradições do seu povo, o filho do professor e escritor Joaquim Maná, Zezinho Yube, corre atrás dos conhecimentos dos grafismos tradicionais das mulheres Huni Ku˜ı (Acre), auxiliado por sua mãe.

*Bicicletas de Nhanderú (2011)
Uma imersão na espiritualidade presente no cotidiano dos Mbya-
Guarani da aldeia Koenju, em São Miguel das Missões (RS).

Simplesmente um dos projetos mais bonitos do audiovisual brasileiro…

Mar, amor e poesia

TANTAS POESIAS EU FIZ

Com pensamentos vadios
perdi-me na imensidão das noites nuas,
sorrindo verdades,
alardeando felicidades.
Tantas poesias eu fiz,
tornando o sonhos
uma realidade discreta,
à espera do tudo ou do nada.
A palavra brinca no pensamento,
que insiste em lembrar tua ausência,
na dor que invade sem dar alento.Tantas poesias eu fiz,
buscando nas brumas do passado,
nossas metades inabadas.