Dois pesos… O artigo que culminou na demissão de Maria Rita Kehl do Estadão

Por Maria Rita Kehl, para o O Estado de S.Paulo

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

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NR : A direita raivosa não aceita que os mais pobres possam ter um pouquinho mais de dignidade. É muita miséria de pensamento, muita mesquinharia acumulada durante estes anos todos no espírito. Tive a sorte de assistir a uma palestra do Paul Singer e depois, conversando no cafézinho, ele falou com os olhos brilhando da imensa inclusão social que o Bolsa Família proporcionou além de mudar radicalmente a economia de pequenas cidades do interior do Brasil. Daí vem um vampiro… e  Vade retro !

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Maria Rita Kehl: “Fui demitida por um ‘delito’ de opinião”

Por Bob Fernandes

A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulo depois de ter escrito, no último sábado (2), artigo sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres. O texto, intitulado “Dois pesos…”, gerou grande repercussão na internet e mídias sociais nos últimos dias.

Nesta quinta-feira (7), ela falou a Terra Magazine sobre as consequências do seu artigo:
– Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião (…) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

Terra Magazine – Maria Rita, você escreveu um artigo no jornal O Estado de S.Paulo que levou a uma grande polêmica, em especial na internet, nas mídias sociais nos últimos dias. Em resumo, sobre a desqualificação dos votos dos pobres. Ao que se diz, o artigo teria provocado conseqüências para você…
Maria Rita Kehl –
E provocou, sim…

– Quais?
– Fui demitida pelo jornal O Estado de S.Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião.

– Quando?
– Fui comunicada ontem (quarta-feira, 6).

– E por qual motivo?
– O argumento é que eles estavam examinando o comportamento, as reações ao que escrevi e escrevia, e que, por causa da repercussão (na internet), a situação se tornou intolerável, insustentável, não me lembro bem que expressão usaram.

– Você chegou a argumentar algo?
– Eu disse que a repercussão mostrava, revelava que, se tinha quem não gostasse do que escrevo, tinha também quem goste. Se tem leitores que são desfavoráveis, tem leitores que são a favor, o que é bom, saudável…

– Que sentimento fica para você?
– É tudo tão absurdo… A imprensa que reclama, que alega ter o governo intenções de censura, de autoritarismo…

– Você concorda com essa tese?
– Não, acho que o presidente Lula e seus ministros cometem um erro estratégico quando criticam, quando se queixam da imprensa, da mídia, um erro porque isso, nesse ambiente eleitoral pode soar autoritário, mas eu não conheço nenhuma medida, nenhuma ação concreta, nunca ouvi falar de nenhuma ação concreta para cercear a imprensa. Não me refiro a debates, frases soltas, falo em ação concreta, concretizada. Não conheço nenhuma, e, por outro lado…

– …Por outro lado…?
– Por outro lado a imprensa que tem seus interesses econômicos, partidários, demite alguém, demite a mim, pelo que considera um “delito” de opinião. Acho absurdo, não concordo, que o dono do Maranhão (senador José Sarney) consiga impor a medida que impôs ao jornal O Estado de S.Paulo, mas como pode esse mesmo jornal demitir alguém apenas porque expôs uma opinião? Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

– Você imagina que isso tenha algo a ver com as eleições?
– Acho que sim. Isso se agravou com a eleição, pois, pelo que eles me alegaram agora, já havia descontentamento com minhas análises, minhas opiniões políticas.

O jornalista Xico Sá, que assina uma coluna na Folha de S.Paulo, repercutiu o fato no seu perfil do Twitter: “Maria Rita Kehl seria a 1ª demissão da história por ter elogiado a atitude de 1 jornal.” Sá declarou, ainda, que a publicação exigia que ela não escrevesse sobre política, “só psicanálise”.

44 ideias sobre “Dois pesos… O artigo que culminou na demissão de Maria Rita Kehl do Estadão

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  2. José Eduardo Domingues

    Em quem depositar confiança nesse momento de eleição? Quem esta mais apto a governar essa nação de desdentados, analfabetos funcionais, de pessoas que tem na tv sua única fonte de informação e lazer? Faço parte da classe teatral de São Paulo e que teve no movimento ‘arte contra a bárbarie’ o apoio para desenvolvimento de politicas publicas na área da cultura que resultou no Fomento ao teatro para a Cidade de São Paulo. Porém esse fomento teatral acabou caindo tb nos vícios da elite, sempre a postos para usurpar o povo. Vejamos: O fomento destina dinheiro público para a manutençao de grupos de pesquisa teatral…mas nunca trabalhamos com contrato e muito menos temos prestação de contas sobre o que se gasta em tais processos. Enquanto vociferamos de um lado que temos o direito de sermos fomentados, por outro lado nos auto-lesamos em atitudes elitistas, como por exemplo criarmos cla$$e$ diferenciadas entre os atores paulistanos, pois é comum a galera dos bem formado$ ganharem mais que os outros que não nasceram em famílias e$truturada$, mas na hora de brigarmos por politicas públicas, lá está a elite nos convocando, nos chamando de irmãos e companheiros. Não temos esquerda no Brasil, Não temos oposição alguma no Brasil. O que temos é um bando de espertos moldando discursos, opiniões e atitudes travestidas de revolucionárias, que nos chamam apenas para fazer volume e/ou colocar na mão na merda por eles, pois todos querem comer a carne…mas ninguém quer ver o sangue. Trabalhei nos últimos anos de 2006 pra cá, com uma parcela da classe teatral pra lá de petistas – partido no qual eu sempre votei – e que na hora de fazer valer o discurso…acabaram caindo nos mesmos vícios eleitistas que apodrecem nossas estruturas e assim, perpetuam as desigualdades em nosso triste Brasil. O que dizer de diretores que se arvoram nos discursos por igualdade mas na hora de pagar…simplesmente não pagam ou no máximo, pagam a metade. Pois pagamento integral só pra elite? Que esquerda é essa? E assim, num eterno VemVai, caminhamos como mortos em direção a que? O que dizer de pessoas que são contra a barbárie, mas que no final das contas não pagam os artistas que eles mesmos convocam para o trabalho? detalhe: contrato no meio teatral é coisa que não existe, apesar de termos o “MUTUA PARTICIPAÇÃO EM EMPREENDIMENTO TEATRAL”, mas que ninguém assina. O que é a esquerda hoje no Brasil? Um bando de gente querendo o poder a qualquer custo, perpetuando assim, os mesmos cacuetes da elite. A GOTA D’ÁGUA mesmo é ver essa galera se arvorando em discursos revolucionários que não passam da primeira página, pois dai em diante tudo continua como antes. Eleger quem? Dilma, Serra? O que é melhor? Lidarmos com uma corrente politica abertamente contra os pobres ou com outra que se diz a favor de mudanças em relação a pobreza mas que no fundo conchavasse descaradamente para perpetuar ainda mais nossas desigualdades? Tenho a impressão que lidarmos com lobos em pele de cordeiro é mais perigoso do que lidarmos com leões declarados. Vivemos na era do topa tudo por dinheiro (que nojo) e pior que isso, é estarmos rodeados de esquerdistas de algibeira, que defendem apenas o seu quinhão e não titubeiam que lesar os direitos dos que os rodeiam. Vamos, vamos votar pela continuidade do que temos ai. E tanto faz, votar em um ou em outro, pois no final das contas, quem levará a melhor são eles. Como sempre. PT, PSDB ou qualquer outra sigla politica é apenas fetiche para consolidar as elites no poder. Não há diferença substancial entre esse ou aquele candidato. No Serra eu não voto…mas e no PT cor de rosa da Dilma? Penso que precisamos de um MSG – Movimento dos sem Governo – o que poderia sim ser uma boa alternativa nesses tempos pra lá de bábaros, pois aqui da perifa o que vemos é essa realidade: desigualdades, falcatruas, crime organizado, impossibilidade de trabalho, de estudo e pior, concentração e renda nas mãos dos mesmos. Esses dias um parceiro de cena se indignou ao ver e sentir na pele a disputa por espaço dentro dos trens da CPTM e se sentiu no direito de soltar a seguinte frase: ‘que povinho mal educado, só querem levar vantagem”. detalhe: esse mesmo colega está grudado nas tetas públicas do PT de um pequeno município da grande São Paulo, tendo seu cargo de ‘confiança’ garantido pelo cacique petista local. Que legal né? Bela ética estamos construindo nesse início de século. Em quem votar? ma elite declarada ou na elite travestida de defensores dos mais vulneráveis? Apesar do desbotamento do vermelho petista a vida não é um mar cor de rosa. Votar em quem? SOS povo brasileiro, estamos sós nessa encruzilhada histórica.

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  3. Pingback: Efeito Tiririca « Diário de uma mulher despeRtada

  4. Filipe Melo

    Concordo com o texto elaborado por Maria Rita Kehl, pelo menos em sua maior parte. O que não significa que apoie o governo X ou Y, pelo que entendi até o momento, nenhum canditado com relevância deixou de manifestar a importância dos programas sociais, nem os benefícios indiretos que esses geraram.
    Sobre a “consciência política” dos “menos favorecidos”, é um tema interessante, acho ingenuidade alguém imaginar que quem está no limiar da linha da pobreza tenha tempo ou condições de se preocupar com questões que definiriam seu voto como egoísta ou altruísta. Creio que a questão esteja mais relacionada às “ameças” que acabam resultando dessa política, por mais que os demais candidatos digam que estão dispostos a seguir com os mesmos programas assistencialistas, sempre resta a dúvida, e, nesta situação, essa dúvida passa a ser quase que litreralmente “vital” para os beneficiários dos programas em questão, o que resulta, creio que até bastante logicamente, num eleitorado de extrema fidelidade.
    O desafio seria vencer esta etapa, enxergar tais benefícios como conquistados, mas não se ater apenas a eles, mas creio que, infelizmente, esta nova etapa ainda está longe da evidência.

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  5. diariodeumamulherdespeRtada

    Maria Rita Kehl tem posições definidas na direção que escreveu. É muito dificil que aqueles que a contrataram desconhecessem este fato. “Ela devia escrever sobre psicanálise…” Como se houvesse separação entre a teoria e a prática. Só para quem tem uma visão cartesiana do mundo, o que não é o caso de Dra. Kehl.
    Quem discute sobre total liberdade de imprensa deve ser, no mínimo, ingênuo. Os donos do poder não permitem isso. No caso dos países “capitalistas”, o político se confunde com o econômico, estão totalmente atrelados.

    Então, a sociedade civil só tem a própria voz para fazer valer seus direitos. Nós ainda temos acesso a vários recursos para nos expressarmos. Aqueles dos programas sociais do governo, só tem o voto.
    http://www.diariodeumamulherdespeitada.wordpress.com

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  6. Jonatas Esteves

    Nem FHC, nem Lula, nem PSDB, nem PT. Nenhum governo é perfeito. Ambos tiveram pontos positivos e negativos. Mas, do meu ponto de vista, os negativos em muito superam os positivos, para ambos os governos mas, especialmente, para o PT, que é um partido falido onde só os corruptos sobraram.
    Agora, Serra não é FHC e Dilma não é Lula. Eles são piores, mentirosos descarados, bandidos da pior espécie.

    Meu voto no segundo turno do presente processo eleitoral? Branco, Nulo, o que for. É impossível para mim compactuar com gente dessa natureza. Vou plagiar a frase do “abismo moral intransponível”, mas, no meu caso, vale para os dois.

    “Rouba mas faz” não deu certo para Maluf em São Paulo. Porque com Lula é diferente? Seus acertos não justificam seus gravíssimos erros.

    Para todos os que tomam partido de alguma dessas forças políticas, só posso dizer que sinto muito. Seu desejo partidário só pode te-los cegado para tanta ganância, hipocrisia, insensibilidade e corrupção dos representantes de seus interesses.

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  7. Evertton Maria

    Já vivi na linha da probreza. Já precisei de ajuda. Fui ajudado pelo “governo Lulista, chavista” . Hoje estou formado, sou jornalista, estou trabalhando, sou respeitado.

    Fiz parte dos 60% de eleitores que votaram em Lula, e não levamos em consideração nossos próprios interesses. Continuamos lutando pelos outros que tanto precisam de ajuda como eu precisei. Pessoas que agora tem oportunidade e não podem ser chamadas de preguiçosas e indolentes porque estão sendo ajudadas numa medida imediata contra a pobreza.

    Existem pessoas neste Blog que não sabem o que é viver em uma garagem pequena; levar para o “bico” de servente de pedreiro uma marmita velha com arroz e pele de galinha apenas. Eu pelomenos tinha isso para comer, e os que não tinham. Alguns aqui talvez não saibam o que é não ter dinheiro para arcar com as responsabilidades de um lar; ficar sem Luz, sem água, sem o que comer direito, ter que ir para a aula chateado com tudo isso e não poder fazer nada.

    A ajuda que eu tive, bem como muitos estão tendo agora, foi e está sendo decisivo. Nunca se pensou nisso e o medo que acerca os “grandes” é que nós, “pobres e sem instrução”, passemos a pensar e a agir com inteligência. Não é à toa que certo candidato a presidente – ex-governador e com uma “bibliografia” de homem público preparado – mantinha no Estado mais desenvolvido no país a aprovação automática em escolas públicas. Vai entender…

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    1. Walkyria de Fatima Gomes

      Evertton,

      Certo dia, discutia com meu marido sobre o posicionamento dele a respeito da “elite” brasileira. Essa mesma que vai votar no Serra.
      Ele me falava que as pessoas, que se entendem na “elite” não gostam que outros subam de condição social. Não aceitam que tenham seus eletrodomésticos novos, carro adquirido em suaves prestações e seus filhos com pelo menos um produto de marca.
      Achei um absurdo o modo de analisar do meu marido. Mas fiquei pasma agora, porque essa jornalista escreveu exatamente o pensamento dele. Embora ela tenha escrito no jornal errado, pois o Estadão sempre foi “elitista”, condiz com a verdade em que vivemos. Alguns, acham que estão tão acima na pirâmide da casta, que olham para baixo, e vêem que os que estavam bem abaixo, chegam agora muito perto deles. Isso os incomoda.

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      1. Evertton Maria

        Cara amiga Walkyria,

        Infelizmente esse é o comportamento de uma parte da sociedade que não aceita o mínimo de igualdade. O bom é que vivemos hoje num mundo globalizado e rico em informação de diversas formas.
        Assistindo recentemente o filme “O Livro de Eli” pude perceber claramente que a educação é a base, a igualdade prevalece e que o egoísmo se torna o abismo para aqueles que acham que devem ser sempre soberanos, querendo saber mais que os outros; não usando sua inteligência e a boa chance na vida que teve, para transformar a sociedade em que vive.

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  8. Valentina

    Muito fácil ler os comentários e considerar certos, concordar somente com quem pensa igual.
    A inteligência está em ver que vários pontos de vista podem estar certos, que o efeito de algo nunca é igual para todos e que sim, há coisas boas e coisas ruins, muito piores do que querem fazer-se acreditar.
    O governo Lula foi o mais corrupto de todos os tempos, mas isso, é bom ignorar.
    Muito fácil dar Bolsa Família para milhões triplicando os impostos, ou seja, nada foi feito além de “jogar” em cima dos que continuam trabalhando mais impostos e ficar com a fama de melhor governo de todos os tempos.
    Esta é minha opinião e ponto.

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  9. caiovedder

    O Bolsa Família é um excelente plano de inclusão social.
    Essa nova inserção de uma nova classe média, que teve como um de seus propulsores o Bolsa-Família só foi consolidada quando essas pessoas entraram no mercado de trabalho.

    Vale mais a pena crescer 5%, com distribuição de renda, ou crescer 12% concentrando a renda, como nos anos 70, durante o “Milagre Brasileiro”?

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    1. paulo sergio gayoso meira

      Como é que é???”só foi consolidada quando essas pessoas entraram no mercado de trabalho?”
      Quando aconteceu isto?Mentem mentem mentem criou-se um casta de dependentes do Governo Lulista Chavista endividados que um dia a conta chega.Como diz o americano:There is no free lunch!

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      1. Deacon Blues

        Paulo, uma frase em inglês sempre dá um efeito interessante a um discurso. Como sou classe C, gostaria que vc traduzisse ela prá mim. Se foi um americano que falou, deve ser verdade.

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  10. paulo sergio gayoso meira

    “É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.
    Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.
    O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.
    Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
    É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.”
    Adrian Rogers, 1931

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      1. paulo sergio gayoso meira

        E devem ser explorados por serem competentes?O socialismo soçaite de quem vive na beiramar,nos points,viajando ao exterior às custas do governo e falando mal de quem trabalha.é este o Brasil que querem criar.Criem logo a Bolsa Natal,Páscoa,Junina aposentadoria e 1/3 de férias para os “bolsistas”.Sim o s bolsistas do CNPq e Capes a tempos que não têm reajuste,mas educação?Deixa prá lá,afinal o Presidente apregoa que não precisou estudar para chegar lá!

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      2. paulo sergio gayoso meira

        E os pobres agraciados com esmola?Por que não diminue a carga tributaria para que haja mais investimentos e por conseguinte mais emprego?Sabia bacana socialista que a Transposiçaõ está precisando de mão de obra mas não se encontra porque ninguem quer perder a boquinha de ganhar sem fazer força????E quem paga é o “rico”porque trabalha?Não sou rico,mas tenho raiva de preguiçoso,indolente,beocio.

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        1. bertagna

          Alguma coisa deve estar errada na sua informação sobre a Transposição. Eu estou vendo agora, na minha frente, mais de 25.000 trabalhadores construindo duas enormes hidrelétricas. Eles estão querendo trabalho e não ficaram parados para não perder a “boquinha” como vc diz. Veja a taxa de exclusão do Bolsa Família no Rio Grande do Sul, que vc verá que qdo se tem emprego e renda , a tendência é abandonar a bolsa, por dignidade. Aliás, neste país, o pobre é o que tem mais dignidade, cumpre seus compromissos, paga em dia suas contas. A carga tributária é enorme ? Concordo. Vamos lutar pra mudar. Tem que haver reforma política? Concordo. Mas a elite espernear porque “acha” no seu pensamento colonial que está sustentando vagabundo já é outra história.

      3. Paula Dundee

        Se os ricos realmente fossem punidos pela prosperidade, simplesmente não haveria uma vivalma rica nesse pais… rs rs rs Mas é assim mesmo: toda vez que vemos a parcela mais pobre da população sendo atendida, do outro lado, aparecem reacionarios chamando-os de “vagabundos”, “folgados”, daí pra baixo… Voto em Dilma… Porque Serra defende uma classe social que não é a minha…

        Responder
  11. Roberto

    O maior trunfo do governo Lula foi anestesiar a população, gerando um “encantamento” que com o bolsa família beneficia 12 milhões de famílias, aproximadamente 50 milhões de pessoas, e tendo mais 20 milhões de pessoas que passaram para a linha branca de consumo (eletrodomésticos, casas bahia). Então temos quase a metade da população diretamente “encantada” pelo governo, enquanto isso temos diferenças salariais de 40 vezes, a educação falida (ensino básico público horroroso, universidade pública (boa) para classes dominantes e pro-uni pra pobre estudar em universidades frajutas que são fábrica de diplomas), saúde horrorosa (tratada como mercadoria), reforma agrária abandonada (o Brasil tem 800 milhões de hectares e 500 milhões de hectares registrados).
    Mas OK, o povo esta recebendo sua esmola e a “ordem” esta sendo mantida.


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    1. bertagna

      Roberto, apesar de ser muito ocupado, agora à noite vi na íntegra o vídeo do Plínio, gravado na TV Educativa do Paraná. Gosto dele pelo seu sarcasmo. Mas fiquei mais feliz em vê-lo reconhecer que 50 milhões de pessoas tiraram o nariz da linha d’água e estão comendo, consumindo, sendo incluídas de alguma forma na sociedade. Que bom que agora podem comprar uma geladeira nova, um liquidificador ! Temos problemas na saúde, na educação, na reforma agrária, na segurança ? É claro. Mas vc , pela sua argumentação, é uma pessoa inteligente e sabe que isso não apareceu de uma hora para outra. São problemas crônicos, agravados pela inércia de vários governos anteriores. Mas não diga que o povo está recebendo sua esmola e a ordem sendo mantida. Veja nos Estados as estatísticas das famílias que, com dignidade, conseguem atingir uma renda mínima por conta própria e abandonam o Bolsa Família. E nem tocamos no assunto Cultura, que também é uma necessidade básica. Agora , politicamente, tudo está muito claro e vai ter que acontecer. A comparação direta : 8 anos de FHC (Serra) X 8 anos de Lula ( Dilma) . Abs e apareça sempre.

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      1. Roberto

        Bertagna, é claro que houve melhoras com o governo Lula comparado com o governo FHC, minha intenção não é discutir isso e muito menos defender o Serra. O que eu quero dizer é que são apenas melhoras e para realmente resolver os problemas é preciso fazer reformas. O governo Lula em oito anos mostrou que não esta disposto a fazer reformas (se quisesse sabe que teria apoio popular), porque isso fere interesses de uma classe dominante. Isto está bem claro no caso da reforma agrária e em não se comprometer com o aluguel compulsório de imóveis abandonados por exemplo (que existe na inglaterra), onde a Dilma diz que “o governo tem o projeto ‘minha casa minha vida’, e queremos dar uma casa para as pessoas e não que elas vivam de aluguel”, ou seja, voce que esta em baixo da ponte, continua aí “por enquanto”, porque um dia a gente ainda vai te dar uma casa. Então, acho que em oito anos ficou claro que o governo Lula só esta disposto a fazer melhoras e é isso que a Dilma continuará fazendo, em vez de fazer reformas que são necessárias para mudar o país e torna-lo mais civilisado. Ou seja, volto a dizer que estão por manter a ordem. Por isso acho que glorificar o bolsa família é apenas se iludir e ser conivente com os graves problemas do país. Abraço.

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  12. Laet Oliveira

    Opiniões contrárias, OK. Divergências? Ótimo, sinal de que estão pensando. Ponto e contraponto: perfeito, uma boa malhação cerebral. O que me entristece é ver um tom agressivo e vitriólico de TODAS as partes, com acusações estapafúrdias, o uso de adjetivos descabidos, a vontade de atacar sobrepujando o desejo de discursar. Um pouco mais de diálogo e MUITO menos nihilismo seria mais saudável. Em outras palavras, concordar em discordar é uma coisa, discordar por não saber ouvir é, quando muito, um sinal de insuficiência ética e intelectual.

    Responder
      1. Laet Oliveira

        Como eu disse, o artigo TEM que ser lido, gosto de conhecer tais opiniões. E, se a jornalista foi demitida por emitir uma opinião, o Estadão exerceu censura, não uma posição ética.

        Responder
      2. Laet Oliveira

        Em tempo: Mencionei “como eu disse”, esqueci de dizer que “eu disse” aquilo a quem me referiu ao seu artigo. E continuarei a acompanhar o seu blog, cabeças pensantes sempre são interessantes…

        Responder
        1. bertagna

          Laet, estou acompanhando a questão. Parece que o conselho editorial do Estadão desistiu de demitir a jornalista. Ela “só”não pode mais escrever sobre política. Se for isto mesmo, a emenda saiu pior que o soneto. Outro escândalo ! Apareça sempre. Abs

  13. Pedro Luis

    Ai, olhinhos brilhando…Um petista falou de “olhinhos brilhando” sobre um programa que os petistas “roubaram” do “ôtro guvernu”, sem ao menos agradecê-lo pela iniciativa. Onde está a novidade? Isso lá é argumento?

    Quem será que chamava os programas sociais de bolsa-esmola mesmo? Quem disse, num famoso video da internet, que os programas sociais despolitizam os pobres e os fazem pensar “com o estômago, não com a cabeça”? Quem disse, em 2003, que com programas sociais “o cara perdia a vontade de ‘plantar macaxeira'”?

    Bom, se a jornalista omitiu essas informações do seu texto, boa profissional não é. O Estadão fez bem, demitiu mais uma militante incrustada em sua redação. De militantes, já chega os que ficam no Planalto. Quem sabe se desempregada ela não consiga uma vaga no Bolsa-Família? Vai ver de perto o que é “levantar a cabeça acima da mendicância”, poder saborear as maravilhas do programa.

    Ah, mas isso ela não quer. Deve estar esperando outro tipo de dinheiro público: alguma ligação do Franklin Martins para ocupar uma vaga na TV Brasil, valhacouto dos “amigos do Lula”.

    Abraços.

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    1. nina

      Caro Pedro: procure se informar…
      o Bolsa Família é resultado de um projeto do Senador Eduardo Suplicy escrito ainda nos primeiros anos de 90 – não que isso faça diferença… como você raivosamente vocifera… – mas só para esclarecer… projeto não se rouba, se retira, se mantém ou se amplia. O governo atual ampliou e muuuito. Procure as fontes – apenas o projeto tinha outro nome… e previa as várias faces do vemos hoje nos projetos de distribuição de renda (aliás, se não me engano, o nome do projeto já foi Renda Mínima)… enfim, que bobagem….

      Responder
    2. nina

      ah, esqueci: putz, cara o vídeo da internet é super editado… o Lula falava de compra de votos em troca de alimentos, cesta básica etc… se você olhar com menos preconceito, pode ver melhor as conquistas que os últimos governos realizaram… e as que ainda faltam e muito a realizar – independentemente de posição partidária, entende…

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  14. Joana Tavares

    Votei anos no Lula acreditando de todo coração q além da miséria, a corrupção tb seria combatida a todo custo. E não foi. Nunca houve tanto escandalo, nunca se roubou tanto, e pior, por aqueles q justamente q levantaram a bandeira da ética e da justiça. Se o Brasil saiu da ‘zona’ da miséria é pq o ‘país era muito maior do q o buraco em q caiu’. Um erro não justifica outro. E o PT errou muitas e muitas vezes, e Lula nunca soube de nada… Se o Brasil está melhor, o mérito é dos trabalhadores, de empresários sobreviventes de décadas de inflação. O mérito é da natureza exuberante dessa terra. O merito é de quem se manteve honesto, trabalhador e perseverante. Assisti Garapa. E chorei, chorei de pena e de raiva por ter sido tão enganada.

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    1. bertagna

      Cara Joana, o país também era grande na era FHC e além de perder suas riquezas como a Vale, não saiu da Zona da Miséria. Leia a pesquisa do IPEA que prevê a possibilidade de em 20 anos conseguirmos tal feito. Abs

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      1. Jorge

        Caro Bertagna, como trabalhador sou sócio minoritário da Vale, que se tornou uma das maiores empresas do mundo e tenho certeza que abriu emprego para milhares de trabalhadores , ou vc prefere a Vale como grande cabide de emprego que era e dispunha do dinheiro do contribuinte para se manter . O Brasil não perdeu suas riquezas pois se tornou um dos maiores exportadores de minério trazendo dólares para nossa economia. O governo tem de garantir educação, saúde e segurança a população, a própria economia livre gerará forças necessárias para o progresso do país. Essa cantilena de estatização é o pior atraso de um país, vide China, Rússia e agora a própria Cuba abrindo espaço para empreendedores.
        Abs

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        1. bertagna

          Jorge, acho que no caso da Vale o grande problema não foi a privatização em si, mas o PREÇO pago. Mas desejo boa sorte com suas VALE5 (ou VALE3) ! abs

  15. Anderson

    Basta ler o texto com atenção para ver que a autora ataca, com razão, uma parcela pequena, mas barulhenta, de pessoas contrárias ao governo atual. Esse pequeno grupo usa argumentos errados para criticar a situação e pensa que o Bolsa Família, com suas bases iniciadas ainda sob FHC, seria ruim.

    É evidente que não há nada no texto que contrarie a linha editorial d’O Estado de S. Paulo.

    Chega de boatos não confirmados sobre suposta demissão.

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    1. suzana maria barbério bogdan

      O bolsa família não serve para nada… é mais um cala boca que o governo dá aos pobres…não precisa ser matemático pra se fazer uma simples continha:- o mísero salário mínimo está em aproximadamente 510 reais e só de impostos embutidos nos alimentos 44% são levados deste mísero salário… daí vem o governo e presenteia o pobre com 120 reais sendo que os impostos lhe levaram quase 225 reais… isto significa que o governo ainda esta ficando com 105 reais do vergonhoso salário do pobre… pobre honesto não quer esmolas… quer emprego digno com salário digno

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  16. robervalpaulo

    A nossa velha direita raivosa mostra ares de insanidade. Está insana a pobre velha. Não se dá com a verdade. Se furta aos interesses da coletividade. Agride quando a realidade se realiza fora da sua irracionalidade. Seus interesses acima de qualquer outro e para isso, vale tudo. Mas cuidado, o castigo não anda mais a cavalo. Vem agora montado e conduzido pelo povo. Aquele povo que, agora, come e, comendo, pensa e, pensando, reflete e, refletindo sabe que esta velha direita, conservadora e mal intencionada, não é digna do seu voto.

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