Por Aldir Blanc, especial para o Jornal da ABI
Muitos contarão histórias fantásticas sobre o Fausto. Tenho a minha. Mari e eu fomos passar um fim de ano com ele e Mônica, em seu apê, na Avenida Atlântica. Orgulho-me de ter sido o primeiro a chegar e o último a sair. Revi o Claudius, o Pamplona, o Chico Paula Freitas, só gente fina. Na hora dos fogos, Fausto virou duas cadeiras para a janela e disse, peremptório:
-Senta aqui, porra!
Ficamos bebendo, sem dar muita bola para aquela meia hora de luzes e esporro. Quando o show pirotécnico terminou, Fausto deu uma levíssima balançada ao levantar e foi descansar rapidinho. Uns quinze minutos depois, reapareceu de copo em punho, virou duas cadeiras pra janela e me chamou de novo:
- Senta aqui, porra! Vamos ver os fogos juntos!
Até hoje, tamanha a força que Fausto me inspirava, fico pensando se ele havia esquecido dos fogos ou se estava determinado a permanecer ali, bebendo, até o fim do ano que começava. Sou ateu, mas se houver outra vida, já tenho a frase que direi ao rever o Fausto:
- Vim ver os fogos, porra!
E cantaremos a Internacional.
via Jornal da ABI