Estado Brasileiro finalmente anistia seu cineasta genial

Perseguido e censurado nos anos da Ditadura Militar (1964-1985), o cineasta baiano Glauber Rocha, pai do Cinema Novo, autor de  Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe, Barravento e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro – este último, uma das suas nove obras censuradas -, foi oficialmente anistiado em cerimônia realizada nesta quarta-feira (26/5), no Teatro Vila Velha, em Salvador.

Acusado de querer implantar o cinema político como forma de subversão, Glauber foi investigado, vigiado e perseguido pelo regime. “O filme político, através de técnicas minuciosamente estudadas, tem como fim precípuo influenciar a opinião pública, destruindo psicologicamente o espectador. Glauber Rocha e seus seguidores no Brasil querem implantar o cinema político, para com isso enganar o povo e levá-lo à agitação, à desordem política e à revolução”, dizia documento oficial do Ministério da Aeronáutica, datado de 1974.

Diante de um auditório lotado, a redenção do gênio que reinventou o modo de fazer cinema na Bahia e no Brasil levou a platéia ao choro e a efusivos aplausos, quando o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abraão, declarou a esperada anistia a Glauber. “Esse ato representa um reencontro da Nação com a sua própria história. Agora, é o momento de nós conhecermos a verdade relativa às atrocidades da Ditadura Militar, potencializarmos o aprendizado que ela possa nos trazer e, acima de tudo, propiciar que a sociedade brasileira conheça a sua história”, destacou.

A cerimônia, bem ao estilo de Glauber, com dança, teatro e poesia, reuniu artistas, personalidades da cena cultur al baiana, intelectuais, diretores cinematográficos, jornalistas e autoridades políticas, a exemplo do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, que inclusive foi testemunha da família no julgamento e o governador Jaques Wagner (PT)

– “Considerar Glauber um anistiado é fazer justiça; é um reconhecimento de um momento onde houve falta de liberdade e que muitos, como Glauber, sofreram. Então, na medida em que se reconhece um, até pela sua notoriedade, é, ao mesmo tempo, o reconhecimento de muitos; e faz história”, atestou o governador.

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