Koágulos de Psikodelia

Foto: Z. Santos

Não podíamos vislumbrar os desejos do tempo
mas podíamos acessar os desenhos do espaço
onde esse tempo estava contido.
Tínhamos atalhos, malícias alquímicas, pastilhas de lisergia…
e mergulhávamos nos desígnios do caos
por amor á todas as dimensões…
Lá, os deuses de marfim dançavam
riam de nossa inércia subatômica,
E nós, que superamos os deuses, riamos de nós mesmos
Pois não podiamos evitar nossa auto-desprogramação nuclear
nem conter nosso multiuniverso posto á prova.
Por nossa própria vontade abdicamos do ego
e só nos restou a habilidade de contemplar as moléculas
de cada uma daquelas galáxias errantes…
Tínhamos cinko horas de tranze,
para rir da passagem das eras
e se masturbar com a própria nudez…
Modulavamos nossas ondas de pensamentos
para observar, tão somente observar,
as legiões de divindades que destruíam e criavam universos…

E quando despertamos
Numa morning glory
Os deuses eram só koagulos de luz…
assim como nós.

Coletivo Editorial do CCP

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