O estupro da criança é renovado pela própria Polícia

Por Nelson Townes, do noticiaRo.com

Quando as autoridades policiais anunciam que estão ouvindo ou pretendem fazer uma criança depor sobre a violência sexual que sofreu podem estar, verdadeiramente, submetendo a vítima a uma segunda experiência tão traumática quanto o estupro.

Não é um interrogatório comum, não é um adulto narrando como foi assaltado – ou mesmo violentado sexualmente. Trata-se de uma menina ou um menino psicologicamente abalado sendo forçado a reviver cenas que talvez marquem para sempre sua vida.

Por isso, é obrigatório que as tomadas de depoimentos, oitivas, testemunhos ou seja lá o nome que o delegado queira dar seja acompanhado por oficiais do juizado da Infância e da Adolescência e, principalmente, por psicólogos.

Melhor seria que os psicólogos fizessem tais horríveis interrogatórios que, embora necessários para a identificação dos criminosos, fazem a criança violentada novamente sofrer ao ser forçada a lembrar o terror, a dor e a vergonha.

Em Porto Velho, raramente uma vítima de estupro – criança, adolescente ou adulto – tem assistência psicológica antes, durante e após o interrogatório.

Uma criança vítima de exploração ou atentado sexuais, são indivíduos com a infância ultrajada, ou, se preferirem usar um clichê antigo, mas real, com a inocência perdida.

O que seria a inocência perdida? Uma criança descobrir que não é uma pessoa que deve ser respeitada, é apenas um objeto num mundo poderoso, uma coisa fraca que pode ser usada para sentir dor, obrigada a fazer coisas reougnantes e assustadoras. É uma criança que aprende a também não respeitar os outros seres humanos.

Daí a delicadeza, a sensibilidade, a paciência com que os depoimentos de menores vítimas de pedófilos ou de prostituição infantil, devem ser conduzidos.

Infelizmente, são raríssimos, praticamente inexistentes os policiais capazes de realizar tais interrogatórios em Rondônia. Teriam que ser profissionais altamente qualificados, especializados nessa área que é uma das mais críticas da Segurança do Estado de Rondônia.

Felizmente, uns poucos, pouquíssimos delegados estaduais e federais são sensíveis a isso. Por isso um deles removeu imediatamente de sua delegacia o policial que ao tomar o depoimento de uma menina estuprada perguntou:

“E quando ele tocou em você, você gostou?
A menina olhou o policial como havia olhado para o estuprador. Com horror.

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