Ô louco…

Texto e foto de Valéria del Cueto

Eis-me aqui. Viajando no raio da luz da lua que invade sua cela, querida cronista, voluntariamente encarcerada do outro lado do túnel. Trago notícias quase apocalípticas desse mundo que você, sabiamente, abandonou.

Não pense que o fato de seu correspondente ser um extraterrestre equivocado sem gás para abandonar esse planeta doido ainda causa algum espanto nos dias de hoje. Já não sirvo como fantasia delirante para garantir sua vaga de reclusa. Afinal, o que são as aventuras, pensamentos e impressões de Pluct Plact na fila do pão?

Apenas um delírio saudável, ou uma fuga amigável e inocente dessa realidade fantástica que se amplia no início do ano da graça de 2020 aqui na Terra. Nada significo diante dos fatos que sacodem e chacoalham o cotidiano pós-carnavalesco. E alerto: esse, definitivamente, não é o seu mundo.

Aqui, escolas, repartições e afins não funcionam em vários lugares do… planeta! Eventos mundiais são cancelados, com sorte adiados. As viagens são riscos mortais quase palpáveis. Sinais dos tempos de Coronavírus.

Ainda vivíamos a crise dos reservatórios de água no entorno da Baia de Guanabara contaminados. Ela afetava a vida dos habitantes da região metropolitana do Rio de Janeiro, depois da invasão do óleo em milhares de quilômetros das praias do litoral brasileiro, no fim de 2019, início de 2020.

Essa infestação mineral, até hoje sem responsáveis ou culpados, já havia causado um baque na indústria turística brasileira. A salvação da lavoura foi a depreciação da moeda local, o real. Amenizou os efeitos da poluição e, sim, o Rio pululava de turistas quando a água, aquele elemento essencial inodoro e transparente, se transformou num caldo de lama fedorento jorrando pelas torneiras cariocas.

Podia piorar? Claro que sim. E é aí que entra o novo vírus, um produto da China que já se espalhou por todos os continentes, engessando a economia e paralisando as atividades sem que nenhuma ação de contenção se tornasse eficaz contra o tsunami viral.

O que se sabe sobre ele? Tudo e nada. Sua expansão poderia ser narrada em vários filmes, ou melhor, numa série de muitas temporadas do que até um tempo atrás por aqui seria chamado de “ficção científica”.

Teve navio isolado no Japão e em São Francisco, nos EUA. Tem hospitais sendo construídos em tempo recorde na China. Aviões transportando o “maladeto” e isolando regiões inteiras na Itália. E a coisa só cresce. Agora, além de sua mutabilidade impressionante, também se desconfia que o fato de já ter sido infectado não exclui a possibilidade de uma nova contaminação. A nota fora do tom foram duas brasileiras que, fazendo balbúrdia, conseguiram sequenciar o genoma do COVID-19, nome oficial da praga virulenta.

No seu tempo se falava pelos cotovelos lembra, querida? Pois agora se tosse e espirra por ali também. Recomendações médicas. Além de lavar as mãos e entregar para Deus, se Ele tiver tempo de ouvir enquanto tantos pedem seu auxílio. Já tem pastor vendendo bênção para impedir que o Corona se achegue.

Você, que sempre disse para desconfiarmos dos chineses “por que eles são muitos e já podem voar”, estava coberta de razão. No momento, a indústria que “suga” nossos produtos in natura e cospe peças essenciais para nossa pós produção colonial está em colapso e, com ela, vamos todos ladeira abaixo.

Amiga, sabedor da dinâmica dos acontecimentos, reservei um espaço para uma atualização. Aí vai ela: Enquanto as bolsas do mundo sofrem um sacode e usam   do gatilho do circuit breaker, paralisando suas atividades na abertura da semana, o presidente do Brasil pinta uma obra de Romero Brito que retrata sua Michele. Em Miami. Isso depois de ter visto, a tag #BolsonaroCorno pululando nas redes sociais outro dia.

Se o mundo não é para amadores, o Brasil é um caso mais grave. Não é nem para atletas de alta performance e excelente rendimento. Sabe o Ronaldinho Gaúcho? Está preso no Paraguay por uso de documento falso…

Volto na próxima lua cheia, cronista. Fica bem e não tente continuar essa história sem fim. Aguarde os próximos capítulos aqui de fora. Em sua “loucura”, nada que você venha a imaginar será capaz de superar a realidade vigente.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Crônica de um quase carnaval

Texto e foto de Valéria del Cueto

Demorou a hora de falar do carnaval. Foram tantos os percalços nessa temporada que o ano passou enquanto esperávamos no que iam dar.

Teve virada e desvirada de mesa na Liga da Escolas de Samba, a Liesa. Jorge Castanheira, seu presidente, quase foi e voltou. A Imperatriz Leopoldinense, rebaixada em 2019, fez o que podia para ficar no Grupo Especial, mas a manobra foi mal sucedida. Desceu pro Acesso e trouxe para desenvolver seu enredo reprisado “Só dá Lalá”, o carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira. Há males que vem pra bem. O realinhamento pode ser uma excelente oportunidade para a escola de Ramos.

Enquanto isso, as escolas aguardavam as decisões das esferas governamentais. Do mato da Prefeitura do Rio de Janeiro, sob o comando de Marcelo Crivella, já se imaginava que pouco ou nada surgiria.

Houve, inclusive, uma tentativa de entregar o Sambódromo para o Estado. O governador Wilson Witzel ficou animado. Mas na véspera da assinatura do convênio, dia 8 de novembro de 2019, a Procuradoria Geral do Município desaconselhou a iniciativa. Alegando que a transferência poderia ser contestada na justiça, já que feita sem a consulta ou o aval do legislativo municipal, cancelaram a cerimônia que aconteceria no Sambódromo.

Atentem para o fato que já era novembro e nada do comprometido no Termo de Ajuste de Conduta. O TAC, firmado entre o MP, a Prefeitura e a Liesa para a realização do desfile de 2019, incluía uma série de obras estruturais na Passarela do Samba. A urgência era maior já que os cuidados com a conservação deixam a desejar desde a última reforma, em 2012.

As obras foram, finalmente, anunciadas dia 13 de novembro. Um mês depois o Ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio e o deputado Flávio Bolsonaro tiravam fotos na Apoteose anunciando os repasses.

Na virada do ano, a prefeitura anunciou a abertura de “50 dias de carnaval” com o Bloco da Favorita, em Copacabana. Pegos de surpresa, agentes públicos de segurança, saúde e limpeza avisaram que não tinham contingente para atender um mega evento em cima do laço. Entre o libera, não libera, a Justiça decidiu que o bloco gigante não poderia se locomover, apenas se apresentar no palco. As cenas lamentáveis do final da festa, com enfrentamento entre polícia e ambulantes e foliões, percorreram o mundo.

A previsão informada na mesma coletiva da Riotur de que o Sambódromo seria entregue no dia 30 de janeiro já era, por si só, uma indicação da falta de planejamento do poder público. Em anos anteriores os ensaios chegaram a começar logo depois do dia Nacional do Samba, 5 de dezembro. Como buscar patrocinadores sem a garantia da entrega do espaço? A Liesa bem que tentou.

Mas podia piorar? Sim. Retardando a entrega da verba para as escolas da Intendente Magalhães (em setembro anunciou que iria triplicar o valor, passando para R$3 milhões). Crivella só efetivou o pagamento dia 13 de fevereiro.

Junto com o atraso das obras do sambódromo houve uma inversão dos gastos com as Escolas de Samba. As dos grupos que desfilam na Sapucaí não receberam subvenção da prefeitura. Essas agremiações vendiam seus ingressos, as da Intendente não. Ruim para o Grupo Especial, com mais viabilidade de patrocínios e venda de transmissão, péssimo para o Acesso com muito menos visibilidade.

Sem ensaios técnicos, com São Paulo dando banho na organização da festa, o final de semana que antecede o carnaval foi esperado com ansiedade pelos sambistas cariocas. O dia do ritual de lavagem da pista e o ensaio da escola campeã, no teste de luz e de som da Sapucaí é de lei. Necessário para “afinar” a estrutura da passarela. Pois acredite, na sexta-feira ainda não havia confirmação da liberação da Sapucaí. A Riotur informou na véspera: “Na madrugada deste sábado, 15 de fevereiro, o Sambódromo foi liberado para a realização do evento de teste de luz e som com a campeã do Carnaval de 2019 e a tradicional lavagem da Marquês de Sapucaí para domingo”. E choveu a cântaros na hora da lavagem.

Em tempo: o prefeito Marcelo Crivella avisou que “por não saber sambar” não comparecerá aos desfiles.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Quase intocável

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Querid‎a cronista voluntária e sabiamente enclausurada do outro lado do túnel. Sem mais delongas eis-me aqui cada vez mais impregnado dos insuperáveis defeitos humanos para dizer (como já fiz antes) que estou em débito moral com você, amiga. Dessa vez confesso sem a menor vergonha na cara que minha ausência foi proposital.

Eu, Pluct Plact, o extraterrestre impedido de sair desse planeta informo, pela fresta de lua que nos une na minúscula janela da sua cela, que me recusei teimosa e peremptoriamente a expô-la aos horrores recorrentes e vigentes aqui do lado de fora.

Não precisei usar nenhum recurso da minha sofisticada (e inoperante no quesito deslocamento) nave interplanetária para concluir que, por maior que fosse o sofrimento da espera vã a que, reconheço, lhe submeti, ele é menor que as palavras ou o olhar de desalento e desesperança que levaria até você. Acho que fui contaminado pelo mal humano do século XXI. A tal depressão.

E olha que, imagine, escrevo diante da visão de um espetacular pôr do sol admirado da praia no meio do caminho entre o Arpoador e Ipanema. Daqueles que enchem os olhos de lágrimas dos que se dispõem a se deixar impregnar por uma beleza natural quase indescritível (olha eu, pretensioso, tentando).

Estou trazendo notícias porque jurei (tem coisa mais humana?) que não deixaria o primeiro mês do ano da graça de 2020 passar sem chegar até você. Para o bem ou para o mal, não consigo carregar minhas reservas de informações por mais tempo. Exauri parte do meu HD de efemérides terrestres. Infelizmente a dos dados negativos.

Não, não estou exagerando nem sendo dramático. Vivemos aqui fora tempos tenebrosos onde o representante governamental da cultura se traveste e ambienta suas aparições com postura, atitudes e frases retiradas do que o mundo produziu de pior, o nazismo. Em que o rock, o rap, o funk e outras manifestações artísticas populares correm risco real e palpável serem enquadrados pela censura!

Aqui a intolerância se sobrepõe e esmaga qualquer movimento ou iniciativa que discorde ou alerte sobre seu avanço. E vale tudo para se impor. A violência e a intimidação viraram a corda dissonante usada para estrangular e tentar sufocar quaisquer tentativas de reações a esse movimento que engolfa e engole o amor, vomitando diariamente sua arrogância e prepotência.

Tento evitar palavras duras para descrever inenarrável, mas reconheço minha incapacidade de amenizar tanto horror. Os humanos não parecem se dar conta de que estão num processo autofágico e irreversível de autodestruição. Jogam bombas, erguem muros, fazem expurgos enquanto desconstroem a humanidade e contaminam seu habitat. Pobre planeta!

Não irei longe para não precisar falar da Austrália que arde em chamas, nem do novo vírus letal que isolou, para iniciar sua missão mortal, uma megalópole chinesa, fechou parte da lendária Muralha da China impedindo, inicialmente, o ir e vir de dezenas de milhões de habitantes da região. No insucesso para conter sua expansão mundo a fora, até a Organização Mundial de Saúde reconheceu a barbeiragem na aplicação dos protocolos mínimos para conter o avanço da doença mortal.

Por aqui, Minas, Espírito Santo e o norte do Rio de Janeiro sofrem com chuvas torrenciais que deixam mortos, desabrigados e um rastro de destruição. O governador fuzileiro do Rio de Janeiro apelou no viva-voz pela ajuda militar ao vice-presidente. Precisam de água potável! Entendeu? Sim, eu disse água potável. Não, não é filme de ficção. Acontece que os reservatórios da CEDAE e os mananciais que abastecem a população fluminense estão contaminados por algas e outras substâncias. Enquanto o governo afirma que está tudo bem e o líquido é consumível, o mau cheiro exala do que jorra pelas torneiras com uma cor de barro quando foge.

Para sua sorte acabou meu espaço para narrar as misérias que nos afligem! Olho para o horizonte onde o sol, majestoso se põe sem medo de não nascer amanhã. Por enquanto. Pela praia vejo correndo, tentando abraçar o horizonte cor de fogo uma menina. Sim, querida. Ainda há esperança.

Ela mora na inocência e na alegria de quem não entende a maldade que soterra o presente e passa saltitante em direção ao mar tranquilo de temperatura cálida. Se junta aquela que persiste, enquanto deixarem. A natureza que, em todo seu esplendor, sobrevive e insiste em permanecer enquanto der, quase intocável…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Afinal, quem nunca?

Texto foto de Valéria del Cueto

Preparei o espírito, montei o kit praia (SQN) e tomei rumo. Não, não é sexta-feira, mas me dei folga. Assim, relativa, já que cá estou. Na escrevinhação.

Desci com tudo (pensava eu) para a rua e subi saltitante a ladeira da Bulhões de Carvalho. Diretão. Sem opção de desvio, até a Francisco Otaviano e cruzei pelo Parque Garota de Ipanema, com destino quase certo. Apostava na Praia do Diabo. Mas nem cheguei lá…

Queria evitar o vício de caminhar, quase marchar, na areia fofa, parte importante do treinamento para enfrentar a pista de desfile das escolas de samba, a Marquês de Sapucaí, no carnaval que se aproxima.

Acontece que andei forçando o joelho no vai e vem do réveillon em Copacabana entre o apartamento, no Posto 6, o palco, no Posto 2 e a festa maravilhosa, na altura do 4. Foram algumas idas e vindas entre os focos do meu prazer na virada para 2020.

O uso de um calçado inadequado acabou “estragando” o joelho esquerdo. Sempre ele.

Então, caminhar na areia não pode fazer parte do cardápio de hoje por precaução e zelo. Entre repouso, massagens e arnica por dentro e por fora, é melhor não facilitar.

A praia não está cem por cento lotada porque o dia começou mal-humorado. Muita gente apostou na previsão do tempo. Menos ele, claro. São 4 horas da tarde de um dia glorioso. Feito pra vagabundear.

Nem estava pensando em escrever, apesar de estar em falta com os fiéis leitores que desde o ano passado, ou a última década como preferem alguns desavisados, não recebem notícias do lado de cá. Confesso que não tinha a menor intenção de exercitar a imaginação.

Ia deixar esse esforço para me dedicar a leitura de Escravidão, de Laurentino Gomes. Fazem dias que o livro me observa na ponta da mesa aguardando, pacientemente, o momento de entrar em cena.

Eu olho pra ele, ele olha pra mim. Mas, entre vídeos para subir para o Youtube e as fotos que precisam ser editadas e indexadas para o acervo carnevalerio.com, não conseguia achar liga para mergulhar na leitura.

Até que outro dia, numa boca da madrugada, depois terminar de postar o material da Bateria da Mangueira, meu xodó de muitos verões e desse também, resolvi dar uma investida na trilogia do jornalista. Se vim para a praia com o livro na bolsa, dá pra deduzir que fui seduzida. Assim, tracei meu destino para a tarde ensolarada e quente.

Como se fosse senhora da minha vida, deusa do meu próprio destino, capaz de administrar coerentemente meus planos, passos e decisões. Doce ilusão. Com esse marzão me chamando escolhi um bom lugar para baixar acampamento. Sem muita gente em volta e a uma distância precavida do movimento da maré que avança subindo areia a dentro.

Coloquei a mão na bolsa de 1001 utilidades e… CADÊ? Tinha livro, caderninho, caneta, máquina fotográfica. Lenço, carteira, fones de ouvido, batom. Tinha de um tudo. Só não tinha… a canga!

Rebobinei a fita para lembrar que usei a dita cuja como proteção de um pé d´água e, como estava molhada, botei na corda para secar na área de serviço.

Sorte sua. Na impossibilidade de me esparramar à leitura na areia quase em Ipanema, me restou, para não perder a viagem, um banco ao sol na calçada do Arpoador. Fazendo o que? Isso mesmo, narrando a crônica da imperfeição administrativa e mencionando, pra finalizar, a necessária capacidade de adaptação imposta pelas circunstâncias. Chato, porém honesto, já que, afinal, quem nunca?

Ao acabar a missão já realinhei a rota. Destino ladeira abaixo, andar acima, quarto fechado, ar condicionado ligado, “Escravidão” na reta.

Mas só depois de apreciar esse belo fim de tarde carioca. Afinal, também sou filha de Deus…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba abre inscrições para a seleção de estudantes brasileiros

A Coordenação dos Exames de seleção para a EICTV no Brasil comunica que estão abertas até 21 de janeiro, as inscrições para o Processo Seletivo 2020 / 2023. As provas serão aplicadas nos dias 14 e 15 de fevereiro de 2020, em Belo Horizonte / MG, Fortaleza / CE, Florianópolis / SC, Belém / PA Brasília / DF. O edital, com todas as informações necessárias e a ficha de inscrição serão disponibilizados pela internet no blog www.eictvbrasil.blogspot.com. Cada candidato deverá optar por apenas uma das especializações oferecidas:

 – DireçãoProduçãoRoteiroFotografiaSomDocumentário, Edição e TV e Novas Mídias.

Do Brasil, serão selecionados de quatro a seis candidatos que irão fazer parte de um grupo de 40 estudantes de todo o mundo, principalmente da América Latina. O curso tem duração de 3 anos. O início está previsto para setembro de 2020 e término em julho de 2023.

Procedimento para Inscrições                                                                                       

– Ler atentamente as informações deste edital e tirar todas suas dúvidas através do email eictvbrasil@gmail.com.

– Efetuar depósito em conta, referente à taxa de inscrição, no Banco do Brasil, agência 1221-1, c/c 6733-4, CPF 717 936236-00, Luiz Guilherme de S L Pádua, no valor de R$ 160,00 (cento e sessenta reais).

– Preencher a ficha de inscrição disponibilizadas pela internet através de link no blog www.eictvbrasil.blogspot.com

– Anexar o Comprovante de Depósito de R$ 160,00 no campo correspondente da ficha de inscrição (campo 22).

– Enviar a ficha de inscrição. O candidato receberá uma cópia da ficha em seu endereço de e-mail. Esta ficha deve ser entregue, impressa, no dia da prova.

Recomenda-se ao candidato que tire todas suas dúvidas antes de efetuar o depósito. Não haverá devolução em caso de desistência. Em até 48 horas após a confirmação do depósito e recebimento da ficha o candidato receberá, através de email, uma Confirmação de Inscrição com informações adicionais.

Condições e documentos exigidos no dia 14/02, antes dos exames escritos:

– Ter Idade entre 22 e 30 anos (nascidos entre 1990 e 1998).

– Preencher e enviar por e-mail a ficha e comprovante da taxa de inscrição indicando o local onde fará os exames. O candidato deve levar uma cópia impressa, no dia da prova.- Apresentar seu currículo impresso.

– Apresentar carta de motivação, com no máximo 2 laudas, que justifique seu interesse em estudar cinema. No caso de esta carta estar em português, o candidato deve apresentar uma cópia em espanhol.

– Apresentar um autorretrato do candidato, em qualquer suporte, técnica ou formato.

– Arquivo pessoal (portfólio), com materiais em cine, vídeo, foto fixa, música, artes gráficas, literatura, teatro, imprensa, e outros, em cuja elaboração haja participado ou desempenhado um papel significativo e criativo.

Os documentos e materiais abaixo deverão ser entregues apenas pelos classificados para a entrevista no dia 15/02:

– Certificados de estudos que demonstrem que concluiu dois anos de estudos sistemáticos, técnicos ou universitários em qualquer carreira.

– Certificado médico de aptidão física e mental (Exame simples fornecido por qualquer clínico).

– Seis fotos, tamanho 10x10cm. Uma das fotos deverá ser afixada na ficha de inscrição.

Processo de seleção

Cada candidato responderá a 2 provas escritas: uma prova de conhecimentos gerais e uma prova correspondente à especialização que escolheu.

A Prova Específica acontece entre 8h e 11:30h e a Prova de Conhecimentos Gerais, entre 13:30h e 16:00h, no dia 14 de fevereiro. Os candidatos aprovados nas provas escritas passarão por entrevista oral no dia seguinte (15 de fevereiro). A comissão julgadora, então, realiza uma pré-seleção indicando os melhores candidatos em cada especialização. Os candidatos que tenham vindo de outras cidades terão prioridade, na ordem das entrevistas. Todo o processo é realizado em português. O material e a documentação dos selecionados são enviados, em seguida, para Cuba, para a EICTV. O Conselho Docente da EICTV faz a seleção final.

Os nomes dos candidatos selecionados devem ser anunciados na segunda quinzena de abril.

Matrícula

O curso tem duração de três anos, e uma matrícula anual no valor de seis mil euros, pagos à vista (em setembro) ou em duas parcelas (setembro e janeiro).

Os estudantes que ingressam no curso regular têm direito a hospedagem em quartos individuais, alimentação, transporte entre Havana e San Antonio de los Baños, assistência médica primária e de emergência, material escolar e produção integral dos trabalhos em cinema e vídeo.

Sobre a Escuela Internacional de Cine y TV                                                                                       

A EICTV, localizada em San Antonio de los Baños (Cuba), é considerado um dos melhores centros de formação audiovisual em todo o mundo. Foi fundada em 15 de dezembro de 1986, pela Fundação Novo Cinema Latino-Americano (FNCL). Seus fundadores foram o jornalista e escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez, o poeta e realizador argentino Fernando Birri e o teórico e realizador cubano Julio García Espinosa, entre outros. Na época, a intenção foi criar uma escola que atendesse povos de língua latina, África a Ásia. Desde então, já formou milhares de estudantes e profissionais de mais de 50 países, que fizeram desta escola um espaço para a diversidade cultural de grande envergadura, hoje referência mundial.

Escuela Internacional de Cine y TV – San Antonio de los Baños – Cuba

Diretora Geral: Susana Molina /Diretor Acadêmico: Jerónimo Labrada / Coordenadora Acadêmica: Maria Julia Grillo / Site: www.eictv.org

Coordenação Seleção EICTV – Brasil

Geral: Guigo Pádua (eictvbrasil@gmail.com) (31) 99635-1026 EICTV Brasil

Belém:Afonso Galindo(afonsogallindo@gmail.com) (91) 98342-1531 / 99143-5111 Matapi Produções

Brasília: André Leão(andremunizleao@gmail.com) (61) 98634-0404 Laboratório de Imagem e Registro de Interações Sociais – IRIS, do Deptº de Antropologia da UnB

Fortaleza: Marcelo Muller(muller.marcelorm@gmail.com) (11) 98106-7386                                    Porto Iracema das Artes

 Belo Horizonte: Ana Macedo(eictvbrasil@gmail.com)(31 ) 98487-7363 EICTV Brasil

Florianópolis:

 (carol.carolmarins@gmail.com) (48) 99915-1366 SINTRACINE / Cinemateca Catarinense

Tinha que ser?

Texto foto de Valéria del Cueto

Saindo mais uma. Da ponta dos dedos ávidos para riscarem o caderninho com a BIC dourada que ainda guarda resquícios de seu sotaque francês.

Foi de lá que ela veio e se pergunta como, com tantos assuntos em pauta, a autora do Sem Fim tem tempo para ficar fazendo a árvore genealógica de uma simples e humilde (dourada, tudo bem) caneta.

Me apresso a explicar que sou fiel aos meus apegos e valorizo quem me acompanha e não me deixa na mão. Cultivo amizades com quem escreve, a  BIC dourada, e com quem recebe e acolhe as palavras, os caderninhos. Desses, diga-se de passagem, falo sempre. Especialmente ao me despedir amorosamente dos que, preenchidos, estão a caminho da estante das memórias.  Narradas nas crônicas que, confesso, já perdi a conta.

Gosto de coisas novas. Mas me apego a cangas, tênis, óculos e biquinis. Alguns objetos com que, por força do uso, adquiro intimidade. Tento honrar meus companheiros de jornada nos dias bons e nos não tão felizes.

Quer saber? Melhor falar deles do que tentar analisar os acontecimentos.

Queria começar a semana sem precisar registar quem, do alto de sua sabedoria e especialização na realidade pedagógica e educacional do Brasil (sim, o país daquela educação que está na lanterna dos indicadores de excelência… do mundo!), promove o fim da TV Escola e chama Paulo Freire de “energúmeno”.

Com essa bola passando rente a rede só resta enterrar, sem direito a bloqueio, levando ao ponto inquestionável. Que exemplo nos dá com os resultados alcançados por sua prole erudita?

Também adoraria deixar passar o papelão da comitiva ambiental oficial na COP 25. Vergonha perde só para o “êxito” da estratégia do ministro que bagunça o coreto, atrapalha a cúpula, pede dinheiro sem dar garantias e sai do encontro sem um centavo furado. Não foi pior porque o país se fez representar por lideranças e instituições historicamente reconhecidas por atuações relevantes no contexto mundial das mudanças climáticas.

De protagonistas do processo passamos a lanterninhas mequetrefes e mentirosos no quesito ambiental enquanto quase batemos as mil praias atingidas pelo óleo que avança rumo ao sul pelo litoral brasileiro. Apresentamos ao mundo a liberação para a plantação de cana e produção de etanol no pantanal na bacia do alto Paraguai e… na Amazônia! Entre outras proezas.

Enquanto isso, representantes de Mato Grosso acompanham a agonia política de um fenômeno eleitoral encurralado por seus comprovados crimes eleitorais.

E tinha que ser, para nos matar de vergonha, mulher!

Demora tanto para que uma representante do sexo frágil consiga despontar no cenário federal político mato-grossense… Quando aparece já faz logo um strike de burradas (para ser boazinha e maternal é que classifico os crimes da juíza aposentada de forma tão amena). Afinal, os sinais eram claros já ao primeiro ato: jogar a responsabilidade de sua inabilidade política nas costas de uma sequência de marqueteiros que passaram por sua meteórica e atribulada ascensão eleitoral.

Tenho sérias restrições a quem não assume e se responsabiliza por seus atos. Sabe aquele tipo de gente que sempre acha que a culpa é dos outros, capaz de encontrar as justificativas mais estapafúrdias para seus erros e defeitos?

Isso depois de arvorar para si um codinome “de saias”. Foi tanto tempo disparando regras e preconceitos e sendo aplaudida pela plateia deslumbrada que faltou o essencial: estudar e cumprir a lei!

Condenada por unanimidade em Mato Grosso, no upgrade para o STF achou que virar sua metralhadora giratória para a corte e pedir carona na capa do Super Homem poderia poupa-la do cadafalso. Não deu. Tomou um vareio incontestável e perdeu o mandato. Depois, para ficar mais feio e fechar com chave de ouro o conjunto patético da obra, o baú foi fechado com um “áudio juramento” com direito a palavras de baixo calão. E por que não?

Quer saber? Tem o que merece quanto a punição criminal no âmbito da justiça eleitoral. Mas ainda falta. E se a justiça existe, será obrigada a ressarcir os cofres públicos do meu, do seu, dos nossos impostos, pela eleição invalidada.

O próximo passo é coloca-la no panteão inglório como única senadora eleita por Mato Grosso caçada por justíssimas causas.

Tinha que ser mulher?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Caminho de Volta

Texto foto e vídeo de Valéria del Cueto

Querida cronista.  A que voluntariamente enclausurada garantiu sua passagem permanente à maior liberdade que um ser humano pode ter: a interior.

Este seu amigo extraterrestre visitante nas noites de lua cheia pela fresta da abertura de sua cela do outro lado do túnel, reconhece a inutilidade do fato e vem mui respeitosamente pedir desculpas por todas as vãs tentativas de insistir em criar uma conexão a este mundo (ir)real.

É daqui, de uma das suas praias, que informo a decisão muito pensada e avaliada de mantê-la alheia aos últimos acontecimentos.

Hoje é um dia lindo, uma segunda-feira de setembro solar. De praia cheia no fim de tarde.

Daquelas que deixam a impressão (pelo efeito fotográfico do contraste explícito na direção do Leblon e do Morro Dois Irmãos) que o mar azul está emoldurado por reflexos rosa/alaranjados nas espumas das ondas e marolas brincalhonas.

Com os movimentos da maré que está subindo se desenham curvas e laguinhos. Imagens efêmeras no vai e vem do mar.  Incessantes e hipnóticas.

Nesse espaço semiaquático se veem os contornos dos corpos de quem passa caminhando na linha do mar ou em direção a um mergulho. Foi um desses banhistas que que informou, gritando para o grupo de amigos da barraca na areia, que a água está gelada.

No mesmo contraluz dá para apreciar crianças brincando nas poças que começam a encher aproveitando enquanto o sol não cai por trás das montanhas.

Ainda estamos em setembro e, como você me ensinou, sabemos que somente em dezembro ele cairá no mar, rasgando as águas com seus raios refletidos na superfície oceânica.

Em algumas rodas improvisadas as bolas sobem, descem e, quando podem, fogem dos pés dos atletas de fim de tarde estimulando os malabarismos corporais dos jogadores de altinho.

Vai durar pouco o espetáculo. Com a subida da maré a faixa de areia ficará estreita e íngreme dificultando a prática de um dos esportes preferidos por aqui.

Não pense que estou fazendo essa narrativa somente para você. Espero que esteja gostando. Faço também para mim, pobre Pluct Plact, o viajante interplanetário. Este ser estranho aprisionado nesse mundo. Sem a força propulsora necessária tomar um rumo espacial ou o privilégio de uma cela libertadora como você, amiga e mentora.

Preciso purificar meu olhar, depurar meus sentimentos. É, tipo limpar o HD da minha recém adquirida inteligência emocional. Ocupar meus slots com singeleza. Reprogramar a rotina com gentileza. Exercer a prática sem contra indicações da bondade inerente.

Coisas raras por aqui onde somos bombardeados por torpezas, vilanias, violência e obscurantismo. Não há mais limites para a barbárie. Apenas alvos, disparos, robôs e intolerância destrutiva. Muita.

Por isso, agora quem precisa de você sou eu. Para dar uma guinada no fio que sustenta a pipa que, hoje reconheço, somos cada um de nós vindos de qualquer lugar da terra ou, no meu caso, de fora dela.

Preciso de mais linha, ou que ela seja bruscamente recolhida no carretel, para que possa olhar e ver com outros olhos, captar as sensações de maneira diferente. Estes olhos que já viram muitos mundos e galáxias estão cansados de tanto desamor concentrados num só planeta.

Estou à procura nessas linhas do caminho de volta para a inocência e à pureza. Elas, as que deveriam manter a esperança de harmonia no universo…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Havia uma pedra

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Incêndio na Flotropi. E não é pouco fogo não. A bicharada está em pânico e entre uma tossida e outra, uma ajuda a um irmão encurralado e as tentativas de fugir das chamas que engolem a floresta se pergunta: “como chegamos a esse ponto?”

A formigas trabalhadoras já haviam sentido em suas caminhadas no leva e traz de folhas e galhinhos para os formigueiros que algo não estava bem. A começar pela falta de chuvas e o descuido com os preparativos para o período da seca, ao menos para proteger a clareira real. As cigarras estavam mais roucas por causa da fumaça!

O eleito da vez, com mania de dinastia e império, não só deixou de fazer o beabásico, como incentivou a desobediência às regras de queimadas na área florestal. Seu assessor, encarregado das ações preventivas visando proteger o habitat, já dava sinais que estava mais para coração de pedra que coração de leão. E que de protetor e mantenedor do meio ambiente da Flotropi e seus habitantes, animais, vegetais e, por que não, minerais, não tinha nada!

Começou sua obra transferindo o responsável pela proteção dos golfinhos para o lado mais seco do país, alocando-o numa parte semiárida do território.

Nessa época do ano, qualquer animal de boa cepa sabe, em vez de gastar os recursos do tesouro florestal com a medida que, logo depois, foi derrubada no tribunal dos bichos, ele deveria estar estruturando a fiscalização e punindo os infratores que, já no início do inverno e do tempo seco, se preparavam para tocar fogo nas matas. E o que o animal fez? Nada!

Se limita a desqualificar os guardiões e, devidamente motorizado nas redes sociais, agradecer os aplausos dos demais membros do conselho florestal do atual governante, todos interessados em enfraquecer e dizimar os valores primordiais do meio ambientes da Flotropi: o ar, as matas e seus habitantes.

Nem o aparecimento de imagens terríveis de animais carbonizados, da vegetação sendo engolida pelo fogo, nem os gemidos da floresta serviram para sensibilizar os cruéis e gananciosos governantes de Flotropi. Quem imaginaria que as coisas chegariam a esse ponto?

Quando os representantes de outros ecossistemas começaram a se movimentar para impedirem a destruição em massa as hienas e os chacais do conselho continuaram fazendo cara de paisagem (variadas, conforme o setor de atuação) até que o presidente da Flotrofran botou a boca no trombone e levou o caso ao conselho mundial dos mais poderosos sistemas ecológicos do planeta.

E deu no que deu. Ou seja, o eleito (bem feito!) e já não tão amado assim, como bom mico bateu boca com o líder que expôs suas mazelas, partiu para a baixaria pessoal marital, recusou ajuda para conter as queimadas e, vestindo a roupa nova de seus asseclas costureiros, achou que estava tudo dominado.

E não teve manifestação nem passeata da bicharada indignada que amolecesse a moleira e abrisse a “caixola” dos donos da clareira.

Não contaram com a reação que levou o coração de pedra para a lona. A informação de que os produtos da Flotropi estavam fora da pauta de importação de grandes consumidores dos produtos flotropicais.

Deu xabu, deu piti e terminou com uma passagem pela CTI. O que era pedra não furou (ainda), mas começou a propagar, quem nem gota n’água, as consequências de sua inconsequência. O rastilho alcançou vários setores e está fazendo a bicharada ficar de antenas e orelhas em pé.

Rapidamente começaram a operação enxuga gelo para apagar o fogo. Jogando mais lenha em outras “fofogueiras”, baboseiras e besteiras.

Mais ou menos, porque agora a floresta palpitante e o mundo vigilante não vão deixar de cuidar da natureza. Ela não tem dono. É de todos os habitantes. Pelo menos aqui, na Flotropi, onde quem manda sou eu.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Filmes : os 10 mais…

Os 10 melhores. Há alguns anos atrás comecei a fazer uma seleção das 100 melhores músicas para colocar num pendrive. Ô coisa difícil, é um tal de insere música , deleta outra….Até hj a lista está incompleta… Bebendo um vinho argentino, degustando os aromas perfumados de Mendoza enquanto vejo o neoliberalismo se desmanchando tal qual castelo de areia, silenciosamente pensei , porque não fazer uma lista dos 10 melhores filmes ? PQP, outra roubada.
 
1) Cidadão Kane
2) Cinema Paradiso
3) Laranja Mecânica
4) O Encouraçado Potemkin
5) Casablanca
6) Bye Bye Brasil
7) Big Fish
8) Era uma vez no Oeste
9) A felicidade não se compra
10) 2001 – Uma Odisseia no Espaço
11) Blade Runner
12).Um homem, uma mulher.
13)………..
 
Então ?

Se é pra chorar que seja ela, a viola! João Ormond cai no forró no Festival de Viola de Piacatu

Texto e foto de Valéria del Cueto

O ponteio da viola ressoa pelas montanhas que cercam a sede de um dos mais antigos distritos a leste da Zona da Mata mineira, num persistente resgate das raízes musicais brasileiras.

No cenário composto por um preservado casario do final do século XIX, o 16° Festival da Viola e Gastronomia de Piacatuba enche a bucólica Praça Santa Cruz de animados visitantes.

O projeto, produzido Maria Lúcia Braga e patrocinado pela Energisa e o governo de Minas Gerais, já virou tradição e marca registrada do charmoso distrito de Leopoldina, localizado a 25 quilômetros de Cataguases.

Os shows

As noites frias da última semana de julho foram aquecidas pelas etapas regional, nacional e performances de violeiros consagrados como Geraldo Azevedo, Chico Lobo, o mato-grossense João Ormond e Miltinho Ediberto.

As participações dos talentos locais, representados por Thalylis Carneiro e banda Carmim, de Cataguases, com a participação de Dudu Viana na abertura dessa edição, e Rodrigo d’Sá e os Serafins, de Leopoldina, convidando o gaitista Jefferson Gonçalves no encerramento, cumpriram mais uma proposta do projeto.

O intercâmbio entre diferentes vertentes e estilos musicais foi ancorado pela excelente estrutura de palco e som, quesitos essenciais para a valorização da sonoridade dos instrumentos.

O forró se destacou entre os diversos estilos. E foi por ele que o mato-grossense João Ormond trocou o dedilhado pantaneiro nessa edição. No roteiro, o material do CD “Tem Viola no Forró – 2”, o nono de sua carreira.

Esta foi sua terceira visita ao Festival. Na primeira, trouxe “Quariterê” que homenageia Tereza de Benguela. Em sua segunda participação foi a vez de “Viola Pantaneira”.

Baseado em Jundiaí desde 1999, hoje João transita por espaços diversos passeando por diferentes estilos musicais. “Tem um público que gosta do forró nos eventos de festivais como os de inverno, gastronômico, entre outros”, explica. “O som de viola mais tradicional a plateia acompanha em espaços como Sesc, aniversários de cidades.”

Diante dessas demandas Ormond se dedica a vários projetos. “Violas do Brasil” circula pelo Proac/SP. “Nele mostro a viola do cinturão caipira: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Tocantins e Goiás. A ênfase é a viola pantaneira, assim como em “Violas Pantaneiras”, o novo trabalho com Paulo Simões que será lançado dia 02 de agosto em Boticatu e dia 04 no Sesc de Piracicaba, em São Paulo. Estão nas plataformas digitais”, avisa lembrando que lá também está disponível o EP “Pote d´Ouro”.

É também em parceria com o sul mato-grossense “Toca Raul by Violas”, explorando o universo da obra Raul Seixas. “Daqui, irei para Bauru. Vamos fazer no Sesc de lá”, contou.

E são é só, sua viola está presente no projeto Pantanais Instrumentais, um especial Instrumental Sesc Brasil que acabou de ser gravado e em breve será apresentado na TV Sesc. Foi a pedido do Sesc SP que realizou “No Forró do Alceu Valença”, uma homenagem a Alceu Valença e ao cd “Forró de todo os cantos”

Nesses dias de mergulho sonoro, (uma das peculiaridades de Piacatuba é o fato de somente uma rede de telefonia celular tem alcance por lá), entre uma música, uma boa prosa e as atividades como oficinas, palestras e exposições, o que dá a liga e garante a sustância é um desfile de boa gastronomia.

Comidinhas e bebidinhas nos cafés e bares introduzem as saborosas refeições dos restaurantes locais. Com os cardápios no folder do evento já é possível traçar o roteiro ideal para explorar as delícias.

É esta conjunção de fatores que faz com que, não apenas o público, mas também, os astros da festa, como João Ormond, não se façam de rogados a cada possibilidade de marcar presença no evento mineiro.

Que venha em breve a quarta visita do ilustre representante da cultura de Mato Grosso e sua viola pantaneira nas noites animadas de Piacatuba. A plateia agradece!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Parador Cuyabano”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

“Jackson – Na Batida do Pandeiro”, um filme de Marcus Vilar e Cacá Teixeira

foto Heleno Bernardo

Por W.J.Solha

O documentário biográfico de Marcus Vilar e Cacá Teixeira sobre o “Rei do Ritmo” , nascido José Gomes Filho – Alagoa BB Grande, 1919, Brasília, 1982 – é perfeito, o que será fatalmente confirmado por prêmios em todos os festivais de cinema de que fizer parte. Sólido, estruturado em depoimentos do próprio protagonista e dos que lhe foram próximos, o filme alarga o conhecimento da importância de sua grande passagem pela música popular brasileira, através de comentários precisos como o de Bráulio Tavares – que analisa a origem do contundente “swing” de Jackson – o que é realçado pela notável interpretação do “Chiclete com Banana”, por Gilberto Gil.

A obra de Marcus Vilar e Cacá Teixeira vai fundo, também, no que concerne ao ser humano que Jackson foi. O êxodo da família extremamente pobre – de Alagoa Grande pra Campina – em quatro dias… a pé, liderado pela mãe viúva ( Flora Mourão, cantadora de coco ), mais a fome que ele – depois de tanto sucesso – passou no Rio, com a mulher – Neuza Flores – por força de um grave acidente de automóvel, que o impediu de trabalhar por longo tempo, mais a generosidade com que, por exemplo, recebeu o conterrâneo Antônio Barros ( que chegava pra tentar a sorte na então capitão federal, segundo depoimento do próprio futuro parceiro de Cecéu ) são todos tão marcantes quanto a narrativa de Elba Ramalho de como foi seu encontro com o Jackson no aeroporto de Brasília, em que ele insistiu que iria se apresentar num show, na cidade, apesar de se sentir enfartado. Aliás, um dos grandes momentos do belo relato é a inserção de uma disparada de ambulância, ao som da sirene, até encerrar a abertura do filme na escuridão de um viaduto, o relato da morte voltando no final do poderoso flashback que é o documentário, no igualmente belo voo sobre Alagoa Grande – até a casa onde tudo começou e que hoje é seu museu.

Neusa Flores, viúva de Jackon do Pandeiro. Foto : Thercles Silva

Nepotismo natural

Texto e foto de Valéria del Cueto

Hoje somos só nós. Vocês e eu. Caneta, caderninho e a que aqui escreve. Três por uma, a crônica.

Numa ponta, pra variar. Na sexta a tarde, pra firmar. Sem fantasia.

A caminho subi a rua do Posto 6 em direção ao Arpoador já pensando no conteúdo da prosa. Não é igual a ir à praia na Ponta do Leme, minha pedra original. Lá conhecia todo mundo e alcançar o paraíso era uma travessia amorosa.

Porteiros, gari, guardador/lavador de carro, o Coutinho banco/boteco, salvador nas horas perdidas, Marquinhos da papelaria.

Uma fiscalizada nas frutas no seo Avelino, com direito a exame de qualidade da partida mais recente das melhores (e sempre desejadas) mariolas, meu vício. Aquela passada pela banca de jornal do Santo pra conferir as capas dos jornais e o suco de banana com abacaxi com pão na chapa e polenguinho, do Romário ou do Malaquias, na padaria Duque de Caxias.

Essa social sempre fazia que só pensasse na crônica quando acabava de acampar na areia antes de me concentrar nos meus esportes favoritos: o surf nas ondas do canto da pedra e a pelada da garotada na beira do mar. Com traves do gol de coco ou havaianas.

Aqui no Posto 6 a levada é diferente. Mais papo reto. Não dá pra comparar a intimidade e os afetos de uma vida com essa paisagem. Lá era pulo. Aqui é ladeira. Acima. Pra chegar em Ipanema desfilo de ponta a ponta da Bulhões, cruzando do pé do Morro do Pavão até a Pedra do Arpoador.

Claro que já rolam obas e olás. Mas aquela animação não vira por essas bandas. A exceção (como não poderia deixar de ser) é com um velho amigo dos tempos de adolescente. Porteiro do prédio quando morei aqui, hoje bate ponto num edifício vizinho. Com ele a prosa rende. “Hoje está uma tranquilidade no entorno”, informa. “O vice-presidente Mourão está no pedaço com tudo que tem direito.”

Foi pensando neles, os direitos, que num silêncio pensativo subi o restante da ladeira. Nos direitos do general que virou vice e do porteiro que está perdendo os seus nas canetadas ensandecidas dos poderes constituídos de Brasília nessa reforma que, bradam, será para beneficiar os mais pobres.

Todos empurrados à escravidão contemporânea, a que não depende de raça e de cor. Grilhões financeiros e econômicos em que só falta já nascermos no negativo.

Claro que isso é uma projeção catastrófica, dirão aqueles que, com chicotes nas mãos, ainda encontram um jeito de aplaudirem o trabalho infantil.  Em breve seremos embalados pelos sons dos estalos dos rebenques no lombo do gado obediente.

Mas não foi para falar disso que cheguei até aqui. A vida do porteiro amigo ainda é das melhores. Tem emprego, é bom no que faz, ajuda os amigos e, sempre que pode, chuta o balde e vai pescar na praia.

Fui interrompida no riscado por Vilmar, o irmão do mar.  Perguntou o que eu estava escrevendo depois de me pedir um troco pra comprar um marmitex. Vilmar está recolhendo latinhas na praia. É desempregado, tem fome e um sorriso enorme.

Está pior, bem pior que o porteiro pescador. Mas se acha um privilegiado. Me explicou que só ele na família de vários irmãos tem o mar no nome, por isso se sente “irmão dessa lindeza”. Irmão do mar, Vilmar só almeja (me contou) outro mar. O marmitex de sexta.

Na volta pra casa há um burburinho no final da descida da rua. O vice com seu aparato policial, comitiva, coisa e tal, mais um soldo de R$ 19.000,00 acaba de chegar em seu lar!

Que não se compara ao do esfomeado Vilmar. Que pode não ter nada! Mas é irmão. E disso abusa, do mar…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador”, do SEM FIM…  delcueto.wordpress.com

CineBrasilTV : Estréia série “Marcadas” , de dupla paraense que fez Soldados do Araguaia

Com argumento e roteiro de Ismael Machado e produção e pesquisa de Michelle Maia, a série ‘Marcadas’, da Giros Produtora (RJ) tem sido uma das atrações da programação do CineBrasilTV durante todo o mês de julho.

Dirigida por Belisario Franca, Bianca Lenti e Júlia Mariano, a obra é composta por cinco episódios.  A produção narra a força e a resistência de dez mulheres ameaçadas de morte devido a seu engajamento em conflitos ligados à defesa dos Direitos Humanos.

São cinco episódios, exibidos às sextas-feiras, às 21h. Reprises aos domingos, às 21h30. É a segunda produção feita em parceria pelos paraenses Ismael e Michelle com a produtora carioca. Antes, a dupla emplacou outro projeto com a Giros, o longa-documentário Soldados do Araguaia.

Matrizes, show da Mangueira no barracão da Cidade do Samba

Matrizes é o espetáculo concebido por Leandro Vieira e montado no barracão da Estação Primeira da Mangueira na Cidade do Samba.
A estréia do show dirigido pelo carnavalesco duas vezes campeão na verde e rosa foi na quinta-feira, 04 de julho.

Clique AQUI  para acessar o álbum Matrizes no barracão da Mangueira do Flickr.

A cantora Alcione, a primeira convidada da temporada. O elenco é composto por 35 artistas, entre músicos, passistas, baianas e dançarinos. A bateria da Mangueira também participa, é claro. Na próxima quinta-feira o apresentação será de Nelson Sargento, presidente de honra da escola.

Relembrando as vertentes originais do samba carioca como o jongo, caxambu e o choro, o roteiro passeia por clássicos do samba e explora obras de compositores mangueirenses. As apresentações acontecerão às quintas dos meses de julho e agosto de 2019. Informações no site da Mangueira.

Abaixo, em vídeo, um pouco da pegada da bateria verde e rosa no espetáculo. Sobe o som…

Ensaio fotográfico e registros no canal del Cueto, no youtube de ©2019 Valéria del Cueto, all rights reserved
@no_rumo do Sem Fim… delcueto.wordpress.com
@delcueto para CarnevaleRio.com

“Histórias mal contadas” será exibida na TV Serra Azul

Resultado de uma parceria entre a Espaço Vídeo e Cinema e a Fundação Cultural Serra Azul, gestora da TV Serra Azul, localizada na cidade de Porangatu, Norte goiano, retransmissora da TV Futura, a série documental “Histórias mal Contadas” passa a ser exibida a partir de maio na programação da TV goiana.

Composta por 25 capítulos e com 1h52 minutos no total, “Histórias mal contadas” retrata a importância da preservação da oralidade da música autoral e revela todo o processo de construção das músicas através do depoimento de cada compositor participante. Através das narrativas descobre-se as curiosidades e os processos de composição dos artistas.

A figura do personagem como um narrador em processo oralizante possibilita o entendimento da mistura de vozes e sons presentes no qual é possível enriquecer o ponto de vista de cada tema e o produto audiovisual pode ser considerado como uma extensão do processo oral, com a intenção de dar voz ao(s) personagem(s) tornando-o, ao mesmo tempo, sujeito do processo e agente de preservação e resgate do patrimônio cultural vinculado a música autoral e as memórias coletivas.

A série retrata desde músicos famosos, como Chico Batera por exemplo, como pessoas totalmente desconhecidas, seja no Sertão Nordestino, na Floresta Amazônia ou em uma grande cidade, mas que fazem da música e da composição o retrato de seus locais e de suas culturas.

Todos os programas são tratados com a mesma estética, buscando sempre aspectos raros e desconhecidos e, com a possibilidade do desaparecimento das pessoas reais para ocupar uma paisagem sempre em constante transformação.

(Ainda) na luz

Texto e foto de Valéria del Cueto

Vendo a vida da Ponta do Arpoador é que me inspiro para mais uma conexão com você, cara cronista enclausurada.

Tudo é prata nesse mar de ressaca dominical que, diz a moça do tempo que quase sempre erra, mas dessa vez acertou, se estende por grande parte do litoral sul e sudeste do Brasil.

Tem chovido muito por aqui e mesmo com o céu cheio de nuvens, o que explica a prata predominante na palheta de cores que anunciei acima, muita gente aproveitou para lagartear ao sol que recorta e é fonte de luz para rebater as más energias e ampliar as positivas.

Tá todo mundo precisando e deveria haver mais esforço na busca de harmonia.

Mas, cá pra nós, amiga voluntariamente encarcerada do outro lado do túnel, o que tenho encontrado por aqui é justamente o oposto.

Os sensores de meu sofisticado equipamento interestelar energético estão em níveis críticos. Indicam que o desastre é eminente.

Não vou dizer que a situação é irreversível porque aprendi que nessa parte do globo terrestre a gente sempre tem que avaliar e considerar a hipótese da não hipótese. As chances da exceção a regra são geométricas, tomara!

Olhando esse mar maravilhoso em que os surfistas riscam as ondas como se rabiscassem uma coreografia celestial no contra luz do sol que começa a cair não dá para acreditar nos nefastos acontecimentos. São eles que geram os prognósticos negativos.

Nem vou entrar em detalhes que de tão cabulosos e agressivos estão levando a população à beira de um ataque de nervos coletivo.

Além da perda de direitos e das esperanças o que se vê é o prenúncio de uma guerra anunciada. Em que um dos lados dá sinais de que nem as regras básicas do jogo serão cumpridas. A intenção claramente é a de demolir as instituições. As palavras de ordem são invasão e agressão.

Tá danado, amiga. E todos os recursos, inclusive os motores e robôs das redes sociais, estão na arena.

Talvez você não saiba do que estou falando ou talvez já imaginasse em suas projeções, as que abriram seu caminho para a clausura voluntária.

São novidades perversas, instrumentos de disseminação do medo, do ódio e da confusão. Entraram em voga depois do seu exílio, querida, derrubando a credibilidade e provocando a multiplicação da desorientação generalizada. É um bate cabeça interminável.

Não, (agora reconheço seu alerta, amiga) esse mundo não é para amadores.

E, sinto muito dizer, nem para as abelhas, polinizadoras da vida, que morrem aos borbotões indicando (também) que tem alguma coisa errada na ordem natural das coisas.

Paralelamente, uma das “ilhas de prosperidade” da combalida economia brasileira nos primeiros meses de 2019 foi, justamente, as vendas de defensivos agrícolas que subiram mais de 27%!

Enquanto o mundo se preocupa o governo brasileiro abre a porteira da agressão ao meio ambiente agindo de forma criminosa e inconsequente na contramão dos alertas ambientais mundiais.

Não preciso dizer o que isso significa nos meus planos de partir desse para mundos melhores.  A força propulsora dos motores da minha nave cada vez tem menos chances de me irar dessa roubada.

Para finalizar, e poetar, porque ninguém é de ferro, nos restam a fresta (da janela) e a lua (tão nua). Ligações amorosas que nos unem (ainda) na luz.

Do seu Pluct, Plact.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com