Filmes : os 10 mais…

Os 10 melhores. Há alguns anos atrás comecei a fazer uma seleção das 100 melhores músicas para colocar num pendrive. Ô coisa difícil, é um tal de insere música , deleta outra….Até hj a lista está incompleta… Bebendo um vinho argentino, degustando os aromas perfumados de Mendoza enquanto vejo o neoliberalismo se desmanchando tal qual castelo de areia, silenciosamente pensei , porque não fazer uma lista dos 10 melhores filmes ? PQP, outra roubada.
 
1) Cidadão Kane
2) Cinema Paradiso
3) Laranja Mecânica
4) O Encouraçado Potemkin
5) Casablanca
6) Bye Bye Brasil
7) Big Fish
8) Era uma vez no Oeste
9) A felicidade não se compra
10) 2001 – Uma Odisseia no Espaço
11) Blade Runner
12).Um homem, uma mulher.
13)………..
 
Então ?

Se é pra chorar que seja ela, a viola! João Ormond cai no forró no Festival de Viola de Piacatu

Texto e foto de Valéria del Cueto

O ponteio da viola ressoa pelas montanhas que cercam a sede de um dos mais antigos distritos a leste da Zona da Mata mineira, num persistente resgate das raízes musicais brasileiras.

No cenário composto por um preservado casario do final do século XIX, o 16° Festival da Viola e Gastronomia de Piacatuba enche a bucólica Praça Santa Cruz de animados visitantes.

O projeto, produzido Maria Lúcia Braga e patrocinado pela Energisa e o governo de Minas Gerais, já virou tradição e marca registrada do charmoso distrito de Leopoldina, localizado a 25 quilômetros de Cataguases.

Os shows

As noites frias da última semana de julho foram aquecidas pelas etapas regional, nacional e performances de violeiros consagrados como Geraldo Azevedo, Chico Lobo, o mato-grossense João Ormond e Miltinho Ediberto.

As participações dos talentos locais, representados por Thalylis Carneiro e banda Carmim, de Cataguases, com a participação de Dudu Viana na abertura dessa edição, e Rodrigo d’Sá e os Serafins, de Leopoldina, convidando o gaitista Jefferson Gonçalves no encerramento, cumpriram mais uma proposta do projeto.

O intercâmbio entre diferentes vertentes e estilos musicais foi ancorado pela excelente estrutura de palco e som, quesitos essenciais para a valorização da sonoridade dos instrumentos.

O forró se destacou entre os diversos estilos. E foi por ele que o mato-grossense João Ormond trocou o dedilhado pantaneiro nessa edição. No roteiro, o material do CD “Tem Viola no Forró – 2”, o nono de sua carreira.

Esta foi sua terceira visita ao Festival. Na primeira, trouxe “Quariterê” que homenageia Tereza de Benguela. Em sua segunda participação foi a vez de “Viola Pantaneira”.

Baseado em Jundiaí desde 1999, hoje João transita por espaços diversos passeando por diferentes estilos musicais. “Tem um público que gosta do forró nos eventos de festivais como os de inverno, gastronômico, entre outros”, explica. “O som de viola mais tradicional a plateia acompanha em espaços como Sesc, aniversários de cidades.”

Diante dessas demandas Ormond se dedica a vários projetos. “Violas do Brasil” circula pelo Proac/SP. “Nele mostro a viola do cinturão caipira: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Tocantins e Goiás. A ênfase é a viola pantaneira, assim como em “Violas Pantaneiras”, o novo trabalho com Paulo Simões que será lançado dia 02 de agosto em Boticatu e dia 04 no Sesc de Piracicaba, em São Paulo. Estão nas plataformas digitais”, avisa lembrando que lá também está disponível o EP “Pote d´Ouro”.

É também em parceria com o sul mato-grossense “Toca Raul by Violas”, explorando o universo da obra Raul Seixas. “Daqui, irei para Bauru. Vamos fazer no Sesc de lá”, contou.

E são é só, sua viola está presente no projeto Pantanais Instrumentais, um especial Instrumental Sesc Brasil que acabou de ser gravado e em breve será apresentado na TV Sesc. Foi a pedido do Sesc SP que realizou “No Forró do Alceu Valença”, uma homenagem a Alceu Valença e ao cd “Forró de todo os cantos”

Nesses dias de mergulho sonoro, (uma das peculiaridades de Piacatuba é o fato de somente uma rede de telefonia celular tem alcance por lá), entre uma música, uma boa prosa e as atividades como oficinas, palestras e exposições, o que dá a liga e garante a sustância é um desfile de boa gastronomia.

Comidinhas e bebidinhas nos cafés e bares introduzem as saborosas refeições dos restaurantes locais. Com os cardápios no folder do evento já é possível traçar o roteiro ideal para explorar as delícias.

É esta conjunção de fatores que faz com que, não apenas o público, mas também, os astros da festa, como João Ormond, não se façam de rogados a cada possibilidade de marcar presença no evento mineiro.

Que venha em breve a quarta visita do ilustre representante da cultura de Mato Grosso e sua viola pantaneira nas noites animadas de Piacatuba. A plateia agradece!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Parador Cuyabano”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

“Jackson – Na Batida do Pandeiro”, um filme de Marcus Vilar e Cacá Teixeira

foto Heleno Bernardo

Por W.J.Solha

O documentário biográfico de Marcus Vilar e Cacá Teixeira sobre o “Rei do Ritmo” , nascido José Gomes Filho – Alagoa BB Grande, 1919, Brasília, 1982 – é perfeito, o que será fatalmente confirmado por prêmios em todos os festivais de cinema de que fizer parte. Sólido, estruturado em depoimentos do próprio protagonista e dos que lhe foram próximos, o filme alarga o conhecimento da importância de sua grande passagem pela música popular brasileira, através de comentários precisos como o de Bráulio Tavares – que analisa a origem do contundente “swing” de Jackson – o que é realçado pela notável interpretação do “Chiclete com Banana”, por Gilberto Gil.

A obra de Marcus Vilar e Cacá Teixeira vai fundo, também, no que concerne ao ser humano que Jackson foi. O êxodo da família extremamente pobre – de Alagoa Grande pra Campina – em quatro dias… a pé, liderado pela mãe viúva ( Flora Mourão, cantadora de coco ), mais a fome que ele – depois de tanto sucesso – passou no Rio, com a mulher – Neuza Flores – por força de um grave acidente de automóvel, que o impediu de trabalhar por longo tempo, mais a generosidade com que, por exemplo, recebeu o conterrâneo Antônio Barros ( que chegava pra tentar a sorte na então capitão federal, segundo depoimento do próprio futuro parceiro de Cecéu ) são todos tão marcantes quanto a narrativa de Elba Ramalho de como foi seu encontro com o Jackson no aeroporto de Brasília, em que ele insistiu que iria se apresentar num show, na cidade, apesar de se sentir enfartado. Aliás, um dos grandes momentos do belo relato é a inserção de uma disparada de ambulância, ao som da sirene, até encerrar a abertura do filme na escuridão de um viaduto, o relato da morte voltando no final do poderoso flashback que é o documentário, no igualmente belo voo sobre Alagoa Grande – até a casa onde tudo começou e que hoje é seu museu.

Neusa Flores, viúva de Jackon do Pandeiro. Foto : Thercles Silva

Nepotismo natural

Texto e foto de Valéria del Cueto

Hoje somos só nós. Vocês e eu. Caneta, caderninho e a que aqui escreve. Três por uma, a crônica.

Numa ponta, pra variar. Na sexta a tarde, pra firmar. Sem fantasia.

A caminho subi a rua do Posto 6 em direção ao Arpoador já pensando no conteúdo da prosa. Não é igual a ir à praia na Ponta do Leme, minha pedra original. Lá conhecia todo mundo e alcançar o paraíso era uma travessia amorosa.

Porteiros, gari, guardador/lavador de carro, o Coutinho banco/boteco, salvador nas horas perdidas, Marquinhos da papelaria.

Uma fiscalizada nas frutas no seo Avelino, com direito a exame de qualidade da partida mais recente das melhores (e sempre desejadas) mariolas, meu vício. Aquela passada pela banca de jornal do Santo pra conferir as capas dos jornais e o suco de banana com abacaxi com pão na chapa e polenguinho, do Romário ou do Malaquias, na padaria Duque de Caxias.

Essa social sempre fazia que só pensasse na crônica quando acabava de acampar na areia antes de me concentrar nos meus esportes favoritos: o surf nas ondas do canto da pedra e a pelada da garotada na beira do mar. Com traves do gol de coco ou havaianas.

Aqui no Posto 6 a levada é diferente. Mais papo reto. Não dá pra comparar a intimidade e os afetos de uma vida com essa paisagem. Lá era pulo. Aqui é ladeira. Acima. Pra chegar em Ipanema desfilo de ponta a ponta da Bulhões, cruzando do pé do Morro do Pavão até a Pedra do Arpoador.

Claro que já rolam obas e olás. Mas aquela animação não vira por essas bandas. A exceção (como não poderia deixar de ser) é com um velho amigo dos tempos de adolescente. Porteiro do prédio quando morei aqui, hoje bate ponto num edifício vizinho. Com ele a prosa rende. “Hoje está uma tranquilidade no entorno”, informa. “O vice-presidente Mourão está no pedaço com tudo que tem direito.”

Foi pensando neles, os direitos, que num silêncio pensativo subi o restante da ladeira. Nos direitos do general que virou vice e do porteiro que está perdendo os seus nas canetadas ensandecidas dos poderes constituídos de Brasília nessa reforma que, bradam, será para beneficiar os mais pobres.

Todos empurrados à escravidão contemporânea, a que não depende de raça e de cor. Grilhões financeiros e econômicos em que só falta já nascermos no negativo.

Claro que isso é uma projeção catastrófica, dirão aqueles que, com chicotes nas mãos, ainda encontram um jeito de aplaudirem o trabalho infantil.  Em breve seremos embalados pelos sons dos estalos dos rebenques no lombo do gado obediente.

Mas não foi para falar disso que cheguei até aqui. A vida do porteiro amigo ainda é das melhores. Tem emprego, é bom no que faz, ajuda os amigos e, sempre que pode, chuta o balde e vai pescar na praia.

Fui interrompida no riscado por Vilmar, o irmão do mar.  Perguntou o que eu estava escrevendo depois de me pedir um troco pra comprar um marmitex. Vilmar está recolhendo latinhas na praia. É desempregado, tem fome e um sorriso enorme.

Está pior, bem pior que o porteiro pescador. Mas se acha um privilegiado. Me explicou que só ele na família de vários irmãos tem o mar no nome, por isso se sente “irmão dessa lindeza”. Irmão do mar, Vilmar só almeja (me contou) outro mar. O marmitex de sexta.

Na volta pra casa há um burburinho no final da descida da rua. O vice com seu aparato policial, comitiva, coisa e tal, mais um soldo de R$ 19.000,00 acaba de chegar em seu lar!

Que não se compara ao do esfomeado Vilmar. Que pode não ter nada! Mas é irmão. E disso abusa, do mar…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador”, do SEM FIM…  delcueto.wordpress.com

CineBrasilTV : Estréia série “Marcadas” , de dupla paraense que fez Soldados do Araguaia

Com argumento e roteiro de Ismael Machado e produção e pesquisa de Michelle Maia, a série ‘Marcadas’, da Giros Produtora (RJ) tem sido uma das atrações da programação do CineBrasilTV durante todo o mês de julho.

Dirigida por Belisario Franca, Bianca Lenti e Júlia Mariano, a obra é composta por cinco episódios.  A produção narra a força e a resistência de dez mulheres ameaçadas de morte devido a seu engajamento em conflitos ligados à defesa dos Direitos Humanos.

São cinco episódios, exibidos às sextas-feiras, às 21h. Reprises aos domingos, às 21h30. É a segunda produção feita em parceria pelos paraenses Ismael e Michelle com a produtora carioca. Antes, a dupla emplacou outro projeto com a Giros, o longa-documentário Soldados do Araguaia.

Matrizes, show da Mangueira no barracão da Cidade do Samba

Matrizes é o espetáculo concebido por Leandro Vieira e montado no barracão da Estação Primeira da Mangueira na Cidade do Samba.
A estréia do show dirigido pelo carnavalesco duas vezes campeão na verde e rosa foi na quinta-feira, 04 de julho.

Clique AQUI  para acessar o álbum Matrizes no barracão da Mangueira do Flickr.

A cantora Alcione, a primeira convidada da temporada. O elenco é composto por 35 artistas, entre músicos, passistas, baianas e dançarinos. A bateria da Mangueira também participa, é claro. Na próxima quinta-feira o apresentação será de Nelson Sargento, presidente de honra da escola.

Relembrando as vertentes originais do samba carioca como o jongo, caxambu e o choro, o roteiro passeia por clássicos do samba e explora obras de compositores mangueirenses. As apresentações acontecerão às quintas dos meses de julho e agosto de 2019. Informações no site da Mangueira.

Abaixo, em vídeo, um pouco da pegada da bateria verde e rosa no espetáculo. Sobe o som…

Ensaio fotográfico e registros no canal del Cueto, no youtube de ©2019 Valéria del Cueto, all rights reserved
@no_rumo do Sem Fim… delcueto.wordpress.com
@delcueto para CarnevaleRio.com

“Histórias mal contadas” será exibida na TV Serra Azul

Resultado de uma parceria entre a Espaço Vídeo e Cinema e a Fundação Cultural Serra Azul, gestora da TV Serra Azul, localizada na cidade de Porangatu, Norte goiano, retransmissora da TV Futura, a série documental “Histórias mal Contadas” passa a ser exibida a partir de maio na programação da TV goiana.

Composta por 25 capítulos e com 1h52 minutos no total, “Histórias mal contadas” retrata a importância da preservação da oralidade da música autoral e revela todo o processo de construção das músicas através do depoimento de cada compositor participante. Através das narrativas descobre-se as curiosidades e os processos de composição dos artistas.

A figura do personagem como um narrador em processo oralizante possibilita o entendimento da mistura de vozes e sons presentes no qual é possível enriquecer o ponto de vista de cada tema e o produto audiovisual pode ser considerado como uma extensão do processo oral, com a intenção de dar voz ao(s) personagem(s) tornando-o, ao mesmo tempo, sujeito do processo e agente de preservação e resgate do patrimônio cultural vinculado a música autoral e as memórias coletivas.

A série retrata desde músicos famosos, como Chico Batera por exemplo, como pessoas totalmente desconhecidas, seja no Sertão Nordestino, na Floresta Amazônia ou em uma grande cidade, mas que fazem da música e da composição o retrato de seus locais e de suas culturas.

Todos os programas são tratados com a mesma estética, buscando sempre aspectos raros e desconhecidos e, com a possibilidade do desaparecimento das pessoas reais para ocupar uma paisagem sempre em constante transformação.

(Ainda) na luz

Texto e foto de Valéria del Cueto

Vendo a vida da Ponta do Arpoador é que me inspiro para mais uma conexão com você, cara cronista enclausurada.

Tudo é prata nesse mar de ressaca dominical que, diz a moça do tempo que quase sempre erra, mas dessa vez acertou, se estende por grande parte do litoral sul e sudeste do Brasil.

Tem chovido muito por aqui e mesmo com o céu cheio de nuvens, o que explica a prata predominante na palheta de cores que anunciei acima, muita gente aproveitou para lagartear ao sol que recorta e é fonte de luz para rebater as más energias e ampliar as positivas.

Tá todo mundo precisando e deveria haver mais esforço na busca de harmonia.

Mas, cá pra nós, amiga voluntariamente encarcerada do outro lado do túnel, o que tenho encontrado por aqui é justamente o oposto.

Os sensores de meu sofisticado equipamento interestelar energético estão em níveis críticos. Indicam que o desastre é eminente.

Não vou dizer que a situação é irreversível porque aprendi que nessa parte do globo terrestre a gente sempre tem que avaliar e considerar a hipótese da não hipótese. As chances da exceção a regra são geométricas, tomara!

Olhando esse mar maravilhoso em que os surfistas riscam as ondas como se rabiscassem uma coreografia celestial no contra luz do sol que começa a cair não dá para acreditar nos nefastos acontecimentos. São eles que geram os prognósticos negativos.

Nem vou entrar em detalhes que de tão cabulosos e agressivos estão levando a população à beira de um ataque de nervos coletivo.

Além da perda de direitos e das esperanças o que se vê é o prenúncio de uma guerra anunciada. Em que um dos lados dá sinais de que nem as regras básicas do jogo serão cumpridas. A intenção claramente é a de demolir as instituições. As palavras de ordem são invasão e agressão.

Tá danado, amiga. E todos os recursos, inclusive os motores e robôs das redes sociais, estão na arena.

Talvez você não saiba do que estou falando ou talvez já imaginasse em suas projeções, as que abriram seu caminho para a clausura voluntária.

São novidades perversas, instrumentos de disseminação do medo, do ódio e da confusão. Entraram em voga depois do seu exílio, querida, derrubando a credibilidade e provocando a multiplicação da desorientação generalizada. É um bate cabeça interminável.

Não, (agora reconheço seu alerta, amiga) esse mundo não é para amadores.

E, sinto muito dizer, nem para as abelhas, polinizadoras da vida, que morrem aos borbotões indicando (também) que tem alguma coisa errada na ordem natural das coisas.

Paralelamente, uma das “ilhas de prosperidade” da combalida economia brasileira nos primeiros meses de 2019 foi, justamente, as vendas de defensivos agrícolas que subiram mais de 27%!

Enquanto o mundo se preocupa o governo brasileiro abre a porteira da agressão ao meio ambiente agindo de forma criminosa e inconsequente na contramão dos alertas ambientais mundiais.

Não preciso dizer o que isso significa nos meus planos de partir desse para mundos melhores.  A força propulsora dos motores da minha nave cada vez tem menos chances de me irar dessa roubada.

Para finalizar, e poetar, porque ninguém é de ferro, nos restam a fresta (da janela) e a lua (tão nua). Ligações amorosas que nos unem (ainda) na luz.

Do seu Pluct, Plact.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

7º FLI acontece em Iguape dias 7 e 8 de junho com o tema Futuro , Lugar e Memória

 

Poeta, slammer e uma das organizadoras do Slam das Minas, Mel Duarte comanda o FLISARAU, um encontro poético com microfone aberto para todos que quiserem ler ou recitar textos, poemas ou poesias, autorais ou não autorais. Simplesmente, não dá para perder!

Área de povoamento bastante antigo, o Vale do Ribeira está localizado no sul do estado de São Paulo e leste do Paraná e é composto por municípios por onde passam o Rio Ribeira de Iguape e seus afluentes, que até o século passado eram a única via de acesso a outras regiões do estado.

A preservação das matas e a diversidade ecológica são algumas de suas marcas, mas a preservação não é apenas ambiental, importantes comunidades quilombolas, indígenas e caiçaras ocupam e dão identidade ao lugar.

Devido sua posição de isolamento, a região tem a característica de ser “um estado dentro do estado”, com vivências, memórias e identidade própria que tornam-se visíveis em diversos aspectos do local, desde a arquitetura, a economia, até a cultura.

Uma das maneiras de acessarmos toda essa memória, identidade e história é por meio de uma técnica de registro milenar, a escrita. E é assim que nasce o FLI!

O Festival, que acontece em Iguape,  na região do Vale do Ribeira desde 2013, traz para este ano o tema “Futuro, Lugar e Memória”. Com as presenças de escritores, artistas e pensadores como Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Geovani Martins, Mel Duarte e Bianca Santana, serão discutidas questões sobre território, ancestralidade e povos tradicionais.

Durante o 7° FLI vão rolar algumas sessões de autógrafos e lançamentos de livros, uma ótima oportunidade para quem quer ter algum tipo de troca com os autores das obras 🙂

Na sexta (7), às 20h, a autora Eda Nagayama estará no Ponto do Livro, na Praça da Basílica, Centro Histórico de Iguape, para o lançamento de “Yaser”. Na obra, Nagayama narra a realidade do povo palestino diante das contínuas políticas coloniais de Israel pela lente de Yaser, um camponês da vila de Yanoun.

Geovani Martins, autor do aclamado “O Sol na Cabeça”, Russo Passapusso, músico e compositor, integrante da banda BaianaSystem, e a atriz, cantora e ativista Zezé Motta se reúnem para “O Futuro Não Demora”. Com mediação de Bianca Santana, a conversa-reflexão aborda palavra, sociedade e insurgência a partir da vida e obra de três olhares e gerações.

A primeira atração musical do 7° FLI é Luedji Luna . Transitando entre o universo da música brasileira e africana, a cantora e compositora baiana apresenta o show de seu álbum “Um Corpo no Mundo”, que lhe consagrou uma das mais promissoras revelações musicais da atualidade, sendo premiada e indicada aos Prêmios Bravo, SIM, WME, Caymmi e Multishow 2018.

A partir do livro “Futuro e Memória – Escrevivências do Vale do Ribeira”, que reúne textos de escritores de Cajati, Cananeia, Eldorado, Iguape, Itaoca, Registro e Ribeira, a intervenção une música e poesia num ato de celebração da riqueza cultural do Vale. É a vez do Grupo Cultural Batucajé do Vale.

No segundo dia do FLI (8), às 10h, vai rolar o Samba de Roda Nega Duda, na Praça da Basílica, Centro Histórico de Iguape

Nega Duda e seu Samba de Roda evocam as memórias de sambadeiras e sambadores do Recôncavo Baiano, com referências do culto aos orixás e caboclos, à capoeira e à comida de azeite, exaltando uma das mais importantes e significativas manifestações populares da cultura brasileira.

Sábado (8), às 14h, Conceição Evaristo participa da conversa “Escrevivência Insubmissa”. Neste encontro, a autora de “Olhos D’água” e “Ponciá Vicêncio” fala sobre os temas presentes em sua obra, como educação, gênero, memória e relações étnicas na sociedade. Com mediação de Bianca Santana.

No  dia (8) também acontece o FLI Paralelo, no Museu Histórico, entre 11h30 e 19h. Uma das grandes atrações do espaço será o bate-papo Futuro, Lugar e Memória, que reunirá os escritores Júlio Cesar da Costa (Na Ribeira da Poesia), Angélica Freitas (Um Útero é do Tamanho de um Punho), Cidinha da Silva (Os Nove Pentes D África) e Eda Nagayama (Desgarrados). A proposta é discutir sobre escritas que, a partir do território e da identidade, propagam memórias, sentimentos e insubmissões. O bate-papo será das 17h30 às 19h. Neste espaço haverá também conversas com Nega Duda, Timóteo Verá Tupã Popyguá, Islene Motta, Maria Mazarello e Luciana Bento. No FLI Paralelo cada atividade tem 30 vagas, sendo que a distribuição de ingressos será feita 1h antes do início de cada conversa.

Destacamos também mais uma conversa imperdível que vai rolar no 7° FLI: Ana Maria Gonçalves, autora de “Um Defeito de Cor”, Deborah Dornellas, responsável por “Por Cima do Mar”, Marcelino Freire, que escreveu “Contos Negreiros” e “Nossos Ossos”, e Deivid Domênico, um dos compositores do samba-enredo de 2019 da Mangueira, refletem sobre outras perspectivas de nossa história, outras versões de nosso passado e de quem somos em “Histórias que a história não conta ou o avesso do mesmo lugar”, com a mediação de Bianca Santana.

No sábado (8), às 15h, acontecerá o lançamento e sessão de autógrafos do livro “Onde está o Bóris?” (Editora Piraporiando), com a autora Janine Rodrigues.

Onde está o Boris? Muita preguiça, um dia de chuva, um gato curioso, e uma menina zureta das ideias. Samantha não imaginava a confusão que se meteria quando decidiu não fechar a janela de seu quarto. E Belinda se recusou a esperar. E você? Sabe onde está o Boris?

Durante os dois dias de Festival, o público encontrará no Ponto do Livro um espaço de troca de obras infantis e adultas, além de gibis. É uma oportunidade de renovar as bibliotecas pessoais sem custo algum. No sábado (8), das 10h às 23h30, basta levar um livro em bom estado e trocar por outro. A atividade acontecerá na Praça da Basílica.

No show que encerra a sétima edição do FLI, Nação Zumbi, um dos grupos mais influentes e respeitados na música brasileira, precursor do Mangue Beat, apresenta seus clássicos, como “Manguetown” e “Quando a Maré Encher”, além de versões de grandes sucessos que influenciaram e marcaram a banda, como “Maracatu Atômico”.

Como outra qualquer, Flotropi


Texto e foto de Valéria del Cueto

A bicharada não está acreditando na performance do novo boss do mundo animal da Flotropi.

É por que se a fauna botou no governo um mito que pensa que seu mandato se expande por outras gerações de sua estirpe, a flora e os representantes do mundo mineral já mandaram avisar que não têm diálogo com quem já disse que quer “explorar” a natureza. Que a bicharada se responsabilize por suas escolhas, mas não venham dar pitaco no quintal alheio.

E não foi sem tempo: o mito já decretou o arrasa quarteirão dos recursos naturais. Tudo a troco de uns caraminguás.

Verdade seja dita, muito foram contra a ascensão da prole unida, mas não souberam se fazer ouvir. Outros, lavaram as mãos, asas, patas e guelras. Deu no que está dado.

Um desastre em proporções quase que bíblicas. O advento de mais um sacode florestal. Essa bicharada, cá entre nós, não acerta uma.

A coisa anda séria lá pros lados da clareira. Tem pena, couro, escama e pele sobrando pra todo lado. Nas redes sociais os papagaios, caturrita e afins estão a ponto de cair dos galhos, de tão cansados do leva e traz.

O causo é que um dos mitos filho assumiu o papel e o (des)controle das comunicações reais trazendo insegurança, desavenças e ampliando o destempero que que acaba provocando o desemprego para os antigos responsáveis pelo setor e a certeza que agora não é tudo nem nada, restou apenas uma grande confusão.

O que, obviamente, levou ao maior índice de inconfiabilidade já registrado na comunidade da floresta. Quando abriram as cortinas do universo, nem a lua conseguiu cantar em verso sua história astral.

Não há espaço para premonições, profecias nem poesia. Tudo é credo, cruz e muitas vezes sobra até pra ela, a Ave Maria. Imagina o que passa na cabeça de todos os santos?

Resumindo, não há mais alegria.

É tempo de medo, delação e preconceito no reino animal. Tipo cobra comendo cobra.

É um tal de chamar urubu de meu louro, num período em que o me engana que eu gosto está valendo ouro.

Não é necessário dizer que esse espirito de porco generalizado que se espalha tão estridente e insuportável como o canto da araponga ultrapassou as fronteiras anunciando medidas radicais e inconsequentes do governante de plantão.

No seu entorno, diga-se de passagem, só a fina flor. As gralhas gritam, as hienas, entre risadas, afagam, dando o bote. As raposas seguem rodeando e fazendo de conta que quem manda é o rei, enquanto desmantelam a estrutura florestal.

Não está sobrando ninho sobre os galhos, toca nas árvores, no mato ou sobre a terra. Mas tem animal achando bom.

Ou melhor. Tinha. Para gáudio e satisfação dos caçadores, apesar de proibido nas leis do reino, o mandatário mor liberou as armas, criando um desequilíbrio de forças entre as espécies. Não satisfeito, reduziu as verbas para a educação florestal.

Para finalizar, enquanto seu guru cospe impropérios contra os militares do exército real, o chefão avisa que mandará para a instância superior judiciário florestal seu dobermann da segurança e contenção que anda um pouco chateado com a falta de atenção com seus planos contra a corrupção (ora pois) e segurança.

Isso tudo em uma semana como qualquer outra aqui na pacata Flotropi…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Espaço Vídeo e Cinema e TV Serra Azul fecham parceria para exibição de séries

Uma parceria entre a Espaço Vídeo e Cinema e a Fundação Cultural Serra Azul, gestora da TV Serra Azul e retransmissora da TV Futura na cidade de Porangatu, Norte de Goiás, abre espaço na grade de programação da emissora para exibição de conteúdo nacional.

A proposta de parceria entre as instituições partir da necessidade, por um lado, de se ampliar o conteúdo nacional da TV Serra Azul e, por outro, da importância das séries produzidas pela Espaço Vídeo e Cinema no contexto de retratar diferentes aspectos da cultura brasileira.

Para o diretor da Espaço e Vídeo, o cineasta José Jurandir da Costa, a abertura de canais de televisão no interior do país para a exibição de produções nacionais “abre a possibilidade para que uma grande quantidade de obras produzidas possa ser conhecida pelos mais diferentes públicos em diversas regiões do Brasil”.

O presidente do Conselho de Administração da Fundação Cultural Serra Azul, engenheiro Carlos Rosemberg, um dos responsáveis pela parceria, ressalta que a TV Serra Azul “busca se inserir no contexto do audiovisual brasileiro e que um dos objetivos é possibilitar a abertura da grade para mostrar a riqueza das produções nacionais”. Ainda de acordo com ele, “a parceria com a Espaço Vídeo e Cinema vai inserir em nossa programação quase cinco horas de conteúdo nacional, o que é de suma importância para a região onde estamos”.

De acordo com o cineasta, foram disponibilizadas três séries documentais. A primeira, “Imagens da Memória”, composta três temporadas e vinte e dois capítulos e com cerca de 04 horas de duração, resgata a importância das histórias de vida de pessoas isoladas em diversos territórios do país.

Outra série que será exibida pela TV Serra Azul é “Histórias mal contadas”, com vinte e cinco capítulos e com 1h52 minutos no total e que retrata a preservação da oralidade da música autoral e revela todo o processo de construção das músicas através do depoimento de cada compositor.

A terceira série é “Animando Amazônia”, com duas temporadas e um total de trinta e três episódios, projeto pioneiro de animação desenvolvida na Amazônia brasileira e na Bolívia, utilizando a técnica de Pixilation e que tem sua atenção ao meio ambiente e a importância da consciência ambiental.

A parceria, firmada em 2019, pretende ser ampliada ainda este ano, com a Espaço Vídeo e Cinema já tendo sido convidada pela TV Serra Azul a produzir documentários que retratem a cultura e as tradições artísticas da região norte de Goiás e a importância da preservação do Cerrado.

Minha relação com os bancos escolares e universitários

foto:Paulo Fonteles Filho

Por Ismael Machado

Minha relação com universidades é intensa. Tenho duas graduações, além de um mestrado e três especializações. Mas também deixei por concluir pelo menos dois cursos. Mas sempre considero meus anos mais importantes os que envolvem minha primeira passagem universitária, como estudante de Psicologia (esse é um dos cursos inconclusos). Foi o mais marcante. Entrei na Universidade Federal do Pará (UFPA) em 1986. O ano, por si só, já é emblemático. Foi um dos anos mais interessantes daquele efervescente rock nacional da década, com discos fundamentais no período (só para lembrar: Legião Urbana 2, Cabeça Dinossauro, Vivendo e Não Aprendendo, Pânico em SP, Mercenárias, O Concreto já Rachou e muitos etc).

É difícil explicar o que foram os anos 80 para quem não os viveu, mas não é à toa que ele se tornou tão mítico na memória nacional. Entrei na universidade e ali o nome universidade fez sentido. Conheci pessoas que marcaram minha vida, entre professores e colegas. Não demorou e entrei numa chapa de Centro Acadêmico, como diretor cultural. A chapa era a Ensaio Geral e tinha uma moçada da Convergência Socialista na cabeça, gente como o Serginho Darwich e a Miriam, por exemplo. Tinha o Marquinho, o Fernando, a Celina etc. E nós éramos o sanguinho novo, mesmo sem coloração partidária. Éramos eu, Mylena, Adelaide, Fran, Bia, a turma da psicologia.

Mas tinha tanta gente cheia de energia. Roger Paes, Valéria Nascimento, Vânia Torres, Luciana Medeiros, Lula, Tatá Ribeiro, Valter Sampaio, Tereza Lobato, Walcir Cardoso, Bel, Assis Lúcio,  Cris, Ilma, Fran, Valzete Sampaio…de cursos diversos, de origens variadas.

Esse foi o período em que, por exemplo, houve a luta pela meia passagem. Com passeatas e enfrentamentos com a polícia. O ano de 1987 foi marcante nisso. Era o período dos últimos momentos do Projeto Pixinguinha. Vimos shows de Cida Moreira, Vitor Ramil, Zizi Possi, entre tantos outros, ali na UFPA, preço super bacana. Organizamos festas, shows, exposições ao longo desses anos. Nos divertimos, namoramos, crescemos em meio a crises pessoais, geracionais etc. E tendo alguns professores que amávamos e outros que detestávamos (na psicologia quem não foi perseguido por Maiolino Miranda? hahaha- eu fui). Mas havia professores como Alice Moreira que nos levava para fins de semana em sítios onde fazíamos coisas ligadas a biodança, ioga etc. Ou professoras como Marilice, ídola de quase todos nós. Zé Carlos, Cacá, Olavo Galvão. Professores que estavam ali, acessíveis, trocando ideias, discutindo etc.

Em sala de aula lembro de discussões bacanas em aulas de Filosofia, Antropologia Cultural (com a Carmen…que morava em São Braz e abria o apartamento para aqueles meninos e meninas irem ouvir música, conversar, discutir, namorar). Tenho sempre a imagem antiga de Mylena dançando ao som de Bolero, de Ravel, como uma das mais emblemáticas da década para mim.

O pôr do sol na beira do rio se misturava a bater cabeça para tentar compreender os textos em original de Descartes, por exemplo. Ou de Malinovski, ou de Vigotsky.

Quando vejo nos dias atuais esse ataque claro ao que representa a universidade, ao que representa o saber vivido e vívido, tenho nojo e pena. Nojo de quem está produzindo esse desserviço ao futuro do país e pena do país que está sendo comandado por alguém tão perverso, mas que representa milhões de pessoas tão perversas quanto.

Li hoje cedo que, por conta de fanatismos religiosos que são contra a ciência, algumas doenças extintas no país estão voltando com força total. Sangramos por dentro com tanta loucura sendo produzida em tão pouco tempo.

Volto minha lembrança para os anos de 1982 a 1984. Nesses três anos fiz o meu ensino médio em um colégio chamado Avertano Rocha. Foi ali que graças a um professor chamado Everaldo (homossexual, diga-se de passagem), ouvi falar a primeira vez de um dramaturgo e escritor chamado Antônio  Bivar. E foi graças a uma indicação dele que pela primeira vez pus os pés no teatro Waldemar Henrique, para assistir a peça Alzira Power, com Salustiano Vilhena e Henrique da Paz. E olha só, a peça era de Bivar. E minha vida mudou. Fiquei próximo de Salustiano, conhecido como Saluzinho, filho de um representante militar na Vila Sorriso, o Salu, chefe dos escoteiros. E Saluzinho afrotando a tudo isso, com sua verve e postura gay, a nos encher de referências como André Gide e Jean Genet, falando com brilho nos olhos de uma montagem da peça o Balcão, vista por ele lá no auge da ditadura.

Professores e Professoras que trouxeram referências literárias, artísticas, culturais etc que nunca esqueci. Que me indicaram livros para ler, filmes para ver (muito obrigado Everaldo por me falar do filme Blade Runner que estava em cartaz), músicas para ouvir. Que me fizeram perceber que sentar em um banco escolar (seja no ensino médio ou na universidade) é muito mais do que aprender a fazer conta, ler e escrever, como prega esse desvairado que chamam de mito.

Perdi a conta de quantos livros li na vida, de quantos discos ouvi, filmes que assisti, exposições e peças que vi. Volto minhas lembranças para o grupo cultural que criamos na universidade, o Vevecos, Panelas e Canelas, para a banda de rock que montei, para a peça teatral que ajudei a montar (o cego ouvido mudo), para as festas que eu e Roger Paes planejamos juntos, para as viagens feitas (coisas como ir de bicicleta até o Marajó, com Adelaide e Mylena como companheiras de aventura), para as reuniões na casa de Walcyr, com aquela coleção maravilhosa de discos de vinil.

Quando os nossos primeiros filhos começaram a nascer, tentamos, cada um de nós, dar a eles e elas uma possibilidade de mundo diferente. Mais solidário, mais comunitário e mais humano.

Muitos deles estão aí e nos dão orgulho pelas pessoas que se tornaram. Estão espalhados no mundo e atendem por nomes como Lui, Manuela, Ian, Dhavid, Tiê, Aruan, Gabriel, Sofia, Luana, Rafael, tantos…

Há um futuro sendo destruído hoje. Lembro do passado para tentar evitar que isso não ocorra.

Educação não é para aprisionar. É para libertar.

Saiu pra comprar cigarros…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saiu pra comprar cigarros. Se a ideia era não voltar, eu não sei. Só sei que voltou. Mas voltou sem cigarros e com o olhar abismado que nunca havia visto antes. Ela entrou na casa com aquele olhar, sem cigarros, e caminhou até o escritório.

No instante seguinte, pegou alguns papéis e uma caneta e começou a escrever. Parada diante dela, pensando se perguntava sobre o que fazer para o almoço, ela me pediu que saísse e fechasse a porta por fora. Foi o que fiz. Decidi que teríamos frango ensopado com polenta.”

Assim começa o livro “Saiu pra comprar cigarros”, coletânea com 13 contos, que poderiam ser chamados de experimentações pelas brincadeiras com os elementos narrativos de ficção. Como, por exemplo, no conto “– Você sabe por que está aqui?” que é escrito (desde o título) todo em diálogo, sem descrições de quem são os dois personagens, nem de onde eles estão. Através do diálogo, vamos entendendo o conflito e descobrindo por que eles estão ali.

Já o conto “À porta” poderia ser chamado de “monólogo à porta”, pois se trata de uma conversa íntima da personagem com ela mesma enquanto espera a hora de tocar a campainha para um encontro marcado. O conto “O interruptor” é uma experiência de histórias paralelas e cruzadas entre os personagens, com a diagramação também paralela: duas histórias na mesma página.

Outra das narrativas é em forma de um roteiro para rádio: um podcast, também com os ouvintes falando à locutora e com uma trama comum entre todos eles. “O buquê”, “Quatro noites e muitas outras” e “O Mito dos Zauês” contam histórias cujas protagonistas são mulheres que ultrapassam limites de padrões convencionais e surpreendem em suas ações. Estas histórias são narradas com jogos temporais de escrita. O jogo entre tempo e espaço também está presente no conto breve “Vida em branco”. Duas das narrativas são voltadas para finais de relacionamentos: “Incompatibilidade” e “Débito e crédito” e, assim como a trama, as histórias são sínteses: curtas e que resumem uma história maior que não precisou ser contada.

“O autor” é uma história de humor que brinca justamente com a condição de autor como autoridade sobre o que escreve.

E, por fim, “André liberto” e “Aquilo que só criança vê” dão um tom mais suave à coletânea, pois são histórias de crianças descobrindo coisas que ainda não conhecem.

Mesmo que as histórias tenham personagens e conflitos totalmente diferentes, todas elas têm em comum a delicadeza do olhar e a visão sobre coisas jamais “vistas” (ou pensadas) por aqueles personagens; o momento da percepção de algo e a reação a esta percepção. Reação que talvez fuja do pre-visível – tanto do personagem quanto do leitor.

A aurora sintetiza o livro como a reunião de 13 contos em que os personagens, muito diferentes uns dos outros, acabam pegando desvios inusitados e embarcando em mundos e tempos bem diferentes daqueles previstos em seus cotidianos. Diante de seus erros e acertos, nós, leitores, vamos pensando a vida de outros modos, sob outros pontos de vista. Junto com esses personagens, tomamos nossos próprios desvios e seguimos caminhos outros, abertos por detalhes novos, sentimentos simples, transitoriedades da vida.

“Saiu pra comprar cigarros” está disponível em: https://www.clubedeautores.com.br/ptbr/book/269627–

Você pode seguir a autora seguir no Facebook em https://www.facebook.com/ficcionarius/

ou pelo email: naramarqs@hotmail.com

Fé no axé, solidariedade e samba

Texto, fotos e vídeos de Valéria del Cueto

Na entrega da Medalha Pedro Ernesto para Evelyn Bastos, a casa do povo recebeu o povo. Preto. Para reconhecer o valor e o trabalho de uma rainha da favela. E da Bateria da Mangueira.

Não, não foi esse honroso título mangueirense que levou a menina das vielas a ser homenageada por uma iniciativa do vereador Leonel Brizola Neto.

Foi o conjunto da obra de uma mulher que, para poder estudar, conseguiu uma bolsa de estudos num colégio em Cascadura e com a ajuda do “Senhor Álvaro”, como ela chama Alvinho, ex-presidente da verde e rosa, que bancou seu transporte e os livros, se formou em Educação Física. Um exemplo a ser seguido.

No samba, é o que é. Uma passista de primeira. Filha de Valéria Bastos, Rainha de Bateria da Mangueira de 1987 a 1989, sempre disse que chegaria lá. Assumiu o posto quando, num resgate as tradições da escola, uma menina da comunidade voltou a desfilar na frente da bateria. Tinha 19 anos.

Em 2015 criou o projeto Samba, Amor e Caridade, o SAC. Alimentos e roupas são recolhidos na quadra, o Palácio do Samba, e distribuídos para os moradores de ruas da cidade. No início eram poucos. Hoje…

Na Mangueira cuida, ensina e incentiva as meninas que sonham em, como ela, serem passistas. A exigência é que estudem, para crescerem na vida.

Juntou a fome com a vontade de comer, no quesito combate a intolerância, ao se inserir de corpo (e que corpo) e alma no enredo “Histórias pra ninar gente grande”, do carnavalesco Leandro Vieira, que deu a Mangueira o campeonato do carnaval 2019. Representou Anastácia no ensaio técnico. No desfile oficial Esmeralda Garcia, escrava considerada a primeira advogada no Piauí.

Evelyn é do bem e “colocada”, como mostrou em seu pronunciamento que, fez questão, fosse da tribuna Marielle Franco. “Para falar do povo preto e favelado”. Estendeu a homenagem acrescentando 100 moções de louvor e reconhecimento a mangueirenses e personalidades.

A cerimônia foi emocionante. A começar pela interpretação de Cacá Nascimento, a capela, do Hino Nacional. Das galerias, a bateria deu o ritmo para o samba enredo campeão de 2019. Totalmente pertinente no contexto da homenagem.

As autoridades presentes e convidados fizeram pronunciamentos intercalados de vídeos. Um deles mostrava um elemento de ligação entre o sonho e a realidade do carnaval carioca. Foi com Leonel Brizola falando o que imaginava para o espaço recém construído do Sambódromo que em 2019 completou 35 anos. A palavra-chave era educação.

Evelyn, muito emocionada, em sua fala “fechou” o círculo. Religiosidade, o orgulho de seu povo preto, afeto, apoio, educação, crescimento e, principalmente, solidariedade. O poder de retribuir e ampliar a rede de proteção de sua “favela”.

Claro que não poderia faltar, para finalizar a homenagem, o giro das baianas e a saudação de representantes de segmentos tradicionais da escola ao som da bateria da Mangueira, comandada por outro “cria”, Mestre Wesley.

Num momento em que o axé da cidade e dos cariocas andam tão abalados pelos últimos acontecimentos, a reunião de da comunidade verde e rosa no Palácio Pedro Ernesto, antiga sede do Senado Federal, quando o Rio era a capital da república, foi um foco de resistência amorosa gerando uma sinergia positiva, união e sintonia do bem.

Exemplo e caminho que indicam as forças que precisamos comungar urgentemente para reencontrarmos a capacidade de nos reerguermos e reinventarmos. E como andamos precisando desses elementos catalizadores…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Não está fácil pra ninguém

Texto e foto de Valéria del Cueto

Duas coisas me fazem sacar o caderninho que uso para registrar as crônicas. A primeira é a paz na terra na beira de um mar que não pode ser um qualquer. Essa “saída o corpo”, mesmo no cenário paradisíaco que frequento, ultimamente na ponta do Arpoador, nem sempre acontece e se condiciona a certos fatores. Entre eles está a segurança do entorno.

Foi justamente ela que me impediu de sacar o caderninho na última passagem pela praia. Em plena tarde de um sábado com uma lotação até agradável, sob um sol ameno de outono.

Depois de fazer algumas fotos e vídeos dos ambulantes que circulavam anunciando seus produtos, num pedaço pouco frequentado entre a Pedra do Arpoador e o posto 8, em Ipanema, me preparei para puxar a caneta e abrir o caderno.

Antes de começar a escrevinhar chamaram minha atenção dois ambulantes que confabulavam nas proximidades. Entre uma negociação para a troca de um pouco de gelo para o isopor por produto e a avaliação das vendas do dia, o assunto passou pela ação de ladrões que estavam atuando na areia, prejudicando ainda mais a féria do dia. Que já não estava das melhores.

Ligada no bate papo e sempre prevenida, fechei a bolsa, pedi licença e entrei na conversa querendo entender o movimento local. Argumentei que era estranho e fora de época. As férias e a alta temporada já tinham terminado e, na praia vazia, não havia “clientela”, a não ser os locais, como… eu!

“É que ainda não avisaram ao “bloco” que o carnaval já acabou.” A resposta veio em meio a risadas pela metáfora criada por um dos rapazes. O outro explicou: “Isso aqui está largado, dona, a gente sai de perto para não ser confundido com eles.” “Você devia tomar cuidado”, alertou o mais velho, “por isso vim para esse lado”.

Enquanto conversávamos comecei a me “situar” melhor no entorno. Sempre procuro ficar num local com visibilidade ampla e rotas de fuga. Apesar de estar na parte mais estreita da ligação de Ipanema com o Arpoador, onde o paredão é mais alto e, portanto, impossível de ser escalado, montei meu point próximo a duas barracas que, coladas nos grafites que enfeitam a “muralha”, produziam e distribuíam caipirinhas e outros drinks para diversos vendedores que volta e meia passavam para reabastecer as bandejas.

Aliás, essa foi uma das razões que me atraiu para aquela posição. A possibilidade de ampliar as fotos que estou fazendo sobre os ambulantes que passeiam oferecendo seus produtos. A outra foi a escada que dava acesso rápido ao calçadão. Foi o que expliquei para o vendedor que ficou papeando comigo enquanto o outro seguia para a “zona de confronto”, como chamou a caminhada em direção a Ipanema.

Foi ali que fiquei sabendo que os “blocos” podiam ser da área ou de fora e que, provavelmente, só os primeiros respeitam (um pouco) os locais.

Não fiquei chateada quando o vendedor se aproximou e, puxando seu celular, explicou que trabalhava na construção civil. Me mostrou, cheio de orgulho, várias fotos de trabalhos que havia realizado.

Disse que era da Pavuna e que tinha descido para a Zona Sul para deixar seus cartões de visita com um amigo que havia contado que estavam abrindo vagas por aqui na segunda-feira. Que era regularizado e, inclusive, tinha MEI. O problema era ter “capital” para pagar o contador. Aliás, era isso que ele estava fazendo ali. Tentando melhorar o caixa, que andava no negativo.

A conversa continuou até a volta do amigo que foi mais claro em relação a necessidade financeira do parceiro: “Vamos nessa, ainda dá para fazer mais umas duas voltas e, pelo menos, juntar o troco da pensão alimentícia. Se chegar com algum pode ser que a ex patroa não procure a justiça. Você já sabe onde vai parar…”. Imaginem a rapidez com que meu novo amigo se levantou, se despedindo.

A segunda possibilidade de puxar o caderninho, (lembra? Foi assim que a crônica começou) é quando estou numa espera. No caso foi bancária. Contar essa história me fez viajar para um lugar muito mais agradável do que onde me encontro, aguardando para falar com o gerente do banco. Não está fácil pra ninguém…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

 

Iguape/SP , quase 500 anos de história no Vale do Ribeira. Um passeio imperdível…

Basílica e área central de Iguape

Oficialmente, Iguape foi fundada em 3 de dezembro de 1538. A data de fundação atual foi estabelecida em 1938, pelo então Prefeito, Manoel Honório Fortes. O Prefeito  incumbiu uma comissão de historiadores paulistas, presidida pelo ilustre Afonso d’ Escragnolle Taunay, para estabelecerem a data provável da fundação, sendo aceito o dia 3 de dezembro de 1538, baseados em documentos históricos que usam como referência a data de separação de Iguape e Cananéia.

Praça e Igreja de São Benedito

É uma simpática cidade, cheia de histórias e causos contados por seus moradores, ideal para se aventurar no seu passado, em passeios românticos por suas ruas estreitas e para conhecer as festividades religiosas e culturais, como a Festa de Agosto, que já são tradição. Iguape conta com uma boa infra-estrutura de hotelaria, pousadas e restaurantes.Em iguape acontece também o Festival Literário de Iguape – FLI todo ano com diversas atrações e o Festival de Blues, que inunda as vielas e bares com o melhor da música. É um dos roteiros preferidos de Clubes de Motociclistas por estar relativamente perto das grandes cidades e apresentar diversos atrativos selvagens e ecológicos.

Primeira Casa de Fundição de ouro do Brasil, hoje Museu Municipal de Iguape foto: B.Bertagna

Paço Municipal

O sobrado que abriga o Paço Municipal foi construído na segunda metade do século XIX, pelo comendador Luis Álvares da Silva, homem mais rico e influente da região à época. Posteriormente, o prédio passou a sediar o Club Beneficente e Recreativo Iguapense e a Câmara Municipal, vindo a ser adquirido pela Prefeitura em 1945. Desde então, passou a funcionar como Paço Municipal.

Sobrado dos Toledos

O Sobrado dos Toledos leva esse nome por ter sido residência de outro cidadão importante da região, José Carlos de Toledo. Construído na primeira metade do século XIX, durante o ciclo do arroz, o prédio foi doado pelos herdeiros, em 1931, ao Santuário de Iguape, para que abrigasse romeiros durante as festividades do Bom Jesus, época em que o edifício ficou conhecido como Sobrado do Santo. Depois disso, o prédio sediou diversos empreendimentos e, atualmente, encontra-se em ruínas, restando ainda as características originais das fachadas.

A real data da fundação do município é desconhecida. Alguns historiadores chegam a acreditar que já havia europeus vivendo na região mesmo antes do descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral.

A tradicional Festa do Bom Jesus de Iguape, a Festa de Agosto, que atrai milhares de romeiros de todos os cantos do Brasil. Foto : Gazeta Caiçara/Rafael Peroni

Remonta a 1577 a data em que o povoado foi elevado à categoria de freguesia, com o nome de Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Vila de Iguape, quando foi aberto o primeiro livro do tombo da Igreja de Nossa Senhora das Neves, construída no local conhecido por Vila Velha, no sopé do morro chamado de Outeiro do Bacharel, defronte à Barra do Icapara.

Altar mor da Basílica foto: B. Bertagna

Não se sabe, ao certo, a data de elevação a vila, porém, acredita-se que tenha sido entre 1600 e 1614. Neste último ano, foi iniciada a construção da antiga Igreja Matriz, já no local atual, no centro urbano, após a mudança da então freguesia, ordenada pelo fidalgo português Eleodoro Ébano Pereira.

A Vila foi elevada a cidade pela Lei nº 17 de 3 de abril de 1848 com o nome de Bom Jesus da Ribeira, mas no ano seguinte, pela Lei nº 03 de 3 de maio de 1849, foi modificado o nome para Bom Jesus de Iguape.
Posteriormente, o costume popular simplificou-o para Iguape.

Hoje Iguape revela surpresas no plano do Patrimônio Imaterial como o tradicional Carnaval de Rua , com vários blocos organizados que circundam a praça da Basílica durante as folias de Momo e ainda preserva o Fandango Caiçara, com suas rabecas, seus bailados e tradições.

Fundação: 3 de dezembro de 1538
Gentílico : iguapense
Lema: Virtvtes Pavlistarvm Retento
\\\”Detenho as Virtudes dos Paulistas\\\”

Imagem de Cristo no morro do Espia. foto: B. Bertagna

A cidade fica também a 5 km, por estrada asfaltada,  das praias atlânticas de Ilha Comprida. Além de uma bela paisagem, o Mar Pequeno proporciona ótimas pescarias.(manjuba, robalo, tainhas, pescadas, salteiras)

Como chegar :

De São Paulo/Santos:

Descer a BR 116, rodovia Régis Bittencourt ou a Padre Manuel da Nóbrega SP-55 e, após a cidade de Miracatu, entrar no Km 401, Rodovia Casemiro Teixeira SP-222 para Iguape, com distância aproximada total de 200 km.

Os ônibus da empresa ValleSul vindos de São Paulo saem do Terminal Barra Funda em 4 horários diários. Partindo de Santos/SP há um ônibus diário.

De Curitiba:

Seguir a BR 116 – Rodovia Régis Bittencourt Norte e, passando pela cidade de Jacupiranga, entrar no Km 464 para Pariquera-Açu/Iguape, na rodovia Ivo Zanella. Total aproximado de 250 km

De Curitiba, os ônibus saem da Estação Rodoferroviária e há um horário diário nos dois sentidos e 2 horários de sexta a segunda, cumpridos pela empresa Princesa dos Campos.

De Sorocaba:

Saindo de Sorocaba ou cidades vizinhas pegar a Rodovia SP-079 (Serra de Tapiraí) até Juquiá. Depois entrar na BR 116 Rodovia Régis Bittencourt Norte sentido São Paulo e, depois de 13 km, pegar a entrada de Iguape no Km 401, na Rodovia Total de 2 00 km.De Sorocaba a Iguape, há um horário regular realizado pela empresa São João

De Registro /SP os ônibus saem praticamente de hora em hora, fazendo conexão para cidades vizinhas como Cananéia, Pariquera-Açu, Jacupiranga, Eldorado, Iporanga, Miracatu, Juquiá,Cajati, Apiaí, etc.