Tribo Arco-íris

Por Rúbia Luz, texto e fotos

“Em algum lugar, pra relaxar
Eu vou pedir pros anjos cantarem por mim
Pra quem tem fé
A vida nunca tem fim
Não tem fim
É”

Meu amado vive agora uma vida eterna e, pensando em retomar nossos caminhos, eu decidi dar continuidade aos nossos sonhos. Não sei ao certo como o farei nem quando. Vou precisar fazer ajustes e tudo é ainda indefinido. O fato é que retomarei o blog e as caminhadas, como uma maneira de homenageá-lo e de manter sua alegria comigo e em mim! Enquanto espero com temperança, resolvi passear nos lugares onde gostávamos de ir e de concluir a mostra de lugares que, por alguma razão nós não conseguimos.

Falar sobre a Tribo Arco-íris aconteceu por meio de uma daquelas coincidências da vida que me fez despertar. Ocorre que meu primogênito, Calil, resolveu dar-se um  tempo sabático  e aportou pelas paragens do lago Cujubim, naquela comunidade alternativa. Nós já havíamos falado dela e mostrado um pouco em  “Furo do Candeias e Lago Cujubim”, mas com quase nada de informações. Com a ida de meu filho para lá, eu pude passar mais tempo com eles e pedir permissão para revelar um pouco mais do lugar e desse modo de vida.

O Lugar

Paisagem da janela lateral, do quarto de dormir…

Geograficamente,  a Tribo Arco-íris  fica na direção leste do Município de Porto Velho- RO, área rural, pela Estrada da Penal, próxima a localidade do baixo-madeira conhecida como Cujubim-grande, mais precisamente em frente ao lago Cujubim. O lago é  protegido pelos moradores  do entorno contra a pesca predatória e a favor da preservação da floresta.  Há poucas informações disponíveis sobre a Tribo Arco-íris nos veículos de pesquisa.  Apesar disso, trata-se de uma comunidade muito conhecida entre os viajantes e mochileiros de vários países.

Sua existência e informações são passadas no “boca-a-boca” e, via de regra, os viajantes descobrem a localização por meio de um outro que já esteve ou se encontra por lá. A distância é significativa  e não há placa indicativa. Ainda assim, pessoas do mundo inteiro passam por lá e por lá ficam o tempo que desejam, numa comunhão e conexão que transpõem as barreiras da língua, das culturas distintas e  da diversidade humana. É um lugar com poucos recursos materiais e abundante em recursos humanos e afetividade.

Quem são?

Os fundadores do lugar são uma família voltada para a espiritualidade,  que acredita e vivencia um modo de vida alternativo. Em relação a questão religiosa, são adeptos da doutrina do Santo Daime, com base cristã e crentes no reencarnacionismo, tendo como ritual o uso do chá de  mesmo nome. No que se refere ao modo de vida, defendem uma vida simples, com muita liberdade, respeito e partilha, sem preocupações com o consumo.

Pai Jackson

Valéria

Capitão América e… a liga da justiça?

Cláudia

Deste modo, aceitam a presença de pessoas  que ali desejam estar pelo tempo que pretendam ficar, bastando para isso que contribuam com a limpeza e organização do lugar, bem como com a compra de alimentos que são todos repartidos. Em geral, as pessoas se cotizam, compram os alimentos e lá preparam e partilham. Aliás, como ainda não são autossustentáveis (ainda – eles frisam), este é um quesito de suma importância  para o bem estar de todos; É de todo desejável a participação na compra de alimentos.

Calil com mantimentos. Colaboração e partilha!

Gael, a maior beleza do sitio, segundo sua mãe!

A cozinha é um  espaço comum, de uso livre, bem como os outros espaços como lavanderia e banheiros também. Tudo é muito simples e rústico… Sendo privativas as barracas e as casas que eles mesmos constroem. Há energia elétrica, porém, não há internet nem televisores. Há um telefone, que poucas vezes é usado e há um lago em que todos se banham. Por vezes, ocorre de estarem coabitando cerca de cinquenta pessoas no local. Por vezes, bem menos… No entanto, a “superpopulação” é um problema devido a capacidade de suporte do local.

Onde todo mundo come, todo mundo lava os pratos.

Hora do almoço; Convidados ilustres!

Reencontro especial: Pai e filha não se viam a mais de ano….

Sereia

Totens

Outra  preocupação com a população tem a ver com os equívocos que alguns cometem ao se dirigirem para lá. Há equívocos de toda natureza; Gente que pensa ser uma comunidade LGBT, por conta do nome Arco-íris. Gente que pensa ser uma comunidade onde o uso de drogas é liberado ou, ainda, que, por haver liberdade haja também permissividade. Por isso,  é importante ressaltar: É permanentemente proibido o consumo de álcool no local, o uso de drogas sintéticas e o consumo de carne vermelha. Em ocasiões que antecedem os rituais do chá, há também uma dieta sexual a ser seguida para os participantes da fé ali professada.

Barracão de preparação do Chá.

Estar ali, voltado para a espiritualidade não é obrigatório. Obrigatório, lá, é o respeito ao outro, a natureza e a vida! Ninguém precisa concordar com tudo mas o amor e a harmonia são cuidadosamente mantidos, como uma frequência em que todos  devem estar  sintonizados. Aqueles que, por alguma razão, não estão na mesma frequência, procuram por si outros caminhos. Assim me foi esclarecido.

“Se você não aceita o conselho, te respeito

Resolveu seguir, ir atrás, cara e coragem

Só que você sai em desvantagem se você não tem fé

Se você não tem fé”

O nome

Quando disseram a mim  sobre o equívoco causado pelo nome do lugar eu os questionei sobre a razão de se chamar “Arco-íris”. Me foi dito que resultou de um conjunto de fatores: O primeiro e  mais importante é religioso. Tem a ver com o “Arco da eterna aliança” de Deus para com os homens. O segundo e não menos importante motivo é que a representação das  cores revela uma aceitação e união de pessoas de todas as nações.

Por fim,  o nome se dá, também, devido a um fenômeno que ocorre com frequência no Lago que é o surgimento de arco-íris, por vezes a presença de três arcos até,  por conta da pluviosidade do lago e da refração da luz. Creio que este fenômeno deva  ocorrer  com mais frequência nos períodos chuvosos, onde a umidade relativa do ar chega a ultrapassar 88%. Enfim, lamentei não ter visto e fotografado essa lindeza!

O funcionamento

O modo como tudo acontece e vai se desenvolvendo, ali, tem relação direta e congruente com a forma de pensar a vida e a existência dos  fundadores do lugar. A primeira vista me pareceu confuso e um tanto inusitado, pois as pessoas vão chegando sem convite prévio, se apresentando e lá permanecessem o tempo que desejarem, com crianças, bichos de estimação como cachorros, gatos e até peixinhos. Alguns levam suas barracas, outros constroem suas casas  e  convivem de uma maneira curiosa.

Acolhida: Sejam bem-vindos!

Ela está erguendo seu lar; Amazona!

Panter, se sentindo selvagem!

Guaraná foi achado na rua, muito doente, e foi adotado.

Clara Luz estava só de visita

As normas, que citei à cima, são repassadas pelo idealizador do lugar Jackson, a quem as pessoas se referem carinhosamente como “pai”. Leva-se em consideração o nível de consciência e de evolução espiritual de cada um. Assim, ao mesmo passo que algumas pessoas chegam  e desenvolvem projetos de melhoria do lugar, constroem hortas e colaboram com ideias de permacultura, outras pessoas não possuem a mesma consciência e são menos colaborativas.

Espinafre, para dar força!

Apesar das dificuldades que existem, eles resistem! Adotaram esse modo de vida há mais de vinte anos e não se arrependem. O meu olhar, mais estranho que o olhar dos estrangeiros que ali se encontram, poderia encontrar pontos frágeis desse modo de viver. Mas, daí eu me questiono: “Para quê?”.  Olho ao meu redor e vejo pessoas sorridentes, crianças brincando livremente, vejo amizade, respeito e penso em como posso colaborar. Pensei  que fazer uma postagem esclarecedora poderia ser bom para os que ali se encontram e para os que desejam lá estar. Espero ser útil!“Te mostro um trecho, uma passagem de um livro antigo

Pra  te mostrar que a vida é linda

Dura, sofrida, carente em qualquer continente

Mas, boa de se viver em qualquer lugar, é”

Consumo x liberdade

Há tempos eu venho desacelerando a vida, adotando um modelo de vida menos consumista e, de certo modo, até minimalista. Há uns quinze anos eu adotei  a ideia de ter pra mim o necessário e o suficiente. Isto porque eu tenho a nítida impressão de que o consumo se mantém sobre o prisma de falsas premissas; Ver como necessário o que não é.  Achar tudo insuficiente, ou seja, é preciso sempre mais. Trabalhar incessantemente para consumir e se ver consumido…

Essa dona Aranha não sobre paredes… Nem a chuva derruba.

No entanto, aquelas pessoas que ali vivem e que por ali tem passado, me revelam um desapego ainda maior e uma liberdade admirável; Os idealizadores da Tribo abriram mão, com alegria, de uma vida considerada confortável na cidade, de empregos invejáveis e decidiram estar conectados à natureza e ao sagrado, longe do consumo e de padrões de comportamento pré-estabelecidos. Demonstram enorme prazer na harmonia e contentamento na partilha. Suas riquezas vem da experiência com outro e do sagrado em cada um.

As pessoas que por ali tem passado tem algo muito semelhante; Converso com vários deles e descubro que se tratam de ex-funcionários públicos concursados ou profissionais liberais; professores, contadores, psicólogos, sociólogos, jornalistas… Eles escolheram viver assim. Não se trata de falta de alternativa, mas de pura volição! Optaram por seus modos de vida não por preguiça de trabalhar, mas por pensarem o trabalho e o consumo de modo diferente do senso comum.

Acreditem: Eles trabalham muito! Aqueles que vivem de artesanato passam horas do seu dia a confeccionar seus produtos. Fazem-no com satisfação por longas horas e com a maior destreza possível, procurando realizar um produto com excelência. Mãos habilidosas na confecção de bonitezas. Os que decidiram oferecer entretenimento como mão de obra, treinam incansavelmente para executar sua arte para uma plateia, muitas vezes, angustiada e apressada, contida em carros, parada em seus semáforos. Malabaristas na vida,  treinam com afinco a arte de manter tudo em movimento e em suspensão, tornando o tempo de espera mais leve.

De um lado, vejo a coragem daqueles que enfrentam o julgamento e olhares curiosos por terem decidido viver em uma localidade distante, com poucos recursos, na contra-mão do que é pregado e exaltado em nosso modo de vida secular, e vivendo uma espiritualidade acolhedora. De outro lado, vejo aqueles que tem a coragem de se lançar ao mundo com suas mochilas nas costas, de  abrirem mão de seus confortos,  de suas pátrias maternas e se  tornaram consumidores de vivências, trocadores de experiências.

O aprendizado

Somos todos aprendizes na vida… Creio eu que estamos aqui, neste plano, para aprendermos a amar, posto que amar é o grande mandamento da minha fé. Por isso mesmo é que procuro olhar e ouvir sem julgamentos. Isto nem sempre é fácil. Não é tão simples despir-nos de conceitos pré concebidos quando as nossas crenças são confrontadas por  realidades diferentes.

Não raro, é comum o desejo de afastar aquilo que causa desconforto e evitar o que causa angústia por ser desconhecido. No entanto, agir de forma defensiva ou reativa nos atrofia a alma. Está  escrito: “Examinai tudo. Retende o que é bom.” ( 1 Talonissenses 5;21). Eu examino aquele modo de vida e fico com o que acho bom;  Jovens estrangeiros, em sua maioria, lançaram-se ao mundo e encontram acolhimento e espiritualidade. Pessoas, em busca de si, encontram aceitação e respeito. Ali, o foco da vida é lançado sobre as soluções e não sobre os problemas…

Talvez, este seja o mais interessante aprendizado que tiro do meu pouco convívio com aquelas pessoas e do seu modo de vida: Concentrar meu pensamento em busca de resoluções e não ficar gastando energia a remoer problemas. Essa bela maneira de ver as coisas me foi descrita por Calil, quando em uma conversa solta e tranquila, ele me relatou o que vem aprendendo com aquele jeito de viver. Gostei! Eu tenho pensado assim, mas ver isto em movimento é animador!

Outra coisa boa e curiosa que observei nas horas em que passamos juntos foi que essas horas são lentas… Engraçado como o dia lá parece longo e denso… Talvez porque não hajam distrações como televisões, computadores e celulares, a vida é tranquila como aquele grande lago.  Uma música instrumental fica tocando suavemente, as crianças brincando  pelo imenso quintal, gente namorando, gente conversando, gente rindo, gente por inteiro no aqui e agora, gente sendo gente

Conclusão

“Vossos filhos não são vossos filhos. são filhos e filhas da ânsia por si mesma” Gibran

Contei, no início da postagem, que meu amado filho decidiu aportar por aquelas paragens e isso oportunizou a minha estadia mais prolongada com a Tribo. Antes disso, porém, as pessoas que me conhecem e que tomaram conhecimento dessa escolha – Temporária?- de Calil me questionavam sobre o modo de vida dos meus filhos. Sim, Caio também vive uma vida alternativa, produz artesanatos e também já pegou a estrada…

Conviver com escolhas alternativas de vida é, antes de tudo, uma questão de respeito pelo livre-arbítrio: Foi Deus quem deu… Quem somos nós para desejar impedir, conter ou modificar? Aceitar o outro pelo que escolhe ser – ou estar- é a expressão mais profunda do amor que decidimos conscientemente viver, ao meu ver.  Eu os amo e os admiro por suas coragens e determinações. E, claro, não espero que todos concordem comigo! Amo pessoas que discordam, também. Discordância é cabível, aceitável e desejável, desde que seja respeitosa!

Na tentativa vã e pretensiosa de buscar uma definição para esse modo de vida eu perguntei ao meu filho: “São hippies?” e ele me disse: “Não…”. Insisti: “ São hipster?”. “Não tem rótulo, mãe…”- Ele me respondeu pacientemente. Depois de muito pensar, disse a ele que havia encontrado uma definição que os agradaria: “ São livres!”. Eles concordaram!  Isso me fez lembrar Cervantes: ” A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a vida”

“Volte a brilhar, volte a brilhar

Um vinho, um pão e uma reza

Uma lua e um sol, sua vida, portas abertas”

Anjos (Para quem tem fé) – O Rappa

NR: Sempre tive vontade de escrever sobre a comunidade Arco Íris, mas apesar de conhecer a Tribo, achava que me faltava o embasamento necessário para exprimir tudoque vivi, vi  e senti por lá. Daí me chega às mãos (aos olhos) esse impressionante e avasssalador relato da Rúbia Luz, desmistificando as bobagens de gente que nunca chegou perto mas que adora opinar sem conhecimento, sem mostrar as verdadeiras faces de uma experiência que vai na contra-mão da loucura que se vê no mundo moderno… Pedi licença à Rúbia para reproduzir o texto e suas belas fotos. Resposta dela : “Suas palavras me dão força para continuar escrevendo sobre o que eu acredito.” Resolvi então seguir com a máxima fidelidade o teor do seu post, respeitando inclusive a edição pessoal que Rubia fez do texto, fotos e diagramação.  O seu querido Pasin, onde estiver, com certeza irá gostar…

B. Bertagna

Zona Geral

Texto e foto de Valéria del Cueto

Ela chegou, passou, e veio outra frente fria para desfilar o guarda roupa de inverno pelas ruas brasileiras das cidades das regiões sul, sudeste e centro-oeste, pelo menos. Começar a crônica falando do tempo pode ser pura enrolação em busca da linha da pipa do pensamento que anda vagando por aí. Nada de novo, nem o excesso de argumentos convincentes para garantir o desenrolar um texto de duas laudas para cumprir o compromisso semanal.

Distritão, aumento do Imposto de Renda, mais de 3 bi para Gilmar Mendes comandar a pantomina eleitoral. Meireles, Temer, agendas noturnas, sessões soturnas nas Comissões da Câmara Federal. Buraco negro.

Pezão honra o apelido ao aplicar seu mais certeiro pontapé na falência carioca. Abre licitação para contratar horas de voo particulares. Saúde, educação, segurança, salários que se danem. Se é para ir ao Spa, que seja com pompa e circunstância. Não dá é para deixar de lado a liturgia do cargo falido.

“Reclamando de que?”, indaga o ex vice-governador e secretário de obras do megalô, corrompido e atual presidiário Sérgio Cabral, o que mandava o cachorrinho de helicóptero para Mangaratiba.

Sérgio é aquele que, no pelotão de ouro da disputa pelos títulos de recordista de ações criminais e tempo de cadeia entre a elite política brasileira, está ali, ali nas paradas de sucesso. Cabeça a cabeça com Geraldo Riva, até então líder incontestável entre os políticos denunciados. Opa! Essa informação tem que ser checada para confirmar se não há nenhum outro competidor correndo por fora…

Onde fomos parar? A pergunta que não quer calar não deve ser pronunciada! Ainda é muito cedo. Ninguém sabe quando vamos parar, o que dirá onde. Essa é a questão que habita entre o céu e a terra. Daquelas que somente supõe nossa vã filosofia. Ah, bardo inglês, o que não farias com nossas peripécias cotidianas e os malabarismos da nossa corte irreal…

Não há limite para a imaginação enquanto o mundo faz de Despacito um clip de 3 bilhões de acessos. É verão no hemisfério norte, hora de diversão e alegria. Mesmo com a chegada de levas de refugiados em frágeis embarcações nas praias paradisíacas da costa espanhola sob os olhares incrédulos dos turistas da temporada. Faz parte do pacote ou foi no improviso?

Em terras cariocas o contingente da guarda-municipal é submetido a um questionário sobre suas preferências religiosas. Com campos para católicos, evangélicos, espíritas e “outro”. Com três pontinhos para explicar que outro é esse.  Também querem saber se os guardas são praticantes ou não. Com nome e matrícula no formulário, que é para não ter direito a anonimato.Deu ruim. Claro que a “pesquisa” vazou e foi acrescentada ao incrível conjunto da obra do bispo prefeito.

A balança não ficou totalmente desequilibrada pela simples razão de que seu antecessor, o nervosinho Eduardo Paes, também está sendo caneteado por liberar um pagamentozinho básico de compensação ambiental para a empresa que construiu o campo de jogos de golfe das Olímpiadas que esse mês fez um ano. Muita água ainda vai rolar debaixo dessa e outras pontes peemedebistas.

Pulando de saco para rato (sem sair da mesma ideologia partidária) e procurando um modus operandi em comum, o que foi a delação de Silval Barbosa, ex-governador peemedebista de Mato Grosso? A torcida aguarda os próximos lances da delação que o ministro Luís Fux, do Supremo, já classificou de “monstruosidade”. Parece que com direito a vídeos comprovando as tenebrosas transações que ocorreram entre a ida do BRT que deveria ter virado VLT, cujos vagões nunca chegaram aos seus respectivos trilhos.

Resta saber o que fazer quando a nega maluca, aquela do samba, chega na sinuca e anuncia: “toma que o filho é teu”. Corre em Mato Grosso que vai ter plebiscito pro povo resolver o que o poder público não conseguiu: VLT ou BRT?

Resumindo está tudo dominado e dividido. Não tem pra onde correr. Tudo uma zona. Federal, estadual e municipal. Ninguém escapa. Nem você!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador” do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Cinema brasileiro perde cineasta gaúcho-pantaneiro Geraldo Moraes aos 78 anos

foto: reprodução Facebook

Faleceu neste fim de semana, no sábado o cineasta Geraldo Moraes. Ele estava internado em um hospital de Cuiabá (MT), depois de sofrer uma complicação em virtude de uma hepatite viral. Moraes gravava uma minisérie e passou mal.

O gaúcho-gremista-pantaneiro-brasiliense Geraldo Moraes foi diretor, roteirista e produtor e concentrou sua filmografia em temas relacionados à cultura do Centro-Oeste brasileiro, onde se radicou.  Dirigiu os curtas-metragens A semente do pão (1973) e Os mensageiros da aldeia(1976), antes de dedicar-se à realização dos longas-metragens A difícil viagem (1980),Círculo de fogo (1990) e No coração dos deuses (1999). Foi também professor de cinema da Universidade de Brasília, onde ajudou a criar o Centro de Produção Audiovisual.

Foi Secretário Nacional do Audiovisual do Ministério da Cultura, durante a gestão de Antônio Houaiss, quando contribuiu para a administração do Prêmio Resgate do Cinema Brasileiro e participou da regulamentação da Lei do Audiovisual. Em 2003, foi eleito presidente do Congresso Brasileiro de Cinema, o CBC.

Leia também > Gente que encontrei por aí … Geraldo Moraes e Solange Lima

É fria, a frente

Texto e foto de Valéria del Cueto

“Querida amiga reclusa.

Antes de mais nada gostaria de pedir desculpas pela ausência. Não consegui chegar em tempo hábil na última lua cheia para, usando seus raios, alcançar a fresta da janela e “invadir” sua cela no retiro voluntário.

Andava “pluct placteando” e perdi o bonde da carona lunática espectral. Falha minha envolvido que andei acompanhando os inenarráveis movimentos para o desenlace pós recesso no país. Fim de férias para várias pendências nacionais, estaduais e municipais. Para não ampliarmos excessivamente nosso raio de observação científica.

Pulei de galho em galho, tal e qual macaca de auditório acompanha shows dos ídolos décadas atrás do milênio passado.

Sim, sei que você vai me repreender por usar o termo animal, em vez do simpático e politicamente correto tiete. Culpa dos sofisticados sistemas de minha moderníssima aeronave. Aquela que não consegue ultrapassar a atmosfera e me cuspir para além da estratosfera. Seguiria tranquilo minha viagem intergaláctica. Tomamos embalo. Ela, a nave mãe, comigo dentro, mas acabamos ping pongueando sem furar o bloqueio celestial.

Diante disso, só me resta passar para o plano B da viagem interestelar e continuar por aqui recolhendo dados do declínio inexorável dessa civilização que tantas maravilhas já revelou ao universo. É muita informação para ser armazenada. Dessa missão até tenho dado conta. Quem não está conseguindo acompanhar e decodificar os eventos é a máquina na cabine de comando da nave que havito.

Não, não vou entrar em detalhes para evitar traumas e choques na sua lenta – e frágil – recuperação. Acontecerá com você, amiga, o mesmo que ocorre com o computador de bordo. Chamará tiete de macaca de auditório e político de ladrão e sem vergonha. Assim mesmo. Generalizando que é para colocar toda a farinha no mesmo saco. De preferência cm uns corózinhos, aqueles bichinhos, que é para inutilizar de vez o fardo inteiro. Tudo podre.

E é aí que mora o perigo. Porque corre o risco da minha cronista preferida levar um “teje preso”. É fia, estamos nessa vibe. Com direito a projeto de lei proibindo “defamar” a categoria como um todo. De autoria renomada e apoiado por muitos dos que pregam crença que não creem nem moral que não praticam.

Sorte que a novidade não atingirá seres como eu, de outro planeta. Só que este não é o seu caso e a desculpa da insanidade não será considerada nas cortes judiciais do seu país.

Tatua o nome do seu amado no ombro? Tira a camisa numa cerimônia pública para exibir a obra de hena? Usa seu precioso tempo no seu ambiente de trabalho para pedir nudes pelo seu aplicativo? Votou sim? Não? Então não terá a menor chance de pedir imunidade para abusar da impunidade.

Insanidade pouca não anda fazendo verão por aqui. Foca, amiga querida. Contenção de gastos é a ordem geral. Excluindo para eles que continuam mandando ver em emendas, explodindo de cargos e, claro, levando algum por fora.

Por falar nisso, essa é a razão dessa missiva fora de lua. Ainda estamos a uma semana da lua que nos une por seu raio. Não tenho ideia de onde estas mal traçadas linhas irão encontra-la, minha enluarada.

Seu reduto do outro lado do túnel, o Pinel, está ameaçado, se já não foi esvaziado! Por isso, mando essas instruções por aquele enfermeiro gente boa.

Não se preocupe, vou busca-la onde estiver. Na próxima cheia nos encontramos na ponta do raio mais longo de luar. Até lá, É fria, a frente. Se cuida.        

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte das séries “Fábulas Fabulosas” do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Adeus à Pérola Negra : MPB perde Luiz Melodia aos 66 anos

foto: Divulgação FLI

O cantor carioca Luiz Carlos do Santos  , o Luiz Melodia morreu nesta sexta-feira, por volta das cinco horas da manhã aos 66 anos, em consequência de um miolema múltiplo, um tipo raro de câncer no sangue (câncer de medula óssea). O cantor havia iniciado o tratamento de quimioterapia em abril deste ano.

Autor de grandes sucessos como Pérola Negra, Magrelinha, Estácio, Holly Estácio ,  Eu e você, Juventude transviada e Negro Gato (canção que, embora não seja de sua autoria, foi responsável por apelidar o artista).

Com mais de 40 anos de carreira, o Negro Gato mesclava suingue com MPB, num estilo próprio e inconfundível.

Filho do sambista e funcionário público Oswaldo Melodia, de quem herdou o nome artístico, Melodia lançou 16 álbuns ao longo da carreira.

Ele era casado com a compositora, cantora e produtora Jane Reis e pai do rapper Mahal Reis.

Do Tatuzão da Unir em Porto Velho à FLI, Festival Literário de Iguape ele nos fará muita falta nestes tempos sombrios.

Viva o felino negro !

Física aplicada

Texto e foto de Valéria del Cueto

Faz tempo que o caderninho anda no fundo da bolsa só fazendo número e peso nos ombros para cima e para baixo. A culpa não é dele. É da vida que, ultimamente, se não impede as boas intenções de serem intenções, provoca situações em que elas não podem se efetivar.

Foi assim na última vez em que, cheia de empolgação, largou as vicissitudes da vida, chutou o balde das aflições e rumou para a praia mais próxima pronta para rasgar o verbo sob o sol de inverno carioca. O ímpeto inspirador voltou ao nível 0 (zero) quando descobriu que havia caderninho na bolsa como sempre, mas faltava… a caneta!

De tão revoltada pulou aquela semana e, tal e qual Sherazade não pode fazer para o seu sultão em nenhuma das mil e uma noites, não mandou a crônica semanal.

Pior. Não apenas falhou, o que já havia acontecido antes, como não deu a menor satisfação nem mesmo para seu editor carrasco mais exigente.

Sabem o que aconteceu? NADA! Ninguém reclamou nem reparou na ausência das suas palavras.

E, como já provado pela terceira lei de Newton, a que diz que “a toda ação há sempre uma reação oposta de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos”, dessa vez não teve conversa. A crônica está saindo como devia antes que, além de ignorada, ainda perca seu espaço nos jornais, sites e blogs. Afinal, são mais e 450 textos das séries de crônicas no rumo do Sem Fim fiados e bordados ao longo de anos.

Em plena quinta feira um sol de veranico de julho aquece a ponta do Arpoador numa tarde clássica. Como é férias tem muita gente na praia aproveitando o dia perfeito para uns, como os adeptos de stand up paddle, já que o mar está mais para liso.

As poucas e fracas ondas não atraem os Surfistas com S maiúsculo. Os poucos que arriscam um mergulho o fazem só por pura fé e com roupas de neoprene. Sim. Clara e numa tonalidade espetacular verde azulada esmeralda, a água está fria!

O que parece não fazer muita diferença para os insistentes atletas que, prestando bastante atenção, inclusive nas suas poucas habilidades, pode-se concluir serem alunos das escolinhas de surf. Elas atraem principalmente entusiasmados turistas, os que não resistem ao mar perfeito para iniciantes, mesmo que gelado. Tipo: “é hoje só amanhã não tem mais por que venho de um lugar frio pra caramba. Está bom demais!”

Felizinhos estão os vendedores ambulantes. Dias atrás gritavam seus bordões deles para eles mesmos. Agora têm para quem vender seus variados produtos: no abre-alas o Mate Leão e o Biscoito Globo. Cuscus, picolé, queijo coalho, amendoim, cangas e biquínis, camarão, óculos de sol, caipirinha, pau de selfie, bronzeador, esfirra, cerveja, água, empadas. Especificamente nessa (des)ordem.

Dois minutos depois tudo de novo. No sentido inverso e com a mesma intensidade, como a lei. Graças ao bate volta no fim da faixa de praia, poucos vendedores ultrapassam a Praça Millor Fernandes para alcançar a Praia do Diabo. A exígua clientela do local não vale o esforço…

Na semana que vem essa moleza acaba com a volta às aulas, o fim das férias. O veranico torcemos para permanecer por mais uns dias adiando ao máximo a entrada daquela frente fria que vira o tempo no litoral no início de agosto. A previsão meteorológica incerta diminui as chances de outras crônicas relax como essa.

Sem vento, com a maré subindo para morder as areias de Ipanema, anda na contramão dos apreciadores do pôr do sol no Arpoador. Iniciantes. Nessa época do ano, o astro rei desce no meio dos prédios. Bonito mesmo é no auge do verão, quando o sol cai no meio das ilhas…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador” do SEM FIM…  delcueto.wordpress.com

Nunca quiso escucharme…

por Alberto Lins Caldas

cria

● cria cuervos sim cria pois teus olhos alimentam ●
● teu coração alimenta tua carne alimenta demais ●
● alimentam inda mais tuas palavras tua loucura ●

● cria de todas as cores esses cuervos verdes ●
● brancos azuis cuervos amarelos e furtacores ●
● cria cuervos enquanto resta musculo e viscera ●

● sim cria cuervos desses q falam e rosnam ●
● cria pois são mais sabios q automatos e gente ●
● cria desses q sonham desejam prometem traem ●

● cria cuervos como quem cria filhos ou amigos ●
● cria sem querer não criar cuervos cria apenas ●
● sim cria cuervos dentro e fora do teu quarto ●

● cria nas salas nos quintais nas camas e mesas ●
● cria nos banheiros nas cozinhas na garagem ●
● cria cuervos na tua espera e no teu futuro ●

● cria cuervos no passado cria cuervos agora ●
● cria cuervos com livros com imagens cria ●
● cria cuervos como quem inventa um mundo ●

● cria cuervos o tempo todo e no nada tambem ●
● cria e vai criando teus cuervos como sementes ●
● cria nesse deserto ridiculo cuervos de pedra ●

● cuervos de caramelo cuervos de açucar de mel ●
● cuervos de madeira cuervos de paixão cuervos ●
● de amor cuervos de amizade cuervos de merda ●

● cuervos de insonia cuervos de ceramica cuervos ●
● em figura de laranjas de mulheres de crianças ●
● de cães de gatos de operarios devorados e nus ●

● em forma de aves de leão de sapo ou inseto ●
● cria como quem não sabe criar outra coisa ●
● cria cuervos nas tempestades nos invernos ●

● cria cuervos nos verões e nas primaveras todas ●
● cria cuervos noite e dia hora a hora cria cria ●
● cria teus cuervos sem susto sem medo cria ●

● cria cuervos sem esperar mais q criar cuervos ●
● cria e um dia quando menos esperar cria ●
● mais cuervos multidões de cuervos manadas ●

● de cuervos enxames vivos de cuervos cria ●
● caravanas de cuervos cria cardumes de cuervos ●
● cria partidos bandos nuvens de corvos cria ●

● cria cuervos enquanto o matadouro não chega ●
● enquanto todos os cuervos não findam de comer ●
● teus olhos tua lingua teu figado tuas mãos teu cu ●

Tragédia em família no Acre : Pais da jovem que transmitiu o próprio suicídio ao vivo também se matam

reprodução : Facebook

Essa sexta feira (28) foi marcada por mais uma tragédia envolvendo suicídio em Rio Branco, capital do Acre, no noroeste do Brasil.

Os pais da universitária Bruna Andressa Borges, de 19 anos, estudante do terceiro período do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Acre (Ufac) que cometeu suicídio e trasmitiu ao vivo pela internet o ato, foram encontrados mortos na sua casa localizada na Vila Militar, bairro Cohab do Bosque .

Na residência os policiais acharam bilhetes e cartas para a família, explicando a decisão de tomar tal medida .  Nos recados, o subtenente do exército Marcio Brito,e a esposa Claudineia Borges também pedem desculpas pelo ato de desespero. Nas redes sociais, Bruna desabafou que ‘O ser humano é a pior arma que o mundo criou’, criticando os seres humanos e comparando-os a armas,  Antes de se enforcar a jovem pediu desculpas a todos os seguidores. O Corpo de Bombeiros atendendo aos apelos dos Internautas ainda tentou chegar à casa da menina, mas o endereço passado pelo serviço de urgência não correspondia ao seu atual.

Bruna e seus pais se mataram enforcados. Antes de cometer o ato, ela publicou diversas mensagens nas redes sociais. O ato teria sido transmitido ao vivo pela rede social Instagram. O corpo de Bruna tinha sido enterrado ontem, na cidade de Capixaba a 80 km da capital Rio Branco.

NR: Não é nossa praxis nem queremos sensacionalismo e audiência noticiando essa tragédia. Queremos é a reflexão profunda das pessoas para o cotidiano de suas vidas, de seus amigos, de suas pessoas queridas. O que queremos do mundo ?

Na moral

Texto e foto de Valéria del Cueto

Deixar Mato Grosso depois de seis anos de ausência não foi fácil. Mil motivos para estender a permanência e apenas um para voltar. Difícil decisão…

O pouco tempo na Chapada dos Guimarães não serviu para tirar o gosto de quero mais. Pelos amigos queridos, a música maravilhosa (não tem preço se embalar numa rede na varanda da casa da fada do jardim ouvindo o violão que ecoa por todo o espaço. Se, como dizem, as plantas se desenvolvem melhor quando escutam música, isso explica a exuberância que gerou tantos registros num dia especialmente iluminado de exploração fotográfica pela paisagem), o passeio pela sede das Bordadeiras da Chapada, projeto regado mesmo de longe com olhar de amor e muita torcida para que continue crescendo fiel as suas origens, com a instigante convivência das participantes. A sugestão é ir com tempo para uma boa prosa se passar por lá para conhecer os trabalhos e explorar os detalhes do espaço. A proximidade da Festa do Divino em Cuiabá e a de Nossa Senhora de Santana, a quem é dedicada a matriz de Chapada dos Guimarães, prometia grande imagens e muitas emoções.

Ficou faltando mais banhos de rios, noites na varanda da Vivenda da Vovó Suely, encontros felizes com gente querida, reencontros mais alegres ainda. Poderia ter havido tempo para mais reconciliações e declarações de amores, carinhos e amizades que permanecem verdadeiras, apesar da distância. Também ainda havia espaço para muita comida cuiabana e pantaneira. Pacu recheado, farofa de banana, pintado, bolo de queijo, um furrundu de vez em quando…  Nem cheguei no São Gonçalo, para visitar Domingas! Teve arte e risadas aos montes no encontro especial com Aline Figueiredo e Cacá de Souza, num almoço pantaneiro comemorativo. Não poderia ter sido melhor. E ficou assunto pra depois…

Só que era hora de voltar. Havia um compromisso no Rio de Janeiro. Participar com outros 18 fotógrafos da Exposição Artistas do Carnaval – Múltiplos Olhares, durante a Carnavália SambaCon. Na sua quarta edição ela reúne a cadeia produtiva carnavalesca brasileira para apresentar produtos e serviços, além dialogar sobre política e produção da festa popular. Em tempos de crise e problemas no relacionamento com os gestores públicos imaginem o papel de um evento desse porte.

Três fotos de cada participante e a dúvida atroz. O que mandar? Como estava viajando fiz um recorte temporal: carnaval 2017. A intenção era uma foto do ensaio técnico, outras duas do desfile de segunda-feira, o oficial. O foco nos Meninos da Mangueira, parceiros de outros carnavais.

A marcação da virada do samba no ar pelos diretores de bateria verde e rosa foi pule 10. Especialmente porque faz tempo preparo um trabalho sobre os gestuais e comandos dos mestres de bateria. A foto do fradinho ritmista Bruno Obrigado no contra da luz do dia nascendo com as arquibancadas populares ao fundo surgiu pela ausência de elementos, um certo “minimalismo” em meio ao caos entusiasmado da dispersão do desfile. Para finalizar o beijo da sorte abençoado pelo Santo Antônio do “padre” diretor Wallance Tchoá e da noivinha passista, Jhéssyka  Santtos. Uma licença poética carnavalesca. Dessas que andam fazendo falta na folia. Um selão de alegria e irreverência num assunto sério que parece ter virado uma guerra. A intolerância generalizada que impede o diálogo e a convergência que deveriam nortear um momento de crise como o que atravessamos.

Foi justamente dela que veio a surpresa. O convite da Nega Chic Elisa Santos para fornecer estampas que seriam modeladas para uma performance relâmpago nos corredores da Carnavália SambaCon. Sem maiores explicações, porque não dava tempo. Da Mostra CarnevaleRio foram resgatados alguns detalhes do barracão da Mocidade Independente de Padre Miguel, do enredo de Cid Carvalho “Parábola dos Divinos Semeadores”, de 2011. Deu no que deu a junção de parcerias. Foi tão legal que pediram bis! A passagem das modelos “tatuadas” e invocadas com a faixa “CARNAVAL MERECE RESPEITO” foi aplaudida pelos corredores momentos antes sorteio da Ordem dos Desfiles do Grupo Especial no Carnaval de 2018, um dos pontos altos do evento. Na moral…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte das séries “Parador Cuyabano” e “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Outras memórias pantaneiras

Texto e foto de Valéria del Cueto

Perdi as palavras diante dos sentimentos. Muitos. Profundos. Emocionantes.

Até especialistas em se expressar, coisa que sempre busquei nas mais diferentes “mídias”, se calam quando tudo é pouco diante dos fatos e os diversos graus de sensações que provocam.

Voltei ao meu belo Mato Grosso, aquele de antigamente, ainda sem divisão geográfica. E os tempos queridos, acreditem, os que não voltam nunca mais, estavam lá.

O pé de cedro havia crescido e dado novas ramificações. Encontrei o pequeno arbusto cheio galhos e de raízes crescidos no tempo em que distantes vivi, amei e, claro, também sofri.

Todos nós nos transformamos…

Sua sombra amiga me acolheu e protegeu, me mostrou seus frutos (cedro dá que tipo de frutos? Sei lá…)

E nada do que imaginava para essa jornada aconteceu como planejei. Tudo foi mais.

Mais tempo nublado e chuvas, o que não seria problema se não fosse a duração quase permanente, o que gerou menos imagens reais como pássaros, animais e exuberância natural na região pantaneira.

Isso me empurrou para os livros que levaram a imagens de outros tempos mais, muito mais antigos. Voltei à Guerra do Paraguay.

Aos encontros e desencontros dos pioneiros que entre batalhas, muito trabalho bruto, longas esperas e amores povoaram o baixo Pantanal e a fronteira entre Corumbá e Ponta Porã.

Se pouco soube de Solano, o invasor paraguaio, li a respeito de Raphaela Lopes, sua irmã, que se casou com o interventor designado pelo Império Brasileiroe a saga da vinda da família Pedra para a região. Sou quase um deles. Além dos netos de Pompílio, agora, “colada” com mais duas gerações.

Quando, finalmente, o tempo permitiu que começasse a fotografar já estava encharcada pela água dessa fonte de lembranças expandida com a ajuda de informações e indicações de como lidar com um baú de comitiva repleto de imagens e referências.

Tudo veio pra mim. Primeiro na Casa Candia, de dona Jandira, em Anastácio. Depois na Selaria Renascer, do seo Jairo, em Aquidauana. Nos dois lugares tive direito a um “Guia Lopes” para me conduzir pelas macegas de objetos emblemáticos, ícones das narrativas que havia devorado nos livros.

Isso em meio a uma outra guerra que acontecia na vizinhança. Sangrenta, sem tréguas. Cinematográfica. Em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero a disputa pelo poder do tráfico se desenrolava nas ruas. Registradas por câmeras de vídeo dos celulares e disseminadas pelas redes sociais. A violência da fronteira evoluiu, como quase tudo em volta, mantendo sua essência.

Os últimos dias da viagem me levaram a Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, à celebração das novas gerações da família, continuação dessa estirpe que vem lá de trás.

Pais, avós, filhos, netos, numa alegre confusão, em comunhão com a vida, independente dos percalços e diferenças. Esperança!

Tudo ao seu tempo – não conforme meus planos (como sempre)-, acabou acontecendo.

Na última manhã da viagem, o ciclo se completou com a ajuda de Osana. Foi ela que me indicou nos jardins onde seria o desfile da passarada: tucanos, curicacas, beija-flores… Vieram para a despedida!

Um até logo cheio de gratidão de minha parte, emoldurado pelo sorriso que não tem preço de uma das queridas matriarcas da família, que não nega seu sobrenome: Pedra!

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “No Rumo” do Sem Fim…

Gatos : o filme

Um documentário da diretora turca Ceyda Torun, o filme capta o cotidiano de sete gatos livres que passeiam pelas ruas e vielas de Istambul, mostrando suas mazelas, espertezas e reações para sobreviver numa cidade grande.

Os muçulmanos atibuem aos gatos um especial dom de espiritualidade, e segundo a lenda, Maomé os adorava.  O seu favorito se chamava Muezza. Mas a foto debaixo que ilustra a matéria é de Fidel Sartre, que não era de Maomé e vive hoje pachorramente em Porto Velho. O documentário estará em breve num cinema perto de sua casa. E se você reparar no filme alguns felinos com a orelha esquerda cortada, não estranhe. É o sinal C.E.D , a prática  de captura, esterilização e devolução dos gatos ao ambiente, uma maneira de controlar a população dos bichanos de rua na Turquia.

Namoradeira

Janela da Pousada Casa Grande, em Iguape/SP

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor?
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Nos braços de um tipo qualquer?

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nem um pedaço do seu pode ser?

Lupiscínio Rodrigues

O samba-canção “Nervos de Aço”, de Lupicínio Rodrigues, foi lançado originalmente em 1947 pelo cantor e compositor Francisco Alves, conhecido como O Rei da Voz e falecido em 1952 num acidente de carro na via Dutra. Em pouco tempo, a canção se tornaria um clássico de seu repertório e da própria música popular brasileira. Vale lembrar que Chico Alves foi o primeiro a gravar, em 1948, “Esses moços” (Pobres moços), outro clássico de Lupicínio, também autor em 1953 do hino oficial do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense .

Lupicínio Rodrigues nasceu em Porto Alegre (RS) em 19 de setembro de 1914. De acordo com o site MPBNet, foi o inventor do termo “dor-de-cotovelo”. Este termo, ao contrário do que se propagou como inveja – se refere à prática, comum nos bares, do homem ou mulher que se senta no balcão, crava os cotovelos no mesmo, pede um Whisky duplo, faz bolinhas com o fundo do copo e chora o amor que perdeu.

Lupe, como era chamado desde pequeno, tinha três grandes paixões em sua vida: a música, o bar e as mulheres. A música poderia ter convivido com tranqüilidade com as outras duas, mas as mulheres em sua vida jamais entenderam ou conviveram com sua paixão pela boemia. Constantemente abandonado, Lupicínio buscava em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam abraçados, afogando as mágoas na mesa de um bar – onde, finalmente, conseguia unir suas paixões: amor, música e boemia.

Com versos profundos, conseguia tocar todos os corações que paravam para ouvi-lo, dando, a cada um, a sua própria história. Ninguém soube, como ele, cantar a dor e a desilusão de forma tão genial, sem cair em clichês e lugares comuns. Todas as pessoas que um dia choraram um amor, ergueram sem dúvida um brinde a Lupiscínio. Faleceu na capital gaúcha em 27 de agosto de 1974.

Leia também : Por que sou gremista

Canto pros santos do meu canto


Texto e foto de Valéria del Cueto

Acordar ouvindo a gritaria da passarada na janela enorme a sombra das borboletas de metal que dançam ao vento presas no entorno da não parede transparente. O pulo da cama é para tomar um copo de água fresca e fazer a ginástica diária de subir o toldo e abrir o janelão, deixando o ar da imagem matinal invadir e clarear o espaço do quarto.

Ao descer as escadas não esquecer de apagar a luz. Guia para o caso de precisar ir até a parte de baixo da casa durante a noite. Entre reparar na luz acesa e chegar ao pé da escada de madeira e ferro, a atenção é desviada para luminosidade que vem do lado de fora.

São poucas paredes. Os vãos envidraçados fazem com que tudo se mexa onde normalmente haveria apenas o senso comum de decoração interior. Os raios de sol projetados invadem o ambiente e quanto mais o vento agita as folhagens que cercam a habitação, maior o ritmo do balanço que alegra o chão e as pilastras de sustentação da sala/cozinha vazada. As sombras dos passarinhos que dão rasantes entre as árvores em busca do alimento matinal também fazem da manhã uma festa na Vivenda da Vovó Suely.

O tempo está perfeito. Quase julho e o ar ainda está limpo, como se já não fizesse mais de um mês sem uma gota d´água vinda do céu, apesar de algumas ameaças e a torcida geral por chuvas que adiassem o princípio da secura insuportável do “verão” no cerrado cuiabano.

Deu até uma esfriada. Aquela que o céu fica vermelho e a lua tem um halo em seu redor. Isso, um dia antes da parede de nuvens pesadas se formar para o lado sul no meio da tarde e ir invadindo o horizonte e depois completando o céu inteiro. Chegou o frio! Notado até por aqueles que, mais acostumados que os cuiabanos em geral, só o sentem quando a temperatura baixa dos 14 graus. Pois baixou…

Graças a Deus não durou nem pegou a temporada dos festejos de São Benedito, o santo padroeiro de Cuiabá. Assim, todos os devotos puderam louvá-lo com pompa e circunstância. Especialmente nas atividades da madrugada, como a novíssima lavagem das escadarias da igreja a ele dedicada e o tradicionalíssimo levantamento do mastro, com a imagem do Divino Espirito Santo ornamentando o topo. Diz a lenda que o lado que a bandeira aponta é de onde virá o futuro Imperador, organizador os festejos no próximo ano. Seja cumprindo promessa, fazendo pedidos para o santo, usando sua coroa, entoando os cânticos da missa da madrugada, experimentando o café com bolo depois da função, participando da procissão ou frequentando as barracas de comidas típicas cuiabanas, a fé do povo se manifesta a cada gesto.

Tão significativa e necessária é a devoção aos santos, como o ritual correspondente à natureza local. Ele pede o banho de rio na Chapada dos Guimarães onde, certamente, descem nas águas cristalinas as energias excessivas que se acumulam no corpo e na alma do vivente. Com sorte a água pode não estar muito gelada depois da inevitável descida até a beira do rio Paciência, por exemplo. E não adianta somente colocar os pés na água, molhar as mãos e a nuca.

O ideal é um mergulho físico e espiritual em que apenas o esforço para não rodar riacho abaixo faça o fio terra com o mundo real. Se der, que a conexão seja feita só com a ponta dos dedos dos pés, numa aula prática de física para demostrar como um único ponto fixo pode segurar a força do corpo contra a correnteza das águas.

Como na vida, em que os pequenos gestos e movimentos podem ser definitivos e decisivos diante do turbilhão que nos cerca e tenta nos devorar, serão as delicadezas e sutilezas que nos manterão ligados ao que temos de melhor a preservar.  

A essência da simplicidade é a luta pela verdade. A nossa verdade interior. Aquela que insiste em resistir em se manifestar livremente, como um direito que todos deveríamos exercer plenamente em nosso dia a dia.

Lembra da luz ao pé da escada? Voltando para apagar. Ficou acesa…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuyabano”, do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

A imprensa independente está de luto. Morreu Paulo Nogueira, aos 61 anos

Paulo Nogueira editava o Diário do Centro do Mundo

Paulo Nogueira morreu na noite de 29 de junho. Tinha 61 anos.

Estava com câncer. Depois de uma batalha de dez meses, finalmente descansou.

Paulo está vivo.

Paulo está em seus filhos: meus sobrinhos Emir, Pedro, Camila e Fernando. Paulo está em minhas cunhadas Erika e Luísa.

Está nos seus irmãos Mari, Zé, Kika. Nos seus sobrinhos e sobrinhas. Na minha tia Maria Ely. Nos amigos, como Sergio Berezovsky, Caco de Paula, Bia Parreiras e aqueles que peço desculpas por não citar nesse momento.

Está em mim e em você. 

Está em seu legado vasto e generoso, digno do nosso pai, o jornalista Emir Nogueira, a quem Paulo dedicou linhas e linhas de beleza e gratidão.

Ele fez de tudo no jornalismo. Foi repórter, editor, diretor de redação, superintendente. A maior parte da carreira na Editora Abril, outra parte na Editora Globo, os anos mais recentes neste Diário do Centro do Mundo.

Um dos maiores jornalistas do país, passou pela Veja, foi editor da Veja São Paulo, reinventou a Exame, lançou diversas outras publicações.

Deixou sua marca em cada uma delas. A vibração, a provocação, o apuro, a busca da excelência. Antecipou tendências, fez acontecer.

Nunca foi santo. Era duro. Era também de uma paciência infinita. Fez companheiros para a vida toda nas redações e revelou vários talentos. Fez inimigos, também, como todo grande homem.

“Sempre que você se desentender com alguém, lembre que em pouco tempo você e o outro estarão desaparecidos”, dizia, repetindo Marco Aurélio, o imperador romano, seu filósofo de cabeceira.

O DCM era seu projeto preferido. Ele falava do privilégio de poder exercer o ofício depois dos 50. Poderia ter tido uma aposentadoria tranquila, jogando tênis e pôquer às margens do Tâmisa.

Preferiu combater o bom combate, com a mesma paixão de sempre. Em 2012, quando começamos, comemorávamos quando conseguíamos alcançar 20 mil visualizações num dia. Ele de Londres, eu de São Paulo. Hoje são 500 mil.

O Paulo tinha uma visão e a perseguia com a mesma obstinação que tinha jogando futebol (um dia eu conto do gol mais bonito que ele fez. Um dia eu faço isso, quando não me doer desse jeito).

A utopia do Brasil escandinavo, um Brasil mais justo, foi a nossa bússola no DCM. Continuará sendo.

Uma vida intensa, um homem que fez tudo à sua maneira. Nasceu e morreu no mesmo quarto na casa dos nossos pais, no Jardim Previdência.

Como ele queria.

Publicado no Diário do Centro do Mundo

Minguante

Texto e foto de Valéria del Cueto

Não sei quando liguei a lua minguante a hora da partida. Desde que me lembro foi assim. Acho que é nela que a nossa ligação com a terra enfraquece, o fio de prata fica mais tênue. Se a força da lua influencia as marés, as plantas e, dizem por aí, o nascimento dos bebês, por que não ser presente também na morte? Com o tempo passei a observar o “fenômeno” que se repete a ciclo lunar. Em maior ou menor intensidade, para mim, sempre está presente.

Essa lua foi daquelas que vai levando de roldão várias pessoas queridas. Depois de seis anos de ausência aportei em Cuiabá. Dias antes da virada da lua minguante para testemunhar em uma semana a cuiabania sofrer sucessivas perdas.

O jornalista Jorge Bastos Moreno abriu a lista dos que, espero, tenham ido dessa para muito melhor. “Grande coisa melhorar o que está péssimo”, diria ele resmungando se lhe fosse dado o direito de, já assim rapidinho, mandar notícias do outro do outro lado. “Uma twittada, por favor, São Pedro. Se deixar devolvo a chave…”

Também partiram Rômulo Vandoni, amigo das minhas idas ao Senadinho e fonte de vastas informações sobre Cuiabá e outras regiões de Mato Grosso. Sempre gentil e disposto a saciar minha sede de histórias e curiosidades daqui.  Foi colaborador valioso em diversas campanhas políticas em que atuei no estado.

Com o Aecim Tocantins, também personagem essencial da história cuiabana, não tive tanto contato. Mas senti a perda de outro baluarte da cultura local. Dois contadores de histórias e um personagem influente e querido por toda a comunidade.

E já estava de bom tamanho, pensei prestando atenção na data do final da lua minguante: 23 horas do dia 23. Que passasse logo essa fase e os fios que nos unem a terra se fortalecessem…

Mas não tinha acabado. Na madrugada final do reinado da minguante de junho, se foi Fatima Sonoda, minha bióloga preferida.

A conheci logo que cheguei por aqui na década de 80. Como uma boa e longa amizade, a nossa nunca foi linear. Havia amor e discordâncias. Ficávamos “de mal” e tínhamos um enorme prazer em fazer as pazes. Uma das brigas mais sérias foi quando ela estava grávida de Bibi. Essa durou. Até o dia em que, numa campanha de Luiz Soares, quando estava com Helinho Lopes gravando numa reunião num ginásio perto da Universidade Federal de Mato Grosso, um toco de gente cruzou o salão com aquele andar cambaleante de bebê e, inexplicavelmente, grudou nas minhas pernas. Fiquei ali, meio sem saber de onde viera o afago até Fátima chegar perto de mim e declarar: “Essa é Beatriz. Se ela gostou de você, também tenho que gostar, né?” As pazes estavam, finalmente, feitas. Bibi não sabe, mas sempre teve meu carinho especial por ter feito a reconciliação.

Como já disse, Fátima é bióloga. E como tal a reconheci em cada passo da sua vida. Fosse jogando Master e dando surras homéricas nos demais desafiantes (foi quando revoltada gritei o bordão que encerrava nossas demandas: “ Ela é biooooologa!”.  Fator incontestável diante do meu saber empírico, após essa constatação não havia mais discussão), fosse como especialista e defensora do meio ambiente. Luta árdua.

Técnica do melhor calibre e maior comprometimento, minha fonte de saber e inspiração nesse campo da ciência, batalhou corajosamente pelos biomas mato-grossenses. Virava onça! Especialmente quando falávamos de uma paixão imensurável que tínhamos em comum: o Pantanal.

Como aprendi com ela! Noves fora nossas paixões em comum: Nina Haggen, Lou Reed, Tom Waits, Laurie Anderson, Charles Bukowski e por aí vai… Tudo gauche na vida, como ela.

Então Fá se foi e nós ficamos. Com tremendas saudades! Mas certos que logo ali ela vai se enturmar. Boas companhias não faltarão para a amiga querida. E logo, logo, nos vemos por aí. Numa minguante qualquer…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuyabano”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress. com

Noel tinha razão

Texto e foto de Valéria del Cueto

Doente do pé e/ou ruim da cabeça, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, entre idas, vindas e bênçãos, mandou um recado (!) ao povo do samba: o dinheiro da subvenção da prefeitura para o carnaval 2018 foi reduzido pela metade.

Tal qual marido traído os responsáveis pelo espetáculo foram os últimos a saberem da intenção do alcaide. Em nota ele informou que botará iogurte na merenda das creches cariocas capando um milhão de cada escola do Grupos Especial (50%). Também pretende reduzir a verba do Acesso e cortar os recursos para a montagem da estrutura do desfile dos demais grupos, na Intendente Magalhães. Adieu cultura popular.

O que levaria o bispo Marcello Crivella a provocar um tsunami no mundo do samba, abalando as estruturas de um espetáculo que rende aos cofres da prefeitura  um retorno de 3 bilhões e movimenta em todos os níveis a cadeia produtiva do Rio de Janeiro?

As mesmas intenções que fizeram o agronegócio defenestrar o enredo sobre Xingu da Imperatriz no último carnaval e Luciano Huck correr atrás de uma escola que topasse contar sua riquíssima história na Sapucaí, dias atrás.

O mundo do carnaval é terreno em que se plantando tudo dá. Especialmente notícias e repercussão instantânea. Boa, bonita e barata. O “custo” de uma ação de marketing coordenada é muito baixo quando a capilaridade e a “sonoridade” dos defensores da maior manifestação cultural brasileira são acionadas.

Crivella tem planos maiores. Inicialmente, seu caminho natural, já que nunca participou da administração pública, seria da prefeitura ir para o governo do estado e, então, a Presidência da República seria o limite.

Só que, como verificamos dia a dia, o Brasil tem a capacidade de extrapolar a ficção e descontruir projetos, especialmente a logo prazo. Com a instabilidade política, a estratégia traçada precisa ser readequada para acompanhar os acontecimentos. Com o cavalo passando encilhado, é hora tentar monta-lo!

Há um vácuo de poder federal e uma possibilidade de se movimentar com a falta de candidatos viáveis para a Presidência já em 2018. Bolsonaro se lançou, mas não é lógico entregar ao alheio o ativo de votos evangélicos. João Dória voa baixo, mas está muito exposto. Seu partido, o PSDB implodindo.

A bancada e a base evangélica não têm porque apoia-los se tiver um nome com projeção nacional. Crivella pode se viabilizar nessa brecha. Para isso precisa se apresentar e posicionar no tabuleiro eleitoral.

A polêmica carnavalesca é um recurso caseiro para alavanca-lo. O assunto já mostrou que tem abrangência. É briga de cachorro grande e apaixonante.

Quantos municípios brasileiros cancelaram seus carnavais em 2017? Será que isso prejudicou a imagem de seus prefeitos? Ao contrário. Fortaleceu. Com o quadro atual, Crivella precisa apressar o processo. Bate de frente com o carnaval carioca, ganha exposição e cria um debate nacional que pode posiciona-lo como um possível candidato a presidente.

É jogo alto, baseado em pesquisas, projeções e acordos aos quais os eleitores comuns não têm acesso, mas que estão rolando nos bastidores. Juntando os votos evangélicos com os da direita ele pode virar um trator eleitoral.

O timming está certinho! Se não houver desvios de percurso, pavimenta sua candidatura à Presidência e se equipara a outro candidato (provavelmente da bancada ruralista). Se não der para ganhar, tem cacife para negociar. Que vença o melhor. Para eles.

Somos peça chave nesse tabuleiro. Com um detalhe estratégico: enquanto jogamos damas, ele joga xadrez…

Em tempo: parte dos recursos orçamentários que sobrou do carnaval de 2017, quase um milhão, foi realocado para uma campanha da Riotur de atração de turistas nacionais, a #vemprorio. Segundo anunciou o presidente do órgão, Marcelo Alves, em maio, o custo da iniciativa é de 200 milhões!

*Veja o resultado da enquete feita pela Revista Veja sobre o assunto

**Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É Carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress. com

Nova medicação promete curar a malária em 1 dia

O anúncio foi feito durante a 6ª Conferência Internacional sobre Pesquisa de Plasmodium Vivax ocorrida em Manaus/AM nesta semana. A droga tafenoquina será usada em um único comprimido segundo os pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical.

Hoje o tratamento tradicional é feito à base de cloroquina e primaquina e dura de uma a duas semanas. O novo medicamento deverá estar disponível no mercado em aproximadamente 4 anos. O remédio  já completou as três fases requeridas de testes, e o próximo passo é o registro do produto.

Alguns Mitos difundidos na região que prejudicam o controle da doença:

– Malária pode ser transmitida pela água? Mentira. A única forma de transmissão é pela picada do carapanã contaminado.

– Chás e plantas medicinais podem curar a malária? Mentira. O tratamento só pode ser feito com medicamentos e tem que ser completo, caso contrário, a malária pode voltar mais grave.

– Se os sintomas da malária passaram, a pessoa está curada?A pessoa tem que fazer o tratamento até o final, por mais que os sintomas já tenham desaparecido. Depois do tratamento, é importante fazer novamente o exame de malária para saber se está completamente curado.

– O sangue da ponta do dedo não permite um diagnóstico preciso para malária? Mentira. As gotas de sangue colhidas na ponta do dedo ou na veia fornecerão as mesmas informações sobre a doença. Os exames realizados são seguros e todos aprovados pelo Ministério da Saúde.

É preciso sentir todos os sintomas para estar com malária? Mentira. Os sintomas podem variar, portanto, basta sentir um ou dois desses sinais para procurar um serviço de saúde para fazer o exame. Os sintomas são dor de cabeça, dor no corpo e na barriga, febre e tremor.

– Mulheres grávidas não podem fazer o tratamento? Mentira. A gestante tem um tratamento diferenciado, basta procurar o serviço de saúde para receber um acompanhamento especial.

“Ao levarmos informação, conseguiremos interromper o ciclo da malária. Quando as pessoas fazem o tratamento até o final, elas ficam curadas e diminuem os riscos de contaminar outros mosquitos que poderão transmitir a doença para familiares e vizinhos.

Morre o ator Adam West, o eterno Batman

Adam West, ator que interpretou o super-herói Batman na clássica série de TV americana, entre 1966 e 1968, morreu nesta sexta (9), aos 88 anos após lutar contra uma leucemia.

A notícia foi divulgada por meio de um comunicado de parentes do ator, publicado no site da revista “Variety” neste sábado (10).

Retrocesso em São Paulo : prefeito Dória apaga mais duas ciclovias

Após apagar a ciclofaixa da Rua Amarilis, a gestão atual, agora, apagou as estruturas da rua Curuçá, na Vila Maria e da Rua Silva Pinto, no Bom Retiro.

No caso da primeira, o trecho coberto possui a extensão de um quarteirão, entre a Rua Guaranésia e a Praça Santo Eduardo. O local servia, principalmente, aos deslocamentos de ida e retorno do trabalho.

Na ciclovia localizada no bairro do Bom Retiro, a parte próxima à Rua Anhaia foi fresada e recapeada, com o asfalto novo enterrando os tachões refletores. A estrutura era utilizada tanto pelos moradores da região quanto por entregadores de comércios do local.

com Bikeélegal.com

Vão de céu

Texto e foto de Valéria del Cueto

Abriu as cortinas. Seu olhar escalou janelas e aberturas de serviço da babel arquitetônica de salas, quartos, cozinhas, elevadores e escadas. Ia em direção a cor do céu e o brilho dos raios solares rebatidos nos últimos andares do quadrado que emoldurava o vão. Azul profundo e amarelo alegre. Tudo mais que perfeito para uma vibração praiana, sem o fog que havia baixado nos dias anteriores.

Caderninho na mão e mil ideias na cabeça lá se foi em direção ao mar. Camisa branca de mangas compridas e bermuda. Para não se enganar com o frescor no final da tarde que, já sabia, estava caindo cedo. Tudo, menos facilitar a chegada de um resfriado ou gripe.

Do arvoredo que sombreia a subida em direção ao Arpoador, atravessando o Parque Garota de Ipanema, é um pouco mais que um pulo grande. Similar a um despetalar de problemas, um aprumar de coluna vertebral, a respiração se aprofundando de acordo com o ritmo harmônico dos passos.

Primeiro com interrupções aleatórias nos sinais e esquinas, depois com a entrada nas alamedas da área verde. Tudo para o grand finalle. A passagem pelos portões em direção da praia, mar e o vasto horizonte.

Depois, é abrir o peito, respirar bem fundo e deixar a brisa marinha encher cada alvéolo pulmonar. Uma delícia interior que se adequa perfeitamente ao visual circundante. Circundante mesmo. Tipo 360 graus. Com opções para todos os gostos.

O ritual começa por uma fiscalizada nas condições da areia, seu relevo e extensão no canto do Arpoador. Há pouco espaço para ocupar junto a murada, com direito a falésia para alcançar a água. Dá para ver pedras faz pouco encobertas pela areia de uma maré distante.

Não há surfistas no mar ali no canto. Muito baixo para grandes aventuras. Mas as bandeiras vermelhas se agitam em intervalos na areia. Só de olhar o movimento da água dá para ver que o mar está puxando, traiçoeiro.

O que leva a uma caminhada rumo a Praça Millor. Acesso à Praia do Diabo do outro lado da Ponta do Arpoador. Lá sim, mar alto e surfistas deslizando no topo das ondas. Nem pensar em se aventurar quem não é PHD nas manhas do pedaço. Só profissional para cair para os lados do Forte de Copacabana onde estão os melhores picos. Na também pouca areia do Diabo, os personagens de sempre. Jogadores de frescobol, o pessoal expert no slackline, vulgo corda bamba…

Sintonia, com alegria. Essa é a essência para aproveitar tanta beleza. Só que nem sempre ela chega de estalo. É preciso aguçar os sentidos, um a um.

Depois da respiração e de limpar a visão é hora de deixar o mantra do mar e do vento embalarem seu pensamento. Passo seguinte: se largar na areia e se entregar ao prazer do calor do sol sobre a pele.

Para isso, o ideal é estender a canga num ponto em que seja possível se perder em distrações como os albatrozes que passeiam pelo céu ou o reflexo que desenha uma sombra peculiar na fina lâmina da marola que se recolhe, retrocedendo para o mar.

É chegado o momento sublime de tirar o caderninho e traduzir em palavras a sensação de gratidão por – ainda – conseguir se despir do estado de alerta geral dominante e abrir o verbo para descrever o dia espetacular que embala nosso pequeno paraíso em meio a terra desolada.

Mergulha a mão na mochila em busca do único instrumento necessário para curar os males do seu mundo. Adia os planos quando descobre que, apesar de tanto tudo, lhe falta o essencial. Cadê a caneta???

Conta até três. Relaxa. E aproveita. Desiste da crônica escrita e se dedica a fotografar a vida. Se chegou até ali, foi para ampliar seu vão de céu…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

A força

Texto e foto de Valéria del Cueto

Quero vagabundear. É isso que preciso fazer para encontrar um distanciamento adequado e precavido dos acontecimentos do entorno. Sério.

Olha para o chão e é a aventura de morar no Rio de Janeiro. Tá danado. É tiro para todo lado. Literalmente. Aqui, ali, lá e acolá.  

Olha para o céu e o que temos no horizonte? Esse imenso Brasil e suas inimagináveis e praticamente inenarráveis contradições.

Como driblar o estresse nosso de cada dia? Não, não dá mais para andar despreocupada, olhando a vida passar. Há perigo na esquina. Nessa mesmo. Na outra também.

Está na hora de vagar e bundear.

Na guerra, há que saber a hora de observar. A distância. Especialmente se os movimentos são tantos e tão inesperados que não há tempo hábil para uma análise aprofundada das causas e consequências dos fatos que se desenrolam aos borbotões.

Respirar fundo. Limpar o pensamento. Despir os pré-conceitos. Selecionar os ingredientes antes de picar, botar o conteúdo no liquidificador e tentar fazer algo saudável do mix incrementado. Tá difícil.

Tentei me mover para lá, não deu. Parti para outra opção. Está enrolado, amarrado. Mas vai sair.

Enquanto não sei para onde vou, nem quais das Valérias sairão para brincar por aí, a solução é ir mergulhando na sempre disponível (graças a Deus) imaginação. Sozinha ela já nos levava a qualquer lugar. Agora, com um computador e o mundo nas mãos, as possibilidades são infinitas.

Não que as coisas andem muito melhores nesse mundão de Deus. Com homem bomba se explodindo na entrada de show de cantora adolescente, precisa mais o que?

Botar a boca, como dizem os gaúchos. No mais claro sentido da expressão. E é isso que marca o calendário desse domingo carioca. Voltamos ao ponto de origem. Rio de Janeiro, cidade 40 graus…

A busca prossegue. Por favor, um vagabundear positivo, criativo para animar a crônica. E eis que do passado remoto (!) surge o fato redentor. Aquele que te tira do lugar e desloca para uma outra dimensão…  

Meninos eu vi. Morram de inveja. Passou diante dos meus olhos arregalados e sedentos das imagens futuristas que se desenrolavam na tela. Estive lá. Falo do lançamento de Star Wars há 40 anos atrás!

A vida vai passando e numa hora ou na outra as contas parecem ficar muito grandes. Sorte que sempre parece que foi ontem.

“Te conheço desde que cheguei em Cuiabá, fazendo uma matéria sobre garimpo!”

Ops, de 1984 para hoje lá se vão uns 33 anos, a idade de Cristo! Jesus me abana.

“Quando assisti minha primeira Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, a décima…” Putz, foi em 1980. Aí meu nem tão santo César Passarinho!

Entre essa época e o agora tem um monte de décadas de eventos e aventuras que se aproximam quando a gente tem o poder de “chamar” a imaginação. Algumas coisas fazem isso acontecer mais facilmente, profundamente.

Um exemplo? A trilha sonora de Star Wars, de John Williams. Quem tem uma saga para acompanhar na vida, sabe, nas primeiras notas, que pode ter a Força. E que sim, ela pode estar ao seu lado quando mais precisa e menos espera…

Eis o link para a viagem musical. Que a Força esteja com você! https://youtu.be/Nz6H_pm_isw

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Inferno na “casinha de Deus”: dois padres estupravam crianças surdas ajudados por uma freira

Eram crianças, surdas e muito pobres. As vítimas ideais. Foi fácil convencê-las a não contar nada. E se contassem, como aconteceu com algumas, ninguém iria acreditar nelas. Ainda hoje, com vinte e poucos anos, surpreendem advogados e promotores pelos rostos de terror que fazem em rodadas de reconhecimento quando veem o padre Corradi, de 82 anos. Colocam a mão na boca e fecham o punho. Ainda têm medo mesmo com ele na cadeia. São as crianças do Provolo de Mendoza (oeste da Argentina), um instituto para surdos onde foram cometidos abusos sexuais de todos os tipos durante anos contra menores, inclusive de cinco anos. Realizados principalmente por sacerdotes, às vezes com a ajuda de uma freira que testava meninas e meninos para encontrar os mais fracos e entregá-los aos sacerdotes.

Aqueles que resistiam, se salvavam. Os que eram submissos acabavam sendo abusados

Há seis pessoas detidas e o centro foi fechado em dezembro. Nem a Igreja tem coragem de negar o que acontecia lá dentro. Os estupros e as humilhações de todo tipo – uma adolescente denuncia que foi acorrentada e abusada por quatro pessoas ao mesmo tempo – quase sempre aconteciam em um sótão, em uma sala que chamavam de “a casinha de Deus”. A polícia encontrou as correntes e material pornográfico. “Ao subir as escadas em uma inspeção, uma vítima apontou uma imagem da Virgem e disse: ‘Sempre que passava por aqui, a freira malvada fazia o sinal da cruz’. Como podia ser tão hipócrita?”, pergunta o promotor do caso, Gustavo Stroppiana, que tem problemas para dormir à noite – tem filhos pequenos – depois das coisas que ouviu na investigação. A freira foi presa esta semana pelas provas encontradas.

Leia matéria completa em El País

É sério ?

Texto e foto de Valéria del Cueto

É praia, é mar, é dia, é Rio. Tudo substantivo perfeito se não fossem… os adjetivos que acompanham. É praia xoxa, é mar gelado, é dia nublado. É Rio…

Só rindo para sobreviver. Sorte que sempre há razões para ele, o riso…

No meio a tantos acontecimentos e ventos, mais uma vez, vem do carnaval o enredo que nos faz dar risada da própria (des)graça. E mistura tudo: celebridades, política, carnaval…

Finalmente chegamos a 2018. Demorou mas conseguimos dobrar o cabo da Boa Esperança e partir para a preparação da próxima folia. E foi aí, já na fase de definições dos enredos, que despontou um saboroso imbróglio momesco da nova temporada.

Diz a lenda que algumas agremiações foram sondadas, vamos dizer assim, para serem premiadas com um polpudo (e nada desprezível) aporte de 6 milhões de reais caso aceitasse desenvolver seu carnaval exaltando uma incrível e imprescindível personalidade nacional, o apresentador global Luciano Huck!

Segundo a imprensa especializada as escolas de samba do grupo de elite do carnaval carioca procuradas para tal empreita foram o Salgueiro e a Estação Primeira de Mangueira.

Afinal, o que o Huck tem a ver com o carnaval do Rio de Janeiro, além de ser o promotor do concurso que elege todos os anos a Musa do Caldeirão?

Não pescou? Acontece que o mauricinho paulista tem pretensões (altas, diga-se de passagem) de se lançar no pleito eleitoral do ano que vem. Nada como uma over exposição planetária, embalada por um samba exaltação conduzido por uma bateria nota 10, tendo como coadjuvantes destaques, passistas e componentes de uma agremiação tradicional carnavalesca, para consolidar e amplificar a imagem do espevitado futuro “novo” na política brasileira.

Os ecos dessa oferta reverberaram nos meios de comunicação. Logicamente não apenas entre os ligados a festa carioca.

Com o vazamento das recusas das duas agremiações, a assessoria do apresentador negou a iniciativa. Informou que ele foi procurado por um compositor, uns três ou quatro meses atrás, que queria escrever um samba-enredo sobre ele e oferecer para as escolas. Luciano não aceitou. Algumas publicações abriram aspas: “Usaram meu nome indevidamente”. É claro que tal informação só veio a público após as recusas, não quando ainda havia “diálogo” entre as partes.

Por um lado, diante da crise instalada no carnaval carioca alguns anos antes da quebradeira geral brasileira(desde 2013 os grandes eventos, como Copa do Mundo e Olimpíadas, que aconteceram no Rio e no país, disputam centavo a centavo as verbas de patrocínios com o carnaval), deve ser aplaudido o negaceio a uma “bufunfa” garantida e a mega/hiper/exposição que teria a escola do filho dileto da Globo, detentora dos direitos de transmissão do evento.

As agremiações sondadas devem ter feito um balanço das perdas e danos, inclusive o desgaste na imagem, por sucumbir ao “l´argent” e incluir no seu histórico de enredos um tema tão relevante, original e, cá para nós, rico em significado cultural.

Por outro lado, a reação do pretendente à negativa, jogando a responsabilidade para terceiros, já nos mostra que uma lição da política ele aprendeu e aplica direitinho. Quando nas cordas, apele para a infalível versão do “eu não sabia”. É quase lona, mas fica a dúvida.

É sério? Pela cabeça de quem passaria um enredo desses nas comemorações dos 90 anos da verde e rosa, a Estação Primeira de Mangueira?

Mas… como o samba é generoso apareceu na rede um presente de consolação. O “clip” do samba exaltação ao evento não consolidado. Eis a obra:

Na aristocracia desponta um nariz descomunal

Com vontade de se enfiar no pleito eleitoral

És abastado,  dotado de milhões

O Brasil vai entrar na linha com o pai da Tiazinha

Firma o batuque que eu pago um duque,

Luciano Hulk…

Sou play boy, mas e daí?

Trago comigo o faz-me rir

Para quem me levar para Sapucaí!

(#marcheiros) https://youtu.be/yh7Yzx0bfNU

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É Carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

A última sopa (lá no Arapuca)

Por Altair Santos (Tatá)

Aos pavios primeiros dos luminosos de 80, quando aqui abundavam aventureiros atrás de minas de ouro se entregando febris e obstinados à cata e comercialização do cobiçado metal extraído nos garimpos do Madeira, a cidade vivia um otimista frenesi financeiro onde até desempregado e vagal andava forrado, esbanjando saúde monetária e cachorro “pirento,” sem dono, enjeitava contrafilé no almoço.

As avenidas Nações Unidas e Jorge Teixeira, esta ex Presidente Kennedy, sentido centro-sul, desembocavam em forma de seta no fervilhante Trevo do Roque cuja névoa empoeirada do entardecer, sem licença, soprava invadindo as narinas e levando direto ao cérebro o viciante éter do prazer causando incontido rebojo nas estruturas de quietude de muita gente, acendendo as libidos até o plano máximo das labaredas desejosas. Noutras, todos ali, de cabeça, corpo e membro eram sexo puro.

A Churrascaria Arapuca, por lá fincada, tinha o status de oásis alimentício e repositor das energias perdidas, uma afamada e fundamental casa de apoio aos trêmulos e cambaleantes madrugadores exaustos e vitimados pelas fraquezas e outros efeitos do sexo sem freio, cuja lei era o dinheiro. Lá se reuniam os notívagos tupiniquins e forasteiros para aquela apetitosa, proteica e revigorante sopa, antes de descortinar o amanhecer. De tão sopa e tão vitamínica certas pessoas, quando iam ao local, diziam ressuscitar seus corpos já que as suas almas e espíritos pervertidos e condenados irremissíveis, queimavam e ardiam convertidos ao torto e aloprado anjo daquela Sodoma e Gomorra.

Alguns jovens mancebos daqui, com idade entre os 18 e 20 anos, estudantes da noite nos cursos colegiais, já vivendo o despertar dos arroubos de enxerimentos se arvoravam para incursões mais audazes no campo dos prazeres e, vez por outra, se aventuravam a pé, de vários bairros da região central ou mais distante até o epicentro do canibalismo erótico da época, qual fosse, o Trevo do Roque.

Naquela praça dos eflúvios libidinosos em 12 de junho, noite dos namorados, apareceu o Zenildo, valentão e destemido, cabra jurado de morte nos garimpos da região, feio a ponto de recusar olhar-se no espelho, alto feito um poste e ignorante na mesma estatura. O minerador desceu de um táxi bem na porta do Clube Copacabana, cumprimentou o porteiro, pediu umas quatro mesas e ordenou que chamasse as “profissas” do sexo, inclusive as que estivessem acompanhadas pois, todas, naquela noite de idílio, eram suas namoradas e festejariam com ele. À medida que se achegavam ele oferecia copos de cerveja ou uísque e lhes entregava mimos como pulseiras, relógios, perfumes, cortes de tecido, quantias em dinheiro e pequenas pepitas que lhes reforçavam a gastança mensal.

Os demais fregueses impotentes, assistiam aquilo sem reagir afinal, além de “estar com a pedra” o homem tinha a fama de exímio atirador e agia na segurança de ter sempre, ao alcance da mão, dois trabucos calibre 38 deitados sobre a mesa, prontos pra cuspir fogo contra intrometidos e desafetos. Sob luz tênue, no canto oposto do salão, estava Chico Boca, rival declarado de Zenildo e também garimpeiro padrão barra pesada de cujo, diziam, contabilizar singelos 18 homicídios no currículo, por feitura própria e outros mais por encomenda.

Igualmente afamado por não perder uma só bala das muitas que mandou contra alvos oponentes, Chico a tudo assistia e, movido pelas pendengas antigas com o então filantropo-putanheiro Zenildo, aos goles e olhares de esguelha para o antagonista, Chico parecia algo de ruim matutar.

O sucesso do Zenildo com o mulherio e a forma antiética, fora dos padrões e nocivas, à constituição cabareana e o jeito exibicionista com que arrebatou as damas da noite pro seu domínio, sinalizaram uma inevitável e nada diplomática contenda naquela noite que desnudava sobre as ruas e tetos de Porto Velho um céu estrelado, propício e inspirador a um solo e pontilhado pelo Jorge Andrade ao violão. Por sorte lá, eram raríssimas as idas do seresteiro. Mesmo assim escapou de ser obrigado a dedilhar em tom maior, um fúnebre e melódico aqui jaz.

Em meio ao furdunço de risos, abraços, beijinhos e olhares insinuantes, Zenildo posava de rei. Chico Boca, em desvantagem no placar “cabareísta” até esboçou reação e mandou chamar algumas putas pro seu redor mas, Zenildo, parecendo estar com o tinhoso de plantão e impregnado no seu couro, ordenou que ficassem consigo, cobriria qualquer proposta. Aquilo soou como desafio ao tudo ou nada e derreteu qualquer possibilidade da bandeira branca ser içada e tremular festiva ao vento, sinalizando a paz.

Pra aumentar o fogaréu daquele inferno ambiente, Zenildo convidou alguns rapazes daqui os quais, aprendizes dos segredos e emoções do sexo debutavam na putaria e por ali zanzavam curiosos, porém lisos e ainda tímidos. Sob o patrocínio do bamburrado garimpeiro, os jovens foram autorizados a beber e escolher meninas para estagiarem em sessões de completo sexy menu com direito a indecifrável êxtase e deleite noturno. Tudo isso, na intimidade e desconforto dos úmidos e sombrios aposentos instalados nos fundos onde mal se ouvia os trololós, faniquitos e outras efervescências ocorridas nas entranhas do puteiro.

Lá pelas tantas com todos rumando pelo orvalho da madrugada Chico Boca deixa o recinto, não sem antes, dispensar demorado olhar ameaçador contra Zenildo que devolveu a gentileza, encarou o contrário. Do lado de fora, o retirante dirigiu-se a uma banca de comida onde uma mal humorada e enorme senhora de uns quatro costados, vendia um exótico prato “baiazonense,” mistura de comida baiana e amazonense composto de jaraqui frito com vatapá. Ao cheiro da fritura e, em tom severo, Chico cochichou ao ouvido dum sujeito para que fosse nas imediações da rodoviária, num hotel de baixa categoria, buscar Gaguinho, um matador infalível que lá pernoitava.

Obediente o homem foi num pé e outro e deu conta do recado, Gaguinho estava ali pra receber ordens e despachar mais um, como era o seu ofício. Em sua apresentação, disse o seu preço, narrou uma apólice de direitos que o mandante tinha pra opinar sobre como queria o serviço, quantos tiros, em que parte do corpo e coisa e tal e revelou já ter sido tomado de aguda vontade de alvejar o boçal e valentão Zenildo.

Tratativas ligeiras, “sem conversa de chora minha nega” logo o dinheiro do serviço fora enfiado fundo no bolso do matador que também recebera um revólver com a seguinte recomendação: escute só meu chapa, com esse aqui eu já derrubei pra mais de dez, então faça bonito, faça como você sabe fazer. Agora vá, ele está lá no Arapuca bebendo com aquelas putas ingratas duma figa, chegue e anuncie a morte e, antes de qualquer reação, queime o desgraçado. Eu vou ficar de longe apreciando tudo.

No Arapuca Zenildo ocupava o centro da mais animada mesa, cercado das felizes damas da noite que folgavam se encharcando de cerveja e se empanturrando num lauto rega-bofe. Em dado momento o mecenas da noitada pediu uma sopa bem quente no que de pronto fora atendido. O matador, que a tudo “mancuricava” resolveu inserir certo drama àquela trama e, puxou um papel e nele escreveu “a última sopa” e deu ao garçon para entregar ao destinatário certo, o Zenildo. Enquanto o prato apetitoso esfumaçava à sua frente, Zenildo leu o papel umas três vezes e foi surpreendido quando Gaguinho, o atirador fatal, apareceu e, a média distância, anunciou no seu fluente linguajar próprio: “… e-e-e-ildo e-e-eu iiioo da u-u-uta, i-i-i e-e-ara u-u ai o-o-rrer a oraaaaa!” Traduzindo do “gaguez” pro português: “Zenildo seu filho da puta, te prepara tu vai morrer agoraaaa!”

Após o brado da morte o gago sacou o cano e disparou uma, duas, três vezes mas o colt bateu catolé em todas elas. Quando tentou novo disparo Zenildo já havia rastejado por debaixo da mesa e, entre cadeiras e pernas das putas em polvorosa, disparou fatal contra o peito de Gaguinho que já tombou defunto, empacotado pra viagem. Naquela hora quatro e meia da madrugada, o Arapuca era o salão do medo, gritaria, desespero e incerteza. Zenildo ainda de arma em punho mal levantou e, dum canto escuro, três pipocos tiniram alto e misteriosas azeitonas quentes cortaram o ar indo se alojar certeiras e mortíferas no seu peito.

Segundos depois, em meio ao “quem foi, quem não foi,” Chico Boca passa ao lado do Garçon e lhe diz ao ouvido: eu não sabia que esse matador era gago até pra atirar, e quanto ao outro, se a polícia perguntar, diga que ele veio tomar a última sopa, mas nem deu tempo.

tatadeportovelho@gmail.com

Do mural de Alberto Lins Caldas

nel mezzo del cammin di nostra vita

● de mãos dadas ●
● sob a ponte a toalha rasgada ●
● no mangue dos caranguejos mortos ●

● latas de cerveja ●
● cascas de ovo sob cascas de banana ●
● pedras sempre pedras demais ●

● de mãos dadas ●
● ali o sol se fode na terra ●
● o mar violento ficando negroazul ●

● ja basta é bom terminar ●
● largar os dentes os sexos a pele ●
● lingua contra lingua e so consumir ●

● de mãos dadas ●
● deixar o sangue a saliva a porra ●
● secar sem criar nada q faça doer ●

● quem sabe agora as ruas ●
● consigam nos engolir sem vomitar ●
● sem nos dissolver ou nos espancar ●

*

foto: reprodução Facebook

Poesia e fé

Texto e foto de Valéria del Cueto

De acordo com Pluct, Plact, o extraterrestre exilado na Terra, é o que resta. Poesia e fé.

O diagnóstico é solidamente embasado num Aleph zero número de informações e dados coletados nas viagens intergalácticas multidimensionais realizadas pelo involuntário personagem das Fábulas Fabulosas da cronista que você costuma acompanhar. Aquela, recolhida por livre e espontânea vontade do outro lado do túnel.

Se não bastassem as viagens, junte a esse feedback a base de dados para pesquisa literalmente universal, com direito a todas as vias – lácteas e galácticas – de informações geradas pelo Big Bang quântico que desandou nessa bagaça toda.

Primeiramente, vamos colocar na balança e considerar o fato de que nenhuma forma alienígena viria para a Terra a passeio. Podemos deduzir que não é só por aqui que o bagulho anda doido.

O que explicaria a “missão” terráquea de Pluct, Plact, mas não a falta de força propulsora para, vencendo as amarrações e demandas mecânicas interestelares, sua nave poder partir em paz para outras pernadas nas estrelas.

Cientificamente falando os motivos seriam físico, químico e biológico. Uma combinação de fatores que transforma a ação em reação infalível cada vez que a missão interplanetária direciona suas energias, faz seus cálculos propulsionantes e objetiva um básico “pode ficar aqui que eu vou pra PQP”, ou o clássico “parem o mundo que eu quero descer”.

Nada acontece. A nave faz ping e… pong ricocheteia e volta para a Terra!

Não é um fenômeno único ou particular. Está assim para todo mundo, em todo lado. Não há ninguém que, nesse momento, não tenha noção do perigo. A maioria está apertando firmemente o START. Mas o resultado, ou melhor, a ausência dele, é o mesmo para geral.

Daí a conclusão de Pluct, Plact de que não, não pode ser somente um fenômeno científico inexplicável que está reduzindo a ação a uma reação lamentável.

Tipo aquela cena clássica de quando alguém cai na areia movediça e o primeiro alerta, depois daquele grito de surpresa, diante da situação é: ”NÃO SE MEXA”. E vai tudo afundando. Especialmente o horizonte de quem recebeu o conselho de que manter a imobilidade é essencial para aumentar por preciosos segundos a sobrevivência. Até que…

Enquanto isso, as informações continuam a chegar em profusão e vão sendo catalogadas e indexadas. O visitante costume leva-las para a amiga em suas visitas noturnas.

São tantas e tão complexas que não caberão no curto tempo em que os raios de luar banharão o interior da cela da cronista. São eles que iluminam o contato imediato entre os dois seres quase inexistentes, mas ligados pelo nó cego de uma amizade improvável.

Somando, multiplicando, subtraindo, dividindo, tirando a raiz quadrada, analisando a incógnita cartesiana da função pitagórica aplicada às condicionais e variantes de abordagens científicas, incluindo as da quântica mais avançada, Pluct Plact chegou a uma assombrosa conclusão.

É a de que a força capaz de bagunçar o equilíbrio planetário e impedir sua partida é a da maldade pura e simples. Aquela, cada vez mais sem filtro, a que esse mundão que já foi de Deus está exposto.

E contra ela não há remédio, lei ou ação violenta que resolva. Não é assim que se ameniza, amansa e doma a fera da maldade. Violência gera violência que nada mais é do que uma filial do mal que aflige a todos.

Poesia é fé, em todas as suas formas e variantes, podem ser a solução. Pelo menos para o ingênuo viajante que ainda crê na espécie humana. Até quando?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

Hoje é o dia das Comunicações, cujo patrono é o Mal Rondon

Rondon foi duas vezes indicado para o Prêmio Nobel da Paz, em uma delas pelo físico Einstein

O dia nacional das comunicações é comemorado em 5 de maio, numa homenagem ao nascimento, em 1865, do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon , patrono das comunicações do Brasil.

Rondon foi responsável pela criação de linhas telegráficas importantes, integrando regiões do centro-oeste e norte ao sudeste do Brasil. Rondon viveu na época em que o principal meio de comunicação à distância era o telégrafo elétrico, inventado por Samuel Morse e instalado pela primeira vez no Brasil em 1852. Para que ele funcionasse, postes e fios tinham que ser instalados por milhares de quilômetros. Em 1876, Graham Bell  obteve a patente da invenção do telefone. Em 1877, dom Pedro 2º solicitou a instalação das primeiras linhas telefônicas no Rio de Janeiro. Em 1896 os primeiros sinais radiofônicos foram transmitidos pelo físico italiano Marconi. No Brasil, a primeira transmissão aconteceu em 1922, mas o rádio só foi ao ar comercialmente em 1923.

O Brasil se tornou o primeiro país da América a emitir selos postais, os olhos-debois, em 1843. Em 1921 começou o transporte de malas postais por via aérea no país. Na primeira metade do século 20, centrais telefônicas foram instaladas em todo o país. Foram criados o Departamento de Correios e Telégrafos (DCT) e o Correio Aéreo Militar, que deu origem ao Correio Aéreo Nacional. O sistema de discagem direta à distância (DDD) data de 1958 e, em 1965, foi criada a Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel). Dois anos depois, criou-se Ministério das Comunicações, o que dá uma ideia da dimensão que o setor atingia para o país. Em 1969 o Departamento de Correios e Telégrafos foi transformado na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). No mesmo ano, o Brasil inaugurou a primeira estação de comunicação com satélites em Itaboraí, RJ. Em 1972 foi criada a Telebrás (Telecomunicações Brasileiras S/A) e os primeiros “orelhões” foram instalados no Rio de Janeiro e em São Paulo

Três anos mais tarde, o Brasil se integrou ao sistema de discagem direta internacional (DDI). Nos anos 1980 chegaram ao país os cabos de fibra óptica e, uma década depois, os celulares. Em 1995 foi implantada a internet comercial no Brasil.

Ontem, (4/5/2017), Foi lançado  ao espaço o primeiro satélite geoestacionário brasileiro para defesa e comunicações estratégicas. O lançamento, feito do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, foi acompanhado no Brasil pelo VI Comando Aéreo Regional, em Brasília. O lançamento ocorreu na base de Kourou, na Guiana Francesa.

Até então, depois de uma onda de privatizações no governo FHC , o governo e o sistema de defesa dependiam do aluguel de satélites estrangeiros para suas comunicações estratégicas.

O satélite foi enviado dentro do foguete Ariane 5, que também lançou ao espaço o KOREASAT-7, da operadora sul-coreana Ktsat.

Com 5,8 toneladas e 5 metros de altura, o satélite brasileiro ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra, cobrindo todo o território brasileiro e o Oceano Atlântico. A capacidade de operação do satélite é de 18 anos.

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas foi fabricado em Cannes, na França, e começou a ser construído em janeiro de 2014, durante o governo Dilma.

A construção do equipamento foi feita pela Visiona, uma joint venture entre a Telebras – estatal federal do setor de telecomunicações – e a Embraer – empresa privada líder nos setores aeroespacial e de defesa. A criação da Visiona, em 2012, corresponde a uma das ações selecionadas como prioritárias no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) para atender aos objetivos e às diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE) e da Estratégia Nacional de Defesa (END).

O projeto é uma parceria entre os ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, e envolve investimentos de R$ 2,7 bilhões. O equipamento foi adquirido pela Telebras e será utilizado para comunicações estratégicas do governo e para ampliar a oferta de banda larga no país, especialmente em áreas remotas.

O satélite vai operar nas bandas X e Ka. A primeira é uma faixa de frequência destinada exclusivamente ao uso militar, correspondendo a 30% da capacidade total do satélite. Já a banda Ka será usada para comunicações estratégicas do governo e implementação do Plano Nacional de Banda Larga, especialmente em áreas remotas.

Já Cândido Mariano da Silva Rondon, Marechal da Paz e das Comunicações, nasceu em 05 de maio de 1865, na cidade de Mimoso – MT e faleceu em 19 de janeiro de 1958, no Rio de Janeiro..
Engenheiro, formado pela Escola Militar, na Praia Vermelha, Rondon foi professor de Matemática, Ciências Físicas e Naturais, além de ter sido um dos nossos pioneiros e mais importantes indigenistas, etnólogos, antropólogos, geógrafos, cartógrafos, botânicos e ecologistas.
Durante 40 anos, percorreu a pé,em lombos de mulas ou em frágeis canoas, cerca de 77.000 km, desbravando o sertão brasileiro.
Nessas expedições, implantou o telégrafo, nosso primeiro sistema de Telecomunicações, nas completamente isoladas regiões Centro-Oeste e Norte e, assim, conseguiu integrar dos “brasis”, que não se falavam, o brasil do Litoral com o Brasil do interior, além das estações telegráficas que construiu no Pantanal e na Floresta Amazônica, que se tornaram importantes cidades.

Leia também > “Rondon foi o homem certo, no local certo”, afirma professor de história sobre o patrono de Rondônia

O antes no depois

Texto e foto de Valéria del Cueto

Essa crônica sai, na melhor das hipóteses, no sábado. Dia seguinte ao da greve geral convocada para o dia 28.
Só agora ao começar a redigi-la me dou conta que a mesma só sairá “na melhor das hipóteses” ou seja, no sábado, caso os empregados do jornal não… entrem em greve!
Pois não é que é na sexta-feira que o caderno é montado, editado e impresso para estar nas bancas na manhãzinha de sábado?
Vou situá-lo: é que escrevo na noite de quinta-feira acompanhando a movimentação para a greve geral do dia seguinte.
Amanhã ou ontem, conforme o ponto de vista…
Sim, vai (ou teve) greve. Dependendo da fonte consultada e das informações recebidas, o sucesso foi garantido, ou não.
O que desperta a atenção é a data da aprovação das mudanças nas leis trabalhistas. Alguns poucos dias antes do dia 1 de maio, o Dia do Trabalhador. E não se fala mais nisso.
Ou melhor, não se falou até a hora em que escrevo ouvindo o barulho da chuva que cai no Rio de Janeiro, trazendo ventos e fazendo o mar subir, para a alegria dos surfistas. Não faz frio mas os dias, dizem, ficarão cinzentos…
É assim mesmo. Não há nenhum pudor em mutilar a legislação de Getúlio Vargas e dá-la de presente ao trabalhador brasileiro no seu dia. Para soprar a velinha na sequência, assim, de carreirinha, vem a Reforma da Previdência.
Não dá para o trabalhador bater palmas. Estão na mesma canoa furada que os índios que andaram pela frente do Congresso Nacional dias atrás pedindo Demarcação Já.
Tem gente que se preocupou com a origem da manifestação de ontem. O mais importante eram as causas que levaram os brasileiros à greve.
Pode ser até que demore. Mas um dia a pressão será tanta que, finalmente, o povo vai entender que ninguém vai fazer por ele.
Não há santos distribuidores de benesses, jeitinho, atalhos ou mágica. Há esforço, suor e dedicação permanente para aprimorar (ou sugar até a exaustão, dependendo do ponto de vista) o sistema.
É um escárnio, um tapa na cara aprovar a “Reforma” Trabalhista na véspera do dia do Trabalhador.
Esse que vai pagar a conta da ladroagem explícita e declarada dos que legislam em causa própria em Brasília.
Os mesmos que condenam o brasileiro comum a morrer trabalhando para pagar suas mordomias.
Enquanto isso, Adriana Anselmo fica! Se dizendo “mulher do lar” de Cabral que diz que é tudo caixa 2, Bruno volta para o xilindró e um monte de gente espera.
Espera sobreviver a uma guerra que não é deles, dos morros cariocas ao outro lado da fronteira, em cima do aquífero guarani.
Diante dos 47 mil presos na Turquia, o que representam meia dúzia de corruptos e/ou uns a mais ou a menos lá para as bandas do Morro do Alemão?
Era uma vez um reino de faz de contas, cheio de contas a pagar.
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpex”, do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Luto na MPB : BELCHIOR morre aos 70 anos

O cantor e compositor Belchior morreu aos 70 anos na madrugada deste domingo, 30, na cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul . Familiares confirmaram o falecimento, entretanto, a causa ainda é desconhecida. O corpo deve ser trazido para o Ceará ainda hoje. O sepultamento deve ocorrer em Sobral, cidade natal do cantor.

O Governo do Estado do Ceará confirmou a morte e decretou luto oficial de três dias.

Natural do Ceará, Belchior fez fama nos anos 1970 com álbuns como Alucinação (1976). Só neste disco, estão clássicos como Velha roupa colorida, Como nossos pais, A palo seco e Alucinação. O músico é da mesma geração de outros artistas nordestinos como Raimundo Fagner, também cearense. Nos últimos anos, no entanto, Belchior ficou recluso, se ausentando dos palcos há mais de sete anos.

Fistulação | Como a indústria mutila e tortura vacas para garantir a qualidade do leite e da carne

Vacas são exploradas pela indústria pecuária em todo o mundo. Elas tornaram-se um dos produtos mais rentáveis para agricultores, que estão sempre desenvolvendo práticas novas e cruéis para garantir a máxima qualidade de sua carne e laticínios.

Um processo cruel e muito utilizado chama-se fistulação, que consiste em abrir cirurgicamente um canal entre um órgão e o exterior através da remoção de um pedaço do abdome destes animais para expor seus estômagos e, em seguida, equipá-los com um anel de plástico para manter o buraco aberto. Embora eles afirmem que é por motivos de saúde, este processo é absolutamente deplorável. Eles mutilam seres vivos e, sem dúvida, causam-lhes grande desconforto e estresse, no mínimo.

Esta cruel ‘técnica’ permite aos investigadores aumentar a longevidade do período leiteiro de uma vaca ao observar a rapidez com que ela digere os alimentos, observando os processos químicos que cada alimento sofre. Através deste processo os produtores de leite sabem qual o ritmo de “produção” de leite de uma vaca, permitindo alterar a sua alimentação nos diferentes dias de produção.

A alegação é que fistulação pode melhorar a saúde das vacas, já que os buracos são utilizados para coletar amostras de material em processo de digestão e analisar a saúde do animal. No entanto, os principais beneficiários deste procedimento são as indústrias de carne e produtos lácteos, que contam com o assassinato dos animais, não o prolongamento de suas vidas.

Leia a matéria completa em ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Da quintessência de Z


Gostos retidos pelos olhos

Escuto a paisagem como se obtivesse a sensibilidade dos poetas
Sinto os tons das cores agrupadas docilmente no céu da boca
Saciando uma fome, até a pouco desconhecida, com um belo arco íris
Entorpecida com os sentidos aguçados e lindamente trocados
Lanço-me num abismo florido
Despenco com movimentos envoltos por uma luz neon
Embora tenha medo, os reflexos cintilantes me acalmam
Devaneando entre o obscuro e a claridade que eu encontrei a liberdade !

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Quintessência (quinta essência) é uma alusão à Aristóteles, que considerava que o universo era composto de quatro elementos principais – terra, água, ar e fogo-, mais um quinto elemento, uma substância etérea que permeava tudo e impedia os corpos celestes de caírem sobre a Terra.  A dinamicidade é a propriedade mais atraente da quintessência. O maior desafio de qualquer teoria de energia escura é explicar o fato de ela existir na medida exata: numa quantidade não tão grande para impedir a formação das galáxias no universo primordial, e nem tão pequena que não pudesse ser detectada agora. A energia do vácuo (a constante cosmológica de Einstein), é totalmente inerte, mantém a mesma densidade o tempo todo. Portanto, para explicar a quantidade de energia escura hoje, os valores da constante cosmológica deveriam ter sido muito bem sintonizados na criação do universo para ter o valor adequado com as observações de hoje. Em contraste, a quintessência interage com a matéria e evolui com o tempo, de forma que se ajusta naturalmente aos valores observados na época atual.

Arte de rua : grafite em Floripa

Lindo grafite numa rua de Florianópolis. Enquanto isso em São Paulo….

GRAFITE X PICHO X MURAL

Grafite: arte normalmente feita de desenhos coloridos em muros e locais que podem ser autorizados ou não autorizados

Picho: escritos, com letras retas, feitos em muros e locais não autorizados. A maior diferença entre o grafite e a pichação, palavras que os adeptos pretendem grafar com x, é a intenção de quem faz. Normalmente a pichação é feita mais pelo aspecto do vandalismo, do ataque à sociedade, e o grafite já é algo que busca conteúdo artístico, mesmo que que tenha questões de protesto..

Mural: arte feita nos locais autorizados pelos proprietários.

Reflexos do frasco de letrinhas

Texto e foto de Valéria del Cueto

Dia de escrever crônica adiantada. Elas existem e são provocadas pelos feriados. Inúmeros. Ultimamente caindo sempre as sextas, meu deadline usual.

Requerem uma mudança básica no andar das atividades semanais com menos tempo para acumular impressões a serem impressas semana sim e, quase sempre, na seguinte também. Falho, mas elas fazem parte da regra que tem que ter exceções.

Isso requer um estímulo extra para não perder o tom e o dom de escribar com uma certa constância. Ainda mais nesse formato incerto e pouco sabido apesar da brincadeira já estar rolando desde 24 de agosto de 2004.

Por ser uma data significativa sempre será um marco na história das crônicas do Sem Fim. Foi na abertura da exposição dos 50 anos da morte de Getúlio Vargas que elas começaram a serem escritas.

Foram os olhos dos visitantes ao Museu da República que destamparam meu frasco de letrinhas. Ele me foi dado anos antes por Emília, a boneca de pano falante do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato.

Na ocasião participando de uma das incríveis aventuras com Narizinho, Pedrinho e a turma do sítio, aceitei o presente sem ter noção do alcance do seu significado.

Joguei no fundo da minha frasqueira de viagens infantis e deixei por lá rolando de um lado para o outro. Até que, como a boneca que falava asneiras advertiu, ele pudesse – e como – ser útil.

Nesse meio tempo de muitos anos e algumas décadas pipocamos por muitas histórias e lugares aprendendo um pouco sobre quase tudo. Eu, a malinha e, dentro dela, a máquina fotográfica e o frasco de letrinhas.

Algumas vezes tentei abri-lo e derramar um pouco do seu conteúdo em papéis, áudios e até em vídeos. O resultado não foi nada mau.

Mas ainda sentia que faltava um ingrediente para deixar fluir o que via, lia e apre(e)ndia. Não, não estava faltando forma nem expressão que essas foram lapidadas desde sempre.

Era algo na essência, no olhar. No desembestar como dizia Emília, ao destravar a língua falando que nem louca, tagarelando pelos cotovelos quando ganhou o dom da fala numa das Reinações de Narizinho.

O dom chegou para mim num reflexo. Os vi nos olhos de quem vagava nos lugares onde Getúlio viveu seus últimos dias cinquenta anos depois. Histórias de devoção, amor e intimidade de vidas inteiras. Ali, esse reflexo ganhou forma. Precisou ser incontrolavelmente extravasado.

Ele se mantém até hoje nos sinais que fazem a caneta deslizar ligeira pelas páginas em branco do caderninho. Sem linhas para delimitarem o tempo e o espaço ou impedirem o voo inquieto e ágil da imaginação.

Serve para quem, como eu, consegue ver nos reflexos (olha eles de novo aí) dos vidros e gradeados que cercam a vida dos habitantes encarcerados da selva de pedra que virou Ipanema, um convite irrecusável.

Aquelas ilhas ensolaradas do Atlântico refletidas nos vidros indicam o caminho irresistível para deixar de lado a realidade assustadora que nos cerca e quase domina.

É o momento de concretizar o texto da semana deixando aberto o frasco de letrinhas, destampado nas areias convidativas do Arpoador.

Dessa vez sai dele uma homenagem a todos os dias dos livros. Especialmente os infantis. Aqueles que, se você tiver a mesma sorte, nos acompanharão pela vida.

Viva o Sítio. O do Picapau Amarelo. Salve Monteiro Lobato!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Ônibus sem cobrador: mais um passinho atrás, por favor

Neste momento, a Prefeitura de São Paulo está testando viagens de ônibus sem a presença do cobrador, em uma linha que vai do Metrô Jabaquara até o Terminal Santo Amaro, na Zona Sul, e que tem em média 2% das passagens pagas em dinheiro. Já faz algum tempo, especialmente depois da implantação da bilhetagem eletrônica, que a gestão municipal tenta eliminar os cobradores dos ônibus da cidade.

Atualmente, em média, 6% das viagens são pagas em dinheiro vivo e, por isso, a Prefeitura entende que os cobradores ficam ociosos na maior parte do tempo. A eliminação dessa atividade impactaria positivamente em uma redução de custos, o que em tese,  teria efeitos benéficos no preço da passagem.

A princípio, esse raciocínio parece fazer sentido. No entanto, desconsidera outras funções que esses trabalhadores exercem nos ônibus, como auxiliar pessoas com mobilidade reduzida, oferecer aos usuários informações que deveriam constar nos pontos de embarque ou dentro dos veículos, mas não constam, entre outras atividades que fazem com que os motoristas não fiquem sobrecarregados.

Esta mudança também sinaliza para outra questão, muito mais ampla: a substituição do trabalho humano por sistemas automatizados e robotizados. Nos Estados Unidos, já circulam em algumas cidades carros sem motorista, que vêm sendo testados pela Uber e o Google. As duas empresas competem para desenvolver a tecnologia, que, para a Uber, por exemplo, seria uma forma de transformar seu negócio em algo ainda mais lucrativo. Um dos carros da empresa, no entanto, capotou há alguns dias em Tempe, no Arizona, colocando a Google à frente da corrida. Carros sem motoristas, portanto, não são nenhuma ficção, e sim um processo em curso.

Aplicadas nos mais diversos setores, tecnologias desse tipo poderão substituir parte significativa da mão de obra na próxima década. Tal cenário levou Bill Gates, dono da Microsoft, uma das empresas responsáveis pela revolução tecnológica que vivemos, a propor que seria necessário cobrar uma espécie de imposto dos fabricantes de robôs que substituem pessoas. O tributo, segundo Gates, deveria então ser aplicado na recolocação dos humanos no mercado de trabalho. Outras pessoas já falam em cotas obrigatórias de empregos para humanos!

Se não precisarmos mais de cobradores, nem de motoristas, nem mesmo dos “auto”-empregados motoristas de Uber, qual será o futuro do trabalho humano? Em uma sociedade onde a renda – e a sobrevivência – está ligada ao trabalho e, nos últimos cinquenta anos, a mecanismos de proteção social, a destruição destes mecanismos, aliada também à obsolescência do trabalho, desenha um cenário tenebroso…

Comentário feito originalmente na última quinta-feira (6) na Rádio USP.  Confira a íntegra.

via blog da Raquel Rolnik

Embaixador da Coréia do Norte diz que o mundo está a beira de uma guerra nuclear

 

Para o embaixador norte-coreano Kim In-ryong, a Casa Branca está “perturbando a paz e a estabilidade” de todo o mundo com a sua resposta “injusta e desproporcional” ao líder do país, Kim Jong-un.

Além disso, Ryong garantiu que o seu país conduzirá novos testes com armamentos nucleares “no momento oportuno”, fazendo referência ao recente lançamento fracassado de mísseis pelo país asiático.

Na opinião do embaixador, está “muito claro” que Washington está “empenhado” em entrar em guerra com a Coreia do Norte, o que pode acontecer “a qualquer momento”, segundo Ryong.

As declarações do representante norte-coreano na ONU foram feitas durante uma conversa com jornalistas nesta segunda-feira.

A escalada das tensões na Península Coreana se intensificou devido aos últimos episódios envolvendo a gestão do presidente norte-americano Donald Trump, e também à persistência de Pyongyang em seguir em frente com o seu programa nuclear.

Na semana passada, o Pentágono determinou o deslocamento do porta-aviões USS Carl Vinson e o seu grupo de ataque – composto por um cruzador e dois destroieres armados com mísseis de cruzeiro Tomahawk, além de pelo menos um submarino nuclear – para a região da Península Coreana.

Tal movimento, somado aos exercícios conjuntos com as formas militares da Coreia do Sul, são tratados como uma “ação agressiva” pelo governo norte-coreano, no que pode desembocar em uma “guerra real”.

Além disso, o vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence disse nesta segunda-feira, em visita a Seul, que a “paciência estratégica” com a Coreia do Norte acabou e que “todas as opções estão na mesa” para lidar com Pyongyang.

fonte: Agência Sputnik

Caldo quente

Texto e foto de Valéria del Cueto

Pluct, plact está rezingando para cronicar. Puxando fios de lá, juntando com fios de cá pra ver se a trama ganha alguma consistência e consegue suportar o peso dos últimos e nem tão surpreendentes acontecimentos.

Que droga a falta de um lastro positivo para conseguir esticar a corda até quase arrebentar de tantas, tão variadas e excessivamente robustas informações, ou deformações, melhor dizendo.

Lua cheia no céu, luz intensa entrando pela fresta da janela daquela cela do outro lado do túnel onde se esconde a cronista das vicissitudes dos mundos.

Tem gente que ainda não sabe mas ela, cansada como Teresa Batista das guerras desse mundão, escolheu o isolamento. Desistiu de ser um objeto teste com uma incrível quantidade (impossível de ser decifrada integralmente) de imagens projetadas diante de sua estarrecida e estatelada visão de cenas desconexas, porém, verdadeiras.

Elas aconteciam em todos dos planos. Pessoal. Consciente e inconsciente. Do ambiente, do entorno, do país, do continente e do mundo. Do vizinho, do distante. Do amigo, inimigo e do desconhecido em geral. Cenas, cenas, imagens, raciocínio, sentimento, sonho, sobrevivência. Realidade.

Cansou e pediu para sair. Foi parar no lugar que habitava seu caminho durante anos. Desde os 12 mais precisamente nas idas e vindas para o colégio. O Pinel. De um lado, o ex Canecão. Templo da música carioca dramaticamente abandonado, deserto. Em ruínas.

Do outro, sua ex Universidade. O local onde o conhecimento e o saber transformaram, anos antes, a vestibulanda bem colocada na tabela do Cesgranrio numa participante do grupo de criação conceitual que a levaria à TV Tupi. Isso, depois de uma apresentação da instalação exposta numa das salas de pés altos e paredes grossas do antigo manicômio, então Escola da Comunicação da UFRJ.

Estava em casa. Bem situada nas proximidades da sede do Botafogo. E dela, a cela, só costumava se conectar com o (já citado no início do texto) Pluct, plact. Ele é um extraterrestre perdido na atmosfera terráquea graças a péssima qualidade do ar. Tenta ir, vai, bate na camada poluída e… volta, quicando e se recompondo em outro ponto do planeta.

Preparado para a missão de coletar dados e tentar entender o “funcionamento” do ser humano se surpreende a cada novo lance que registra. Sabedor que é da necessidade de manter um canal de conexão com a realidade de sua amiga e confidente, a cronista encarcerada, tenta fazer um resumo dos acontecimentos para tentar atraí-la novamente para o mundo verdadeiro.

Mas está difícil. Trump ataca o Estado Islâmico com uma bomba quase atômica. Tipo a largada pelo Ministro do Supremo Edson Fachin ao autorizar a abertura de inquéritos contra uma parte significativa e representativa do mundo político brasileiro.

Se a Odebrecht é o diabo de rabo e chifres o inferno está lotado de seguidores até então entusiasmados e dispostos a fazerem tudo que seu mestre mandava por uma módica quantia. Creditada nas contas bancárias nacionais, internacionais e, caso seja conveniente, as baseadas no nepotismo puro e simples: ajudando parentes também.

Tudo bancado com dinheiro que deveria ir para o povo brasileiro. Centenas de milhões, bilhões!

Dias antes o inocente do Ministro Blairo Maggi descansava da semana pesada de tanta “Carne Fraca”  contando num vídeo caseiro como prepara sua receita de arroz carreteiro.

Mal sabia que seu “caldo” estava sendo depurado e apurado em mais de uma das delações premiadas dos responsáveis pelas operações nada republicanas da maior empreiteira do país…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas fabulosas”, do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

O assassinato do artista de rua uruguaio Matias Ziatriko em Ji-Paraná/RO

foto: Samira Lemes

Era 8 horas da manhã, do sábado (8 de abril) e ele (Matías Galindez Rodríguez ) estava contente. Conversando sobre política e outras questões da vida nas ruas num posto de gasolina na região norte do Brasil, Matias acabou irritando um jovem, que estava passando de carro no local. A discussão terminou com 10 tiros a queima roupa e o assassinato intolerante e xenofóbico do uruguaio, que viajava trabalhando com a arte circense pelo Brasil e pela América Latina.

A artista Samira Lemes, que têm ajudado a família a conseguir os recursos para levar Matias ao Uruguai, conta que ele era um jovem de muita paz e serenidade, e servirá de inspiração para  muitos. “Ele semeava amor. E temos que mostrar que esses artistas de rua são os anjos do mundo. São os ‘busca vidas’. Se doam para mudar essa realidade do mundo.”

Filho de família humilde, ele perdeu a vida aos 29 anos em Ji-Paraná/Rondônia, no noroeste do Brasil  enquanto falava sobre ser artista de rua, profissão da qual conheceu já adulto, após ter trabalhado em muitas outras e ter descoberto e aperfeiçoado seu dom ao longo dos últimos 10 anos.

Leia a matéria completa em Jornalistas Livres 

A Globo transborda de hipocrisia

Texto atribuído à juíza federal do Trabalho, Roberta Araujo, que se formou pela Faculdade de Direito do Recife, UFPE, com doutorado na instituição de ensino Universidade Federal de Pernambuco, que teria publicado em sua rede social um questionamento sobre as contradições apresentadas pelo Grupo Globo que resolveu afastar das suas funções o ator José Mayer por assédio e o apresentador do Video Show, Otaviano Costa por “rir de atitude machista no BBB.

Leia o testemunho: “Queridas, antes de divulgar e exultar com a postura da Globo em “ punir” José Mayer por assédio ou afastar Otaviano Costa do vídeo show por rir de atitude machista do Big Brother lembrem-se de que foi a Globo que universalizou entre nós a cobiça por Anita, apresentada como uma “ ninfeta” ousada que seduzia um homem casado e com idade de ser seu pai. Foi a Globo que nos apresentou Angel, uma adolescente que permeou o imaginário dos desejos mantendo um ardoroso caso com o marido da sua própria mãe. Foi a Globo que em Laços de Família envolveu o Brasil na polêmica trama em que a jovem filha rouba Edu, o namorado da mãe, interpretado por Reynaldo Gianecchini. Foi a Globo que em Avenida Brasil nos trouxe como núcleo de comédia a trama com três mulheres envolvidas com o mesmo homem- o empresário Cadinho – e que declinam da suas vidas e dignidade para se sujeitarem a viver com ele, mesmo após se descobrirem enganadas. Em Império, a Globo preencheu o imaginário de desejos com a trama do charmoso Comendador que mesmo casado com Marta mantinha um fogoso affair com uma menina mais jovem que sua própria filha. Foi a Globo que fez o Brasil se divertir com o programa Zorra Total, que tinha em seu quadro principal duas amigas em um vagão, sendo uma delas, a Janete, bolinada de várias formas e tocada em suas partes íntimas com a batuta de um maestro enquanto a sua amiga Valéria , ao invés de defendê-la, dizia: “aproveita. Tu é muito ruim, babuína. Se joga.” Então queridas, quando essa emissora diz em nota que “repudia qualquer forma de desrespeito, violência ou preconceito” esta em verdade sendo dissimulada e ofensiva por nos considerar alienadas ou parvas. A verdade é que a Rede Globo coisifica as mulheres, naturaliza a violência, os abusos e assédios, incentiva o desrespeito, ridiculariza o papel e a posição da mulher e subalterna nossa dignidade. São mensagem explícitas e subliminares como as que esta Rede Globo universaliza e crava no imaginário masculino brasileiro que estupram, abusam, ferem e vitimam milhares de Mirellas que habitam entre nós”.

A Globo, cínicamente, leu um pedido de desculpas, tanto no caso do ator José Mayer como no caso BBB, dizendo que “repudia toda e qualquer forma de desrespeito, violência ou preconceito. … “.