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Exposição “Fundo do Fora”, de Letícia Bertagna, é atração do V Prêmio Funalfa de Fotografia, em Juiz de Fora / MG

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Fundo do fora

Uma casa é feita de muitas paredes. Assim como as membranas de um corpo, elas delimitam espaços, encerram cômodos, criam abrigos e intimidades. Os múltiplos afetos que atravessam os poros dessas superfícies criam e modificam diariamente o lugar que habitamos.  Às vezes de modo quase imperceptível: discretos e silenciosos, demoram para se tornarem visíveis ou inteligíveis. Outras vezes é de forma impetuosa e veloz que novas atmosferas invadem e configuram nossos ambientes externos e internos. O que está dentro ou fora acaba sendo uma questão de ponto de vista.

Os trabalhos aqui reunidos são uma série de experiências visuais realizadas no ambiente domestico, em um embate poético entre a artista e a nova cidade que passou a habitar há cerca de 2 anos: Juiz de Fora. As imagens apresentam pequenos gestos que possuem em comum o desejo de ativar de um modo diferente os objetos, que buscam inventar uma outra leitura para o que já está dado,  têm o interesse em ampliar os sentidos do óbvio. Apresenta assim uma série de estratégias muito simples para lidar com o comum, com o universo ordinário ao qual a casa está exposta e do qual é composta. As coisas que constituem uma casa não são tão indiferentes ou insensíveis quanto  podem parecer. Os objetos dizem de nós mais do que imaginamos e oferecem cotidianamente a oprtunidade de nos inventarmos através deles, com eles.

Letícia Bertagna

O JF Foto 16 é promovido pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), por meio da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), para comemorar o Mês da Fotografia (agosto). O projeto propõe uma celebração da fotografia, com o objetivo de ampliar a visibilidade dessa linguagem artística e promover o diálogo dos profissionais com o público e com o que é produzido em outras partes do país e do mundo.

 

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Fotos de Letícia Bertagna

O tempo não para

Robert Redford fez 80 anos na semana passada…  foto : Magnum

(Re)conhecendo a Amazônia Negra : fotografias evidenciam participação dos negros na formação de Rondônia

A exposição “(Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências negras na floresta”, da fotógrafa Marcela Bonfim, já foi vista por milhares de pessoas na galeria Palácio, localizada no Palácio Rio Madeira, em Porto Velho, onde permanece até 31 de agosto, e no Espaço Cultural Cujuba, onde esteve de maio a julho. Para a fotógrafa: “a mostra vem cumprindo seu maior objetivo, que é dar visibilidade à participação dos negros na formação populacional, cultural e religiosa no hoje Estado de Rondônia”. “A exposição faz parte de um projeto sobre a influência dos negros na Amazônia e tem motivado uma reflexão a este respeito entre os visitantes e também nas redes sociais”, comemora a artista.

Confira o site marcelabonfim.com

Monitora da exposição no Cujuba, Vera Johnson relata que os visitantes se mostraram surpresos com o tema da mostra “A maioria das pessoas dizia não ter conhecimento sobre a influência dos negros na formação da população de Rondônia e muito menos que existem quilombos no Estado”.

Ativista da causa negra em Rondônia, Orlando Souza acredita que a exposição “é um dos eventos mais importantes, dentro deste recorte de gênero e de raça, que atualmente ocorre em Rondônia, até porque é uma iniciativa pessoal da artista e, contra todas as barreiras e dificuldades que a gente entende que existe, ela consegue dar visibilidade a um tema que por muitos anos ficou esquecido”. O superintendente estadual de Cultura do Estado, Ilmar Esteves, também elogia a mostra. “É a nossa gente. São as nossas raízes retratadas”, ressalta.

Um dos criadores do Projeto de Criação Cabeça de Negro (movimento de defesa da cidadania do negro iniciado na década de 1980 em Porto Velho), Jesuá Johnson – ou Bubu, como é mais conhecido, considera que a “exposição vem dar continuidade ao trabalho já realizado pelo movimento negro em Rondônia. Marcela faz da fotografia um instrumento de militância. A exposição veio chamar a atenção do poder público para a importância deste segmento populacional na nossa sociedade. É a luta da nova geração.”, afirma ele.
Descendente dos caribenhos, conhecidos por barbadianos, que trabalharam na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, Robinson Holder ressalta que a exposição “Amazônia Negra” chamou a atenção para a participação do negro nas raízes da população de Rondônia, com as imagens das populações dos quilombos do Vale do Guaporé, nos primórdios da história do Estado. “Surpreendente, ela faz um apanhado com imagens e relata a origem negra do nosso Estado, retratando barbadianos, negros do quilombo do Guaporé, e também do norte, com imagens de quilombo do Maranhão”.

A exposição (Re)conhecendo a Amazônia Negra vai permanecer na Galeria Palácio até 31 de agosto e depois será montada nas regionais do Sesc no interior do Estado. O Sesc é patrocinador da mostra e o coordenador de Cultura do órgão, Fabiano Barros, informa que o trabalho também será levado pela curadoria da entidade, com a finalidade de participar do projeto “Sesc Amazônia das Artes”, com itinerância nos estados da região Norte. Para Fabiano, “[a exposição] tem que ser vista por toda a comunidade, porque trata de um assunto muito importante, que é esta questão da presença negra na Amazônia, para a qual a Marcela lançou o seu olhar e extraiu este trabalho tão significativo”.  

A mostra é composta de 33 imagens impressas em madeira, que retratam representantes de diversos segmentos negros que povoam o Estado. Na galeria Palácio, outras 33 imagens foram agregadas em intervenções nos corredores do palácio Rio Madeira. A exposição conta com o apoio do Sesc e deverá permanecer no local até 31 de agosto.
Serviço

Exposição fotográfica “(Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências negras na floresta”. Fotografias inéditas e outras já publicadas de Marcela Bonfim
Período de visitação: Até 31 de agosto de 2016, das 7h30 às 13h
Local: ‘Galeria Palácio’ – Prédio Pacaas Novo do Palácio Rio Madeira, avenida Farqhuar, bairro Pedrinhas, Porto Velho.

via  Amazônia da Gente

Os marionetes – uma homenagem singela

Rio 2016: saudade olímpica que veio para ficar

Tocha 160821 049 Tocha Candelária crianças no colo Tocha 160821 096 Museu do Amanhã Mauá do Mar noite abertaTexto e foto de Valéria del Cueto

Nas redes sociais há um evento pela prorrogação dos Jogos Olímpicos até o dia 31 de dezembro, quando o bastão das festanças cariocas passa para o réveillon de Copacabana e emenda com o carnaval. Está tudo dito e resumido.

Agora, resta o espanto de do amigo que, passeando na Orla Conde em busca da Tocha Olímpica, diz no meio da muvuca que “Nunca tinha vindo nessa Praça XV”, ao que o parceiro responde que “sempre trocava os nomes. Aquele lugar não era estranho, mas estava diferente”. Cariocas, sim senhor. De uns 20 anos, no mínimo. O morador da Cidade Maravilhosa saiu de sua tribo geográfica e social. Misturou-se pelas atrações e atrativos da cidade. Ponto Olímpico. Dele, os Jogos que terminam de forma espetacular com ouro inédito no futebol, mais um no vôlei e várias medalhas inesperadas, pra compensar as não alcançadas, apesar dos esforços dos atletas.

A tarde de domingo no Boulevard Olímpico era de tempo fechado e, pra começar, uma chuvinha fina. Acontece que, assim como eu, muita gente se deu conta que era naquela hora, ou nunca. Lá se ia a chama, até os Jogos Paraolímpicos. Lugar lotado de olhares e sorrisos de muitos lugares do mundo. Registros e selfies com a Tocha Olímpica. Ao fundo.

Era tanta gente que, dias antes, foi determinado um caminho para ir e outro para voltar. Da Praça XV, via Orla Conde, até a Praça Mauá. Sentido oposto pela Avenida Rio Branco, fechada para os carros. Novos cenários se descortinam pelo centro da cidade e o entorno da Baia de Guanabara. Lindos.

Também nublados com nuvens dramáticas se espalhando pelo céu. O tempo vira. O vento corta. Derruba uma árvore. Dentro da área de um patrocinador. Não acontece nada com ninguém. Sorte, uma das muitas, olímpicas. Triscamos por várias crises que não se concretizaram. Mas as rajadas se intensificam. São elas que trazem as chuvas que caem durante a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos. O tempo para. Todos ligados no Maracanã.

Tempo, tempo, tempo. Tão essencial que é medido pela mesma empresa, a Omega, nos Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno desde 1932. De um cronometrista e 30 cronógrafos, daquele ano em Los Angeles, para 450 toneladas de equipamentos, 200km de cabos e 480 cronometristas no Rio de Janeiro. Foi um longo aperfeiçoamento em busca da precisão que registrou aqui 27 recordes mundiais e 91 olímpicos. Mas não o suficiente para conter a impressão que temos de que o tempo andou rápido demais nos últimos 17 dias. Parece que foi ontem que dissemos olá para os visitantes.

Na hora da despedida, a intenção era apagar a tocha com as águas das chuvas cantada. Esqueceram de avisar para o cara lá de cima. Depois de um Hino Nacional Brasileiro ao som de atabaques, o que já lavou a alma (sem querer fazer trocadilho) do pessoal das religiões afro-brasileiras, para os cantos indígenas dos cafundós ameaçados do Brasil. Só com a ajuda dos santos – todos – pra tudo ter dado tão certo!

DJ Dolores com a batida pernambucana valorizou e deu o ritmo na entrada dos atletas e delegações já com a chuva caindo. Podia prejudicar, mas não era nada que atrapalhasse a concepção de Rosa Magalhães, carnavalesca campeoníssima e sabedora do que é um desfile embaixo de chuva. E ela veio mesmo. Passado os pronunciamentos de praxe, apertou na festança com um set de sambas de enredo irretocável, só de clássicos. Partindo de “O Amanhã”, passando por Macunaíma e caindo na esbórnia com A Menina dos Olhos de Oýa mangueirense, depois de antigas marchinhas.

Não, não haverá outros Jogos Olímpicos na Cidade Maravilhosa tão cedo. Mas esses serão lembrados por muito tempo. Enquanto a nós, cariocas, procuraremos outras festas para fazer. Porque essa é, cá entre nós, uma das nossas especialidades.

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Arpoador” do Sem Fim…

NR: Não vi e pelo jeito não verei em nenhum veículo de comunicação qualquer menção ao fato de que foi uma decisão corajosa do governo Lula, com seu prestígio internacional,  trazer a Olimpíada para o Brasil. Porém , se algo desse errado….Nesses tempos sombrios, a campanha midiática para desconstruir a sua imagem é mais forte que a verdade. Fica o registro.

Atletas militares na Olimpíada 2016

julio_cesar_miranda_dardo_felipe_barra 1Pouca gente sabe mas os atletas militares brasileiros participantes da Olimpíada 2016 fazem parte do Programa de Incorporação de Atletas de Alto Rendimento (AAR) nas Forças Armadas criado por Lula em 2008.

As Forças Armadas abrem as vagas e os candidatos voluntários(atletas de alto nível já formados) selecionados são incorporados com a patente de Sargento Temporário.

A partir daí, têm à todos os benefícios da carreira, como soldo ( em torno de R$ 4.000), 13º salário, plano de saúde, férias, direito à assistência médica, incluindo nutricionista e fisioterapeuta, além de disporem de todas as instalações esportivas militares adequadas para treinamento.

Um programa igual já funciona na Itália, Rússia, China e Alemanha.bike

 

Feito inesquecível

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Texto e foto de Valéria del Cueto 

“Como assim, já está acabando?”, “Agora que está ficando bom…” O diálogo entre dois membros da equipe de apoio do Rio Media Center, espaço de jornalistas, no Arpoador, traduz o sentimento geral de cariocas e visitantes nacionais e internacionais.

Está bom demais! Com cara de Rio de Janeiro. E problemas típicos da cidade maravilhosa. Tudo, quer dizer, quase tudo se resolve na gentileza. Baseada e resumida na máxima pregada pelo profeta local: “Gentileza gera gentileza”. Como ele se sentiria feliz com nosso comportamento olímpico. É nós!

Dá gosto circular, interagir com tantas culturas. Ter orgulho da cidade e da gente boa que circula pra cima e pra baixo. Tem defeitos, tem. E aquelas polêmicas tipicamente cariocas, que podem parecer exóticas para quem não conhece nossa capacidade de destrinchar, analisar, opinar e depois… mudar de ideia. Algo tipo os debates acalorados que acompanhamos e participamos, por exemplo, na época da temporada carnavalesca. É um tal de questionar contratações, discutir enredo, analisar samba, avaliar ensaio técnico pra mudar de opinião diante do que é apresentado na avenida que nem te conto. Todos os anos. Não gosta de carnaval? Pensa no futebol. Gostamos de debater, especular, como dizem os cuiabanos.

Tem debate pra todos os lados e níveis. E muitas palestras. Principalmente em rodas de negócios com apresentações de estratégias e perspectivas para a futura ex-cidade olímpica. Está certo. É a hora de vender o projeto Rio, cidade esportiva, polo de negócios, projetando seu amanhã. É um mundo paralelo aos jogos esportivos de envolve gente de todo mundo.

No metro, outros mundos se cruzam e convivem sem discriminação. Cheio e totalmente democrático, uma babel em cada vagão. Interessante a disposição do carioca para ajudar e informar os visitantes no meio do vai e vem. Vale tudo. Inglês, portunhol e, em último caso, uma boa mímica. Pra frente é que se anda!

Menos no esporte… Tem patrulha também querendo (de novo) explicações sobre a continência que alguns competidores batem na hora do hino nacional. Façam as contas de quantos medalhistas são das forças armadas. Foram nossos salvadores ao abraçarem os atletas de alta performance, dando-lhes condições de treinamento.

Entre expectativas, perdas e danos vamos aplaudindo nossos xodós. Duas conquistas foram emblemáticas. As meninas de Niterói da vela, Martine Grael e Mahena Kunze, e Alison e Bruno Schmidt, ouro nas areias de Copacabana no volei de praia. Pena que o surf só começa no Japão. A nossa cara!

Mas essa lista de destaques vai se alterando ao longo dos dias de competição. Robson, Rafaela, Ágatha, Felipe… Thiago no salto com vara assinou a performance brazooca no atletismo, protagonizado pelo corredor jamaicano Usain Bolt se sentindo em casa nas pistas cariocas.

É claro que tivemos decepções, mas as surpresas positivas estão fazendo que o sentimento de “logo agora que está ficando bom…” superem os perrengues operacionais e a grande polêmica dos jogos. O nadador americano Ryan Lochte e seus companheiros que, apesar de campões olímpicos, não entenderam a grandeza e a responsabilidade de seus feitos. Conseguiram criar um imbróglio esportivo e diplomático. Mais que isso: mancharam os princípios olímpicos de jogar de forma limpa, não no esporte, mas na vida. Nada que a perda de patrocinadores, diante da repercussão dos fatos não resolva ao faze-los lamentar profundamente a baixaria.

Para quase finalizar, nossos respeitos aos atletas brasileiros, independente dos resultados obtidos. O fato de terem chegado a competir numa Olimpíada, já é um feito inesquecível. E vamos ao encerramento!

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Arpoador” do Sem Fim…

Mirações

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David Burnett, o fotojornalista que utiliza uma câmera Speed Graphic 4×5 dos anos 50 e uma velha Holga plástica para cobrir Jogos Olímpicos desde Los Angeles 84

fotoSegundo o próprio, sua missão é “estudar o esporte, o movimento, os jogadores e pegar fotos que espectadores podem nunca testemunhar por simplesmente estarem sentados nas arquibancadas observando os jogos”.

O que ele está fotografando no Rio ainda está por vir, mas confere o que esse rapaz já fez nos Jogos anteriores.

http://www.anastasia-photo.com/david-burnett-man-without-gravity

via Sinapse

Carioquice olímpica

Texto e foto de Valéria del Cueto

“Zabumbar no fio da navalha é a nossa saída mais potente… a gente não faz festa porque a vida é fácil. A gente faz festa exatamente pela razão contrária.” A reflexão do historiador Luiz Antônio Simas, co autor do “Dicionário da História Social do Samba”, em parceria com Nei Lopes que, no jornal O Dia,  assina coluna semanal sobre a cultura das ruas cariocas, explica a extensão da alegria vigente por aqui nos últimos dias.

A cidade, nem sempre bem-humorada diante dos acontecimentos recentes, se rendeu a seu próprio charme, assumiu suas mazelas e faz o que pode: depois de uma largada espetacular e alto astral vai arrumando os problemas que surgem. Alguns bem conhecidos e comuns para seus moradores. Tudo isso, fazendo festa! Esta é a sensação que qualquer pessoa tem, ao andar pelos locais preparados para circuito olímpico.

Depois da abertura com aquele fim de semana clássico de Cidade Maravilhosa, nem Deus poderia manter o clima firme e limpo em pleno agosto. Aquele, o mês do cachorro louco. Ventanias provocaram o adiamento de provas e transtornos gerais. Os de trânsito acontecem a toda hora… Nem o incrível tom esverdeado da piscina de treinamento do Parque Aquático provocado, dizem os entendidos por algas está sendo deixado para trás.

No mais, é festa. Nos complexos esportivos, em Copacabana e no recém inaugurado Boulevard Olímpico, na região do Porto Maravilha. Local onde a estrela maior é a pira Olímpica. O auge da agitação foi no primeiro dia de desfile de uma escola de samba no local, a Paraíso de Tuiuti. Ela se encontrou com o bloco carnavalesco Escravos da Mauá. O evento se repetiria com as escolas do grupo especial e os principais blocos da cidade, mas a organização achou por bem transferir o carnaval improvisado para o Parque Madureira, diante a impossibilidade de garantir a segurança da multidão.

Foi ali na Casa Brasil, no Armazém 2, que Mato Grosso fez ontem sua apresentação turística, junto com o estado irmão, Mato Grosso do Sul. Mostraram a comida pantaneira, danças típicas e sua cultura. Hoje, índios Parecis estão no Rio Media Center, que reúne jornalistas de todo o mundo para os Jogos 2016, divulgando o roteiro do etnoturismo em Mato Grosso que percorre as aldeias da Rota Parecis. O luthier de violas de cocho, Alcides Ribeiro, dá aula sobre a produção do  instrumento típico da cultura pantaneira, embalado pelo Siriri e do Cururu do Flor Ribeirinha.

Além dos mega espaços dos patrocinadores, o Rio está bombando. Especialmente as casas dos países participantes dos Jogos espalhadas pela Zona Sul, Centro e a Barra da Tijuca. São muitas. Algumas definitivamente concorridas e cheias de atrações, como a do Qatar, sede da Copa de Futebol de 2022. A riqueza e as atrações do país são apresentadas com a utilização de recursos tecnológicos de última geração e a reprodução de um mercado árabe. Como resistir a tantos atrativos?

25 das 52 casas são públicas e com livre acesso. Poucas cobram ingressos. 27 só permitem a entrada de convidados e cidadãos do país. Caso da Casa da Rússia, no Clube Marimbás, em Copacabana. Lá está o protótipo do SportJet, avião da Sukhoi Civil Aircraft Corp de 60 lugares para  equipes e delegações esportivas. Com soluções para descansar, recuperar e relaxar atletas no ar, inclui equipamentos fisioterápicos, poltronas  que monitoram informações biométricas e áreas de reunião para análise de jogos e competições e equipe administrativa. A empresa  planeja seu primeiro jato para o início da temporada de 2017-2018 e está em negociações com federações e times interessados.

DJs, Vjs, comidas típicas e atrações variadas animam a maioria dos ambientes dos países presentes. É muita programação. Tanta que, em alguns momentos, é preciso lembrar o motivo principal de toda a movimentação, as competições esportivas mais importantes do planeta!

E os cariocas? Junto com os visitantes torcem, deliram e fazem a festa…

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Arpoador” do Sem Fim…

Livres de Galvão Bueno : narrador irreverente da ESPN alegra as transmissões de tv, sua lambisgóia !

O narrador Rômulo Mendonça, do canal pago ESPN tem alegrado as transmissões do voleibol  brasileiro. Com expressões como “vai caçar Pokemón em Osasco” , “aqui não sua louca” , “Sheila lacradora” , “minha mãe do céu ” , “macho alpha” , “Miga sua loca, onde é que vc vai com essa bola!” , “me engravida, me engravida” , “onde está o seu Deus ?” o locutor mostra que há espaço para a criatividade numa área que a chatice, a pieguice e o chauvinismo Global imperam com o insuportável G. Bueno.

Os bordões de Rômulo Mendonça
  •  Mensageiro do caos

    Usado para designar algum jogador que consegue fazer um tackle forte ou um sack no quarterback durante partidas de futebol americano.

  •  Tinder do apocalipse

    Termo usado quando um defensor consegue um sack sobre o quarterback no futebol americano. Segundo Rômulo, ele usa isso pois o sack é um encontro indesejável.

  •  Umba, umba, umba ê

    É usado quando um jogador sofre um fumble e a bola fica pipocando até alguém conseguir agarrá-la. Foi inspirado na música usada na Banheira do Gugu.

  •  Ritmo Ragatanga

    É usado quando um jogador consegue fazer uma grande corrida, passando por diversos adversários. Ragatanga foi a música mais popular do grupo pop brasileiro Rouge. Em algumas transmissões, Rômulo chegou a cantar trechos da música.

  •  This is the end…zone

    Utilizado nas partidas de futebol americano quando um jogador consegue anotar um touchdown, alcançando a end zone.

  •  Se liga no swing

    Quando um jogador consegue driblar vários adversários ou faz dancinhas em comemorações no futebol americano. Bordão foi inspirado em propaganda da cerveja Conti Bier.

  • E ela disse adeus

    Sempre que um jogador consegue bater um home run no beisebol, o narrador utiliza esta expressão pois a bola, é jogada para fora do campo.

    São também conhecidas as expressões

    Chama a Sebastiana
    Rômulo implorando pela presença da Nana Gouveia

    Passa sua beleza aí, cara. Mais um a virar o Dorival Júnior
    Rômulo sobre Andrew Luck, após uma interceptação

    Se liga no swing
    Rômulo sobre qualquer jogador que dá uma gingada no futebol americano, fazendo referência ao mítico comercial da Conti Bier

    Se liga no swing IN MEMORIAM
    Rômulo sobre gingadas na NFL, após suspenderem o comercial da Conti Bier (de Maradona)

    Onde está o seu Deus?
    Rômulo sobre qualquer coisa pavorosa que aconteça

    Esse cara não é quem você está pensando não!
    Rômulo sobre alguma interceptação bizarra

    Umba, umba, umba, umbaê!
    Rômulo sobre quando algum jogador sofre um fumble

    Um arraaaaaaanhaaaaaaaa céu!
    Rômulo sobre uma jogada milagrosa de Joe Flaco em 2013

    Sem violência, sem violência.
    Rômulo sobre quando os jogadores começam a brigar em campo

    Paulo Mancha, o que são aquelas folhas no capacete de Ohio State?
    Rômulo sobre trollar seu amigo Paulo Mancha em um jogo de bowl universitário

    Ele está possuído pelo ritmo ragatanga!
    Rômulo sobre um jogador que dá muitas gingadas, dribles e fintas

    Mais amor, por favor !
    Rômulo sobre quando acontece uma jogada violenta

    Cuidado Gisele !
    Rômulo sobre Tom Brady, quando leva um sack

    Esse aí tá mais louco que o padre do balão!                                                                           Rômulo sobre um jogador que está fazendo algo muito louco no jogo

    Toca Raúl! Rômulo                                                                                                                            sobre home run de Raúl Ibañez

    Temos um jogo, temos um caminhão, olha o canadense, com grande desempenho, mas não é o suficiente
    Rômulo imitando Paulo Antunes durante uma transmissão

    E temos ai mais um candidato ao concurso da “Falsa Grávida de Taubaté”
    Rômulo sobre um jogador gordinho da NFL

    Um abaaaaaaloooooo sismicoooo
    Rômulo sobre quando o estádio começa a tremer

    Mas mais domingos de calor não
    Rômulo sobre comercial da Caixa

    ME ENGRAVIDA, TOM BRADY
    Rômulo sobre jogada dos Patriots que resultou em um touchdown

A Montanha Dos Sete Abutres (1951) . A Tragédia como Mercadoria da Audiência

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Por  Morvan Bliasby

A Montanha Dos Sete Abutres — Um filme à antiga, literalmente. Não só na ambiência Noir. Do tempo em que não se fazia filme para bilheteria. Filme com mensagem, filme com moral a ser decodificada no transcorrer da trama. Antecipando e até demarcando o Noir, o mestre Billy Wilder nos brinda com um filme denso, soturno (sem fazer qualquer rapapé para com o estilo homônimo francês), gris, antecipatório até, do que se adviria, quando do domínio da imagem sobre a palavra. Outros diretores tentaram, como em O Abutre, discutir a mídia e seu poder sutil e ao mesmo tempo eficaz, massacrante. Síndrome da China, documentário com cara de filme, ou o contrário, tenta também nos mostrar este poder desmedido, aqui, pior, pois mesclado com interesses bélico-midiáticos. Uma mistura explosiva, literalmente. Jane Fonda e Jack Lemon, como sempre, arrasam. Monstros. O mais novo, e nem por por isso menos contundente O Abutre nos mostra aonde vão a ganância e afã de produzir não-notícias e como a manipulação midiática não conhece limites.

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a-montanha-dos-sete-abutres_1951_01Voltando ao filme do magistral Wilder, menos não se poderia dizer do assustadoramente talentoso Kirk Douglas. O velho matriarca segura a trama do início ao fim, como só os sagrados do cinema o fazem; no papel do fracassado Chuck Tatum, sujeito muito bom no que faz, mas de temperamento forte, por isso demitido N vezes e tendo aquela que parece ser sua última chance. Tatum, num daqueles platôs do trabalho, onde não se tem o que dizer, vai ao deserto cobrir uma corrida de cascavéis. Leste certo. Não. Não era uma corrida de tatus, tão ao gosto do estadunidense, nem um trocadilho infame com o nome do personagem. Corrida de cascavéis. Isso! Num átimo, a trama muda, pois, ao parar para abastecer, ele e seu parceiro de jornada descobrem a história de Leo Mimosa, tentando encontrar relíquias indígenas, se mete num buraco de uma mina e fica encalacrado. Tatum já tem o “furo”. A oportunidade é esta. Esqueçam as meninas peçonhentas.

a-montanha-dos-sete-abutres_1951_03A partir daí, o filme ganha a musculatura pretendida pela direção e pelos roteiristas. Suspense. Apresentação dos caracteres da cidadela desértica com seus tipos humanos. Em todos os sentidos. Não é mais uma trama sobre cascavéis ou de onde o mais emocionante é uma bola de capim seco a rolar ao sabor dos ventos. Dramas humanos. Os interesses conflitantes vêm à tona; os que querem a liberação do infeliz, que só pode usar as mãos para se comunicar com o mundo à sua volta, e definha, já que não há como obter alimento ou água, a não ser pelo buraco onde, com gestos, ele fala ao mundo, os que não querem de jeito algum a soltura do garimpeiro, o próprio Chuck Tatum, nem Lorraine, esposa do infeliz Leo, pois, caso do Chuck, estamos falando em mídia. Audiência, no caso, é o que importa. Os que estão se lixando e os que querem aproveitar a deixa para sair daquele buraco de cobra, literalmente. Ir para a cidade grande, tentar carreira empreender algo, caso Lorraine, que não almeja nada que não seja sair de perto de Leo e viver a aventura da cidade grande. Cite-se ainda a completa desilusão, com o mundo e com a própria carreira, de Herbie Cookie, “parça” de Chuck Tatum. Aos poucos, seu mundo vai se esgarçando e Chuck já não é mais o seu ídolo.

a-montanha-dos-sete-abutres_1951_04 - Copia (2)Filme discutindo a si mesmo, ou mídia a se questionar, temos aos borbotões. Mas A Montanha Dos Sete Abutres (Ace In The Hole, no idioma original) merece todo o crédito pelo seu caráter premonitório de um tempo em que a mídia assumiria o protagonismo espúrio de ora. Antever isso em ´51 não parece trivial e não o é. O final do filme mostra, no roldão da exibição dos caracteres típicos de uma cidadela, o trágico a permear a vida humana e o quão não temos o timão das nossas atitudes nem o leme do nosso destino. Qualquer paralelo traçado com o modus operandi da mídia contemporânea é inevitável. Retrato vislumbrado e, infelizmente, confirmado. Ao vivo e em ‘cores Noir‘.

Túnel do Tempo : monomotor Junker W 34 no TF do Guaporé

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O avião monomotor Junker W 34 , com o nome de “Tarauacá” , prefixo desconhecido, teria sido o primeiro monomotor a pousar em solo hoje rondoniense.  O modelo alemão, muito utilizado por companhias e forças aéreas de diversos países nas décadas de 30 e 40 é muito sólido e seguro, permitindo operações em campos e terrenos adversos. Pela sua simplicidade, recebeu uma par de esquis, se transformando num modelo de hidroavião.

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Cosas de La Banda – 6 de agosto

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Túnel do Tempo – Estação de Jacy Paraná

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Quem explica ?

Rio Metro Em breve uma novidadeTexto e foto de Valéria del Cueto

“Canguru no Brasil” pede na busca do seu google empoderado, Pluct, Plact, o extraterrestre empoleirado na Terra, sem força propulsora para picar a mula e ir cantar em outra freguesia interplanetária.

Ficou sim e não está reclamando. Gostou da Copa do Mundo de 2014. Da vibe da festa e do encontro dos povos. E era apenas um esporte com competições espalhadas por todo o país. Como será o evento com dezenas de modalidades e atletas de centenas de países do mundo?

Dentro do possível, portanto muito mais que o usual, já que conta com ferramentas sofisticadas, acompanhou  a preparação do evento. Por essa e outras razões, levando e trazendo notícias para a amiga cronista, reclusa voluntária das crueldades do mundo, acabou entrando no espírito olímpico.

Andava pela cidade observando o movimento, fazendo previsões e cálculos sobre deadlines para a entrega dos equipamentos. Não se enganou quanto aos resultados. Tá tudo indo, meio assim. Com os prazos iniciais prejudicados, mas aquela boa vontade de deixar tudo no jeito “para quando os jogos começarem”. Como se os atletas fossem chegar no dia da competição. Não precisassem se adaptar ao clima, ao local, depois de se recuperarem das viagens. Alguns, vindos do outro lado do mundo!

E voltamos para a curiosidade galáctica de Pluct, Plact. Onde encontrar um canguru no Brasil, como prometera o alcaide Eduardo Paes à delegação australiana, após a recusa de encarar o minha casa minha vida da Vila Olímpica? Quem botaria a cara prometendo já na largada, algo que não poderia cumprir? Calcula-se cartesianamente que, sim, há um canguru à mão para enfeitar a entrada do alojamento australiano. Tipo assim, ali, como a onça da tocha…

Foi nessa busca que Pluct Plact descobriu que não era o único a procurar cangurus no Brasil. Lá nos alfarrábios entendeu o impedimento de tal evento. Também descobriu que, não tendo acesso ao original,  canguru aqui é só um tipo de equipamento para carregar bebês junto ao corpo. Apareceram referências à geração canguru, de “jovens” de 25 a 34 anos que não querem sair da casa dos pais. Conheceu também a Olimpíada Canguru de Matemática, uma afinidade com a Austrália, já que a competição começou por lá e hoje se espalha por 52 países!

Nesse meio tempo, a fila andou… Eduardo Paes pediu desculpas pela tirada, jogando a culpa no “jeito carioca”. A equipe australiana resolveu pegar mais leve. Voltou para os apartamentos abandonados enquanto obras emergenciais eram realizadas por um batalhão de trabalhadores irregulares. Mas esforçados e felizes com os dias de ganhos extras.

O happy end foi com mais uma “atitude” de Paes. Deixou a equipe australiana de hóquei esperando meia hora na entrega da chave da Vila Olímpica para a delegada da Austrália. A que batera de frente com a desorganização imperante. “Umpolished” foi o termo, registrado nos anais da máquina interplanetária, utilizado pelo próprio para classificar o imbróglio. Então, por definição, exime-se a culpa do “jeito carioca de ser” que costuma ser malandreado, malemolente, mas não grosseiro. Ganhou de presente um canguru de pelúcia, com luvinhas vermelhas de boxe…

Tudo isso, Pluct Plact rememorava enquanto se deslocava pela orla de Copacabana, Rio de Janeiro,  para o outro lado do túnel, onde se encontra reclusa a cronista. Tinha seus motivos de alegria. Vira, na última visita, um lampejo de interesse da amiga pelo mundo exterior. Sim! Ela queria contato. Uma TV que cobrisse parte de uma parede de sua minúscula, porém segura, cela. Para assistir aos Jogos!

Ia atender a amiga. Mas havia uma condição. Que explicasse em minúcias o que era o único tipo de canguru não definido ou descrito em suas buscas e pesquisas nos mais poderosos bancos de dados.

Afinal que diacho era o tal de canguru perneta, tantas vezes citado e nunca explicado?

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do Sem Fim…

Micro-conto de horror (IV)

IRENE 
Passei uma semana inteira preparando o jantar romântico. Eu e Irene. Linda nesse vestido. Linda sentada à mesa. Velas e flores.
Batidas fortes na porta. Irene diz para eu atender. Ela está linda nesse vestido. A policia invade. Um guarda bem jovem, o primeiro a entrar, irrompe porta afora. Vômito. A vizinhança enxerida. “É daqui mesmo que sai esse cheiro. Tem dias isso!” O peso de papel demovera Irene da idéia de me abandonar. Acabou ficando para o jantar. A Justiça me bota na solitária. Mas não estou só. Irene está comigo. Ela promete que será para sempre. A idéia já não me agrada tanto. Irene sorri.

O silêncio que antecede

M Amanhã 160225 009 Museu do Amanhã globo escadaria entradaTexto e foto de Valéria del Cueto

Estou no meio da festa que vai começar. Numa posição, cá entre nós, privilegiada. Depois do Rio dos Jogos  Pan Americano, da Copa do Brasil, vem aí a Olimpíada carioca.

E vou aproveitar. Pretendo não analisar, apenas registrar a vida onde sempre vivi. Como essa cidade tão cheia de contradições, chamada de maravilhosa, abriga e acolhe os visitantes de todas as partes do mundo.

Foi na Copa do Mundo de Futebol de 2014 que a brincadeira tomou um formato, como explicado na época na crônica “Sem dizer adeus” Lá, a hashtag era #Copa2014bacana. Teve o #justbefore, mostrando Copacabana nos dias que antecederam o início da competição, o #justnow, a temporada de jogos e o #justafter, com o desmonte dos equipamentos e o retorno à normalidade. Todo o material fotográfico, em vídeo e links de outros veículos de comunicação foram agrupados numa linha do tempo, publicada no http://storify.com/delcueto/copa2014bacana

Repito a proposta no #valeRio2016. É a mesma ideia partindo de outra ponta, não mais da do Leme, que começa a ser realizada. Agora Copacabana não será o único foco. A ponta de partida é a do Arpoador, com saída para Ipanema e a perspectiva do posto 6, no final de Copacabana. O arco foi ampliado, incluindo o centro da cidade. Mais especificamente a Orla Conde,  um novo espaço urbano do Rio, onde serão realizadas as atividades que agitaram fun fest montado em Copacabana durante o Mundial de Futebol, em 2014.

Uma intensa e variada programação cultural ocupará o espaço e os palcos distribuídos entre os Museus do Mar e do Amanhã, na Praça Mauá, e a Praça XV. Além de apresentar ao mundo as intervenções de recuperação da área, incluindo a demolição da Perimetral, outra vantagem do lugar é não ter problemas em relação ao barulho das festas e shows. A zoeira causou transtorno aos moradores de Copacabana no evento de 2014. A região da Orla Conde é área comercial. E o lugar é lindo…

O Rio dos carnavais, dos réveillons, do Pan e da Copa, certamente saberá receber seus convidados. Falo no que depender do carioca. O que parece não ser muito na Babel que se instalará por aqui.

Não, não pretendo frequentar as arenas dos jogos. O  credenciamento no Rio Media Center facilita o acesso aos espaços gerenciados pela prefeitura. Está bom demais. Verei os jogos em casa, ou nos telões. Se sou fissurada por esportes, imagine as Olimpíadas.

A primeira que lembro ouvir falar, pitoquinha ainda, é a da Cidade do México. José Sylvio Fiolo ficou em quarto lugar nos 100 metros de peito. Anos depois, treinei por um tempinho com seu técnico, o Pavel, no Botafogo. Na de Munique foi a vez de Mark Spitz com seus recordes mundiais e medalhas de ouro em 7 provas de natação  me fisgar de vez. Chorei com Misha na despedida de Moscou…

As Olimpíadas acontecem sempre em anos de campanhas políticas. Eleições de prefeitos e vereadores. Costumo estar trabalhando. Em 1988 e 2000 e 2008, dei um jeito de trabalhar no turno da madrugada, para poder acompanhar as competições dos jogos de Seul, Sidney e Pequim, respectivamente.  

Não, não terei tempo para correr de um complexo para o outro e ainda me concentrar no entorno, no encontro dos povos. É nele que pretendo focar minhas lentes.

E quero faze-lo com o meu melhor olhar! Como, imagino, estejam nesse momento os olhares dos atletas que competirão no Rio, a Cidade Maravilhosa. Voltados para a perfeição dos movimentos, para o auge de suas performances. Se possível, para a vitória. Pensamento positivo, energia acumulada, concentração e foco.

Eles não querem saber das notícias, especialmente as negativas. Nada que interrompa ou altere o percurso em direção ao objetivo almejado por tanto tempo certamente com sacrifícios e entrega.

Que os Deuses do Olimpo nos abençoem!

Links

#valeRio2016 http://storify.com/delcueto/valerio2016

#copa2014bacana http://storify.com/delcueto/copa2014bacana

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Arpoador” do Sem Fim…

Gente que encontrei por aí…Super Chickan

beto jazz

Atenção para o dízimo, fiéis ! Citation X apreendido da Igreja Universal é leiloado com lance inicial de R$ 9 milhões

foto: Receita Federal do Brasil / Divulgação

foto: Receita Federal do Brasil / Divulgação

Uma aeronave modelo Citation X, da fabricante Cessna que pertencia à Igreja Universal do Reino de Deus e foi apreendida por falta de documentos no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), será leiloada na próxima quarta-feira (27) pela Receita Federal.   O lance mínimo para a aeronave, é de R$ 9 milhões. Essa é a segunda vez que ela é leiloada, pois na primeira edição do pregão, quando o lance mínimo era de R$ 13 milhões, nenhum comprador deu lance

O modelo da aeronave civil é o mais rápido do mundo: ele quebrou o recorde de velocidade quando alcançou 975 km/h a 39 mil pés, voando de Nova York a Los Angeles em 4 horas; outras aeronaves executivas fazem o mesmo percurso em 5 horas. Ele também é o mais eficiente em consumo de combustível.

Micro-conto de horror (III)

PRESO NO POÇO
“Eu passava ao lado de um poço quando escutei: ‘Socorro, estou preso nesse poço e não consigo subir! Me ajudem’. Improvisei uma corda e desci para auxiliar a vítima. Ao chegar, havia um cadáver. Ele trajava roupas exatamente iguais às minhas. Apavorado, fui subir de volta, mas a corda não estava mais lá”

Morro do Paxixi

Aquidauan 160524 040 Paxixi geral panorama brumaTexto e foto de Valéria del Cueto

Ainda falta falar de algumas coisas do meu belo Mato Grosso, o do Sul. Então, vou começar pelo princípio.

A partida foi promissora. Subindo, num final de tarde, o Morro do Paxixi, na ponta da serra de Maracaju. Tração nas quatro rodas, o sol desenhando as margens da estradinha de chão…

Os “ais” e “uis” nas curvas da estradinha sinuosa de Rosely, sogra do Carlão, o Dr. Carlos Nunez, promotor da expedição que tomou o rumo de Camisão, distrito de Aquidauana, eram justificados.  Imagine algo do tipo a borda da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, com acesso beeem precário. Antes da subidona, uma bifurcação, um ou outro boteco, algumas casas e chácaras. Quanto mais alto, mais espaço. As grandes fazendas no topo do platô, invisível para quem olha lá de baixo.

Para não dizer que foi tudo perfeito, subimos tarde! Nessa época do ano o dia acaba cedo e o sol baixa rapidamente… A sombrinha de agora virava rapidamente  a luz insuficiente e muito baixa, diminuindo a diversidade de bons registros.

O Paxixi é o tipo de lugar quase inesgotável quando se pensa em sombra, luz e drama. Mesmo parado em um único local as possibilidades são infindáveis em tentativas de registro em horas variadas do dia e com as variações da posição do sol ao longo do ano. Mudam as cores, os tons e a incidência de luz. Uma festa!

A subida quase foi mal sucedida. Lá pelas alturas encontramos a picada fechada por um trator e caminhões. Era um mutirão de alguns proprietários para recuperar o traçado castigado pelas chuvas, provocando crateras, muita erosão e invadido pela vegetação exuberante nas laterais.

A necessidade de aplainar e limpar a rota se baseava também na impossibilidade de saber, numa manobra para evitar maiores danos aos amortecedores castigados pela buraqueira, se o mato escondia um trecho transitável ou camuflava um despenhadeiro na franja da morraria. Se fosse necessário dar meia volta, teria que ser de ré até um lugar que permitisse a manobra de retorno.

Fomos salvos pela gentileza dos peões e motoristas que retrocederam morro acima as máquinas para nos permitir prosseguir na aventura.

Mais um tempinho perdido e o sol baixando em meio a uma leve bruma que começava emoldurar as áreas mais baixas. Passamos pelo leito seco de pedras de um riacho e, firmando a marcha ladeira acima, fomos passando por porteiras até que o topo do maciço se descortinasse a perder de vista iluminado pelo sol da tarde.

Na direção das antenas receptoras, avistadas da estrada que liga Campo Grande a Aquidauana, encontramos topógrafos e engenheiros, próximos das áreas cercadas e cadeadas dos equipamentos.

O que poderia ser uma decepção pela ausência, provocada pela cerca de arrame, da vista do alto do platô acabou virando uma caçada fotográfica a seriema que resolveu passear perto do aramado.

Me senti em sintonia com o local e aa natureza, enquanto tentava, mansamente, me aproximar da musa inspiradora da música que ia usando como forma de diálogo, tentando fotografá-la: “Oh! Seriema de Mato Grosso, teu canto triste me faz lembrar, aqueles tempos que viajava, tenho saudades do seu cantar. Maracaju, Ponta Porã, quero voltar…”Registro feito, papo batido e era hora de descer a ladeira, antes que escurecesse de vez.

Por um momento, tolinha, achei que aquela tinha sido um sinal de boas vindas para o que ainda veria de natureza na viagem pelo Mato Grosso do Sul.

Ledo engano. Foi, sim, um presente de despedida. A partir desse dia, o tempo virou de um jeito! Tudo cinza, chuva e frio. Tive que desfazer meus planos, agradecer a boa sorte dos registros feitos e viajar num outro sentido: o literário, como você já sabe pelos outros textos dessa saga pantaneira.

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fronteira Oeste do Sul” do Sem Fim…

Micro-conto de horror ( II )

por Humberto Capellari

Gilcimar passa em frente à casa de Priscilla, sua ex, quando sente uma vontade irresistivel de lhe fazer uma visita. Não queria reatar nem nada. Apenas desejava revê-la. Nem se lembra mais o motivo da separação.
– Por quê foi, mesmo? Esqueci.
Diante do portão marrom, outrora cinza, ele bate palmas. Só aí que percebe a campainha. Antes não tinha.
– Quem é?, pergunta uma senhora lá de dentro.
– Quero ver a Priscila, responde ele, imaginando que aquela mulher fosse a dona Norma, mãe de sua ex.
A senhora chega no portão e diz:
– Priscilla? Você não sabia que ela morreu já tem uns três anos? A família se mudou depois.
Gilcimar leva um choque e começa a tremer:
– M-m-morreu? M-mas c-como? Por quê?
– Depois que o namorado se matou ela não aguentou e se suicidou quase em seguida, dias depois.
– Namorado?
– É. Era Gilcimar o nome dele.

FIM

Na onda do Pokemon Go

Pokémon_GO_logoPokémon GO é um jogo eletrônico voltado para smartphones em uma colaboração entre a Niantic, Inc., Nintendo e a The Pokémon Company para as plataformas iOS e Android gratuito com compras adicionais incluídas no jogo. Lançado em conjunto com Pokémon GO Plus, que utiliza conexão Bluetooth para notificar usuários quando há algum Pokémon próximo. O jogo permite capturar Pokémons visitando lugares existentes no mundo real. É possível ativar a opção da câmera para uso da Realidade Aumentada onde mostra os Pokémon no mundo real na tela do Smartphone, esse recurso é opcional e pode ser substituído por um cenário virtual. Este é o primeiro jogo da série Pokémon, onde o personagem do jogador possui nível e que não é necessário batalhar para capturá-los. O jogo foi lançado a 5 de Julho de 2016 em alguns países, sendo lançado nos restantes países em datas posteriores.

O jogo tende a utilizar sua conexão de dados móveis, GPS, e Bluetooth caso você compre o Pokémon GO Plus, sendo assim, o jogo poderá consumir muita bateria e dados móveis que são pagos.

Pokémon GO coloca os pokémons no mundo real a partir da tecnologia de realidade virtual. A proposta é fazer com que o jogador explore as regiões de seu próprio mundo com objetivo de completar a Pokédex e vencer os estágios. O jogo utiliza uma mecânica semelhante ao do Ingress, que utiliza o GPS do smartphone para localizar a posição do jogador, a qual consequentemente será a posição de seu personagem no mundo virtual. Conforme o jogador anda em sua cidade, vários pokémons selvagens podem aparecer no meio do mapa, que depende do tipo de região em que se encontra. Com isso, ao estar próximo a uma praia ou rio, por exemplo, será mais fácil encontrar Pokémon do tipo água.

Ao encontrar um Pokémon, entra-se no modo de captura onde é necessário mirar precisamente o Pokémon e arremessar a Pokébola. O Pokémon pode tentar desviar ou rebater a Pokébola, sendo necessário ter precisão ao movimentar o celular. Neste modo você pode optar por ativar o modo câmera, que substitui o cenário 3D do jogo pelo cenário do mundo real, ou seja, o lugar exato quê você está, mostrando o Pokémon na sua frente, através do seu celular. Utilizar o modo câmera exige muito do celular por conta da realidade aumentada, e por conta disso está opção será somente opcional.

O cenário do mundo real pode ser substituído por um cenário virtual a qualquer momento, capturando os Pokémons e realizando missões, como, por exemplo, evoluir o seu personagem ao andar 100km. Quanto maior o nível do seu personagem, mais fácil será para achar Pokémon mais fortes. Você pode, também, ganhar itens como Pokebolas. Dependendo da sua cidade você pode achar PokeStops, que normalmente são localizadas em pontos turísticos. Se alguém não tiver passado nessas PokeStops nos 5 minutos anteriores a sua chegada você pode recolher os itens deles. Nas PokeStops você pode encontrar poções, pokebolas e até mesmo ovos Pokémon que, assim como no jogo, irão chocar conforme você anda na cidade.

Assim como nos jogos oficiais da série você também pode encontrar estágios. Ao encontrar um estágio você será obrigado a escolher um time Vermelho, Azul ou Amarelo, cada um representando a cor das três aves lendárias, Moltres, Articuno e Zapdos. Se este ginásio for do mesmo time que o seu, você pode treinar nele e evoluir seus Pokémons. Caso você encontre um ginásio inimigo, você irá batalhar com todos os membros e caso ganhe você pode tomar este ginásio para o seu time e ser o dono dele. Neste modo de batalha você também pode optar por utilizar o modo câmera e ver o seu Pokémon batalhando no mundo real. Caso seus itens acabem e não houver uma PokeStop por perto você pode optar por comprar itens na loja do jogo.Você só pode escolher um Pokémon por vez para batalhar e pode também trocá-lo no meio da batalha, se necessário. Ao ganhar de todos os membros do ginásio você também irá fazer parte dele.

Diferentemente dos jogos da série, em que um pokémon possui 4 golpes, no Pokémon GO ele apenas possui 2. Foi revelado, também, que em breve você poderá ter batalhas locais com amigos e também a opção de trocar de pokémon, mas até o momento essas opções não estão disponíveis no Beta.

Esta não é a primeira vez que a Nintendo junta a franquia Pokémon com a Realidade Aumentada. No jogo Pokémon Dream Radar, lançado para Nintendo 3DS, você utilizava o seu console para tentar capturar os Pokémons que apareciam na sua casa olhando pela tela do 3DS e transferindo os Pokémons capturados para o jogo Pokémon Black 2 e White 2. Entretanto, apenas em Pokémon GO que tal tecnologia foi utilizada na franquia de maneira tão profunda, visto que o jogo foca totalmente na realidade aumentada literalmente colocando os Pokémons no mundo real interagindo com elementos reais através do celular

Leia também : As consequências que o jogo pode ter na indústria musical

CD “Rondônia 1912 – Gravações históricas de Roquette-Pinto” está disponível para download gratuito

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Clique na imagem para fazer o DOWNLOAD

“Rondônia 1912 – Gravações históricas de Roquette-Pinto” é um CD que integra a Coleção “Documentos Sonoros” do Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (LACED), do Setor de Etnologia e Etnografia do Departamento de Antropologia do Museu Nacional/UFRJ.

Disponível para download gratuito no site do LACED:
http://laced.etc.br/…/projetos-…/colecao-documentos-sonoros/

Leia também > Livros para entender Rondônia

Gente que encontrei por aí… Luiz Brito

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Num certo muro de Paranaguá…

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Outras memórias pantaneiras

CGB natur 160618 057 passaro cabeça amarela otimaTexto e foto de Valéria del Cueto

Perdi as palavras diante dos sentimentos. Muitos. Profundos. Emocionantes.

Até especialistas em se expressar, coisa que sempre busquei nas mais diferentes “mídias”, se calam quando tudo é pouco diante dos fatos e os diversos graus de sensações que provocam.

Voltei ao meu belo Mato Grosso, aquele de antigamente, ainda sem divisão geográfica. E os tempos queridos, acreditem, os que não voltam nunca mais, estavam lá.

O pé de cedro havia crescido e dado novas ramificações. Encontrei o pequeno arbusto cheio galhos e de raízes crescidos no tempo em que distantes vivi, amei e, claro, também sofri.

Todos nós nos transformamos…

Sua sombra amiga me acolheu e protegeu, me mostrou seus frutos (cedro dá que tipo de frutos? Sei lá…)

E nada do que imaginava para essa jornada aconteceu como planejei. Tudo foi mais.

Mais tempo nublado e chuvas, o que não seria problema se não fosse a duração quase permanente, o que gerou menos imagens reais como pássaros, animais e exuberância natural na região pantaneira.

Isso me empurrou para os livros que levaram a imagens de outros tempos mais, muito mais antigos. Voltei à Guerra do Paraguay.

Aos encontros e desencontros dos pioneiros que entre batalhas, muito trabalho bruto, longas esperas e amores povoaram o baixo Pantanal e a fronteira entre Corumbá e Ponta Porã.

Se pouco soube de Solano, o invasor paraguaio, li a respeito de Raphaela Lopes, sua irmã, que se casou com o interventor designado pelo Império Brasileiroe a saga da vinda da família Pedra para a região. Sou quase um deles. Além dos netos de Pompílio, agora, “colada” com mais duas gerações.

Quando, finalmente, o tempo permitiu que começasse a fotografar já estava encharcada pela água dessa fonte de lembranças expandida com a ajuda de informações e indicações de como lidar com um baú de comitiva repleto de imagens e referências.

Tudo veio pra mim. Primeiro na Casa Candia, de dona Jandira, em Anastácio. Depois na Selaria Renascer, do seo Jairo, em Aquidauana. Nos dois lugares tive direito a um “Guia Lopes” para me conduzir pelas macegas de objetos emblemáticos, ícones das narrativas que havia devorado nos livros.

Isso em meio a uma outra guerra que acontecia na vizinhança. Sangrenta, sem tréguas. Cinematográfica. Em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero a disputa pelo poder do tráfico se desenrolava nas ruas. Registradas por câmeras de vídeo dos celulares e disseminadas pelas redes sociais. A violência da fronteira evoluiu, como quase tudo em volta, mantendo sua essência.

Os últimos dias da viagem me levaram a Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, à celebração das novas gerações da família, continuação dessa estirpe que vem lá de trás.

Pais, avós, filhos, netos, numa alegre confusão, em comunhão com a vida, independente dos percalços e diferenças. Esperança!

Tudo ao seu tempo – não conforme meus planos (como sempre)-, acabou acontecendo.

Na última manhã da viagem, o ciclo se completou com a ajuda de Osana. Foi ela que me indicou nos jardins onde seria o desfile da passarada: tucanos, curicacas, beija-flores… Vieram para a despedida!

Um até logo cheio de gratidão de minha parte, emoldurado pelo sorriso que não tem preço de uma das queridas matriarcas da família, que não nega seu sobrenome: Pedra!

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fronteira Oeste do Sul” do Sem Fim…

Micro-conto de horror (I)

MILENA
“Acordei apavorado. Deitada ao meu lado, Milena parecia assustadoramente branca. Gelei. Pus a mão em sua testa. Milena acordou e teve um choque ao ver seu namorado, morto há dois anos, tomando-lhe a temperatura.”

Acenda o farol !

A partir desta sexta-feira (8) todos os veículos que trafegarem por estradas federais terão que acender o farol baixo mesmo de dia.  Quem for flagrado com as luzes apagadas será multado em R$ 85,13 e terá quatro pontos na Habilitação.
O objetivo é aumentar a segurança nas estradas, reduzindo o número de acidentes frontais. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o uso de faróis durante o dia permite que o veículo seja visualizado a uma distância de 3 quilômetros por quem trafega em sentido contrário. O farol baixo não pode ser substituído por farol de milha, farol de neblina ou farolete. 
A lei que exige o farol baixo de dia nas estradas só abriu exceção para a luz diurna de LED, aquela faixa de lâmpadas que alguns carros mais novos têm. Ela poderá ser usada nas estradas, de dia, em vez do farol baixo.

Mala de garupa

AquidSela 160616 012Texto e foto de Valéria del Cueto

Passei pela frente da Selaria Renascer, na rua Dr. Sabino, no Bairro Alto algumas vezes. Naquelas horas em que, numa cidade nova a gente busca referências para tentar se localizar.

Havia muitas outras selarias na cidade. Afinal, estava numa região cercada de fazendas com características de lida com muito gado e cavalos.

Mas aquela construção numa rua tranquila, parede com parede com a loja de roupas novas e usadas, atraindo a atenção pelos casacos de frio expostos nos manequins e, do outro lado, a casa mais para o fundo do terreno, uma árvore enorme na frente e a carroceria velha de caminhão, com o nome da cidade AQUIDAUANA, pintado na madeira, jogado ali, na vertical, havia prendido minha atenção.

Na frente, arreios e outros adereços pendurados na parede e no telhado do puxado da varanda. A mureta no pé da árvore ao lado usada como apoio para o copo de alumínio, a bomba e a térmica do tereré. A parte voltada para rua servindo de expositor para o pelego e as botinas, mostrando o trabalho. O laço pendurado num galho.

Nas duas portas da loja a confusão se derrama pela calçada, conforme a necessidade do serviço de selaria e sapataria solicitado pelos clientes fiéis.

Me identifiquei. Descobri que o lugar do meu desejo ficava em frente da casa de Roseli, mãe de Rosanie, sogra do Dr. Carlos Nunez, e companheira de tardes cinzentas de cafés e histórias, inclusive dos antigos Pavilhões, um tipo de circo só com peças teatrais e cantorias que viajavam pela região antigamente.

Na segunda passada parti para a tarefa necessária de pedir autorização para fotografar o local. Não sem antes esclarecer para seo Jairo que não, não tinha intenção de cobrar nada para desvendar em imagens os segredos de seus 61 anos.

“Nasci em cima dos couros. Aprendi a profissão vendo meu pai. Ele trabalhava numa fazenda e, quando se machucou, começou a lidar com couro”.

A história veio junto com tesouros que ele foi tirando dos fundos do estabelecimento. Diz a “Vizinha”, como Roseli chama sua mulher, que faz tempo desistiu de arrumar a oficina, onde sua entrada “é indesejável, graças a Deus”.

Começou com a ponta de uma zagaia “usada para matar onça”. Veio a máquina de costurar de antigamente, a ferradura de ferro “hoje são mais finas, de alumínio”, a guaiaca velha que o peão pediu para ser copiada, “mas se aposentou antes da execução do serviço e, aí, pra que guaiaca?”, o entalhe em madeira do preto velho, o berrante e o baú de uma antiga comitiva.

“Só não tranço o couro. Antes, até curtia”. Primeiro com angico. Aí, reclamaram do problema ambiental. “Besteira, a gente não corta a mata, só usa a casca”, observa. “Daí passei para o tanino. Desisti com os problemas e a burocracia para documentar a atividade”.

A Vizinha fala com saudades da antiga Festa Pantaneira de Aquidauana, onde passavam dias acampados recebendo encomendas e mostrando a excelência do trabalho que sustentou a criação de seis filhos, “três com a mulher”…

Hoje, não vale mais a pena fazer produtos para vender, como botinas. O custo da mão de obra inviabiliza esta forma de negócio. “Agora, é mais encomenda”.

E foi de encomenda, prontamente atendida, que as mãos ágeis de Seo Jairo Soares Arguelho, além de trazerem do fundo da oficina suas melhores lembranças para o ensaio fotográfico da selaria, também repararam minha moderna mala de viagem, descosturada no vai-e-vem dos aeroportos da vida. Em cada ponto, uma história, um mergulho na mala de garupa da vida de um artesão aquidauanense e seu cotidiano pantaneiro…      

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fronteira Oeste do Sul” do Sem Fim…

Filme sobre Janis Joplin estréia no Brasil no dia 7 de julho – Veja o trailer

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O documentário da americana Amy J. Berg (indicada ao Oscar pelo documentário “Livrai-nos do Mal”) e produzido por Alex Gibney (ganhador do Oscar pelo documentário “Um Táxi para a Escuridão”) revela a história de um dos maiores ícones do rock n’ roll nos anos 60.

Janis – Little Girl Blue já rodou por vários festivais de cinema, como o de Veneza, Toronto e do Rio, e agora, finalmente, tem data para estrear no Brasil,  7 de julho em salas ainda não divulgadas.

A produção mostra como a cantora inspirou uma geração, abrindo portas para roqueiras que surgiram depois pelo mundo inteiro, e seu profundo comprometimento com sua música, que estava acima dos turbulentos casos amorosos e vícios.

Passados 46 anos da morte de Janis Joplin, o filme, que demorou sete anos para ser concluído, aprofunda-se na breve carreira e na intimidade da cantora, por meio de imagens de arquivo – algumas das quais inéditas –, correspondências pessoais de Janis e entrevistas com ela e seus contemporâneos. Sua única passagem pelo Brasil também é mencionada no filme, que é acima de tudo repleto de trechos de performances ao vivo de suas canções mais icônicas, tanto em sua fase com a Big Brother & the Holding Company quanto em sua carreira solo.

Assista ao trailer >>>>>>>>

Mito da Internet: julho de 2016, o mês de 5 sextas 5 sábados e 5 domingos que só acontece a cada 823 anos

Um post que que circula na Internet diz que agora em julho de 2016 acontecerá um raríssimo fato : o mês terá 5 sextas-feiras, 5 sábados e 5 domingos.

Segundo a mensagem, meses com esses três dias repetidos cinco vezes só acontecem a cada 823 anos. Como a maioria das pessoas prefere acreditar nos mitos, boatos e crendices pouca gente se dá ao trabalho de conferir os dados e informações.

O “fenômeno” ocorre, em média mais ou menos a cada dois anos. É fácil entender por que. Todos os meses de 31 dias têm três dias que aparecem 5 vezes. Claro, porque os dias da semana se repetem a cada 28 dias e o mês tem 31 dias. A diferença de 3 dias entre uma contagem e outra explica a repetição. O início do mês está em permanente rodízio, isso é, cada mês (em regra) começa num dia da semana diferente. Assim, sempre chegará o dia primeiro cairá numa sexta-feira. Sempre que isso acontecer num mês de 31 dias, teremos 5 sextas, 5 sábados, 5 domingos.

Então, o mês de julho terá este ano (2016) 5 sextas-feiras, 5 sábados e 5 domingos (o que é verdade), que este é um evento que acontece apenas uma vez a cada 823 anos (o que é falso) e que este é um fenômeno que de alguma forma é especial (altamente duvidoso). E tal como nas mensagens clássicas, o internauta é incitado a continuar a corrente com uma mistura de aliciamento (dinheiro) e temor (castigo).

De fato, o apelo à superstição parece marcar presença em muitas destas mensagens, geralmente referências de sorte e azar ou, neste caso específico, o Feng Shui.

Seja por superstição ou falta de atenção, a verdade é que esta mensagem vai continuar a circular e muito provavelmente ressurgir para o ano que vem com um mês alternativo, sendo até possível prever quais são os potenciais candidatos – os meses com 31 dias:

com os sites astropt.org e fernandocabral.blogspot.com.br

Dounia Bouchabki : a beleza e a força da mulher rondoniense brilha em Manaus

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fotos : reprodução Facebook

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fotos: reprodução/Facebook

dounia A rondoniense Dounia Bouchabki se classificou para o Campeonato Brasileiro de Fisiculturismo que irá acontecer em São Paulo, nas dependências do Ginásio Anhembi nos dias 29,30 e 31 de julho. Dounia concorreu no Campeonato Amazonense de Fisiculturismo, na categoria por altura até 1,63  garantindo a classificação para o brasileiro.

Na rede social Facebook Dounia postou :

Aconteceu em Manaus nos dias 25,26 de junho
Campeonato amazonense de fisiculturismo
Estou em êxtase neste momento. Para quem não sabe eu,desde dezembro, estava me preparando para ir ao campeonato amazonense de fisiculturismo. Amei e amo este esporte às vezes tão descriminado por muitos, amo este esporte onde fazemos sacrifícios às vezes desumanos para podermos entrar nos padrões determinados pela IFBB e claro, subir no palco no melhor shape! Dei o meu coração, dei minha raça, minha determinação. Abdiquei de muitas coisas para subir neste palco, bem sei que falta muita maturidade muscular ainda, sei que não estou totalmente pronta mas obtive minha classificação para estar no campeonato brasileiro! Agora o momento é de foco e de mais garra para estar dentro do meu sonho !
Quero agradecer de coração primeiro ao meu marido Ronaldo Teixeira Ramires, minha filhinha Laura ambos tiveram toda a paciência do mundo para me aturar nesses meses onde os nervos estão à flor da pele, agradecer ao meu coach Rodrigo Junqueira que me deu vários puxões de orelha, aquele que sendo duro comigo e que me fez chorar várias vezes, pois achei que não fosse conseguir obrigada mesmo!! Obrigada ao meu grande amigo Marcos Silva por ele ter me mostrado este esporte tão lindo que me apaixonei, meus amigos que acreditaram em mim sempre! Meu campeonato começou aos 41 anos de idade! Vamos lá ainda dá tempo!!!

Agora é hora de aparecer patrocinadores para impulsionar a carreira da atleta que representa o Estado neste esporte por vezes relegado a um segundo plano.

Em frente, Dounia !

Foto do dia : Mick Jagger

mick

Vem aí … Beatles !

TheBeatles_EightDaysAWeek_O diretor Ron Howard  , de “Apolo 13″ ( Oscar por “Uma Mente Brilhante”)  “Apolo 13″ apresenta o beatledoc “The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years” , resultado de uma década de pesquisa e coleta de material com os mais de duzentos shows que os  Beatles fizeram entre 1963 e 1966. O primeiro show do quarteto aconteceu em 1961, ainda com Pete Best na bateria. Já o último, descontando o concerto improvisado no telhado da Apple em 1969, foi feito em 1966. Com a chamada “a banda você conhece, a história não”, ele foi feito com total colaboração de Paul McCartney e Ringo Starr e também das viúvas de John Lennon e George Harrison. Além de novos depoimentos e de cenas conhecidas pelos fãs, imagens raras ou inéditas da banda também foram recuperadas para fazerem parte do filme. A estreia mundial é no dia 15 de setembro com muitas cenas de filmes em 8 mm.

Wander Astronauta Wildner

wander

Clique na imagem e ouça a nova música de Wander Wildner, Astronauta .

O Estado das Coisas

lorrainePrimeira colocada na IV Olimpíada Brasileira de Neurociências (Brazilian Brain Bee), em São Paulo, e selecionada para representar o Brasil na 16ª Olimpíada Internacional (2016 Brain Bee World Championship), na Dinamarca, a estudante Lorrayne Isidoro, de 17 anos, corre o risco de não viajar. Depois de lutar para conseguir juntar o dinheiro para pagar a passagem de avião e a hospedagem no exterior, agora a estudante do Pedro II sofre com um atraso na emissão de passaportes. Na última quinta-feira, data prevista para a entrega do documento, ela foi ao posto do Galeão acompanhada da mãe e da professora Camila Marra, sua orientadora de estudos. Lá, elas receberam a notícia de que os documentos “ainda estavam em confecção”. Na sexta-feira, as três foram novamente ao posto de atendimento da PF e, mais uma vez, foram informadas de que os passaportes ainda não estava pronto. Lorrayne deve viajar em companhia da mãe, Estela Meirelles Isidoro, e da orientadora, Camila, na próxima terça-feira. elas ainda tentaram solicitar um passaporte de emergência, argumentando que a viagem era para um evento internacional importante. Mas o agente que as recebeu foi categórico: o serviço está com atrasos e só estão sendo aceitos pedidos de passaporte dos que estão em pior situação.

via Facebook

Dúvida III

Por que é tão difícil achar a mulher do CU_nha ?

Pai tatua a cabeça como cicatriz do filho para apoiá-lo na luta contra câncer

 

BBD-Josh-MarshallJosh Marshal (27)l e seu filho Gabriel (8), moradores de  Wichita, Kansas  em foto vencedora de concurso da St. Baldrick´s Foundation nos EUA . Em março de 2015, Gabriel foi diagnosticado com uma forma de câncer chamado astrocitoma anaplásico, um tumor cerebral maligno raro.

Dúvida II

Por quê é tão difícil descobrir o dono de um jatinho no Brasil, se para descobrir o proprietário de um fusca velho é tão fácil ?

Desbravando a BR 364 : 1982

beto e moto cg

foto : Belmiro Barriviera

Queixas, queixas, queixas…

Dúvida

Quanto valeria hoje no mercado um CU_nha usado ???

Prá viajar no cosmos não precisa gasolina.

Armazém, empório e mercearia

Anastácio 160603 024Texto e foto de Valéria del Cueto

Viajo para o oeste e retrocedo a um tempo antes do meu próprio por lá, ao transpor as porta da Casa Candia, em Anastácio, Mato Grosso do Sul.

Sou recebida com um sorriso de boas vindas por sua proprietária Jandira Trindade, filha de um antigo funcionário que virou sócio dos italianos fundadores do estabelecimento, e cronista de “O Pantaneiro”, jornal de Aquidauana. Um outro lado do rio, como Cuiabá e Várzea Grande.

Chego lá vindo um pouco de antes, de acontecimentos ocorridos na segunda metade do século XIX. Andava mergulhada nos antigos costumes da região, devorando o livro do belavistense Samuel Xavier Medeiros “Senhorinha Barbosa Lopes, uma história da resistência feminina na Guerra do Paraguai”, narrativa da incrível saga de da mulher de Guia Lopes, herói civil dos trágicos eventos ocorridos na desastrada ofensiva norte da Guerra do Paraguai, imortalizados no livro de Visconde de Taunay, “A Retirada da Laguna”.

Tirando as embalagens dos produtos básicos expostos nas prateleiras que se modernizaram, o restante permanece como antigamente. Ao subir os degraus da entrada do imponente armazém e pisar no mosaico de  ladrilho hidráulicos original da parte da frente do prédio da Travessa Ragalzzi, beira do rio Aquidauana, a sensação de entrar num outro mundo se completa.

O mobiliário: prateleiras, balcões e expositores de madeira remetem aos tempos em que, como rememora Jandira, as carroças eram estacionadas no amplo pátio lateral (agora cercado por muros) e os cavalos levados para serem tratados e alimentados, enquanto as listas de mantimentos iam sendo providenciadas, separadas e embaladas para as longas viagens de volta às fazendas da região pantaneira.

No livro de anotações do armazém, empório e mercearia, cuidadosamente preservado, a primeira anotação é de 1 de fevereiro de 1908! O grande diário de capa verde  funcionava, mais ou menos, como as cadernetas utilizadas nas casas de produtos carnavalescos cariocas que contabilizam os gastos efetuados até que os compradores possam honrar seus compromissos.

Esta primeira sala é apenas o começo da viagem exploratória. Entrar no depósito principal ao fundo, ainda mais antigo, aprofunda o mergulho na história, embalado ao som do antigo rádio de um funcionário que toca uma polca em guarani. Fotografo cantarolando… Por suas dimensões é possível ter uma vaga ideia da quantidade de produtos necessários para abastecer as grandes propriedades da região. Jandira me conta que  era necessário trazer as mercadorias de longe e estocá-las por mais tempo para atender a clientela. Agora, com a facilidade das estradas e da distribuição, é possível aumentar os estoques apenas na época em que se fazem as grandes compras do mês.

Acho que meu interesse pela música, enquanto reproduzia as antigas fotos que mostram os fundadores do estabelecimento e comprovam a autenticidade do que lá existe hoje, preservado em sua totalidade, fez com que arrumasse mais um aliado na exploração do lugar.

José Antônio Loureiro foi me apresentando a outras preciosidades, como as antigas balanças, o galpão onde se armazenava o sal, produto essencial para o gado, o  poço no fundo do terreno e o local das bilhas de água, onde se costuma matear, tomando a bebida típica da região, o tereré. Enquanto passeamos pelos edifícios, descubro que ele é de Bela Vista e dia 1 de junho fez 39 anos que ele trabalha na Casa Candia…

Voltamos ao pátio de carregar os mantimentos, primeiro nas carroças, depois nos jipões e, agora, em veículos modernos, enquanto faço registros de tudo que vejo. Jandira aguarda pacientemente meu regresso, conversando com meu guia na viagem ao passado, o professor Fernando Pace, amigo dos tempos de Cuiabá.

Para confirmar tradicional gentileza da acolhida sul mato-grossense não saio de mãos abanando. Ganhei um pacote da farinha de mandioca da região, um delicado guardanapo de bandeja bordado pelas mãos habilidosas de dona Jandira e muitas e deliciosas histórias para contar a vocês, meus leitores de aventuras e crônicas.

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fronteira Oeste do Sul” do Sem Fim…

Começa em julho a 2ª etapa do Cineamazônia Itinerante 2016

Já saiu o  calendário com o trajeto da segunda etapa do Cineamazônia Itinerante 2016!
Novamente Brasil, Bolívia e Peru estarão interligados com cinema, circo, poesia e fotografia. Dessa vez, porém, a viagem é pelo rio Guaporé! Olhem aí por onde passará o Cineamazônia.cineamazonia

Gente que encontrei por aí…

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O resto sai na gasolina…

Será um novo dia?

Arpexsurf 160521 003Texto e foto de Valéria del Cueto

Nada nem ninguém pra contar a história. Não por falta de material. Pelo excesso de informações. Elas não param de chegar e, se não há tempo hábil para processá-las, o que dirá analisar as consequências dos fatos que se atropelam. Nem mesmo os intergalácticos equipamentos sofisticados de Pluct, Plact, o extraterrestre dão conta do recado! Resta apenas um caminho entre o ovo e a galinha. Voltemos ao caderninho. Sim, porque quando a tecnologia falha, a solução é o retorno estratégico ao início do princípio. Filosofe, analise, projete, imagine… Utilizando as ferramentas mais primárias.
Papel e caneta que é pra manter acesa a chama do recorde quase olímpico de umas quatro centenas de crônicas. A conta exata, nem Pluct, Plact com seus cálculos e registros consegue precisar. Nada de mais, se considerarmos que esse mesmo sistema é o que leva à utilização do instrumental primário já citado da caneta/caderninho. Tudo foi falhando aos poucos num efeito dominó. Computadores, tablets, internet…
É nessas horas que dá uma preguiça danada e a inércia torna o movimento em direção a mais uma crônica quase um rolar de pedra ladeira… acima. Primeiro, uma viagem rumo ao centro do continente sul-americano foi uma boa justificativa para falhar uma semana. Admissível. Depois, o feriadão obrigando a quebrar o dia da semana costumeiro. Ninguém notaria a ausência. Perdoável. Mas… uma terceira engasgada não daria para deixar passar. Todos notariam a realidade que não quer calar: as crônicas não fazem falta nenhuma. Ausência que sequer seria notada!
Não. Isso o ser intergaláctico não poderiar deixar acontecer. Não por ele. Certo, seguro e convicto de sua existência e missão de viajante espacial e observador das galáxias. Mesmo ciente de sua atual condição de imobilidade terráquea, provocada pelo mau uso e distribuição das forças gravitacionais que o prendiam aquela que parecia ser a maior odisseia político, econômica, social que havia presenciado em seus milênios de viagens siderais.
A pedra de toque a diferenciar esta de tantas outras aventuras era tão simples quanto andar a pé. Tão pura como fonte de água cristalina. Tão singela e comovente como uma lágrima de alegria. A necessidade de manter viva a lembrança de que lá, do outro lado do túnel, numa cela pequenina, em seu isolamento consciente e voluntário havia uma cronista entrincheirada e resistente aos inacreditáveis fatos que se sucediam do lado exterior. Por isso o sistema precário de escrivinhação se fazia necessário. Era imperioso que o mundo soubesse que sim, ela ainda existia, estava lá.
O que o movia era algo desconhecido até encontrar as antigas crônicas e ter a curiosidade de conhecer sua autora: a amizade acima de quaisquer circunstâncias. Lera, analisara e entendera as centenas de textos produzidos antes de encontrá-la e vira que, em algum momento, o que estava se desenhando em suas reflexões, tornara-se um peso quase insuportável diante da concretização de suas mais estapafúrdias suposições.
E, quando todos achavam que era impossível acontecer, fez o pacto de ser seu contato com o mundo (i)real. Jurando preservar sua frágil sanidade mesmo quando a desumanidade e o improvável que ela havia previsto em suas piores premonições se tornassem realidade.
Agora já não se preocupava mais com as notícias que provocariam ondas de risadas enlouquecidas. Elas ecoariam pelos corredores protetores. Tudo, estupros, golpes, acidentes aéreos, mortes estúpidas dos que navegavam em busca de refúgio, tiros, bombas e afins era apenas a desumanidade explodindo conforme acontecia ao fim de cada era, multiplicada exponencialmente pelas maravilhas tecnológicas em uso.
No más a fazer para evitar o desenrolar dos acontecimentos. Fora assim com maias, egípcios, gregos, romanos, com os deuses astronautas! Mais uma civilização fadada a seu destino escrito nas estrelas. A ele cabia apenas amar e preservar a estrela que ali, naquela cela, olhar perdido diante de todas e tantas mazelas, continuava empenhada em sua missão impossível de acreditar na esperança que nem ela própria alcançará. Realidade dura e cruel de um tempo em que a ficção e a imaginação deixaram saudades…

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do Sem Fim…